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História Behind the lies - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Capítulo dois


- Hey, parceira de chifre, então foi em você que esbarrei. 

- Como?

- Sinto muito, estava distraído, você se machucou?

- Não, está tudo bem... Mas do que você me chamou?

- Ah, isso? Parceira de chifre é um apelido carinhoso que coloquei na minha salvadora. Não gostou?

- Não.

- Que pena, vou ter que encontrar outro apelido então.

- Você pode me chamar pelo meu nome...

- Você... - Matt apontou para mim. - Não seja estraga prazeres. - Ele me olhou um tempo em silêncio. - Você está bem?

- Sim, não se preocupe, não me machuquei.

- Bem... não era disso que eu estava falando, na verdade. - Desviou o olhar, constrangido e logo entendi do que se tratava.

- Prefiro não falar sobre isso agora.

- Desculpe, não quis parecer intrometido. Sei que mal nos conhecemos mas... - Ele parou a frase no meio e suspirou. - Esquece. Então, o que faz aqui? está perdida?

- Correndo. - Apontei para os meus tênis.

- Tão longe... você deve ter fôlego, atravessar metade da cidade pra vir chegar aqui... Que inveja. por favor, me dê um pouco da sua disposição! - Ele adotou um tom dramático.

- Você está enganado, não moro mais lá... me mudei ontem e resolvi explorar as redondezas para me habituar. - Ele colocou a mão no queixo e fez uma cara engraçada. 

- Agora está fazendo sentido.

- E você, o que faz aqui?

- Eu tinha que encontrar com um amigo mas ele me deu um bolo. Estou esperando a mais de uma hora...

- Por que não liga pra ele?

- Pensei nisso, mas esqueci o celular em casa...

- Isso é um problema. - Vi seu rosto se iluminar ao me olhar novamente.

- A senhorita poderia me emprestar seu telefone para que eu possa falar com aquele cretino? - O sorriso exagerado e tom formal me fizeram rir.

- Sinto muito, mas assim como o senhor, deixei meu aparelho celular ultra moderno em minha residência. - Respondi no mesmo tom. 

- Hahahaha que pena. Parece que não é hoje que a senhorita irá me salvar novamente. 

- Parece que não...

- Valeu a tentativa. Está indo pra casa?

- Exato.  

- E para qual lado a dama mora? - Apontei para a esquerda.

- Que feliz coincidência, é o meu caminho, posso te acompanhar?

- À vontade.

Caminhamos lado a lado enquanto conversávamos sobre várias coisas. Matt me falou que aquela área era geralmente segura, mas não deveria baixar a guarda porque vez ou outra haviam sequestros e assaltos por ali. Essa informação me assustou, visto que o meu antigo bairro era realmente pacífico. Tomarei mais cuidado. Falamos sobre nossas respectivas vidas e famílias. Fiquei sabendo que ele mora com a mãe divorciada e uma irmã mais nova. Eles se mudaram a mais ou menos cinco anos quando seus pais se separaram. O assunto fluiu de forma muito natural, parecia que nos conhecíamos a muito tempo. Coincidentemente, além de morarmos no mesmo prédio,  separados apenas por três andares, ele também frequenta a X Academy. Segundo ele, a escola é um verdadeiro antro de pessoas esnobes e problemáticas, mas algumas poucas são legais. Claro que ele se incluiu na última descrição. 
Presa à conversa, o caminho de volta pareceu bem mais curto. Entramos no prédio e pegamos o elevador.

- Terceiro andar, certo?

- Isso.- Ele apertou o botão e se virou para me encarar.

- Visto as coincidências que nos uniram, acho que seria um desperdício não pedir o seu número. 

- Ah... Eu... hm... acredito que você não tenha uma caneta ou local pra anotar, não?

- Na verdade... - Ele mexeu nos bolsos. - Aqui! - Me entregou uma caneta cor de rosa.

- Não vou nem perguntar o porquê de você estar com isso...

- Se eu te contasse, teria que te matar, querida. - Nós rimos.

- Então, onde eu anoto? - Ele me estendeu sua mão. - Sério?

- Sim! Melhor se apressar, seu andar está chegando...

Optei por escrever no seu pulso. assim que terminei, as portas se abriram. 

- Tchau, obrigado pela companhia e pelo telefone. - Ele piscou e deu um meio sorriso.

Acenei enquanto as portas se fechavam. Entrei e fui direto pro banho. Em seguida, comecei a fazer o almoço. Meus pais não virão para casa e eu poderia pedir comida, mas adoro cozinhar. 

Algumas horas mais tarde, quando estava concentrada lendo um livro de mistério, muito interessante diga-se de passagem, meu celular toca, sinalizando uma nova mensagem.

 

"Hey senhorita, aqui é  o Matt, por favor salve meu numero"

"contato salvo" - Respondi. A mensagem foi lida instantaneamente.

 "sei que você não quer tocar no assunto, só quero reforçar que estarei aqui caso queira conversar"

Faz dois dias que estou tentando fugir disso, fingindo que nada aconteceu, mas agora, quando penso... ainda não me sinto pronta para falar sobre isso. Mas.. talvez ele queira desabafar?

" E você, como está com isso?" - Enviei.

" não muito bem, na verdade"

"Eu gostava muito dela, estávamos juntos a quase um ano... essas coisas não se vão assim, do nada."

"talvez não pareça, mas estou muito magoado"

"Só que não vou deixar isso acabar com os meus dias, entende?"

" entendo." - Respondi.

"desculpaa, você disse que não queria falar sobre, mas acabei te forçando a aturar meu desabafo."

" não tem problema."

" não vou fazer isso de novo. mais uma vez, desculpe"

"Que tal virar a página e não tocar mais no assunto?" enviei, relutante.

"Fechado!"

Passamos algumas horas fazendo brincadeiras sobre nossos problemas e conversando trivialidades. O Matt é um cara muito legal, não entendo como Madeline pôde enganá-lo assim. Espero que ele fique bem...espero que nós fiquemos bem. 

Os dias foram passando lentamente enquanto eu estabeleci uma nova rotina: Passei a correr todas as manhãs, o que me fez sentir mais familiarizada com a região. Preparava todas as refeições e as vezes meus pais comiam comigo. Eles elogiavam tudo o que eu fazia: da simples salada ao prato mais complexo. Isso me faz sentir feliz. 

Frequentemente tenho trocado mensagens com Matt. Desde aquele dia no parque não nos vimos pessoalmente, mas ele está sempre me convidando pra passear ou ir no apartamento dele jogar video game. Talvez um dia eu aceite. Hoje mamãe está de folga e resolvemos passar o dia juntas, esses momentos são sempre agradáveis. Ela me conta as novidades do hospital, ouço atentamente, sua profissão me fascina. Ser capaz de salvar vidas é algo que acho muito bonito. Fico feliz em ver que ela tem ganhado cada vez mais reconhecimento como cirurgiã geral. Ela parece realmente realizada com seu trabalho.

Na hora do almoço conto sobre meu novo amigo/vizinho e ex de Madeline.

- E como ele é? - Ela pergunta. 

- Divertido, é fácil de conversar com ele.  

- Oras, não é disso que estou falando. Me diga como ele é fisicamente!

- mãaaaaae! - digo, surpresa.

- Vamos, conte!

- hmm... - Fiz cara feia.

- Não seja boba, só quero saber se já o vi pelo prédio. nada de interesses ocultos, prometo! - Ela sorri.

- Bom... Ele é um mais alto que eu... pele morena, cabelo escuro um pouco abaixo dos ombros... Deixa eu ver... Ah, e olhos azuis.

- Parece atraente. Acho que ainda não tive a chance de vê-lo por aqui.

- É... Talvez você o veja qualquer dia...

- E vocês, tem se visto?

- Não, só trocamos mensagens as vezes. Mas ele me chama pra sair as vezes.

- E por que não vai?

- Hmm, não sei... 

- Filha, você precisa se divertir. passar o resto das suas férias presa em casa lendo esses seus livros esquisitos não é a melhor maneira de aproveitar. 

- Gosto de ler.

- Eu sei... Mas vá fazer amigos. Esse rapaz estuda na mesma escola que você vai começar a frequentar, já pensou na sorte que teve em encontrar um amigo tão depressa?

- Sim... bem... não sei.
Suas palavras me encorajaram, de certa forma, fiquei com elas na cabeça até o fim do dia. Papai saiu mais cedo do trabalho para nos acompanhar no jantar. À noite, fui terminar meu livro, faltava apenas um capítulo que devorei em minutos. Então me joguei na cama para ruminar o enredo. Sempre faço isso, avalio tudo o que li e penso sobre a história. Essa foi muito interessante e me manteve presa até a última linha. Levantei para guardar o livro na prateleira. Ele era o último que tinha para ler... talvez devesse passar na livraria amanhã.
Pensando nisso, fui escovar os dentes para enfim dormir. Quando retornei, a tela do meu celular estava acesa, uma nova mensagem chegara. 

"Diga, você gosta de livros?" - Sorri ao ver quem era o remetente.  

"então quer dizer que agora você ler pensamentos? acabei com meu acervo "

"sério?"

"infelizmente  :("

"Então tenho uma proposta para lhe fazer, bela dama"

"proposta? qual?"

" que tal vir comigo ao café-livraria do meu amigo amanhã?"

"Onde fica isso?"

"um pouco longe... Mas você vai gostar"

"fiquei de comprar um livro para minha irmã. pensei em aproveitar para passar um tempo com você."

"Então, o que me diz? sim ou com certeza?"

"o que você é? um ditador?" - Sorri ao imaginar ele sendo mandão.

"visto que a senhorita tem recusado todos os meus convite, sim, esta é  minha ditadura!"

"a que horas passo aí?"

"Você deu sorte, preciso de algo para ler." 

"pode ser depois do almoço?"

"issoooooooo!!!! XD XD"

"Acho que vou reconsiderar e ir na livraria da esquina..." - Respondi de brincadeira. 

"nada disso! amanhã após o almoço. Esteja pronta!"

"temos um encontro"

"Durma bem, my lady"

"Boa noite." - Me despedi.

 

Um encontro? Matt certamente tem um estranho modo de falar. Nos conhecemos a pouco tempo mas já deu para notar que ele é alguém extrovertido que gosta de fazer brincadeiras. Sua companhia é agradável, acho que vai ser bom sair com ele amanhã.

Desliguei as luzes. Hora de dormir.



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