História Beijo Rubro - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Tags Metaleira
Visualizações 174
Palavras 4.018
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Shoujo (Romântico), Sobrenatural
Avisos: Heterossexualidade, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Presente pra quem curte romance sobrenatural tanto quanto eu. <3

A música que escutei e que serviu de tema para a história: Aviators - No One Will Save You (Bloodborne Song | Gothic Rock). O link estará nas notas finais para quem quiser escutar enquanto lê.

Capítulo 1 - Capítulo Único


Capítulo Único.

 

Reed relaxou os músculos ao se escorar na cadeira revestida de couro negro. Ele olhou sobre a sua mesa repleta de papéis bagunçados. Atrás da superfície de madeira, o seu irmão e guerreiro Devries o encarava com astúcia.

Aquele homem era o único que não temia a ferocidade e a corrente de fúria que Reed, o segundo de sua raça lupus, emanava. Ele era o único descendente puro da linhagem, carregando um sangue forte, tão puro. Embora a maior parte de sua raça o venerasse como rei, ele desprezava essa condição.

Reed se levantou e Devries bebeu um gole da sua bebida escocesa. Ele observou o corpo másculo do irmão, e se não estivesse acostumado com aquele ar ameaçador, diria que o seu rei parecia uma maré humana capaz de passar por cima daqueles que não dessem espaço a ele. Obedecer era apenas um instinto de autopreservação. Dono de um corpo de um metro e noventa e seis de altura de puro horror. Os cabelos brancos aumentavam o contraste do olhar azul, quase tão transparente quanto a água, e justamente por isso, ele ganhou o apelido de rei cego. Apesar de ser apenas uma característica física, as histórias que contam para os filhos das companheiras lupinas é de que Reed foi beijado pela luz de um arcanjo como rendição ao seu demônio interior.

A expressão endurecida tomou o rosto aristocrata do rei, trazendo a sombra ao olhar daquele guerreiro brutal. Não existia um ser vivo que poderia impor suas vontades em Ward e essa aura ameaçadora era sua melhor carta de apresentação. Ele fechou um livro de capa velha em um baque feroz, deixando óbvio sua indignação. Dos seus poderes emanava um ar depreciativo e ardente.

O caso ali era sério e atordoante. Reed quase conseguia sentir o aroma fétido dos cadáveres na cidadezinha próxima, e aquilo fez o seu sangue de guerreiro borbulhar em ansiedade. Os músculos doeram em antecipação. Ele não ficaria com o maldito traseiro naquela cadeira mais uma vez, enquanto os companheiros iam a caça dos lupinos traidores. Uma fêmea da família havia sido assassinada com o bebê no ventre, e aquilo, considerando a dificuldade que a raça estava enfrentando em procriar, era um dos piores pecados.

— Você não vai, Reed. Pode esquecer.

— Calado, Devries. Já fiquei sentado aqui por muito tempo. Acha mesmo que a nossa falta de guerreiros vai ser suprida pelo preencher de papeladas dia após dia? — O rei protestou, tentando apaziguar a própria fúria crescente. Eles tinham grandes posses, mas o dinheiro não comprava machos de valor. — Nós perdemos a Caellena. Uma fêmea de valor, esposa do nosso irmão Trevor. Não irei perdoá-los.

Devries concordou mudo. Não existia força que poderia ir contra os argumentos do rei, principalmente quando o homem estava tomado pela raiva gélida e um instinto primitivo de uma determinação mortal. A perda era frustrante e com certeza intolerável e dolorosa para Trevor. Poucos eram os lupinos que conseguiam seguir em frente sem a companheira predestinada, e por todos os santos, Reed não poderia perder o irmão.

— Existem muitos machos ao redor da Lizbeth. Estranhamente ela recusou todos — Devries sorriu de forma presunçosa ao dar ênfase na frase. Ele sabia o motivo pelo qual a loba não aceitava cortejo algum, e aquele fato parecia irritar o seu superior. Mas de qualquer forma, ele estava disposto a manter a segurança do seu rei, e para isso, apelaria a única mulher que o controlava.

Reed respirou profundamente. Ouvir o nome da fêmea em um instante tão instável o deixou completamente abalado. Uma sensação estranha ocupou a garganta do homem, como se ele fosse desabar ali mesmo. Aquele vínculo entre companheiros da mesma raça era forte demais para ser evitado, principalmente quando se tratava de companheiros predestinados.

— Eu quero vê-la, Devries — A voz de Reed soou embargada em uma súplica silenciosa, como se ele estivesse fazendo esforço para manter a pose de macho Alfa imparável, mas a perda de um membro da família o destroçou. Ele sabia do joguinho de Devries, mas não conseguiria evitar, na verdade, não queria ficar mais um minuto longe de Liz.

O rei era capaz de sentir por todos, chorar por uma morte e permanecer de luto por incontáveis dias. Aquele amor, a paixão e protecionismo pela raça era como uma benção e uma maldição ao mesmo tempo. A entrega por todos era tanta que parecia completamente insana e perigosa.

Reed precisava de sua fêmea. A urgência em vê-la, mesmo de longe, era maior do que a promessa que tinha feito para si mesmo no dia em que decidiu se afastar para não a corromper, acalmando a fera interior.

— Vamos para Salt Lake ao anoitecer. Eu dei a ordem para que Isaac e Ragh ficassem aqui para te dar cobertura, mas acho que isso significa “mudança de planos” — Devries sorriu, largando o copo sobre a mesa de bebidas próxima. Ele se levantou e fez uma breve reverência ao rei, embora soubesse que não era mais necessária aquela cordialidade após séculos de companheirismo. — Nos vemos daqui a algumas horas.

Reed girou o corpo e andou até a extensa janela de vidro atrás da sua mesa de trabalho. Ele afastou a cortina escura e admirou a chuva calma caindo sobre o gramado da mansão. Havia pouca movimentação no jardim, mas os carros já estavam posicionados. Talvez o aristocrata jamais se acostumasse com aquele século evoluído, mas era completamente preciso estar ligado a tudo de última geração, principalmente se os caçadores também usufruíam do melhor armamento.

— E agora isso. Que droga! — Ele suspirou indignado.

A raça já tinha preocupações suficientes com um grupo de humanos bem específico, conhecido como caçadores. Eram parecidos com militares, mas ao invés de caçar humanos delinquentes, eles se interessavam pelas cabeças de lobos, e aquela profissão, ou melhor, hobbie estranho, era muito bem preservado. A polícia local não fazia ideia do armamento poderoso daquele grupo. E para completar, no dia anterior Caellena tinha sido assassinada por um grupo de lupinos traidores.

Com certeza Reed não iria bancar o cavalheiro quando encontrasse os responsáveis por aquele ato cruel. Ele fechou os olhos com força, o ódio retumbando em seu peito. Desprezou a si mesmo por não ter feito nada. Como rei, ele era responsável por manter a ordem na raça, e se houvesse qualquer pequeno grupo opositor, todos pagariam da pior forma. Ele não precisava de rebeldes.

“Vocês me escolheram e agora eu escolho vocês”, como diria o antecessor Markus Ward, pai de Reed, aquele que governou com uma ferocidade inigualável.

Reed admirou a pouca neblina que circundava a sua segunda mansão. O bosque em seu silêncio absoluto parecia esconder segredos sombrios. Para conter o seu estado de espirito, ele divagou sobre o dia em que conheceu sua companheira, Lizbeth, a loba solitária, uma ômega. Ele respirou profundamente, perdido no mar de sensações como se estivesse revivendo aquele dia, quando a encontrou isolada e confusa em uma casa de campo, completamente suja e em prantos. O bando a abandonou para que morresse na floresta densa.

Ele conteve um grunhido feroz no fundo da garganta. O vidro fino da janela trincou, mas não chegou a quebrar. Reed sentia um sentimento patético diante da situação, porque sentia imponência por ela, o que jamais ocorreu em mil anos enquanto esteve vivo. Ele desejava esmagar o crânio de cada ser vivo que fizesse mal a sua companheira, mas ela, tão pura e pacifista, o impedia com um simples sussurro. Era a luz das sombras que o cercavam.

Ele se permitiu sentar sobre a cadeira macia de couro preto. A chuva engrossou e os pingos acariciaram a vidraçaria fina. Reed encarou a estante repleta de livros. Ele já tinha lido cada um deles, e aos poucos, conforme o tempo passava, o rei percebeu que a sua existência era tão monótona e solitária quanto um lobo sem matilha. Ele se entregou ao frenesi e desejo ardente de reencontrar Liz, para que ela o perdoasse.

 

O baque sobre a mesa de jantar da mansão despertou a dona dos longos cabelos achocolatados. Ela parecia submersa em uma névoa que a impedia de prestar atenção no que a velha loba Margareth estava dizendo para Neith, a loba mais encantadora, carinhosa e divertida da matilha de Ward. Uma afrodescendente belíssima, dona de curvas sinuosas e um sorriso branquíssimo e confortante.

— Você está bem, querida?

Liz, como costumavam chamá-la desde que chegou a matilha dois anos atrás, sorriu diante da pergunta.

— Sim, estou. 

A lupina agarrou a barra da saia preta disfarçadamente. Estranhamente ela não conseguiu dormir na noite anterior. Os sonhos conturbados e a forma ansiosa como ela acordou a preocuparam. Nas lembranças borradas, Liz só conseguia enxergar um olhar cinzento sobre si, tão furioso e impenetrável quanto de uma fera sem controle. E ela sabia quem era o dono daquele olhar.

— Você precisa descansar. Ajudou muito hoje.

Liz concordou com um manear leve da cabeça. Ela não estava completamente exausta por ter auxiliado com as ervas medicinais e processos que envolviam a enfermagem. A lupina gostava do que sabia fazer. A cura era um dom divino, assim acreditava, e com a ajuda da curandeira mais velha, ela esperou poder agradecer a gentileza do rei em deixá-la conviver naquela matilha.

Por que você está com medo, Liza? A voz masculina soou na mente nublada da garota. Ela sentiu o coração ganhar um ritmo frenético no peito. Aquele tipo de ligação a assustava tanto quanto a embalava em um conforto amoroso. A voz rouca e tranquila de Reed penetrava no subconsciente da mulher, como se acariciasse a sua inocência.

Você está voltando, não é? Sonhei com a sua presença, meu rei. Ela pausou o pensamento quando pensou que seria repreendida pela astúcia em chamá-lo de um jeito formal demais. Desculpa, quero dizer, Reed. Ela simplesmente não entendia o motivo pelo qual ele exigiu tanto aquele tratamento informal.

Depois do sumiço do homem para tratar de assuntos pela matilha, eles mantiveram aquele tipo de contato por poucos meses, até que ele simplesmente se bloqueou, tanto mente quanto corpo e a deixou para trás. Lizbeth não tinha nada. Não possuía uma matilha de nascença, muito menos um companheiro. Pelos deuses, nada pertencia a ela. Mas Reed parecia fazer questão de lembrá-la disso, comovendo-a toda vez que suplicava para que ela o chamasse pelo primeiro nome.

Eu já estou aqui, minha pequena. Precisamos conversar. Ele deu ênfase na frase, como se estivesse dando uma ordem.

Depois de dois anos você espera que eu queira conversar com você. Isso não vai funcionar. Eu agradeço muito por toda a modéstia, mas não quero ser tratada de uma forma diferente só porque sou estrangeira. A voz da lupina, mesmo que por telepatia, tremeu. O rei cego fazia jus em mantê-la sob suas ordens, tratando-o como se fosse o último aristocrata vivo, como se ela devesse obediência a ele.

Liz prendeu a respiração quando o vento se tornou furioso lá fora. A chuva que parecia ter dado uma trégua, retornou abruptamente. O ranger de algumas partes da casa silenciou a todos na sala. Mas aos poucos, a tempestade que se formou parecia ter reduzido a uma simples garoa. Reed estava contendo o impasse das emoções. Eles não viveram juntos, mas de alguma forma ela sabia disso.

Desculpe se eu te ofendi de alguma forma, Liza. Eu só preciso... Por fim, ele não continuou o próprio pensamento. Algo na lupina tinha mudado. Ela emanava uma aura decidida, feminina e delicada.

Venha me pegar, Reed. Me pegue nos braços como fez daquela vez. Por favor, eu preciso disso tanto quanto você. Não me silencie diante dos outros, não me esconda. Liz estava atormentada, embargada em um turbilhão de emoções confusas. O peito doía, a garganta se fechou e ela mordeu o lábio inferior, oprimindo qualquer suspiro frágil. Durante dois anos ela foi a lupina que mais evoluiu, a garota que cresceu e provou o seu valor, mas diante daquele homem, ela era apenas uma mulher fragilizada. Não me peça para ser o seu conforto apenas dentro de um quarto. Eu não sou assim!

Liz se arrependeu no mesmo instante ao deferir aquelas palavras duras e vergonhosas. Mas, não houve tempo para pedir clemência. Ela sentiu o ar tenebroso no salão e quando as portas duplas de madeira pesada se abriram, ali estava o rei cego. Ele avançou implacável, impiedoso e feroz até a mesa. Os cabelos claros estavam molhados e as gotas da chuva pareceram ganhar um charme sensual enquanto deslizavam sobre a pele do Alfa. O olhar afiado como de um felino prestes a emboscar a presa era um desafio mortal.

Ele era pura ameaça, um demônio a espreita.

A mulher piscou diante do poderoso homem em sua presença, estava tão atordoada que não sentiu a pressão no próprio pulso, a tirando do conforto da cadeira de madeira para ocupar os braços definidos dele. O homem sorriu e murmurou algo em sua língua nativa para as duas mulheres, mas mesmo diante da troca de sorrisos entre eles, Liz via a fúria tomar o semblante de Reed, existia um brilho âmbar naqueles olhos opacos.

— Leve o tempo que precisar. Vou preparar um chá quente para ela. Parece cansada. O dia foi exaustivo para nós — Margareth murmurou com um sorriso tranquilizante.

Liz sentiu o estômago revirar com a ideia de que elas pareciam calmas demais com aquela presença esmagadora. Aceitaram tão bem a forma em que ele estava pronto para carregá-la para longe dali, que a garota temeu a ferocidade daquele sorriso que o rei entregou a elas, como se existisse uma ordem silenciosa para que elas permitissem tal perversão. A cortesia e piedade não faziam parte da rotina de Reed.

Você vai me machucar? Liz perguntou da maneira mais íntima entre eles, simplesmente por telepatia que compartilhavam sabe lá como. Eu vou gritar.

Reed sorriu e as chamas arderam na pele dela. Eu pensei que você iria pelo menos tentar me arranhar, pequena. Morder nem pensar? O tom divertido dele amenizou as preocupações da mulher, mas ela ainda estava tensa contra o peitoral largo e duro dele.

Enquanto os passos soavam no corredor do segundo andar, a lupina se manteve em um completo silêncio. Ela divagou sobre os motivos de Reed, permitindo-se respirar o aroma masculino tão característico enquanto era carregada. Ele era um baú misterioso para ela. Tinha tanto poder sobre a própria mente que a mantinha oculta na presença dela.

Você foi embora para se proteger ou me proteger, Reed? Isso não está certo. Talvez eu saiba o que somos, mas não quero acreditar. A voz dela estava mais forte e aflita, rouca e preocupada.

As palavras saíram como um choramingo feminino. Reed olhou para ela como se estivesse retornado de um pensamento longínquo, aconchegando-se na preocupação dela como um abraço caloroso. Ele franziu as sobrancelhas demonstrando estranheza quando os olhos de ambos se fitaram, mas não a soltou. Os olhos azuis da garota o hipnotizaram como dois anos atrás. Os lábios rosados e os sedosos fios castanhos acompanharam a delicadeza da pele branca. A angústia de Lizbeth o atingiu como uma imensa onda.

 

O quarto que o rei escolheu era o mais óbvio possível, o seu próprio. Ali, alguém jamais o importunaria. Era o seu covil, o cômodo que ele jamais pensou em compartilhar com alguma fêmea. Apaixonar-se era uma fraqueza em tempos de guerra, mas em seus braços, aninhada como uma mulher indefesa, estava a sua companheira, nascida há poucos anos, predestinada a ele por mil anos.

Reed a largou com delicadeza na cama, repousando-a sobre o lençol branco e macio. Os longos cabelos soltos e achocolatados da mulher se espalharam graciosamente pela superfície clara. Durante séculos o rei divagou em como seria possuir uma parceira da mesma raça, presenteada com curvas belíssimas, seios fartos e um olhar desafiador, mas Liz era o oposto. Os pequenos seios encaixavam-se perfeitamente nas mãos dele e os bicos rosados eram tão visíveis através da blusa branca quase transparente, que chegava próximo do pecado.

Ele se inclinou com cuidado por cima dela, venerando-a. Os olhos azulados o encaravam com curiosidade, nublados pela entorpecente paixão que os unia, mesmo em segredo. Ele deslizou o dedo indicador até encostar no lábio macio da mulher, descendo-o até o queixo, o busto e a barriga plana, abrindo cada pequeno botão com cuidado. A mente dele ficou enevoada e se ligou mais ainda a dela.

Por que precisa ser assim, Reed? Por que você parece sofrer enquanto me olha desse jeito?

Ele deteve a mão no ultimo botão sem retirar os olhos dela uma única vez. A fera interior do homem rugiu, ansiosa pelo prazer e pela libertação primitiva.  

Eu preciso proteger você, Liza. Preciso. Reed murmurou alguma coisa em sua língua nativa antes de quebrar o contato dos olhares. A fome de um animal estava surgindo, tão intensamente que o calor o dominou. A fera estava faminta para marcá-la.

Ela ouviu o murmúrio engasgado que o homem sussurrou. “Liza” era aquele apelido íntimo que só ele usava e que ela adorava. Você tinha grande carinho pela mulher que morreu, não é mesmo? Ela se inclinou e beijou a testa de Reed de uma forma doce. Tudo ficará bem, eu estou bem.

Reed sentiu quando Liz permitiu que a própria mente fosse até a dele, e instintivamente ele a bloqueou com amargura. Acredite quando eu digo que você está segura aqui.

Então por que você veio até mim? Ela sorriu de forma delicada, acariciando o rosto do homem. Você tem medo do que fará comigo. Teme que eu veja a sombra que te guia e o destinou a ser quem é. Ela deteve a caricia no lábio inferior do rei. Você é o meu companheiro, o meu recomeço e fim.

O alfa prendeu a respiração pesada, vociferando amargamente em sua língua nativa. Por que ela não conseguia enxergar o seu lado egoísta? Poderia tê-la deixado para morrer ou simplesmente ter ordenado que colocassem fim ao último suspiro da pobre coitada, isolada e esquecida. Mas controverso ao correto, Reed a condenou a ser cativa do desejo ardente e incontrolável que ele alimentou desde o momento em que a reconheceu pelo aroma de jasmin, tão delicado quanto baunilha.

A fome o condenou e a mente de Reed enevoou em um vermelho perigoso. Liz era pequena, delicada aos olhos dele. Os fios sedosos e castanhos emaranharam-se nos dedos do lupino. A pele macia dela se arrepiou com a carícia vagamente agressiva, incitando-o a roçar os lábios pelo rosto da companheira, cobrindo-lhe a boca, doce e provocador, a língua se movendo de forma sensual, lenta e possessiva.

Minha, ele sussurrou na mente dela, caloroso. Não havia escolha, ele tinha visto o brilho nos olhos dela, tão lascivo e entregue. O corpo de Reed se aproximou da amada, demonstrando o quanto ele estava duro por ela, furioso e agressivo como um amante banhado em chamas dolorosas de culpa e necessidade.

Ele abriu a blusa de tecido fino e louvou em silencio o sutiã branco de renda, contrastando sutilmente com a pele clara dela. A mão de Reed se moveu lentamente, queimando cada centímetro da maciez de sua companheira. Ele deteve a palma na linha do quadril de Liz, repousando os dedos sobre a área aveludada e generosa da intimidade ainda coberta.

Isso é tão injusto, ninguém deveria saber beijar dessa forma. O tom divertido e provocante de Liz arrancou um sorriso sincero do companheiro.

A boca dele deslizou pelo ombro da mulher, acariciando-a com veemência e gratidão. Ele agradeceu em um ditado mudo quando abriu a fivela frontal do sutiã com maestria. O polegar do homem acariciou a intimidade da amada, louvando-a com movimentos prazerosos. A língua dele afagou o mamilo enrijecido dela, apreciando a superfície terna.

Liz segurou uma súplica luxuriosa. Ela estava tão vulnerável nos braços dele, não contendo um suspiro satisfatório quando ele a abraçou com força, ardendo por eles. Ela teve a impressão de que ele perderia o controle, submetendo-a ali. Embora não quisesse admitir, a lupina adorou saber que ela era o afrodisíaco para aquele gatilho temeroso. Reed parecia uma fera curvando-se sobre ela.

Ele a puxou em direção ao próprio corpo, sentando-se na cama e a aconchegando com cuidado em seu colo, sobre a ereção poderosa que clamava por libertação. O corpo da fêmea parecia derreter sobre o dele, mergulhando-os na urgência pelo desejo, no feitiço da chama viva.

O rei murmurou palavras amorosas no ouvido dela, com ternura. O antigo idioma nativo e o tom rouco fizeram-na amolecer, entregando-se ao amante, zonza e dominada. A boca dele possuiu a dela novamente, não reconhecendo as próprias emoções conturbadas e misturadas.

Liz moveu o corpo inconscientemente, ondulando-o sobre a ereção do amado, suspirando em êxtase quando ele a apertou pelas coxas, erguendo-a, encontrando o centro quente e acolhedor. Ela gemeu o nome dele quando foi preenchida. A forma cuidadosa em que ele a tomou a encheu de confiança.

Reed apertou a cintura fina, o quadril estreito. Desculpe minha pequena, por duvidar de você. Por abandoná-la. Por ser um completo covarde. Ele murmurou de uma forma inconsciente, inebriado pelo calor úmido e as investidas profundas. Preciso de você. As palavras saíram do fundo da alma dele, como uma promessa pura. A dor na consciência tamborilava quando, de primeira vista, ele a negou como sua parceira. A viu como uma mulher indefesa, sem capacidade de satisfazer a fúria implacável dele.

Liz arqueou o corpo quando sentiu o primeiro espasmo atingi-la e levá-la ao ápice. O corpo dela queimava sobre o dele, reagindo as investidas poderosas e aos sussurros ternos e roucos do amante. Ele agarrou a cabeça de Reed com as mãos pequenas, fitando-o fixamente nos olhos. O olhar azul enevoado cintilou ao ver a fome estampada nas feições do amante. Me marque, Reed.

Droga, Liza. Não faça isso. Ele soltou um rugido baixo ao sentir as ondulações do corpo da amada sobre si. As pernas da mulher circundaram a cintura dele, incentivando-o a se aproximar o máximo que conseguia do corpo feminino e esguio. Não posso machucar você.

A lupina grunhiu algo baixinho, repousando o rosto no ombro do amado. Ela arranhou a pele morna de Reed, sobre os bíceps, quando a sensação quente, pulsante e inchada se fez presente dentro dela. Ele iria desmoronar, libertar a fera enjaulada. Ela soltou um suspiro sôfrego, e no instante que sentiu o êxtase alcançá-la novamente, ela cravou as presas pequenas na curvatura do pescoço do homem.

Reed rugiu, apertando-a contra o peito definido, gozando após alguns segundos em alívio. Ele afastou os longos cabelos castanhos da pele úmida da mulher, roçando os lábios na pele quente e perfumada. Ao cravar as presas acima do seio esquerdo da amada, o homem nele inspirou profundamente, um som se formou na garganta dele, uma súplica feroz de união.

Não há nada para perdoar, Reed. Você tinha as suas próprias razões para recusar uma companheira. Ela sussurrou com a voz suave, adormecida. Eu esperei por você e continuaria esperando. De alguma forma, eu sabia.

Reed escondeu o semblante na escuridão do quarto. Liz não precisava ver o quanto aquelas palavras significavam para ele, tanto pela aceitação quanto pela dedicação de sua parceira. Com cuidado, ele a deitou sobre a cama, cobrindo-a com um lençol fino. O tecido repousou sobre o corpo delicado, deixando a silhueta evidente e os seios enrijecidos marcados.

Durma, minha pequena. Você precisa descansar agora. Ele sussurrou com a voz quente na mente dela, acalmando a própria euforia para não a afetar. Ele passou os dedos sobre a barriga dela, observando o sorriso divertido se formar nos lábios da mulher.

Faz cócegas. Ela riu enquanto o encarava. As pálpebras estavam pesadas, mas ali, ela tinha se dado conta do vínculo que ambos estabeleceram. Você vai estar aqui quando eu acordar? A voz hesitante dela soou entre eles.

Reed acariciou o rosto da amada, aproximando os lábios da testa da mulher, confortando-a como podia. Prometo.

Os olhos dela passaram pelas linhas duras do rosto do companheiro, aproveitando o toque como se fosse uma longa carícia. Daquele modo, ela adormeceu.

Minha para sempre. Ele sussurrou em sua língua nativa, deitando-se ao lado dela. 


Notas Finais




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