História Behavioral - Capítulo 9


Escrita por: e Nanayoup

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Abo, Alfa, Beta, Bottom!taehyung, Jeon!top, Kooktae, Kookv, Namjin, Ômega, Omega!taehyung, Ourjungkook, Taehyung!bottom, Taekook, Top!jeon, Vhope, Vkook, Yoonmin
Visualizações 973
Palavras 9.957
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Festa, Ficção Adolescente, Fluffy, Lemon, Mistério, Romance e Novela, Shonen-Ai, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Gravidez Masculina (MPreg), Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Faz tempo desde a última vez, né?
Sim, pedimos desculpas, mas houveram motivos que me impediu de atualizar. Meu notebook quebrou na época em que eu já havia escrito três mil das palavras desse capítulo e tive de mandá-lo para o conserto, tempos depois pois o preço foi muito caro para eu conseguir pagar rsrs
Então, muitas das minhas fics ficaram sem atualização e agora que ele foi consertado irei voltar a atualizá-las.
Fiz questão de deixar esse capítulo enorme para compensar a demora! E espero que gostem!

Boa leitura!

Capítulo 9 - Capítulo IX


— Finalmente? — questionei, com o cenho franzido e um sorrisinho sem graça no rosto.

A garota riu. — Sim, ah... — Pareceu procurar as palavras certas. — Nós temos um amigo em comum. Ele já mencionou seu nome... algumas vezes.

— Sério? — Meu tom surpreso a fizera rir de novo enquanto assentia. — Quem?

— Jeongguk — respondeu e eu abri um pequeno sorriso. — Ele disse que... bem, me explicou como te conheceu.

— Ah, sim. — Ri de leve. — Foi um incidente bem... emocionante.

— Essas foram basicamente as palavras que ele usou. — Ambos rimos mais uma vez.

— Eu realmente sou muito grato a ele — confessei, cruzando os braços e desviando o olhar. — Se não fosse pelo Jeongguk... Nossa, nem quero imaginar o que teria acontecido!

— Compreendo... mas, sabe, ao menos há uma coisinha boa nesse tipo de acontecimento. — Também cruzou os braços e me lançou um sorrisinho enigmático.

— O quê? — indaguei, curioso.

— Simplesmente, quando se vive uma experiência dessas assim, é impossível não se tornar próximo da pessoa com a qual você viveu — disse, ampliando o sorriso. — Não me refiro ao alfa que te assediou, mas ao Jeongguk que te ajudou. A amizade de vocês dois meio que se tornou inevitável depois, não é?

Parei para pensar um momento sobre isso e notei que fazia todo sentido. Após o imprevisto daquele fim de tarde, o modo como nos aproximamos foi completamente natural. Não foi preciso pedir consentimento ou esperar um sinal de que era permitido achegar e conversar. Já estava visível em nossos semblantes o fato de que queríamos nos falar mais.

— Sim... — murmurei, sorrindo fraco.

— Esses acasos proporcionam uma conexão bem forte entre as pessoas.

— Tem razão, eu passei a confiar nele naquele mesmo momento. Quando... quando ele chegou e me defendeu. — Ela abriu um sorriso meigo.

— Imaginava que sim. — Assentiu com um olhar quase acolhedor, transmitia um sentimento bom. — Ele passou a querer te proteger muito também, consigo claramente ver isso nele. — Riu e meu sorriso foi algo que não conseguiria conter nem se quisesse.

— Aigo... — murmurei. — É muito bom saber disso, Hyuna-ssi... Jeongguk tem um jeitão todo bad boy, mas é muito fofo.

— Bad boy?

— Sim! — disse, surpreso com sua dúvida. — Nunca reparou que obviamente o guarda roupas dele é composto por preto, branco e vermelho?

— Ah! — Soltou uma longa gargalhada. — Essas cores devem ser as preferidas dele, daí aparentemente só usa roupas assim.

— É, acredito que elas são meio que a marca dele, pelo jeito. — Também ri. — Mas, deixando isso de lado, o Jeongguk é um ótimo alfa. — Assenti lentamente ao que falava. — Tipo, o modo como age, fala e pensa é incrível... Já tive o desprazer de cruzar com tanto alfa idiota por aí que estar perto dele, sabe... é reconfortante.

Por um instante fiquei sem resposta, e, quando a encarei, percebi seu olhar cravado em mim. Lentamente um sorriso tomava conta de sua face e eu me perguntei o que é que poderia estar se passando pela sua cabeça para estar com aquele tipo de expressão, algo realmente a agradava naquele momento e, honestamente, não conseguia compreender o que era. Ela era meio estranha, mas parecia ser legal, mesmo com todas essas reações indecifráveis.

— Você está certo — de repente concordou. — E também entendo. Muitos alfas acham que podem fazer o que quiserem e acabam querendo usar a força para nos obrigar a aceitar suas condições de termo.

— Oh, sim, foi o que acabei percebendo ao longo dos anos. — Assenti. — Infelizmente por experiência própria. E é muito bom saber que há exceções como ele, que pensa diferente. E, acima de tudo, que me respeita.

Ela novamente sorria de um modo totalmente acolhedor e a única vontade que eu tinha era de fazer o mesmo.

 

α.Ω.β

 

Cansado era a palavra que melhor me definia naquele momento. O suor escorria pela minha tez enquanto eu executava os passos da coreografia pela décima quarta vez naquela tarde sem realmente haver um intervalo, mas este fato não importava realmente pois a sensação de euforia que me tomava também era nítida em meus movimentos. Eu apresentava um pouco mais de segurança se compararmos com todas as outras vezes que treinei e não me senti bom o suficiente, mesmo que me elogiassem e dissessem que fiz um ótimo trabalho.

Conversar com Jeongguk conseguiu me render uma maior confiança para comigo mesmo recentemente, mas deixar de me sentir nervoso e ansioso seria difícil.

Senti duas mãos envolvendo minha cintura e foi a deixa para ondular meu corpo e me virar de súbito, agarrando a nuca alheia com a mão direita — até alcançando os fios curtos de seu cabelo e os puxando de leve, por puro capricho, e o vi sorrir abertamente de volta ao passo que fazia o mesmo — e aproximando nossos corpos de modo que logo em seguida seus braços fortes me erguessem e me girassem para que, no final, minhas pernas rodeassem sua cintura e a música se desse por encerrada.

Ainda em seus braços abri um grande sorriso por motivos de: era a última vez repassando a coreografia e simplesmente porque gostava de estar tão perto de outrem.

— Feliz? — perguntou ele.

— Aliviado — respondi, e ambos rimos.

Suas mãos me deixaram no chão, porém permaneceram em minha cintura e me puxaram para mais perto ao que me desferia um beijo na bochecha, e eu ri do ato demasiado fofo do alfa.

— Certo, por hoje terminamos! — o professor anunciou aos alunos, que vibravam em puro alívio. — Estou orgulhoso da dedicação de vocês, todos estão desempenhando a coreografia com extrema facilidade e naturalidade e acredito que iremos fazer algo incrível, estou confiante e Hoseok, por favor, eu estou falando — chamou a atenção do ruivo que se apoiava em meu ombro e resmungava o quanto estava cansado. — Depois que digo algo importante e você não escuta, fica me perguntando depois!

— Eu peço desculpas, professor — o Jung disse enquanto ria, e eu tive de me segurar muito para não fazer o mesmo.

— Tudo bem. — Revirou os olhos. — Amanhã será nosso último ensaio e quero todos presentes aqui sem atraso, não cheguem depois do horário! Comprometam-se totalmente. — O beta nos deu mais alguns sermões e eu apenas ria baixinho dos demais resmungando em insatisfação. — Vocês se saíram muito bem e tenho certeza que amanhã farão o mesmo!

Logo mais ele se despediu e os alunos começaram a pegar suas coisas, alguns se sentaram para descansar e outros adiantados já se retiravam da sala. Hoseok me abraçou de lado e caminhamos até os nossos pertences, os quais se encontravam no chão bem ao canto, onde Jin e Namjoon estavam parados conversando. Ou discutindo, pode se dizer também.

— Não é essa a questão — o ômega repetia ao passo que o alfa não para de falar. — O problema não é esse, Namjoon!

— E qual é então? — Cruzou os braços e se encostou na parede.

— O problema é você achar que isso vai interferir na nossa relação! — Bufou frustrado ao que aparentemente o outro Kim não ligou para sua fala, e continuou com a pose irredutível. — Não é porque um alfa gosta de mim que obrigatoriamente eu vou te deixar e correr para os braços dele! Já houveram alfas interessados em mim antes e por acaso você me viu te largando por eles?! Eu já fiz algo parecido antes?! — Nam negou com a cabeça. — Então por que eu faria isso agora? Me responde por que eu faria!

— Não estou dizendo que você faria, hyung — respondeu o mais novo, suspirando em descontentamento. — Mas ele certamente seria capaz de fazer algo e eu apenas tenho medo disso, é só o que estou dizendo! Mais nada! Eu confio em você, claro que confio.

— Quer dizer então que, só porque você tem medo, não poderei mais vê-lo? Devo perder um amigo por sua causa? — Também cruzou os braços e o outro desfez a ação, respirando fundo e desviando o olhar.

— Hyung, quer saber? Faça o que quiser, não vou mais discutir sobre isso, ok? Tudo bem, você está certo, o meu medo é bobo e eu nunca deveria ter falado nada a respeito — disse em uma calma controlada e o mais velho o encarou, por um momento, sem falar nada.

Eu olhei para Hoseok e ele, assim como eu, parecia chocado com a cena que acabamos de presenciar. Sua atenção também se voltou para mim, e, como se conversássemos mentalmente, entramos em concordância no que faríamos com o intento de quebrar o clima tenso que havia se instalado entre os dois a nossa frente.

— Hyungs! — Achegamos mais envolvendo ambos em um abraço caloroso como se não tivéssemos visto nada e quiséssemos apenas contar como estávamos animados com a apresentação. — Que tal se a gente fosse agora comer alguma coisa? Eu tô morrendo de fome! Sério, e eu tô tão cansado, acho que vou morrer! — Hoseok dramatizou um pouco ao deitar a cabeça no ombro do alfa e eu fiz o mesmo com Jin.

— Eu também! Vamos, hyung, por favor! — Sacudi a malha da camiseta dele levemente em pura manha que só um dongsaeng teria.

— Não chame ele, Tae, o Jin ainda não está falando comigo por causa daquele passo — o ruivo disse, fazendo pouco caso da presença do Kim.

— Ei, é claro que eu vou! Você é que não deveria ir, o Tae me chamou e não você — respondeu como normalmente faria e eu sorri em alívio.

— Eu sou o namorado dele, é claro que ele me convidou — indignou-se o outro riu em deboche.  

— E eu sou o melhor amigo que ele já pensou em ter!

— E daí? Cheguei primeiro que você, sou prioridade na vida dele. — Cruzou os braços e empinou o nariz, e Seokjin levou a mão até o peito num claro ato de perturbação emocional profunda.

— Tae, o Hoseok é prioridade na sua vida? — Virou-se para mim, olhando fundo em meus olhos.

Encarei meu namorado e ele estava atento assim como o mais velho à resposta. Desse modo, sorri arteiro e disse:

— A prioridade na minha vida é o Namjoon hyung.

Este, ao observar o impacto que aquelas palavras causaram nos dois, caiu na risada e eu o acompanhei sem hesitar. Eles passaram a resmungar palavrões baixinho, o que serviu apenas para nos fazer gargalhar ainda mais, apoiados um no outro e apontando na direção dos revoltados que fecharam a cara a qual continha um grande bico.

— Vamos, Hoseok, deixa esses dois ridículos aí! — Jin proferiu puxando o alfa, que apenas assentiu e entrelaçou o braço com o do ômega, e assim seguiram em nossa frente.

— Ei, esperem! — Namjoon pediu.

— Não falem com a gente! — Hoseok respondeu, sem se virar ou parar.

— Estamos de mal com vocês.

— Ah, mas... — quis dizer algo, no entanto acabei por rir porque toda aquela cena dramática pareceu ajudar na situação que tínhamos visto.

Agora a única coisa que me incomodava era a apresentação.

 

 

 

 

Jeongguk

 

 

Jeongguk, preciso falar com você. É sobre o Taehyung.

 

No dia seguinte, eu havia recebido tal mensagem de Hyuna e, de começo, fiquei bem assustado sobre o que poderia se tratar. O ômega nunca foi realmente um assunto que gastávamos tempo trocando mensagens sobre, pontuando qualquer coisa que o envolvesse. A citação de seu nome era até escassa entre nós dois, eram poucas as vezes em que a ômega perguntava algo sobre ele, parecia esperar que eu o mencionasse para então poder alongar a conversa e falar um pouco mais. Ela respeitava muito minha condição e evitava tocar no assunto e só o fazia quando ganhava algum tipo de liberdade para isso. Era interessante essa barreira que havia construído nesse aspecto.

Mas dessa vez foi diferente. Hyuna, aparentemente, exigia minha resposta sobre aquela mensagem repentina.

 

Me responde, seu ridículo!

 

Ei, fique calma, nossa

O que foi? Por que decidiu falar comigo sobre ele assim do nada?

 

Até que enfim a cinderela decidiu se pronunciar!

 

Revirei os olhos quando li aquilo.

 

Fala logo, porra

 

O motivo de minha afobação é algo que eu devo te dizer pessoalmente, meu caro

Eu estou indo para o refeitório e espero te encontrar lá

Caso contrário, que morra de curiosidade

 

Mas que ômega fofa é essa

Estou impressionado

 

Cala

A

Boca

E vem logo, peste

 

Apenas ri da Kim — depois de criar intimidade com a pessoa ela acaba se revelando para você de uma outra forma, mostra sua verdadeira face, e no caso de Hyuna podemos ver que seu palavreado é meio... chulo? Sim, e com tendência a te atacar de modo totalmente verbal — e decidi ir a seu encontro. Era o intervalo das aulas à tarde e Jimin não parecia muito interessado em ter uma companhia e jogar conversa fora, apenas ouvia calmamente suas músicas no fone de ouvido e sequer notou quando me afastei. O louro parecia concentrado no nada em especial e calmamente balançava sua cabeça de um lado para o outro, em um ritmo que só ele conhecia naquele instante. Eu suspirei, momentaneamente aborrecido, porque não gostava de vê-lo com a dita cuja faceta que carregava. Jimin estava quieto e com certeza ele não era assim. Após a discussão que tivera com o Min, suas ações e feições eram milimetricamente forçadas e tentava fingir que nada havia mudado, mas, porra, tudo havia mudado e pra caralho. Quando é que alguma vez deixamos de ser o trio de alfas sem que nada houvesse se alterado? Quando que fizemos isso com naturalidade, por escolha? Sem ter sido contra nossa vontade? Nós nunca nos afastaríamos sem haver uma razão grandiosa que nos obrigasse a isso. Nunca o faríamos por essencialmente nada.

Então, sim, Jimin havia mudado. E Yoongi também. E eu estava com medo de isso acontecer comigo.

 

Em poucos minutos, eu já me encontrava no refeitório e procurava a ômega que queria me contar algo urgente. Passei os olhos pelas mesas e não vi os típicos cabelos escuros longos, o que me fez revirar os olhos visto que ela estava me apressando tanto, porém nem ao menos estava ali para me receber. Definitivamente, tenho que parar com essa minha vida de chegar antes dos outros nos lugares, eu apenas passo raiva e impaciência os aguardando. E, no caso de Taehyung, eu só dobro minhas taxas já altas de ansiedade e um pouquinho de desespero também, sendo sincero.

De repente, senti duas mãos se apoiarem em meus ombros e uma voz que de sexy não tinha nada sussurrar bem ao pé do meu ouvido:

— Olá, Jeon, vamos jogar?

Não deu para evitar o arrepio de puro medo nem tentar agir casualmente, quem sabe fingir que não me assustei; o pequeno pulo que eu dei havia entregado tudo e agora a garota ria escandalosamente como se não estivesse em um lugar público e devesse ter como obrigação prezar por sua dignidade em meio a tantos indivíduos não relacionados em nosso fechado e recluso círculo social. Eu bufei em indignação com aquela menina e revirei os olhos enquanto a puxava para uma mesa qualquer daquele lugar, e, bem, ela ainda estava a rir, mesmo que agora em um nível menor de altura.

— Menina, você é ridícula — foi o que eu disse assim que nos sentamos em uma mesa vazia.

— Você que não tem senso de humor — respondeu, dando de ombros.

— Senso de humor? Minha filha, desde quando isso é senso de humor? Que graça tem chegar assim por trás das pessoas? Você apenas está incitando o ódio coletivo! — acusei duramente, vendo-a se emburrar toda como se estivesse sendo insultada quando, na realidade, eu só dizia verdades.

— Ah, vá tomar no cu! — Sua resposta se resumiu nisso.

— Vai você, ser inferior.

— Você que consegue se assustar só com uma frasezinha de filme de terror.

— Não me assustei por causa do que você disse! Foi sua aparição repentina!

— Nada a ver! — Negou com a cabeça ao que cruzava os braços e se mantinha numa compostura séria.

— Lógico que sim, parece que vive escondida nos cantos escuros da faculdade, como se esperasse suas próximas vítimas toda vez e as assustasse assim do nada!

— Pare de dizer absurdos.

— Existem pessoas cardíacas, Hyuna, não pode fazer isso com elas. Vai mata-las.

— O único que eu vou matar é você se continuar com essa palhaçada aí, meu.

— Verdades não são palhaçada.

— Você é o palhaço aqui, que se assusta com qualquer coisa.

— Isso não interessa! — Decidi acabar com aquela discussão boba. — Não é esse o assunto, certo?

— Certíssimo. — Assentiu.

— Então fale logo — disse, apoiando os braços na mesa e a encarando. — Por que me chamou assim em meio a insultos pretendendo me dizer algo sobre Taehyung?

— Então, Jeongguk... — começou, também escorando-se na superfície branca. — Vou ser sincera e falar que entendo totalmente o motivo de você ter me rejeitado e preferido o Taehyung-ssi, sério... Que ômega lindo da porra! — proferiu, olhando para os demais que passavam por ali.

— Eu... realmente não sei o que te dizer — disse, envergonhado com a forma calma e direta que ela se referia a minha rejeição quanto a ela e meus sentimentos pelo Kim.

— Ah, sobre isso, não precisa dizer nada! — Riu quando percebeu que eu obviamente estava vermelho com aquelas palavras. — Não precisa se sentir mal nem nada do tipo, de verdade. É assim que a vida é.... Nem sempre a pessoa que você gosta te corresponde, vou levar isso como aprendizado. — Assentiu, como se absorvesse o que havia dito. — Além do mais, acho até que estou superando isso bem. — Deu de ombros.

— Eu... fico feliz por você, espero que encontre alguém bem melhor do que eu, Hyuna. — Sorri e ela retribuiu.

— Talvez eu já tenha encontrado, ainda não sei ao certo, mas esse não é o assunto...

— Sim, estou esperando você dizer qual é o assunto desde que cheguei aqui.

— Cale-se e me deixe terminar minha sentença. — Apenas fiquei quieto. — O fato é que eu conheci pessoalmente o Taehyung. — Não escondi minha feição surpresa. — Foi bem por acaso... Decidi me voluntariar a ajudar todo o processo da apresentação anual que fazemos e, ironicamente, para contribuir com seu caso de amor platônico totalmente incontrolável e inevitável, além de raro, tratava-se da turma de dança e Taehyung estava porque faria parte da atração do dia em questão.

— Taehyung vai dançar... Caralho, eu não sei como reagir a isso — disse, olhando para minhas mãos.

— Mais do que isso, ele vai dançar com o namorado dele — interrompeu minha linha de pensamento.

— Mas que notícia ótima — ironizei enquanto ria baixinho e sem humor algum.

— Nem vou comentar sobre a troca de toques nada castos que ocorrem e apenas direi que falei com o garoto. Eu sequer sabia que se tratava dele, nós escolhemos as demais músicas que tocariam no dia e tudo mais e depois trocamos nossos nomes e números.

— Vocês trocaram números? — Ela assentiu. — Nem eu tenho o número dele!

— Azar o seu. — Riu da minha cara.

— Eu falo com ele bem mais tempo do que você, como pode conseguir o número dele no mesmo dia?

— Ah, cara... Deve ser porque o meu caso foi totalmente acadêmico, além do fato de que eu também sou ômega e não haveria problema, né... E, porra, você é um alfa, seria estranho ele sair dando o número dele para alfas assim já que ele é um ômega... Ou melhor, um ômega comprometido — explicou e eu acabei concordando, fazia mesmo sentido.

— Certo, vocês conversaram amigavelmente e não sei o quê... Algo mais a dizer? — Encarei-a de modo curioso e ela assentiu, parecendo ainda pensar como exatamente me diria.

— Então... Nós acabamos falando sobre você.

— Falaram... de mim? — repeti, apontando o dedo indicador em minha própria direção, e ela somente assentiu. — Como assim? Por quê? Por qual motivo falariam de mim? Hyuna, você não contou nada, né? Tipo, sobre eu e.... os sentimentos que me compõe...

— Não, que isso!? Tá pensando que eu sou dedo duro? Me respeita! — indignou-se toda e eu apenas continuei com a feição séria. — Aish, Jeongguk, óbvio que não falei nada... nada demais, ao menos.

— Explica isso direito, garota — disse entredentes e ela arqueou a sobrancelha.

— Ok... — Respirou fundo. — Falei que era a sua amiga, que você me contou como se conheceram e essas coisas. E o assunto Jeon Jeongguk veio simplesmente, bem, eu realmente queria que ele comentasse o que achava de você.

— E por que queria isso? — questionei, encostando-me na cadeira e cruzando os braços.

— O porquê eu já te disse, cara — exaltou-se um pouco. — Vocês dois têm uma coisa diferente e frisei a possibilidade de vocês serem ligados de alguma maneira, você tem sentimentos repentinos e profundos por ele e eu queria saber se com o Taehyung era a mesma coisa.

Hyuna me surpreendia.

— E você... você descobriu? — Fiz a pergunta, mas temia a resposta. Saber dos sentimentos de Taehyung assim me causaria um embrulho enorme no estômago. Temia demais todas as possibilidades.

— Aí é que está. — Suspirou. — É difícil saber... Eu imagino que se, apenas se, ele sentir o mesmo por você, certamente não sabe e também não os percebe. Presumo que seja por estar com aquele alfa ruivo agora e possivelmente confunde seus sentimentos, não os sente com clareza, está cego para eles por conta de tudo o que o namorado lhe representa e talvez demore a repará-los; a não ser....

— A.... não ser?

— A não ser que você o ajude a vê-los, Jeongguk... Ajude-o a senti-los. — A Kim me olhou séria e eu engoli a seco.

Como eu poderia ajudá-lo a sentir sentimentos que supostamente já deveria sentir?

— Mas... — Estudei sua feição e ela continuava com a mesma seriedade. — Como eu faria isso, Hyuna? E por que isso ajudaria? — A minha indignação era óbvia e meu senso ético aguçava.

— A única base que sustentaria isso é a aproximação, Jeongguk. — Fitou seus próprios dedos sobre a mesa. — Teria que se aproximar mais dele.... e mais e mais... até que as coisas ficassem claras para os dois... Se tudo ser como aparenta, ele veria os sentimentos que tem por você... que eu acho que ele tem, na verdade...

Umedeci meus lábios e a encarei de soslaio. — Você acha mesmo que ele sente algo?

— Sim... Tem alguma coisa ali. — Assentiu lentamente. — Ele gosta muito de você e adora te ter por perto, sua companhia é muito agradável e a admiração que tem por ti... Suponho que não seja apenas admiração... Claramente tem algo a mais, Jeongguk, tem sim... Eu estou certa disso.

Aquilo me causou um grande frio na barriga. Pensar que Taehyung me correspondia de alguma forma me fez sorrir de imediato, definitivamente era o que eu mais queria.

— Mas... — Levantei meu olhar e o dirigi à ômega. — Pra isso dar certo, eu teria que separar os dois... ele e Hoseok... Eu destruiria um casal que claramente é feliz.

— Oh... — Hyuna pareceu notar esse fato só agora. — Sim... Você os separaria.

— Eu... não posso fazer isso. — Neguei avidamente com a cabeça. — É errado, totalmente errado.

— Certo e errado dependem apenas do ponto de vista — ela murmurou. — Para um rato, uma cobra é um monstro. Mas ela se torna totalmente inofensiva a uma águia. Não existe uma verdade propriamente dita... então não é realmente certo dizer que...

— É certo para mim. — Suspirei, dando de ombros. — O meu ponto de vista diz que é inteiramente errado separá-los assim.

Encarei-a e a vi assentir vagarosamente, crispando os lábios. Encostou-se na cadeira e cruzou os braços, parecendo pensativa. Eu estava pensativo. A mera possibilidade de Taehyung me corresponder causava um completo caos em meu estômago, sentia-me estremecer com a idealização de nós dois juntos em algum momento, mas não poderia deixar que meu egoísmo tomasse conta de meu ser. Não pensaria primeiramente em mim. Tinha de priorizar Taehyung e sua felicidade, esta supostamente concentrada em seu relacionamento com Hoseok. Eu visaria isso, sua felicidade.

Qualquer outro pensamento que não fosse isso passaria a ser secundário.

 

α.Ω.β

 

Os dias estavam se sucedendo de modo rápido, e, de acordo com os encontros que tinha com Taehyung após as aulas, o ômega estava extremamente entusiasmado e nervoso com sua apresentação. Pude ver que o próprio tinha certa insegurança em relação à sua dança embora eu dissesse que não havia com o que se preocupar, que claramente ele era bom no que fazia — apesar de eu nunca tê-lo visto dançando.

Havíamos nos aproximado bastante no decorrer daquela semana, nossa amizade era palpável e estava feliz por isso. Sua companhia sempre me animava e vê-lo também se divertindo ao meu lado era gratificante, sua gentileza e seus abraços calorosos de despedida pareciam-me o suficiente por ora. Eu acho que era isso; deveria me focar inteiramente em nossa amizade. Não deveria aguardar mais do que esse singelo laço que tínhamos.

Éramos amigos e iríamos continuar desse jeito.

— Jeonggukie, acha que me sairei bem na apresentação? — o ômega indagou com certo nervosismo enquanto caminhávamos em direção ao pátio.

— Realmente acredito nisso — respondi, olhando-o com confiança e recebendo um sorriso contente em uma pueril gratidão. Aquilo era uma das coisas que mais me desestabilizavam. Aquele sorriso.

— Espero que esteja mesmo certo. — Suspirou ansioso. — Será diante de toda a universidade... Nunca fiz algo parecido.

— Sempre haverá uma primeira vez para tudo, Tae. — Sorri doce no intento de acalmá-lo. — Pode parecer assustador, mas na maioria dos casos nosso medo é bobo.

— Sim, mas...

— Você treinou, Taehyung. E pelo que me disse, bastante. Por horas e horas todos os dias. Então, sim, você se sairá bem — proclamei totalmente convicto e ele concordou ainda meio receoso.

— Mas... se por acaso eu...

— Mas nada! — voltei a repreendê-lo. — Você com certeza sabe a coreografia até de trás para frente, portanto as chances de algo dar errado são mínimas. Apenas descanse até lá e se distraia um pouco, você precisa de uma folga, vamos! — Retomamos a caminhada, pois sem mesmo perceber tínhamos parado para debater o assunto.

O trajeto, como anteriormente já disse, era relativamente longo e atravessávamos um extenso campo aberto até o pátio, que se estendia até os dormitórios. O campo abrigava um pequeno jardim em suas extremidades e Taehyung parecia imensamente atraído por aquelas flores, seus olhos as observavam com um gracioso brilho enquanto andávamos agora numa velocidade mais lenta. Cheguei a rir baixinho com a cena que admirava, seu sorriso era tão adorável e certamente aquilo era particular de sua pessoa — e com toda certeza involuntário. O ômega realmente não deveria notar os efeitos que podia causar nos outros.

— Gosta de flores? — indaguei, enfim atraindo sua atenção, que por segundos permaneceu com um olhar confuso. — As flores... — repeti. — Estou vendo que parecem ser de seu agrado.

— Ah, sim! — concordou risonho. — Sim, eu gosto muito delas... Na minha antiga casa, minha mãe tinha um jardim enorme. — Sorriu pequeno, talvez com saudade, não sabia dizer. — Era tão grande que poderia alojar flores de todos os tipos, eu sequer era capaz de tentar contar quantas espécies aquele jardim tinha. — Riu novamente. — Às vezes fazia coroas de flores e experimentávamos, nos divertíamos muito... Ela é completamente apaixonada pela natureza e acho que puxei isso dela.

Ele parou de falar e somente continuou a fita-las, tocando-as vez ou outra. Seus dedos acarinhavam uma rosa, que me recordava chamar-se Juliet, eram esbranquiçadas e minimamente róseas no centro. Envolvia-a com certa lentidão, dedicando-se a contemplá-la, e eu fazia o mesmo consigo. Acho que sempre o contemplaria. Sempre que pudesse.

Aproximei-me demoradamente do outro, parando enfim ao seu lado, e busquei fazer o mesmo que fazia. Mas era difícil com ele bem ali, tão perto. Acho que não conseguiria me concentrar em outra coisa. Então simplesmente alcancei uma rosa próxima a que ele tocava, era um pouco menor que a sua; busquei o caule e o envolvi em meus dedos, concentrando um pouquinho de força para o puxar e quebrar o ligamento. Ele observou o meu ato um tanto confuso enquanto manuseava a rosa solta em minhas mãos, e eu apenas sorri com sua expressão adorável.

Porém não tardei a fazer o que realmente tinha em mente, que era estender meu braço em sua direção e encaixar a rosa atrás de sua orelha e a deixa-la ali entre seus fios de cabelo acinzentados.

— O que foi isso, Jeongguk? — perguntou com um sorriso ainda confuso.

— Ah, você já usou coroa de flores antes, né? — Dei de ombros. — E eu me lembro de ter lido uma vez em um livro de história que antigamente os ômegas usavam essas coroas, era uma espécie de tradição. E acho que não seria problema você voltar um pouco às origens.

— Está tentando me estereotipar, Jeon? — brincou risonho, cruzando os braços, e eu prontamente neguei.

— Não, Tae, jamais faria isso contigo! — respondi ao que também ria. — Mas você não deixa de ficar bonito com essas flores no cabelo.

Ele sorriu de modo suspeito para meu comentário, parecendo querer avalia-lo e encontrar alguma sinceridade. Eu também sorri com aquilo e o próprio revirou os olhos, descruzando os braços e virando-se para as rosas, alcançando a mesma que dedilhava minutos atrás. O acinzentado a arrancou assim como fiz antes e voltou-se para mim mais uma vez.

So... então você também tem o direito de usar uma — disse, encaixando-a cuidadosamente atrás de minha orelha. Eu observei o processo, vendo-o como estava tão perto de mim. Respirei fundo com aquilo, pois estava um tanto inquieto. — Ah, você ficou muito fofo! — exclamou ao se afastar novamente.

Fitei seu sorriso contente e sequer liguei para a rosa em meus cabelos no momento ou que aquilo quebrava tantos tabus direcionados aos alfas, ou que parecer fofo não fosse minha real intenção; ou alguma outra coisa. Na verdade, afastar todas as diferenças entre nós era o que mais queria, todas as regras que buscavam normatizar qualquer dominação para mim e qualquer submissão para ele. Não queria isso. Apenas queria que fôssemos Jeongguk e Taehyung. Só nós.

Então estava tudo bem alfas e flores.

— Mas isso está errado! — falei, cruzando os braços. — Isso vai estragar completamente meu estilo bad boy.

— Quer dizer que agora você concorda em ser bad boy? — Ele me imitou e eu sorri de lado, arqueando a sobrancelha.

— Você é quem está dizendo! — Fiz-me de desentendido e ele acertou meu ombro com um tapa.

— Hyung! — repreendeu-me manhoso e disfarcei qualquer coisa que pudesse entregar o quanto aquela palavra me afetou.

Era a primeira vez que me chamava de hyung, e ser chamado dessa forma é algo muito incomum para mim. Eu sempre fui o mais novo dentre os meus amigos, ouvia no máximo me chamarem de oppa, mas não era exatamente a mesma coisa; eu sequer gostava que me chamassem de oppa, na verdade. Contudo, por sua vez, ser mais velho que alguém, ou melhor, ser mais velho que Taehyung e ser chamado de hyung única e exclusivamente por ele, era algo do qual desfrutaria muito.

— Tudo bem, tudo bem. — Ri de sua carinha raivosa. — Talvez eu esteja assumindo o meu lado bad boy.

— Olhe só, temos uma reviravolta de eventos aqui! — comentou dramaticamente e eu revirei os olhos.

— Quanta encenação, Taehyung. — Ele gargalhou docemente e eu apenas contemplei, outra vez, tudo aquilo que ele extraordinariamente era.

— Eu só estou surpreso, ok? — Fez bico e eu mordisquei o meu. — Não esperava que admitisse isso tão rapidamente.

— Compreendo, todavia esta me pareceu uma ótima oportunidade para relevar isso — respondi e ele do mesmo modo riu tão abertamente ao mesmo tempo que meu coração não se cansava de queimar e queimar; sentia como se em algum momento não fosse restar mais nada daquele pobre pequeno ser que desesperadamente batia e batia.

— Hyung, obrigado — disse o ômega, e eu o olhei confuso.

— Pelo quê?

— Por... estar aqui — deu de ombros —, por me fazer companhia, por ter me defendido, por ter-me salvo, por me proteger, por ser um dos melhores alfas que já conheci, simplesmente por você ser você! — despejou tudo de uma vez em minhas costas e eu não podia estar mais chocado com todas aquelas revelações.

O que aquilo poderia significar, afinal?

— Taehyung.... — Vi seus olhos levemente marejados. — O porquê de tudo isso?

— É que... — aproximou-se um pouco, mantendo o contato visual — eu estou feliz, Jeongguk! — confessou, abrindo um grande sorriso. — Antes... eu estava muito preocupado e triste... com as coisas que aconteceram, com o Baekhyun, a sua perseguição, estava realmente assustado... mas você tem me ajudado muito e ainda tem meus amigos, sinceramente não posso reclamar de muita coisa e não deveria ter me sentido assim.... — Suspirou ainda a me olhar e senti-me nervoso de repente. — Eu de fato tenho o melhor namorado do mundo e amigos incríveis... e há você também, Jeongguk, quem tem se tornado muito importante pra mim... É mesmo um amigo maravilhoso, eu amo ter a sua amizade!

Eu custei a lhe mostrar um sorriso convincente, que verdadeiramente pudesse corresponder a tudo que disse. Tinha de semelhar contentamento com suas palavras e pareci ter o persuadido, pois o ômega me abraçou apertado e de repente, e tudo que fiz foi corresponder ao envolve-lo pela cintura calmamente.

Mas aquilo realmente doía, acertava em cheio e com tudo, era um grandioso nocaute a todo e qualquer sentimento que tinha. A sua amizade... não importava o que dissesse, eu não queria apenas ela. Eu olhava para si e enxergava seu sorriso arrebatador, a sua doçura e leveza, toda aquela magnificência que eras e simplesmente pensava que não havia nada mais bonito do que tua maneira de ser, todas as suas curvas e os seus meios... Todo aquele seu esplendor tão imensamente desmedido e não poderia simplesmente conter meus sentimentos, eu não sei... o que é que ele fez comigo...

Porém eu estava apaixonado.

Eu definitivamente estava apaixonado e me amaldiçoava por um dia ter desejado me apaixonar. Pois a paixão era de fato cruel quando queria e lhe convinha. E no meu caso... ela estava mais do que disposta a esmagar o meu coração.

— Eu também amo ter a sua amizade, Taehyung.

 

 

 

 

Hyung, vem pro refeitório, preciso falar com você. Eu engravidei um ômega.

 

Mandei a mensagem para Jimin e Yoongi, sabendo que aquele tipo de mentira seria o único modo de fazê-los vir correndo até mim sem questionar absolutamente nada — e principalmente, viriam juntos e nem se lembrariam da briga que tiveram. E eu precisava conversar, aquela situação estava sendo complicada de carregar toda sozinha. Necessitava ser franco com alguém além de guardar tudo somente para meus pensamentos. Sempre acabava me torturando com eles.

E aqueles dois careciam de se ver mais uma vez, quem sabe também conversar. Não suportava mais ver Yoongi em outra mesa com pessoas desconhecidas e Jimin distante e usando fones quase que vinte e quatro horas por dia. Aquilo tinha de mudar.

— Jeongguk! — ouvi o Park gritar meio de longe, e sorri. — Você tem merda na cabeça, seu puto!? — Segurei a risada.

O louro parou em minha frente e pouco depois o Min surgiu atrás dele, com uma careta assustada.

— Cara... — apoiou as mãos na mesa — você tá tão fodido, velho! — disse com intensidade e eu não me aguentei e gargalhei alto com os dois.

— Por que você está rindo, seu desgraçado!? — Jimin voltou a gritar, extremamente puto da vida.

— Isso é sério, cara! Você simplesmente acabou com a sua vida, Jeongguk — Yoongi voltou a lamentar. — Todo o dinheiro que você guardou pra faculdade será gasto com fraldas e roupinhas fofas, e você terá que bancar esse ômega também! Sua vida vai pro ralo, você tá perdido! — O azulado levou as mãos até os cabelos e os puxou com tanta força, quase como se fosse o culpado de tudo que acontecia e ele é quem tivesse engravidado alguém.

Eu estava rindo de novo.

— Hyungs, me desculpem por isso — falei com dificuldade, pois ainda ria.

— Desculpe-se mesmo! — O mais baixo ali era o mais irritado e descontrolado. — A gente te falou tanto para se cuidar, porra! Tu nem queria mais transar com ninguém e aí me aparece pai! Vai tomar no cu! Qual é a tua, Jeon!? Caralho!

— Não é isso, Jiminie! — exclamei, risonho, e ambos ficaram confusos.

— Como assim? O que foi, então? Eu tô nervoso. — O Min voltava a ficar tenso, podia jurar que estava tremendo.

— Eu... — comecei, pressentindo o surto deles. — Estava mentindo, não engravidei ninguém. — Fechei os olhos com força e cobri os ouvidos.

— Filho da puta! — gritaram os alfas em uníssono.

— Foi mal, eu...

— Mas que merda! Por que você falou isso, então!? Vai se foder! — Jimin faltava me agredir e realmente não sei por que ainda não o tinha feito.

— Porra... Ah, que alívio — o Min murmurou, com a mão no coração. — Por que mentiu, cara? Você é um desgraçado do caralho, eu te odeio.

— Nossa — resmunguei e eles passavam a mão no cabelo e respiravam fundo, logicamente revoltados com a situação. — Mas não havia a necessidade de me ofender também.

— Garoto, você tem é sorte de eu não ter metido o socão na sua boca! — O Park apontou o dedo para mim e eu apenas assenti. — Você é tipo meu irmão e pensar que eu não tinha cuidado direito de você e ter acabado te deixando engravidar alguém assim tão cedo quase me enfartou.

— E eu sinto tuas dores, seu arrombado. — Yoongi deu um enorme puxão na minha orelha. — Pensar que você teve toda essa irresponsabilidade de não se prevenir, meu Deus... Quase me senti grávido também, nunca mais faça isso de novo em toda sua vida. — Jimin tentou disfarçar, mas pude ver que ele riu baixinho do comentário. Mas não disse nada a respeito.

— Tudo bem, me desculpem... essa será a primeira e única vez que farei uma brincadeira dessas com vocês, eu prometo. — Ambos assentiram, satisfeitos. — Agora sentem-se, não os chamei à toa.

— Já tô começando a ficar nervoso de novo — o azulado murmurou no que se sentava. — Por que esse mistério todo? Fala logo ou eu saio correndo, porra.

— Calma, cara! — Olhei para o louro que ainda estava de pé. — Você não vai se sentar?

— Não. — Balançou a cabeça em negativo. — Tô me prevenindo para talvez eu precisar me levantar para te agredir ou algo assim, então já vou ficar em posição de ataque mesmo.

Revirei os olhos com aquilo.

— Juro que vocês não vão precisar de violência física. — Encostei minhas costas no assento. — O assunto não tem nada a ver com isso.

— É sobre o que, então? — o mais velho questionou e eu respirei fundo.

Contar algo do tipo para eles era uma coisa que nunca me imaginei fazendo. Sempre fui muito cético em relação a basicamente tudo, nada tão emocionante poderia acontecer comigo se dependesse unicamente de mim. O comodismo me era agradável, evitei muito em toda minha vida qualquer mudança radical a meu respeito. Eu gostava de toda a minha quietude, mas é claro que as coisas não continuaram perpetuamente assim.

— Eu salvei um ômega, lembram? — Encarei-os e os vi assentir.

— Você engravidou ele? — Jimin perguntou.

— Céus, não! — Bufei impaciente. — Porra, tirem esse negócio de gravidez da cabeça, parem com isso.

— Certo, prossiga. — Yoongi riu.

— Então... — Respirei fundo umas duas ou três vezes para finalmente dizer. — Esse ômega, o Taehyung... Desde o dia em que o ajudei com os alfas nós nos aproximamos muito, viramos grandes amigos e começamos a passar bastante tempo juntos, mas parece que... eu gosto mais dele do que deveria.

Olhei para os dois e notei a expressão chocada que tinham, contudo o Park abria um sorrisinho engraçado ao passo que o Min não parecia saber no que acreditar por conta de tanta devastação.

— Espera — o baixinho disse, dessa vez se sentando. — Você meio que está apaixonado por aquele ômega daquele dia que você sentiu ciúmes, então... Ah, agora faz todo sentido o ciúmes! Você está apaixonado!

— Não era ciúmes! — contrapus, embora o louro continuasse a repetir que eu estava mesmo enciumado no dia.

— Calma! — o azulado disse, levantando as mãos para nós. — Caralho, calma! — Bufou impaciente ao que obedecíamos. — Explica essa história direito, com mais detalhes, isso tudo ainda está confuso.

Suspirei, assentindo e pensando um pouco melhor no que dizer. Era meio complicado esclarecer algo que até mesmo eu não entendia propriamente, ainda mais para alguém tão fantasioso como Jimin e tão negativista quanto Yoongi.

— A princípio, tenho que frisar que isso que sinto por ele... não é normal. — A expressão perdida perdurou em ambos os rostos e apenas continuei. — Não o conheci, conversamos e nos tornamos amigos, depois então, por fim, me apaixonei. Não foi desse jeito. Na verdade... eu me sinto apaixonado desde o começo, desde que o vi pela primeira vez.

— Fala sério.... — sussurrou o mais velho.

— Eu estou falando.

— Não, eu não quis dizer que duvido da possibilidade, só estou... surpreso — explicou-se, cruzando os braços e crispando os lábios. — Mas sabe, Jeongguk, você tem mesmo certeza desse sentimento? Porque paixão pode ser uma palavra muito forte e você sabe; aquela vez no colegial você ficou com aquele ômega Yugyeom, sei lá, não lembro o nome dele, e até namoraram! Você jurava que gostava mesmo dele e no final o relacionamento nem durou por tanto tempo, foi só uns dois ou três meses...

— É diferente dessa vez, hyung, eu juro! — Baguncei meus cabelos em ansiedade, aquilo seria mesmo difícil de explicar. — Eu realmente nunca senti isso por ninguém, é totalmente diferente de tudo que já experimentei antes.

— Tudo bem... — Ele assentiu vagarosamente. — Agora acredito em você.

— Mas tipo, esse ômega, o Tae...  Taeyang? Qual o nome dele mesmo? — o loiro indagou.

— Taehyung — respondi baixo.

— Certo, o Taehyung... sente algo por você? Mas espera, ele já não tem um alfa? — confundiu-se e eu ri de leve.

— Sim... — Assenti cabisbaixo, brincando com meus dedos. — Ele tem um namorado.

— E como ele é? — Yoongi questionou, e eu o encarei.

— O namorado dele?

— Não! — Riu debochado. — O ômega, o Taehyung...

— Ah, ele é incrível, nunca encontrei nenhum ômega como ele antes. Ele é fofo e todo cheio de manha, mas também luta pelo que quer, já me repreendeu muitas vezes quando eu acabava sendo “cavalheiro” demais e sempre me diz que não preciso de tudo isso. — Ri ao fazer aspas e ambos sorriram pela fala. — É muito gentil, meio tagarela e distraído, ah, sim, ele é muito distraído... — Sorri ao me lembrar da vez na cafeteria. — E um verdadeiro amante de café.

— Oh, então ele obrigatoriamente deve se apaixonar por você também, Gukie! Seu cheiro é de café! — Jimin disse eufórico e eu apenas ri.

— Mas... — O hyung ali pareceu pensar por um momento. — Como você o conheceu? Disse que se apaixonou por ele no mesmo segundo que o viu.

— Bem, eu o conheci naquele dia em que marcamos de jogar e vocês sumiram. Fiquei meio sem o que fazer e acabei indo para a cafeteria, e ironicamente ele também foi. Na verdade, ele vai à cafeteria todos os dias, pede as mesmas coisas como se fosse um ritual sagrado e eu tive a brilhante sorte de ir até lá... Eu o vi entrar e uma das coisas que mais me chamou a atenção foi os cabelos cinzas, depois tudo aconteceu...

— Cabelos cinzas? — Yoongi questionou, aparentemente chocado.

— É, estranhamente seus cabelos são cinzas. — Ri sem graça.

— Você falou com ele esse dia? — o Park inquiriu e eu neguei.

— Não, eu estava atordoado demais para isso, meu lobo agitado demais pensando em como queria tê-lo como meu ômega, e talvez... talvez eu pudesse ter ido até lá e dito alguma coisa, descoberto seu nome ou algo assim, mas... mas... — suspirei com pesar — ele apareceu.

— Ele? — indagaram juntos, chegaram até a se entreolharem.

— O tal namorado — murmurei entredentes.

— Quem é ele? — O Min arqueou a sobrancelha em curiosidade.

— Jung Hoseok. — Ri debochado. — E o engraçado é que a primeira vez que vi Taehyung foi justamente no dia em que o Hoseok o pediu em namoro, no exato momento em que o vi e....

— E?

— Hyungs... — Aquilo era muito difícil de dizer. — Nesse dia eu acabei chorando. — Olhei para baixo, de repente me sentindo exposto.

— Você... você chorou? — O tom de voz do louro era como soava como se realmente não conseguisse acreditar. — Mas por quê?

— Eu não sei dizer, cara! Chorei porque ele estava com outro, porque queria ser eu o namorado dele, porque eu não sabia o que porras eu estava sentindo, chorei porque me machucava, machucava e machuca demais essa merda de condição. — Desviei o olhar e suspirei com pesar.

— Então você... sabe que ele é um ômega comprometido e não deveria estar sentindo isso...

— Mas sinto.

— Entendi... mas...

— Como exatamente ele é? — o mais velho inquiriu. — Alto, baixo? Faz dança? Lembro que você disse uma vez, mas esqueci...

— É o ômega mais alto que me lembro de ter visto e, sim, ele faz dança...

— Você está bem curioso, Min. — Foi a primeira vez que o Park se dirigiu ao outro desde a briga, e agora não tirava os olhos dele como se o estudasse. — Por que está tão interessado nele, hein?

— Não posso querer saber por quem meu amigo de longa data supostamente se apaixonou? — Também encarou o menor, sem hesitação.

— Oh, sim, claro que pode. — Sorriu sarcástico. — Mas não sei... Você me parece ter um interesse a mais, bem mais do que uma simples curiosidade...

— Pois eu digo que é impressão sua, Park — proferiu, forçando um sorriso e se levantou. — E eu acho que era isso, né? — Assenti. — Jeongguk, como seu hyung e amigo, te aconselho a tentar esquecê-lo pois a situação em nada te favorece. Ele namora e claramente deve ser feliz com o namorado, e você... Eu acho que não pode fazer nada sobre isso.

— Eu sei, sei muito bem. — Sorri fraco e ele fez o mesmo. — Mas achei que devia contar a vocês.

— E fez o certo — Jimin disse, com o mesmo sorriso que o nosso.

— Espero que tenha se sentido melhor ao desabafar.

— Sim, eu me senti.

— Que bom. — Bagunçou meus cabelos. — Agora eu preciso ir, pirralho, fica bem. — Deu dois tapinhas em meu ombro direito e virou-se de costas para nos dois, indo embora.

Encarei o louro que parecia muito inquieto com a situação, sua perna não parava de se mexer numa tentativa inútil de se distrair. Era bem engraçado de se ver, porém também era trágico. Um alfa deveria saber que muitas vezes tornava-se em vão lutar contra os instintos mais profundos de seu âmago. Jimin era um ótimo exemplo para isso.

— Vai logo, cara. — Foi a deixa para ele se levantar.

— Foi mal, Gukie! — gritou ao que corria, muito provavelmente, atrás de um outro alfa de cabelos azuis.

Obviamente ri da cena, mas não podia me deixar enganar: agora duas coisas cutucavam minha cabeça e não sabia como me livrar delas.

 

α.Ω.β

 

— Já está quase na hora, precisamos ir — o azulado proferiu. — Mais fácil irmos logo e deixa-lo para trás.

— Isso se chama crueldade, hyung — disse e ele riu.

— Na minha terra tem outro nome: apatia.

— Não consigo ser tão apático como você. — O mais velho apenas deu de ombros, pois, antes que pudesse dizer algo, quem tanto esperávamos apareceu no corredor. — Até que enfim, porra.

— Demorei? — perguntou, confuso.

— Não, pô. Só deu pra cursar uma faculdade de medicina aqui — falei ao que revirava os olhos e os dois riam. — Vamos logo, não parem para rir.

Sem mais, seguimos para o local onde a apresentação aconteceria. Muitas pessoas já se encontravam lá e xinguei tanto Jimin em pensamento, espera-lo foi um grande erro e gravarei em minha mente para nunca mais cometê-lo outra vez. Todavia, me concentrarei em achar um lugar bom o bastante para assistir a performance de Taehyung; assim comecei a olhar em minha volta, atentando-me a todos os cantos.

— Jeongguk! — Ouvi alguém chamar e busquei identificar de onde vinha. — À esquerda, seu tapado! — Fiz o pedido e avistei Hyuna.

Tinha que ser ela. Estava num canto mais afastado, porém tinha uma ótima visão do que seria o palco e aparentemente guardava lugar para mim. Cutuquei os outros dois perdidos e seguimos juntos até a ômega.

— Galera, essa é a Hyuna, que eu falei ter virado minha amiga tempos atrás. — Apontei para a própria, que sorriu simpaticamente na direção deles.

— É um prazer te conhecer, o Jeongguk parece ter aversão às pessoas do mundo, então pra ter virado seu amigo você realmente deve ser legal — Jimin disse, apertando a mão dela ao mesmo tempo que reverenciava.

— Desnecessário esse tipo de comentário.

— Mas é a mais pura verdade, Guk — Yoongi finalmente falou e também fez a reverência, sem muito mais, apenas abriu um pequeno sorriso simpático.

— Não sei por que ando com vocês.

Depois disso as luzes que iluminavam todo o ambiente se apagaram e ficaram apenas as do palco. A plateia vibrou ao mesmo tempo que houve uma movimentação ao centro e uma música conhecida por mim começou a tocar. Era As Long As You Love Me do Justin Bieber.

Os passos deles eram rebuscados e feitos com muita precisão, cada movimento era milimetricamente trabalhado e muito bem elaborado, estava realmente surpreso com a sincronia e os trejeitos de cada um; até podia ver Hoseok no núcleo de todos, precisava admitir que ele era de fato talentoso e estava mostrando um poderio e perfeição no que fazia que chegava a me incomodar enquanto o assistia. Mas quem realmente queria contemplar ali ainda não estava no meu campo de visão.

Pude notar Baekhyun ao canto oposto de minha visão com um ômega tão alto quanto o Kim e, bem, não deixaria que minha antipatia com ele me impedisse de elogiar sua performance, era bom assim como os outros e sua dedicação podia ser notada com suas oscilações cautelosas. Chegado o refrão, houve-se uma calmaria em conjunto com o instrumental da música, os passos imitavam a batida e tornavam-se mais agressivos à medida que a melodia se intensificava. Um grande grito provindo da plateia tomou o local quando os dançarinos efetuaram movimentos rápidos e perfeitamente coesivos, até mesmo eu não pude evita-lo ao passo que também me surpreendi.

Porém começada a segunda parte da música foi quando o vi, abrindo caminho entre os demais e parando bem à frente. Hoseok veio por trás enquanto o quadril de Taehyung movia-se sensualmente, eu estava fascinado com a sua presença diante de todas aquelas luzes, o rosto suavemente maquiado e a expressão segura e extremamente sedutora. Simplesmente não conseguia tirar os olhos dele.

Seu corpo deslizou recostado ao do Jung e voltou a elevar-se abrupto de modo que rapidamente as mãos do ruivo envolveram sua cintura e o giraram. Taehyung pôs-se de joelhos e suas mãos percorreram seu próprio corpo e a expressão que usara me fizera mordiscar meus lábios num autocontrole que não me pertencia. Eu me obrigava a me controlar, entretanto estava tornando-se impossível a cada vez que encarava o palco e avistava Taehyung e seus movimentos. Seus dedos deslizaram por entre sua boca e pude vê-la sibilar um trecho da música, logo então a mordendo numa óbvia provocação proposital.

Mas aquilo foi um grandioso erro, certamente algo que não deveria ter feito justamente comigo. Minha visão turvara-se por um momento enquanto o observava de longe e me senti meio tonto, respirei fundo algumas vezes para ver se aquilo parava, todavia não surgiu nenhum efeito. Ainda estava embriagado ao contemplá-lo.

Eu me sentia estranho.

 

 

Yoongi

 

 

Quando saí porta a fora do estabelecimento não escutei o conhecido baque como esperava, o que estranhei de começo, mas depois cheguei na conclusão correta sem ao menos precisar olhar para trás. Até mesmo bufei em aborrecimento, pois realmente queria ir embora sem mais nenhuma discussão. Entretanto, é claro, nem todo mundo concorda comigo.

Não demorou muito para meu braço ser puxado, mesmo que levemente, e me vi obrigado a encarar o louro.

— E então? — questionei quando vi que o alfa não diria nada.

— Você conhece o ômega do Jeongguk, não é? — Estudou minha feição por alguns momentos. — Já teve algo com ele?

— Não sabia que o Taehyung era o ômega do Jeongguk. Mal saí dali e muitas coisas já aconteceram desde então. — Ri debochado e o outro revirou os olhos. — O que foi?

— O que foi é que você está desconversando. — Soltou meu braço e bagunçou seus cabelos em irritação. — Esquece, não era disso que vim falar.

— Pois diga o que veio falar. — Cruzei os braços e o fitei, percebendo como estava inquieto.

— Bem... — Mordeu os lábios, algo que não posso negar que me atraiu, mas sabia que era porque estava nervoso. — Eu acho que você não precisa mais sentar em outra mesa no refeitório. — Deu de ombros e fechei minhas mãos em formato de punho, tudo para conter o sentimento que borbulhava dentro de mim. — Nem evitar ficar perto da gente... Quero dizer, do Jeongguk. Acho que agora ele irá precisar de nós dois por perto. Sabe, você é mais calmo e sabe aconselhá-lo muito bem, vai cuidar da parte psicológica do nosso garoto. E eu vou ajuda-lo caso houver outra briga, sou mais forte e vou contê-lo, e, se necessário, brigarei junto com ele pois somos um time.

— Você não é mais forte do que eu.

— Claro que sou. — Ele riu, empurrando meu ombro de leve. — Mas relaxa, não precisa se incomodar com isso, não é importante.

— Ok, vou deixar que você se engane sobre esse assunto.

— Farei o mesmo, mas diga... vai continuar com eles ou vai voltar para gente? Para o Jeongguk, digo. — Desviou o olhar e eu abaixei o meu, respirando fundo e sentindo meu coração disparado no peito.

— Eu volto. — Assenti ainda a fitar meus pés. — Ele vai precisar de nós.

O Park sorriu, seus olhos tornando-se meias-luas e eu havia sentido falta daquilo. — Sim, com certeza vai.

Queria que ele tivesse dito “para mim”.

 

α.Ω.β

 

Como toda a maldita vez, aquele lugar estava lotado de gente aguardando a apresentação anual em dedicação à universidade. Não querendo dizer que detesto esse tipo de coisa — é certo que a presença de tantos alfas, betas e ômegas em um mesmo ambiente me incomoda um pouco —, mas estar entre Jeongguk e um outro alfa pequeno que me desestabiliza mais do o que necessário não era algo do qual eu poderia chamar de agradável. Eu estava meio desconfortável, na verdade. O louro estava muito bonito com as roupas despojadas e o cabelo bagunçado, podia notar olhares na direção dele e esses fatores só me faziam querer ir embora; talvez assim até prolongasse a sorte que tive de Sun Hee até agora não ter me encontrado.

No entanto, quando as luzes se apagaram e os dançarinos adentraram o palco, deparei-me com o sorriso animado de Jimin e decidi ficar. Ele batia palmas com frequência e balançava levemente seu corpo de um lado para o outro. Era estonteante vê-lo daquela maneira e me obriguei a ignorar qualquer coisa que me dissesse o contrário, que tentasse me lembrar que eu não estava mais com ele e não deveria mais ceder à tentações como aquela. Só por hoje, talvez.

— Aquele é o Taehyung. — Apontou para o ômega de cabelos cinzas que agora estava à frente de todos e eu assenti, embora quem sabe ele nem tivesse visto.

Assisti o garoto desempenhar passos complicados e não pude ignorar o talento que tinha. O ruivo ao seu lado, que acreditava ser o tal Hoseok, mostrava uma sincronia simplesmente perfeita e aquilo deixava tudo ainda mais impressionante aos olhos alheios. O Park a todo momento vibrava em euforia com Taehyung ao centro efetuando passadas voluptuosas e chegava até a sentir a mesma animação em meu corpo. Agora, o que me parecia desconfortável no começo estava se tornando divertido e talvez não queria mais ir embora. Talvez devesse aproveitar só por hoje.

Olhei para o lado direito a fim de ver as reações de Jeongguk, contudo, ao encontra-lo, sua feição era ainda mais intensa do que imaginava. Seu maxilar estava travado e a atenção fixada em Taehyung no palco. Podia ver seus ombros movimentando-se do tanto que sua respiração estava alterada e seus lábios eram completamente maltratados por seus dentes.

— Jeongguk? — chamei, mesmo que a música alta comprometesse sua real compreensão. — Jeongguk! — O tom de voz aumentado sequer ajudou em algo.

Parei em sua frente e não apercebi mudança alguma no seu comportamento, o que já me assustava pois não entendia o que raios estava acontecendo. Porém, quando seus olhos tornaram-se, por um momento, vermelhos, ainda cravados no ômega acinzentado, foi o que faltou para eu perceber.

Antes que ele avançasse para de alguma maneira chegar ao outro, agarrei seus ombros e o empurrei para longe, tentando contê-lo um pouco distante dos demais.

— Jimin, me ajuda aqui! Jimin! — gritei para o outro, que rapidamente olhou em nossa direção e viu o estado incontrolável do mais novo.

Jeongguk havia entrado no cio.


Notas Finais


Eita, hein

Jeongguk entrou no cio, e agora?

E a Ju queria demais que o JK fosse mais velho que o Tae rs

Comentem o que acharam! O próximo virá mais rápido, prometo não demorar!

Beijos, meus amores <3


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