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História BEGIN AGAIN - Capítulo 5


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Capítulo 5 - 5. desencontros




— Appa, você pode cantar pra mim? Não tô conseguindo dormir.

Seokjin tinha um ponto fraco, e esse ponto se chamava Jeon Harumi. O que a garota lhe pedia chorando, ele fazia sorrindo, porque a garotinha era definitivamente a melhor coisa da sua vida.

Estava cansado após um longo dia, havia participado de uma sessão de fotos para uma loja de roupas esportivas, e por mais que parecesse exagero, ficar correndo de lá pra cá, trocando de roupa e de maquiagem o tempo todo era um pouco cansativo. Mas não tinha do que reclamar, amava o que fazia e poderia estar bem pior.

Buscou esquecer seus problemas com a agência por colocar ele em mais ensaios do que podia aguentar, com sua mãe que não cansava de lhe ligar para dizer o quanto era um filho ingrato, com sua mulher que nunca estava em casa quando ele precisava. Tentou esquecer tudo isso para cantar e dar atenção para sua pequena.

Cantou praticamente o dvd inteiro da galinha pintadinha para fazer com que a menina pudesse finalmente dormir.

Se Sana estivesse em casa, certamenre reclamaria com ele por estar colocando a filha para dormir tão tarde, e pensando nisso, Jin concluiu que era até algo bom a esposa não estar lá agora, definitivamente não tinha mais paciência para brigas idiotas. Mas quem ele queria enganar? Tudo que ele mais queria era seu amor do seu lado.

A amava de todo o coração, e esse motivo em conjunto com a filha, eram as únicas coisas que faziam ele ficar.

Já fazia tempo que não sabia o que era fazer um programa de família ou sequer ter uma noite de amor regado a vinho e juramentos de amor eterno. Após 4 anos consideravelmente harmoniosos, seu casamento estava caindo aos pedaços.

Decidiu que não iria esperar pela mulher, não fazia ideia de que horas ela chegaria. Foi logo se banhar e colocou apenas um short confortável, optando por dormir sem camisa já que o ar-condicionado tinha quebrado já fazia uma semana e não tinham chamado um técnico ainda para consertar.

Quando pegou o celular para dar uma olhada nas redes sociais antes de dormir, ouviu um barulho vindo da sala, uma porta se abrindo. Sabia que era ela, então não se deu ao trabalho de se levantar para ir recebê-la. Talvez faria isso há um ano atrás, mas não eram mais esse casal amoroso que estavam sempre ansiando e  contando os minutos para estar um do lado do outro.

— Amor, por que ainda está acordado? Precisa acordar cedo amanhã. —comentou quando adentrou o quarto e avistou o marido.

Em um tom de puro deboche, respondeu— Você também precisa acordar cedo amanhã, e olha a hora que chega em casa.

— Vai realmente quer começar com isso mais uma vez, Seokjin?

— Onde você estava, Sana? — questionou em um tom acusatório.

— Você sabe muito bem onde eu estava. Estava trabalhando, como sempre.

— Exatamente, como sempre. Você nunca está em casa, nunca está aqui para a gente. E nem sequer sei se você está trabalhando mesmo, isso não é hora para se chegar em casa do trabalho.

— Às vezes eu penso que você esquece que eu sou a chefe da empresa. Não tenho isso de horário, tenho que estar o tempo todo disponível e saber tudo o que está acontecendo.

— 2 horas da manhã, Sana? — acusou — às vezes parece que você esquece que tem uma família.

— Seokjin, já deu! Até quando você vai esconder a sua frustração pelo fato de que uma mulher trabalha e ganha mais do que você?

Jin sorriu incrédulo — Como você pode dizer uma coisa dessas ao seu marido?

— Eu tento não dizer, mas não aguento mais. Eu sei que você por algum motivo não ficou muito feliz quando eu consegui subir de cargo na empresa. Eu sou sua mulher, você deveria torcer pelo meu sucesso, mas parece que para você tudo bem eu me dar bem no trabalho, desde que não seja mais do que você. Isso é machismo, Jin! Onde está o meu marido que me apoiava e torcia para o meu bem?

— JÁ CHEGA — aumentou a voz —, eu não vou ficar aqui escutando você falando essas coisas de mim.

— Não grite, vai acordar a Haru.

— Agora você se lembra que tem uma filha? Dane-se, vou dormir no sofá. Boa noite. — falou já se retirando do quarto, não ouvindo nenhum protesto por parte da mulher.

Entrou cautelosamente no quarto da filha pois tinha esquecido de pegar um travesseiro, os do sofá não eram tão confortáveis, e com certeza, não voltaria para o seu quarto para pegar. Separou alguns travesseiros fofinhos e finalmente se deitou no sofá. Não chegava nem perto de ser confortável, mas ao menos teria paz.

Tentou não pensar no casamento e como estava tudo desmoronando, realmente teria que acordar cedo no dia seguinte e ficar pensando em coisas ruins lhe daria insônia. Apesar do esforço, o sono simplesmente não vinha, então desistiu e decidiu tomar algum remédio para conseguir dormir. Teve que procurar quase a casa toda pelos benditos remédios, já que Sana escondia de si para que ele não voltasse a ficar viciado nos mesmos, mas não é como se fosse capaz de relaxar com tudo o que estava acontecendo. Achou a medicação escondida por baixo do estofado do sofá, e apenas tomou e esperou pelo efeito. Era melhor assim.

Passava das 18:00 horas quando Jimin finalmente chegou em casa da faculdade. A rotina era decididamente pesada, por isso, sempre que alguém dizia que fazer faculdade de dança e coisas relacionadas a arte era moleza, tinha vontade de acertar uma panela na cabeça do indivíduo sem noção.


Sua mãe estava acabando de fazer o jantar e Jimin se sentiu mal por não poder estar lá sempre para ajudá-la. Amava o que fazia, mas se tinha uma coisa que odiava era o fato de que isso lhe impedia de ser presente no dia a dia da família. Era frustrante demais.


— Seu bebê chegou, mulher. — chegou por trás de Soomi, lhe dando um abraço, assustando-a imediatamente — Chegou morrendo de fome, inclusive. Qual é o rango?

— Aish, folgado! — tirou a colher de pau de dentro da panela e se afastou do garoto — Bem que eu deveria saber, filho só serve para pedir. Já tô velha o suficiente pra você cozinhar pra mim, seu ingrato!

— Quê isso, mulher? AI! — levou uma colherada na cara — O que eu fiz?

— Você acha que eu sou alguma pariceira sua? Se dirija a mim com respeito!

— Aish, desculpa Omma, também não precisa agredir.

— Precisa sim pra você aprender. Agora vai lá chamar seus irmãos e o Jungkook para jantar.

— Appa não chegou ainda?

— Chegou e já saiu. — falou mais cabisbaixa — Aparentemente apareceu alguma viagem de última hora pra ele em Daegu

— Em Daegu? — estranhou.

— Sim, agora pare de enrolar e vai fazer o que eu tô mandando antes que eu enfie essa colher de pau você sabe onde.

— Vá tomar um cházinho para se acalmar, mulher. — correu pelas escadas ouvindo a mãe resmungando na cozinha.

Primeiro bateu na porta de Soeuen, mas devido ao som alto, apenas desistiu e mandou uma mensagem pelo aplicativo de mensagens, era mais fácil conseguir falar com ela assim. O quarto de Mingi era do lado, e apenas gritou mandando ele descer, recebendo uma reposta positiva logo em seguida.

Quando chegou em frente ao quarto do Jeon — que era em frente ao seu —, respirou fundo antes de dar algumas leves batidas na porta de madeira. Não se passaram 10 segundos para que a porta fosse aberta, mostrando um Jeon Jungkook com cabelos bagunçados e com a cara amassada de sono. Fofo.

"Controle-se, Park Jimin. Você tem um namorado" pensou tentando se controlar e não apertar as bochechas do garoto a sua frente.

— Desculpe, Kook-ah. Não queria atrapalhar seu sono. Mamãe mandou chamar para jantar.

Jungkook — ainda completamente sonolento — pareceu demorar algum tempo para assimilar o que estava acontecendo, até entender e acenar.

— Ok, vou descer. Obrigado, hyung.

Jimin apenas sorriu para o garoto e desceu as escadas, tentando não pensar tanto no outro.

Não era burro, sabia que Jungkook era atraente, sempre foi pra si. Mas agora as coisas eram diferentes. Tinha um namorado e o moreno estava sob o mesmo teto dele, não queria que as coisas ficassem estranhas. Por esse motivo que tentou fingir que nada tinha acontecido, que ainda eram amigos como sempre, não queria causar desconforto no mais novo.

Seus irmãos já estavam na cozinha quando chegou, e Jungkook demorou no máximo cinco minutos para descer e se juntar aos outros. Jimin desejava do fundo do coração um jantar silencioso, mas com sua mãe era impossível conseguir tal feito. Ela começou a perguntar TUDO para o Jeon, tudo. E o moreno aparentava não se incomodar com isso, pois a respondia de bom grado.

Enquanto isso, o loiro apenas ficou discutindo com Soeuen sobre quem ficaria com o último pedaço de carne. Jimin justificou que por ser mais velho e maior, precisa de mais proteína para se sustentar, o que era algo bem lógico. Não foi o suficiente, pois Soomi apenas mandou Jimin parar de ser um chato e deixar a sua irmãzinha comer mais um pouco. Injustiça.

Enquanto isso, Mingi apenas comia o que lhe foi oferecido sem reclamar. O irmão do meio sempre foi assim, podia estar acontecendo uma guerra ao seu redor, ele sequer se daria ao trabalho de levantar os olhos para ver o que quer que fosse. Apesar de Jimin às vezes ter raiva desse jeito do irmão, era inegavelmente mais próximo dele do que de Soeuen. A irmã mais nova estava naquela fase inconsequente em que se importava apenas com os comebacks de suas girlgroups preferidas. Mingi ao menos jogava videogame com Jimin, e o escutava quando tudo ia mal a pior. Normalmente, ele não diz nada, apenas escuta, mas é o suficiente. Enquanto isso, apesar de Jimin também amar girlgroups — Girls Generation principalmente —, a mais nova não deixava o mais velho chegar nem perto de uma revista sequer.

Quando todos terminaram de jantar, Sra. Park mandou Mingi e Jimin arrumar a cozinha, mas Jungkook se ofereceu para ajudar. E apesar de Soomi insistir para que o garoto não se desse ao trabalho, lá estava o Jeon lavando os pratos, enquanto Jimin passava pano no cômodo. Mingi apenas usou a desculpa de que não precisavam de um terceiro ajudante para realizar as tarefas, e se mandou para o seu quarto, deixando os mais velhos sozinhos.

Apesar do silêncio que se instalou no ambiente, não estavam desconfortáveis um com o outro. Mesmo assim, Jungkook decidiu iniciar uma conversa.

— Então... Você tem o número do Yoongi-hyung? — talvez não tenha sido o melhor assunto possível, mas Jungkook não podia negar que tinha se interessado demais pelo mais velho — Digo, ele me chamou pra sair, mas não tenho como marcar nada se não tenho o número dele.

— Claro. — falou em contragosto — Na verdade, ele me pediu seu número, mas eu não tinha.

— Sem problemas, hyung! Eu posso lhe passar meu número também. Digo se você quiser, em caso de emergências e tal.

— Tudo bem então — pegou o celular oferecido pelo Jeon e digitou o número do amigo para o garoto, aproveitando para colocar o seu próprio também. — Então... você tá realmente ok com esse negócio de encontro triplo? Você não ficaria tímido, ou algo assim?

— Um pouco, hyung. Mas não me parece uma ideia ruim.

— Se você acha... Ótimo.

Após o assunto ser encerrado, despediu-se do moreno e foi em direção ao seu quarto. Escovou os dentes e deitou-se na cama, pegando o celular até então esquecido. Tinha 30 mensagens de Changkyun, e pelo menos umas 15 ligações perdidas. Suspirou antes de retornar a ligação.

— Lembrou finalmente que tem um namorado?

— Você quer brigar de novo, Chang?

— Não, não quero Jimin. Me diga apenas onde você estava.

— Eu só passei o dia na faculdade, jantei e só peguei o celular agora. Não respondi antes porque ainda estava puto com você por ontem.

— Meu bem, me desculpe. Eu vacilei muito. Confio em você, e te amo. Me perdoa.

— Você sabe que nem precisa pedir né? Eu iria te perdoar de qualquer maneira.

— Sim, mas quero pedir mesmo assim. É o que você merece.

Sim, era o que merecia. Se Jimin estava nesse relacionamento destruído, era por culpa dele. Nós aceitamos o amor que achamos que merecemos¹, e na concepção do Park, ele merecia. Por isso, aceitou os pedidos de desculpa, mesmo sabendo que aconteceria de novo.



Já se passava das duas horas de manhã, e lá estava Jungkook, sem conseguir dormir de novo. Aparentemente ele não aprende com os próprios erros, e continua dormindo nos momentos errados e permanece sem conseguir dormir nos momentos certos.

Ao menos a insônia fez ele lembrar que não tinha enchido sua garrafinha d'água. Bem, o que acontece é que o garoto havia baixado um daqueles aplicativos em que manda você fazer coisas mínimas, prometendo que isso ajudará a dar mais disposição para o dia a dia. Uma das coisas que o aplicativo afirmava, era que beber água logo ao acordar ajudava a vigorar as suas energias para o dia que estava começando. O problema é que Jungkook era bem esquecido e sempre esquecia de encher a bendita garrafinha.

Levantou-se da cama e foi em direção a cozinha, para o filtro. Quando a garrafa já estava cheia até a borda, fechou-a e pretendia subir para seu quarto, mas não pôde completar sua ação, pois curiosamente, um Sr. Park apressado estava descendo as escadas com uma mala.

— Jungkook, boa noite — falou aparentemente assustado — Você não deveria estar dormindo, garoto?

Jungkook ficou confuso. Não era da sua conta, obviamente, mas a Sra. Park havia dito durante o jantar que Dongmin já estaria em Daegu resolvendo coisas da empresa, então, se perguntou o que o homem estava fazendo esta hora da madrugada em casa. 

— Desculpa, DongMin-ssi. Estava só com sede, nada demais. Pensei que estivesse em Daegu.

E lá vai Jungkook e sua boca grande. 

— Meu vôo foi cancelado para agora às 06:00 horas, vim apenas pegar uma mala que tinha esquecido. Mas desculpe se estiver soando grosseiro, mas não acredito que isso seja da sua conta.

Aish. Essa doeu — Não, claro Sr. Park. O senhor tem razão. 

— Que bom que pensa dessa maneira, garoto — se dirigiu até a porta principal, mas antes de sair por fim, virou-se para o garoto que ainda estava parado olhando a cena — E, com sua licença, peço para não comentar nada com minha esposa. Não avisei nada para ela, pois não queria que se preocupasse comigo, e também não a acordei, pois ela precisa acordar cedo pela manhã. Espero que possa contar com a sua boca fechada, Jeon Jungkook.

O garoto apenas assentiu, pois não acreditava que sua voz pudesse sair de si. Jungkook não era burro, havia sido claramente uma ameaça. Não entendia porquê, mas escolheu não questionar no momento.

O Sr. Park apenas saiu e deixou um Jungkook amedrontado para trás. 


Notas Finais


¹: Referência à As vantagens de ser invisível. Sou apaixonada por esse livro/filme.

Final meio pombo, e capítulo meio sem graça, mas é o que temos para hoje. Mas relaxa que o capítulo que vem já vai ter bem mais ação. Eu juro, acredita em mim!!!!


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