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História BEHIND - Hyunlix - Capítulo 1


Escrita por: Satidorfana

Notas do Autor


críticas vão ser MUITO bem vindas. eu dedico esse perfil à fanfics com mais de um capítulo e, é uma válvula de escape para postar histórias que eu quero compartilhar com mais pessoas, não me prendendo a obrigações com atualizações, pois pretendo que seja divertido para mim também. vou tentar deixar o máximo de conteúdo por aqui.

se alguém ler, ps; satidorfana

Capítulo 1 - Embrumo


Fanfic / Fanfiction BEHIND - Hyunlix - Capítulo 1 - Embrumo

CAPÍTULO UM 

EMBRUMO

🎐

Então era assim que os ciclos se findavam. Não era nada como ele pensou que fosse acontecer. Não sendo arrancado da escola no meio do dia.

Hyunjin não mudava a direção de seu olhar para outra imagem, a não ser a de suas mãos entrelaçadas sobre a calça escura do uniforme. Sua visão embarciada de lágrimas não eram as de um choro iminente, mas sim as sobras de um que se permitiu soltar baixo, ainda na viatura.

Bala perdida. Os suspeitos já estão detidos. Hyunjin se perguntou como em algumas horas tantas coisas poderiam acontecer daquele jeito. Seu mundo era mesmo de papel.

O baque constante dos dedos ágeis do policial contra as teclas do computador  pareciam infinitos. A quantas horas estavam procurando alternativas menos desumanas,  menos bruscas , para o rumo da sua vida?

Cinquenta minutos, aproximadamente. Ele escorreu os olhos até o relógio meio coberto no pulso. Cinquenta minutos desde que atravessou a porta de vidro acompanhado de dois policiais idosos. Ele soube que aqueles dois que o buscaram na escola não dirigiam uma viatura a alguns anos, a julgar pelo revezamento que fizeram. Um na ida, um na volta. Eles deviam ser encarregados constantemente de casos entediantes como garantir que um órfão seja mesmo um órfão, antes de despacha-lo à um orfanato. A julgar pela própria idade, ele tinha quase certeza de que iria, na melhor da hipóteses, para um abrigo.

Hyunjin engoliu a saliva que produzira muito facilmente naquele dia, quando a porta de um corredor foi aberta e uma mulher de face lustrosa e torso desproporcional ao quadril veio até o policial no eletrônico com uma pasta amarelada e fina nas mãos.

"É a certidão de nascimento dele. Hwang Hyunjin, certo?" Ela era mais precisa do que os dois que estavam o atendendo. Hyunjin acenou positivamente. "Preciso que responda as perguntas em voz alta, tudo bem?"

Hyunjin acenou de novo, sentindo a agonia rastejar para o banco giratório que estava sentado, agarrando seus pés e o fazendo sentir calor, mesmo em ares de fevereiro. O aroma de café era intenso e os ruídos casuais ensurdecedores demais. Haviam pilhas de papelada, um trabalho infindável que se acumulara ao longo de anos, espalhadas pelas mesas retangulares. Eram três, uma na sequência da outra.

"Tudo bem." Sua voz soou baixa e rouca. Ele pigarreou para mudá-la rapidamente.

"Sua mãe foi Hwang Young-hee?"

"Sim."

"Não temos registro do seu pai. Você o conhece?"

Hyunjin estudou a palavra, sentindo a proliferação da sensação vaga que tinha quando, de vez enquando, precisava responder à perguntas como aquela.

"Não."

A civil exasperou o ar, passeando o olhar pelo documento. Ele sabia que não havia mais nada para perguntar, tendo em vista que entre procurar em um programa próprio na internet não havia fornecido resultados, olhar aquele pedaço de papel frívolo era uma consolação que servia apenas para o sinto muito que viria depois. 'Fizemos tudo que podíamos'. 'Olhamos a sua certidão de nascimento, parece que você não tem pai mesmo'.

"Conhece algum parente que possa te acolher na cidade?" Agora seus olhos apertados recuaram da folha e encararam-o.

A resposta negativa com a cabeça veio antes da sua versão falada.

"Não." As teclas cessaram. Ele encarou o policial, que bebericou um café frio de um copo pequeno e descartável antes de empurrar a cadeira para trás e se levantar. Seu bigode cobria a boca, o que tornava impossível uma leitura labial. Ele havia murmurado algo para a mulher antes de sumir para dentro do escritório.

"Nesse caso, vamos contatar alguma corporação que possa atender suas necessidades..." Ela estava sendo condolente. Ele não a culparia; talvez, se pudesse sair do próprio corpo para observá-lo de longe, também sentiria pena. Ele balbuciou uma confirmação, mas sabia que poderia fazer algo melhor. Jeongin morava com a avó doente. Ele trazia sustento para o aluguel e, ela não iria contestar que outro garoto viesse para ajudar nas finanças.

Jeongin não o deixaria na mão. Não quando haviam tantas mensagens dele no celular, o avisando que ele tinha que dar um jeito de não ser escoltado direto para uma instituição. Ele tinha que sair dali e se exilar na casa do seu melhor amigo. Eles podiam se virar.

Houve um estalo da porta do escritório e um outro policial, mais jovem e robusto, adentrou. Ele trouxe café para a mulher que se sentou do outro lado da mesa.

"Obrigada. Apresse o Doo, não tenho o dia inteiro aqui." Ela falou a última sentença mais baixo, levando o líquido quente à boca. Hyunjin quis chorar de novo, até.

'Eles são doidos. A delegacia tá vazia em horário comercial, e o único caso aqui é o meu. Da pra ver que não é difícil de sair desse lugar'

Hyunjin enviou para Jeongin, que não estava online. Ele se lembrou que deveriam estar na aula de literatura, a qual o mísero rastro de aparelhos eletrônicos poderia resultar em duas horas de detenção.

Ele guardou o celular no bolso da calça e fitou, apenas para não voltar a olhar suas mãos ossudas, o reflexo da tela do computador nas orbes da mulher. Não conseguia ver nada além da cor castanho opaca.

"Há uma instituição para adolescentes, fica á uma hora de ônibus da sua escola, mas existem duas linhas que você pode escolher pegar, na mesma rua dela...", a policial indagou, sua voz morrendo como se ainda tivesse mais para falar. Seus olhos observavam algo além de Hyunjin, e logo ouve o barulho da porta sendo aberta.

Doo, que o atendera a poucos minutos, reapareceu de supetão e, se juntou rapidamente a observar o alvo dos olhos da militar mulher. Seu rosto reprimiu uma condenação e ele largou o café encima da pilha de documentos.

Hyunjin se virou e, era impertinente olhar só uma vez. Um homem loiro, quase platinado, e de aspecto felino se aproximava como um leopardo em busca do elemento surpresa para o ataque. Não era de todo asiático. Obtinha feições estrangeiras e uma pele de bronze a qual dificilmente o céu constantemente nublado de Seul oferecia.

Ele usava algo de gola alta na cor de pérolas e um cardigã longo, em um tom creme. Seu olhar procurou pelo ambiente abafado por alguém e, quando seus olhos oblongos travaram em Hyunjin, ele sentiu como se fosse ele o alvo. O garoto não pôde desviar sua atenção a tempo; o homem a fez primeiro e caminhou em direção à Doo e, a outra policial se levantou rapidamente. Aquele não parecia o tipo de pessoa que procuraria a delegacia de um subúrbio para fazer uma queixa.

Ao que contrariou as suposições de Hyunjin, o homem ignorou ambas as autoridades e sumiu para o escritório. Os dois entraram em seguida, com pressa.

Hyunjin olhou ao redor e, se não contasse com as câmeras de segurança dispostas em todo canto das paredes, estava livre para pegar sua mochila do chão e sair correndo em direção à casa de Jeongin. Faltava uma hora de aula para que ele fosse liberado.

Ele tocou a alça da mochila discretamente, encarando a câmera, quando sua visão periférica o fez perceber, pelo pequeno quadrado translúcido no alto da porta do escritório, o rosto aturdido de Doo o vigiando. Hyunjin se comportou na cadeira e seu celular vibrou. Era Jeongin.

'Conseguiu sair??? Cadê você?'

Hyunjin respirou fundo, seu coração começando a acelerar de pressão e desespero. Acabara de perder a mãe e sua melhor opção era um garoto da sua idade. Caramba.

'Eles estão me vigiando'

Não demorou mais alguns segundos para que outra mensagem surgisse.

'Estão te segurando?'

'Não??'

'Então corre, eles não vão te fazer cair no meio da rua com o poder da mente'

Hyunjin grunhiu, engolindo o bolo de ansiedade que formava um grande nó doloroso na garganta. Quando o fez, foi como se o nó tivesse escorregado para o estômago. Ele odiava ser covarde.

O garoto firmou a mão na alça da mochila, seu corpo pronto para se levantar e correr dali, mas a porta do escritório foi aberta e com ela uma legião de demônios pareceu cercar o ambiente com adrenalina. O homem que entrara recentemente encarou Hyunjin com fixação, o colando firmemente no assento.

A policial juntou a certidão de nascimento dos demais documentos e a entregou para o homem, que a tomou sem menores preocupações. Hyunjin começou a sentir a tensão se formar na lombar, ele procurou no rosto da mulher alguma resposta e, depois no de Doo, que surgiu logo atrás. Mais um policial apareceu, o rosto assombroso.

A mulher se inclinou na mesa e fechou as abas abertas no computador, antes de se dirigir ao garoto.

"Ele tem a sua tutela."

Hyunjin sentiu uma palpitação o atingir no peito.

"Como? Ele não é da minha família, eu nunca vi esse cara antes." Hyunjin replicou, assustado, e os olhos do homem pareciam avaliá-lo.

"Me chamo Lee Yong Bok", disse o desconhecido, sua voz grave.

Hyunjin sentiu-se acuado para dizer que seu nome não tinha importância. Ele tinha a sua guarda. Um estranho tinha a sua guarda. Isso tinha importância.

"Mas-"

"É competente à polícia garantir que você fique sob a tutela de quem tem a sua guarda, mas não podemos decidir quem vai ser essa pessoa." A mulher o interrompeu antes que ele pudesse dizer mais. Ela já não o encarava nos olhos. "Isso é papel da justiça." Ela murmurou. A grande impressora atrás dela emitiu um som e uma folha quente foi expelida. Ela a colocou sobre a mesa e entregou a Yong Bok uma caneta preta. Hyunjin assistia a tudo como se estivesse vivendo uma vertigem.

O homem assinou o papel sem lê-lo, como se já dominasse o conteúdo digitado ali. Ele terminou e entregou-o nas mãos da mulher, com precisão, antes de voltar toda sua atenção ao garoto. Hyunjin se levantou pronto para contestar mais uma vez, abraçando a mochila no peito para ter apoio.

"Não há lei já estabelecida que possa ser mudada para agradar uma pessoa só." Yong Bok disparou, calando-o antecipadamente. Hyunjin se sentiu pequeno, mesmo sendo o mais alto ali.

Ele encolheu os ombros. Sabia que seu rosto deveria se assemelhar ao de uma criança atônita ao apanhar pela primeira vez. Não sabia se chorava ou se ocupava com o choque da experiência nova.

O homem indicou com a cabeça que o garoto andasse na frente. Ele observou os policiais que nada fizeram além desviar o olhar e voltar ao trabalho, como se aquilo fizesse parte da rotina. Os pés de Hyunjin pareciam ter uma consciência melhor do que seu próprio cérebro, e andaram em passos curtos até a porta de vidro. Ele sentia que Yong Bok pairava perto. Muito perto. Perto o suficiente para que seu cheiro cítrico perfurasse a camada dos bons modos.

Quando Hyunjin parou na porta, hesitante, a mão forte e cravejada de anéis prateados a abriu. Uma forma taciturna de reforçar o que havia dito anteriormente.

Hyunjin se arrastou para fora e logo viu um único carro estacionado naquele meio fio. Uma SUV totalmente preta e luzidia. Um curto som avisou, junto à luz dos faróis que se acenderam, que o carro foi aberto. Yong Bok a contornou e esperou que Hyunjin entrasse. Ele o fez, sua mochila nunca deixando o próprio colo.

Hyunjin nunca tinha vivenciado um sequestro antes, mas tinha certeza que a vítima se sentia quase da mesma forma que ele naquele momento; talvez, fosse até mais desesperador no seu caso, pois a própria polícia tinha noção do acontecido e havia o consentido.

Quando suas costas tocaram o encosto, Yong Bok se juntou a ele. Todos os seus movimentos eram bruscos e precisos. Silenciosos. Nunca causando mais barulho que o necessário. Ele girou a chave no carro e as portas foram travadas enquando o automóvel dava partida. Hyunjin buscou socorro uma última vez na delegacia, mas não havia ninguém nela, a não ser a bagunça e as luzes amarelas.

Ele sentiu o celular vibrar no bolso. Certamente estava daquele modo a muito tempo, pois nem se deu conta. Ele o apanhou com cautela, agradecendo por estar no silencioso, e o desligou. Era Jeongin, junto à aquela ligação recusada haviam outras quatro e aproximadamente mais de dez mensagens seguidas. Ele abriu o chat mas não as leu.

'Eu vou te ligar assim que der'

Ele enviou, seus dedos tremendo um pouco, e então apertou o celular entre eles, engolindo o nada. Eles estavam em pleno trânsito, dirigindo devagar. Hyunjin se forçou a perguntar, com a voz falha.

"Quem é você?" Ele repetiu o que falou mentalmente. Não soava fraco. Soava franco.

"Lee Yong Bok." O homem falou. Hyunjin apertou sua mochila um pouco mais.

"Você não deve ser só o seu nome...por que eu não te conheço? Se você tem a minha tutela então...eu deveria ter ouvido falar de você." Ele afirmou. Ambas as vozes mantinham-se baixas no silêncio no carro.

Yong Bok ficou em silêncio, encarando o horizonte infinito de carros no engarrafamento do centro da cidade.

"Eu conhecia seu pai." Ele pronunciou após certo tempo. Hyunjin sentiu a curiosidade se juntar ao medo na sua arquibancada de emoções.

"Como?" Ele perguntou, observando o perfil do homem sentado ao seu lado. Ele tinha um rosto sardento e fios compridos  delicados, um pouco maiores que o de Hyunjin. Ainda sim, era a forma de delicadeza animalesca que se afusionava à selvageria dos instintos que eram atribuídos a um animal. Hyunjin percebeu a insegurança nascendo no peito. Não tinha nenhuma dessas fisionomias, exceto talvez pelo olhar excêntrico. Eles tinham o mesmo sangue? Improvável.

"Trabalhei com ele no passado."

"Meu pai está vivo?" Hyunjin foi direto ao ponto.

"Não."

"Ele morreu quando?"

"A alguns anos atrás." Ele respondeu. "Não me lembro." Essa última frase sendo dita mais baixo. Hyunjin digeriu a informação, aceitando-a.

"O que ele fazia?" Ele afrouxou o apertou na mochila, mais interessado.

"Ele era delegado."

Hyunjin sobressaltou; não imaginava aquilo. De acordo com o que sua mãe falava, ele era alcoólatra. Por um instante ele sentiu uma aversão a ela. Eles nunca tiveram o contanto mãe e filho usual, o que não significasse que Hyunjin não quisesse tê-lo. Mas ali, na circunstância de descobrir uma mentira contada por ela, ele sentiu o amargor da confiança se esvaindo.

"Por que ele nunca procurou eu ou minha mãe?" Hyunjin questionou. Ele viu um rastro da perca de paciência no rosto de Yong Bok, voltando a se encolher um pouco.

"Ele não tinha tempo. Não queria te acostumar com a presença dele e depois sumir repentinamente por conta das obrigações que carregava."

O silêncio tomou conta do carro.

"E ele não morava aqui em Seul." O homem acrescentou, como se precisasse agregar algo que tornasse aquele motivo mais verosímil. Hyunjin repeliu o sentimento de ser um estorvo, tanto na vida de sua mãe quanto na de seu pai. Mas não conteve o pensamento de que agora seria um na vida de Yong Bok também. Ele sentiu vergonha.

"Então você não tem nenhum parentesco comigo?" Hyunjin questionou.

"Não."

"E só conhecia meu pai?"

"Eu era muito próximo dele."

"E o que te dá a minha tutela, então?" Hyunjin questionou, queria espremer informações o máximo possível. Nunca tivera uma chance como aquela. Mas ele quis se esconder cada vez mais no próprio corpo, percebendo que as mãos de Yong Bok apertaram o volante com mais força. Suas veias proeminentes fazendo trilhas por debaixo dos anéis.

"Seu pai confiou em mim. É a única razão para que eu tenha a sua tutela. Você não tem nenhum parente vivo." Ele redigiu, Hyunjin pôde sentir que a intenção de Yong Bok era que ele ficasse magoado com aquela última frase e parasse de falar. Mas Hyunjin não ficava triste com aquilo. Se fosse se conter de dizer mais alguma coisa, seria por medo.

Ele se redimiu no banco, observando a própria janela, em silêncio então. As expressões de Yong Bok suavizaram. Eles estavam na rua da casa de Hyunjin. Ele o encarou de novo, questionando.

"Desça e pegue só o necessário para alguns dias. Depois voltamos." Ele disse, diminuindo a velocidade do carro em frente ao cortiço. Hyunjin assentiu, descendo com a mochila quando estavam devidamente estacionados. Ele suou frio. Nunca iria imaginar que seu horário de almoço iria ser como aquilo.

O cortiço aonde morava era um prédio pequeno de três andares. Hyunjin compartilhava o segundo andar com sua mãe e, a única entrada até lá era subindo as escadas de metal enferrujado evergada para o lado de fora.

Ele se esqueceu de perguntar, como um bom questionador, como ele sabia seu endereço. Talvez ele não fosse respondido.

Hyunjin colocou uma alça da mochila nas costas e subiu as escadas, encarando lá de cima o carro luxuoso destoando das bicicletas e motos velhas da vizinhança. Era como uma joia reluzindo no meio de vidros.

Dentro da casa, ele sentiu o cheiro da pizza que havia pedido na noite passada. Era vazia, mas as superfícies de todos os móveis eram bagunçadas com lixo e poeira. Havia um certo clima de melancolia, olhando com os olhos de órfão, no chão batido da cor verde petróleo e nas paredes descascadas. Paredes as quais sua mãe pintara quando ainda jovem. Ele queria, ao mesmo tempo que correr para Jeongin, saber que quando voltasse da casa dele teria uma mãe viva para esperar chegar.

Hyunjin exalou uma última vez e foi direto ao seu quarto, onde tirou debaixo da cama uma bolsa de viagem preta e enfiou algumas roupas lá. Ele abriu o outro lado do guarda roupas quando viu que a bolsa não estava ao menos meio cheia, e percebeu que todas as suas peças eram só aquelas. Hyunjin foi até o banheiro e quarto de sua mãe, recolhendo ao longo do caminho o que encontrava seu.

De volta ao quarto, contabilizou duas cuecas a mais. Ele as guardou e ocupou o resto da mala com seus sapatos e objetos de higiene. Ao terminar, já na sala, seu celular tocou novamente. Ele havia se esquecido de contar a Jeongin o que estava acontecendo.

'Jeongin-'

'Você tá bem?' O amigo perguntou do outro lado da linha, parecendo afoito. Escutar sua voz era reconfortante.

'Eu...acho que estou tendo um pesadelo', desabafou.

'Ah, cara, eu sinto muito mesmo. Minha vó está tão arrasada quanto eu, e disse que você pode ficar aqui o tempo que for. Eu achei que ela não iria aprovar a ideia, mas quando expliquei a situação, ela não pensou duas vezes.' Jeongin contou, sua voz estava esperançosa e Hyunjin pigarreou, andando até a torneira da cozinha que pingava na louça entulhada.

'Jeongin, escuta, eu preciso te contar um negócio', ele disse, descobrindo que a torneira estava quebrada.

'Não enrola', Jeongin mandou.

O discurso de Hyunjin havia soado como uma narrativa de criança, que nunca sabia as palavras certas para contar algo, fazendo esse algo parecer muito maior. Ele roeu as unhas enquanto deu detalhes das respostas que recebeu no carro e riu com fraqueza quando Jeongin demonstrava surpresa ao seu próprio modo.

No final, Hyunjin percebeu que havia passado mais tempo do que deveria no telefone e desligou, prometendo que ligaria de novo o mais rápido possível. Jeongin não aceitara bem o fato de que Hyunjin concordou com o que um recém chegado na sua vida estipulou, mas não deixou de ficar mais apaziguado com a notícia de que esse homem, Lee Yong Bok, era conhecido de seu pai.

Com o fim da ligação, Hyunjin olhou ao redor com a testa pingando, procurando algo importante para levar, mas não viu nada além de rastros de hábitos alimentares questionáveis e desorganização. Ele não queria levar isso para seja lá onde estivesse indo.

Ao começar a descer a fileira de degraus, ele viu Yong Bok para fora, encostado na porta do passageiro, com os braços cruzados no peito. Ele o observava com a compleição ávida. Hyunjin se perguntou como seria morar com alguém de postura tão intocável.



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