História Before you - Capítulo 5


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Categorias Orange Is the New Black
Personagens Alex Vause, Galina "Red" Reznikov, Nicky Nichols, Personagens Originais, Piper Chapman, Suzanne "Olhos Loucos" Warren
Tags Comedia, Drama, Lgbt, Orange Is The New Black, Romance, Series, Vauseman
Visualizações 114
Palavras 5.244
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, LGBT, Orange, Romance e Novela, Suspense, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Capítulo bem água com açúcar. Espero que gostem.
Vou usar uma playlist que uso nas minhas fanfics de Clarina enquanto não termino de montar a de Vauseman. Se alguém quiser a playlist que vou montar, só pedir nos comentários que eu mando o link assim que terminar.
Dedico esse capítulo para Httpreponx que acertou que era a Stella que ia aparecer e que tem comentado bastante. <3
Relevem os erros.
Boa leitura.

Capítulo 5 - The way you look tonight


Alex abriu os olhos e deu de cara com Piper que a observava com muita atenção. Sorriu levemente envergonhada e procurou por uma melhor posição para encarar a noiva que permanecia a encarando seriamente.

Vause não gostava muito quando a loira a encarava daquela forma, mas devido as circunstancias, ela entendia o motivo pelo qual era assistida tão de perto e com tanta cautela. Piper ainda estava aterrorizada e no fundo, Alex também.

- Eu sei que sou linda, mas me encarar dessa forma... – sua ironia matinal foi calada pelos lábios de Piper lhe arrancando o fôlego – uau. – sorriu quando a loira se afastou – eu também te amo.

- Eu te amo. – sorriu pela primeira vez naquele dia.

Alex deu um risinho baixo.

- Que horas são? Perdi o almoço? Droga. Queria minha gelatina sem açúcar. – balançou a cabeça em falsa lamentação.

Piper riu.

- São oito horas da manhã, ontem você só acordou para jantar e voltou a dormir. – informou fazendo os olhos verdes a encararem confusa – você tomou muitos remédios. Estamos só esperando a Sylvie vir te dar alta.

- Eu não lembro de ter jantado. – resmungou se remexendo na cama.

- Não me surpreende, você estava mesmo muito cansada.

- E o que você fez o dia todo?

A loira instantaneamente mudou a feição. Suspirou pesadamente e desceu na cama, indo sentar na poltrona. Sabia que Alex perguntaria por aquilo, ela só esperou que demorasse mais de meia hora depois que os olhos verdes cansados se abrissem com seu brilho familiar.

Não queria encher Vause de problemas naquela hora. Na verdade, já havia planejado tudo, iria fazer uma surpresa pequena para a noiva e nela, elas poderiam contar tudo que havia acontecido desde a noite da festa, pois claramente elas precisavam falar daquilo e adiar só estava agravando mais as coisas.

- Dormi com você e vi revistas de noiva. – respondeu dando de ombros – aliás, precisamos comprar um celular.

Alex sabia que a noiva estava mentindo, mas ainda não tinha ânimo para ir contra isso e sabia que provavelmente, a loira falaria sobre a verdade depois.

- Precisamos. – deu um sorriso meio apagado para Piper que se aproximou da cama de novo.

- Eu sei que precisamos conversar e faremos isso hoje. – disse percebendo a reação de Alex diante de sua mentira – num jantar.

- Jantar? – arqueou uma sobrancelha.

- Sim, vai jantar comigo. – respondeu como se fosse óbvio.

Vause riu.

- Geralmente, a outra pessoa é convidada. – provocou, fazendo Piper revirar os olhos – mas...

 - Você vai querer jantar comigo. Você me ama. – piscou de forma sexy para Alex que sentiu vontade de agarrar a noiva, mas a mesma se afastou da cama rapidamente – sem contatos íntimos.

- Sem contato íntimos por algum tempo. – Sylvie entrou no local fazendo Piper revirar os olhos novamente – só vim te dar alta, Alex. Deixa eu dar uma olhada nisso aqui – levantou a blusa da paciente. Chapman se corroía de ciúmes e Vause ria baixo da noiva – hum... está tudo bem. Perfeito. Tome os remédios que lhe receitei ontem, a Piper sabe quais, evite fazer esforços, incluindo sexo.

- Por quanto tempo?

- O sexo? – deu um sorriso cínico para Alex – quinze dias sem sexo. Acha que consegue?

- Pipes... – encarou a noiva de forma suplicante.

- Iremos cumprir, doutora. – assegurou para Sylvie que já se arrumava para sair.

- Irão, pois não quero ter complicações. Foi um prazer lhe rever. Mesmo que de forma ruim. – encarou a ex namorada que assentiu.

A doutora saiu do local e Alex e Piper deram grandes sorrisos uma para a outra. Iam finalmente poder ir para casa. Ainda que não fosse a casa delas, era muito melhor do que ficar naquele quarto de hospital. E as devidas conversas, seriam finalmente tidas.

-//-

- Por favor, Polly. – implorava para amiga que permanecia relutante diante da ideia da melhor amiga – só hoje. Eu prometo te levar para jantar para compensar isso.

Piper implorava para a melhor amiga convencer os pais dela a irem jantar fora naquela noite. Precisava muito de uma noite só com Alex e como elas precisavam ter uma série de conversas sérias, tudo que menos queria, era arrumar um jantar em algum lugar fora dali.

- Okay, Piper. Okay, mas... Você vai cuidar dos meus filhos no sábado. – aceitou de mau grado.

A loira pulou animada em cima da amiga, enchendo a bochecha da mesma de beijos. Estava tão feliz por ter a chance de ter uma noite a sós com a noiva. Desde que saíram, a única noite que tiveram realmente sós, foi a noite em que passaram no motel.

Seria mentira se Chapman dissesse que a estadia na casa dos pais estava sendo ruim, pois não estava, mas ela gostaria de gemer sem medo dos sons de seu prazer absurdo atravessarem as paredes. Se bem que no estado de Alex, elas não iam fazer nada. Mas Piper já tinha tudo muito bem pensado e a privacidade seria essencial para aquela noite.

Alex estava deitada num quarto do primeiro andar, pois Piper não a deixou subir um único degrau sequer, embora a morena tenha insistido ao ponto de a loira se estressar com ela. Elas tiveram uma pequena discussão, e ao invés de Chapman ir procurar alguma merda para fazer, como ela faria em tempos diferentes, ela simplesmente foi atrás da melhor amiga para pôr seu plano de jantar perfeito em prática.

- Ei, Al. – chamou pela noiva que a encarou com um leve sorriso – desculpa, é que não queria que você, sabe... Você acabou de ser operada. Não pode subir escadas.

- Eu sei, Pipes. Me desculpe, fui imprudente e teimosa. Como sempre. – sorriu se sentando na cama – só não gosto de estar assim... – suspirou tristemente.

- Eu sei, mas tenho uma surpresa para você. – disse animada. Alex a encarou de forma divertida.

- Piper Chapman, sempre lutando por causas perdidas. – brincou arrancando uma falsa risada da noiva.

- Você não é uma causa perdida e eu parei de me meter em causas. Lembra?

- Depois de quase termos ido para a máxima? – ponderou por um segundo. Piper revirou os olhos – claro que lembro.

A loira caminhou para a cama e deu um beijo quente em Alex que suspirou ao término do contato e deu um grande sorriso para a noiva que sorriu de volta.

Os olhares se cruzaram e elas ficaram apenas se encarando por longos minutos. Cada uma com seus pensamento diferentes, cada uma tentando adivinhar o que a outra pensava, sem querer de fato saber.

Polly apareceu na porta e pediu para que fossem almoçar. Piper ajudou Alex a se levantar e elas caminharam com calma para a mesa. A loira afirmava que todo cuidado era pouco e apesar de reclamar do cuidado excessivo, Vause se sentia sortuda por ter alguém para cuidar dela ali.

- Então, Alex, você vai prestar queixa? – foi a primeira pergunta que o pai de Piper fez para a nora.

A morena trocou um olhar aflito com a noiva que assentiu balançando a cabeça, lhe passando a segurança que o momento pedia.

- Sim. – seu tom era calmo, mas firme – Larry não tinha o direito de fazer o que fez.

- Eu concordo. – comentou Polly com seu tom de sempre.

- Na minha casa ele não pisa mais. – Elena disse seriamente. Alex sorriu para a sogra que sorriu de volta.

- Ele agiu muito mal mesmo, mas peço uma coisa – o tom de Heitor era sério – quando for fazer a denúncia, ambas devem pedir medidas protetivas. Pois se ele foi louco o suficiente de agredir você aqui dentro, então não sei o que pode haver lá fora.

Piper encarou o pai atentamente e uma pergunta que rondava sua cabeça desde o dia em que Alex fora ferida, lhe incomodou ainda mais, afinal, se o pai estava segurando o ex noiva da filha, por que não ligou para a polícia? Aliás, por que ninguém ligou?

A mãe de Piper ligou para a ambulância que demoraria muito a chegar. Cal, ajudou a irmã e a mãe a carregar Alex para dentro do carro. Os convidados eram um bando de inúteis. O único ‘’desocupado’’, era o pai de Piper. Ele podia muito bem ter dado um jeito de prender o rapaz até a polícia chegar. Ele só tinha um dever, manter Larry dentro da casa e aparentemente, até nisso falhara.

A loira queria muito jogar isso na cara do pai, mas com tanta coisa acontecendo, guardaria aquela atitude para uma explosão futura, pois conhecendo o pai como conhecia, sabia que ele a amava e estava aceitando Alex, mas isso era tudo.

- Podemos conversar, mãe? – Piper disse assim que terminou comer.

- Claro, querida. – se levantou seguindo Piper para o andar de cima.

Alex e Polly iniciaram uma calorosa conversa enquanto Heitor foi para o jardim ler um livro.

Piper observou a noiva conversando com a amiga. Esperou a mãe se apoiar ao seu lado no corrimão da escada e assim a mais velha o fez. Elas ficaram em silêncio por alguns minutos, só ouvindo as risadas das duas mulheres que continuavam à mesa conversando sobre amenidades.

Ambas as Chapman estavam felizes com a cena.

- Sinto muito por ter gritado com você no outro dia. – Piper iniciou, limpando a garganta. Estava envergonhada – eu só estava sobre muita pressão.

- Eu sei, filha. – sorriu de forma compreensiva para a loira que sorriu de volta – e, Piper, eu sei que está se questionando porque seu pai não ligou para a polícia – comentou surpreendendo a filha – mas seu pai ainda tem um grande apego pelo Larry.

- Apego? – riu incrédula – que se foda a porra do apego, ele deveria fazer o certo e o certo era defender uma mulher da porra do seu agressor.

Elena balançou a cabeça em total concordância.

- Sim, Piper, mas seu pai tem a cabeça mais fechada que eu, ele não vê isso tudo da mesma forma que vemos. – disse tentando acalmar a filha.

- Eu tenho um pedido para fazer. – ignorou a mãe. Aquele assunto só ai fazer ela sentir vontade de socar a cara de todo mundo – vá jantar com ele hoje. Jante com seu marido, – simplesmente não conseguia o chamar de pai naquele momento – a Alex e eu precisamos muito conversar sobre umas coisas. A Polly vai fazer o convite e você apenas aceita, animada.

- Claro. – assentiu confusa, queria perguntar o que estava acontecendo, mas não queria se meter na vida de Piper.

A loira colocou a mão sobre a mão da mãe. Elas trocaram um olhar cúmplice e Piper tornou a descer, se sentando com a noiva e a melhor amiga. Logo elas engataram em diversos assuntos aleatórios.

Elena sorriu feliz por ver a loira feliz e aliviada. Amava tanto a filha. Faria qualquer coisa por ela. Inclusive, passaria por cima de Heitor caso fosse necessário. Sua filha estava acima daquele casamento. Ela amava o marido, mas não concordava com as atitudes que vinha tendo nos últimos dias.

Em especial por pôr em risco a única pessoa que fazia Piper sorrir tão feliz.

O resto do dia passou calmo para Alex e Polly que só tiveram o trabalho de passar o dia num parque perto da casa dos pais da loira, pois Piper e Elena ficaram na casa preparando a grande surpresa para Vause que não protestou sobre ter que sair.

A morena precisava mesmo sair e ver a neve que aquela época do ano proporcionava a New York era consolador. Todas suas dores pareciam sumir quando ela podia andar sem limites pelo branco infinito.  

- Quando vai contar para ela? – Alex questionou assim que se sentou, com todo o cuidado do mundo num banco ao lado de Polly.

- Agora não, Vause. Me dê tempo.

- Ela é sua melhor amiga.

- E ela é sua noiva. – respondeu aborrecida – por favor, não vamos falar disso agora. Vamos aproveitar a vida de ex detentas.

- Você nunca foi presa, nem seria. – comentou provocando a amiga que riu.

- Claro que seria, Alex. Olha bem para mim. – forçou uma cara que ela jurava ser de bad girl.

Alex apenas riu, balançando a cabeça. Piper tinha escolhido certo sua melhor amiga.

- Eu só estou dizendo que talvez deva dar uma chance a Piper.

- Alex, tanto você quanto eu sabemos que ela vai, literalmente, parar toda a vida dela e de vocês para me ajudar nesse processo. – retrucou – é da Piper que estamos falando.

- Não pode a culpar por ser uma boa amiga.

- E nem você pode me culpar. – comentou se levantando e fazendo uma bola de neve que atingiu o rosto de Alex que resmungou.

- Isso é injusto. Eu não posso brincar. – protestou antes de outra bola a atingir com força no rosto – Ai, Polly!

- Isso é para você aprender que certas coisas simplesmente não podem ser feitas. – disse depois de se sentar ao lado de Vause que ria.

- Você é ridícula.

Enquanto Vause aproveitava a vida na normalidade, Piper discutia com a floricultura encarregada de levar sua encomenda, tudo tinha que ser perfeito e a loira deixou claro que pagaria o que fosse necessário para ter seu pedido realizado antes das 18h daquele dia.

-//-

- O jantar está no forno, fiz algo leve, como você pediu. – Elena anunciou na porta do quarto em que Piper terminava de se arrumar.

- Você viu a Alex? Ela está linda, não está? – perguntou com curiosidade genuína.

Elena riu.

- Sim, e sim, está lindíssima. – respondeu – agora preciso ir, seu pai está me esperando no carro. Aliás, você não pediu, mas eu consegui convencer ele a passar a noite num hotel, então vocês tem a noite toda para conversar.

A loira abraçou a mãe com força, em forma de agradecimento. Elas precisariam mesmo de horas a fio para tentar resolver a pilha de assuntos pendentes que tinham para resolver.

Elena se desvencilhou da filha lhe dando um beijo na bochecha e desceu com pressa. Heitor saiu com o carro da garagem assim que a mulher entrou no carro. Aquela noite seria só de Piper e Alex, e nem mesmo o Universo poderia interferir daquela vez.

- Acompanhe-me, senhorita Vause. – Piper apareceu na porta do quarto em que Alex aguardava por ela – a noite é toda nossa.

- Ainda bem. Poderemos transar loucamente. – brincou.

Piper revirou os olhos.

- Acompanharei você, senhorita Chapman. – sorriu aceitando o braço que Piper que lhe oferecia.

Os olhos de Alex brilharam quando ela viu como estava a parte em que ficava a piscina da casa dos Chapman.

Tinha uma mesa com duas cadeiras, velas acesas, um enorme buquê de girassóis e uma pequena caixa de som num dos cantos do local. Várias pétalas de rosas hibridas em tons de azul, vermelho e verde que Piper conseguira justamente para aquela ocasião, rodeavam a mesa na qual elas jantariam.  

- Senhorita. – Piper disse puxando a cadeira para a noiva que sentou com um sorriso no rosto.

A loira também sorriu, feliz por ver que sua surpresa estava agradando sua Vause. Ela colocou suco de uva nas duas taças que estavam em cima da mesa e serviu a noiva que agradeceu toda a gentileza da loira.

Elas comeram trocando olhares carinhosos e carícias. Apenas curtiram a presença uma da outra durante todo o jantar. Quando acabaram, Piper serviu mais suco de uva para as duas e ambas apreciaram a brisa da noite por alguns minutos, até Alex quebrar o silêncio. Elas precisavam conversar.

- Pipes, podemos falar sobre tudo agora. Eu me sinto pronta. – disse seriamente, sabia que provavelmente a noiva esperava pelo seu sinal verde.

- Okay, Al... Você pode começar? – temia que ao citar o nome de Stella, a morena perdesse toda a vontade de estar ali e a surpresa ainda não havia acabado.

- Vou contar o que lembro porque foi tudo muito rápido – explicou – eu fui pegar a água que você pediu e esbarrei sem querer no Larry, ele levantou a voz para mim, e você me conhece, amor, eu não ia simplesmente ficar calada, eu disse para ele me respeitar e ele pegou uma faca da cozinha, me ameaçando, dizendo que eu era uma puta, ladra de mulher, eu dei alguns passos para trás, mas ele andou rápido, eu até teria como me defender, mas ele estava armado, quando eu vi, eu estava encostada na mesa, com a faca dentro de mim. Eu gritei e seu pai chegou, afastando o Larry de mim. Logo depois vieram muitas pessoas e eu não lembro de mais nada. Só de você indo até mim.

Piper encarou a noiva por alguns minutos sem nada dizer. Estava chocada demais. Como uma pessoa, simplesmente poderia ter coragem de machucar a outra por causa do fim de uma relação? A falta de superação já era absurda, dado os anos, agora a falta de superação junto com a violência gratuita, isso extrapolava limites absurdos.

A loira se sentiu culpada, apesar de saber que não tinha culpa alguma, afinal, ela não escolheu nada daquilo, mas se ela mesma tivesse ido pegar a água, talvez as coisas fossem diferentes.

- A culpa não é sua, Pipes. – Alex disse como se lesse a mente de Piper – ninguém podia saber que ele ia fazer isso.

- Eu devia saber.

- Impossível, querida. E você sabe disso. – tocou a mão da loira que deu um sorriso triste.

- Eu te amo, Al. Prometo dar meu melhor para que nunca mais alguém a machuque. – disse sinceramente. Alex assentiu feliz.

- Vamos à delegacia amanhã e daremos parte dele, afinal, ele não pode sair impune. Isso foi tentativa de homicídio.

- Claro que vamos. Iremos juntas. – Chapman concordou genuinamente – Larry está morto para mim, e se eu ver ele, ele vai estar morto para todos.

- Pipes... – balançou a cabeça desaprovando – só vamos denunciar ele e viver nossa vida. Seguir em frente. Okay? – a loira assentiu. Alex suspirou – agora me conta, o que tem de tão urgente para me contar?

- Ah... – riu de forma nervosa. Coçou a nuca.

 Como falar que encontrou a mulher com quem traiu a mulher de sua vida? O que ela e Stella tiveram não teve significado algum, provavelmente para ninguém, nem mesmo para Alex que a perdoou pela traição e deu uma nova chance para ela.

Mas ela disse categoricamente para a loira que se ela tivesse omitido, então, ela não teria como confiar em Piper e que a perdoou pela traição, mas que não perdoaria mentira nenhuma. Por esses e outros motivos, Chapman sempre contava tudo a ela.

Elas, e todos deveriam funcionar melhor assim, com a verdade.

 - Encontrei a Stella e ela está me cobrando tudo que devo a ela. – disse de uma vez. Não aguentava mais aquela omissão, embora tivesse sido necessária  –  e não passei o dia só dormindo e vendo revistas de noivas, eu esbarrei com ela quando fui comprar algo para comer e ela me ameaçou toda as três vezes em que fui até lá. 

Alex a encarou estupefata.

- Você... – a confusão era tanta que ela não sabia o que perguntar primeiro.

- Ela me encontrou dormindo num banco do hospital e me levou para um quarto. Eu dormi durante umas horas, eu estava exausta, Al, e então... Quando acordei, a vadia estava lá, me cobrando. Ela me deu o endereço dela – explicou, puxando do casaco que usava o fino papel e pôs diante de Alex – não vou lá sozinha, claro.

- Piper Chapman, se eu suspeitar que você fodeu com ela de novo, eu juro, pelo amor que sinto por você que eu a mato e sumo da sua vida.

Piper riu. Apesar de as palavras terem soado muito sérias, ainda era fofo Alex com ciúmes dela.

- Não fodi com ninguém. Você acha que sou quem? Pelo amor. Era a mulher da minha vida numa sala sendo operada. Poupe-me. – resmungou sem nenhum resquício do riso que dera.

Foi a vez de Alex rir. Apesar do choque em saber que a noiva encontro Stella, foi só isso. Choque. Ela sabia que a Piper dela jamais a machucaria daquela forma novamente. Elas estavam noivas e felizes. Por que estragar isso?

- Alex.Vause! – exclamou pausadamente quando percebeu que a noiva estava brincando com ela – não acredito que me fez de besta.

- Desculpa, Piper. – sorriu – não podia perder sua cara de afetada.

-  Tem mais uma coisa. Precisávamos pagar o hospital e eu emprestei um dinheiro do meu pai. – disse serenamente, ignorando a ironia da morena.

- Tudo bem, Pipes. Pagaremos tudo. Em especial a Stella, não quero ela nos ameaçando. Facadas doem. – fez uma careta fazendo Piper rir.

Quando Piper percebeu que a conversa de fato havia sido muito melhor do que ela esperava, ela se permitiu respirar aliviada e caminhou na direção da caixa de som. Ajustou a playlist no celular de Polly que lhe emprestou o aparelho por uma noite e o conectou na caixa. Caminhou a passos largos até alcançar a noiva.

Estendeu a mão para ela quando as primeiras notas de The Way You Look Tonigh de Rod Stewart invadiram o ambiente.

Alex ajeitou os óculos, desconcertada e se levantou lentamente.

- Não precisa se preocupar, não faremos movimentos bruscos. – Piper sussurrou no ouvido da noiva que sorriu apaixonadamente.

Some day, when I'm awfully low

(Algum dia, quando eu estiver terrivelmente chateado)

When the world is cold

(Quando o mundo estiver frio)

I will feel a glow just thinking of you

(Eu me sentirei bem só de pensar em você)

And the way you look tonight

(E como você está essa noite)

 

Piper pousou os braços nos ombros de Alex que pousou os braços na cintura da loira. Elas juntaram os corpos conforme foi possível e se mexeram no ritmo da música, apenas sentindo a brisa do inverno e o cheiro que juntos, seus perfumes proporcionavam.

Aquela noite estava sendo melhor do que tudo que Chapman podia planejar, e ela planejou muito. Apesar de todo o planejamento, o fato de estar indo tudo bem era o que realmente fazia valer todo o esforço, isso e o bobo sorriso que estava nos lábios de Alex que fitava os olhos azuis da noiva de forma indescritível.

You're so lovely, with your smile so warm

(Você é tão adorável, com seu sorriso tão caloroso)

And your cheek so soft

(E sua bochecha tão macias)

There is nothing for me but to love you

(Não existe nada para mim além de amar você)

And the way you look tonigh

(E como você está essa noite)

Alex se sentia a mulher mais sortuda do mundo, mesmo com o péssimo ocorrido, ela não conseguia se classificar como uma pessoa azarada. Ela tinha Piper que era, literalmente, o amor de toda a sua vida. Tinha um lugar para morar e em breve estaria boa, podendo ir atrás de um emprego para ela e a noiva terem mais planos para criar.

Ela nunca foi o tipo de pessoa que gostou de fazer planos. Planejar para ela não tinha a menor graça. Mas não com Piper. Com a loira, tudo era diferente e um diferente bom. Vause finalmente sentia necessidade de casar, ter filhos e construir uma casa com sua família.

Claro que Piper ainda não sabia que ela já pensava nisso e nem saberia por um tempo, Alex queria que elas se reajustassem antes de darem passos tão grandes. E estava certa.

Suspirou se aproximando um pouco mais de Piper, evitando apenas que sua pele recém suturada entrasse em choque com a pele da noiva.

With each word your tenderness grows

(A cada palavra, a sua ternura cresce)

Tearing my fears apart

(Levando meus medos embora)

And that laugh that wrinkles your nose

(E aquela risada que enruga seu nariz)

Touches my foolish heart

(Toca meu coração bobo)

A loira se afastou de Vause e a olhou nos olhos. Levou a mão esquerda até o rosto da noiva e fez um singelo carinho que foi sentido de olhos fechados. Ah, Alex vause, por que tão linda? Piper ainda tentava entender. E sempre falharia miseravelmente nisso.

Yes you're lovely, never ever change

(Sim, você é adorável, nunca, jamais, mude)

Keep that breathless charm

(Mantenha esse charme que me tira o folêgo)

Won't you please arrange it?

(Você não irá, por favor, arranjar isso?)

'Cause I love you

(Pois eu te amo)

Just the way you look tonight

(Exatamente como você está essa noite)

Quando elas se conheceram, no exato momento em que se encontraram naquele bar, Alex sabia que se apaixonaria por Piper. Ela nunca tinha visto, em toda sua vida de aventura e sedução, mulher como a loira e nem por um minuto sequer ela planejou envolver Chapman nos seus negócios.

Infelizmente aconteceu, mas ela jamais deixaria algo assim se repetir.

With each word your tenderness grows

(A cada palavra, a sua ternura cresce)

Tearing my fears apart

(Levando meus medos embora)

And that laugh that wrinkles your nose

(E aquela risada que enruga seu nariz)

Touches my foolish heart

(Toca meu coração bobo)

 

Ao conhecer Alex, além de encantamento pela morena, Piper se sentiu de alguma forma instantaneamente conectada a outra, como se seus caminhos tivessem mesmo que se cruzar, como se não importasse se seria naquele bar, ou em uma farmácia dali um ano, elas estavam destinadas a ficarem juntas.

Piper nunca gostou nem acreditou muito em destino, mas no delas, sim.  

Yes you're lovely, never ever change

(Sim, você é adorável, nunca, jamais, mude)

Keep that breathless charm

(Mantenha esse charme que me tira o folêgo)

Won't you please arrange it?

(Você não irá, por favor, arranjar isso?)

'Cause I love you

(Pois eu te amo)

Just the way you look tonight

(Exatamente como você está essa noite)

Just the way you look tonight

(Exatamente como você está essa noite)

Darling

(Querida)

Just the way you look tonigh

(Exatamente como você está essa noite)

Elas estavam tão embaladas em seu próprio mundo particular que nem perceberam quando a música mudou, passando a tocar Turning Page na voz de Sleeping at last.

I've waited a hundred years

(Eu esperei uma centena de anos)
But I'd wait a million more for you

(Mas eu esperaria mais um milhão por você)
Nothing prepared me for the privilege of being yours

(Nada me preparou para o privilégio que seria ser seu)
If I had only felt the warmth within your touch

(Se eu tivesse apenas sentido o calor em seu toque)
If I had only seen how you smile when you blush

(Se eu apenas tivesse visto como você sorri quando você cora)
Or how you curl your lip when you concentrate enough

(Ou como você enrola seu lábio quando se concentra o suficiente)
I would have known what I've been living for all along

(Eu teria sabido para que eu estava vivendo por todo esse tempo)
What I've been living for

(Para que eu tenho vivido)

Piper sorriu ao assimilar a letra. Ela esperou toda sua vida por algo que seria tão emocionante que a faria sentir o coração bater tão forte ao ponto de doer, algo que fosse tirar o ar de seus pulmões. Sempre quis sair da normalidade, sempre quis ser um pouco mais interessante. Ela só não esperou que fosse encontrar tudo isso ao lado da primeira e única namorada.

Antes de Alex, a loira nunca pensou na possibilidade de ficar com mulheres, nunca odiou a ideia, mas nunca pensou naquela ideia daquela forma. Depois de terminar com Vause,, ela ficou com outras mulheres e até se esforçou para namorar, mas não conseguia, não fazia sentido.

Então, ela se envolveu com Larry e pensar em outras mulheres passou a ser último plano. Se não fosse Alex, não valia a pena ter mais ninguém ao seu lado, mas a vida precisava seguir. E ela seguiu.

Your love is my turning page

(Seu amor é minha página virada)

Where only the sweetest words remain

(Onde apenas as palavras mais doces permanecem)

Every kiss is a cursive line

(Cada beijo é uma linha cursiva)

Every touch is a redefining frase

(Cada toque é uma frase redefinida)

Se elas estavam ali, juntas, não era por acaso, depois de tudo que ambas passaram juntas, somente um grande e verdadeiro amor para se reerguer com tanta força e tantas vezes. Elas eram um caso raro, o tipo de amor que a maioria das pessoas nunca vai chegar a ter.

Mas elas tinham e cuidariam dele com todo o coração.

I surrender who I’ve been for who you are

(Eu me rendo para quem você é)

For nothing makes me stronger than your fragile heart

(Nada me faz mais forte do que seu coração frágil)

If I had only felt how it feels to be yours

(Se eu apenas tivesse sentido como é ser seu)

Well, I would have known what I’ve been living for all along

(Bem, eu teria sabido para que eu tenho vivido por todo esse tempo)

What I’ve been living for

(Para que eu tenho vivido)

As testas das duas se uniram, agora elas dividiam o mesmo ar, o mesmo doce ar que pairava sobre elas. A mente de Piper ficou presa em todos os momentos que elas compartilharam desde o dia em que se conheceram. A loira desejou poder eternizar aquele momento. Ela queria que o tempo congelasse e elas ficassem assim para sempre.

Though we’re tethered to the story we must tell

(Embora estejamos presos à história, devemos dizer)

When I saw you, well, I knew we’d tell it well

(Quando eu vi você, bem, eu sabia que a contaríamos bem)

With a whisper, we will tame the vicious seas

(Com um sussurro, nós domaremos os mares violentos)

Like a feather bringing kingdoms to their knees

(Como uma pluma derrubando reinos)

Alex uniu os lábios delas em um beijo calmo e doce. As línguas se tocavam com sutileza, os braços e as mãos de Piper tocavam toda a pele de Vause que podia ser tocada. O amor que as envolvia naquele momento era um sentimento quase palpável.

Nunca a plenitude esteve tão presente nelas, nunca a paz reinou tanto no reino delas. Elas eram uma só naquele momento. Nada. Absolutamente nada poderia ficar entre elas.

Elas deram tantas e tantas voltas para chegar aonde estevam. O destino sempre as quis juntas e sempre deu seu próprio jeito de as unir. Era evidente que não importava quantas vezes elas fossem separadas ou afastadas, sempre encontrariam o caminho de volta.

- Vem. – Piper puxou Alex delicadamente. Ajeitou a cadeira na beira da piscina e fez a noiva se sentar.

A loira desligou todas as luzes do local e colocou uma cadeira ao lado da de Vause. A única luz que as iluminava era a das velas e a da lua que estava grande naquela noite. Quando Piper se sentou, uniu suas mãos às de Alex que sorriu feliz com aquela cena.

- Eu te amo tanto, Alex.

- Eu também te amo, Pipes.

E elas se amavam. Era um amor tão forte e tão verdadeiro que mesmo tendo todos os motivos do mundo para dar errado, mesmo desafiando a lógica da vida diversas vezes, elas estavam ali, juntas. Para alguns, isso só acontecia em filmes e novelas, mas lá estavam elas e o amor delas, vivo, para mostrar que quando realmente se ama, se dá um jeito, se perdoa, se luta, simplesmente se faz acontecer.

Algumas coisas tem que ser, outras não. Resta-nos saber por quais lutar. 


Notas Finais


Gostaram?
A época de paz mal se iniciou e aviso que não vai durar muito.
Até o próximo. <3


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