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História Beijada pelas Águas - Capítulo 2


Escrita por: giulsAn

Capítulo 2 - Bem-vinda à Mansão Svénnsson


Fanfic / Fanfiction Beijada pelas Águas - Capítulo 2 - Bem-vinda à Mansão Svénnsson

A viagem em si foi tranquila. Óbvio que não exclui meu cansaço, mas não foi a pior coisa que havia me acontecido. Já fiquei bem mais cansada quando mergulhava com os meus pais na costa brasileira, me aventurando pelas praias e o mar incrivelmente azul do país.

Assim que sai da aeronave, andei até a área de despache rezando para a minha mala ser uma das primeiras a ser colocadas na esteira assim que retiradas do avião e, pela primeira vez, algum transcendente ouviu minhas preces. 

Peguei minha mala com certa dificuldade, notando certos olhares pesados em minha direção e, tentando ignorá-los, segui até o banheiro.

Minha ficha caiu quando me olhei no extenso espelho do sanitário feminino: essa viagem pode não ter sido mais cansativa que os mergulhos, mas certamente foi responsável pelas maiores olheiras da minha vida.

— Ótimo, Lia. Era o necessário para causar uma boa primeira impressão a família.

No momento que percebi que eu estava falando sozinha e não estava, de fato, sozinha, senti meu rosto queimar. Olhei para a minha expressão assustada rapidamente, observando até minhas orelhas atingirem a cor do meu cabelo e me virei com vagareza para trás. Uma mulher que aparentava ter alguns anos a mais que minha mãe me olhava com seu cenho franzido.

Se ela pudesse representar algo com esse olhar, com toda certeza seria um ponto de interrogação.

— Desculpe. — Balbuciei com meu inglês enferrujado e logo me apressei para fora do banheiro. — Por Deus, eu nasci para passar vergonha. 

Comecei a caminhar, seguindo o fluxo para fora da área de desembarque. Não demorou muito para ver uma placa relativamente grande com meu nome escrito: “Amélia O’Brien”. 

Engoli a seco, pois o homem que segurava aquela sinalização aparentava ser extremamente sério. Enquanto andava em direção ao meu próximo vexame, pedia mentalmente para que não falasse ou agisse de forma tão vergonhosa.

— Senhorita O’Brien?  — Apenas acenei com a cabeça e ele, ainda sério, pegou minha mala. — Siga-me.

O nervosismo latejava por minhas veias. Nunca fui muito boa em me relacionar com pessoas, porém não queria causar uma primeira impressão ruim. Até por que ficarei aqui por 1 ano. 

O carro que me esperava do lado de fora do aeroporto era, no mínimo, três vezes o valor do apartamento que eu morava no Brasil. Notei que o homem havia colocado minha mala no porta-malas com certa facilidade, contudo, não me surpreendeu muito, já que ele aparentava ser um homem relativamente forte. 

Abri a porta e me sentei no banco de trás. Estava tão focada em causar uma boa impressão que, assim que fechei a porta, notei o quão quentinho estava dentro do carro. Por mais que existisse sol, o frio me arrepiava inteira. De certo modo era uma coisa boa, já que não precisava dividir meu quarto com pernilongos. 

— A temperatura do carro está agradável para a senhorita?

A voz do homem me retirou dos meus devaneios sem sentido, me chutando de volta para a realidade. 

— Ah, sim. Está quente. — Ao dizer isso, notei que ele começou a abaixar a temperatura do carro rapidamente. Comecei a ficar nervosa, novamente. — Pode deixar como estava.

— Mas a senhorita disse que estava quente, talvez mais fresco lhe agrade mais.

— O carro está quentinho, diferentemente de lá fora. Estava ótimo daquela forma. 

Abri um sorriso amarelado e o vi me encarar pelo retrovisor e logo depois, aumentar a temperatura do carro. 

Meu deus, será que eu falei algo errado? Não seria surpresa. Droga, Lia.

— Desculpe.

O homem apenas me encarou por alguns segundos e voltou seu olhar a estrada silenciosamente.

Talvez seja um homem de poucas palavras, certo? Não necessariamente precisa ser culpa sua o tempo todo. 

Cocei minha cabeça de forma rápida para não pensar que tenho piolho e olhei para a paisagem que me abraçava pelo caminho. 

Só de imaginar conhecer a família que irá me hospedar por um ano mexe com a minha ansiedade abalada fortemente.

“Eu e seu pai estamos orgulhosos de você.”

A frase da minha mãe girava em minha cabeça. No momento, até eu estou um pouco orgulhosa de mim. Consegui manter razoavelmente uma conversa de 6 segundos sobre a temperatura do carro. Quem sabe este homem não vira meu novo melhor amigo? 

Cala a boca, Amélia, repreendi mentalmente meus pensamentos irônicos. Não podia chegar em um lugar novo tão pessimista. Minha mãe pode ter razão, talvez essa seja uma oportunidade para ser diferente, fazer mais amigos.

Amigos que não irão morar no mesmo lugar que eu.

Revirei os olhos, afogando meus autos ataques. Às vezes, até eu gostaria de férias de mim mesma. 

Quanto mais o homem dirigia, mais longe da cidadezinha de Vík me levava. Subimos um caminho rodeado de floresta fechada. Certamente um cenário digno de um filme de terror.

— Bem-vinda, senhoria O’Brien. — Olhei para frente e vi um grande portão de ferro se abrir, revelando uma enorme mansão branca. Arregalei meus olhos e engoli a seco. Era aqui que eu iria ficar!? 

— Mas o que? — Estava completamente em choque. Esse tipo de casa que eu veria em um filme em que a protagonista era imensamente rica. Como isso poderia existir no meio do nada? 

— Algum problema?

— Não, não! É que... eu não imaginava ser tão grande assim.

Pela primeira vez, ouvi uma risada abafada do homem. 

— O Sr. Svénnsson queria uma casa reservada das pessoas da vila de Vík.

Estava completamente maravilhada.

— É linda!

— De fato, mas não se engane, Senhorita. Sempre que há beleza, há mistério. 

 

 



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