1. Spirit Fanfics >
  2. Behind the lies >
  3. Capítulo três

História Behind the lies - Capítulo 3


Escrita por:


Capítulo 3 - Capítulo três


Acordei mau humorada, havia sonhado com Madeleine, que no sonho, me contava o quanto ela e meu ex estavam felizes desde que eu parti. Tive que assistir os dois aos amassos bem na minha frente sem poder fazer nada! Como odeio essa sensação de impotência, detesto sentir como se a culpa tivesse sido minha... parece que há um vazio latejando em meu peito, enquanto na minha cabeça uma voz sorrateira sussurra que eu poderia ter evitado, que deveria ter sido mais atenciosa... Me encolhi debaixo das cobertas e sem saber ao certo o porquê, chorei.

Após algumas horas de lágrimas e soluços, consegui encontrar a paz no sono, dessa vez não tive sonho algum. Acordei com o toque do meu telefone que estava no criado mudo. Estiquei o braço para pegá -lo, sem muita vontade. 

- Hey, dama!

- Hmm - Resmunguei ao perceber de quem se tratava. - Por que está me ligando tão cedo?

- Cedo? não diga que estava dormindo...

- É, estava.  

- Olhe o seu relógio, já são 13:00h, achei que tínhamos um encontro. - Afastei o celular da orelha para verificar. Droga! Sério que fiquei na cama a manhã inteira? - Como não respondia minhas mensagens resolvi ligar.

- Desculpe...

- Sem problemas. Mas... você ainda vai? - seu tom de voz parecia apreensivo. 

- É... Sim... 

- Ótimo, em quanto tempo você fica pronta? 

- 15 minutos, eu acho... - Me levantei pra pegar um vestido no closet. 

- Então passo aí daqui a pouco, tudo bem?

- Okay. - Desliguei.

Corri para o banho. Sem tempo para muita coisa, fiz um coque no cabelo ainda embaraçado e calcei o primeiro sapato que vi. Me olhei no espelho rapidamente, minhas olheiras denunciavam a noite mal dormida. Olhos avermelhados e um pouco inchados, pensei em passar  maquiagem para disfarçar, mas a campainha logo tocou. Peguei a carteira e uma bolsa, projetei minha expressão mais amigável no rosto.

- Olá. - Sorri.

- Nossa, você tá péssima. - Revirei os olhos. - Dia difícil?

- Noite difícil. Vamos? - Entendendo minha falta de de entusiasmo em falar sobre isso, ele logo mudou de assunto. 

- Já tem em mente algum livro que queira comprar?

- Alguns. E você?

- O ideal seria encontrar O pequeno Príncipe, minha irmãzinha não para de falar nele desde que viu o filme. - Seus olhos se iluminam ao falar dela. 

- Ela tem bom gosto. É uma história tocante.

- O que você gosta de ler?

- Acho que um pouco de tudo, sabe. Se a história me prender, não paro até terminar. Além de livros infantis, você lê?

- Claro que leio, os livros da escola contam?

- Hahahaha NÃO! 

- Que pena... - Ele fez biquinho e baixou os olhos.

- Não fique triste, pequeno Matt - Dei tapinhas em seu ombro. - Posso lhe emprestar algumas obras.

- Nem pensar! - Ele sorriu. - Papel não é minha praia. 

- E qual é sua praia, senhor surfista?

- Você está tentando me zoar? - O vi estreitar os olhos. 

- Nunca. - Fiz um ar inocente. 

- Nerd! - Matt apertou meu nariz e ambos rimos. 

O longo trajeto entre o apartamento e a rua que dava para o café/livraria foi divertido, assim como da primeira vez que estive na companhia dele. Ao chegarmos perto, matt apontou para uma placa onde estava escrito "Cup of book".

- Xícara de livro, sério?

- Admita que é bem original.

- Okay, admito. Mas se você fizer algum trocadilho com esse nome eu juro por Deus que te mato. 

- Hahahahaha...

Quando entramos senti o aroma agradável de café. O local estava movimentado, havia várias pessoas na área dos livros e poucas mesas vagas na lanchonete. A decoração era aconchegante e lembrava a época vitoriana. 

- Estou vendo seus olhos brilharem... - Matt sorriu com malícia . - Me diga, nerd, seria essa sua ideia de paraíso? 

- Chega bem perto.

- Ah, droga! - Olhei confusa - Vou te perder pro Mael.

- Como? 

- Aquele cretino é uma traça de biblioteca assim como você. - Fingiu estar indignado. - Vocês vão se dar bem e me largar porque sou legal de mais para estar preso entre essas estantes. 

Vendo essa encenação, ri com vontade. Algumas pessoas me olharam feio e pediram silêncio, o que fez Matt ter que segurar sua risada. 

- Vou procurar o Mael, já te encontro. - Falou, em tom baixo. 

- Estarei entre as estantes. - Sorri. 

Observei ele seguir rumo à cozinha, no caminho, cumprimentou algumas pessoas, pelo jeito como se sente em casa, deve vir muito aqui, pensei.

Pulei de título à título nas prateleiras. Não queria romance ou drama, a realidade já me bastava. Precisava de algo mais visceral, sangrento, Cru. Hummm... mistério, horror, terror, psicológico...

Selecionei alguns que me interessavam. 

- Não consigo decidir... - Falei comigo mesma.

- São bons títulos. - ouvi uma voz suave vinda de trás. Me virei para ver a quem pertencia. Um rapaz albino de cabelos cinzentos e olhos verdes me olhava.

- Desculpe, Não quis ser intrometido. - Ele coçou a nuca e desviou o olhar um pouco constrangido. - É que... você estava falando sobre não conseguir decidir... e como já os li, achei que pudesse tentar... ajudar...

- Oh, sim, claro. - Percebi que estava o encarando meio boquiaberta, então olhei para os livros em minhas mãos. - Você já leu todos eles? 

- Bom... Sim. Na verdade As histórias são legais, só que por exemplo... posso? - Ele pegou um dos livros - Este. A autora enrola muito, daí quando você descobre o que queria, não é mais tão importante assim, entende?

- Livro dispensado então. Esse tipo de narrativa não é o que eu preciso agora. 

- E que você busca? - Seu olhar estava grudado no meu, por um instante tive vontade de afastar os cabelos que cobriam seu olho esquerdo. 

- Não sei... talvez... algo longe da realidade.  

- Contos te interessam?

- Sim. 

- Então... - Vi sua mão se mover habilmente sob as lombadas dos livros na prateleira. - Acho que está... aqui! - Ele me olhou com um sorriso triunfante e se aproximou. - Essa é uma coletânea de contos de terror e fantasia urbana de vários autores best sellers, co-editado pelo George R. R. Martin. 

- Ah, eu conheço alguns dos livros dele. - Falei empolgada  Game of thrones é uma das minhas sagas favoritas.

- Isso é ótimo. Acho que tem grandes chances de gostar desse. São contos bem curtos, eles fogem da realidade como você quer, impossível parar depois do primeiro. 

- Vou aceitar a sugestão. - Comecei a devolver os outros livros para os seus respectivos lugares, então me virei pro rapaz. - Obrigada. 

- Não agradeça ainda, primeiro leia e depois me diga o que achou. - Ele me entregou o livro com um sorriso gentil.

- Você trabalha aqui? - Perguntei. 

- Não exatamente. 

- Então como posso dizer se gostei ou não do livro que me indicou?

- Venho muito aqui, então se nos encontrarmos de novo, você me conta. 

- Okay. - Meu estômago, inconveniente, quebrou o silêncio roncando alto. - Desculpe. - Falei, constrangida. - Acho que eu deveria ir comer alguma coisa. Até a próxima.  

Nem esperei ele responder, tamanha era a vergonha que estava. Fui ate o caixa rapidamente e paguei pelo livro.  Em seguida me dirigi à uma mesa no canto, que estava livre e pedi um pedaço de torta. Humm está cheirando tão bem... Me pergunto onde o Matt se meteu. 
Sozinha, direcionei um olhar mais atento ao lugar. Não era um local gigante, mas tinha tamanho suficiente para pessoas distraídas se desencontratem, assumi, então, que Matt e eu somos provavelmente distraídos e nos desencontramos.

Devorei minha torta em segundos, sendo insuficiente para matar minha fome, pedi mais algumas guloseimas. 
Atenta à comida, não notei que havia alguém ali até este falar. 

- Você comeu alguma coisa hoje? - Ele sentou de frente à mim.

- Comi isso. - Apontei pro meu salgado. 

- Muito saudável. - Matt revirou os olhos. 

- Encontrou seu amigo?

- Sim, claro. Encarreguei ele de procurar meu exemplar do Pequeno Príncipe.

- Os livros não vão te morder se você for procurar, sabia? - Tomei um gole de suco. Que delícia!

- Prefiro não arriscar. Além disso, ele vai encontrar mais rápido que eu. 

Matt pediu uma limonada e continuamos a conversar por um tempo. Duas das garçonetes, que pareciam ser apenas um pouco mais velhas que nós, paqueravam ele descaradamente, o que nos fazia rir. Fiquei provocando com o fato de ele fazer sucesso entre as garotas mais velhas enquanto ele me provocava, dizendo que eu tinha um buraco negro na barriga, já que comia de mais. 

- Acho que seu amigo te esqueceu.

- Ele não pode.

- Por que? - Questionei. 

- Ele precisa de ajuda com uma coisa, eu disse que ajudaria se me trouxesse aquele exemplar.  - Matt lança um olhar malicioso à area dos livros. - Você vai ver,  em breve ele vai estar por aqui. 

- Espero que sim, já ficamos muito tempo, está na hora de ir. 

- Não diga isso, faz parecer que não gosta da minha presença. 

- Não foi isso que eu disse. 

- Mas pensou. 

- Não.

- Sim!

- Olá. - Uma voz interrompe nossa discussão infantil. - Atrapalho? - O mesmo garoto de antes está parado ao lado da nossa mesa.

- Nossa! Você demorou, foi fabricar o livro? - Matt responde. 

O rapaz ri mas não diz nada. então se vira pra mim.

- Olá de novo. Então você é a amiga desse ser peculiar?

- Peculiar? Você tá me xingando de forma educada?

- Estou. 

- Ora seu....

Me divirto vendo eles se alfinetarem, parecem ser realmente próximos.

- Não vai mesmo me apresentar sua amiga?

- Pra você roubá-la de mim? Jamais. 

- Então eu me apresento. - Ele sentou ao meu lado e me estendeu a mão. - Me chamo Mael, é um prazer te conhecer, senhorita...?

- Dahlia. - apertei sua mão. ele deu um aperto suave e logo soltou. 

- Dahlia, como a flor?

- Isso.

- É um belo nome. O Louis falou muito de você, estava curioso pra te conhecer.

- Louis?

- Oh meu Deus, não... - Matt suspirou, fingindo impaciência.  - Esse é meu primeiro nome... mas prefiro que me chamem de Matt! - Seu tom inquisitivo se dirigiu ao amigo. - Mael, você está pronto? Nossa bela flor aqui já quer ir pra casa. 

- Claro. só vou pegar a mochila. - Ele deu de ombros e se levantou.

- E o livro? 

- Já está guardado, não se preocupe. Vocês podem esperar lá fora se quiserem.

Fizemos como Mael havia dito, ele não demorou muito a chegar com a mochila preta nas costas. Fomos rumo ao condomínio. Conversamos e pude conhecer Mael um pouco melhor. Ele também frequenta a X Academy na mesma turma do Matt, mas é mais velho que nós um ano. Não contou grandes detalhes sobre sua vida, parecia mais reservado que seu amigo, mas é extremamente gentil e estava sempre me incluindo nas conversas para que eu não me sentisse deixada de lado. 

Chegando ao prédio, fui avisada que havia alguém querendo me ver, e estava na sala de espera . 

- Olha, uma visita, estou curioso, vamos ver quem é!

- Matt, não é da nossa conta.

- Tudo bem. - Falei.. - Vocês podem ir comigo se quiserem... - Acho que os rapazes sentiram a apreensão na minha voz, pois fizeram apenas sinal de "sim" com a cabeça, e me acompanharam. 

Entrando na sala, os meus medos se materializaram. Ele estava ali. Alto, forte e ruivo. Lindo como sempre... meu coração desabou e eu paralisei. Como esse desgraçado conseguiu meu endereço?

- Dahlia, meu amor, estava te esperando. - Ele sorriu daquele jeito que me desarmava. 

- O que você... Como? - As palavras não saíam da minha boca.

- Jayce, meu querido, o que você procura aqui? - Matt adotou um tom debochado e pôs um braço ao redor dos meus ombros. 

- Isso não te interessa, Mattew. Tira as mãos da minha namorada. - Seu tom ameaçador me arrancou um riso sarcástico. 

- Ex, Jayce. Não tenho nada a falar com você. Adeus. - Virei e comecei a andar com os meninos logo atrás de mim. 

- Espera, Dahlia! - Não parei. - A sua mãe... ela me deu o endereço e disse que eu podia vir aqui.  

- Não. Ela não faria isso! - Me virei, irritada. 

- Então como eu saberia chegar até aqui? -Não sabia o que responder. - Ei... eu só quero conversar, por favor. Em nome do que a gente viveu juntos, me dê ao menos a chance de me explicar. 

Eu estava confusa, furiosa, quebrada. Não sabia o que dizer. Por que isso tinha que acontecer? Por que minha própria mãe daria o endereço pro cara que me magoou? Não entendo....

- Você está bem? - A voz doce do Mael me tirou do meu transe. tinha esquecido que ele estava ali. 

- Desculpem... Eu...

- Uma última chance é tudo que te peço. - Jayce suplicou. 

- Ah, cale a boca seu filho da puta! - Olhei para Matt que parecia estar lutando contra a raiva, se isso continuasse, talvez ele perdesse o controle. 

- Minha conversa não é com você, esquentadinho. Fique fora disso. - Senti a tensão subir ainda mais.

- E se eu não quiser? - Matt adotou uma expressão sádica que até então eu desconhecia. Ele deu um passo à frente e eu segurei seu pulso.

- Não vamos brigar por nada... isso traria problemas pros nossos pais, você sabe, as regras do condomín...

- Que se dane! - Ele falou alto e puxou o braço abruptamente. Fiquei boquiaberta.

- Já chega, Matt! - Mael falou no mesmo tom. sua voz, antes gentil, agora era firme e gélida. - Não vale à pena. Vamos subir. - Ele pôs a mão no ombro do amigo.

- Isso, Mattew, obedeça seu amiguinho! - Jayce debochou.

- Oh, por favor, cale a boca! - Fuzilei-o com o olhar. - Diga logo o que veio dizer e vá embora.

- Gostaria de conversar pessoalmente... posso subir?

- Que inferno! - Matt me olhou. - Vai mesmo ouvir esse bosta?

- Isso não é problema seu, vamos embora, - Mael me olhou como se pedindo desculpas, em seguida se afastou levando o amigo.

Observei os dois pegarem o elevador e então me virei.

- Você tá louco?

- Como?

- Vem no meu prédio, insulta meu amigo. Amigo esse que você destruiu o relacionamento. Não bastava jogar fora o nosso, tinha que ser com alguém que já namorava!

- Desculpa, eu... - Ele se aproximou de mim. 

- Não me toca! - Falei mais alto do que pretendia. Com isso, o porteiro se aproximou e pediu "educadamente" para nos retirarmos dali, se não o fizessemos, ele iria nos colocar para fora e reportar ao síndico.

- Desculpe, senhor. Não será necessário fazer isso. Não incomodaremos mais. - Me voltei ao Jayce. - Vamos subir.


Notas Finais


O livro de contos é o Ruas Estranhas.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...