História Behind Blue Eyes - Capítulo 28


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Categorias Histórias Originais
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Palavras 1.088
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Terror e Horror, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 28 - O bar


No dia seguinte, logo pela manhã, Victor apareceu na casa de Arthur com lanchinhos de padaria, café e uma esperança de que o garoto mudasse de ideia sobre o bar. Mas ele estava decidido. A noite mal dormida só fez com que a mágoa de ver Peter com outro cara aumentasse, assim como a vontade de conhecer alguém novo.  

- Esquece Victor. Você prometeu. Quero ir hoje.

- Então vamos alinhar nossas expectativas. Primeiro: vamos ter que viajar. O lugar que quero te levar não é na nossa cidade, ela é pequena demais pra isso. Então vamos ter que dormir em um hotel. E eu não quero ficar de babá, então vou ter que confiar que você não vai fugir nem fazer nenhuma besteira. E que vai voltar para o hotel no final da noite. E se for fazer qualquer coisa, pelo amor de Deus, use camisinha. Vou deixar algumas com você. Tem mais alguma coisa?

- Na verdade tem. - disse Arthur, meio sem graça. - Eu não tenho roupas pra ir. Só moletons largos e roupas de dia. 

Victor finalmente sorriu animado com algo. 

- Isso é muito fácil de resolver. Conheço o lugar perfeito. 

E assim os dois seguiram para uma das lojas mais chiques da cidade, onde Victor costumava comprar suas roupas. Foram atendidos por um profissional que logo separou peças caras e de excelente qualidade para Arthur experimentar. No final, acabou escolhendo uma calça jeans escura e um tênis preto, com uma camisa azul escuro. Olhando no espelho, Arthur sentiu-se bem. Apesar de ainda estar com o lábio um pouco inchado pela briga no dia anterior, parecia um cara normal. Sem machucados, sem roxos, sem problemas. 

- Essa camisa combinou com seus olhos - disse Victor, com um sorriso. - Agora precisamos dar um jeito no seu cabelo. 

E assim foram para um barbearia, onde Arthur foi tão bem tratado que até estranhou. Deve ser por isso que um corte é tão caro. Enquanto isso,  Victor saiu, voltando minutos depois com alguns presentes: um perfume, um relógio e alguns anéis. Arthur estava meio sem graça com todo aquele cuidado, mas, apesar de não admitir, sentia-se bem. Era bom sentir com a auto estima alta. Quase não se reconhecia no espelho.  

Depois, já no carro para viajar, Arthur sentiu uma ansiedade lhe consumir. Ficou se perguntando se conseguiria interagir com as pessoas, se alguém gostaria dele… Victor até puxou alguns assuntos, mas o moreno estava distraído demais. Não sabia se estava pronto para uma relação consensual, real e simples. Sem as loucuras de Eric. Mas desejava isso com todas as suas forças. 

Chegaram no cidade e foram direto para o hotel. Victor poderia pagar tranquilamente por dois quartos, mas insistiu que dividissem um, com duas camas. Não queria perder Arthur de vista tanto assim. O bar era na mesma rua, virando a esquina. Pela fachada era difícil identificá-lo, era bem discreto e parecia refinado. Victor havia preparado uma carteirinha falsa para ele e, quase às 21:00, foram juntos até o bar. Tinha um pequena fila na entrada. Quando finalmente estavam lá dentro, Arthur sentiu um leve embrulho no estômago de empolgação.

- Não exagere na bebida. - disse Victor. - Vou ficar aqui um pouco e depois vou para o hotel. Se precisar de mim pode ligar. 

E, assim, Arthur ficou sozinho naquele lugar. Quase desejou ter o homem por mais alguns minutos com ele, para não se sentir tão deslocado. Acabou sentando-se no bar e pedindo uma cerveja. Não gostou do sabor, mas continuou bebendo mesmo assim. Não tinha nenhuma experiência com álcool então queria pegar leve, evitando que tivesse alguma reação estranha que não conhecia. Esperava beber apenas o suficiente para se sentir mais confiante. 

Observando o lugar, teve muitas percepções interessantes. A música era boa, um rock e pop clássico, com uma iluminação agradável. A maioria dos homens eram mais velhos, o que não lhe interessava muito. Já bastava Eric. Percebeu alguns olhares, retribuiu outros, mas ninguém se aproximou por um bom tempo. Também não sentiu vontade de ir até ninguém específico - nem sabia se teria coragem. 

Haviam casais acompanhados, trocando afetos sem receios. Tinha um grupo mais afeminado, com uma drag queen e bastante glitter. Tinha também uns caras mais sérios, apenas bebendo e conversando. As aparências eram bem diversas também: magro, gordo, musculoso. Depilado e cheio de pelos. De terno e tatuados. Por ser o único bar gay da região, ele agrupava todos as tribos e eles pareciam bem com isso. 

Quando alguns caras mas velhos se aproximaram, Arthur se afastou, mostrando que não tinha interesse. Não era o que ele procurava ali. Apesar de não ter muitos jovens, continuou esperando, só observando o lugar e conhecendo mais sobre esse mundo. Também não viu mais o Victor, sem saber se ele ainda estava ali ou se tinha ido embora. Quando terminou a terceira cerveja, um cara sentou-se ao seu lado.  

- Posso te pagar a próxima?  

Como estavam lado a lado, pareciam ter a mesma altura, mas o desconhecido era bem mais forte. Também usava roupas mais descontraídas, parecendo bem à vontade, como se fosse ali com frequência. Ele usava uma corrente ao redor do pescoço e tinha uma barba bem cerrada. Era negro, com a pele bem escura e olhos bem amendoados. Seus cabelos eram raspados nas laterais e com um black power baixo, deixando o formato do seu rosto bem bonito. 

- Pode - respondeu Arthur, sentindo o coração bater mais rápido. 

- Duas cervejas por favor - disse ele. Sua voz era meio rouca, mas ele não parecia ter mais do que 20 e poucos anos. Ele sorriu, parecendo observar Arthur. - Apesar que você não parece ser maior de idade. 

- Isso importa? - perguntou Arthur, pegando a cerveja. 

- Ah, já estou acostumado a quebrar regras. - disse ele, sorriso, dando um gole em sua bebida. 

E, assim, começaram a conversar. E a conversa rendeu. Rendeu tão bem que ele nem percebia as cervejas que bebia, nem as coisas que contava para um desconhecido. Claro que não contou nada comprometedor, mas sentia-se próximo dele, entendia seus desafios sendo gay. E por ser negro, ele também tinha um dose extra de problemas na vida. Apesar de ficarem a maior parte da conversa falando das merdas da vida, não faltaram risadas, olhares e toques discretos. Horas depois, estavam mais leves e bêbados, com um tesão evidente com os bancos que ficavam cada vez mais próximos no balcão do bar, com as coxas se encostando ocasionalmente.



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