História Behind the roses - Capítulo 28


Escrita por:

Postado
Categorias My Chemical Romance
Personagens Bob Bryar, Frank Iero, Gerard Way, Mikey Way, Ray Toro
Tags Frerard
Visualizações 56
Palavras 2.084
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Boa leitura!

Capítulo 28 - XXVIII - Three, four, better lock your door...


Ray, Marien e Bob voltaram para casa juntos no início da noite de domingo, após passarem o final de semana fora. Ray, como prometido, levara Marien para fora da cidade. No sábado, os dois foram para Atlantic City, e se perderam em meio ao agito da “mini Vegas”, passeando pelo calçadão na beira da praia, visitando os hotéis cassinos e até saindo para beber alguns drinks em uma casa noturna, como verdadeiros turistas.

O sábado de Bob fora menos aventureiro, mas igualmente apreciado por ele: decidiu visitar uma tia muito querida, a qual não via há algum tempo, e passou o dia sendo paparicado e alimentado por ela como se estivesse na casa de uma avó. Como forma de auxiliá-la e retribuir a atenção que recebera, aproveitou para realizar alguns pequenos reparos na casa, evitando que ela tivesse de contratar alguém especificamente para isso. Os dois terminaram o sábado assistindo a uma nostálgica seleção de seriados clássicos, gravados em fitas cassetes que foram reproduzidas no aparelho que ela ainda conservava.

No domingo, Bob se reuniu à Marien e Ray em Jackson, onde aproveitaram um pouco as montanhas russas do parque Six Flags com um “passe fura fila”, e foi dessa cidade que eles se deslocaram de volta para casa ao entardecer, com o estômago um bocado revirado e as cabeças nas nuvens.

O quintal escuro da casa não denunciava nada de anormal, exceto que a grama precisava ser aparada. Ray adicionou uma nota mental para resolver essa questão o quanto antes, enquanto os três caminhavam em direção à entrada da cozinha. Bob encarregou-se de abrir a porta, e estranhou ao perceber a fechadura quebrada e certa resistência do lado de dentro. Ao adentrar a cozinha, os três alarmaram-se diante do cenário que se estendia à sua frente.

A cozinha estava completamente revirada. A louça dos armários estava espalhada por todo o chão e pelas superfícies dos móveis, algumas quebradas em múltiplos pedaços que tornavam impossível reconhecer o que foram um dia, outras intactas – ou quase, exceto por uma rachadura ou lasca. As portas dos móveis estavam abertas e seu conteúdo havia sido tragado para o meio da bagunça. A despensa aparentemente havia sido esvaziada, e seu conteúdo também estava distribuído por toda parte, misturado aos restos de comida que foram tirados da geladeira. Ketchup, mostarda e maionese manchavam os móveis como se alguém houvesse segurado os tubos abertos e sacudido. No meio de toda essa bagunça estava Frank, segurando uma bacia apoiada no quadril, e uma faca na mão livre, observando-os com uma expressão de medo que logo se tranquilizou diante do reconhecimento.

– Ufa... Ainda bem que são vocês... – Frank suspirou com alívio, enfiando a faca na bacia junto com as demais coisas que encontrara intactas pelo chão. – Eu estava morrendo de medo de que alguém voltasse enquanto eu estou sozinho aqui. Ou de que alguém surgisse de dentro de casa, mesmo que isso seja impossível... Tudo que vocês puderem imaginar já passou pela minha cabeça.

Frank largou a bacia sobre a mesa e esfregou as mãos no rosto, parecendo subitamente cansado.

– Mas o que diabos aconteceu aqui?! – perguntou Ray, dando voz à pergunta que todos queriam fazer.

Frank tirou as mãos do rosto e cruzou os braços.

– A casa foi invadida. A polícia acha que foi mais de uma pessoa, dada a destruição do restante dos cômodos. Algumas coisas foram levadas, e o que não foi levado foi destruído ou bagunçado. – Frank balançou a cabeça, como se ainda fosse difícil acreditar em suas próprias palavras. – Gerard está tentando resolver a parte burocrática da situação e eu decidi ficar, esperando que vocês chegassem para que não se assustassem com tudo isso e acabassem chamando a polícia de novo.

Bob avançou em direção ao corredor, onde a situação não parecia melhor, enquanto os outros o observavam. As roupas e pertences dos três eram visíveis saindo pela abertura das portas de seus quartos, emboladas.

Marien, cujo rosto se tornara lívido assim que se deparara com a cena, voltou-se para Frank com uma voz fraca.

– A polícia não tem nenhuma pista de quem possa ter sido?

– A câmera do portão não pegou nada? – interpelou Ray.

Frank balançou a cabeça em negativa.

– Eles não entraram pela frente, mas sim pelos fundos, por um buraco na cerca no canto do quintal. Eles passaram dias abrindo aquele buraco embaixo do nosso nariz e nenhum de nós percebeu.

Marien assentiu e puxou uma cadeira para sentar, sentindo-se um pouco tonta.

– Você está bem? – perguntou Ray.

– Vocês acham... Acham que pode ter sido... – ela gaguejou fracamente.

– Seu ex-namorado? – completou Ray.

Marien assentiu novamente.

– Eu acredito que não. – respondeu Frank. – Primeiro, ele não teria como saber que você está aqui. Você não tem saído – a única vez que saiu foi neste final de semana, mas Ray disse que vocês seriam cuidadosos, e a invasão já estava sendo planejada há mais tempo. Segundo, se ele viesse atrás de você, teria esperado você voltar quando percebeu que a casa estava vazia. – Marien estremeceu com a ideia. – A polícia revistou a casa inteira, do telhado ao chão, em todos os cantinhos, e não encontrou ninguém. Acho que foram outras pessoas.

Marien concordou.

– Ei, Ray – gritou Bob, que voltava do corredor depois de dar uma olhada nos quartos e deixar sua bolsa da viagem sobre sua cama bagunçada. – Lamento, mas o seu playground já era...

Ray revirou os olhos, ao que Frank sorriu com um pouco de pena. Sem dúvidas, dos empregados, Ray era quem mais possuía coisas passíveis de serem levadas e quem mais saíra prejudicado.

A porta da cozinha se abriu novamente, dessa vez dando entrada para Gerard.

– E então, como foi? – perguntou Frank, aproximando-se.

– Uma porcaria – resmungou. – Vão investigar, mas por enquanto não há nada que possam fazer. Sugeriram que eu contate o seguro e que reforce a segurança da casa.

– Você acha que o seguro pode fazer alguma coisa quanto ao que foi levado? – perguntou Frank.

– Não. Quem contratou esse seguro foi minha mãe, e o inventário deve estar cheio de bugigangas caras que nem estão mais aqui. Eu nunca atualizei.

Os cinco mergulharam em um silêncio pensativo.

– Bem, o que fazemos agora então? – perguntou Frank.

Gerard deu de ombros.

– Nesse caso, acho melhor arrumarmos primeiro a cozinha – sugeriu Frank. – Assim, podemos ver se sobrou alguma coisa que Bob possa preparar para o jantar. Depois, arrumamos os quartos para dormirmos.

– Ok, vamos fazer isso então – concordou Bob, se aproximando da bacia que Frank segurava anteriormente. – O que você estava fazendo aqui?

– Estava juntando tudo o que ainda está inteiro para podermos lavar.

– Ok, então você continua fazendo isso. Eu vou limpar a pia e começar a lavar essa louça. Depois que as coisas se acalmarem acho que seria uma boa ideia mandar arrumar a lava-louças. – Bob piscou para Gerard, uma atitude que Ray considerou abominável e desrespeitosa, mas Gerard apenas deu um sorriso cansado. – Se o senhor não se importar, pode juntar os cacos de louça para colocarmos no lixo, enquanto Ray varre o chão, e Marien limpa a mesa e o ketchup dos móveis.

Com todos de acordo, foi assim que o primeiro dos problemas foi resolvido.

...

Passava da uma hora da madrugada e Frank permanecia com os olhos bem abertos, deitado de lado na cama de Gerard, encarando o escuro do quarto e a porta aberta do closet, por onde ele entrevia mais uma porção da bagunça que se evidenciava por toda a casa.

Por sorte, com o trabalho em equipe sugerido por Bob, eles conseguiram limpar toda a cozinha, livrando-se dos alimentos estragados, objetos quebrados, e organizando o que restara em seus devidos lugares. Com seu local de trabalho organizado, Bob preparou o jantar com alguns dos alimentos que permaneceram utilizáveis, o que resultou em um delicioso macarrão espaguete com legumes. Nesta noite o jantar foi servido na cozinha, muito mais tarde do que de costume, e todos comeram juntos, absortos em seus próprios pensamentos.

Após o jantar, a porta quebrada da cozinha foi trancada – de uma maneira que não garantia que ninguém fosse entrar, mas pelo menos faria bastante alarde caso alguém tentasse – e todos se separaram para arrumar seus locais de descanso, recolhendo-se logo em seguida, pois o dia seguinte seria muito longo e cansativo.

Frank, no entanto, continuava tão acordado quanto no momento em que se deitara, a cabeça girando com inúmeros pensamentos. Erguia a cabeça a cada mínimo ruído, aguçando a audição e prestando atenção até concluir que não havia nada acontecendo, aconchegando-se novamente sem fechar os olhos. E se os ladrões voltassem para levar o que não conseguiram?

Frank sobressaltou-se com outro ruído, e repreendeu-se mentalmente ao perceber que era apenas um gemido de Gerard, provavelmente sonhando. Cansado de ficar deitado sem dormir, decidiu descer até a cozinha e talvez tomar alguma coisa. Poderia aproveitar para confirmar que a porta continuava trancada, e quem sabe assim seu cérebro entenderia que não havia nenhum perigo à vista.

Saiu da cama devagar, cobrindo seu lugar para manter a cama quente, e pegou seu celular para iluminar o caminho até a cozinha. Ao alcançar a porta no hall que levava à cozinha e aos quartos de seus colegas, percebeu que alguém tivera a mesma ideia que ele. Ao se aproximar, encontrou Marien, sentada em uma das cadeiras da cozinha, virada em direção à porta da rua, onde uma cadeira e alguns objetos pesados foram organizados em uma pilha, criando uma barreira. Um de seus braços estava sobre a mesa e ela segurava um copo de água.

Ao ouvir o som dos passos de Frank, ela se virou, observando-o com os olhos e o rosto vermelhos de quem havia chorado durante um bom tempo, mas já havia parado há alguns minutos, pois não havia mais lágrimas.

– Você está bem? – perguntou Frank, em voz baixa, mesmo sabendo que aquela era uma pergunta idiota.

Marien assentiu.

– Eu só estou morrendo de medo – admitiu, a voz mais firme do que Frank esperava encontrar, embora também em tom baixo para não acordar os colegas.

– Entendo...

– Desde que cheguei aqui e vi tudo revirado, a única coisa que passou pela minha cabeça foi “fuja!”. Eu estou me segurando nesse copo e nessa cadeira como se fossem uma âncora me impedindo de correr até o quarto, juntar minhas coisas e ir embora.

Frank queria dizer alguma coisa, mas tudo o que vinha à sua mente naquele momento – “vai ficar tudo bem”, “ele não esteve aqui, é apenas uma coincidência” “você não precisa ter medo” – não seria de nenhuma valia, somente palavras vazias que não significariam nada.

Contornou a mesa, sentou-se na cadeira do outro lado e pousou uma das mãos no braço dela, esperando oferecer um pouco de conforto e apoio.

– Algo seu foi levado? – perguntou.

– Só algumas jóias... você?

– Só percebi que uma bolsa sumiu, talvez tenham colocado coisas dentro dela pra levar...

Marien bebeu um gole de água, voltando para seu silêncio.

– Como ele é? – perguntou Frank de repente, a pergunta saltando de sua boca sem que ele pensasse.

Marien o encarou, um pouco atordoada com a pergunta repentina, mas levantou e deixou a cozinha. Voltou um instante depois e sentou-se novamente em seu lugar, estendendo uma fotografia para Frank.

A imagem mostrava um grupo de amigos sorridentes, incluindo Marien, que estava envolvida por um braço que vinha do lado direito. O restante da foto, onde o dono do braço estava, fora dobrado para trás. Ao desdobrá-la, Frank viu a imagem de um homem de pele bronzeada e cabelos castanhos curtos, mais alto que Marien e com aparência robusta, que a abraçava possessivamente. Frank sentiu uma estranha sensação de familiaridade ao vê-lo, mas não soube dizer de onde e decidiu não mencionar essa sensação.

– Qual o nome dele? – perguntou, em vez disso.

– Kevin.

Frank devolveu a foto. Marien observou os amigos na imagem e tornou a dobrar a parte com seu ex-namorado para trás.

– Vou voltar para a cama e tentar dormir – anunciou ela, erguendo-se e recolocando a cadeira no lugar. – Boa noite.

– Ok, boa noite.

Sozinho na cozinha, Frank tomou um copo de água e decidiu voltar para a cama também, pois ele ainda precisava trabalhar na manhã seguinte, e seria um desastre completo se não conseguisse dormir pelo menos um pouco.

Gerard continuava na mesma posição quando Frank voltou para o quarto. Envolvendo-o delicadamente com um dos braços para não acordá-lo, Frank se aconchegou contra seu corpo, e esperou mais algum tempo até o sono finalmente encontrá-lo, levando-o para um curto período de descanso antes de toda a loucura recomeçar.


Notas Finais


Espero que tenham gostado, beijos!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...