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História Because of You -Fillie - Capítulo 40


Escrita por: MabelSousa

Notas do Autor


Boa leitura ♥️

Capítulo 40 - 02 Acting a bit crazy


"Tenho medo de tudo que eu sou
Minha mente parece um território desconhecido
O silêncio ressoa dentro da minha cabeça
Por favor me leve para casa"




Millie. 


Mesmo vivendo os melhores dias da minha vida, nem tudo pode ser sempre perfeito.

Como em uma roleta russa, há momentos em que dá para esquecer que existe uma faca afiada sendo apontada na sua direção, mas há outros momentos em que simplesmente não existe a possibilidade de fugir e ela acaba entrando da forma mais dolorosa possível no seu coração e te lembrando que toda aquela paz e a felicidade não passam de coisas passageiras antes da dor.

Uma dor que eu nunca seria capaz de esquecer, sequer superar.

E depois de um mês insistindo e tentando, havia chegado o momento em que eu eu simplesmente não aguentava mais lutar em vão. Eu precisava de respostas.

Parei com o carro próximo ao viaduto que ligava a parte mais suburbana da cidade ao centro e pelo espelho retrovisor vi quando o outro carro estacionou logo atrás de mim. Sadie saiu de dentro dele já em estado de alerta, olhando de um lado ao outro como se esperasse ser atacada a qualquer momento.

Ao escutar as batidas na janela do meu carro, eu destravei a porta, deixando que ela entrasse.

-Tem certeza do que está fazendo? Isso pode ser perigoso. -Ela não me poupou de ouvir aquela pergunta novamente, nem se preocupou em disfarçar que não achava aquilo uma boa idéia.

Sadie já vinha tentando me convencer a não fazer aquilo a dias e no começo de fato eu havia hesitado, só que agora não dava mais. Talvez aquela fosse a única chance que eu tinha e não iria deixar passar.

-Tenho certeza. Se não quiser ir comigo pode me esperar aqui no carro, acho que não vou demorar. -Retirei o cinto de segurança que me prendia ao banco, mas ainda esperei uma resposta.

Ela me encarou séria numa última tentativa de me fazer mudar de ideia. Seu apoio era a única coisa que eu tinha, a única ajuda também além de Aidan que não podia fazer nada além de me contar e recontar as coisas que ocorreram naquele dia do passado. E talvez por isso, vendo que eu não iria desistir, Sadie bufou e assentiu com a cabeça.

-Claro que vou com você. Vim até aqui, não posso deixar você ir sozinha. -Ela fez uma pausa. -Mas continuo achando tudo isso loucura.

Eu não podia exigir que ela entendesse completamente o que eu sentia. Não era uma coisa fácil e eu certamente nem conseguia por em palavras o tamanho da necessidade que tinha de encontrar com Lexi de novo.

-Eu sei. -Admiti sendo bastante franca com ela. -Mas esse cara pode me dar algum tipo de informação sobre ela. Temos tentado de tudo nos últimos dias, Sadie, eu preciso de algo concreto agora.

Se não, eu não teria paz nunca.

-Tudo bem. -Ela disse resignada. Pelo menos tentava me entender. -Vamos logo, não quero que fique muito tarde.

Assim que descemos do meu carro eu me certifiquei de que ele estava bem trancado antes de sairmos em direção aquelas ruas tão afastadas de onde moravamos, na parte mais remota e esquisita de Denver.

Já estive ali uma vez, porém a sensação de perigo emitente ainda era algo que me assustava, embora eu estivesse tão determinada que nem mesmo aquilo seria capaz de me parar.

A farmácia que pertencia ao tal cara que era amigo de Lexi ficava em uma rua mais isolada e sem saída, por isso a idéia de deixarmos nossos carros mais longe, em um ponto mais movimentado e por consequência menos perigoso.

Da última vez eu havia ido sozinha e havia pegado o metrô, o que havia sido um erro da minha parte que só me dei conta quando percebi que estava sendo seguida.

Naquele dia precisei ligar para Finn me buscar de tanto medo que eu estava sentindo. Eu não queria nem imaginar o que ele faria se soubesse que eu estava por ali de novo. Dessa vez não para comprar Morfina, mas para tentar descobrir alguma coisa sobre Lexi, quem sabe até encontrá-la.

Apesar de se mostrar muito contrário as minhas idéias que por vezes soavam paranóicas, ele vinha tentando me deixar livre para fazer o que eu bem entendia, mas aquilo não significava que ficaria tranquilo em saber onde eu estava naquele momento. Por isso, eu precisava esconder, principalmente se aquilo fosse mais uma coisa inútil como tantas outras que eu vinha fazendo nas últimas semanas.

Eu tinha que dividir as coisas. Minha história com ele já não tinha mais nada a ver com o que eu estava fazendo ao procurar por Lexi. Era algo meu e dela que eu pretendia resolver o mais rápido possível.

-É aqui. -Avisei a Sadie assim que chegamos na rua. Apontei para a farmácia a alguns metros de distância e Sadie ergueu a cabeça olhando o pequeno estabelecimento de cima a baixo.

-Com certeza não é algo legal. Como isso não passou pela sua cabeça quando veio aqui pela última vez?

Era muito simples. Da última vez, minha única preocupação era comprar os comprimidos, nem me ocorreu a estranheza daquela situação, muito menos me passava pela cabeça que Lexi poderia estar envolvida em coisas erradas. Naquele tempo, tudo o que me importava era que ela era uma médica e que poderia me dar uma receita. Só que nenhuma dessas coisas eram verdade.

-Eu não podia imaginar, Sadie. -Falei baixinho, olhando para os lados da rua vazia na esperança de não encontrar nada de muito esquisito.

Era cedo, por volta de meio dia, mas as outras lojas ao redor daquele beco estavam fechadas talvez por conta do horário de almoço, o que nos deixava estranhamente sozinhas por ali, de frente a farmácia que eu reparei só naquele momento que sequer possua um nome ou qualquer aviso de que era de fato uma drogaria.

-Certo. Vamos entrar. Isso está ficando cada vez mais esquisito.

Assenti e então fui na frente, subindo a calçada e parando em frente a porta dupla de vidro. Os dois adesivos escuros não permitiam ver o que havia por dentro, mas dava para notar que um dos lados estavam abertos.

Foi ali que entrei com Sadie praticamente colada comigo atrás de mim.

Por dentro de fato era uma farmácia normal. Com boa iluminação, estantes recheadas de genéricos e de produtos de beleza acima de qualquer suspeita. Atrás do extenso balcão havia uma mulher pequena e corpulenta, bem mais velha que nós duas e que parou de mexer no computador assim que nos viu entrar.

Eu não me lembrava de te-la visto da última vez em que estive ali, mas levando em consideração que eu havia ido consumida pela cegueira que a dependência da morfina estava me causando, não foi estranho que eu não a reconhecesse.

-Boa tarde, precisam de ajuda? -Ela perguntou solícita e simpática.

Parecia alheia ao fato de que Sadie e eu havíamos parado ainda na porta, olhando tudo como se fosse uma bomba prestes a explodir.

Colocando uma boa expressão de casualidade me aproximei do balcão, já retirando do bolso a cópia da receita que Lexi havia me dado e que nunca saia de perto de mim de qualquer maneira, mas antes de mais nada, perguntei:

-Boa tarde. Eu estive aqui a algumas semanas atrás, foi um rapaz que me atendeu. Ele está por aí?

A mulher ergueu apenas uma sobrancelha, mas logo negou com a cabeça.

-No momento sou apenas eu que estou na loja, mas me diga o que quer. Posso tentar ajuda-la.

Percebi na hora que ela estava mentindo, ou por alguma razão queria esconder o fato de que tinha sim um homem. Ele era o dono do estabelecimento.

-É que eu gostaria muito de falar com esse mesmo rapaz que me atendeu da última vez. -Insisti, sem demonstrar nada que lhe fizesse desconfiar de mais.

Só que eu notei que ainda assim ela desconfiou e também tentou disfarçar.

-Mas qual é o nome dele?

Boa pergunta.

Como eu iria saber se Lexi não me disse e eu sequer perguntei quando estiver aqui da última vez?

Sadie me encarou como se também esperasse uma resposta, ela sim, nem disfarçava o nervosismo.

-Não lembro, mas sei que ele é bem alto, meio forte e moreno. Estava usando uma roupa escura diferente da que que você está usando agora. Acho que deveria ser o gerente, ou o dono daqui.

Ela franziu o cenho rápido demais para de fato estar estranhando a descrição.

-Não sei se é possível. O meu chefe não atende no balcão, acho que você deve estar confundindo a farmácia.

-Não estou. Foi aqui sim. -Fui mais firme, sem tolerância para desconversar e já entrando num estado crítico de ansiedade ao ter meu plano prestes a falhar. -Meu nome é Millie Brown, eu sou irmã da doutora Lexi Brown e eu aposto que você a conhece.

-Millie. -Sadie cutucou meu braço querendo que eu pegasse leve, mas não tinha como.

A mulher que tinha o nome "Catharina" escrito bordado no uniforme ficou em silêncio por um tempo, avaliando minha expressão para só depois sacudir a cabeça.

-Realmente não faço ideia do que você está querendo.

Tirei a cópia da minha receita de dentro do bolso e mostrei a ela, esticando o papel por cima do balcão de vidro.

-Sabe o que é isso? É a cópia da receita que eu usei para vir até aqui comprar esse medicamento. -Catharina olhou para o papel e seu rosto ficou lívido. -Você deve saber muito bem que esse tipo de medicamento não se vende assim para qualquer um, assim como você sabe que com essa cópia eu posso chegar em qualquer autoridade e fazer uma bela denúncia contra essa merdinha de farmácia porque o carimbo que vocês usam está marcado bem aqui, ao lado de onde está o registro falso que minha irmã anda usando para assinar receitas sendo que nem mesmo a porra de uma médica legal ela é.

Escutei a respiração pesada e nervosa de Sadie ao meu lado enquanto a mulher olhava fixamente para o papel no balcão sem parecer sequer conseguir respirar.

Eu estava falando bem calma, diferente do que eu queria, mas a paciência estava se esgotando, especialmente vendo que ela sabia exatamente do que eu estava falando.

-Então senhora, vai ficar calada o dia todo ou vai me deixar ir e fazer a denuncia?

Ela olhou bem depressa para mim.

-Espere um pouco... Não saia daqui por favor.

Catharina se apressou em sair detrás do balcão e rapidamente atravessou uma porta que dava para um outro cômodo fechado só local.

-Millie, porra, você quer nos ferrar! -Sadie retrucou assim que ficamos sozinhas.

-Calma está bem? Eu sei o que estou fazendo.

Ela se agitou jogando o cabelo para trás.

-O que ela foi fazer lá dentro? E se... Sei lá, mandar alguém aqui para nos matar?

Revirei os olhos com seu exagero. Eu achava sim muito estranho, mas nada que fosse na medida que Sadie estava pensando. Era o que eu esperava.

Alguns minutos depois a porta se abriu, mas não foi Catharina que passou por ela, foi o homem que havia me atendido da última vez. O fodido amigo de Lexi que eu não me lembrava ser tão jovem, nem ter a porra da cara de um CDF inofensivo e até um pouco mais bonito do que eu me lembrava.

-Oi, vocês queriam falar comigo? -Ele perguntou num tom casual, mas por baixo dos óculos de grau sem armação ao redor das lentes, mantinha as sobrancelhas escuras

-Seu nome... Qual o seu nome? -Disparei, esperando pegá-lo de surpresa embora esgivesse bem claro que ele sabia quem eu queria.

-Edgar. -Ele não hesitou, o que desmonstrava que sabia o que eu perguntaria ou simplesmente estava sendo sincero. -E você...

-Você sabe muito bem quem eu sou. Eu estive aqui a algumas semanas e você me vendeu Morfina com a droga de uma receita que não vale de nada.

Estiquei o papel novamente, mas ele sequer olhou.

-Eu lembro. Você é irmã da Lexi.

-Exatamente. -Sua forma direta me deixou meio sem reação. -E quero saber exatamente o que está acontecendo.

Ele olhou para os lados na farmácia vazia e se aproximou um pouco mais do balcão.

-Podemos conversar lá fora? Tem um café na rua vizinha.

-Não, nós queremos conversar aqui e agora. -Me surpreendi quando Sadie respondeu por mim, talvez por ter se dado conta de que aquele cara realmente parecia inofensivo.

Ele mexeu no cabelo meio desconfortável.

-Por favor, aqui não.

Só naquele momento percebi a semelhança entre ele e a mulher que havia nos atendido e apesar de ela não parecer tão velha, era claramente mãe dele. Assim como era óbvio que ela não sabia de nada que o filhinho poderia estar aprontando.

-Tudo bem, vamos até o tal café. -Falei. Não por pena dele, mas porque não queria que nada atrapalhasse a nossa conversa.

Sadie puxou meu braço.

-O que está fazendo?

-Confie em mim, Sadie. -Era a única coisa que eu poderia pedir, até porque nem mesmo sabia onde estávamos nos metendo.

Edgar foi até a porta por onde havia saído e só deu um grito avisando que iria sair e que fecharia a farmácia. Logo ele nos encontrou no lado de fora onde Sadie e eu andamos a alguns metros atrás dele indo em direção a um café que ficava na outra rua.

Era bem mais movimentada a pegamos uma mesa na parte de fora.

Edgar pediu um capuccino quando uma moça veio nos atender, Sadie e eu pedimos apenas água.

-Então? Eu não vim aqui bater papo, só quero respostas. -Disparei assim que fomos servidos.

-Respostas para o que? -Ele perguntou realmente parecendo um pouco perdido.

Eram muitas perguntas, eu tinha que me acalmar e ir aos poucos.

-De onde conhece minha irmã? -Aquela foi a primeira que surgiu na minha cabeça.

Edgar não pareceu surpreso.

-Estudamos juntos na mesma turma de medicina.

-Então você é médico também? -Sadie perguntou com a sobrancelha levantada.

Ele assentiu, parecendo estranhar a nossa dúvida.

-Sim, vocês não sabiam?

-Mas você é médico de verdade ou apenas finge ser como a minha irmã faz? -Perguntei ao invés de responder.

Ele levantou as duas sobrancelhas sendo pego desprevenido.

-Eu sou médico de verdade...

-Então você sabe que Lexi não é. -Não existia paciência para espera-lo responder.

Dessa vez ele hesitou, dava para ver seus ombros ficando cada vez mais tensos por baixo da camisa social branca.

-Eu não falo com a Lexi desde que nos formamos...

-Como vocês não se falam desde a faculdade se a própria Lexi mandou a Millie comprar os comprimidos diretamente com você? -Sadie se irritou com as respostas vazias, bem como eu me sentia.

-Sim, ela realmente entrou em contato comigo para pedir que eu vendesse a Morfina, mas foi só isso. Foi a única vez que a gente de falou desde a faculdade. -Ele explicou e eu não sabia se deveria confiar.

Perguntei mais incisiva:

-Então você não sabia de nada sobre ela e simplesmente aceitou me vender os comprimidos mesmo vendo que a receita era falsa? Muito conveniente ela ter confiado que você venderia sem achar pelo menos estranho.

-Olha só. -Ele se aproximou da mesa, fazendo o possível para falar baixinho. -Lexi e eu fomos muito amigos no passado. Ela me pediu um favor e eu fiz.

-Mesmo sabendo que a receita era fácil? Porra que baita amizade a de vocês, passam anos sem se falarem e você se mete em um crime por causa dela. Você sabe que o que fez foi um crime não sabe? -Sadie argumentou, chegando no ponto que eu queria ter chegado se tivesse falado mais rápido.

Edgar abaixou a cabeça parecendo meio desconcertado, mas assentiu. Era bem óbvio. Claro como uma taça de água. Ele era apaixonado por Lexi.

-Notei que o registro dela estava vencido e que por isso a receita era falsa mesmo, mas achei que não tinha problema. Ela disse que era um favor para a irmã, eu apenas vendi sem realmente registrar no sistema da farmácia. Esses medicamentos controlados são fiscalizados a risca, acho que foi por isso que ela pediu para você ir comprar comigo.

Ele era um idiota mesmo se tivesse feito aquela merda toda ilegal só por gostar de Lexi. Ou era apenas isso que ele queria que nós pensássemos.

-Pois bem. Se Lexi confiou tanto em você e você aparentemente confia nela tanto quanto, depois daquele dia vocês dois devem ter se falado, ou vai me dizer que vendeu aquela merda sabendo que era ilegal e ficou por isso mesmo? -Inquiri, achando a história muito mal contada, apesar de ele não parecer estar mentindo.

-Nos falamos mais algumas vezes por telefone, mas ela não me deu explicações. Só disse que tinha esquecido de renovar o registro médico e que estava com uns problemas familiares. Depois disso só nos falamos mais uma vez e ela me avisou que estava saindo de casa, que iria embora para outro lugar para seguir a vida longe daqui.

-Que lugar é esse?

-Eu não faço idéia. Ela não me contou.

-Claro que é mentira. -Sadie rebateu, também mostrando que não estava engolindo nada daquilo. -Sabe o que parece? Que foi isso que ela pediu para você nos contar porque ela sabia exatamente que nós iríamos vir até aqui atrás de você.

Certeira como um punhal, as palavras dela fizeram Edgar engolir em seco e ficar abatido.

-Ela achou sim que viriam atrás de mim. -Ele confessou. Era por isso que a mãe dele estava tentando esconde-lo. -Mas não menti em nada no que eu falei. Lexi não me deu mais do que essas explicações. Ela parecia... Perdida, falou comigo às pressas e agora não me atende mais. Acho que mudou de número.

-Vaca desgraçada. -Bati com o punho cerrado em cima da mesa fazendo Edgar erguer as sobrancelhas.

-Mas não estou entendendo... O que vocês acham que está acontecendo com ela? Certamente você sabe já que é irmã dela.

Me escapou uma risada infeliz, totalmente descontrolada e coube a Sadie responder.

-A única coisa que você precisa saber é que a Lexi é uma vadia manipuladora e que não enganou só nós duas, mas todo mundo que viveu com ela nesses últimos anos.

Ele ficou cético, como se não soubesse de quem estávamos falando.

-É difícil pensar assim. Lexi sempre foi tão gentil e bondosa.

-Então... É por isso mesmo que ela é a porra de uma manipuladora, porque ela finge ser assim e todo mundo acredita. -Retruquei, tomada pela raiva.

-Ela sempre falou sobre você. -Ele disse de repente e eu me senti prender a respiração. -No tempo da faculdade ela me contava que vocês viviam brigando, as vezes ela até chorava porque não entendia porque você a odiava tanto.

Ah, merda. Que filha da puta cínica.

-Porque eu nunca engoli o que ela falava, e eu estava certa porque olha só o que ela fez com a minha vida?!

-Millie, calma. -Sadie apertou de leve o meu ombro.

-Não, Sadie! Eu estou cansada de ficar calma enquanto todo mundo defende ela e condena a mim. Estou cansada de aguentar as consequências sozinhas por coisas que eu não fiz!

A culpa pela morte dos meus pais era minha e irrevogável, mas e tudo o que aconteceu depois? Lexi ia simplesmente fugir e ficar livre? Porque quando foi a minha vez de fugir a culpa nunca me fez ficar livre. Ela não podia ter aquele gosto se eu não tive.

Estava ficando cada vez mais difícil me controlar. Sem os remédios e consumida pela frustração que aquilo me causava, só ficava pior.

-Sinto muito por isso. Gostaria de ajudar, mas realmente não sei como fazer isso. Já disse tudo o que eu sabia. -Edgar falou abrindo as palmas das mãos em cima da mesa com a maior cara de compaixão.

-Tem coisa muito errada nisso. Lexi está claramente fazendo coisas fora da lei e não importa o que tenhamos que fazer, vamos descobrir tudo e logo! -Sadie levantou da cadeira e puxou a manga da minha jaqueta.

Que bom que ela fez aquilo, pois eu não tinha mais reações se não tremer de tanta raiva.

-O que estão pensando em fazer? -A pergunta de Edgar fez Sadie e eu virarmos para ele.

-Está interessado porque? -Ela perguntou desconfiada.

Ele levantou deixando uma nota qualquer em cima da mesa e se aproximou de nós duas.

-Só queria pedir que não façam nada contra a minha farmácia. Sei que seria certo fazerem uma denúncia, mas aquilo é tudo o que a minha família tem e eu não fiz nada além de um favor a uma velha amiga.

Sadie me olhou tentando chegar a um consenso comigo, mas eu não estava normal para pensar racionalmente.

-Deveria ter pesado nisso antes de ajuda-la a cometer a porra de um crime. -Respondi

Antes que nós pudéssemos sair, ele falou:

-Se acham que Lexi está se envolvendo com coisas tão erradas, não seria mais inteligente ficar fora disso?

Sadie e eu nos olhamos e tive certeza que pensamos a mesma coisa.

-Não se preocupe. Sabemos nos cuidar, agora você deveria ficar esperto. -Ela respondeu e me puxou para enfim sairmos daquele lugar.

Quando nos distanciamos bastante com a certeza de que não estamos sendo seguidas, ela me perguntou:

-Engoliu a história que ele contou?

-Nem metade dela.

Como previ, nossos pensamentos estavam em sintonia.

Edgar mentiu. Talvez não sobre tudo, mas sabia muito mais do que estava disposto a nos contar.

Simplesmente não era possível que um médico legal como ele dizia ser, não trabalhasse em um hospital de renome e ao invés disso tivesse a porra de uma farmácia esquisita pra caralho naquele fim de mundo para sustentar a família.

Tinha mais coisa e ele como Lexi estavam metidos até os ossos.

--

Sadie e eu dirigimos juntas até termos que nos separar quando ela voltou para casa e eu fui em direção a minha.

Fazia tempo que eu não voltava e mesmo achando impossível que Lexi simplesmente brotasse por lá, nossa casa era o único lugar em que eu sentia que estava mais perto dela.

Agora que eu estava praticamente morando com Finn e tinha finalmente dispensado Anna, a casa estava meio abandonada e empoeirada, mas com nada fora do lugar, exceto pelo quarto de Lexi que eu revirava de cima a baixo cada vez que entrava lá afinal tentar achar alguma coisa dela era meu único objetivo.

Com uma garrafinha de água na mão, entrei no quarto. O colchão eu já havia tirado do suporte da cama, as gavetas todas haviam sido esvaziadas e tudo o que era de Lexi formava um amontoado no chão perto do banheiro.

Me sentei diante do monte de roupas e acessórios e averiguei minuciosamente cada peça e objeto que encontrava como uma verdadeira perita.

Passou-se uma hora inteira e depois de ter me convencido de que não havia nada por ali, nem nos bolsos e nem nas caixas, passei para os armários do banheiro. Um lugar que sabia que não encontraria nada de interessante, mas o único que me restava para perscrutar.

Haviam cremes, perfumes, algumas coisas masculinas também que eu sabia que pertenciam a Finn do tempo em que ele morou ali com Lexi.

Tive vontade de jogar tudo no lixo. Só em pensar nos dois juntos a raiva era quase tão grande quanto o enjôo que eu sentia, especialmente quando pensava neles dividindo o quarto que era dos meus pais como se fossem o casal mais perfeito do mundo enquanto eu estava longe apenas lutando para conseguir superar e seguir em frente do melhor jeito que eu havia encontrado.

Sentia mais raiva ainda quando lembrava que eu sequer poderia ter imaginado que a vingança de Finn havia se transformado em um sentimento por minha irmã. Que eles passaram sete anos juntos e embora eu soubesse agora que ele foi completamente enganado, não dava para simplesmente ignorar o fato de que ficou com ela por tanto tempo. De que em algum momento até a amou.

Era por causa daquele nada simples detalhe que eu ainda não conseguia admitir em voz alta os meus sentimentos por ele, embora eu já estivesse por dentro muito mais do que ciente e resignada ao fato de que eu o amava. De uma forma tão absurda que nem os sete anos que passei longe enquanto ele esteve com minha irmã eram capazes de diminuir um terço do que eu sentia.

Finn estava devolvendo a minha liberdade, o problema era que eu ainda tinha um dos pés presos no passado.

Depois de bisbilhotar os armários do banheiro retornei ao quarto e encarei a bagunça toda que havia feito me perguntando o que eu tinha deixado passar. Nenhum plano era tão bom que não deixasse rastros e Lexi tinha que ter deixado... Mas onde?

Estava tão concentrada nos meus pensamentos que tomei um susto quando escutei a campainha tocando lá embaixo. E assim que registrei o som, me veio a ansiedade e o sentimento de alerta: se eu não estava morando ali, quem poderia estar tocando a minha campainha?

Não dei brecha para me encher de teorias, corri como uma louca para o andar de baixo e até a porta, tomando um susto maior ainda quando vi Finn do outro lado acompanhado de ninguém menos que Mary.

Ela sorriu de imediato, enquanto ele pareceu congelar o olhar na minha direção reparando em cada detalhe da minha expressão que deveria estar lívida pela surpresa.

Faziam semanas que eu evitava ver Mary desde nosso último encontro mais longo na WolfHall e naquele momento sem ter escapatória dela, eu não sabia como agir. Ela ao contrário de mim, parecia saber muito bem pois foi logo tomando a frente do filho vindo me dar um abraço apertado.

-Olá querida! Como é difícil encontrar com você!

Enquanto recebia seu abraço, encarei Finn atrás dela questionando a ele com o olhar o que estava acontecendo. Ele apenas maneou a cabeça como se me dissesse para agir naturalmente.

-Oi, Mary. Bom ver você. -Murmurei de volta me obrigando a colocar um sorriso no rosto.

Ela alinhou meu cabelo que deveria estar bagunçado e manteve um sorriso calmo e carinhoso para mim.

-Bem, viemos comer junto com você. Espero que esteja com fome. -Mary entrou e só naquele momento reparei que Finn vinha trazendo duas sacolas com comida comprada.

Ele entregou a ela e parou na minha frente quando Mary pareceu ir para a cozinha propositalmente para nos deixar sozinhos.

-Ela insistiu muito. Não tive como recusar. -Ele explicou se aproximando para erguer o meu queixo, vendo algo na minha expressão. -O que foi?

-Contou a ela, não contou? -Perguntei ao invés de responder.

Havíamos combinado que a história toda de Lexi ficaria entre nós até o momento que eu me sentisse preparada para que as outras pessoas soubessem. Não porque eu queria continuar levando a culpa por tudo, mas porque não sabia lidar com o remorso das pessoas, nem com olhares de pena. Nick eu já estava ciente de que sabia, mas eu não queria que Mary soubesse ainda por isso vinha evitando-a o máximo que conseguia.

Finn suspirou pesado e fechou a porta atrás de si, olhando para o corredor como forma de se certificar de que Mary não o ouviria.

-Ela estava preocupada. Apareceu hoje na WolfHall dizendo que precisava saber o que estava acontecendo e insistiu tanto que acabei contando.

Deixei o ar que estava segurando sair e tremi dos pés a cabeça. Não acreditava que ele tinha passado por cima da minha vontade daquela forma.

-Mas a fiz prometer que não vai comentar nada sobre isso se você não quiser. Não se preocupe. -Ele tentou consertar.

-E como ela reagiu? -Perguntei baixinho, lá no fundo com medo de que ninguém mais além de nós dois e nossos amigos acreditassem naquela história.

Mesmo Mary sendo sempre boa e gentil comigo, ela podia não acreditar totalmente a final, conhecia Lexi a muito mais tempo do que me conhecia.

-Ela ficou puta. -Ele falou mostrando que quem estava puto mesmo era ele. -E é claro que acreditou em você.

Não sei se foi o alívio que me fez ficar por um fio, ou a tristeza de saber que mais pessoas sabiam da minha ruína, mas lágrimas cansadas embaçaram meus olhos e perdi um pouco a firmeza na respiração.

Finn percebeu. Ele sempre percebia principalmente porque estava ficando difícil disfarçar a fragilidade que aquilo me causava. Ele me envolveu com seus braços, beijando o topo da minha cabeça.

-Está tudo bem. -Disse por cima do meu cabelo.

Era uma afirmação instável e fragil demais e até ele sabia que nem "tudo" estava realmente bem. Não podia ficar até aquele história ter um devido ponto final.

Assenti e então me afastei, recebendo um sorriso encorajador dele. Fomos para a sala de jantar onde Mary limpava a mesa para servir o almoço que havia comprado, parecendo distraída até o momento em que aparecemos e ela sorriu de novo.

-Vou ao banheiro. -Finn avisou, deixando claro que só queria deixar nós duas sozinhas por um tempo.

Eu realmente não queria tocar no assunto, mas ele pesou entre Mary e eu quando Finn saiu. Eu podia sentir que ela queria falar comigo, então iniciei.

-Finn me disse que contou a você o que aconteceu.

Ela parou de mexer na comida e deu a volta na mesa para ficar mais próxima de mim. Seu semblante parecia um pouco pensativo, como se ela estivesse pensando bem no que me dizer.

-Sim. Ele contou. Mas apenas porque eu insisti muito. -Explicou parando próxima a mesa a alguns metros de mim.

Suspirei e assenti, sem saber o que dizer a final, não era costume meu passar por aquele tipo de situação.

-Desculpe ter pedido para ele não contar. Eu...

-Claro que entendo. -Ela chegou mais perto ainda. De sapatos baixos, nós duas ficávamos do mesmo tamanho. -Sei que acha que poucas pessoas vão acreditar nessa história e tem razão. É uma coisa tão horrorosa que nem todo mundo está preparado para ouvir ainda.

Senti a vibração de raiva que veio dela, junto com uma incompreensão. Eu soube exatamente de quem ela estava falando. Era de Eric.

-Não estou esperando que ninguém entenda. Para ser honesta, nem eu entendo ainda. Lexi conseguiu surpreender até a mim, quem dirá a todo mundo que conviveu com ela esse tempo todo.

Mary assentiu parecendo de repente enjoada.

-Sinceramente eu esperava que algo assim fosse vir a tona. Não exatamente isso, mas sempre desconfiei de que essa história havia sido muito mal contada. Não consigo imaginar como você está se sentindo.

Ver a compaixão em seu olhar me fez engolir em seco. Aquele nó insistente era muito difícil de engolir.

-De certa forma descobrirmos tudo é algo bom, não é? Agora você e Finn podem se entender de verdade e tentar recuperar o tempo perdido. -Ela tentou me animar.

Soube naquele momento que Finn não havia contado tudo a ela. Pelo menos não a outra parte, que Lexi esteve o tempo todo mentindo sobre o emprego e sobre ser uma médica registrada. Ponderei sobre contar, mas não achei que fosse algo exatamente necessário, pelo menos não ainda.

-Estamos tentando... -Falei, perdendo a firmeza nas palavras.

Mary entendeu.

-Claro. É difícil. Mas o tempo ajuda, Millie. E agora vocês tem bastante dele. Se isso servir de alguma coisa, vocês tem meu apoio para qualquer coisa que precisarem. -Ela acariciou de leve o meu braço. -Faz muito tempo que não vejo meu filho feliz assim, como se tudo para ele agora tiveesse algum sentido, entende?

Abri um pequeno sorriso e assenti, mesmo sem ter noção exata do que ela estava falando. De fato as coisas entre nós estavam indo mais do que bem, mas o que ninguém além de nós dois ou mesmo apenas eu, era que ainda havia uma rachadura entre nós. Uma espécie de buraco difícil de preencher ou de ignorar.

-Também estou feliz, mas estamos indo com calma. É tudo novo. Não ficamos tanto juntos assim faz muito tempo, as vezes é até difícil acreditar.

Aquilo era verdade. As brigas pararam quase por completo, mas foram substuidas por alguma coisa pior. Algo que eu ainda não sabia exatamente como definir.

Ela achou graça e puxou minha mão para que eu a acompanhasse até a mesa.

-Olha só. Sei que isso tudo ainda é muito delicado, vocês acabaram de descobrir algo que mudou tudo para sempre e mais do que Finn e você, essa história é muito mais entre você e sua irmã, mas eu gostaria muito que você desse uma chance para isso. Não só pelo meu filho, mas por você também. Você mais do que ninguém merece essa chance e acho que ele está mais do que disposto a fazer tudo diferente agora.

A princípio franzi o cenho sem entender direito onde ela queria chegar.

-Estamos juntos Mary...

-Eu sei. -Ela abaixou a cabeça. -É um grande passo, claro. Mas estou falando de outras coisas. Gostaria que aceitasse ir até a minha casa, quem sabe até comparecer ao aniversário do Eric daqui a algumas semanas...

Arregalei os olhos surpresa e assustada. Qual parte do "estamos indo de vagar" ela não tinha entendido?

-Não sei. O Finn pode não gostar disso. -Falei, me lembrando que ele sequer havia me contado sobre o tal aniversário, assim como não havia me dito que Eric estava doente nem me deu qualquer informação a mais quando descobri.

Ela sorriu.

-Mas ele achou uma ótima idéia. Ele quer levá-la, acho que só não sabe como convidar ainda.

Aquilo me surpreendeu ainda mais.

-Mas Eric não está doente? E pelo que eu me lembre ele não gostou nenhum pouco de mim da última vez.

-Ele está bem melhor, graças a Deus, por isso mesmo quer mais do que nunca fazer esse tal aniversário para comemorar os sessenta anos. E é claro que pretendo conversar com ele antes, explicar tudo, se você quiser que eu faça isso.

Embora eu tenha gostado do convite e de saber que Finn pretendia fazer aquilo comigo, não achei uma boa ideia. Especialmente porque eu achava que Eric não iria entender. Ele havia deixado bem claro que amava Lexi.

-Não quero que ele se estresse por minha causa, Mary.

Ela assentiu em concordância, mas não foi totalmente convencida.

-Eric é cabeça dura. Odiei tudo aquilo que ele fez quando viu você no apartamento do Finn, mas acontece que ele foi criado assim, entende? Achando que um homem só tem duas tarefas na vida, ser bem sucedido e ter um bom casamento. Ele teve isso e queria que os meninos também tivessem, no final das contas eu acho que ele nem gosta de Lexi por ela mesma, gosta da projeção do casamento feliz que ela poderia ter proporcionado ao Finn. Porque até então ele a achava boa para ele e então quando viu você com ele naquele dia, Eric pensou que tudo isso estaria arruinado.

Entendi o que ela quis dizer e um enjôo bateu forte no meu estômago. Porque ainda que Mary tivesse razão, que Eric só queria que Finn tivesse um bom casamento e um futuro, quem iria garantir que eu seria boa para isso? Eu o amava com certeza, mas nunca fui de sonhar com casamentos e pensar em fazer parte daquela família era ainda mais improvavel ainda. Eu não servia para isso. Não podia ser responsável pelo futuro de alguém, mesmo que esse alguém fosse a pessoa com quem eu certamente queria passar o resto da minha vida.

-Acho que vou falar com o Finn primeiro. -Falei precisando dar um basta naquele assunto.

Já bastava tudo pelo qual eu me sentia insuficiente, se por alguma razão Eric também achasse isso mesmo depois de saber a verdade, seria demais para que eu pudesse suportar.

Mary pareceu murchar um pouco, mas assentiu.

-Tudo bem. Conversem. Só vou fazer alguma coisa se você quiser que eu faça.

Ficou um silêncio estranho depois disso e a demora de Finn me apertou para algo que eu sequer havia lembrado.

-Vou ver onde o Finn se meteu. -Avisei já levantando.

Depois que Mary assentiu eu saí da cozinha e longe de suas vistas, corri escada a cima encontrando-o exatamente onde eu sabia que ele estaria.

No quarto de Lexi. Parado de costas para mim e de braços cruzados, analisando toda a bagunça que eu havia feito ali. Já poderia até imaginar o que estava passando por sua mente.

-Sua mãe está chamando para comer. -Avisei sem entrar no quarto.

Ele não se mexeu por uns segundos, até virar-se para mim com o cenho franzido, como se não entendesse nada.

-O que exatamente anda fazendo quando vem aqui?

Fiz expressão de desentendida, até porque era muito óbvio.

-Isso não é normal, Millie. -Ele apontou para toda a bagunça que eu havia feito. A cama desmontada, as roupas espalhadas, os papéis com anotações que eu vinha fazendo de cada coisa que encontrava. -Nada disso é normal.

Ele foi até o monte de roupas dela, onde havia um dos papéis por cima e o pegou. Eu fui depressa até ele e o tomei de suas mãos.

-Não mexa. Isso é coisa minha.

Dobrei o papel em vários pedaços e o coloquei no bolso. Finn me olhou como se eu fosse louca, depois suspirou bem alto e mexeu no cabelo.

-Estou ficando preocupado com você. Onde estava antes de vir até aqui?

-Dando uma volta com Sadie. -Usei a mesma explicação de sempre.

-Uma volta por onde, Millie?

Ele nunca perguntava aquilo e se estava perguntando agora, queria dizer que a coisa era mais séria do que eu pensava.

-Por vários lugares. -Desconversei. -Vamos, sua mãe está esperando.

Ele negou com a cabeça e chegou bem perto de mim.

-Olhe só o que isso está fazendo com você. -Ele disse cheio de lameto, como se enxergasse algo em mim que eu não via. -Não quero que faça mais nada. Já chega dessa história.

-Chega dessa história? Como assim chega dessa história? Quer que eu fique sem fazer nada? -Perdi o controle e acabei gritando. Aquilo ele não poderia me impedir.

Eu estava sem a razão, afinal estava mesmo fazendo coisas escondidas e era normal que ele achasse que eu estava enlouquecendo, mas isso não significava que eu podia parar.

-Quero que dê um tempo. -Ele falou baixo, mas tão sério como a muito tempo eu não via. -Entendo que isso mexe com você e eu quero respostas também, mas já se passou um mês, não descobrimos nada, acho que é hora de você deixar pra lá.

Deixar pra lá... Era tão fácil dizer, mas ele não percebia que passar um mês sem nada estar acontecendo era exatamente o fato estranho. Tanto em relação a Lexi nem em relação aos eventuais ataques que eu vinha recebendo. Tudo tinha parado a um mês atrás. Como ele não achava nada disso estranho?

-Não vou deixar pra lá. -Afirmei incisiva, mas tentei reconsiderar sua preocupação. -Eu estou com você, não era isso que queria?

Eu não entendia o que mais estava faltando que eu já não tivesse dado a ele.

-Queria você inteiramente. Não metade sua. E é isso que está acontecendo porque você fica colocando coisas como essas entre nós. Está me dando a sensação de que isso é passageiro e que antes de me dar conta vou ter perdido você outra vez e não ache que vou passar por isso de novo! -Ele terminou de falar quase gritando e então no ápice da raiva e do medo, ele me puxou para junto de si.

Pelo abraço desesperado de tão apertado, eu quis abrir a boca e dizer que ia conseguir parar. Ser inteiramente dele como ele queria, mas não eu não ia conseguir mentir mesmo querendo acabar com sua insegurança e com seu medo.

Porque afinal de contas, como eu seria inteiramente dele se eu só tinha pedaços para oferecer? Não dava para dizer o contrário. Mesmo Finn tentando me consertar era tarde, o tempo e o passado haviam me fragmentado demais e nem mesmo ele seria capaz de remendar o que a vida havia quebrado.

Eu só esperava que ele não chegasse ao ponto de perceber que eu não era o bastante, porque ser abandonada por ele era a única coisa que restava para acabar de vez comigo. 


Notas Finais


Aí dor...

Até breve ♥️


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