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História Begin Again - Capítulo 3


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Capítulo 3 - 3. o vazio é fruto da omissão


Hoseok detestava o fato de ser filho único. Se tivesse ao menos 1 irmã(o), talvez seus pais não pegassem tanto no seu pé em busca do "filho perfeito". Duvidava que isso existisse. 

O garoto sem dúvidas sempre foi positivo, isso era uma das coisas que a sua situação ainda não tinha arrancado de si. Ele não deixaria que sua essência fosse esquecida por causa deles.

Por isso, mesmo aceitando fazer faculdade de ciências da computação, algo que claramente não queria, ele ainda tinha fé. Fé que um dia teria coragem o suficiente de dizer aos seus progenitores que eles não tinham o direito de decidir qual seria seu futuro, que não se importa se seu primo está fazendo medicina e já está com um emprego garantido para quando se formar. Nada disso lhe causava sequer inveja.

Ele só queria ser feliz fazendo o que sempre quis. Dança.

O Jung sorriu apenas por pensar em poder seguir seu sonho. Queria dizer para Nara e Minseok — seus pais — que a dança não era apenas um hobby, era a sua vida.

Quando aceitou se submeter a fazer algo que não queria, pensou que não seria nada demais, que conseguiria lidar com isso. Mas um dia antes do ínicio das suas aulas, ele se permitiu, por uma vez só, ter medo.

Um medo que para seus pais, era convertido em uma felicidade só. E Isso explicava o fato de estar sentado junto aos seus pais, tios e primos em uma espécie de jantar de comemoração.

Uma característica herdada dos pais sem dúvidas era a tendência ao exagero. Por isso, quando os mesmos chamaram parte da família para celebrar a ida de Hoseok para a faculdade, não se surpreendeu nem um pouco.

— Não acredito que o nosso filho finalmente vai ser um universitário — dizia Nara sem disfarçar a sua animação.

— Já estava em tempo. Minhyuk é apenas 1 ano mais velho que ele e já está concluindo medicina. Se ele tivesse entrado na faculdade logo quando terminou o colegial, talvez já estaria trabalhando e ganhando dinheiro.

Para Minseok, nada que Hoseok fizesse era o suficiente.

— Querido, hoje é um dia especial, não vamos discutir sobre isso. O que importa agora é que ele finalmente nos dará orgulho. Não é, hobi?

O Jung apenas assentiu. Na maioria das vezes ele preferia que a mãe fosse tão indiferente quanto o pai, ele se sentiria melhor se ela não esperasse tanto dele.
Para o pai, se ele não fizesse a maldita faculdade, não seria nenhuma surpresa, mas para sua mãe, era diferente.

Ela gostava de dizer o quanto investiu nele, como colocou ele nas melhores escolas de Seul desde o jardim de infância, e ela odiava não poder se gabar disso enquanto seu filho ainda não tivesse ingressado em alguma "boa" faculdade e em um "bom" curso. Mas agora, finalmente poderia gritar aos ventos que seu filho estudava em uma das melhores universidades de Seul e em um curso que estava em ascenção no mercado de trabalho.

Odiava que a felicidade da sua mãe era a sua tristeza. Mas como sempre, pôs um sorriso no rosto e fingiu que isso não poderia lhe atingir. Que tudo iria de magicamente se ajeitar.

Era uma pena que a vida real não se parecia nem um pouco com um conto de fadas.



Jimin foi até o banheiro do seu quarto, pretendendo apenas se limpar superficialmente, mas o suor e o cheiro de sexo impregnado em si o fez tomar coragem para ir tomar um banho de verdade.

Provavelmente Changkyun ficaria bravo por não esperar por ele, mas não queria arriscar um possível segundo round, não estava no clima para isso.

Após despir-se e entrar no banheiro, pôs-se a pensar no garoto dos olhos de universo que tanto conhecia. Ou melhor, que costumava conhecer.

Ficou realmente sem jeito ao ver o Jeon em carne e osso depois de 8 anos, mas escolheu usar seu talento para atuação, fingindo que não era nada demais, mesmo estando todo se tremendo por dentro.

Ele sabia que Jungkook viria para Seul, sabia que ficaria em sua casa, mas mesmo assim, fez o que sempre fazia quando o assunto era o ex-amigo, se fez de doido.

Era uma técnica que ele desenvolveu para quando um problema testava sua sanidade, ele apenas fingia que não tinha nada para se preocupar. Era uma técnica que funcionava por um tempo limite, pois sempre chegava um momento em que você não consegue fugir do tal problema porque ele está bem na sua, e era exatamente isso que tinha acontecido em relação a Jungkook.

Não só atualmente, mas o antes também.

Jimin gostaria de dizer que não sabia porquê ou como a amizade entre eles tinha acabado, mas ele sabia muito bem, porque foi ele que fez isso. Foi ele que se afastou do Jeon. Em sua defesa, ele sabia que fez isso porque era o melhor.

Mas o melhor pra quem? Será que foi melhor para Jungkook? No fundo ele sabia que tinha sido egoísta e covarde.

E esse era o problema da sua técnica. Você negar um problema não faz ele desaparecer, pelo contrário, com o tempo ele só ganha força contra você, e quando você se dá conta, já é tarde demais para agir, por isso, precisa se contentar com as consequências.

Foi interrompido quando ouviu a porta do quarto ser aberta, e só aí se deu conta que o banho estava durando mais do que deveria. Proibiu-se de pensar mais sobre o assunto, pelo menos por agora.

Concluiu o banho e foi em direção ao armário, sem sequer olhar para o namorado que estava deitado na cama mexendo no celular.

— Pensei que você tinha ido apenas beber água, por quê demorou tanto? — Perguntou após estar com as roupas limpas e deitando-se ao lado de Changkyun.

— Apenas estava conversando com seu "amigo" — respondeu em um tom irônico.

— Sério, Chang? Eu já te disse, não tem com o que se preocupar.

— Não tem com que se preocupar o que, Jimin? A gente sabe que antes do namoro você era uma vadia, agora tem um cara que coincidentemente é sua paixãozinha de adolescência, e agora quer que eu finja que está tudo bem?

O loiro ficou embasbacado, sem saber como reagir. Se sentia ultrajado.

— Eu realmente não acredito no que você acabou de dizer. Sinceramente, eu prefiro fingir que não escutei nada. Quem é você pra me acusar? Sim, eu ficava com vários antes do namoro, porque eu era S-O-L-T-E-I-R-O, solteiro, entendeu? Agora não me faça lembrar de que quem fez isso enquanto nós já estávamos juntos foi você, e eu te perdoei. Não esqueci, mas perdoei. Então eu não admito que você desconfie de mim, e que me chame de vadia.

— Jimin...

— Não, não me interrompa — a esse ponto ele já se encontrava gritando — você quase acabou com a gente, então não aceito que me coloque nessa posição. Pelo amor de Deus, você sabe que eu te amo, mas quando você fica com raiva eu não aguento. Não seja um vilão, por favor, eu quero que você seja você mesmo, e esse não é você.

Após o Park explodir e desabafar tudo que precisava dizer, o silêncio pairou por um tempo, fazendo com que os dois ficassem desconfortáveis.

— Amor, você tem razão. Desculpa, eu não sei o que deu em mim, prometo que não vou fazer de novo. O que posso fazer pra recompensar?

Jimin finalmente se permitiu olhar para o namorado, para enfim dizer:

— Agora, eu só quero que você vá embora.

Changkyun se esforçou para não rebater. Sabia que nessas horas, o melhor era deixá-lo sozinho, por isso, apenas assentiu e foi embora.

Após ouvir a porta bater, Jimin engoliu o choro que prometeu que não voltaria a derramar pelo mesmo motivo de sempre.

Apenas pegou seu celular, e discou o número de Taehyung.



Taehyung estava deitado na cama, enquanto recebia de bom grado o boquete oferecido por mais um desconhecido. Apenas sabia que seu nome era Kyungsoo e que ele cursava alguma engenharia — não se importava o suficiente para saber qual.

Ele apenas tinha saído para espairecer e esquecer que no dia seguinte teria que voltar a realidade sendo um universitário fudido como qualquer outro. Por isso, apenas chamou algum dos seus tantos contatos para se satisfazer.

O garoto o chupava de maneira cuidadosa, quase como se o seu corpo fosse um templo. Mas o moreno não gostava de delicadeza, preferia algo mais bruto. Por isso, agarrou o cabelo do outro, tirando a boca dele do seu pau por completo, antes de se empurrar forte e por inteiro repetidamente em sua cavidade.

Kyungsoo engasgou algumas vezes, até que Tae o puxou para cima para poder voltar a lhe beijar.

As coisas esquentaram quando a roupa do outro começou a ser removida aos poucos, e assim, o mais moreno repetiu em si o que tinha feito no outro, mas de uma forma mais sensual que o normal. Gostava de instigar ao máximo os seus parceiros.

Quando ambos encontravam-se totalmente despidos, voltaram a se atracar de maneira ainda mais faminta. Porém, foram interrompidos quando o celular de Taehyung começou a tocar, com o toque já característico e especial para seu melhor amigo. Sabia que era Jimin. Sabia que precisava atender.

Se separou de Kyungsoo e correu em direção ao telefone.

— Ah, qual é Tae. Depois você atende, só vamos continuar — declarou manhoso.

— Desculpa cara, preciso atender — clicou enfim no verde para atender a chamada — Alô? Jimin?

— Tae, eu preciso de você. Agora.

O moreno reconheceu a amargura na voz do amigo, o que só serviu para deixá-lo ainda mais preocupado. Sabia que Jimin só o procurava assim quando estava muito mal. E podia adivinhar o que tinha acontecido. Ou melhor, quem tinha acontecido.

— Jimin, ele fez de novo não foi? — falou já em um tom menos controlado.

— Por favor, não quero falar sobre isso agora. Só preciso de você, preciso esquecer.

— Eu já te disse mil vezes, Ji. Não adianta tentar esquecer, ele sempre faz de novo, e além do mais — foi cortado rapidamente pelo amigo.

— Por favor Tae, não quero lembrar, só fica comigo.

Taehyung sabia que faltava pouco para o menor se debruçar em lágrimas, por isso, mais uma vez, evitou tocar no assunto.

— Ok, estou indo para casa agora. Quando chegar, ligo para conversar. Tudo bem?

— Tudo bem. Me desculpa.

— Não peça desculpas, Jimin. Até depois, amo você soulmate.

— Também te amo Tae, pra sempre. Beijos.

Finalizou, enfim, a ligação e começou a pensar como iria dispensar o parceiro da noite sem ser rude, mas ao olhar para o outro, surpreendeu-se ao ouvir:

— Tá, já sei que vou ser chutado. Vou só lhe poupar disso e me vestir.

— Não é isso, eu juro. É só um assunto sério.

— Sem problemas, Kim, não é como se eu já não te conhecesse. Pode ir, vou resolver meu probleminha — apontou para o seu pênis ainda completamente ereto — sozinho. Volte quando quiser.

— Você é demais, cara. Até mais — sorriu, já saindo do quarto e indo embora de mais uma aventura.



Após o vergonhoso acontecido, Jungkook só queria achar o buraco mais próximo para se enfiar e nunca mais sair. De um jeito não bom, se é que você entende.

O garoto não gostava de sair julgando ninguém, afinal, sempre existiam dois lados da moeda, mesmo assim, deixou o moralismo de lado e se permitiu atribuir ao namorado de seu ex-amigo o adjetivo de babaca.

Refletiu muito sobre como proceder diante tal situação, escolheu apenas deixar pra lá. Quer dizer, ficaria alerta sobre o que aconteceu, não abaixaria a cabeça pra quem quer que fosse.

Já se passava das 21:00 horas e sabia que todos estavam em casa, mas imaginou que todos pensavam que ele estava exausto da viagem e merecia descansar mais um pouco. Mal sabiam eles que ele estava muito desperto.

Ouviu uma batida na porta e ouviu a Sra. Park se anunciando através da madeira, levantou-se para abrir a porta logo em seguida.

— Boa noite, querido — falou assim que adentrou no quarto — sei que provavelmente já vai dormir pois deve acordar cedo amanhã, mas como amanhã quando você sair, já terei ido embora, decidi vir lhe desejar um bom início de aulas.

Jungkook sorriu. Era inevitável não lembrar de sua mãe, que apesar de todos os defeitos, sempre cuidou dele.

— Muito obrigada, Sra. Park. Significa muito pra mim.

— Sem problemas, querido. Já falou com Jimin?

O Jeon travou. Sabia que aquela conversa levaria a outra, e não estava preparado para falar sobre o loiro.

— A-ah, sim. Bem rapidamente, mas já vi ele sim.

— Veja só — iniciou olhando para Jungkook de forma terna — eu sou mãe dele e somos muito próximos, então eu sei mais ou menos o que aconteceu e sinto muito, tenho certeza que meu filho também sente. Ele sente sua falta. Sei que é difícil, mas dê uma chance para ele, talvez vocês não voltem a ser como eram, mas se permitam.

Passou um tempo sem saber o que dizer, mas sabia que ela tinha razão. O moreno sempre foi uma pessoa bastante compreensiva, e apesar da mágoa, sabia que seria o melhor não só para Jimin, mas para ele também. Guardar ressentimento nunca é uma boa opção.

— Obrigada, Sra. Park, me lembrarei disso — ofereceu um sorriso um pouco vacilante para a mulher e esperou que fosse o suficiente. E foi.

Provavelmente ela percebeu que o garoto ainda estava confuso, mas escolheu não tocar no assunto por agora.

Despediu-se do garoto, desejando mais uma vez boa sorte para o dia seguinte e se retirou do quarto, o deixando mais uma vez absorto no barulho dos seus próprios pensamentos.

Decidiu fazer algo que não fazia a um tempo, algo que sempre lhe deixava melhor. Pegou seu celular que estava carregando na tomada próxima a cama, e digitou o número já conhecido.

— Mas olha só quem lembrou que tem um irmão. Já estava na hora, pirralho.

Jungkook sorriu.

— Pra dizer que você me ligou também Jin, seu ingrato.

— Sou seu hyung, me respeite! — falou parecendo ofendido, mas Jungkook o conhecia o suficiente para saber que estava só brincando — falei com nossa omma hoje mais cedo, preciso nem dizer que ela me ligou chorando porque mais um filho foi embora.

— Por que eu não me surpreendo?

— Porque conhecemos ela o suficiente para saber que isso iria acontecer. Agora me conta, como se sente sendo um semi-independente?

— Semi? — perguntou confuso.

— Sim, ué. Você sabe que só está numa ilusão de que pode fazer o que quiser, mas com certeza a mamãe mandou a Sra. Park ficar de olho em tudo que você faz.

— Ah, não venha tirar meu barato, Jin-hyung! Estou... — suspirou — nervoso? Não sei, não é como se fosse o fim do mundo, mas estou ansioso para ver como vai ser.

— Nada fora do normal, sempre é assim. Mas relaxa, mano, você está entrando na faculdade, tudo vai piorar com o tempo.

— Nossa, obrigado. Fico até mais tranquilo com essa informação — ironizou.

— Irmãos servem para isso.

— Nem todos irmãos, mas de você não esperava outra coisa. Enfim, falando de você agora, como estão as coisas por aí? A Harumi deve tá morrendo de saudades do tio, não é?

— Ah, kookie, nem você acredita nisso, né? Ela deve nem lembrar mais desse tio "fuleiro" dela que nem pra dar satisfações serve.

— Aish, não me queime pra ela. Sou o tio preferido.

— Você é o único tio dela.

— O que automaticamente me faz o melhor.

— Patético.

— CALADO. Como tá a Sana? Vocês têm praticado muito para fazer um irmãozinho para a Haru?

— Você não tem respeito mesmo né, garoto? Nós estamos... - pareceu um pouco hesitante — bem, eu acho.

— Acha? Porquê pela forma que falou não parece.

— Ah, qual é Kookie. Estamos bem na medida do possível, não quero falar sobre isso.

— A omma sabe?

— Não tem o que saber, Jungkook! Não vá preocupar ela com coisas que não tem necessidade, está tudo sob controle.

Jungkook percebeu que Seokjin pareceu nervoso sobre o assunto, por isso sabia que tinha caroço nesse angu, mas preferiu não falar mais sobre enquanto o irmão não se sentisse confortável.

— Tudo bem então. Enfim, já 'ta tarde, vou tentar dormir. Manda um beijo para a Haru do melhor titio dela.

— Ok, iludido. Tchau — Jin falou, encerrando a ligação logo em seguida.

Jungkook sabia que não conseguiria dormir logo, mas deitou-se e se esforçou para conseguir pegar no sono, e se praguejou mentalmente por ter dormido tanto durante o dia.

Após jogar mais um pouco em seu celular, viu que já passava da meia noite e precisava estar na universidade às 08:00.

Pôs o telefone mais uma vez no carregador. Maldito iPhone.

Pensou no dia seguinte e ficou ansioso, pensou e pensou muito até que o sono chegasse.

Pensou em Jimin e de como seria lhe ver sem ninguém para atrapalhar, e foi com o rosto do seu hyung na mente que ele adormeceu, por fim. 



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