1. Spirit Fanfics >
  2. Beijada pelas Águas >
  3. O Possível Assassino em Série

História Beijada pelas Águas - Capítulo 5


Escrita por: giulsAn

Capítulo 5 - O Possível Assassino em Série


Batidas na porta. 

Era como eu imaginava ser acordada durante esse meu longo sono, contudo, fui acordada pelo silêncio. O estranhamento do silêncio fez com que a minha desconfiança se elevasse drasticamente. 

Que horas eram?

Tentei me levantar, ouvindo estalos de algumas partes do meu corpo e uma tontura fraca. 

— É, estou acabada.

Talvez destruída seria uma palavra melhor, pensei. 

Em meu bolso, senti algo duro é retangular pressionando minha barriga. Assim que levei uma de minhas mãos até o objeto, lembrei imediatamente o que era. 

— Meu celular. 

Eu estava tão longe da realidade que até esqueci da existência do meu aparelho. No momento que a tela ligou, suspirei tentando focar nas letras para ler sobre o que a notificação se tratava.

30 ligações perdidas de Mãe.

— Merda, esqueci! — Não pensei duas vezes em clicar na notificação, direcionando a ligação. Sei que em uma situação normal deveria ficar com medo de ter essa quantidade de ligações perdidas, mas para ser sincera não havia muito o que ela podia fazer. Me trazer de volta para o Brasil? Ela sabe que eu não queria vir para cá para início de conversa, duvido que faça. 

Logo depois do segundo toque, a voz estridente da minha mãe atingiu meus ouvidos fazendo com que eu afastasse um pouco meu celular do meu rosto. 

— Amélia O’Brien, que falta de responsabilidade! Seu pai e eu ficamos extremamente preocupados! Você não poderia ter nos avisado quando tivesse chegado!?

— Oi para você também, mãe?

— “Oi”? Você perdeu esse direito quando quase me matou do coração! 

— Desculpe...

O suspirou abafado da minha mãe tentando conter sua raiva ficava até engraçado. Sentei-me da cama e sorri. Sentia falta disso. 

— E como estão as coisas? Eles são legais? Já comeu?

— Bem. São e ainda não, mas tomei um chocolate quente.

— Você não vai desenvolver a resposta?

— Mas o que eu posso dizer, mãe? — Suspirei e me levantei da cama, andando enquanto pensava em algo para dizer. — Hm, eles são extremamente ricos, acho que o mordomo deles foi me pegar no aeroporto e eles tem uma cozinheira, chamada Rosa, que é extremamente carinhosa. 

— Está vendo? Não foi tão difícil, certo? — Ri junto a sua risada abafada. 

— Mãe...

— Vê se não se esquece de comer, Amélia. — A voz do meu pai ecoou na ligação fazendo com que eu revirasse os olhos.

— Sim, senhor.

Sem ao menos um tchau, a ligação fora interrompida e novamente fui deixada no completo silêncio. Encarei a tela do celular e suspirei ao ver as horas que marcavam pelo relógio digital. 

2:25 da manhã.

Se fosse apenas a questão do horário, não era problema, pois eu poderia apenas deitar novamente e dormir, o que não seria uma má ideia em minha cabeça. Contudo, a fome que bateria na porta era, sem dúvida, imensa. Não comia desde que saí do Brasil e quando cheguei tomei apenas aquele delicioso chocolate quente feito por Rosa. 

Ao lembrar da bebida quente, minha barriga fez questão de me lembrar da sua existência. Se eu não fosse a única neste corredor, alguém com certeza teria ouvido o ronco além de mim.

— Já entendi, barriga. — Murmurei para mim mesma e indo em direção a porta, abrindo-a.

O corredor estava complemente escuro. A ideia de não saber onde o interruptor fica não me deixou menos preocupada com o fato de que eu poderia cair de cara no chão. Apertei a tecla que acionava a lanterna do meu celular e segui o caminho com cautela até encontrar o início da escada. “Tenha cuidado”, alertei-me em pensamentos, “um passo de cada vez”. 

O caminho até a cozinha após a descida das escadas me confortava de certa forma. Eu sabia que a Rosa não estaria ali, já que estava de madrugada, mas o ambiente me deixava mais calma, mais em casa. A cozinha, como era de se esperar, estava escura, sem vestígios de pessoas que rondavam na calada da noite por lanches. 

Bom, agora tinha. 

Sorri e comecei, com muito cuidado para não fazer barulho, a abrir os pequenos e inúmeros armários, para saber se achava algum biscoito, pão, qualquer coisa que eu pudesse comer e acalmar a minha barriga. 

Contudo, assim que ouvi um barulho que parecia vir em frente a casa, congelei.  Eu deveria estar ouvindo coisas. Não poderia ser alguém, até porque era de madrugada. Pode ser um animal, certo? Estamos no meio de uma floresta fechada, claro que pode ser uma animal de madrugada.

Droga, por que a ideia de um ser humano acordado de madrugada fazia mais sentido na minha cabeça que qualquer outra criatura do reino animal?

Meu deus! E se fosse um assassino em série? Esse tipo de coisa existia na Islândia? Procurei pelas gavetas algo que eu poderia utilizar para defender e, com a luz do meu celular, avistei uma colher de alumínio enorme. 

Talvez se eu atingisse a cabeça do sujeito, daria tempo para correr e fugir, não?

Agarrei a colher e, com as mãos trêmulas, desliguei a luz da lanterna para não chamar atenção. Meu coração batia tão forte e tão rápido que iria rasgar meu peito a qualquer momento. Minha cabeça latejava de forma tão alta que, mesmo se eu me escondesse, o sujeito conseguiria me ouvir e me encontrar. 

Guardei meu celular no bolso e caminhando lentamente para o hall de entrada, me perguntei inúmeras vezes se havia ouvido algo ou se estava perdendo a cabeça aos poucos, mas a incerteza em minha cabeça se esvaiu por completo quando os barulhos voltaram a acontecer ainda mais nítidos. Eram passos, passos humanos. 

Droga, droga, droga. 

Apertei os dedos que evolviam a colher ainda com mais força e tentei me aproximar ainda mais da porta, fingindo estar pronta para qualquer situação quando na verdade poderia desmaiar a qualquer momento. 

— Eu deveria ter entrado na aula de autodefesa quando meu pai pediu. — Sussurrei para mim mesma, me xingando mentalmente por não conseguir ficar de boca fechada quando fico nervosa. 

Assim que ouvi a tranca da porta se mexer, meu coração caiu e eu queria sumir. Com a minha respiração alterada pelo medo, tentei me aproximar um pouco mais da porta, percebendo que o controle das minhas pernas havia se perdido quase que por completo. No momento que a maçaneta virou totalmente, abrindo a porta, a luz do lado de fora da casa me cegou por uns segundo e meu coração parou por completo.

Eu ia morrer.

— Minha nossa senhora da mãe santa! — Murmurei minhas últimas palavras como súplica, rezando para pelo menos no socorro seja possível de sair. 

— Papai, que língua é essa? E por que essa menina está com a colher da tia Rosa?



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...