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História Before The Ice - Capítulo 8


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Notas do Autor


Espero que vocês estejam de quarentena e impedindo a proliferação do vírus como boas pessoas que eu sei que vcs são

Bem, pra ajudar (ou não?) com a quarentena, eis aqui um capítulo fresquinho de Before

Capítulo 8 - Capítulo 8


Sophie não fazia ideia de como era debaixo d'água, muito menos na profundidade que se encontrava, no meio do Mar Mediterrâneo. Como já dissera, a única vez em que teve contato fora a desastrosa vez com a sua mãe. Então, ao pular do navio sem pensar nas consequências, Sophie nem imaginava a força com que atingiria a água.

No entanto, o impacto em si não foi nada. Além de ser semideusa, com o o poder de Netuno correndo em suas veias, a água basicamente se abrira para receber a garota. Mas o que Sophie sentiu no momento em que foi contornada por litros e mais litros imagináveis de água está acima de qualquer descrição. 

Era como nascer, sentir tudo pela primeira vez, estar ciente da maravilha de mundo a qual foi destinada. Sophie perdeu o fôlego ao mesmo tempo em que parecia respirar pela primeira vez na vida. Por mais que estivesse debaixo d'água, seus olhos se enxeram de lágrimas. Seus pensamentos foram limpos, como se nada mais importasse no mundo. 

Um sorriso de puro deleite se abriu no rosto da jovem, enquanto ela experimentava nadar em um território que sentia ser seu lar. 

As vozes das criaturas marinhas, que antes pareciam distantes e incompreendíveis agora se dissolviam em cumprimentos e chamavam pela herdeira de seu mestre. Sophie se sentiu preenchida, abraçada, como se estivesse no colo de sua mãe recebendo o carinho que sempre quisera, deixando todos os problemas de lado, esquecidos por entre litros e litros de pertencimento.

Porém não demorou muito para que isso tudo desmoronasse e um grito agonizante voltasse a soar desesperado. O sorriso de Sophie se apagou imediatamente e tudo voltou como um soco em seu estômago. Nem mesmo ali a paz seria absoluta. É claro que não, ela foi boba em pensar-em sonhar- nessa possibilidade. A semideusa procurou se acalmar e localizar a direção de onde vinham os gritos.

Ela tinha se jogado na água por um motivo, afinal. 

Respirando fundo, o que para ela era possível mesmo estando a metros abaixo da superfície, tentou seguir o som que vinha de muito mais abaixo. 

***

Meio segundo, exatamente, depois de Sophie sumir entre as ondas, tudo começou a desandar na superfície, como se já fosse algo planejado para desencadear e atrapalhar ainda mais o caminho dos dois semideuses. 

Como já era de se esperar, Enzo estava prestes a se jogar da murada do navio atrás de Sophie, que o tinha deixado sem respostas e preocupado. No entanto, duas mãos fortes o agarraram por trás, pelos braços. Os olhos do loiro se arregalaram e se direcionaram por cima do ombro para ver o homem que tinha reclamado do barulho segundos atrás. A expressão no rosto dele era totalmente diferente agora, como se estivesse faminto e Enzo fosse uma suculenta coxa de galinha.

- Aonde pensa que vai? - Perguntou e em seguida gargalhou da mesma maneira que um vilão faria. - Você e sua amiga não me disseram que eram... diferentes. - Comentou com um sorriso cruel nos lábios. Enzo olhou por cima do ombro.

Talvez fosse pela maneira que o homem o fitava ou pela aposta que fizera com Sophie horas antes, mas algo dentro dele dizia que era melhor ficar no navio e descobrir qual era o interesse do homem nas "diferenças" dos dois.

- O que você quer? Por que está fazendo isso? - Exigiu saber, fingindo se debater no aperto do homem, que riu novamente, dessa vez acompanhado por mais vozes, provavelmente o resto da tripulação. 

- O que estou fazendo? - Repetiu risonho. - Bem, estou levando vocês à Grécia! Não era o que queriam? - Seu sarcasmo era tão ácido que Enzo teve que se segurar para não revirar os olhos. 

Mas é claro que aquela viagem tinha chegado até eles de bom grado então é claro que era uma armadilha. O lado bom era que por enquanto nenhum deles eram monstros, Sophie devia 3 moedas de ouro a ele. E foi voltando a pensar na amiga que Enzo repensou se era mesmo uma boa ideia ficar ali e escutar. Nem imaginava o que ela estava passando no momento. Mas também não conseguiu imaginar o que ele poderia fazer de útil de baixo da água. 

Se convencendo de que essa era a melhor maneira de se lidar com a situação, ele foi arrastado para longe da murada e levado até o capitão do navio, que o olhava da mesma maneira que o outro. Como se visse algo valioso. 

Ele tinha uma barba escura e um olhar que fez o estômago do loiro se revirar. O homem sacou uma espada da bainha e outros membros da tripulação fizeram o mesmo. Enzo arregalou os olhos novamente, se perguntando como nem ele nem Sophie tinham reparado nelas antes. O capitão percebeu a confusão do garoto e riu.

- Não se sinta culpado ou maluco, loirinha. Nós temos nossos próprios truques. - Seu tom era superior, como se soubesse que tinha todo o controle e adorasse isso. - Vou ser claro com você, para que você seja o mesmo comigo. Eu dei transporte para vocês, dividi a comida e água da tripulação. Agora vocês me devem uma coisa ou outra, certo rapaz? - Enzo se limitou a suspirar. Pelo visto as informações que queria viriam mais de vagar do que imaginara. Ou talvez fosse a ansiedade e preocupação com Sophie. - Você e sua amiga são semideuses, não é? - Enzo não respondeu, apenas o encarou. Sentiu a espada de um deles pressionar sua garganta por ordem do capitão.

- É melhor abrir a boca, vira-lata! - O homem disse mas o capitão fez outro aceno de mão indicando que não era necessário tanto esforço. O que mais dava calafrios no garoto era o sorriso que o capitão insistia em deixar no rosto, tentando parecer amigável mas claramente conseguindo o oposto, sabendo disso.

- Eu não preciso da resposta pois já a tenho. Era uma pergunta retórica. - Fez uma pausa. - Sua amiga é poderosa, criança do deus dos mares, não há como negar. - Seu tom de voz incomodava o loiro. O homem falava de Sophie com gosto, vontade e interesse. Como se não visse a hora de tê-la para si. Era sujo. - Mas e você, magrelo? Com certeza é filho de algum deus menor. - Falou e se aproximou, pegando o queixo de Enzo e o examinando se examinasse um animal.

O loiro já estava perdendo a paciência. Travou a mandíbula e o fuzilou com os olhos. Era bom que achassem que era filho de um deus menor. Poderia usar isso a seu favor.

- Por que se importa de sermos semideuses? - Ele se forçou a perguntar, mesmo seus anos de ladrão e sacana já lhe dando a resposta. Eram mercadorias. Mas para quem? 

O capitão riu, se gabando.

- Vocês valem ouro, loirinha. Muito ouro. - Ele finalmente largou o queixo do garoto e apontou para o local onde Sophie tinha desaparecido. - E sua amiguinha deve valer mais do que eu já sonhei em ganhar. - A tripulação comemorou. Enzo abaixou a cabeça enquanto seus neurônios trabalhavam pensando em artimanhas e conversas fiadas. 

- É mentira. - Falou rapidamente. - Por que pagariam por nós? - Continuou, tentando ganhar tempo. O capitão o olhou com irritação.

- Eu sei lá o porque, garoto. Pra virar comida, escravo, fazer chover, tanto faz! Eu não me importo. Para mim vocês são apenas sacos! - Riu perante a tripulação, os fazendo rir também. Mas Enzo mal prestou atenção, juntando pontos em sua mente. 

- Então você iria nos vender sem pensar nas consequências? - A pergunta fez o capitão rir com ainda mais vontade, sem notar o olhar de Enzo, que já tinha encontrado sua arapuca. 

- Consequências! - O homem repetiu tirando sarro. - Eu te garanto, quando se ganha tanto ouro as consequências são o que menos importa! - Enzo fingiu balançar a cabeça preocupado.

- Então você não sabe... - Seu tom era de completa pena e o capitão parou de rir, notando a mudança. Depois de segundos em silêncio ele começou a mostrar o pequeno traço de insegurança. Tudo o que o loiro precisava.

- Não sei do que? - Enzo o encarou por indetermináveis segundos até responder com certeza na voz. 

- O senhor está sendo enganado. - Todo o navio fez silêncio. Olhares desconfiados foram trocados, mas Enzo permaneceu com o mesmo olhar firme, também passando certeza no que dizia. - Não tem como pagarem tanto por nós. Vão matá-los assim que nos tiverem. - Continuou e ali estava a dúvida plantada no capitão e sua tripulação. O loiro comemorou por dentro. 

- Não tente me enrolar garoto. - Disse o capitão de forma grossa, mas era claro na sua voz que ele já estava enrolado, assado e só faltava por o molho por cima para que virasse uma panqueca nas palmas das mãos do loiro.

- Eu jamais faria isso. O que tenho para ganhar com a morte de vocês? 

- Sua liberdade, loirinha. - Falou alguém da tripulação e outros murmuraram em concordância. Enzo se manteve no personagem. Balançou a cabeça, triste. 

- Eu estaria tão condenado quanto vocês. Os únicos que gastariam tanto com semideuses são monstros, acabariam com vocês em segundos e brincariam comigo e minha amiga antes de termos o mesmo destino. Ou pior.- Continuou sua história e viu de canto dos lábios de vários dos homens tremerem de medo e lançarem olhares de súplica ao capitão. Mas este estava quase irredutível. Pensava no ouro. Enzo teve que mudar o discurso. - Ou então... - Segurou a respiração. Como se algo acabasse de lhe vir a mente. - Ou então talvez nos usem para conseguir o triplo de ouro! - O loiro se forçou a arregalar os olhos e prendeu a atenção do capitão em si. - Somos mais resistentes, Sophie tem até poderes! Conosco eles conseguiriam o triplo de ouro que pagariam a vocês! - Abriu um sorriso e fez os olhos brilharem. - Talvez não sejam tão ruim! - Dizia como se para si mesmo. = Essa é a única explicação para o pagamento!

E pronto. Os olhos do capitão se iluminaram. Enzo acabara de despejar o molho para servir a panqueca. 

- O trilpo... - Murmurou em voz alta. Seus olhos pareciam estar em Enzo mas estavam muito além. O discurso era convincente, entrou na cabeça do homem e começou a se espalhar. Mesmo que ele desconfiasse que Enzo estivesse mentindo desde o início, o que queria dizia ficou muito claro na mente do capitão: eram semideuses poderosos que poderiam trazer ouro. Muito ouro.

Enzo tremia em expectativa. 

- Podemos esperar minha amiga voltar e o senhor pode terminar a viagem e a venda! - Enzo continuou apressadamente, de repente ciente que o navio estivera em movimento desde a hora que Sophie afundou. Mesmo sendo contra seus princípios, fez uma prece para qualquer deus que o escutasse para que eles não estivessem tão distantes da garota.

Foi agoniante esperar o capitão tomar uma decisão. Dava pra ver as engrenagens de pensar girando através de sua careca lisa e brilhante. 

Depois de pensar bastante, ele encarou o loiro de frente novamente.

- Veja bem, loirinha. Mudança de planos: você e sua amiga ficarão conosco e nos trarão muito ouro. 

- Mas e os vendedores?! - Se fingiu de sonso. Ainda queria saber quem eles eram. 

- Vocês conseguem muito mais do que qualquer quantia oferecida por eles. Mas veja bem, comigo vocês ficarão seguros: sem monstros e terão comida e água. Quer coisa melhor? - O capitão voltou a rir da mesma forma soberba de antes, como se tivesse tudo sobre controle. Sua tripulação o acompanhando. - Mandem alguém para esse navio, precisamos daquela garota viva. - Verberou para alguém com um aceno de mão e Enzo escutou os passos pela madeira se afastando. 

Tinha vencido essa e nem precisara se esforçar. Só precisava continuar se fingindo de sonso até Sophie reaparecer e tudo ficaria bem...

Mas então capitão voltou a rir, como se tivesse um último segredo guardado.

- E pensar eu planejava vender vocês para esses tais "monstros" no mercado negro. E eu nem tinha certeza se pagariam tão bem por você, magrelinho desse jeito. E ainda filho de uma puta olimpiana qualquer.- Disse soltando uma risada maldosa, que seus companheiros imitaram. Enzo teve que segurar a vontade de rir quanto ao "qualquer" na frase. O capitão continuou tagarelando, dessa vez com a tripulação. Seu tom mudou para um mais sério. - Já garota... íamos nos divertir um pouco antes de decidir o destino... e agora podemos fazer isso quantas vezes quisermos. - Disse de uma forma podre e ainda deu uma risada maliciosa no final. A tripulação o acompanhou, enquanto qualquer resquício de graça sumia no semideus prisioneiro.

Até ali, tinha levado toda aquela conversa na brincadeira. Mais uma de suas conversas de malandro. Mas não conseguiu se manter no controle de si enquanto o capitão continuava falando de Sophie. Se ela estivesse ali, teria acabado com a raça de todos, mas como não estava...

Enzo não reagiu imediatamente. Seus olhos se levantaram lentos até os do capitão, que permanecia com o sorriso sujo no rosto. Falara aquilo de propósito para provocar o garoto, mas sem nenhuma dúvida de que era verdade. Os olhos do loiro faiscaram, raios genuínos. O capitão levou meio segundo para entender o erro que cometera. O sorriso sujo finalmente se apagando para dar lugar ao desespero. 

E então percebendo a energia de raiva e fúria vindas do garoto, a qual vinha com a promessa de  destruir cada um dentro daquele navio. 



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