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História Because of You (MadaHina) - Capítulo 2


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Notas do Autor


Boa leitura!♡

Capítulo 2 - A falsa liberdade


Fanfic / Fanfiction Because of You (MadaHina) - Capítulo 2 - A falsa liberdade

Os ouvidos mais sensíveis que o usual detectaram o som de passos, duas pessoas para ser mais preciso. A venda feria seus olhos há mais tempo do que ele poderia se recordar, era mantido a maior parte do tempo de joelhos, acorrentado ao chão como um animal feroz, seu corpo já estava adormecido, a dor não mais se fazia presente em seus músculos, nem nos ossos, talvez apenas no coração. 

 

Permitiu-se rir de si, não sabia que ainda tinha um, o músculo que reside ao lado esquerdo do peito era constantemente ignorado, mas a maldita menina dos olhos perolados havia lhe trago dores que há muito tentava esquecer. Não havia um dia que não pensasse nela, talvez não passasse horas sem pensar nela, pela eterna ausência de luz não saberia calcular o tempo.

 

 A última cena que se lembrava a tinha como protagonista, enquanto o menino Uzumaki vinha curá-lo ela chorava, gritava a plenos pulmões passando sua dor agonizante nas ondas sonoras, no chão jazia o corpo de um homem, aparentemente da mesma idade, pelos olhos também pertencia ao clã Hyuuga. Então pensou, "Um noivo, um namorado?", até que ouviu-a chamando o cadáver de irmão, a cena era digna de piedade e, por mais que quisesse ver o desfecho de tal infortúnio, os olhos negros se fecharam e a escuridão tomou conta de si, e se mantinha como sua companheira até então. 

 

– Ainda não acredito que ele vá sair, eu não devia tê-lo curado. – Reconheceu a voz, era o portador da Kyuubi.

 

– Vamos Naruto, não seja problemático. – Se esforçou para reconhecer a segunda voz, então lembrou-se do estrategista de Konoha, o gênio do clã Nara.

 

Depois do brevíssimo diálogo ouviu o barulho de chaves sendo colocadas na fechadura e da tranca se movendo em sinal de liberdade. Sentiu a corrente ser desprendida do chão, mas não de suas mãos, uma mão foi a seu rosto arrancando a venda, seus olhos arderam e não conseguiram focar corretamente. Permitiram que ele tomasse um breve banho e lhe deram uma roupa limpa, atípico.

 

 Andou a contragosto tendo a corrente amarrada em seu pulso puxada a sua frente, obrigando-o a prosseguir pelos corredores que cheiravam a mofo. 

A luz do sol banhou seu rosto na saída da prisão e o Uchiha se permitiu fechar os olhos por alguns segundos, a quentura o agradou, há quanto tempo não a sentia? Um, dois anos? 

 

Os dois ninjas ainda o puxavam, um jutsu de teleporte foi feito apenas para ele e em segundos o mesmo estava na sala do Hokage. Se perguntava se eles finalmente iriam matá-lo, parecia certo que o fizessem, esperava que o homem de cabelo prateado e semblante tedioso o dissesse algo ou cravasse uma kunai em seu peito ali mesmo, não faria diferença para si.

 

– Uchiha Madara, a partir de hoje você está livre. – O Rokudaime disse simplista, sem ao menos tirar os olhos dos documentos que assinava. 

 

Precisou confessar para si mesmo, fora surpreendido. Ele não mais queria essa segunda vida, a vivia por culpa e orgulho demasiado. Sorriu cínico, talvez estivessem cientes que aquilo seria um castigo maior que a morte. O que faria dali para frente? Em um tempo que não era o seu, em um lugar que agora lhe era desconhecido, sem uma só alma que ele conhecesse, tão longe de sua glória de outrora. 

 

– Não tenho interesse em viver livremente. – A voz grave se fez presente fazendo com que o Rokudaime levantasse o olhar.

 

– Não é como se você tivesse alguma escolha. – Kakashi foi sincero, nem ele mesmo teve uma escolha em relação àquilo. – O último Uchiha remanescente, Sasuke, saiu em uma viagem que, honestamente, não sei se terá fim. – Explicou da forma mais sucinta possível e voltou o olhar aos documentos. – Os conselheiros votaram por sua liberdade considerando que você é o único que pode liderar o clã Uchiha no momento. – Buscava concluir aquela conversa o mais rápido possível, o enraivecia estar em frente àquele homem, o mesmo que havia acabado com a vida de Obito. – Dito isso, parabéns Madara, você é novamente o líder do clã Uchiha. 

 

Riu em escárnio, de forma alguma iria liderar algo inexistente, o clã Uchiha estava morto, assombrado, indesejado, como ele havia previsto. Ainda tinha seu orgulho, era um dos homens mais fortes do mundo ninja, eles precisavam matá-lo para que pudesse manter sua honra. Não poderia dizer que não estava arrependido, de certa forma estava, Hashirama havia conseguido mostrar a ele que sua forma de lidar com o mundo não era certa. Entretanto, era um absurdo esperar que ficasse ali tapando o lugar daquele tal de Sasuke em uma Vila que ele mesmo havia fundado. 

 

– Veja bem, Hokage-Sama. – Disse o título com cinismo, o odiava também. – Já lhe disse que não tenho interesse na liberdade, qual parte você não entendeu? – Arqueou a sobrancelha direita em claro sinal de confusão, perguntando-se de fato qual era a dificuldade de compreensão do platinado. 

 

– Veja bem você, Uchiha-Sama. – Kakashi devolveu o cinismo após um longo suspiro. – Pouco me importa o que fará depois que sair dessa sala, se quiser privar-se de sua liberdade se prenda em sua casa, se quiser tirar sua vida vá em frente também. Minha obrigação com o Conselho é lhe deixar no Distrito. – O Rokudaime concluiu perdendo a cada segundo um pouco de sua paciência.

 

Duas batidas ecoaram pela sala ampla e, antes mesmo que o platinado permitisse a entrada, Naruto entrou no escritório, Madara ao menos virou-se, sabia quem era, o chakra da Kyuubi lhe era extremamente familiar. 

 

– Naruto irá acompanhá-lo até o Distrito Uchiha. Ele passará lá todos os dias para acompanhar sua adaptação e garantir que você não resolva nos trair. – Kakashi disse ignorando o semblante irritado do Uchiha. – Trouxe essa capa para que se cubra, imaginei que não iria querer estar exposto em Konoha. – Finalizou entregando a ele uma capa preta com capuz. – Boa sorte.

 

O Uchiha emanava ódio, aquilo tudo lhe soava a maior patacoada que já havia presenciado em sua extensa vida. Levantou-se pegando a capa a contragosto, ‘O maior shinobi do Mundo Ninja andando escondido por aí.’, pensou inconformado. Colocou o tecido negro sobre as costas e se dirigiu à porta sem se dar ao trabalho de ao menos olhar para o Uzumaki, pensaria melhor quando chegasse na residência que iria ocupar, por agora tinha um destino e não era o Distrito Uchiha.  

 

☯️

 

Complexo Hyuuga

 

O Sol da manhã adentrou a extensa porta de vidro que dava acesso à sacada, os raios claros e quentes a alcançariam se estivesse em sua cama. Sentada no tapete branco que ficava em frente à sua cama a primogênita Hyuuga olhava para as fotos que espalhara, Neji estava em todas elas. Os olhos claros estavam marejados, a dor em seu coração era grande, arrebatadora, ininterrupta, cruel. Para aqueles que diziam que o tempo curava tudo ela tinha uma triste verdade, não, ele não curava.

 

 Naquele dia faria dois anos que o gênio dos Hyuuga morrera na guerra e a dor apenas aumentava, não havia cessado nem mesmo um dia que fosse, seu coração sangrava cada vez mais. Se lembrava de cada momento, de quando eram crianças despreocupadas, brincavam e treinavam sempre juntos e felizes, do fatídico momento do selo, tempo que se afastaram e que ele a tratava como inimiga, do exame chunnin, quando ele quase a matou por rancor, raiva. Mas o que mais doía era lembrar dos últimos anos que passaram juntos, os quais primos viraram irmãos, melhores amigos, tempos que acreditou que seus destinos estavam entrelaçados, que um nunca mais estaria longe do outro, porque um era a fortaleza do outro.

 

 As primeiras lágrimas caíram, um soluço escapou por sua garganta, segurou o choro buscando forças em seu íntimo, iria honrá-lo sendo forte como ele. Levantou-se do tapete e recolheu as fotos, as guardando cuidadosamente em uma caixa de madeira que mantinha no criado mudo ao lado da cama, arrastou-se até o banheiro sem a mínima vontade de aguentar aquele dia, tirou toda a roupa e entrou no chuveiro, permitindo que a água morna levasse consigo um pouco de sua exaustão. Colocou um kimono branco tradicional do clã Hyuuga, considerava uma forma de estar mais perto dele, amarrou o cabelo em um rabo de cavalo alto, deixando apenas a franja que moldava tão bem seu rosto, e finalmente abriu a porta de seu quarto, forçando-se a aceitar o inevitável, estava viva. Por vezes quando se trancava em seu quarto buscava se esquecer de tal fato. 

 

Desceu as escadas no fim do corredor, seguiu da sala para a cozinha e fez apenas uma reverência quando entrou no local e viu seu pai e sua irmã à mesa. Sentou-se sentindo o estômago revirar ao cogitar comer qualquer coisa que fosse, pegou uma pêra, forçando-se a aceitá-la em seu corpo. O silêncio fúnebre não a incomodava, até o preferia, o semblante de Hanabi era tristonho, até mesmo o líder do clã Hyuuga exibia uma tristeza atípica, Hinata carregava consigo a certeza que seu pai sentia culpa por ter se aproximado de Neji tão tardiamente, ninguém poderia ocupar o lugar do gênio Hyuuga, ou trazer de volta o tempo perdido. 

 

– Otousan, se importa se eu for agora para o cemitério. – A voz da menina soou firme, ela não mais gaguejava. – Gostaria de ficar um pouco sozinha. 

 

– Claro, Hinata. – O líder dos Hyuuga disse baixo. – Vá na frente, logo iremos.

 

– Jaa ne, Hina. – Hanabi se despediu forçando um sorriso.

 

 – Jaa ne, Hana. Arigato otousan. – Despediu-se dando um beijo no topo da cabeça da irmã e fazendo uma reverência formal ao pai. 

 

Saiu da casa e se encaminhou ao jardim, pegou dois dos lírios brancos que ela mesma cultivava e partiu em direção ao cemitério de Konoha, andava rapidamente buscando se controlar, não queria chorar no meio da rua, não queria alguém a perguntando se estava tudo bem consigo, queria passar despercebida e não chamar atenção.

 

 Suspirou profundamente quando chegou à entrada do cemitério, entrou sentindo o peso em seu coração aumentar, nada findava aquela dor. Andou cambaleante até a área reservada aos Hyuuga, abraçava o próprio corpo na tentativa de se dar algum conforto. Obviamente já havia estado ali, obviamente sabia que ali jazia o cadáver de Neji, mas ver o nome ‘Hyuuga Neji’ na lápide sempre lhe atingia como uma facada em uma ferida já aberta, dor, dor e mais dor. Agachou-se delicadamente, levando os joelhos ao chão, depositou uma flor no seu túmulo e outra no de sua mãe. Ficou ali, parada, alheia, sentindo-se insignificante e culpada, queria poder trocar de lugar com o gênio dos Hyuuga, precisava ter essa oportunidade. Uma voz conhecida chegou à seus ouvidos, mas o que Naruto fazia ali? Acaso havia se lembrado de Neji? 

 

– Você não pode fazer isso! – Naruto dizia exasperado. Só então seus olhos avistaram uma figura ao lado do Uzumaki, todo coberto por uma capa preta. Franziu o cenho.

 

– Não me diga o que fazer, pirralho. Apenas seja um bom menino e se comporte, estamos em um cemitério afinal. – Aquela segunda voz a trazia dor, entretanto não se lembrava de onde a conhecia. 

 

Observou estática e em silêncio até que os dois homens parassem próximos a si, na área destinada aos Uchiha. Seria Sasuke? Acreditava que não, de certeza parecia mais alto que ele. Achou melhor cumprimentar de qualquer maneira, embora não quisesse conversar com ninguém também não pretendia ser grossa com o homem que amara tanto. Há algum tempo havia desistido de amar, porém Naruto sempre seria profundamente especial para si. 

 

– Ohayou Naruto-kun. – A voz doce da azulada se fez presente e os homens interromperam a discussão. 

 

Naruto parecia petrificado e o outro homem virou-se em sua direção, mas ainda não era possível identificar quem ele era. A mão do indivíduo foi ao capuz e o abaixou, a surpresa se fez presente nos olhos perolados, os cabelos longos e selvagens, os olhos ferinos e ameaçadores, não esperava vê-lo ali nem em mil anos, não esperava vê-lo nunca mais.

 

 Era ele, Madara.

 


Notas Finais


Espero que tenham gostado! Até a próxima :)


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