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História Beija-me Sem Medo - Capítulo 4


Escrita por: XiuminsWarrior e xiuminscafe

Notas do Autor


Olá! ~

Então, né kkkkkk
Aqui está o último capítulo e talvez o mais difícil que já escrevi. Desde 2015, quando comecei a escrever, que não tentava mais escrever cenas mais assim...Vocês sabem! Mas como, originalmente, essa fic seria apenas um orange, ele tinha que estar aqui. Eu que me empolguei e coloquei todo um pano de fundo para as personagens chegarem até aqui kkkkk
Então, peço desculpas caso haja algum erro, algum equívoco quanto ao conteúdo descrito aqui, de verdade. Dei meu máximo para que ficasse o mais natural e o mais bem escrito possível (insegurança a mil aqui ahauhs).

ENFIM

Espero que curta esse final e tenha uma boa leitura! Muito obrigada por ter chegado até aqui ♡♡♡

Capítulo 4 - She's My Religion


— Minnie… — Han levantou a mão no intuito de tocar o rosto de Minseok, mas ela recuou. — Não é isso que você tá pensando, eu…

— Ela não está pensando nada, não. — Yejin cruzou os braços, sorrindo de forma maliciosa. — Ela viu. E uma imagem vale mais que mil palavras.

— Cala essa boca. — Respondeu com raiva, voltando a focar na Kim, quem apenas desviou o olhar e nada disse. — Min, me ouve, precisa entender o que está…

Lu Han poderia esperar qualquer reação vinda de Minseok, ainda que fosse com gritos, tapas, insultos… No entanto, ela fez o que Han tinha mais medo: lhe ignorou. Saiu do local sem nem olhar para trás. O pior era que sabia que não era por mal, a conhecia tempo o suficiente para saber que ela jamais faria qualquer barraco, fosse qual fosse a situação. Mas doía. Doía porque o silêncio de Minseok misturado à decepção era a pior das respostas para si.

Ao usar a manga do casaco lilás para secar as lágrimas, a Lu virou novamente para a outra garota que ainda estava ali, a qual não demorou a provocar um pouco mais.

— Parece que voltamos para onde paramos. — Desencostou-se da parede. — Ainda podemos aproveitar o resto do tempo, já que não temos mais com que nos preocupar.

Han sorriu fraco, fingindo baixar a guarda ao notar a aproximação lenta de Yejin. Então, quando a teve tocando seus braços, a segurou pelos ombros e a prendeu na parede novamente. A morena achava que seria para algo mais íntimo, porém, ao ver que a destra da chinesa passou a segurar com força suas duas mãos enquanto a canhota buscava algo pelos seus bolsos, arregalou os olhos em alerta.

— O que está fazendo?! — Tentou se mover, sem sucesso. — Me solta agora!

— Você se acha muito esperta, né? — Perguntou entredentes, sem parar de procurar. — Agora você vai ver do que eu sou capaz.

Com dificuldade por Yejin não parar quieta um maldito segundo, ambas acabaram caindo no chão. Por sorte, Han ficou por cima e não pensou duas vezes em meter a mão dentro da calça da ex-amiga. Estava em busca do celular dela e sabia que a garota usava roupas com bolsos estratégicos, por assim dizer.

— Devolve o meu telefone! — A mais velha gritou ao ser solta bruscamente.

A Lu sorriu, logo desbloqueando o aparelho, tendo total acesso à galeria e ao back up na nuvem, apagando todas as imagens dali, até mesmo as que nem eram suas. Ao terminar, andou em direção ao cubículo onde Min estava anteriormente. Yejin ficou pálida ao deduzir o que ela faria com seu precioso celular.

— Não faz isso, Lu Han!

Tarde demais. Han acabou por jogar o aparelho dentro da privada, logo dando a descarga e um acenar com a mão.

— Nem para chantagista barata você serve. — Olhou para a ex-amiga, sem qualquer rastro de culpa. — Acabou pra você.

— Tem noção do que você fez, sua maluca?! — Tentou agarrar a chinesa pelo casaco, recebendo um empurrão como resposta.

— Pior que tenho. Espero que depois dessa, você meta na sua cabeça que comigo ninguém brinca.

Ao ver a Lu lhe deixando só naquele banheiro vazio, Yejin caiu em um pranto profundo. Gradativamente, passou a se dar conta da cena ridícula que protagonizou, jogando-se no chão com extrema vergonha. Entre gritos e lágrimas de pura raiva, a garota problemática soube que jamais teria o amor da ex-melhor amiga de volta.



 

. . .



 

Com a cabeça cheia e sem poder se concentrar, Minseok quis se isolar no quarto por algum tempo, planejou os dias que sucederam depois do ocorrido para não se encontrar com Lu Han em nenhum momento, ainda que a visse em aula, para assim se manter longe dos problemas. Não adiantou muito, visto que por mais que fugisse, sua mente fazia questão de lembrar. Durante a tarde de sábado permaneceu por horas deitada sobre o tapete e encarando o nada. Tan, o gato de pelos macios repousava sobre sua barriga, dominado pelo sono profundo e o embalo da respiração da dona. Ela, ainda que estivesse abalada pelo o que presenciou na faculdade, buscava por uma resposta no mínimo plausível para aquela cena. Por mais que soubesse que corria riscos entregando seu coração para uma pessoa como a da Lu - que diferente de si era extrovertida, brilhante e, por consequência, despertava muitos interesses - preferiu não fugir. Apesar disso, perdeu as contas de quantas mensagens e quantas ligações recebeu, sendo que não tinha a menor vontade de responder estando tão imersa em incertezas.

Com os olhos fechados em busca de tranquilidade, ouviu o sinal de notificação outra vez. Suspirou antes de tomar a decisão de finalmente ver do que se tratava. E fez bem. Era uma mensagem de sua mãe, que morava longe, lhe avisando que havia posto no correio o presente para seu aniversário, que seria na semana posterior. Min sorriu pela primeira vez naquele dia. Já não usava mais a clássica desculpa de todos os aniversários ao dizer à mãe que não precisava gastar, pois ela nunca lhe ouvia. Até mesmo quando fez dezesseis anos, onde estava juntando dinheiro para fazer sua primeira tatuagem, onde foi surpreendida ao receber mais alguns trocados para realizar aquele sonho. Se havia uma pessoa no mundo que a apoiava em qualquer circunstância, era a dona Kim, como a chamava carinhosamente. Com a imagem nítida em sua memória, Minseok olhou para o pulso, onde havia gravado o desenho dedicado justamente a ela: o símbolo do infinito com as iniciais das duas. Era tão clichê, mas ainda assim tão significativo… Ali, com os braços à mostra à vontade, os cabelos coloridos esparramados e com roupas confortáveis, conseguia se sentir em paz, livre dos julgamentos e dos medos. No fundo, ela queria apenas uma coisa: liberdade. Imaginou o dia em que poderia aparecer daquela maneira em público, sendo ela mesma.

— Por que as pessoas são assim, Tannie? — Perguntou ao bichano enquanto acariciava as orelhas dele. — Será que um dia vou poder ser completamente da maneira que eu quero?

— Vai. É só você querer.

Minseok levantou bruscamente ao ouvir aquela voz. Os olhos encontraram os de Han, que estava do outro lado da janela, sorrindo pequeno.

— O que veio fazer aqui? — A Kim questionou ao sentar-se de costas para a outra, encostada ao lado da cama.

— Seria muita filha da putagem da minha parte não vir falar com você depois do que houve, não acha? — Após receber mais silêncio como resposta, apenas suspirou. Colocou o pé no batente da janela e subiu, sem ligar pro all star que via-se mais sujo que sua reputação, logo entrando sem muita dificuldade para dentro do quarto. — Será que podemos conversar?

— Não precisa gastar suas desculpas, eu já entendi. — O olhar concentrava-se somente no felino à sua frente.

— Entendeu errado, né. — A Lu sentou ao lado da amiga. — Olha, aquilo que você viu, não era para ter acontecido daquela maneira, foi só…

— Uma recaída? — A encarou duramente. — Sabe, eu de verdade sabia que você ainda gostava da Yejin, mas não achei que fosse tão longe.

— Não! Não é nada disso, não gosto dela. Acontece que… — Escondeu o rosto com as mãos em frustração. — Fui obrigada a fazer aquilo, mas eu ia te contar depois.

— Desenvolva. — Rapidamente Minseok a olhou, os olhos semicerrados.

— Aquela maluca queria vazar fotos minhas. — Voltou a olhar diretamente para a Kim. — Fotos que eu nunca deveria ter mandado, eu sei, mas… Eu confiava nela. Jamais poderia imaginar que… — Bufou. — Fui burra demais.

— Você… Meu Deus. Ao menos tentou conversar com ela sobre isso? — Aos poucos a auto tristeza que sentia começava a se esvair, dando lugar à preocupação.

— Ela não ouve ninguém. Tentei negociar, mas não rolou. — Desviou o olhar, constrangida. — Tive que ceder, pois se conseguisse distraí-la, eu poderia tomar o celular dela.

— Isso quer dizer que…

— Quer dizer que não a beijei pelo trato, mas por estratégia. Enfim, no final deu tudo mais ou menos certo. — Fungou. — Ela foi embora da cidade, foi viver com o noivo, ainda bem. Mas, se eu tivesse pensado um pouco mais com a razão e não com a emoção, teria tirado o celular sem precisar disso. O que eu menos queria no mundo era que você passasse por aquilo, que você sofresse.

— Agora dá para entender. — Min ajeitou-se mais confortavelmente e olhou para frente. — Você estava nervosa demais para pensar e meteu os pés pelas mãos.

Desesperada, para ser mais exata. — Enfatizou a Lu, com o indicador levantado e um sorriso suave se desenhando em seu rosto. — Te juro, na hora que Yejin disse que jogaria aquelas fotos na internet, minha espinha congelou. Só consegui pensar no quão vergonhoso seria o povo julgando meu corpinho de mosquito, mas principalmente… O que você pensaria de mim. Já não tenho uma imagem muito boa por aí, isso seria a cereja do bolo.

— Eu acho que… Não julgaria você, mas sim ela. Ninguém tem direito de publicar coisas alheias, ainda mais numa situação dessas. — A forma serena e compreensível com que falou fez Han sorrir completamente, o que deixou Minseok confusa mais uma vez. — O que foi?

— Você. — Se virou completamente na direção da mais velha, apoiando a cabeça na lateral da cama. — Não esperava que fosse compreender assim.

— Deve ser porque fiquei o dia inteiro pensando nas razões que poderiam ter te levado a fazer aquilo… E em todas as possibilidades algo dentro de mim dizia que eu precisava te ouvir antes de fazer qualquer coisa.

— Seria uma fada sensata? — Han brincou.

— Ou talvez fosse só uma desculpa para te ver de novo, mesmo que estivesse me fazendo de trouxa. — Torceu o nariz e depois sorriu. — Posso dizer que é verídico, a gente fica muito burra quando se apaixona.

— Pelo menos temos bom gosto. Eu principalmente. — As duas riram. — Então… Você me perdoa, Minnie?

— Claro. — Respondeu baixinho. — Desde que me avise antes de armar qualquer “estratégia” desse tipo de novo. E também…

— Sim?

— Quero que me prometa que vai mudar certas atitudes.

— O que quer dizer com isso? — Han a olhou de canto, desconfiada.

— Você foi amante de uma pessoa comprometida por muito tempo. — Suspirou. — Quero confiar em você cem por cento, de coração, mesmo. Então, o que me diz quanto a isso?

— Digo que pode ficar tranquila. — Levou a mão até os fios que caíam nos ombros da Kim, alisando-os distraidamente. — Minha história com Yejin começou muito antes do namoro oficial dela. Tecnicamente, foi ela quem me traiu. — Riu fracamente. — Mas vou te dizer, nunca senti tanto medo de perder alguém como senti na hora que você saiu daquele banheiro.

— Doeu muito em mim também. — Explicou, serena. — Mas você me conhece, jamais faria barraco ou algo do tipo.

— Você é imprevisível. Mas enfim, também quero que me prometa uma coisa... — A Lu viu Min pôr mais atenção. — Nunca mais duvide do que eu sinto por você.

— Ah, Hannie… Não é fácil. — Desviou o olhar, meio duvidosa. — Não digo por você, mas pelas outras garotas que existem por aí. Tenho noção que um dia pode se cansar de mim ou pode gostar de outra pessoa.

— Ó, pode parar por aí. — Se levantou, logo pegando o gato que havia subido em cima da cama. — Nem eu, nem o Tan queremos te ver assim de novo, tá bom? E outra, eu não seria louca de deixar uma deusa como você ir embora assim.

— Exagerada. — Min observou as próprias mãos, sem jeito. Olhou para o lado, começando a rir sem uma razão aparente.

— O que foi? — Han falou ao jogar-se sobre o colchão, sem largar o gato.

— Nada, não. — Apesar da resposta vaga, continuou. — Só estou pensando nessas fotos aí. Mosquito, é?

— Por quê? Ficou curiosa? — Rolou para perto da dona do quarto, sorrindo com divertimento. — Se quiser conferir nesse exato momento, não tem problema.

— Palhaça. — Após um empurrãozinho de leve na Lu, lhe depositou um beijo rápido na bochecha. Ao se levantar, teve o braço puxado pela mais nova, o que lhe fez deitar de frente para ela.

— Pensou que ia fugir de mim, é?

O sorriso de Han era lindo, ainda mais visto tão de perto, fazendo com que o coração de Minseok acelerasse um pouco mais a cada segundo. Ali, completamente hipnotizada, com os dedos tocando com cuidado o rosto da loira, deixou que as palavras saltassem livres de sua boca.

— Te amo, Hannie. — Os olhos felinos brilharam junto de cada sílaba.

— Ah, é? Quanto? — Perguntou em tom de brincadeira.

— Muito.

— Hmm… Mais do que seus livros mitológicos greco-romanos? — Viu Minseok rir.

— Limites, tá? — Logo voltou a encarar a chinesa. — Claro que sim. Amo você mais que tudo.

— Acho que esse é o momento perfeito. — A chinesa falou, sem deixar de olhar nos olhos da Kim.

— Pra quê? — Questionou com curiosidade.

— Pra saber se agora, podemos oficializar nosso namoro de fato. — Viu a amada sorrir lindamente.

— Já passou da hora, né?

Como resposta, Min a beijou com carinho e se deixando abraçar mais por ela. A noite recém havia caído, a chuva fraca iniciou silenciosa e mentalmente planejavam fazer coisas aleatórias como ver filme enquanto comiam pizza ou brincavam com o gato até tarde. Claro, isso se a mais responsável das duas não tivesse se lembrado de um único detalhe.

— Hannie, o trabalho de fotografia! — Disse após findar o beijo bruscamente, levantando-se da cama em busca das pantufas. — Temos só mais dois dias para terminar.

— Ah, não… — A chinesa choramingou, ainda deitada. — Vamos fazer isso amanhã, quero aproveitar esse tempinho com você...

— Negativo. — Minseok tirou Tan de cima da cama, logo estendendo a mão para que a Lu se levantasse também. — Sabe que esse trabalho é importante, vem.

— Tá, vou mandar mensagem para minha mãe, avisando que vou dormir aqui.

— O quê? — Arregalou os olhos. — Vai?

— É, ué. Já são quase oito horas da noite, está chovendo e certamente vamos entrar madrugada adentro para terminar essa joça. — Encolheu os ombros, convencendo Min. — Está perigoso demais para uma moça indefesa como eu andar por essa rua escura.

— Ah, me poupe. — Riu do tamanho cinismo e jogou uma almofada na mais nova. Han não demorou a seguir seus passos, por mais que não estivesse afim de trabalhar, pelo menos poderia estar ao lado de Minseok durante toda aquela noite.



 

. . .



 

Como o projeto incluía fotos de pratos, as duas tentaram fazer da forma mais genuína possível, optando por testar algumas receitas chiques que encontravam na Internet. O relógio de ponteiro na parede da cozinha já marcava mais de uma hora da madrugada, mas tanto Minseok quanto Han estavam concentradas ao máximo no que faziam: a primeira decorando e arrumando os pratos na mesa de vidro, enquanto a segunda fotografava, ora e outra trocavam de posto. Realmente estavam se divertindo e nem viram o tempo passar.

— Sério, Minnie, não aguento mais. — A Lu sentiu o estômago roncar. Foi até a cadeira mais próxima e se sentou, logo pousando a câmera sobre a mesa. 

— Não tem mais pizza? — Min perguntou enquanto mexia algo no fogão.

— Não, foi tudo. — Olhou para a de cabelos rosados, curiosa. — O que você tá fazendo de bom aí?

— Tentando deixar o chocolate no ponto para o fondue. — Levantou a colher para observar a textura. — Mas aparentemente não está dando muito certo.

— Qualquer coisa você edita a foto no photoshop. — Brincou.

Percebeu que a mais velha sorriu minimamente. Obviamente a chinesa tinha noção que Minseok não era lá essas coisas na cozinha e estava dando o melhor de si. Pensar que ela ficava irritada quando algo fugia do perfeccionismo que tanto cultuava, lhe fazia rir internamente. Era fofo. Um verdadeiro prato cheio para suas provocações diárias. Por isso, não pensou duas vezes em pegar a câmera de maneira silenciosa e tirar inúmeras fotos dela, pois ficava linda toda concentrada ou até mesmo brava. Min percebeu, mas não a impediu. Quando achou que já era o suficiente, largou a máquina e foi até ela, que se encostou na bancada com os braços cruzados. O olhar de gata da Kim captou o que a outra tinha em mente na hora. Hannie chegou mais perto e apoiou as mãos na bancada, ficando frente a frente com Min.

— Tenho certeza que deve estar incrível. — Encarou a boca bonita da Kim.

— Como pode ter tanta certeza? — Questionou com uma sobrancelha levantada.

— Pois tudo o que você faz é incrível.

Assim que findou a frase, Han teve os lábios tomados por Minseok, um beijo calmo, porém intenso. Essa que sentiu as mãos da mais nova se emaranhando em meio ao seu cabelo, lhe incitando a aprofundar o beijo, que aos poucos se tornou mais ansioso, necessitado. Afinal, por culpa dos últimos acontecimentos, passaram dias sem se ver e estarem ali, tanto tempo juntas sem aproveitar, talvez fosse até um teste de resistência. Porém, a sensação de ser amada em tal intensidade deixou a de cabelos coloridos desnorteada, entregue e com vontade de mais com tão pouco; se esteve triste em algum momento naquele dia, sequer se lembrava. Apenas queria se concentrar ao máximo no instante presente, no calor crescente que as envolvia. Até mesmo se permitiu explorar a cintura da Lu, fazendo o corpo dela se arrepiar com a ação.

A destra da chinesa desceu até uma das coxas grossas da amada e a acariciou lentamente, a ponta dos dedos adentrando o short de tecido macio. Min reagiu com um leve suspiro no breve momento em que os beijos de Han seguiram por seu pescoço. Por mais que já tivessem vivenciado momentos como aquele anteriormente, as duas sempre tinham que estar atentas com o ambiente, a quem pudesse aparecer. Diferente dali, onde estavam livres para fazer o que bem entendessem, sem quaisquer julgamentos e prontas para romper os limites.

Já entorpecida pelo desejo, Han voltou a beijar Minseok com devoção, sentindo as mãos quentes e curiosas dela por baixo de sua blusa chegarem em suas costas, lhe fazendo sorrir imediatamente.

— Está com pressa? — Perguntou a Lu, maliciosa, ao se separar ligeiramente, a pontinha do seu nariz quase tocando o da namorada.

— Nem um pouco. — Respondeu com a respiração levemente acelerada.

— Sabe o que eu estava pensando? — Viu aquela a sua frente por mais atenção. — Que a gente podia dar uma pausa nesse trabalho, sabe… Se dedicar a coisas mais interess…

Min pegou um morango da tigela que estava ao seu lado na bancada e enfiou-o na boca da loira, rindo da expressão desgostosa que ela fez.

— Você fala demais, Hannie.

Em um breve impulso, Minseok se soltou dos braços de Lu Han e correu até o quarto, um claro convite para que ela a seguisse. 

Depois de dar fim ao morango, a chinesa correu e conseguiu entrar no  local dominado pela baixa luz do led roxo que esqueceram ligado, antes que Min fechasse a porta. Abraçou-a novamente, rindo alto junto dela. A sensação que as preenchia naquele segundo era um misto de calor, diversão e amor.

Antes que pudesse pensar em qualquer outra coisa, Han teve o corpo guiado e prensado na parede, sentindo Minseok voltar a atacar seus lábios, veemente, a textura macia da língua dela entrando em contato com a sua própria de uma forma enlouquecedora. Realmente não sabia como estava conseguindo manter o controle, por mais que fosse mínimo, e ainda não tinha simplesmente a jogado sobre a cama ali tão próxima e feito o que tanto desejava. Porém, o fato de estar totalmente envolvida pelo sentimento mútuo já era o suficiente para fazê-la apenas querer aproveitar cada segundo lenta e intensamente.

Minseok passou a distribuir selares pela clavícula aparente da Lu, enquanto tocava os seios miúdos dela ainda sob a blusa, notando como aquilo mexia com sua sanidade. E Han, que não suportou um segundo mais para tê-la, puxou a blusa da Min para cima, vendo-a elevar os braços e deixar que descobrisse mais alguns de seus desenhos espalhados pelo corpo exuberante que tanto ocultava dos olhos dos outros. Os floquinhos azuis de neve perto do pescoço foram o que mais chamaram sua atenção. Com passos lentos e toques mais confiantes, as garotas chegaram à cama, cujo gato cinzento dormia até então. Riram do bichano que saltou dali assim que se deixaram cair no colchão de lençóis e travesseiros bem arrumados - mas que já começavam a se desarrumar.

A chinesa sentiu o corpo sob o seu estremecer quando os beijos chegaram aos seios volumosos da Kim, o sutiã branco confortável ainda os comportando. Sorriu satisfeita quando acarinhou a região com as mãos expertas e a viu fechar os olhos, tentando controlar a respiração. Era notável o quanto ela estava imersa, totalmente entregue ao momento. Também era inexplicável como, mesmo com a excitação subindo a cada segundo, Min ainda parecia tão angelical ao olhar de Han; como cada mínimo detalhe daquela mulher parecia idealizado, resultando num ser perfeito.

Assim que sentiu Han se sentar sobre suas pernas, Minseok abriu os olhos, observando o sorriso e o olhar lascivo que nascia na  namorada. Essa que retirou a própria blusa e a jogou num canto qualquer do quarto. Inclinou o corpo esguio para alcançar seu rosto e selou o canto de sua boca, levando as mãos até suas costas para abrir a peça que sustentava seu peito. Min não conseguiu aguentar tê-la tão perto; segurou-a pelas bochechas e a beijou com vontade novamente, os dedos se enroscando nos fios e na trilha de brincos na orelha da Lu.

— Hannie… — Murmurou entre o ósculo, rindo baixo. — Hannie, espera aí…

— O que? — Perguntou um pouco ofegante ao se afastar minimamente, parando também de lutar para encontrar o fecho daquele tecido. — Fiz algo errado?

— Não, só se enganou. — Riu e finalmente abriu o sutiã com facilidade. — O fecho é na frente.

— Que ódio, Min! — Riu alto, meio constrangida pela gafe. Realmente, sequer havia prestado atenção naquele mero detalhe. — Mas, então, onde a gente tava mesmo?

A Kim nem precisou responder, pois teve os lábios capturados mais uma vez, enquanto se desfazia das alças com a ajuda da loira. O rosto começou a pegar fogo e a mente colapsou quando sentiu o contato direto da pele quente da mais nova encostando na sua recém descoberta.

Hannie deixou a boca vermelha e chegou ao peito da namorada, quem arfou em expectativa ao sentir os selares demorados. A chinesa já estava ciente que aquela área era sensível e claro que iria continuar. Sem mais delongas, - pois ela mesma estava quase explodindo - abocanhou um dos seios da Kim, puxando o bico rosado entre os lábios bonitos, sem deixar de observar a sanidade dela indo para o espaço. Passava a língua com uma calma quase torturante e depois sugava com vontade, como sempre desejou fazer desde o dia em que ficaram pela primeira vez. Em certas ocasiões, sua imaginação ia tão longe que os únicos remédios eficazes para esquecer eram vídeos de gatos fofinhos ou um banho gelado. Observou como Minseok gemia baixo, como as costas começavam a arquear e como jogava a cabeça levemente para o lado quando repetia aquela ação, o que incentivava Han a continuar até que ouvisse seu nome escorregando pelos lábios cheinhos dela.

Com o olhar felino vidrado ao da amada, Minnie a observou se dedicar ao outro lado, com aquela maldita expressão triunfante na face enquanto lhe mamava sem pudor algum. Os sons que escapavam de sua garganta aumentavam as nuances, precisava descontar o deleite que sentia de alguma forma. Foi então que levou as mãos até as pernas da chinesa e as apertou com gosto, vendo-a sorrir de canto ao largar seu peito. Han saiu de cima da mais velha e se livrou do resto de suas próprias roupas. Com cuidado dobrou as pernas bonitas da Kim, colocando o próprio corpo entre elas. Vê-la seminua daquela forma sob a luz tênue do quarto certamente era a imagem mais incrível que já havia visto; e as tatuagens a deixavam ainda mais sensual. Queria poder admirá-la por horas, mas Han era rebelde demais para perder o precioso tempo em que poderia estar beijando Minseok o tanto quanto pudesse. E foi exatamente o que fez em seguida, aproveitando para levar sua esquerda até o short alheio e desabotoa-lo. A beijava de forma voraz, ao mesmo tempo em que a sentia lhe tocar o corpo.

Seus toques foram um pouco mais além e adentraram o tecido do short e também o da calcinha da Min, essa que se arrepiou de imediato ao sentir o frio dos anéis nos seus dedos. Depois de acarinhar o local com delicadeza e constatar que ela estava tão molhada quanto a si mesma, Hannie findou o beijo com alguns selares que trilharam desde o queixo, passando pelo pescoço, peito, barriga e finalmente, o tecido que precisava sair dali. Retirou-o com calma, achando fofo o olhar atento daquela que tinha os cabelos cor de rosa espalhados sobre o lençol, como se estivesse pronta para ser fotografada. Sorriu completamente para ela, que fez o mesmo e jogou as mãos para cima da cabeça, no aguardo do que viria. Han retirou a peça íntima e deixou alguns selares em seu baixo ventre, enquanto suas mãos adoravam aquela mulher agora totalmente nua e entregue para si.

— Você é uma obra prima, Min. — Falou enquanto acariciava e deixava beijos no canto interno das coxas daquela diante de si, que se movia suavemente em reação ao estímulo.

Embora sentisse certa urgência, a chinesa não quis apressar nada, apenas focou em dar o máximo de prazer que conseguisse. Com calma, selou a virilha da amada e depois chegou à vulva, onde se dedicou a passar suavemente a língua  úmida entre os lábios maiores. Depois seguiu pelos menores ao mesmo tempo que mantinha o contato visual com a Kim, vendo-a vez e outra fechar os olhos naturalmente delineados enquanto gemia contido, os dedos pequenos se enroscando no lençol e a respiração ficando mais acelerada.

E definitivamente, Minseok estava beirando a loucura. Tentava não transparecer o quanto estava vulnerável, mas era difícil quando via-se tão excitada que poderia explodir. Sem pensar muito, meteu as mãos em meio ao cabelo loiro da Lu quando ela lambeu e depois sugou seu clitóris, bem devagar, paciente e torturante. Segurava os fios com firmeza, deixando enfim que os gemidos inconscientes e as palavras sujas saíssem junto do nome da namorada. Com aquele ato, Hannie passou a chupá-la com mais determinação, a visão belíssima dos seios rechonchudos da Kim subindo e descendo enquanto pedia por mais aumentou seu tesão a níveis extremos, lhe fazendo levar uma das mãos a massagear a própria intimidade. Havia algum tempo que não se tocava durante o sexo que mantinha com as garotas que ficava até então, pois gostava de fazer todo o trabalho e deixá-las satisfeitas sem nem precisar se despir. Ter o controle da situação era seu maior prazer. No entanto, assim que se perdeu no olhar perigoso e sorriso doce de Minseok, sentiu que ela seria a única mulher capaz de lhe dominar. Naquela época, uma mistura de medo e desejo passaram a habitar sua mente: o medo de não ser correspondida; e o desejo insano de poder ter o privilégio de ao menos uma vez na vida se submeter às vontades dela. E naquele instante, a vontade nítida dela era de atingir o ápice.

Com o fogo se concentrando mais arduamente na região em que Han se dedicava até aquele momento, Min se contraiu, o gemido alto quase não saiu de sua garganta. Se moveu um pouquinho mais e no instante seguinte deixou que a onda de prazer consumisse seu corpo por inteiro num orgasmo avassalador.

Assim que a amada se desfez em sua boca, Hannie selou uma última vez sua intimidade, subindo para alcançar seu rosto quente e lhe deu um beijo lento, cheio de doçura e amor. Porém, por estar distraída, não percebeu quando Minseok levou às mãos a sua cintura e inverteu a posição, lhe colocando por baixo. Riu soprado. Aquela mulher era mesmo imprevisível.

— E isso? — Han perguntou, curiosa.

— É a sua recompensa.

Min colocou dois dedos na boca e os chupou devagar. Depois, os levou até a vulva da mais nova que já estava úmida o suficiente e passou a brincar ali. Voltou a beijá-la enquanto aumentava gradativamente a velocidade de seus dedos no clitóris da Lu, que como beirou um orgasmo visual minutos atrás, não demorou a atingi-lo com aquele pequeno estímulo. Foi a primeira vez em anos que deixou alguém tocar em si daquela maneira e não se arrependeu nem um pouco.

 

Depois de um banho quente, as duas decidiram que era hora de descansar. Han pegou um pijama emprestado de Minseok e assim que fechou a porta do quarto, foi direto se deitar ao lado dela, que observava as gotas de chuva escorrendo pelo vidro da janela. Abraçou-a carinhosamente, inalando o perfume suave do hidratante de pêssegos que ela passou na pele.

— Pensando na vida? — A Lu perguntou perto do ouvido alheio.

— Sim. — Olhou diretamente para aquela ao seu lado. — Na nossa vida.

— Como assim? — Sorriu.

— Sabe, Hannie, estive pensando… — Suspirou, meio hesitante. — Estamos quase terminando a faculdade, talvez a gente até consiga um emprego logo em seguida…

— E isso não é bom?

— É, claro que é! — Se ajeitou mais confortavelmente. — Mas, talvez, não tenhamos tanto tempo pra nos ver.

— Não vou deixar que isso aconteça, pode ficar tranquila. — Acariciou a bochecha gordinha da mais velha.

— Han, eu quero que você venha morar comigo depois da formatura. — Falou de uma vez, antes que engolisse as palavras novamente.

— Okay, por essa eu não esperava. — Sentou-se na cama, pensativa. — Sério, eu gostaria muito, muito mesmo, mas… — Voltou a olhá-la, a face da Kim se entristecendo. — … Mas! Eu tenho três gatos que são uns demônios. E você sabe que para onde eu vou, eles vão também.

— Sua boba. — Selou os lábios dela. — Quero você aqui de mala e cuia… Ou melhor, de mala e gatos.

— Então eu aceito com certeza. — Deitou junto dela de novo, sorridente. — Amanhã mesmo já busco minhas coisas.

— Hannie, ainda faltam dois semestres para a formatura. — Semicerrou os olhos.

— Eu sei, mas vou trazendo aos poucos, carregar muito peso não é comigo, sabe. — Fez uma careta, logo recebendo um beijo estalado no rosto.

— Exagerada. — Minseok sorriu ao dizer.

— Emocionada. — Han corrigiu.

Ao se olharem mais uma vez, ambas explodiram em risos. Sem dúvidas, aquela noite chuvosa que era iluminada apenas com a luz da lua que vinha de fora, e o led ligado na parede, seria a primeira de muitas que elas ainda viveriam. Com mais alguns beijos carinhosos trocados e o gato cinza subindo na cama reivindicando seu costumeiro aconchego, elas desligaram o led e não demoraram a pegar no sono.

 

FIM


Notas Finais


* autora correndo para as colinas *

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Até a próxima história! ♡♡♡


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