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História Behind the lies - Capítulo 19


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Capítulo 19 - Capítulo dezenove


Mael me acompanhava até a porta. Descendo as escadas não pude deixar de me perguntar sobre a tal Elise... garota mal educada, nem me cumprimentou. Claramente eles têm algum relacionamento já que ela tem a chave de sua casa e também pela forma que agiu, achei que fosse agarrá-lo bem ali, na minha frente. Então o boato de que seria gay não é verdadeiro, ele pode ser bissexual, claro, mas não gay... Enfim, com quem ele dorme não é da minha conta, então por que não consigo deixar de ficar curiosa?

Distraída, tropecei no meu próprio pé e quase rolei escada abaixo, para minha sorte, Mael estava na frente e agiu depressa.

- Cuidado! - Seus braços quentes se fecharam em torno dos meus.

- Desculpa, sou uma desastrada... - Nossos rostos estavam próximos, podia sentir o calor da sua respiração e um leve aroma de baunilha.

Tudo aconteceu muito rápido, mas pareceu uma eternidade. Ficamos a olhar um pro outro, tive vontade de afastar o cabelo que caía sob seu rosto para ver melhor os olhos que me encaravam. A buzina do táxi me tirou daquele transe, nos separamos. Lhe agradeci uma última vez e corri até o veículo que me esperava. 

Passei meu endereço ao motorista enquanto afundava no banco de trás, meu coração batia forte. O que diabos acabou de acontecer? Pare de bater desse jeito, coração idiota. Busquei o celular na bolsa, haviam várias mensagens e chamadas não atendidas, comecei abrindo a de Lucinda. 

"Graças a deus você deu sinal de vida, estávamos preocupados. Nosso vôo foi cancelado devido à uma tempestade de granizo que se aproxima então provavelmente só chegaremos amanhã. Se cuide, boa noite  Nós te amamos."

Fiquei chocada com tamanha afeição já que não estávamos mais tão próximas, talvez ela tenha interpretado a mensagem que Mael enviou como uma tentativa de reconciliação... Tanto faz. Pelo menos acreditou na desculpa, algo a menos pra me preocupar. 

Abri então o chat de Matt, devia ter pelo menos umas trinta mensagens, todas pedidos de desculpas e justificativas. Ler aquilo me enfureceu, eu poderia ter minha parcela de culpa no que aconteceu, mas ele mentiu pra mim, me enganou descaradamente e ainda me deixou sozinha na casa do seu amigo. 

- Moça, chegamos. - A voz grave do homem me trouxe de volta.

Paguei a corrida e entrei no prédio. No elevador, apertei o número para o andar de Matt. Nem pensar que vou dormir com tudo isso entalado na garganta. Ele vai me ouvir! 

Frente à porta, amarelei. O que eu diria afinal? Ele não mora sozinho, e se tiver alguém lá? Além disso, ja é tarde... eu deveria ir embora. Me virei para partir, mas a porta se abriu subitamente.

- Posso ajudar? - Uma mulher de meia idade trajando vestido colado e muito bem arrumada me olhava com a sobrancelha erguida.

- Hm... É... - Tarde demais para voltar atrás. - Estudo com o Matt, gostaria de vê-lo, ele está?

- Oh, amiga do Louis. - Ela sorriu com simpatia. - Entre, ele está no banho mas já já sai. - Obedeci com um sorriso. - Vou sair agora, mas fique à vontade.

Assim ela se foi. Fiquei parada com cara de paisagem no meio na enorme sala, chamei mas não obtive resposta. Comecei a andar um pouco observando a grandiosidade das obras de arte caras que enfeitavam as paredes. Segui então o som da água, imaginei que me levaria ao banheiro onde ele estava. Bati na porta, queria avisar da minha presença.  

- Já vou. Você não precisa ficar me apressando, mãe. - Seu tom era ríspido, imaginei a surpresa que teria ao me encontrar aqui, isso me fez querer rir. - Pronto. Satisf... - Parou de falar ao ver. - Dahlia?

Meus olhos foram automaticamente na direção do seu torso nu. Ele segurava uma toalha na cabeça enquanto outra estava na cintura, imaginei que seu porte era atlético, mas não tanto assim. Deus, que corpo!

- Olá? Terra para Dahlia... - Ele havia se inclinado e acenava em frente ao meu rosto. - Está me ouvindo?

- Você deveria se vestir. - Me afastei.

- E você não deveria estar aqui. Como entrou?

- Sua mãe abriu pra mim... - Desviei o olhar. Concentre-se!

- Oh, então ela já foi... Só um minuto. Vou colocar uma roupa e já volto. Me espera na sala. Ah, e não faça barulho, minha irmã está dormindo. 

Sentei no sofá tentando afastar da mente a imagem daquele abdômen sarado.  Tenho que parar de ser tão superficial... Não demorou até que ele voltasse, o fato de estar vestido me ajudou a manter a concentração.

- Então... Você tá bem? - Fiz cara feia quando sentou ao meu lado. - Muito brava?

- Sim, Mattew.

- Com razão... Eu sinto muito, Dahlia. De verdade. Acho que já leu minhas mensagens né? - Fiz que sim com a cabeça. - E... viu o vídeo?

- Tinha como não ver?

- É culpa do Ronald, aquele imbecil. Ele vai pagar por isso.

- Não foi ele quem mentiu pra mim dizendo que a bebida não tinha álcool ou me abandonou bêbada na casa de outra pessoa.

- Escuta, eu poderia tentar me justificar dizendo que só queria que você se dovertisse, mas seria mentira. Quanto à ter te deicado no Mael, so fiz isso pois sabia que ele te trataria bem. Não podia deixar seus pais te verem naquele estado... - Suspirou. - Está arrependida do beijo?

- Mattew, que beijo? Eu nem saberia que aconteceu se não fosse por esse vídeo idiota. Não significou nada além de um abuso pra mim. 

- Tão sincera... Eu acho que tenho de ser franco com você também. - Lancei um olhar questionador. - Quis te beijar desde a primeira vez que te encontrei no parque, mas acho que não pelos motivos certos.

- Como assim?

- Talvez um complexo de inferioridade ou algo do tipo. Eu queria mostrar pro Jayce que conseguiria ficar com sua ex, ainda mais depois daquele dia que ele veio até o prédio. Quis me vingar dele e da Madeline, imaginei tantas vezes a cara dos dois quando descobrissem que estávamos juntos... Quando as aulas começaram, fiz uma aposta com os meninos. Nela, o Luciel conquistaria a outra aluna nova, Caroline.

- Carolina. - Corrigi.

- Isso. E eu, ficaria com você. Achei que te levar pra cama seria fácil e me faria esquecer um pouco da humilhação que sentia, quis provar pra mim mesmo que era capaz. Então aproveitei a festa, te dei bebida, mesmo assim você ainda me rejeitava. Estava ficando meio frustrado, por isso continuei insistindo. Só que... Quando finalmente te beijei, tudo o que consegui foi me sentir um lixo.

- Você é um idiota. - Levantei do sofá.

- Eu sei, não me orgulho disso. As vezes demoro a ver que fiz merda, não sou tão perceptivo. Quase não dormi desde que voltei pra casa, a culpa não deixou. Sei que tenho sido detestável com você, e agora provavelmente joguei fora a amizade que estávamos construindo, mas não quero mais mentir. Você não merece isso. - Sua honestidade me pegou de surpresa, de repente, não tinha mais tanto a dizer.

- Eu juro que tô tentando entender, me colocar no seu lugar,  mas tá difícil...

- Você é incrível, sabia? Mesmo nessa situação ainda pensa em mim. Quero aprender a ser alguém melhor, aí quem sabe você não me rejeite. - Ele riu.

- Matt... isso é tudo o que eu não preciso agora. Não quero alguém que pense em mim de forma romântica, preciso de um amigo, alguém com quem contar. Se as suas intenções não forem as mesmas que as minhas, sugiro que nos afastemos.


- Entendo... nesse caso, tentarei ser o amigo que você precisa. Se me permitir, claro...

suas palavras me pegaram de surpresa, elas pareciam tão  sinceras que tive dificuldade em absorver. sem ter mais o que falar, voltei pro meu apartamento. 

Tomei um banho quente e demorado, após comer, me joguei na cama enrolada aos lençóis, não tinha disposição física ou mental para mais nada. Apenas fiquei ali processando os fatos até dormir. Sonhei com todas as minhas inseguranças reunidas, um verdadeiro inferno. Acordei de madrugada, torcendo para que a manhã chegasse depressa, então ocuparia minha mente e não pensaria mais em toda essa merda. 



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