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História Because of You -Fillie - Capítulo 36


Escrita por: MabelSousa

Notas do Autor


Boa leitura ♥️

Capítulo 36 - 30 How you remind me




"Dessa vez, o meu erro foi entregar a você um coração que valesse a pena partir.
Estas cinco palavras dentro da minha cabeça gritam: Nós ainda estamos nos divertindo?"



Millie.

-Você pelo menos sabe em que hospital ela trabalha? -Aidan perguntou enquanto aquela lata velha que ele chamava de carro tentava atingir o máximo de sua velocidade pela estrada que interligava Denver ao distrito de Aurora.

No celular eu buscava qualquer referência para o hospital. Não sabia de nada, apenas que Lexi trabalhava obviamente no maior deles, o que eu tinha visto o nome em qualquer revista médica que ela havia deixado mofando naquela casa.

-Esse carro não tem GPS? -Indaguei mal conseguindo disfarçar minha ansiedade e o desespero de finalmente ficar frente a frente com minha irmã.

Aidan achou graça de forma infeliz e sacudiu a cabeça.

-Tenho sorte dessa carro ainda andar.

Coloquei a localização no meu telefone e o mostrei o trajeto que teria que fazer até chegar no centro da cidade.

-É esse o hospital.

-Já sabe o que vai fazer? Não pode chegar fazendo um escândalo num lugar como esse. Deve ser lotado de seguranças. -Ele comentou verificando meu celular.

-Não importa, apenas vá. -Ordenei não dando a mínima para seguranças ou não.

Simplesmente não era algo que eu tinha como evitar ou adiar. Se Lexi estivesse no hospital, com ou sem pessoas ao nosso redor ela ia ter que olhar na minha cara e confessar a merda toda que Aidan tinha me falado.

A tela do meu celular vibrou e surgiu nela o contato de Finn ligando pela quarta vez seguida desde que eu havia saído da cidade, e também pela quarta vez, eu desliguei a chamada.

-Millie, acho que você deveria atender. O Finn deve estar pensando besteira.

Aquela altura eu duvidava que ele não estivesse sabendo de tudo. Do contrário ele não me ligaria. Talvez Sadie e Caleb tivessem contado para ele. O que eu não podia sequer parar para pensar naquele momento.

-Não seria a primeira vez que ele pensa besteira sobre mim. Não me importo com isso. -Respondi, colocando novamente o celular em modo GPS.

Aidan suspirou pesadamente.

-Mas ele teve razões para pensar merda, agora e antes também.

-E quem você pensa que é para dizer isso? Foi por sua culpa, droga!

Se era ruim descobrir toda aquela história, escutar Aidan querendo ajudar depois de tudo era ainda pior.

-Eu sei... -Ele disse baixinho. -E sinto muito por isso.

-Tem que sentir mesmo. -Me recostei no banco, a um passo de abrir a maldita porta e pular para fora do carro.

Nunca havia sentido tanta raiva e frustração como agora. E elas só cresciam como um veneno que eu precisava expurgar para fora antes que me matasse.

Aidan tomou a decisão inteligente de passar o resto do caminho em silêncio até chegarmos ao centro.

Aurora era uma cidade muito pequena em comparação a Denver, mas muito bonita. Perfeita para alguém tão perfeita como Lexi que eu apostava ser um ser humano exemplar e uma médica renomada para todas aquelas pessoas. Mal eles sabiam...

O hospital central era majestoso, duas colunas de prédios altos rodeados por jardins bem cuidados, rampas e portas de vidro com dois seguranças em cada lado.

-Millie, vamos pensar em um plano. -Aidan sugeriu nervoso assim que estacionou o carro.

Sua figura raquítica parecia diminuir de tamanho conforme nos aproximávamos do momento em que veríamos Lexi.

-Não tem plano nenhum, Aidan. Nós vamos entrar e pedir para alguém chama-la. Só isso.

-É que...

-Está com medo? Ela tem algo contra você? -Perdi um pouco da paciência que me restava e já estava começando a desconfiar de toda aquela hesitação de sua parte.

Ele negou com a cabeça lentamente.

-Não é isso. Só não queria arranjar mais confusão.

Achei graça infeliz e desprendi o cinto de segurança.

-É tarde demais. Eu não vim aqui para ficar calada agora. Você vem ou não?

Sua resposta não foi verbal. O homem precisou respirar fundo antes de tirar o cinto e descer comigo.

Ao passo que andávamos pela parte asfaltada do jardim as pessoas olhavam. Inicialmente achei que fosse para mim devido a calça escândalosa de tão justa e a camisa curta na cintura que eu usava por baixo da jaqueta jeans, mas não era isso que estava chamando atenção, mas Aidan escondido dentro do moletom com o capuz por cima da cabeça.

Desde que eu havia descoberto sua intenção em me procurar, tinha deixado de ter medo dele, mas uma coisa era certa: Aidan não estava muito bem e não era apenas da aparência física que eu estava falando.

Passamos ilesos pelos seguranças, mesmo que eu estivesse praticamente correndo pelo saguão de entrada até a grande recepção do hospital, onde um rapaz alto e jovem se prontificou em me atender.

-Quero falar com uma pessoa.

-É um paciente?

-Não. Uma médica.

De imediato o homem olhou por cima do meu ombro para Aidan, nitidamente desconfiado.

-Uma médica? Qual o nome? -Perguntou com um pé atrás.

-Lexi. -Disparei, mas pelo cenho franzido dele percebi o meu erro. Era lógico que ele não saberia pelo apelido. -O nome completo dela é Alexia Jayde Brown. Ela é minha irmã.

Ao contrário do que imaginei, seu cenho continuou franzido como se não entendesse o que eu estava falando, mas ainda assim digitou a informação no computador.

-É. Essa pessoa não trabalha aqui.

-Como não? Ela é cardiologista. Trabalha aqui a quase cinco anos. -Me alterei e Aidan segurou a parte de trás do meu braço.

-Moça. -O recepcionista sorriu nervoso. -Acho que você está confundindo. É dessa mulher que está falando?

Ele virou a tela do computador para o lado de fora do balcão onde eu estava e vi uma ficha com a foto de Lexi bem mais nova, como se tivesse sido tirada a muito tempo atrás.

-Sim é ela.

-Bem, ela fez sim a residência médica da faculdade nesse hospital, mas não trabalha aqui efetivamente, na verdade ela desistiu do programa antes de terminar.

-Ela não se formou? É isso? -Foi Aidan que perguntou. Eu ainda tentava digerir aquilo tudo.

-Pelo tempo de residência sim, mas não concluiu nesse hospital. Pode ter sido em outro.

-Impossivel. -Bradei quase perdendo o controle. -Ela tem o telefone desse hospital anotado em todas as agendas de casa, ela mora aqui para conseguir trabalhar!

Já estava chamando um pouco de atenção, então o homem se alertou fazendo um gesto para que eu falasse mais baixo.

-Se essa médica trabalhasse aqui certamente nós saberíamos, moça. Infelizmente você veio procurar no lugar errado, agora por favor peço para que deixem o hospital se for apenas isso que desejam.

-Millie... -Aidan tentou me puxar para fora.

-Como eu descubro onde ela trabalha? -Puxei minha bolsa, recuperando a cópia da receita médica que Lexi havia me dado no nosso último encontro. -Esse número no carimbo é o número do registro de medicina dela, não é?

Mesmo contrariado, ele olhou para a receita e ergueu uma sobrancelha ao me devolver.

-Olha, não sei. Faça uma pesquisa na internet. Provavelmente não vai descobrir onde ela trabalha, mas vai saber se esse registro está ativo ou não. É tudo o que eu posso informar nesse momento.

-Millie, temos que ir.

Dessa vez olhei para trás, um dos seguranças do hospital estava a espreita, esperando apenas um sinal para chegar mais perto.

Olhei de um lado para o outro em seguida me sentindo desnorteada e confusa. Lexi não trabalhava onde dizia. Era mais uma mentira. Mas como? Porque?

Aidan precisou me guiar para fora do hospital enquanto minha cabeça parecia dar um nó cada vez mais seguro e impossível de desatar.

-Me dê seu celular, vou ver se acho alguma coisa na internet. -Ele pediu assim que entramos dentro do carro de novo.

Eu entreguei, notando ali que ele nem ao menos um celular possuía, mas estava aflita demais para pensar naquilo.

Aidan digitou o número do registro de Lexi, leu brevemente o que apareceu e balançou a cabeça.

-Esse número está inativo, Millie. Lexi não atua como médica desde que se formou.

Puxei o celular da mão dele, mas tudo o que eu conseguia ver eram as palavras dançando na frente dos meus olhos e coisas se encaixando na minha cabeça.

A receita que Lexi havia me dado e o fato de ela me obrigar a comprar a Morfina apenas na farmácia de um amigo longe da cidade, não era porque ela se preocupava com a desconfiança que aquilo poderia causar, era porque nem a porra de uma médica registrada ela era. Então em uma farmácia convencional, aquela porcaria de receita não ia servir de nada.

-Tão óbvio, porra! Como eu não pensei nisso antes?

Estava tão cega pela necessidade de morfina que sequer parei para pensar.

-Tem coisa errada nisso, Millie. Lexi pode até ser presa se você fizer uma denuncia contra ela mostrando essa receita.

Avaliei o gosto que teria em ver Lexi presa, mas apesar de tudo, não era aquilo que eu queria. Fui a Aurora com o intuito de saber a verdade, de entender porque Lexi me odeia tanto, mas tudo o que encontrei foram apenas mais perguntas sem respostas.

Quem diabos era minha irmã?

-Não vou fazer nada agora, vamos voltar para Denver. Eu não estou pensando direito. -Falei, me resignando ao fato de que não obteria nada em Aurora.

Aidan assentiu e ligou o carro, o pondo de novo na estrada.

-Onde você está morando? -Perguntei de repente, me dando conta de que no alvoroço eu não tinha descoberto nada sobre ele.

Ele pareceu um pouco incomodado com a pergunta, mas maneou a cabeça para trás onde vi uma mochila velha em cima do banco do carro.

-Está morando dentro desse carro? -Não podia acreditar.

-Não exatamente. As vezes fico na casa de uns caras conhecidos.

-Ainda está usando não está?

Era tão óbvio que ele sequer hesitou em responder.

-Algumas coisas, mas não vendo mais. Você queria?

Fiquei lívida pela oferta e ele tratou de se explicar.

-Sei para que serve a Morfina, Millie e essa receita é para você não é?

-Não é da sua conta.

Ele deu de ombros, voltando a prestar atenção na estrada.

-Algumas coisas não mudam. Por sorte você está parece melhor do que eu.

-E a sua família? Não tem ninguém? Como conseguiu chegar até aqui para me encontrar? -Mudei rapidamente de assunto.

Aidan deu um muxoxo e negou suavemente com a cabeça.

-Dei um jeito, Millie. A única coisa que você precisa saber é que eu fiz o necessário para sobreviver. As coisas não foram fáceis, sofri as consequências pelo que fiz e voltar até aqui foi um jeito de tentar fazer a coisa certa com você.

-E o que realmente espera em troca? dinheiro? -Ninguem era tão benevolente daquela forma se não tivesse alguma intenção por trás.

Ele me olhou com o semblante orgulhoso e ofendido.

-Não quero seu dinheiro. Quero uma chance de me redimir, só por isso estou aqui.

No fundo algo dentro de mim me dizia que ele estava sendo sincero, mas não dava para confiar. Não dava para confiar em mais ninguém.

-O Finn vai quebrar a sua cara se te encontrar. -Comentei, esperando que aquilo o assustasse se se sua intenção fosse realmente me enganar.

Aidan não se abalou. Era como se nada o assustasse. E aquilo era uma coragem impressionante ou uma tremenda burrice.

-Estou correndo o risco. No fundo acho que ele vai entender.

Eu duvidava. Porque mesmo Aidan sendo só mais uma marionete, aquilo não diminua em nada o que ele havia feito. Só que eu não disse isso em voz alta.

-Eu vou descobrir o que a Lexi está fazendo e eu juro que isso não vai ficar assim. Ela vai me pagar, Aidan. -Falei ciente de que ele se sentia culpado. -Ja você... Acho que já está pagando.

Sem outra resposta, ele assentiu.

--

Finn.

Justo quando eu não tinha cabeça para pensar em nada, a WolfHall estava mais abarrotada de trabalho do que nunca. Nick tinha dado um jeito nas minhas funções enquanto estive no México, mas a porra toda de inúmeras papeladas que precisavam da minha concentração e da minha assinatura, formavam pilhas e pilhas intermináveis.

Algo que fiz dividindo o tempo entre ler tudo, assinar e tentar ligar para Millie que de tanto negar minhas ligações, simplesmente passou a desligar o telefone ou bloquear o meu número até que as chamadas simplesmente não completavam mais.

E ter aquele monte de coisas para fazer com minha cabeça totalmente voltada para ela, foi uma das coisas mais complicadas que tive de fazer em todos os anos sendo o presidente da empresa.

Havíamos conseguido um prédio provisório para passarmos o tempo da reforma em outro lugar, isso havia sido feito por Nick junto com o conselho enquanto eu estive fora, mas o processo de mudança não era tão simples assim. Não era simplesmente pegar nossas coisas e levar para o outro prédio.

A WolfHall já contava com vários setores, a diretoria, RH, financeiro, jurídico, TI, comercial, serviço social, vendedores externos e internos e mais a cacetada de funcionários que trabalhavam na limpeza e na alimentação.

E toda a migração desses setores tinha que ser feita por partes, algo que me custaria muito tempo e muita dor de cabeça.

Se eu já vinha questionando minha posição na empresa, a ideia de abandonar tudo para alguém que realmente queria estar no controle de tudo aquilo nunca me pareceu tão tentadora quanto naquele momento.

Só que não era tão fácil assim. A WolfHall precisava de mim mais do que nunca.

-Senhor Wolfhard. Vou mandar servir um café em sua sala, o senhor chegou e não comeu nada desde então. -A voz de Ramona saindo da secretaria eletrônica na minha mesa me assustou.

-Agora não. Só vou sair no horário de almoço. Nick já chegou?

-Já sim, mas ele está em reunião. Posso pedir para a secretária dele avisar para ir até sua sala quando terminar.

-Não. Apenas avise que eu vou estar no refeitório no almoço. Diga para ele me encontrar lá. -Tirar Nick depois da reunião enquanto eu ainda estava lotado de trabalho era uma péssima idéia, mesmo eu estando desesperado para falar com alguém.

-Tudo bem. O senhor não quer mesmo o café? -Ela insistiu do outro lado.

-Não, Ramona. Obrigado.

Quando ela desligou, fiz de tudo para voltar a minha atenção ao trabalho e não parar para cometer o desatino de recorrer a informações de Sadie ou Caleb. Eles tinham razão, Millie precisava se resolver com Lexi sozinha sem a minha interferência, embora eu quisesse mais do que tudo saber o desenrolar daquela história e também ter meu momento de confronto com Lexi.

Porque aquilo iria acontecer. Ela tinha que olhar para mim e repetir cada maldita palavra.

Ao meio dia, depois de ter conseguido despachar ao menos metade do que eu tinha que fazer e verificar que Millie permanecia bloqueando meu número, desci para o almoço no refeitório da empresa.

Estava um pouco lotado, mas a mesa designada para a diretoria por sorte estava vazia e no caminho até ela tive que sorrir e cumprimentar os funcionários que estavam completamente surpresos em me ver no refeitório já que não era comum que eu comesse ali. Preferia minha sala, ou até um restaurante próximo, mas se saísse da empresa, certamente não resistiria a ir atrás de Millie.

Depois que uma funcionária serviu o prato executivo que pedi, Nick apareceu no saguão. Já vinha sorrindo para mim com sua pasta preta embaixo do braço e ainda alheio ao motivo pelo qual eu havia pedido que nos encontrassemos no almoço.

-Comendo no refeitório, isso é novidade pra mim. -Ele largou a pasta na mesa e sentou na cadeira de ferro na minha frente.

-É um problema pra você?

-Claro que não. Eu adoro a comida daqui e estou morrendo de fome.

Esperei que ele se servisse e voltasse para a mesa com sua bandeja abarrotada com o almoço, mas Nick percebeu minha seriedade assim que voltou a se sentar na minha frente.

-Parece que sua noite não foi das melhores. -Ele comentou segundos antes de encher a boca com bife.

Eu sequer havia dormido. Depois que saí da boate, quase as cinco da manhã, fiquei acordado perambulando pelo apartamento até decidir que não podia faltar ao trabalho.

-A noite foi péssima, na verdade. Como foi a reunião? -Eu precisava desviar um pouco do assunto antes de começar.

Nick sorriu e respondeu de boca cheia.

-Tratamos do negócio do resort, só falta você verificar a proposta e assinar. O documento está na sua mesa desde de manhã. Já deu uma olhada?

Eu não fazia a menor idéia, portanto neguei com a cabeça.

-Beleza. O que está rolando? Você está todo esquisito, quer dizer, mais do que o normal.

Como não havia mais como fugir e como eu precisava desabafar, contei tudo para ele. Desde o momento em que cheguei na boate e vi Millie com Aidan, até tudo o que Sadie e Caleb me contaram depois que os dois saíram de lá às pressas.

Consegui o impossível, pois enquanto eu falava, Nick simplesmente parou de comer para prestar atenção esquecendo totalmente que havia comida em seu prato.

-Puta merda, isso é sério? A Lexi fez tudo isso mesmo? -Ele estava entre puto da vida e incrédulo com as revelações.

-Aparentemente sim. -Permaneci apático, pois demonstrar o que aquele assunto realmente me causava no meio do refeitório era a última coisa que eu poderia fazer.

Nick se recostou na cadeira e sacudiu a cabeça lentamente, com o olhar perdido e em choque.

-Mas que filha da puta! -O encarei sério para que ele se tocasse e diminuísse o tom de voz, então ele chegou mais perto. -Porra Finn, que mulher maluca! De onde ela inventou de fazer essa merda?

Por mais que eu tentasse, não conseguia achar uma explicação. Deveria ser porque ela simplesmente não existia.

-Não sei. Ela queria ficar comigo, é óbvio.

-Certo, mas dopar a própria irmã para forjar uma cena de traição? Porra isso é doentio!

Sim. E me parecia enredo de uma novela, não algo que estava realmente acontecendo comigo. Na porra da minha vida.

-E a Millie, como reagiu? -Ele indagou mediante minha falta de resposta.

-Mal eu suponho. -Não saber exatamente me deixava ainda mais frustrado. -Não vi o momento em que ela descobriu. Depois que eu cheguei já boate ela saiu com o Aidan e os dois foram para Aurora tentar encontrar a Lexi. Você... Acredita totalmente nessa história?

Eu não tinha dúvidas, mas talvez não estivesse pensando direito, por isso precisava de um segundo ponto de vista.

Nick hesitou parecendo pensar por um segundo.

-Não parece invenção, até que faz sentido. Sempre achei a Lexi muito sonsa. Ninguém é tão boazinha daquele jeito o tempo todo. -Ele achou graça de maneira infeliz. -Pra dizer a verdade eu esperava que você acabasse descobrindo algum podre dela, mas não achei que chegaria a esse ponto. Cogitei até a possibilidade de que ela tivesse um caso.

Ergui uma sobrancelha, depois neguei com a cabeça. Não que aquilo fosse mudar alguma coisa sobre como eu estava me sentindo em relação a Lexi, mas simplesmente era impossível.

-Não. Isso não. Quem me dera fosse uma traição desse jeito.

O que Lexi havia feito era muito pior, mas se havia alguma coisa que eu sabia sobre ela era que ela não me traía daquela forma como Nick estava sugerindo.

-Vai saber. -Nick deu de ombros. -Não duvido mais de nada. -Ele fez uma pausa para me analisar. -Cara, você e a Millie não ficaram juntos por causa de uma armação. Passaram sete anos se odiando... Por nada.

Ouvir aquilo era quase tão difícil quanto sentir. Me vinha tanta raiva, tanto desespero que eu não sabia como lidar.

-Eu a culpei esse tempo todo. Fiz e disse tanta coisa que você não tem idéia.

Nick assentiu chateado.

-Pior que tenho. Não foi só você que pensou errado, todo mundo fez isso. Eu também. Enquanto isso a filha da puta da história era a Lexi o tempo todo. Ela não enganou só você, enganou todos nós. Cara, quando o pai e a mãe souberem disso...

-Pega leve, Nick. Já basta de confusão. Não quero que isso saia daqui por enquanto, até pelo menos eu decidir o que fazer. -O interrompi, temendo a ideia de que aquilo tomasse uma proporção ainda maior.

-Mas todo mundo tem que saber o que essa maluca fez. -Ele pontuou.

-Claro, mas agora não. A Millie já está magoada demais e nem sequer está falando comigo. Não vou expor ela a mais nada por enquanto.

Ele pareceu compreender o meu ponto quando assentiu com a cabeça.

-Sei. É uma merda mesmo. -Ele correu os dedos pelos cabelos. -Mas sabe, você errou feio, mas ela não pode te culpar por isso. Você não sabia de nada, cara.

Eu desconfiava que a mágoa de Millie não vinha apenas do passado. Nick tinha razão. Eu não sabia. O problema era a merda do Aidan. E Millie ter ficado sabendo que eu sabia que ele estava de volta tinha arruinado tudo pois ela estava achando que tudo o que eu vinha fazendo era apenas por medo de que ela me traísse de novo. E não era.

-Não é tão simples. Ela tem outras razões para estar chateada comigo. Só não sei como consertar as coisas.

Como eu iria consertar uma merda como aquela?

-Pelo visto você está dando um tempo se está aqui agora e não feito um louco atrás dela. -Nick tentou brincar, mas viu que não tinha graça e ficou sério de novo. -Foi mal. Também não sei o que dizer.

Não era que eu estava dando um tempo, era porque eu não sabia o que fazer.

-Vou conversar com ela... Se ela quiser.

Nick tentou parecer otimista quando assentiu, mas não proferiu mais nenhum comentário em seguida. Terminamos o almoço em um silêncio carregado, cheio de perguntas não respondidas e com um eco zumbindo nos meus pensamentos.

Voltamos juntos pelo elevador até o andar da diretoria e foi ao sair de dentro dele que escutei uma pequena discussão se formando na recepção.

-Eu não quero saber se preciso de uma hora marcada ou não. Eu vou entrar e vou falar com o seu chefe e não vai ser você que vai me impedir!

Aquela voz alterada e tão familiar ecoando pelo departamento me roubou todo o ar e a minha atenção se voltou apenas para a pequena mulher loira que gritava descontrolada com a minha secretária atrás do balcão.

Ramona que parecia puta da vida me notou de imediato quando sai do elevador e levantou da cadeira num salto.

-Finn, já avisei a essa moça que precisa de hora marca...

-Ela vai entrar. -Falei interrompendo-a antes que ela terminasse de falar.

Millie virou na minha direção ao escutar minha voz e por um mísero segundo a carranca de sua marra se desfez quando ela me encarou. Um segundo que pareceu infinito quando eu tinha aquela mulher sobre meus olhos novamente. Exalando raiva. Mágoa e decepção. Mas tão linda ainda assim.

-Mas, Finn, e a papelada?-Ramona e sua insistência quebraram o momento e Millie novamente desviou o meu olhar para qualquer lugar do departamento.

-Não passe mais nenhuma ligação para mim, depois cuido disso -Fui andando em direção a minha sala ciente de que Millie entenderia aquilo como um sinal para me seguir.

Queria ficar sozinho com ela o mais depressa possível, mesmo vendo que ela não tinha ido até ali para uma conversa amigável.

-Se alguém ligar, mande para o meu telefone Ramona. -Escutei Nick avisar antes de desviar o corredor para sua sala.

Abri minha porta e Millie entrou em seguida. Ao sentir seu perfume doce provando que ela havia acabado de tomar um banho para ir até ali e senti-la passando por mim para entrar, quase me fez perder o eixo.

Tanto que me distrai com a visão dela na minha sala. Cruzando os braços de costas para mim perto da minha mesa como se estivesse se sentindo intimidada.

Não sei quanto tempo passei feito um idiota sem reação, mas em algum momento ela virou o rosto para mim.

-Não vai fechar a porta?

Tensionei os músculos do corpo que pareciam meio mortos e assenti, fazendo exatamente aquilo em seguida.

-Que bom que apareceu. Você bloqueou o meu número? -Tentei agir naturalmente, mas quando me aproximei, ela se afastou.

-Não vim aqui falar sobre isso. -Falou negando com a cabeça.

-Sobre isso o que?

-Sobre nós dois. -Foi clara. Com uma frieza que me fez gelar por dentro.

-Certo. Senta aí.

Quando dei a volta na mesa, desfiz um pouco do nó da gravata esperando que aquilo me ajudasse a respirar normalmente.

Como eu esperava, quando me virei, a encontrei de pé sem me obedecer.

-Fui até Aurora, mas a Lexi não está lá.

A informação repentina me fez sacudir a cabeça.

-Como assim?

Millie revirou os olhos e descruzou os braços, apenas para que eu percebesse seus ombros nus revelados pelo vestido sem alças preto e as tatuagens pintadas naquele ponto.

-A Lexi não está em Aurora e não é só isso. Ela nunca trabalhou lá porque ela não é nem mesmo uma médica registrada.

Ela veio andando na minha direção sacando o celular e me mostrando algum site do conselho regional de medicina. A princípio, sua aproximação me distraiu, quase não consegui identificar o que estava vendo, até ler as últimas linhas onde dizia que o tal registro de Lexi estava vencido.

-Isso não faz sentido. -Peguei o celular de sua mão e me sentei na minha cadeira, lendo e relendo toda aquela merda para confirmar.

-Eu fui até o hospital, Finn. Ela fez a residência da faculdade, mas nunca trabalhou lá de verdade.

-Millie isso não é possível. -Coloquei o telefone sobre a mesa, completamente estarrecido. -Ja viajei com a Lexi várias vezes para Aurora. Eu a deixava na porta daquele hospital para ela trabalhar.

O comentário fez Millie torcer o nariz.

-Sim, claro e só isso foi o bastante para acreditar nela não é ? Sempre tão fácil quando é a Lexi.

Entendi a dualidade de sentido e me senti um merda. A verdade era que até ali, Lexi não havia me dado qualquer razão para desconfiar de nada, principalmente do emprego que ela tinha.

-Você foi no lugar certo? Tem vários hospitais naquela cidade.

-Estou dizendo que fui na droga do hospital certo. Você não está prestando atenção no que eu estou dizendo? -Ela se alterou, começando a parecer ainda mais agitada e nervosa.

-Estou sim, fique calma. -Levantei, mas ao tentar chegar perto dela, Millie se afastou de novo e eu tive que parar. -Se ela nunca trabalhou lá, que merda esteve fazendo esse tempo todo?

Millie voltou a cruzar os braços.

-Não sei. É isso o que eu quero saber. Você é a única pessoa que pode ter alguma idéia. Ficou com ela por sete anos.

Nós dois desviamos o olhar ao mesmo tempo.

-Não tenho ideia de quem eu namorei por sete anos.

-Você tem que saber de alguma coisa. Alguém, alguma amiga que ela conversasse ou conhecesse lá em Aurora.

Ponderei sobre, mas minha cabeça estava completamente em branco em relação a Lexi. Eu não era capaz de lembrar de nada significante.

-Ela dizia que tinha amigas, mas não conheço nenhuma. Nunca as vi.

-Ah que maravilha! -Ela ironizou cheia de escárnio. -Como você fica com uma pessoa por sete anos e não sabe sequer o nome de uma amiga?

Apesar de dizer que não queria falar sobre isso, talvez provocada pela raiva, ela estava vez ou outra tocando no assunto.

-Você sabe muito bem como era nosso relacionamento. A Lexi não me contava nada e eu... Perdi o interesse com o tempo.

Aquilo era tão real que se fosse a algum tempo atrás eu sequer teria coragem de admitir. Millie, obviamente não acreditou.

-Perdeu o interesse, mas ficou com ela até agora.

-Quer falar sobre isso? -Dessa vez consegui chegar bem perto e ela não deu para trás.

Ela ergueu o rosto para mim e me encarou. Estávamos tão perto que eu podia sengir sua vibração furiosa, sua respiração. Seria tão fácil toca-la, sentir sua pele para me acalmar...

-Quero que você me diga que merda está acontecendo. Quero que você faça alguma coisa. -Ela apontou o dedo, batendo com ele direto no meu peito.

-Mas eu não sei. -Me afastei. Confuso, irritado e cansado daquela merda. Até que algo me passou pela cabeça. -Espere um pouco.

Voltei para minha mesa e peguei meu celular. Lexi havia bloqueado meu número, mas eu tinha o telefone do hotel que ela sempre se hospedava em Aurora.

Completei a ligação e Millie me assistiu enquanto conversei com a recepção.

-A doutora Alexia desfez as reservas a uma semana. Ela não voltou a se hospedar aqui de novo. -A mulher respondeu quando indaguei se Lexi havia voltado a se hospedar lá.

Aquilo explicava muita coisa. Lexi dizia que era o hospital que bancava a hospedagem e se ela teve que desfazer as reservas, significava que nunca houve um hospital bancando nada. Era ela quem pagava para ficar no hotel.

-Certo. Ela dividia o quarto com uma amiga, sabe me dizer se essa garota continua hospedada aí?

A mulher hesitou do outro lado, parecendo verificar algo no computador.

-Não. Ela sempre esteve sozinha no quarto, só as vezes que apareciam algumas pessoas para visitá-la, inclusive o senhor.

-Que pessoas eram essas? -Aumentei o tom de voz e Millie se aproximou alarmada.

-Não vou saber responder, infelizmente. Ela apenas autorizava e mandava subir. Ficavam algum tempo lá em cima e depois desciam.

-Existe algum tipo de convênio do hospital Regional de Aurora com esse hotel? -Eu precisava confirmar, mesmo já tendo certeza.

-Não.

Porra. Que filha da puta mentirosa.

-Tudo bem. -Respirei fundo precisando me conter. - Obrigado pelas informações, se a Lexi aparecer pode me ligar avisando? Ela sumiu e eu estou preocupado. -Inventei.

-Claro que sim. Vou deixar seu número salvo na agenda do hotel.

-Obrigado.

Desliguei o telefone, o jogando para longe em cima da minha mesa.

-Eai? Descobriu alguma coisa? -Millie perguntou, mas seu semblante já dizia que sabia muito bem a resposta.

-Era tudo mentira. Não existe convênio nenhum com o hospital, não existe amiga nenhuma. Ela se hospedava sozinha e pagava por isso. Agora foi embora de lá.

Os ombros de Millie murcharam e ela massageou a têmpora, se afastando de mim outra vez.

-Desgraçada!

-Não ficou alguma coisa na sua casa? Lexi não pode ter levado tudo quando foi embora. -Sugeri pois lembrava que ela não havia levado mais do que algumas malas.

-Eu já olhei tudo quando cheguei. -Millie se sentou na cadeira próxima a minha mesa, parecendo cansada e frustrada. -Ela deixou algumas roupas e cosméticos, mas só. Não tem nada de útil.

Fiquei em silêncio a observando, tentando buscar na minha mente algo que ajudasse, mas lembrar dos anos em que estive com Lexi não me dizia coisa alguma. O tempo havia me feito cada vez mais suscetível a esquecer. Os detalhes que eu sabia que deveriam me fazer desconfiar foram ficando para trás e a confiança cega que eu tinha nela não me deixava ver que aquilo sempre foi uma merda esquisita. Era com aquilo que Lexi me ludibriava, não apenas a mim, mas todo mundo.

O suspiro alto de Millie me fez sair dos pensamentos.

-Bem, pelo visto você está muito mais perdido do que eu. É melhor eu ir embora e tentar descobrir alguma coisa sozinha.

Quando ela levantou, eu a segui depressa até a porta e bloqueei sua passagem.

-Espere. -Millie parou. -Vamos conversar.

Ela automaticamente sacudiu a cabeça, mas não havia jeito. Eu não iria deixa-la sair sem me escutar.

-Eu não sabia, Millie. Se eu ao menos desconfiasse...

-Não quero falar sobre isso agora, Finn. Me deixa ir, por favor.

-Não. -Dei um passo a frente e consegui segurar seus ombros com delicadeza. -Se eu tivesse desconfiado, tudo teria sido tão diferente, você sabe que eu teria feito qualquer coisa por nós dois.

Ela apenas abaixou a cabeça e retirou minhas mãos de si.

-Você já fez muito. Inclusive muito obrigada por me ajudar no México com os meus problemas, deve ter sido muito difícil ter largado tudo só por medo de que eu te traísse de novo.

Sabia que era aquilo.

-Isso não é verdade, baby. -Peguei seu queixo. Só vi decepção e raiva em seus olhos.

-Não me chame assim. -Ela quis parecer firme, mas sua voz saiu baixinha. -Você só está fazendo isso porque agora sabe que eu não fiz nada, mas isso não significa nada quando você não confiou em mim quando eu precisei. Quando eu confiei em você.

Ela estava vendo tudo errado, mas estava também coberta de razão em pensar daquele jeito, até porque não havia forma de acreditar em mim.

-Foi um plano sim. -Confessei fazendo um esforço para me afastar e deixa-la me ouvir com clareza. -Mas não fiz aquilo só por medo. Eu queria te ajudar de verdade e eu fiz isso.

Tentei usar aquilo ao meu favor, mas a forma como Millie me olhou deixou claro que não adiantou de nada.

-Estamos sempre nisso, já percebeu? -Ela perguntou retoricamente. -Eu faço uma coisa que você julga como errado e você vai lá e arma um plano para se vingar ou me enganar. Quer saber de uma coisa... No que você é diferente da Lexi nesse sentido?

Porra, ela poderia estar com raiva e com razão, mas aquilo era demais.

-Não fale assim. Não sou como ela. Nada do que vim fazendo com e por você desde que voltou foi um plano.

Ela suspirou baixinho, exaurida da minha voz e das minhas explicações.

-Eu não quero pensar nisso agora. Tenho coisas mais importantes para me ocupar e você não é uma delas. -Ela fez uma pausa e olhou ao redor. -E sabe... Nada mudou. Eu continuo não cabendo nesse seu mundo.

Como ela não cabia se ela era o meu mundo?

Até pensei em fazer exatamente aquela pergunta, só que como as coisas estavam, Millie provavelmente riria da minha cara.

-Vamos conversar depois e você vai ver que estou falando a verdade. -Me recompus, querendo parecer firme como sempre fui e não o babaca fraco que estava me tornando. -Vou pedir para alguém deixá-la em casa.

-Não precisa, eu vou pegar um táxi.

Millie bateu de frente comigo quando não deixei espaço para que ela saísse.

-Não custa nada aceitar uma carona. É mais seguro. -Insisti, a um passo de cometer uma locura como tocar nela que era o que eu tanto queria fazer.

Ela bufou cheia de estresse. Pelo visto eu não era o único com os nervos inflamados pela nossa aproximação.

-Está bem! Mas tem que ser logo. Não quero mais ficar aqui.

Assenti, mesmo me custando me afastar e abri a porta deixando-a sair primeiro.

Ramona que parecia a espera do momento em que sairíamos da sala estreitou os olhos na nossa direção quando nos viu.

-Peça para alguém da portaria preparar um carro com um motorista. Vamos descer e esperar lá embaixo. -Pedi e mesmo estando nitidamente curiosa, ela assentiu e pegou o telefone para ligar.

Millie foi andando na frente para chamar o elevador, fazendo questão de deixar bem claro que não queria minha companhia por muito tempo.

-Vai descer comigo também? Eu sei o caminho. -Disse ela de braços cruzados e sem olhar para mim enquanto esperava o elevador subir até o nosso andar.

Respirei fundo tentando ao máximo me manter calmo diante a sua frieza e arrogância, mas não consegui responde-la. O que não significava que iria deixa-la descer sozinha.

Quando o elevador finalmente chegou e as portas se abriram, levei o maior susto da vida me deparando com minha Mãe descendo dele.

Ela também ficou surpresa, mas de um jeito positivo pois assim que oscilou o olhar de mim para Millie um sorriso animado surgiu em seu rosto, o que me fez lembrar do quão inocente ela ainda estava em relação a tudo o que vinha acontecendo nas últimas horas.

-Ah, que surpresa boa! -Ela disse cheia de empolgação saindo de dentro do elevador e indo direto abraçar Millie.

Por cima do ombro de Mary, Millie me olhou confusa e meio em choque, nitidamente sem saber como reagir. Fiz um gesto negativo com a cabeça para tranquiliza-la, deixando-a perceber que minha mãe ainda não sabia de nada. Então Millie relaxou, a abraçando de volta, no seu jeito típico sendo um pouco distante.

Quando minha mãe se afastou, pegou em seus ombros e olhou para mim com uma expressão de aprovação.

-Eu não sabia que você estava por aqui, se soubesse teria vindo até mais cedo. Pelo visto você já está de saída.

Millie deu um sorriso fraco e desconfortável.

-Pois é, eu já estou.

Mary assentiu e uma pequena ruga de preocupação surgiu em sua testa quando ela limpou a garganta.

-Eu queria pedir desculpas pelo o que aconteceu naquele dia em que chegamos na casa do Finn e você estava lá. Foi uma confusão tão grande que mal tive tempo de falar com você direito. -Se desculpou cheia de remorso.

Millie engoliu em seco provavelmente lembrando daque desastre e assentiu.

-Tudo bem.

-Mas ainda quero muito sentar e conversar com você direito, tudo bem? -Mary insistiu mesmo eu balançando a cabeça lentamente para que ela parasse. -Eu ia procurá-la para fazer isso, mas teve toda a história da sua viagem e no meio disso apareceu aquela doença do Eric...

-Mãe. -Intervi pela primeira vez, mas já era tarde.

Millie olhou diretamente para mim com as sobrancelhas erguidas, os lábios abertos mostrando-se totalmente surpreendida.

-Seu pai está doente?

-Não é nada demais. -Tentei justificar, porém vi que não adiantava.

Minha mãe percebeu o erro e seu rosto ficou lívido de embaraço.

-Sim, Finn tem razão. Não é nada grave graças a Deus. -Tentou consertar. -O Finn deve ter esquecido de comentar.

Millie parou de me encarar e assentiu para ela.

-Sim, claro. Melhoras para ele então. Realmente preciso ir agora.

Ela sequer esperou minha mãe se despedir e entrou dentro do elevador.

Mary chocada, olhou para mim.

-Me espere aqui, mãe.

Sai de sua frente e consegui entrar no elevador também antes das portas se fecharem.

-Eu ia contar.

-Ah, por favor. Nem começa. -Millie me interrompeu cruzando os braços ficando de costas para mim depois de apertar o botão para o térreo.

-Fui pego de surpresa no México, não soube como reagir naquele momento. -Expliquei, mesmo depois de seu pedido.

Ela apenas riu e de costas balançou a cabeça.

-Mas soube mentir e inventar que era um problema com a empresa.

-Millie...

Ela virou para mim e se havia qualquer traço em seu rosto que demonstrasse que um dia ela iria me perdoar, havia desaparecido por completo.

-Não perca seu tempo inventando desculpas para mim, aliás, eu nem mesmo deveria estar surpresa porque tudo o que sai da sua boca é mentira. Você me diz que me quer na sua vida, mas tudo o que faz só me prova o contrário! Então pare e me deixe em paz.

Eu não poderia ter imaginado que ela ficaria com tanta raiva por aquilo e nada que me viesse em mente para dizer parecia o suficiente. Eu tinha que provar, mas como?

Movido pelo desespero e pelo imediatismo de tentar achar uma saída, a encurralei de surpresa contra a parede apoiando minhas mãos ao lado de sua cabeça para não toca-la.

-O que... -Millie tentou me empurrar, mas só me fez chegar mais perto.

-Não vou te deixar em paz nunca, será que não percebe isso? Eu não posso.

Achei que a ameaça iria faze-la ficar sem reação, mas ela ergueu a cabeça e manteve seu nariz em pé em um nítido desafio.

-E eu não aguento mais os seus joguinhos só para me levar pra cama.

Por Deus... Eu odiava cada vez que ela repetia aquilo com tanta cdrteza.

-Acha que é só isso que eu quero?

-Não acho. Eu sei. -Ela deu um passo a frente me fazendo dar um para trás. -Tudo não é para isso afinal? Você não me tirou daqui só para que eu não fosse para a cama com o Aidan ou com qualquer um que não fosse você? Porque é isso que você pensa de mim.

-Não é. -Voltei a dar um passo para frente e ela se encostou na parede. -Você é minha e isso não tem nada a ver com sexo.

Ela riu de forma doentia e erguei o braço até encostar a mão no meu peito para que eu não chegasse mais perto.

-E tem a ver com o que então?

Eu sabia que palavras não iam faze-la acreditar em mim, mas talvez algumas que ela precisava ouvir fizessem alguma diferença.

-Eu te amo. -Saiu tão rápido quanto foi o meu pensamento.

Seus olhos sofreram um abalo súbito. Ela pestanejou e sua mão que me mantinha longe pareceu perder a firmeza.

Só Deus poderia entender a força com a qual admitir aquilo foi preciso para mim, porque com aquelas palavras, vinham tantas coisas na minha mente, lembranças da primeira vez que falei aquilo a tanto tempo atrás e tudo o que aconteceu em seguida. A falta de uma resposta dela. A suposta traição. Millie indo embora por algo que eu havia feito sem perceber e passando sete anos longe de mim.

Tremendo, com o coração disparado e as defesas em falta, encostei nossas testas e segurei o seu rosto com as mãos.

-E não é que eu te amo agora... Eu nunca deixei te de amar.

Um centímetro a mais e encostaríamos nossas bocas num beijo necessário que ela não iria me negar, só que o bipe do elevador soou e as portas se abriram indicando que havíamos chegado ao térreo quebrando toda a porra do momento.

Millie escorregou para fora dos meus braços rápido como um sopro e fez o que fazia de melhor, fugiu. Saiu quase correndo do elevador em direção ao lado de fora da empresa.

Eu quase fui atrás dela, se não fossem os muitos olhares de alguns clientes e funcionários que transitavam por aquele piso.

Ajeitei as lapelas do meu terno amassado e apertei novamente o botão do elevador que me levaria para cima.

As portas se fecharam me enclausurando na caixa de metal que agora parecia grande demais e ao mesmo tempo apertado pelo cheiro dela que tomava todo o ambiente.

Quando cheguei ao andar da presidência me sentindo completamente amortecido e anestesiado, encontrei minha mãe que ainda esperava na recepção e ela veio parecendo notar que eu precisava de um abraço.

-Meu filho, eu fiz besteira? -Perguntou ela temerosa.

-Não, mãe. Fui eu que fiz.


Notas Finais


Aaaaahh, o próximo capítulo deve ser o último dessa temporada.


Até breve ♥️


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