História Begin Again (Imagine Namjoon) - Capítulo 42


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Bangtan Boys, Bts, Fanfic, Hoseok, Interativa, Jeon Jungkook, J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Namjoon, Rap Monster, Suga, Yoongi
Visualizações 1.982
Palavras 7.428
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fluffy, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Depois de 84 anos eu voltei!!!!
Primeiro de tudo.. PASSAMOS DE 1300 FAVORITOS!!!! AAAAAAEEEE PORRAAAAAA
Segundo, chorei escrevendo, então se preparem... E leiam as notas finais!
Obrigada
Boa leitura!!!

Capítulo 42 - Hurt


Fanfic / Fanfiction Begin Again (Imagine Namjoon) - Capítulo 42 - Hurt

(S/N) POV


 

Namjoon se remexeu ao meu lado soltando algumas palavras desconexas de algo que estava sonhando, o relógio ao lado da cama marcava poucos minutos para as 6 da manhã. Eu havia dormido por poucas horas, algo que já havia se tornado frequente. Se eu conseguisse dormir mais que 3 horas já era quase que um milagre. Os pesadelos eram recorrentes, mas Namjoon não sabia sobre isso. Ele já estava tão preocupado com toda a situação, que achei melhor não comentar nada sobre.

A maioria dos pesadelos eram flashes no dia horrível, a dor dilacerante e todo o sangramento, na maioria das vezes eu acordava sentindo cólicas e suando frio.

Já havia se passado mais de 1 semana, e pensar nisso se tornava cada vez mais estranho e doloroso… A sensação de vazio permanecia, diminuindo gradativamente com o apoio de Namjoon, minha família e amigos, porém de certa forma era sufocante.

O cuidado excessivo que Namjoon tinha comigo as vezes me irritava, mas eu segurava para não descontar toda a frustração e tristeza sobre ele do modo como havia feito nos primeiros dias. Minha mãe ligava todos os dias e as visitas foram ficando mais esporádicas quando ela se deu conta de que Namjoon poderia cuidar de mim. Sally e Jimin com certeza eram os que me deixavam mais confortável. Os dois evitavam ao máximo entrar no assunto, apesar de não concordarem muito quando voltei ao trabalho no dia anterior e isso causou uma pequena discussão, com eles e Namjoon.

Eu ainda não me sentia 100% bem, ainda chorava sozinha no banheiro as vezes, mas tentava ao máximo esconder isso de todos, ainda doía. Mas eu tentava me apegar a ideia de que ‘tudo melhoraria’, mas as vezes era difícil ter que aceitar isso.

Me sentia cansada e frustrada por saber que TaeYang ainda estava solto por algum lugar, e uma parte de mim sentia medo por todas as pessoas a minha volta. Medo de que ele pudesse machucar mais alguém. Havia conversado com o oficial de justiça 2 dias após a perda, fizeram diversas perguntas a respeito do meu casamento com TaeYang e digamos que não foi uma boa ideia. A única coisa que me lembrava era de ter começado a chorar descontroladamente e não conseguir explicar tudo que eu queria.

Mas Namjoon era definitivamente o mais preocupado com toda a situação, e eu sabia que ele se culpava de alguma forma, mesmo eu dizendo que era bobagens por parte dele, ironicamente repetindo as mesmas palavras que ele dizia quando a situação era inversa.

E tinha Lisa… Sorri ao lembrar do modo inocente dela. Namjoon contou para ela sobre o aborto 3 dias depois, eu não estava por perto, mas quando Lisa entrou no quarto de Namjoon e veio até mim, abraçando-me em seguida eu tive certeza que ela já sabia.

Ela chorou… E eu chorei com ela.

Apesar de ser pequena e ainda não entender muitas coisas, Lisa havia ficado tão feliz com a notícia e com a ideia de ter um irmão ou irmã, que só aumentava meu sentimento de apreensão. Medo. Eu não fui ver a ginecologista por medo e receio de que ela dissesse o que eu já suspeitava.

 

Soltei o ar profundamente e desci minha mão direita sobre o ventre, acariciando a área agora lisa, sem qualquer sinal de uma gestação. Namjoon se remexeu novamente e foi despertando aos poucos. Ele se sentou e soltou bocejo.

– Há quanto tempo está acordada? – ele foi logo perguntando com a voz grogue de sono.

– Tem um tempinho já. – murmurei. Namjoon empurrou as cobertas para o meu lado e se levantou.

– Eu vou só tomar um banho rápido e preparar o café. – ele disse seguindo até o closet para separar a roupa que usaria, assim como todos os outros dias.

– Posso preparar o…

– Não, pode descansar, eu arrumo.

– Sabe que não vou me quebrar fazendo algo tão simples, né? – bufei revirando os olhos.

– (S/N), eu não… Não quis dizer isso…

– Tá.

– Que horas é a consulta? – Namjoon mudou repentinamente o assunto, mas não me deixou mais confortável, pelo contrário.

– Às 09:00. – já podia sentir um frio percorrendo por minha espinha. – Eu já disse, não precisa ir… Você deve estar cheio de coisas no trabalho.

– Por que não quer que eu vá? – ele largou o que estava fazendo para me olhar.

– Não é isso, eu só… Eu estou com medo.

– Mas um motivo para ir com você… Não vou te deixar sozinha, eu já disse isso.

Não esbocei nenhuma reação, sentei-me na cama e dobrei os joelhos, abraçando-os por debaixo das cobertas.

– Quer conversar sobre isso? – Namjoon questionou sentando na beirada da cama.

– Já falamos sobre isso… Diversas vezes. – dei de ombros – Eu sei que minha mãe, você, a Sally e todo mundo diz que não devo tirar conclusões precipitadas, mas… Não consigo pensar assim.

– Você olhou os contatos que minha mãe enviou? – levantei a cabeça para olhar Namjoon.

– Realmente acha que eu preciso de ajuda psicológica? – minha voz saiu mais perplexa do que eu realmente estava.

– Eu acho que você mais do que ninguém sabe até onde pode aguentar, o quanto pode aguentar sozinha, então se achar necessário, deve procurar um psicólogo. – ele esboçou um leve sorriso. – Mas você é uma mulher forte, com certeza a mais forte que conheço… Então sei que vai ficar bem, mesmo que demore um pouco.

– Eu te amo. – murmurei.

– Também te amo. Vamos passar por isso juntos. Um passo de cada vez, ok? – balancei a cabeça positivamente. Namjoon se levantou e deixou um beijo sobre minha testa e logo depois seguiu para o banheiro.

 

***

– LISA, ANDA LOGO! NÃO VAI FAZER COMO ONTEM E ATRASAR DE NOVO PARA A AULA! – ouvi Namjoon gritar de algum cômodo da casa, provavelmente da sala.

Lisa sempre atrasava arrumando algo diferente para colocar no cabelo, ou quando ficava indecisa sobre os sapatos que devia usar… Sorri ao imaginar em como isso seria estressante quando ela fosse adulta.

Remexi na minha tigela de cereais pela metade e comi mais duas colheradas, Arya continuava parada ao meu lado, as vezes levantando para apoiar as patas em meu colo na tentativa de ganhar comida.

– Se você quer evitar atrasos, devia acordá-la mais cedo. Comigo não acontece isso. – comentei assim que Namjoon entrou na cozinha. O mesmo bufou e sentou ao meu lado e verificou as horas novamente. Poucos minutos depois Lisa entrou na cozinha arrastando a mochila da escola e sentou a nossa frente para tomar seu café.

– Algum problema? – perguntei ao ver a expressão um tanto emburrada da pequena.

– O papai é chato. – ela murmurou em um tom quase inaudível.

– Você não devia dizer essas coisas, ele vai ficar triste. – cochichei de volta, ambas ignorando que Namjoon estava bem ao nosso lado. Lisa não respondeu, mas pela expressão sabia que ela estava refletindo a respeito. Ela começou a comer o cereal calmamente e a cozinha ficou em silêncio por alguns minutos.

– Papai?

– Sim? – Namjoon se virou para Lisa, tirando a atenção de algo que olhava no celular, notei o leve sorriso no canto de seus lábios. Acho que ele também esperava por um pedido de desculpas, mas o que veio foi outro tipo de pedido.

– Posso ir na loja do tio Jin hoje?

– Bom, se você prometer que vai parar de se atrasar todo dia, eu posso pensar no assunto.

– Papai, deixa, por favor!

– Lisa, depois falamos sobre isso! Está atrasada para a escola. – Namjoon levantou da cadeira.

– Por favor, papai! Eu quero ver a tia Hyuna… a barriga dela já está enorme, a bebê já começou a mexer e…

– Lisa, por favor! Chega desse assunto! – Namjoon disse seriamente, não chegou a gritar, mas a voz aumentou de tom fazendo Lisa se calar imediatamente.

Eu entendia muito bem que Lisa era apenas uma criança e ela não perceberia nunca que aquelas palavras eram um pouco dolorosas de ouvir. Eu sabia muito bem disso e não tinha o porquê ficar com raiva. Mas era difícil não me sentir mal… Em alguns meses era para ela dizer aquelas coisas sobre mim, e agora tudo tinha sido tirado de mim. De nós. Eu não teria Lisa comemorando por minha barriga estar enorme ou pelo bebê ter feito o primeiro movimento.

Eu tentei esboçar minha melhor expressão de que tudo estava bem, mas eu nem ao menos consegui olhar para os dois.

– Vocês deviam se apressar, ou vão chegar muito atrasados. – falei quebrando o silêncio. Agradeci internamente por minha voz ter soado tranquila. – Eu… Eu vou pegar minha bolsa para irmos. – Arya correu para o lado de Lisa assim que levantei.

– (S/N)? – Namjoon chamou, ele não sabia muito bem o que dizer.

– Está tudo bem. Só vou escovar meus dentes e pegar a bolsa. – saí da cozinha antes que ele pudesse dizer algo. Respirei fundo ao subir as escadas e seguir para o quarto, caminhei direto para o banheiro e escovei rapidamente os dentes. Voltei para o quarto e peguei minha bolsa, colocando o celular dentro.

Assim que cheguei as escadas pude ouvir a voz de Namjoon, parei onde estava ao perceber que ele falava com Lisa e ao escutar meu nome.

– Lembra do que conversamos? Olha, a (S/N) ainda está muito triste com o aconteceu. Todos nós estamos e...

– E não pode falar sobre o bebê da tia Hyuna. – ouvi Lisa responder.

– Sim, pelo menos não por enquanto. Tudo bem? – não ouvi a resposta de Lisa, mas a pergunta que veio depois de um tempo fez meu peito se apertar.

– Pra onde meu irmão ou irmã foi?

– Para o mesmo lugar que a mamãe Jisoo, agora ele está lá no céu. – Namjoon respondeu depois de alguns minutos em silêncio.

– Também é uma estrela, assim como a mamãe Jisoo? – Lisa perguntou.

– Sim, e se você olhar todos os dias para o céu, vai ser a estrela mais brilhante.

Esbocei um sorriso e limpei as lágrimas que insistiram em cair, respirei fundo e desci os degraus com cuidado.

– Podemos ir. – falei ao descer o último degrau. Namjoon me olhou atentamente e tenho certeza que notou meus olhos lacrimejantes, mas não disse nada.

O caminho até a escola de Lisa foi tranquilo e o assunto foi sobre a aula de pintura que ela teria no dia. Ela se despediu de mim com um beijo na minha bochecha antes de entrar na escola com Namjoon. Esperei pacientemente no carro até que Namjoon voltasse.

Faltava cerca de 50 minutos para a consulta… E eu estava em um estado de nervosismo que estava acabando comigo.

Namjoon voltou 5 minutos depois e explicou que havia demorado por ter que explicar mais um atraso para a diretora, no caminho ele ligou para Yoongi para falar algo do trabalho e até chegarmos a clínica, o assunto dos dois foi sobre alguma reunião com um cara de nome estranho, foi apenas isso que eu consegui entender da conversa.

– Depois terminamos de resolver isso, Yoongi. Preciso ir agora. – Namjoon disse antes de desligar.

– Você devia ter ido para o trabalho, parece ter muita coisa para resolver. – falei sem fazer nenhum movimento para sair do carro, Namjoon já havia estacionado em frente a clínica, mas tudo que eu queria era voltar para casa, ou ir para o estúdio e esquecer de tudo durante as aulas.

– Yoongi sabe se virar sem mim. – ele disse saindo do carro. Meu estômago estava se revirando e minhas mãos suando frio. Namjoon deu a volta e abriu a minha porta. – O que foi?

– Estou nervosa. – saí do carro contra minha real vontade, Namjoon fechou a porta e ativou o alarme. Seu braço rodeou minha cintura e me puxou para mais perto de si.

– Vai dar tudo certo. Confia em mim.

Como poderia confiar em alguém se naquele momento não tinha confiança nem em mim?

Caminhamos para dentro da clínica e Namjoon não saiu de perto em nenhum momento, nem mesmo quando me aproximei da recepção.

– Bom dia, tenho uma consulta marcada com a Dra. Chang.

– Bom dia, qual o nome? – a mulher perguntou.

– (S/N) Ware. – murmurei.

– Certo… Pode aguardar um momento, por favor. – ela digitou algo no computador e logo depois saiu, voltando minutos depois com uma pasta em mãos. – Você vai querer acertar agora?

Namjoon nem mesmo esperou que eu terminasse e estendeu o cartão para a recepcionista. O encarei e ele devolveu o olhar como se dissesse ‘não adianta discutir’.

Não aguardamos por muito tempo, quando o relógio marcou 09:00 em ponto a recepcionista nos chamou. Minha boca parecia ficar mais seca há cada passo que caminhávamos em direção a sala da Dra. Chang.

– (S/N)! Como está, querida? – Jenna Chang veio logo me abraçar assim que passei pela porta, retribui o abraço, mas não consegui responder sua pergunta, naquele momento uma vontade inexplicável de chorar tomou conta de mim. – Vejo que dessa vez veio acompanhada. – ela se virou para cumprimentar Namjoon.

– Esse é Kim Namjoon… – murmurei vendo ela trocar um rápido abraço com ele.

– Ah, sim… O namorado. – ela sorriu. – Venham, fiquem à vontade. – ela deu a volta na mesa sentando em sua cadeira. Namjoon e eu tomamos os acentos de frente para a doutora. – Então, o que os trazem aqui? Fiquei um pouco preocupada quando minha secretária me avisou que era uma consulta de certa urgência, porém você não veio na sexta quando estava marcada a consulta.

– É… Houve um imprevisto. Bom… Er… – eu não sabia muito bem como contar a ela o que havia acontecido, então simplesmente retirei todos os exames e o laudo médico da bolsa e entreguei para ela.

Jenna me encarou esperando uma explicação de mim, mas como continuei em silêncio ela apenas pegou os papéis, olhando cada um com atenção. Sua expressão passou de concentrada para confusa até se virar para mim e Namjoon com certo espanto.

– Você sofreu um aborto… Mas, como? Espera…Aqui diz que foi encontrado uma alta dose de Misoprostol no seu organismo, pode me dizer como isso aconteceu?

– A resposta pra sua pergunta tem um nome… TaeYang. – Namjoon respondeu com a voz rouca e séria.

– O quê? O seu ex-marido? – ela franziu o cenho.

– Basicamente um chocolate quente e cookies com a substância, eu não sabia… – murmurei.

– Mas isso é crime! Esse homem tem que ser preso! Ele já está preso, certo? – foi naquele momento que eu percebi o quanto ela realmente se importava com seus pacientes, Dra. Chang estava possessa de raiva e indignação.

– Ele está foragido… Mas tenho certeza que vão encontrá-lo. – Namjoon respondeu. – Isso não vai ficar assim, e ele precisa pagar por tudo que fez!

– Me desculpe dizer isso na frente de vocês, porque não é ético de uma médica, mas esse homem é um desgraçado! Nem vou chamá-lo de animal porque isso seria uma ofensa para os bichos.

– Podemos falar do que realmente importa? – questionei querendo colocar um fim naquele assunto sobre TaeYang.

– Certo… Já vai fazer quase duas semanas… (S/N), como está se sentindo com tudo isso? – sua voz suavizou um pouco.

– É uma mistura de emoções… Tristeza, raiva, medo… Um vazio. – engoli em seco ao responder em voz alta.

– Certo… Sentiu alguma dor física? Algo que mudou depois da perda?

– Ah… não.

– (S/N), preciso que seja sincera comigo, para que eu consiga te ajudar. – olhei para minha direita, vendo que Namjoon a segurava e eu nem mesmo havia percebido quando ele a pegou.

– Não consigo dormir por muito tempo, no máximo umas 3 ou 4 horas. E tenho tido pesadelos, todos sobre aquele dia, são como flashbacks. – senti minha mão ser segurada firmemente, olhei para Namjoon e o mesmo me encarava surpreso e com o cenho franzido.

– Por que não me contou? – ele sussurrou.

– Não queria te deixar mais preocupado e…

– (S/N), isso não se trata somente de guardar tudo para você, sabe disso! Sabe também que tem várias pessoas que se preocupam com você, principalmente eu! Eu também perdi um filho ou filha naquele dia, não foi só você. – Namjoon disse, sua voz estava entrecortada e vi em seus olhos que a mágoa era por ter escondido coisas dele mais uma vez.

– Certo, se acalmem. – Dra. Chang resolveu interferir. – Uma perda dessa forma causa uma dor muito grande, já vi inúmeros casos… (S/N), creio que o principal motivo de ter vindo até aqui hoje foi para saber o que se pergunta desde que teve a primeira perda, qual a possibilidade de engravidar novamente, certo? O que você precisa entender logo de início é que as perdas anteriores foram consequências de um relacionamento abusivo e de muita pressão psicológica para ter um filho, como conversamos em uma das primeiras vezes que você veio até meu consultório isso é possível, todo o nervosismo, pressão pode sim causa o aborto. Porém muitos médicos acreditavam que você pudesse ter alguma doença genética, ou que pudesse ser por causas hormonais ou infecciosas, mas nós fizemos diversos exames e posso te comprovar que não é esse o problema. Então eu posso te garantir com toda certeza, o fato de ter perdido mais um bebê agora de uma forma horrível e agressiva não vai impedir que você tenha uma gravidez futuramente. – abri um leve sorriso ao ouvir as palavras. – Eu sei que muito médicos te fizeram acreditar nisso, mas eu tenho certeza que você vai conseguir ter o seu sonhado bebê, talvez não ter acontecido até hoje é porque você ainda tem aquele homem na sua vida, mesmo que tenham se separado, essa perda agora é a prova de que ele ainda consegue interferir de alguma forma, e creio que enquanto isso não for resolvido e aquele homem for preso, vai ser onde você nunca vai conseguir ter paz e tranquilidade de uma vez. O que eu aconselho agora a vocês dois, é que tenham paciência e apoiem um ao outro… Sempre. Aguarde alguns meses da mesma forma que o médico deve ter pedido naquele dia, e depois disso eu quero você de volta aqui no meu consultório, vamos fazer novos exames e pode apostar, você estará pronta para tentar novamente até conseguir. Só tenham paciência e deixem as coisas ocorrerem no tempo delas e pode ter certeza que tudo vai dar certo.

 

Eu estava chorando, mas dessa vez eu não queria esconder isso de ninguém. Não era um choro de tristeza, mas também não era totalmente de felicidade, mas tinha um profundo alívio naquelas lágrimas que escorriam por meu rosto. Soltei a respiração e abri meus olhos vendo Namjoon se ajoelhar a minha frente, apoiando as mãos sobre meu colo e deixou beijos em minhas mãos. Os olhos de Namjoon também estavam vermelhos e ele sorria para mim.

– Eu te disse. Vai dar tudo certo… A gente vai conseguir. – ele sussurrou. Mordi o lábio inferior e esbocei um leve sorriso me, beijei seus lábios brevemente e balancei a cabeça concordando dessa vez – de verdade – com suas palavras.

Dois toques na porta fizeram com que Namjoon se levantasse, por um momento ficamos constrangidos, mas ao ver o olhar emocionado de Dra. Chang foi suficiente para que ficássemos calmos. Uma garota entrou na sala e me encarou, a sua expressão era de surpresa.

– Dra. Chang, desculpe interromper, mas tem uma ligação para a senhora parece ser urgente. – a recepcionista disse sem tirar os olhos de mim, não era a mesma que havia atendido a mim e Namjoon. – Você é (S/N), certo?

– Sim. – concordei estranhando seu comportamento.

– Nossa, o seu irmão esteve aqui no consultório há algumas semanas, estava super preocupado com você. Mas ainda bem que você está legal. – franzi o cenho totalmente confusa com suas palavras, olhei para Namjoon que agora estava parado atrás da minha cadeira com as mãos apoiadas sobre minha cadeira.

– Do que está falando? Eu não tenho irmãos. – ao ouvir minhas palavras o sorriso sumiu do rosto da garota.

– Mas… Ele disse que…

– Qual o nome dele? – Namjoon interrompeu a garota.

– Ah… É TaeYang. – ela respondeu. Meu olhar passou de Namjoon para a Dra. Chang.

– Acho que isso explica muita coisa. – murmurei – Agora sabemos como ele soube da gravidez. – engoli em seco.

– Leigh, quando esse homem veio aqui? – Dra. Chang perguntou.

– Como eu disse, já tem algumas semanas.

– Você passou informações sobre pacientes para um desconhecido? – a voz da doutora agora tinha um tom bastante irritado.

– É que… Ele disse que era o irmão dela e…

– O que disse para ele? – perguntei.

– O que estava no seu laudo…

– Leigh, sabe muito bem que não pode passar esse tipo de informações! O primeiro passo deveria ter sido ligar para a paciente e confirmar as informações, e você simplesmente me passa o laudo de uma paciente para um desconhecido? Qual o seu problema?!

– Eu não imaginei que ele pudesse mentir, quando nos falamos há 2 dias ele até perguntou sobre…

– Você tem contato com ele?! – Namjoon perguntou com a voz exaltada. Dra. Chang pressionou algo no telefone e se virou para encarar a secretária.

– Somin, ligue imediatamente para a polícia e peça para virem o mais rápido possível! E você Leigh, fique quieta aqui até eles chegarem, esse TaeYang com o qual você anda falando é um criminoso que está foragido caso não saiba. A partir de hoje você não faz mais parte do quadro de funcionários do consultório, e pode ter certeza que vou processá-la por passar informações sigilosas da clínica para desconhecidos!

Levantei da cadeira e abracei Namjoon, assustada com a forma que TaeYang conseguiu fazer tudo, e se aquela garota estava em contato com ele, talvez ela poderia saber onde ele estava. E o medo aumentava em saber que ele poderia estar mais perto do que imaginávamos.

 

 

Jennie POV
 

– Está quentinha? – ajeitei as cobertas sobre ela, Marie se ‘afundou’ ainda mais nas cobertas, deixando apenas parte do rosto de fora.

– Uhum. – ela murmurou sorrindo, deixando as covinhas que eu tanto gostava aparecerem. Ergui a mão para acariciar o pequeno rostinho e a mesma soltou um pequeno gritinho – A sua mão tá gelada, Jen!

– Não está nada... Está quentinha. – coloquei minha mão direita por debaixo das cobertas e fiz cócegas em seus pés, Maria gritou gargalhando novamente. Mas parei minutos depois com as cócegas, ou do contrário a Sra. Young bateria a nossa porta pedindo para que calássemos a boca. – Hora de dormir! – falei ajeitando as cobertas novamente. – Ou você quer a senhora dragão para brigar com a gente? – questionei quando Marie fez uma expressão chateada.

– Prefiro dormir. – ela concordou, fazendo-me soltar uma risada.

Marie era apenas um bebê quando nosso pai nos abandonou, deixando-nos aos cuidados de nossa mãe. Ela não se lembrava dele, obviamente. Mas sempre que a pergunta ‘onde está o papai?’ surgia em alguma conversa, minha mãe inventava desculpas diferentes. Nunca senti muita firmeza nas promessas dele, e nem éramos muito ligados, então não fiquei surpresa quando acordei no dia seguinte e encontrei apenas um bilhete simples de adeus.

Desde então era apenas minha mãe e eu cuidando de Marie... E tudo estaria perfeitamente bem se não fosse pelo maldito acidente. Era uma situação complicada, apesar de já ser praticamente adulta quando nosso pai foi embora, tinha sempre a presença da minha mãe para dizer que as coisas ficariam bem e para ‘puxar’ minha orelha quando eu fazia alguma besteira. De certa forma, eu me considerava uma pessoa responsável.

Mas depois que minha mãe entrou em coma e desde então era apenas Marie e eu, o peso de tomar conta dela, de ser a pessoa responsável pela casa e por ela... Era simplesmente aterrorizante. Marie ainda era pequena e não entendia ainda muito bem as coisas, mas o meu maior medo era de decepcioná-la de alguma forma. Ela sempre dizia que quando crescesse queria ser como eu... E naquele momento, estando em um simples e apertado quarto de um abrigo, e tudo por culpa das besteiras que eu cometi, a última coisa que queria é que Marie fosse igual a mim.

– Pode ficar aqui até eu dormir? – Marie perguntou. Levantei-me e sentei ao lado dela, tentando encontrar uma posição confortável na pequena cama. O colchão de Marie era bem mais macio que o meu, o que me rendeu por míseros segundos uma certa inveja. – Pode contar uma história? – ela olhou-me esboçando um amável sorriso do qual eu não conseguia dizer 'não'.

– Qual história você quer hoje?

– Hum... O Mágico de Oz. – ela respondeu animada. Era definitivamente a história favorita dela, e de tantas vezes que ela pedia para contar, acabei decorando todo o livro. Apesar de saber que ela provavelmente pegaria no sono antes da metade, comecei a contar a história na calma de sempre. E sorrindo sempre das reações e mesmas perguntas de sempre.

Marie pegou no sono cerca de 20 minutos depois que eu havia começado a história, e quando tive certeza que seu sono estava realmente pesado, saí com todo cuidado da cama para não acordá-la.

Peguei meu celular sobre a minha cama, ainda nem eram 10 da noite, e assim como todos os dias, não havia uma mensagem ou ligação perdida dele.

Yoongi e eu não havíamos nos falado desde o dia do incidente da (S/N), apesar de ter tentado inúmeras vezes ligar, não obtive nenhuma resposta, e sabia que ir atrás dele seria algo inútil, porque ele não me receberia.

O sentimento de culpa e arrependimento era algo que já fazia parte de mim há bastante tempo, apenas aumentou com os últimos acontecimentos.

Eu não era uma pessoa boa, eu sabia muito bem disso. Mas de alguma forma, Yoongi conseguiu ver algo de bom em mim, coisas que tentei esconder de todos com medo de ser machucada, mas ser assim fez com que eu machucasse pessoas que não mereciam.

Arrependia-me profundamente por tudo que havia feito para machucar (S/N), me odiava e sentia até mesmo nojo de mim por ter concordado em ajudar TaeYang, apenas por um desejo bobo de ter Namjoon.

Eu nunca havia o amado ou até mesmo me apaixonado de verdade, apenas o admirava de longe, mesmo quando ele ainda era casado com Jisoo. A esposa dele faleceu cerca de 1 ano depois que eu havia começado a trabalhar na empresa, e apesar de minhas investidas, Namjoon nunca demonstrou o menor interesse em mim. Nem mesmo depois que Jisoo faleceu.

Foi então que Yoongi começou a me olhar demais, a falar demais, a demonstrar se importar demais comigo, no começo eu achava divertido as cantadas idiotas… Foi ali que tudo começou, como uma brincadeira, na qual ambos saíram machucados. E eu, era a causadora de tudo.

O barulho irritante do celular vibrando sobre a pequena cômoda de madeira fez com que eu voltasse para a situação atual, esfreguei meu rosto e peguei o celular antes que Marie acordasse. Franzi o cenho ao ver o número diferente.

– Alô?

Jennie Kim? – a voz feminina em um tom quase '‘robótico’' ecoou do outro lado.

– Sim, sou eu... Quem é?

É do hospital. Estamos ligando para falar sobre sua mãe... Poderia vir agora ao hospital?

– O quê? O que houve com ela? – senti meu estômago se revirar e o refluxo subir por minha garganta.

Não é um assunto para se tratar por telefone, senhorita... Só peço que venha o mais rápido possível.

Eu nem mesmo tive tempo de responder, já que a mulher finalizou a ligação. Tentei controlar minha respiração descompassada, mas tudo que se passava em minha mente eram coisas ruins, deixando-me em estado de pânico.

Olhei para Marie na cama, adormecida e alheia a tudo. Respirei fundo e segui até a cômoda, pegando um casaco mais quente, enfiei o celular no bolso e me aproximei com cuidado de Marie, deixando um leve beijo sobre sua testa, ela nem mesmo se mexeu.

Saí do quarto torcendo para Marie não acordar e caminhei em passos rápidos em direção a cozinha.

– Sra. Young? – chamei pela mulher ao passar pela porta, a mesma que lavava as louças do jantar se virou para me encarar.

– Jennie, que susto, menina! Aconteceu alguma coisa? – ela olhou-me dos pés a cabeça.

– É a minha mãe… Acho que aconteceu alguma coisa, me ligaram do hospital, mas não entraram em detalhes. – expliquei com a voz trêmula.

– Oh, eu… Você quer que eu chame alguém para levá-la até lá?

– Não, não precisa. Só quero que fique de olho na Marie para mim. Ela está dormindo, e acho que não seria bom acordá-la.

– Você tem certeza? Se quiser posso chamar o Chen para levar você até o hospital, já está tarde. E você ouviu os policiais, não deve andar sozinha.

Chen era o filho da senhora Young, era um policial e tinha sido transferido há algumas semanas de volta para Seoul. O problema era que ele morava do outro lado da cidade, e até que ele chegasse aqui, demoraria muito. O hospital não ficava muito longe, talvez uns 15 a 20 minutos dependendo da velocidade a qual caminhasse.

– Não precisa se preocupar, eu vou ficar bem. Estou levando o celular, qualquer coisa eu ligo para a senhora, ou a senhora me liga. Eu preciso ir.

– Tome cuidado. Assim que estiver saindo de lá me ligue, eu peço para irem buscar você, não pode voltar sozinha. Entendeu?

– Sim, eu vou ligar. Não se preocupe. – disse antes de sair apressada da cozinha e seguir para a saída.

Eu tinha certeza que não demoraria muito para a senhora Young entrar em contato com algum agente policial, e mais certeza que eles chegariam antes de mim ao hospital. Afinal, eu estava quebrando uma ordem que havia recebido de não sair sozinha, pelo menos até que TaeYang fosse preso.

As ruas ainda estavam bastante movimentadas, mas o vento estava extremamente frio e incômodo, e cada passo eu sentia meu rosto ficando mais gelado.

Parei próxima ao sinal vermelho, aguardando impaciente pelos carros que passavam, senti o meu celular vibrar no bolso, vendo novamente o número que ligara antes. Um frio gelado percorreu por toda minha espinha, e covardemente eu não tive coragem de atender o celular… Algo havia acontecido, eu conseguia sentir.

E não era coisa boa.

Ouvi uma buzina alta, fazendo-me sobressaltar, olhei em volta e o sinal já havia fechado para que eu passasse, o motorista buzinou novamente para que eu atravessasse. Em passos desconcertados caminhei para o outro lado tentando respirar normalmente, mas eu estava me sentindo sufocada.

O barulho dos carros, pessoas andando, a música alta ecoando das boates e pub’s deixavam-me perdida, esbarrei em algumas pessoas tentando passar pelo tumulto em frente a uma casa noturna.

– Presta atenção, garota! – a voz rouca praguejou em um tom irritado. Virei-me para pedir desculpas, mas as palavras simplesmente não saíram.

– Yoongi… – sussurrei ainda sem acreditar que era ele a minha frente. Yoongi encarou-me com uma expressão estranha, e mesmo estando a uns bons centímetros de mim, conseguia sentir o cheiro de bebida misturado a perfume feminino barato. – O que está fazendo aqui? – me arrependi da pergunta no momento que a fiz.

O que isso importava? Ele havia deixado bem claro o quanto me odiava, isso não era da minha conta. E levando em conta o estado no qual ele se encontrava, eu preferia não saber. Já havia se passado mais de uma semana do acontecido com (S/N), mas no olhar de Yoongi era evidente que ele não iria me ouvir, ou sequer me perdoar algum dia.

– Você é minha babá por acaso? Ou a minha mãe? Porque até onde eu me lembre, não devo satisfações a você! – ele respondeu de modo hostil, chamando a atenção de algumas pessoas que estavam do lado de fora da casa noturna.

– Yoongi, eu… – eu queria dizer tantas coisas, mas naquele momento a minha cabeça estava rodando, e não conseguia formular bem as palavras e frases – Por favor, vamos conversar…

– Jennie, entenda uma coisa, não temos nada para conversar! Na verdade, eu nem sei porquê estou falando com você agora!

– Eu… – soltei um soluço involuntário – Droga… Eu não consigo… – eu não conseguia segurar o choro e quando o celular começou a vibrar em minha mão, todo o nervosismo veio a tona de forma incontrolável – A minha mãe… Acho que aconteceu alguma coisa… – murmurei com a voz entrecortada.

– E daí? Por que está me dizendo isso? Não tenho mais nada a ver com a vida de vocês! É por causa do dinheiro que eu gastei inutilmente com a sua mãe?

– O quê? – ofeguei sem acreditar nas palavras que ele acabara de proferir.

– É isso que você quer? Dinheiro? – Yoongi bufou ironicamente e retirou a carteira do bolso, retirou um punhado de notas e as jogou sobre meus pés, o que ouvi em seguida foram as pessoas rindo pelo ‘espetáculo’ que estavam presenciando. – Pega isso e vai embora! A sua mãe, você ou qualquer merda que você tenha feito… – ele me olhou com expressão de nojo – Isso não é mais problema meu!

Mordi meu lábio inferior para não deixar nenhuma lágrima cair, mas elas escaparam e quanto mais eu tentava enxugá-las para não deixar que Yoongi ou todas aquelas pessoas me vissem chorando, mas elas aumentavam.

– Acha mesmo que tudo foi por causa do dinheiro? – minha voz saiu tão baixa que por um momento eu pensei de Yoongi não ter conseguido escutar em meio ao barulho de conversas e risos.

Yoongi fez menção de me responder, mas foi interrompido por uma mulher que o agarrou. E pior é que ele não fez o mínimo esforço para afastá-la. Quando a garota o soltou ele pareceu lembrar da minha presença e com um sorriso debochado se virou para me responder.

– Não precisa dizer nada. Eu já entendi. Só quero que saiba que não foi apenas por causa do dinheiro, e me arrependo muito pelas coisas que fiz… Mas não se preocupe, eu vou dar um jeito de pagar por cada centavo que gastou com ela. – respirei fundo e encarei os olhos escuros que agora só me causava ainda mais dor – Adeus, Yoongi.

A distância que restava até o hospital parecia mais longa, mas por causa das lágrimas que embaçavam minha visão e faziam com que eu caminhasse de forma lenta. A sensação em meu peito era horrível e eu mal conseguia respirar.

Ao parar em frente ao hospital, diversas viaturas estavam em frente ao local. Engoli em seco olhando aquela movimentação estranha e as luzes vermelhas e azuis me causavam náuseas. Enxuguei meu rosto com as mangas do casaco e segui as pressas para dentro.

Não me dei ao trabalho de parar na recepção como nas outras vezes, apenas corri em direção as escadas que levariam ao andar que minha mãe estava, ignorando o elevador que demoraria a chegar. Assim que cheguei ao terceiro andar percebi que algo estava muito estranho, o corredor estava uma bagunça, policiais andando de um lado para o outro e conversando entre si.

– Jennie? – ouvi Junmyeon me chamar, olhei em volta procurando por ele, o mesmo passou por umas pessoas a minha frente chegando até mim. Junmyeon era o policial que havia escutado todo o meu depoimento sobre TaeYang, desde então era o que mais conversava comigo desde que a investigação havia começado.

– O que está acontecendo? – questionei um pouco assustada.

– Jennie, peço que mantenha a calma… Nossos melhores oficiais estão tomando conta do caso. – ele disse, o encarei confusa tentando entender suas palavras.

– Eu… Eu preciso ir ver a minha mãe. – me desvencilhei de seu toque e segui para o final do corredor, onde minha mãe estava.

Respirei fundo e tentei contar até 10, uma tentativa falha de controlar minhas emoções, minha visão já estava embaçada ao parar em frente ao quarto dela e ver médicos e policiais lá dentro. Dei alguns passos e entrei, vendo minha mãe deitada sobre a maca, mas ao contrário de todas as vezes em que estive ali não havia o barulho incessante do bip dos aparelhos.

– O que está acontecendo? – minha voz ecoou trêmula.

– Jennie, a sua mãe… Ela… – o médico parecia não saber como dizer as palavras. Me aproximei da cama, desvencilhando de alguém que tentou me segurar. Estendi a mão até minha mãe e recuei assustada ao sentir sua pele gelada.

– O QUE ACONTECEU COM ELA? POR QUE ELA NÃO ESTÁ RESPIRANDO? NÃO… NÃO… ISSO NÃO PODE ESTAR ACONTECENDO! – sacudi seu corpo inerte – MÃE, NÃO… POR FAVOR, NÃO ME DEIXA, POR FAVOR! POR FAVOR, ACORDA!

O desespero havia tomado conta de tudo, o que senti foram braços fortes segurando minha cintura, tentando me tirar de cima do corpo sem vida de minha mãe, me debati violentamente tentando me soltar, mas outro policial apareceu para me segurar.

– ME SOLTA! – gritei ao ser retirada do quarto.

– Jennie, calma… Respira. – fui colocada dentro de uma sala vazia, Junmyeon se aproximou e notei que seus braços estavam arranhados, mas naquele momento eu não conseguia me sentir culpada por isso. – Eu… Eu sinto muito.

Me virei de costas e passei a mão por meu cabelo, puxando alguns fios pelo desespero, eu simplesmente não conseguia acreditar que tudo isso estava acontecendo. Deixei meu corpo ir de encontro ao chão, caindo ajoelhada sobre o piso gelado, a sensação foi como se tudo tivesse parado, absolutamente tudo. Como se nada fizesse mais sentido. Jumnyeon tentou me levantar do chão, mas eu não conseguia nem mesmo me mexer, as lágrimas continuavam escorrendo de um modo que eu não conseguia segurar ou mesmo parar. Meu olhar permanecia na parede daquele maldito hospital com o olhar vago, perdido. Era exatamente como eu estava me sentindo…Perdida.

Tudo agora eram apenas lembranças… Tudo que eu planejei, que planejamos juntas, nada disso aconteceria. Eu não iria vê-la novamente, não teria mais visitas ao hospital, porque ela simplesmente… Se foi.

– Jennie, precisa saber sobre algo. – ouvi Junmyeon murmurar. O mesmo tentou novamente me levantar e me colocou sentada sobre uma cadeira, na pequena mesa a minha frente havia um notebook, Junmyeon não disse nada, apenas apertou uma tecla.

Era um vídeo de câmeras de segurança, era evidente pelas imagens em preto e branco, apenas mostrava um homem caminhando desde a entrada do hospital até o andar em que estávamos. O mesmo se aproximou de uma porta e após olhar para todos os lados entrou em um quarto e fechou a porta atrás de si.

O vídeo foi acelerado alguns minutos e logo depois o mesmo homem saiu do quarto, abri a boca sem saber o que dizer ao ver o homem parar em frente a câmera e esboçar um sorriso cínico e satisfeito.

– TaeYang… – foi tudo que eu consegui sussurrar.

– Há exatamente 1 hora e 15 minutos ele estava nesse hospital e assassinou sua mãe. – foi tudo que Junmyeon disse.

– Ah, meu Deus… Marie, a minha irmã… – levantei da cadeira e comecei a andar pela sala.

– A sua irmã está bem, assim que o hospital entrou em contato com você enviamos mais oficiais para o abrigo, sua irmã está bem.

– Isso é culpa minha. – solucei – A culpa é toda minha.

– Jennie…

– Eu que devia estar morta, não ela. A culpa é minha, eu não deveria nunca ter confiado naquele desgraçado, como eu vou contar isso pra minha irmã? Isso não está acontecendo, por favor… – Junmyeon me abraçou, impedindo que eu continuasse a falar, ele era um policial e talvez não se importasse tanto, mas naquele momento eu apenas me permiti chorar.

Chorar por arrependimento de ter feito um maldito trato que só causou dor a pessoas inocentes e agora havia me custado a vida de minha própria mãe… E tudo por minha culpa.
 

***

 

De acordo com um pensamento popular, ''Um pai, uma mãe, nunca deveriam ter que sentir a dor de enterrar um filho'' ,mas acho válida a opção de que um filho também nunca deveria enterrar seus pais. Dizem que a única certeza que temos na vida, é a de que todos morreremos algum dia. Mas o fato é que você nunca vai conseguir se preparar para perder alguém, principalmente se você amar muito essa pessoa. A sensação é horrível, é uma saudade diferente. Uma saudade que vem junto da certeza de que nunca mais verá aquela pessoa, uma saudade que nunca vai passar. Pode ser que com o tempo você se acostume, mas nunca vai deixar de sentir aquilo, porque aquele sentimento passou a fazer parte de você.

Não sei muito bem quando vou conseguir lembrar da minha mãe sem derramar uma lágrima sequer. A cada palavra que o padre dizia, e deveriam ser de conforto, faziam com que eu me sentisse ainda pior. Havia poucas pessoas no velório, nem era necessário chamar muitas. A nossa família não era muito grande, mas o que tinha dela estava na Nova Zelândia, cidade natal da minha mãe, eu havia ligado para informar, mas ninguém deu muita importância. Eu não sabia onde estava meu pai e nem mesmo conhecia meus avós, então era somente os que estavam ali.

O céu estava começando a se fechar, e, com certeza, choveria a qualquer momento, é claro. Tão clichê isso… Será que Deus manda chuva durante o velório para você se sentir ainda mais melancólico? É a única explicação.

O padre terminou de dar a benção dizendo que agora minha mãe estaria em um lugar melhor. Era irônico ouvir tais palavras enquanto observava aquele caixão fechado ser colocado a 7 palmos abaixo de terra.

Pareceu durar horas e as poucas pessoas que haviam ali, como a Sra. Young, seu filho, Junmyeon que estava ao meu lado, todos foram colocando rosas sobre o caixão e saindo. Marie estava dormindo no colo do Chen, filho da Sra. Young, foi horrível ter que dar a notícia a ela. Marie havia chorado durante todo o velório e acho que acabou dormindo de exaustão.

– Quer que espere por você? – Sra. Young perguntou baixinho.

– Não, não precisa… Eu vou ficar mais um pouco. – respondi.

– Jennie…

– Não se preocupa. Daqui a pouco eu vou.

– Tudo bem. – observei cada um se retirar, dizendo palavras de conforto e fiquei ali vendo aquela cova ser fechada, deixando apenas as flores sobre a terra fria e úmida.

Respirei fundo e observei aquela lápide com o nome dela gravado. Meu olhar estava fixado naquele pedaço de pedra retangular que me sobressaltei ao ver uma mulher deixando um buquê de rosas brancas próximas a lápide. Mas nada se comparava ao susto que levei quando ela se levantou.

– (S/N)? – minha voz saiu entrecortada. Ela me olhou por alguns segundos e notei que seus olhos estavam marejados e vermelhos – O que está fazendo aqui?

– Fiquei sabendo sobre o que aconteceu… Eu sinto muito. – ela olhou novamente para a lápide. Ficamos alguns minutos em silêncio e minha cabeça estava doendo, devido a inúmeras perguntas que rondavam minha mente.

– Por que?

– O quê? – ela perguntou.

– Depois de tudo que aconteceu, depois de tudo que eu fiz a você, por que veio até aqui?

– Sabe, eu tive muito no que pensar em quase duas semanas… Eu sei muito bem como é perder alguém, por mais que eu nunca tive a oportunidade de ter meu bebê em meus braços, mas eu sei como é a dor, Jennie… E acho que em momentos assim, ninguém merece e deve ficar sozinho. – desviei meu olhar e tentei limpar as lágrimas que insistiam em cair. – É verdade o que disseram? Foi ele?

– Sim, ele foi até o hospital ontem… Ele fez questão de olhar para a câmera de segurança, apenas para que eu tivesse a certeza de que era ele, de que ele cumpriu o que havia ameaçado diversas vezes. Eu fui uma idiota, a culpa de tudo isso, eu devia estar no lugar dela. Não devia ser assim.

– A culpa não é sua. – olhei para (S/N) sem acreditar que ela havia dito tais palavras.

– Como pode dizer isso? Eu machuquei você e Namjoon, vocês perderam o bebê por…

– A culpa não foi sua, Jennie. TaeYang fez tudo isso, ele matou o meu bebê, ele matou a sua mãe. A culpa não é sua. Eu não a culpo por minha perda e não acho que deva se culpar pela perda da sua mãe. Não tenho raiva de você, e… Eu a perdoo por tudo. E sabe do que mais? Agradeço por ter ido atrás de mim naquele dia para tentar me contar sobre o TaeYang, e talvez se não fosse por você ter chegado e me encontrado naquela sala, eu poderia ter sangrado até a morte, então… Acho que de certa forma você me salvou. – eu tentei evitar, mas foi impossível não soltar um soluço ao ouvir as palavras dela, (S/N) também chorava – Então, não se sinta culpada por isso. TaeYang é um monstro que não se importa com nada, e é isso que ele quer, que você se sentisse culpada, que você se quebre até não aguentar. Mas acho que é agora que você deve ficar forte e superar tudo isso, e pode ter certeza que ele vai pagar por tudo que fez a mim e a você.


Notas Finais


Primeiro de tudo eu já quero dizer que está perto do TaeYang ser pego, só pra tranquilizar antes de vocês surtarem nos comentários. KKKKKK rindo de nervoso dele fazer mais alguma coisa
Segundo... Gente, eu comentei isso no whatsapp com algumas pessoas, eu realmente estou muito feliz da personagem que eu criei, uma prova disso é essa última cena, eu acho que talvez alguns não vão concordar, mas eu achei uma atitude maravilhosa e linda dela ter perdoado a Jennie. Mas já deixou um pequeno spoiler do próximo capítulo, essa coisa de ter perdoado a Jennie, tem gente que não vai gostar muito... cof cof Nam cof cof, enfim... Isso é para o próximo capítulo.
Terceiro, eu estou mega triste pela Jennie e mesmo que a mãe dela nunca tenha aparecido de fato na fic, eu fiquei muito mal de ter matado a bichinha.
Quarto, to com certo ranço do Yoongi... E confesso que já shippando a Jennie com o policial (Sim, não resisti... Tive que colocar o mozão Junmyeon).
E quinto... Que hino de médica essa da (S/N)!


E por último, mas nao menos importante... Por favor, escutem essa música e olhem a letra dela, eu escrevi o capítulo todo ouvindo ela e a Jennie todinha.. Leiam a letra >>>> https://www.youtube.com/watch?v=l9Sly3vbzBI


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