História Bela Morta - Capítulo 5


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Categorias Originais
Tags Belamorta, Eloagaspar, Romance
Visualizações 7
Palavras 1.751
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 5 - Capítulo 4


Um dos donos do mais novo projeto de marketing da Leictreonach Corporation, caminhava feliz pelos corredores da empresa até o setor de contabilidade. Bruno havia decidido que antes de fazer qualquer coisa no dia de hoje na empresa, resolveria as questões contábeis do seu projeto, lhe haviam indicado uma funcionária chamada Ana para lhe ajudar e ele não via hora de resolver mais essa questão.

Chegando no setor, Bruno cumprimentou um estagiário que já havia conhecido em outro setor e perguntou quem era Ana, o estagiário varreu rapidamente com os olhos o setor até pousá-los sobre uma moça a uma curta distância deles, vestida com uma camisa social rosa clara e uma saia lápis preta.

- É aquela dali! E parabéns pelo projeto. - informou o rapaz antes de se retirar para realizar seus afazeres.

 

Bruno pôs os olhos sobre a tal moça que poderia lhe ajudar e sentiu um jato de surpresa lhe atingir. Ele nunca tinha visto alguém como ela. Não, essa não é uma daquelas cenas de amor a primeira vista, onde nosso querido herói vê a mocinha pela primeira vez e se encontra perdidamente apaixonado por ela e tem a súbita certeza de que ela é o amor da sua vida, não mesmo, nada disso. Bruno nunca tinha visto ninguém como ela por outro motivo.

Ana era uma mulher bonita era inegável, nada de uma beleza extraordinária e arrebatadora, era apenas bonita, nada demais, altura média, pele clara, tinha quadris largos que faziam um conjunto harmônico com seu corpo cheio, era bem aquele tipo nem muito gorda, nem muito magra, nada estilo comercial de roupas; seus cabelos eram compridos chegando a bater na cintura, um pouco ondulados e intensamente negros e os seus olhos... Ah, os seus olhos. Os olhos de Ana eram a razão por Bruno vê-la como uma pessoa totalmente diferente das outras, eles eram castanhos bem escuros e não tinha vida alguma, era aterrador como eles pareciam mortos e vazios.

Bruno sentiu um arrepio lhe correr a espinha, ele nunca tinha visto olhos como aqueles antes, ele podia jurar que se ela ficasse imóvel por alguns minutos a confundiria com uma estátua de cera, pensando melhor, as estátuas de cera estavam cada vez mais realistas e qualquer uma delas poderiam ter olhos mais vivos do que os de Ana, talvez até um cadáver os tivesse.

Bruno afastou os pensamentos sobre os estranhos olhos da mulher e se aproximou cauteloso, quase com medo. “O que te deu Bruno? É só uma garota, estranha, mas só uma garota.” Se recriminou mentalmente se aproximando de vez.

- Olá! Você é a Ana, não é? - perguntou agindo da forma simpática e educada de sempre.

- Sim, sou eu.

Mais um arrepio estranho. A voz daquela mulher era assustadoramente fria, era como se ela não tivesse forças para falar, mas, ao mesmo tempo, fosse capaz de falar com qualquer pessoa a qualquer momento, era algo muito estranho e Bruno não conseguia explicar.

- Posso ajudar? - a voz fria, fraca e monótona fluiu mais uma vez.

- Sim, pode sim. - respondeu nervoso ajeitando os óculos sem necessidade. - Eu estou precisando de um contador para me ajudar com as contas do projeto e meu supervisor disse que você poderia. - respondeu depressa, quase se embolando nas palavras.

Bruno era tímido, por vezes desengonçado até demais, mas aquilo não era normal, ele não agia daquele jeito em frente as pessoas, ele não se sentia assim... Como dizer? Intimidado. Isso! Ele estava se sentindo intimidado e essa não era nem de longe a intenção de Ana, ou melhor, ela não tinha intenção de nada, nunca. Ana só atendia aos pedidos e tarefas que lhe davam, ela nunca agia, nem ali ou lugar nenhum, ela simplesmente reagia.

- Tudo bem. Você trouxe a cópia do projeto?

Bruno não parecia ouvir, mais uma vez ele olhou nos olhos de Ana, grande erro. Eles eram ainda mais mortos de perto.

- Você trouxe a cópia do projeto? - Ana repetiu percebendo a desatenção de Bruno, mas não soou impaciente ou algo parecido, ela soou como sempre fria, fraca e monótona, resumidamente ela soou ela.

- Claro, aqui está. - Bruno acordou de sua viagem ao mundo dos mortos e puxou uma pasta azul marinho da bolsa e entregou a cópia de seu tão amado e suado projeto.

Ana pegou a pasta abrindo logo, folheou o projeto por um curto tempo, desprendeu as folhas que continha o orçamento detalhado e as tabelas de cotas de investimento, as separou do resto do projeto fechando a pasta e a devolvendo a Bruno.

- Eu só preciso disso do seu projeto, além de todas as notas que você for adquirindo durante a realização do mesmo, os contatos de funcionários e terceirizados envolvidos e o relatório detalhado das cotas de investimento que conseguiu. - explicou.

Bruno se sentiu ofendido, ela nem ao menos tinha olhado direito para o seu querido projeto, sua obra prima, ela só se importava com os números. Sério? Qual era o problema dela? Ou melhor. Qual era o problema dele? Ele nem a conhecia e ela não parecia nem um pouco interessada em mudar isso, ela só queria fazer o trabalho dela e pronto.

Ana realmente não tinha nada a ver com seu projeto ou seu sonho, Bruno não fazia parte da área de atuação dela, era óbvio que ela não ligava para ele ou para o projeto dele, ela não tinha obrigação de querer lê-lo. Mas aquele projeto era tão importante para Bruno, que mesmo que fosse ilógico, ele se sentia ofendido por ela não ligar, porém isso era bobeira.

- Aqui. - ele respondeu após guardar seu projeto e puxar outra pasta da bolsa.

- Tem seu e-mail em algum lugar aqui? - perguntou apontando para pasta agora em suas mãos brancas e finas. - Eu preciso dele para te mandar as tabelas e os relatórios financeiros. Se você quiser pode me mandar as notas que forem surgindo também por e-mail, enquanto vai guardando as originais com você e no final me entrega tudo.

Bruno se sentiu tão aliviado com a proposta de Ana que até soltou um suspiro de alívio, mas Ana não ligou, talvez nem percebeu.

Bruno não podia querer outra coisa, resolver tudo por e-mail e não precisar ficar constantemente olhando para aqueles olhos pavorosos, isso era perfeito.

- Deixa eu anotar para você. - falou rápido anotando o e-mail em uma das folhas da pasta com sua caneta de estimação, que sua mãe havia lhe dado assim que entrou para a faculdade. - Aqui está! Até o final do projeto. - falou por fim, devolvendo a pasta e se retirando aliviado.

Bruno nem se incomodou pela falta de uma despedida convencional por parte da moça, na verdade ele já esperava por isso. Ana não parecia gostar de falar, segundo a primeira impressão de Bruno, Ana parecia não gostar de nada, nem de filhotinho de cachorro, ou manhãs de sol e até mesmo de sorvete. E cá entre nós, Bruno não estava muito errado, a moça era absolutamente estranha.

A rotina de Ana era incomparavelmente mais rigorosa do que a de Bruno, ou de qualquer outra pessoa, sua rotina era simples e inflexível. Trabalho, tarefas domésticas, trabalho e dormir, simples e fácil. E você entendeu direito, era trabalho duas vezes, porque quando não estava trabalhando na Leictreonach Corporation, estava trabalhando em casa.

Ana não ia a festas, reuniões de amigos e nem enterros, ela já tinha preenchido a cota do último para o resto da vida. Ela não tinha família, nem mesmo um tio distante que morava em outro estado, nada. Por vezes Ana se perguntava secretamente o porquê dela ser a única que sobrou, a última Pinheiro Carvalho. Se a moça tivesse humor acharia irônico seus dois sobrenomes serem nomes de árvores de grande utilidade, mas Ana não tinha humor, então isso era apenas irrelevante como tudo que era vivo.

 

xxx

 

Sentado na cadeira reclinada, olhando fixamente para um ponto qualquer na parede de vidro da sala que dividia com seu melhor amigo, Bruno pensava no encontro que tivera mais cedo com Ana, os olhos daquela estranha moça não lhe saíam da cabeça. Como alguém podia ter olhos assim? Será que ela possuía uma alma? Bruno achava essa ideia meio absurda, afinal, todo mundo possuía uma alma, não é verdade? Mas aquela mulher definitivamente não era todo mundo.

Ana era diferente de tudo que Bruno já tinha visto, uma moça aparentemente normal, que ao fitar seus olhos toda a normalidade sumia, só de lembrar o rapaz sentia novamente um arrepio lhe percorrer a espinha.

- Tá tudo bem, cara? - Tiago questionou ao entrar na sala e encontrar o amigo perdido em outra galáxia.

- O que? - Bruno devolveu voltando ao mundo real.

- Eu perguntei se você está bem... Desde que você voltou do setor de contabilidade, você está aí desse jeito.

- Eu estou bem sim, só pensando em algumas coisas. - respondeu tentando parecer natural, sem muito sucesso.

- Sei... Por um acaso isso tem a ver com a garota que vai ajudar a gente? - seu tom era desconfiado e a sobrancelha esquerda que se erguia confirmava isso.

Bruno sabia bem onde Tiago queria chegar com aquele papo, já podia adivinhar até a próxima pergunta do amigo.

- Ela é gata? - Bruno revirou os olhos na hora tendo a prova de que estava certo.

- Não! Quer dizer, até que é um pouco, mas não é por isso que eu estou assim.

- Claro! Conta outra, Bruno. Você vai até a contabilidade, conhece uma mulher gata, que provavelmente também é inteligente, fica igual a um idiota, olhando para o nada e quer me dizer que não é por causa disso que está assim.

- Você não entende... Eu não sou igual a você, Tiago. - reclamou endireitando a cadeira pronto para dar atenção ao seu trabalho.

- Realmente você não é igual a mim, eu sou mais prático e muito menos romântico. Você se incomodaria se eu começasse a resolver nossas questões com a contabilidade? - tentou provocar, mas não surtiu muito efeito.

- Fique à vontade, me pouparia muito não ter que voltar até lá. - Bruno falava sério, ele estava assustado.

- Que coisa estranha, mas eu não vou ficar tentando entender você, nunca consegui mesmo, não vai ser agora que eu vou entender. - deu de ombros.

- Vamos trabalhar que é o melhor que a gente faz.



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