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História Beep Beep Richie - Reddie - Capítulo 9


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Notas do Autor


Olá meus queridos, novamente eu estou aqui pedindo desculpas. Podem me bater, eu deixo T uT
Bom, aqui está mais uma capítulo, e quero agradecer àqueles que mesmo com a história meio desatualizada, estão apoiando! S2

Tenham uma boa leitura!

~ Betty

Capítulo 9 - Precisamos conversar


Na manhã seguinte, Eddie estava disposta a falar com seu amigo, mas logo na hora do café da manhã, o rapaz se viu com alguns problemas. Sua mãe parecia estar preocupada, não tinha cara de quem dormiu muito bem.

Eddie: Está tudo bem mãe? - Perguntou o rapaz com um tom de voz preocupado, conhecia sua mãe e sabia quando algo a preocupava, mesmo desejando ser cego para isso.

Sra. Kaspbrak: Ah! Eddie ursinho... Está tudo bem sim, meu amor, venha, sente-se... Seu café está ficando pronto! - A mulher tinha seu tom de voz calmo e baixo, meio rouco, parecia mesmo que não tinha sido deixada em paz pelos seus pensamentos naquela noite.

Eddie se sentou a mesa, ainda preocupado, afinal, uma coisa que nunca tinha visto em seu café da manhã eram frutas. Na mesa haviam maçã, laranjas e bananas, Eddie tinha estranhado aquilo, mas o costumeiro cheiro de ovos com bacon invadiu logo o lugar e ele ficou mais aliviado por isso.

Mesmo sendo um péssimo habito, Eddie tinha se acostumado com o gosto culinário de sua mãe, e não pretendia ou pensava em trocar aquilo tão cedo. Não levou muito tempo para sua mãe se virar com um prato caprichado de ovos com bacon, o colocando na frente do rapaz, que logo começou a comer. Na visão de Sônia, as sessões com o Dr. Nicky estavam indo muito bem e eram necessárias, mas o que ocupava a mente da mulher farta era a mudança drástica que teria que fazer, e como contaria aquilo ao seu filho.

Eddie: Mãe... Estou ficando preocupado com a senhora pensativa assim... Mal tocou na comida... - A mulher despertou do seu mundo de pensamentos quando a voz delicada e doce de seu filho cortou o ar, Eddie sempre teve uma educação impecável perto dela, o que a deixava muito orgulhosa e feliz por não terem que passar por outro surto de gritos entre os dois.

Sra. Kaspbrak: Eddie ursinho... Eu gostaria de conversar com você, e espero que entenda a situação toda...

O Olhar de Eddie sobre a mulher podia complicar tudo, e arrancar a pouca coragem que a mulher tinha de revelar aquilo. Os olhos de Eddie eram de um castanho reluzente, penetrantes e pareciam conseguir arrancar qualquer verdade mais profunda de sua alma. Mas agora, eles pareciam preocupados demais, sem o sorriso que sempre acompanhava aquele brilho. Ele parou de comer e ficou encarando sua mãe, esperando que ela continuasse.

Sra. Kaspbrak: Eu conversei com o Dr. Nicky - Depois de um longo suspiro, ela começa, com desdém. - E chegamos à conclusão que... O melhor para você é ficar longe de tudo que posa te lembrar do... do seu trauma...

Eddie cruzou os braços após soltar os talhares sobre o prato. Ele não considerava ter um trauma, todos os Otários conseguiam lidar muito bem com o que tinha acontecido... Bem até demais... E o que ela queria dizer? Eddie não chegaria perto dos bueiros ou da casa na rua Neilbot de qualquer forma.

Eddie: ...Mãe...

Sra. Kaspbrak: Me deixe continuar, por favor... - Ela tentava buscar as melhores palavras, mas sabia que não importava se eram palavras mais delicadas, elas teria o mesmo efeito e impacto para o garoto. Ela sabia o quão Eddie era apegado com a cidade de Derry, tudo que viveu aqui, até mesmo ela não aprovava a ideia, o que a preocupava, mas ela faria qualquer coisa para proteger seu filho. - Nós vamos nos mudar de Derry.

Como em um tiro de espingarda, as palavras saíram altas e em bom som, ela temia a reação de seu filho, mas sabia que tinha que tomar a posição de mãe e adulta. Tinha que tirar seu filho da maldade dessa cidade.

O silêncio tomou conta da cozinha, Eddie lentamente abaixou a cabeça, digerindo a informação.

Eddie: Não...

Sra. Kaspbrak: C-como? - Com toda certeza, não a resposta que ela esperava.

Eddie: Não! Eu não vou sair daqui! - A voz alterada do velho Eddie estava ali, canalizando toda sua calma em uma raiva e decepção que tomava conta dele lentamente. - Você se quer pensou em me dizer? Em me perguntar antes se eu ficaria a vontade deixando todas as fronteiras que eu conheço Mãe?!

Sra. Kaspbrak: Eu estou fazendo isso pelo seu bem Edward, e não estou gostando do seu tom! - Os dois sabiam que aquelas poses de família perfeitinha não duraria para sempre, Eddie aprendeu a se comunicar melhor com sua mãe, e eles tinham aprendido a falar sobre o que os incomodava, mas Eddie nunca dizia a verdade, Eddie guardava tudo para si até o momento em que explodiria.

Eddie: Eu não ligo! Você sempre quer tirar tudo de mim! Meus amigos, minha privacidade... Minha família! Não ficaria surpresa se todos meus problemas fossem por sua culpa?! - Nesse momento, ele estava gritando.

Sra. Kaspbrak: Chega! Tudo que eu fiz foi para o seu bem mocinho, está na hora de reconhecer isso! Agora, vá para a escola, vamos sair desse inferno até o fim do mês e ponto!

Eddie empurrou a cadeira para trás e se levantou, tomado pela raiva, ele apenas subiu para seu quarto para pegar sua mochila e desceu novamente os lances de escadas, indo em direção a porta sem pensar duas vezes. Enquanto saia, teve a breve impressão de que ouvira sua mãe o tentar chamar, mas ele estava tomado pela raiva e decidiu não se virar para checar aquilo.

Eddie não acreditava no que sua mãe estava fazendo, ele ainda era de menor e tudo que lhe restava era ir com ela para outra cidade, ele reconhecia isso. Mas ele não entendi o porquê nunca o consultavam antes de tomar qualquer decisão por ele... O rapaz chegou até a praça, estava cedo ainda para ele ir direto para a escola, ele se sentou em um banco, o mesmo lugar onde esteve digerindo a informação de que Richie era gay... Richie...

Eddie: Por que eu afasto todos de mim? - Ele se questionava aquilo desde que brigou com Richie, o de óculos era seu melhor amigo, e o único que tinha restado naquele fim de mundo, e agora, o seu maior pesadelo se tornou realidade: Ele estava sozinho.

Nesse momento, ele sentiu apenas lágrimas rolarem pelo seu rosto levemente corado, Eddie se culpava de forma silenciosa por tudo que tinha acontecido desde a ida de Bill, ele acabara afastando seu melhor amigo, e secretamente amor, por egoísmo, apenas porque tinha medo de aceitar quem ele realmente é... Agora, ele se via sozinho, sem poder contar com ele mesmo, afinal, ele mal sabia quem ele mesmo era.

[...]

Eddie caminhou calmante para a escola quando o horário da primeira aula se aproximava, era estranho ele ter que voltar todos os dias para aquele lugar sozinho, ele se sentia mais solitário lá do que nunca. Seu antigo grupo eram os únicos que andavam com o asmático, depois do acontecimento naquele verão, eles nunca mais se largavam, faziam praticamente tudo juntos, e agora, com o grupos totalmente dissipado, ele sentia que tudo ao seu redor não passava de um péssimo enredo de um filme de drama.

Logo que se aproximava da entrada do colégio, ele viu uma silhueta perto da porta que ele reconheceria a milhares de distância. Era Richie, com seus óculos refletindo a luz fraca do sol que custava a aparecer naquele dia. Ele estava encostado em um dos pilares do lado da porta, com seu moletom escuro de sempre e um sorriso no rosto, mas Eddie percebeu de cara que aquele sorriso era diferente. Ele não mostrava suas belas covinhas e nem transparecia felicidade, mas também não era forçado. Essa informação fez Eddie tombar seus olhos na figura menor que estava na frente dele. Os cabelos loiros e enrolados logo denunciaram para Eddie quem era, antes mesmo dele precisar olhar na cara da pessoa.

O que Connor fazia tão perto de Richie? Por que... Eddie se sentiu tão confuso naquele momento que involuntariamente deu passos para trás até se virar e começar a andar para longe, mas então, como se fosse um sinal divino, ele começou a lembrar de palavras e frases fortes que pareciam neutralizar todos os sentidos do rapaz.

"Eu prometo sempre estar aqui com você!"

"Vamos sair daqui juntos!"

"Fale com ele, é a melhor opção."

"Vamos ir embora daqui até o final do mês!"

Como se uma força sobrenatural o guiasse, Eddie se virou na direção dos rapazes e começou a andar até lá, determinado a resolver toda aquela situação com Richie, ele estava cansado de ficar brigado com a melhor pessoa que tinha lhe aparecido na vida. Cada vez mais que ele se aproximava, mais ele começava a ignorar a presença de Connor ali, como se fosse um sistema de segurança do baixinho para evitar tamanha decepção.

Quando os olhos de Richie avistaram o pequeno Eddie se aproximando, eles se arregalaram e seu falso sorriso se desmanchou, ele desviou o olhar e coçou a nuca, ficando um pouco desconfortável. Richie também tinha ficado muito magoado com a reação de Eddie, e se questionava todos os dias se não tinha entendido errado a situação. Mas a tristeza e a leve raiva foram suficientes para fazer o de óculos parar de pensar naquilo,já que era orgulhoso demais para ir falar com o menor. Ele reconsiderou a proposta de Connor, e voltou a se aproximar do Bowers, eles voltaram a ter uma relação que não sabia muito bem se era namoro, ou apenas uma das formas de preencher o espaço vago de Eddie... Mas ele viu que ninguém podia fazer aquilo.

Eddie: ... Oi Connor... A-ah... Richie, posso falar com você um momento? - Eddie sabia que se ele deixasse passar, que se enrolasse demais, sua timidez e vergonha iriam se apossar de suas ações e impedir que ele continuasse com aquilo, mas ele estava determinado a passar a situação a limpo. Ele tinha pouco tempo na cidade e queria gastar tudo com Richie.

Connor: Desculpa Eddie, mas estamos atrasados para a aula e-

Richie: Deixa, eu tenho um momento... - Richie cortou a fala de Connor, se afastando do mesmo e seguindo para um lugar mais afastado em passos lentos.

Eddie recebeu um olhar de Connor que o fez sentir um frio na espinha. O loiro um pouco mais alto que Eddie não tinha uma feição nada boa, mas Eddie não pensou nisso e apenas começou a seguir Richie até o pátio de trás do colégio. Uma área que sempre estava vazia até o intervalo, era uma estrutura mal feita que quando chovia, juntava enormes poças de água.

Richie: Do que você quer falar Eddie? - O tom do maior era frio e parecia levemente estressado, deixou Eddie com um pouco de medo, mas o menor sabia que podia confiar no de óculos e respirou fundo.

Eddie: Richie... Olha... Eu sei que o que aconteceu na Barrens foi... Complicado...

Richie: Complicado Eddie? Você está escutando o que está falando? Você simplesmente me julgou por eu ser quem eu sou, você me magoou... Eu esperava qualquer reação sua menos aquela...

Eddie: Não! Eu não disse... não quis dizer aquilo Richie... Eu...

Richie: Então me diz aqui, agora, o que você queria me dizer!

Aquele silêncio, aquela droga de silêncio estava presente novamente. Eddie estava segurando o choro, pois se sentia fraco, fraco por não conseguir dizer o que sentia, por não conseguir encarar o mundo como ele mesmo... Por ter se escondido atrás de tanta gente que agora se sentia sem suas defesas.

Richie: Está vendo? ... Você não consegue...

O de óculos passou por Eddie, indo na direção da saída do pátio. Eddie sentiu seu corpo ser tomado por um desespero e deu alguns passos para alcançar o maior.

Eddie: Richie... Eu...

As palavras simplesmente não saiam, e aquilo não fez Richie parar de andar, mas Eddie parou e respirou fundo.

Eddie: Eu gosto de você Richie! - Aquilo saiu mais alto do que ele queria, mas fez com que o outro parasse de andar, mas ele ainda se mantinha de costas para Eddie. - Eu sempre gostei... Você é o meu melhor amigo Richie...

O pulmão de Eddie parecia que iria falhar a qualquer momento, mas ele estava mais preocupado com a reação de Richie, pois não sabia se ele entenderia o que ele queria dizer.

Richie: Vamos nos atrasar para a aula. - Depois de muitos segundos, que pareceram uma eternidade, Richie quebra o silêncio com aquelas poucas palavras sem expressão alguma, voltando a andar para fora dali, deixando Eddie sozinho e desolado naquele pátio abandonado.



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