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História Believer - Capítulo 1


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Notas do Autor


ARROY, baaah meu, arram. Quanto tempo!

Desculpem, tô viciada no Luba uahuahuaha tudo bem com vocês? Cara, eu comecei essa fanfic em 2018 e entrei em um bloqueio MONSTRUOSO, nem sei como consegui sair dele. Nesse exato momento eu tô desesperada porque deixei minha facul de lado pra poder escrever essa fic (eu volto a estudar, prometo klsdjisjd) e tô com medo de flopar.

Faz 3 anos que não posto uma "long" fic por aqui, tô neurvoser. Espero que aproveitem o capítulo, e desculpem pelos 8k. Eu falo muito.

Capítulo 1 - Chamas Azuis


Fanfic / Fanfiction Believer - Capítulo 1 - Chamas Azuis

A ferida é o lugar por onde a luz entra em você.

— Cassandra Clare

Busan, 10 de janeiro de 2019

            — Eu já vou, pirralho!

            O som de batidas incansáveis no quarto de MinHee parou. Ela não sabia se agradecia ou se desconfiava, já que o irmão não parava de chamá-la para comer pizza — às 10h da manhã. Ele também costumava mandar bilhetes por baixo da porta para avisar qualquer coisa que ela não soubesse enquanto se trancava à procura de paz.

            A luz matinal do sol estava fraca, mal beirava pelas paredes do cômodo. O mundo afora era abrigado de brisas geladas do inverno da Coreia.

O aconchego da cama de MinHee a fazia querer ficar ali o dia todo, mas detestava procrastinar. Era vista com estranheza se dissesse que não gosta de ficar sem fazer nada, pois na sua idade o que mais gostam de fazer é dormir.

            O telefone sem fio estava em sua mão, e sua amiga Narae estava na linha tagarelando. Assuntos de festa, formatura, meninos, faculdade e dinheiro rodeavam a cabeça de MinHee, e já eram o suficiente para deixá-la com dor de cabeça.

            — Espera, espera, espera aí — disse ela, perdida e interrompendo sua amiga. — Está me dizendo que você não teve culpa de ter feito aquilo, Narae?

            Narae suspirou e fez um ruído na ligação.

            — Eu estava bêbada, Min. Faz um mês que isso aconteceu e você ainda não me perdoou. Vamos nos despedir sem ressentimentos, hum?

            A voz dela parecia cansada de explicar o que havia acontecido. Ela entraria para a Korea University daqui a um mês, uma das faculdades mais populares da Coreia do Sul e uma das mais antigas. Faria Medicina Veterinária e para isso teria que se mudar de Busan. A garota tinha um histórico bom no colégio, além de ser louca por animais. A prova disso? Uma vez, nas férias da metade do ano de 2018, ela foi levada para um hotel com fazenda pela sua família, visitou uma criação de porcos e tentou levar um escondido para o seu quarto no hotel. Resultado: quase foi expulsa de lá junto com os seus parentes.

            Resumidamente, é uma pessoa inteligente. Mas MinHee às vezes duvidava disso.

            Ela deitou com o telefone perto da orelha e deu um sorriso pequeno. Os cabelos negros e grandes se espalharam entre os lençóis. Embora a festa de sua formatura do terceiro ano tenha sido desastrosa, foram seus últimos momentos com Narae — embora isso soe um pouco dramático. De repente, a música eletrônica alta que tocara na celebração com seus colegas de classe a invadiu e arrastou até as memórias.

            Lá estava Narae, tombando a cabeça para o ombro de seu namorado — MinHee não fazia ideia de como era seu nome, mas sinceramente, isso não a interessava nem um pouco. Eram tantos, um atrás do outro, tantos que passavam diante de seus olhos e pela vida de Narae que ela pensou que poderia existir — literalmente — uma fila de caras esperando uma oportunidade com sua amiga.

            E ela era verdadeiramente atraente. Seus cabelos ficavam acima dos ombros, ela era delicada e ao mesmo tempo tinha um corpão, ou seja, uma mulher que MinHee com certeza se interessaria — se fosse o caso.

            Como eram da mesma sala, ficava mais fácil uma acompanhar a vida da outra. Porém, quando se tratava de relacionamentos, MinHee sempre ficava em seu canto, chegava até a contar carneirinhos fora da hora de dormir para disfarçar quando ficava de vela.

            — A-ha-ha-ha, você ouviu isso, Min? — Narae batia várias vezes na mesa, balançando as garrafas de soju que quase caíam. — Ah, as suas piadas são as melhores, honey.

            Ela era fluente em Inglês, mas ainda assim era esquisito misturar esse idioma com o coreano. Céus, por que ela é assim? pensou MinHee antes de responder.

            — Nem quero.

            Não havia coisa mais entediante do que estar cercada de casais numa mesa só. Aquilo era uma despedida, MinHee repetiu mentalmente, como um mantra. Vou ficar aqui só por mais uma hora e ir embora só por consideração a Nah, ela repetiu, abaixando a cabeça e encostando-a na mesa.

            E esse tempo que parecia uma eternidade, passou. O céu era pincelado da cor rosa e laranja, tal mistura que iniciava o fim da tarde. MinHee não falava com muita gente, apenas fazia sinais de longe para as pessoas era o suficiente. Mas em compensação, comeu desde o almoço até não caber mais nada dentro dela.

            Metade de sua turma resumia-se em estar se pegando, e a outra metade estava embriagada e gargalhando. Eles nunca deram motivos para serem odiados pelos professores ou coordenadores, a não ser que os deixassem sozinhos em sala de aula.

            E agora estavam realmente sozinhos; sem nenhum adulto para supervisionar.

            Narae chamou a atenção de MinHee de surpresa: enroscou o braço na curva do pescoço da morena e encostou ambas as testas, rindo alegremente ao arrumar um apoio. E cantava — ou tentava cantar — músicas misturadas de um jeito engraçado.

            Agora as duas cambaleavam até a saída do sítio alugado, perto de onde havia uma piscina enorme. Alguns caras olhavam para elas com sorrisos maliciosos, chamando-as com assobios. Poderia ser apenas uma brincadeira deles, para mexer com elas? Não. Foi aí que MinHee andou mais rápido, mesmo com o peso do corpo de Narae sobre o dela.

            — Kim MinHee — a chamou com um tom manhoso, enrolando uma mecha de seu cabelo castanho no dedo indicador. — Você é a melhor amiga que eu tenho. Se me abandonar, eu vou te matar, sua vaca. E... — Tombaram para o lado e MinHee teve que colocar sua perna direita com mais força no chão. Ela praguejou baixinho. — Periquito.

            Sua mente tentava encorajá-la enquanto seu rosto dizia o contrário. Ela o distorceu completamente quando ouviu um simples — e agonizante — som: UUUURGH.

            Elas estavam perto... tão perto da saída. Desde quando MinHee chegou, pensava em sua casa, embora diariamente tenha que enfrentar um obstáculo — Hyun. Mas dispensou esse pensamento ruim.

            Mesmo assim, sua casa era o reino tão, tão distante que ela desejava quando ela era obrigada a ir em lugares que não queria ir.

            Olhar para baixo não foi a melhor opção.

            Narae havia vomitado e expelido álcool em cima do moletom preto que MinHee adorava. Não tinha muitas roupas, no entanto, as valorizava. Puta que pariu, pensou.

            — Woo Narae! — MinHee gritou, com os olhos escuros arregalados.

            Elas se soltaram imediatamente. O excesso de vômito chegava a escorrer para a calça legging. As pessoas ao redor viraram os olhares até elas, algumas nauseadas e outras dando risinhos chocados.

            MinHee olhou para a saia xadrez da outra, para a meia-calça e para a camisa preta de mangas compridas, pois fazia frio. A estampa dizia BE FUCKING NICE, o que era bem irônico. Tudo nela estava limpo — tirando alguns respingos —, já que o vômito foi uma espécie de espirro na direção de MinHee.

            — Como assim PERIQUITO? Você é a pessoa mais aleatória que eu conheço! Se fosse uma investida de me avisar que sujaria toda a minha roupa, não seria mais válido um AMIGA, EU ESTOU PASSANDO MAL?

A imagem de Narae com as duas mãos sobre a barriga — ela podia sentir o gosto horrível na boca de suco gástrico vindo de seu estômago — e com um olhar de espanto que quase comoveu MinHee. Quase.

            — Min...

         — Ei, calma, garotinha — um garoto ruivo disse para MinHee. Ela tinha certeza de que ele era apenas um convidado de um de seus colegas. — Quer um banho para tirar toda essa caca?

            MinHee franziu o rosto pequeno. Garotinha? Mas se conteve.

            — Aqui nem tem chuveir...

            Quando viu, mais dois caras surgiram rapidamente de Nárnia e a pegaram no colo — ou melhor, a levantaram como se fosse uma artista musical em um show super badalado. Tipo quando esses artistas se jogavam para a multidão e eram carregados por ela.

            Ah, como se arrependeu de ter sido lerda. Ela devia ter notado a insinuação bem clara na voz do garoto.

            A mente de MinHee girou no alto. Ela queria dizer que não sabia nadar, que estava morrendo de frio para se molhar, mas não ligariam. Foi aí que pensou que se debater adiantaria alguma coisa. Errado. Foram se aproximando e ela viu toda aquela água azul, o fundo da piscina térmica, as pessoas berrando JOGA, JOGA, JOGA! e aí o cheiro ruim de suas roupas chamou sua atenção. Ela foi levando o olhar dela mais para baixo e se lembrou. Caralho...

            — Eu estou menstruada!

            A galera animada fez do ambiente um velório. Ninguém falava mais nada, mas Narae chorava, completamente bipolar por causa do efeito das bebidas. Como MinHee sabia que não era por ela se sentir culpada pelo que fez? Simples: ela ria e chorava ao mesmo tempo.

            Os caras gigantes a colocaram no chão, finalmente, pedindo desculpas tão baixo que ela quase não ouviu.

            MinHee olhava para todos, esgotada demais para falar. Ainda assim, conseguiu murmurar perto da orelha de Narae um hidrate-se, o semblante ilegível. Não estava à vontade para levá-la para casa. Ela tinha um namorado e ele tinha um carro, pronto para ser vomitado também.

            Saiu de lá depressa, desse jeito, com o moletom cheio de golfo e as botas a salvo — pelo menos a coisa mais cara saíra ilesa. Não olhou para trás e não sabia se perdoava o ato irresponsável de Narae — que vivia dizendo que tomaria cuidado com festas, com o álcool e com sua vida sexual. Nessa hora, em estado de estresse, MinHee não conseguia ser compreensível. Estava ansiosa para pegar o ônibus.

            — Preferia estar no meu quarto maratonando Harry Potter — sussurrou para si mesma, tendo sorte em ver o transporte que dava para perto de sua rua encostando até o ponto. E teve que sair correndo para alcançá-lo.

            Um susto atravessou o corpo de MinHee. Narae havia dado um gritinho e em seguida uma risada.

            — “Periquito” — zombou ela. — Agora que eu me lembrei. De onde eu tirei isso?

            Ela se recordou disso depois de um mês. Provavelmente seria por causa da ressaca e da sua personalidade de Dory.

            MinHee revirou os olhos. Ela podia jurar que viu um movimento estranho na porta do quarto, mas respondeu:

            — Talvez pela sua paixão por animais e até mesmo por bichinhos frágeis como periquitos.

            Houve um suspiro do outro lado da linha.

            — Há uma coisa que não te contei. Eu fui embora da celebração dos formandos com o meu ex — Narae parou quando MinHee fez um sonido de espanto. — Nós dois chegamos na frente da minha casa, a minha alma voltou para o meu corpo por um breve momento e terminei com ele. Eu estava cansada de não ser tratada com carinho, romantismo... e ele só sabia me chamar para festas. Comecei a sentir falta de gestos clichês. São poucos os homens que fazem isso.

            — Você não merece migalhas, Nah — argumentou MinHee. — Está dando tudo errado agora porque um dia dará muito certo.

            Uma expressão sombria surgiu no rosto dela. Ela não era a melhor pessoa para aconselhar sobre amor romântico, visto que nunca havia acreditado nele por não conseguir senti-lo. Mas achava que era de sua obrigação sustentar autoestimas.

            MinHee viu do canto dos olhos a maçaneta da porta girar. Hak-kun tentava espiar o que acontecia lá dentro curiosamente. Ela deu um salto da cama com o telefone na mão, sorrindo de boca fechada, o que assustou seu irmão ao perceber que foi visto.

            — Antes que bata a porta na minha cara — entregou-se e entrou, erguendo os braços em rendição —, a pizza chegou faz 10 minutos. Se não for lá agora, vou comer ela inteira sem dó nem piedade.

            Ela olhou para o que havia além da fresta da porta — a visão da mesa da cozinha, o cheiro de massa invadindo os cômodos, a caixa de pizza aberta e os copos na mesa. Seu estômago roncou alto e Hak-kun fechou a boca com as mãos para não rir.

            Ele sempre ajudava com a organização das refeições, gostava de ser responsável. E, para completar seu jeito certinho, era muito inteligente.

            Então ela se despediu de Narae na frente dele e apertou no botão de encerrar a chamada.

          ✦

            A mesada dos filhos Kim não passava de 10000 won. Era uma parte do dinheiro que arrecadavam do Restaurante Pier e até bastante para Chung-Ae poder pagá-los, porém as tarefas da casa em que moravam exigia esforço deles para limpar, cozinhar, desinfetar e lavar, além do Restaurante Pier da família.

            Hak-kun gastou sua mesada com os dois pedidos de delivery de pizza de wasabi picante. Quase nunca fazia isso, mas provavelmente não tinha mais nada em mente para comprar.

            — Não cheguei a interromper você e o seu namorado — resmungou Hak-kun, porque MinHee poderia estapeá-lo pelo jeito que o encarava. — Eu só não queria que as pizzas esfriassem.

            Em resposta, sua irmã pega um pedaço de bulgogi — carne coreana — e joga na direção dele. Ele estava distraído guiando uma fatia com a espátula para o papel toalha e nem precisou desviar. MinHee errou a mira.

            Se Chung-Ae visse aquilo, falaria para a filha lamber o chão se sujasse alguma coisa.

            E sujou. Ela bufou e estava prestes a levantar da cadeira quando Hak-kun foi buscar a carne recém-desperdiçada.

            — Regra dos cinco segundos! — Ele grita, animado, e joga a bulgogi na boca.

            — Eca — MinHee segurou sua pizza e mordeu. — Ah, e era Narae na ligação, seu mané — disse ela com a boca cheia, dando uma olhada no copo cheio de café do mais novo. Café com pizza? — Você tem uns gostos bem estranhos.

            Hak-kun fez um bico.

            — Está frio. Preciso de café quente para ter energia para aguentar minha turma — disse ele.

            Hak-kun estudava de tarde e voltava sozinho, o que era raro para pré-adolescentes como ele. A maioria estudava de manhã, mas ele odiava acordar cedo. Se quando acorda tarde perde os óculos e eles estão grudados em seu rosto, imagina o que faria se dormisse menos.

            Ele acrescenta:

            — E quando eu digo “Pizza do café da manhã”, é o mesmo que “Mamãe não está aqui para me impedir de ser rebelde”.

            — Cuidado, garotas, o badboy está na área — provocou MinHee. — Garotas incluindo Yoo-Jung.

            Foi adorável ver uma cor vermelha preencher o rosto branquinho de Hak-kun, combinando em companhia do velho casaco da mesma tonalidade. Hak-kun corava facilmente — característica que herdou da irmã. O rosto dele era um ponto gigante vermelho entre os cabelos negros.

            Lee Yoo-Jung era a filha dos vizinhos barulhentos dos Kim. Brigam o tempo todo, quebram utensílios da casa e berram alguns palavrões cabeludos. Dava para aprender um monte com eles diariamente.

            Mas ela não fazia nenhum barulho. Era como um gato assustado quando via Hak-kun; eles coincidentemente eram da mesma escola — High School. O estilo da garota dizia o contrário de sua personalidade: meio gótica, mechas verdes no cabelo mediano e maquiagem forte. Quando a família Lee viajava, os dias pareciam ficar até mais leves.         

            — Por que não fala com ela? — insistiu MinHee. — Você é bonito, estudioso, respeitoso...

            — E tímido demais — concluiu ele.

            Ela sentiu pena. Era uma característica dela também. Sabia o quanto era ruim ser covarde algumas vezes e insegura consigo mesma.

            — No entanto, não vou desistir de te ajudar. — Ela deu de ombros. — Não estará livre de mim, mocinho.

            Quando engrossou a voz na última frase, Hak-kun gargalhou e voltou à sua cor normal. Estava mais relaxado. Não gostava do assunto sobre namoro, porque o deixava triste assim que pensava sobre o que tinha que fazer para tentar mudar a situação.

            — Sua voz ficou igual à do Hyun.

            O comentário acabou gerando um silêncio desconfortável. Hak-kun fechou a mão direita no formato de um punho. MinHee percebeu que foi sem querer ele mencioná-lo. Na verdade, os dois desejavam falar normalmente das pessoas, sem guardar rancor ou contar fofocas. Mas Hyun jamais foi motivo de felicidade deles.

            Felizmente, ele passou um dia longe da casa deles, porém isso gerava certas desconfianças em MinHee. Ele namorava Chung-Ae há três anos. Ela perdeu o marido, Hwan, em um trágico incêndio, e a metade da vizinhança do lugar em que moraram testemunhou — inclusive MinHee, ainda criança.

            Hyun começou a não tratar bem os filhos de Chung-Ae depois de dois anos de convivência. Adorava beber e forçar sua paixonite por ela, que achava aquilo uma prova de carinho — embora odiasse o cheiro de álcool impregnando a casa. Era uma “prova de carinho” para ela porque quando as pessoas costumam beber, elas costumam dizer coisas que escondem dentro delas, e ele despejava palavras bonitas — nada reais na visão de MinHee.

            Os maus-tratos aconteciam na ausência de Chung-Ae e ele mudava o jeito drasticamente quando ela estava por perto. É um falso, manipulador e ótimo em fazer terror psicológico.

            Uma das principais perguntas que fariam a MinHee — se soubessem o que ela passa — seriam: por que não fala logo a verdade à sua mãe? E ela certamente responderia: o amor cega as pessoas. E para fazê-las enxergar de verdade, algo com elas precisa acontecer para que permitam que seus próprios olhos se abram.

            Há várias coisas por trás dessa resposta. A situação toda não estava piorando, pois os irmãos Kim se uniam e permaneciam quietos, sem se meterem com Hyun. Isso pelo menos não os interessava. Ele parecia fazer Chung-Ae contente e era uma coisa importante a se consentir.

            MinHee a ajudaria, já que estará fora praticamente o dia todo. Ela deixou bem claro para Hak-kun passar seu próprio uniforme, ir para o colégio e tomar cuidado nas avenidas cheias de neve.

            Hoje, no Restaurante Pier, ela ocupará o lugar da mãe. Era algo que distraía sua mente, mas atender clientes famintos e louças cheias de restos de mariscos a entediava. Às vezes tinha que enfrentar crianças correndo pelo recinto, e pedir ajuda para alguém segurá-las era a tarefa mais difícil.

            Ela fitou a caixa vazia de pizza e sentiu culpa por ter comido tudo com o irmão. Mas se Chung-Ae soubesse que comeram besteira escondidos, seriam esfolados.

            — Estava enjoado de frutos do mar — começou Hak-kun. — Valeu a pena.

            E deu um arroto.

            MinHee emergiu no estabelecimento da mãe, mas antes fora recebida com o frescor distante da Praia de Haeundae — que ficava perto da região, sendo o ponto turístico gratuito mais popular de Busan. Em dias quentes, tudo lotava: trânsito, estacionamentos, lanchonetes e Self Services — e a visão da placa com o nome do restaurante.

            A nostalgia de lembranças do mar e da areia fofinha provocava uma bagunça em MinHee. Ela visitava a praia com a mãe e o pai. Os três disputavam corrida, andavam na beira da água, deitavam em toalhas de banho. Faziam isso quando a vida não facilitava para eles. Hwan costumava dizer: os dias difíceis são os mais significantes.

            Do lado de fora dava para visualizar as luminárias de águas-vivas penduradas no teto — lâmpadas de luz negra. Era o maior tipo de enfeite marinho do restaurante. MinHee jogou sua mochila em algum canto, alongando os braços após abrir a entrada do Pier.

            E deu de cara com os funcionários já presentes — Ji-hoon (cozinheiro), Min-Soo e Dong-Chul (assistentes) — que conversavam atrás do balcão de preparos. Certamente aguardavam uma das donas estarem presentes para começarem o trabalho.

            Ji-hoon, o único de cabelo colorido — o tingira de verde —, era o mais próximo da família. MinHee o chamava de Ji e o recomendou porque é amigo de Narae; já arrumou um bico na casa da mãe dela, sendo assim convenientemente confiável.

            — Um bom dia a todos — MinHee se surpreendeu com sua própria formalidade. — Quer dizer, sem cerimônias. Vamos começar o quanto antes, pois o movimento nas ruas está crescendo. Efeito da hora do almoço.

            — Bom dia, chefinha — disse MinSoo. Ele e aquele sorriso zombeteiro de sempre. — Está encantadora hoje, não?

            Dong-Chul, organizando as ferramentas da cozinha, fez um tsc de reprovação para o colega e balançou a cabeça.

            Você deve estar louco por um aumento, MinHee queria dizer.

            — Olha, eu sei que trabalhar com a minha mãe deve ser difícil porque ela pega muito no pé de vocês — começou. — Mas também não vou facilitar estando no comando. Se vocês não manterem o ritmo, todas as cabeças vão rolar. E não sou eu que vou decepá-las.

            — Estaremos à sua disposição. — Ji estava com uma faca enorme na mão e fez pose de soldado, raramente brincando. — Pare de ser interesseiro, Min-Soo.

            MinHee permitiu-se sorrir depois que Min-Soo bufou. Será que ela estava tão radiante assim? Vestia três blusas por baixo do agasalho branco largo e duas camadas de calça jeans, quase idêntica a eles — todos desfrutando do aquecedor ligado. Ela achou melhor esquecer a bajulação recebida e foi na direção dos aventais de serviço nas gavetas do balcão para colocar o seu.

            Os dois — tirando MinHee e Ji — trabalhadores do Pier tinham sido escolhidos a dedo por Chung-Ae. Sem dúvidas os mais honestos que ela encontrou. No começo, o Pier não tinha ajudantes, somente MinHee, Hwan e Chung-Ae.

            Desde a morte de Hwan, parecia tudo apenas um ambiente vazio, mesmo ocupado por mobílias. Sem cadeiras, sem decoração, sem o amor que dedicaram ali. Perdeu a essência artística de antes.

            À noite, o restaurante podia ser visto de longe pelas luzes em neon rodeando o nome Restaurante Pier dos Kim. No interior, ilustrações de estrelas do mar estavam em uma fileira coladas nas paredes marrons, mesas em formato de barcos e canoas eram devidamente alinhadas, além de vasinhos de flores ornamentarem quase todo o estabelecimento. O clima era bonito, agradável de se trabalhar. O que MinHee mais admirava era o quadro do oceano pintado por seu pai, pregado e centralizado no teto. Passava seus momentos de devaneio olhando para ele, perdida entre os mistérios do azul claro das ondas desenhadas. Se ela tivesse que salvar o objeto mais importante dali, seria aquela obra.

            O que os fregueses comentavam do Pier — além da boa comida — eram as músicas. MinHee tinha um gosto mais versátil para música do que a mãe; ela misturava sons clássicos (para os mais antigos), instrumentais eletrônicos (para o público jovem), melodias sentimentalistas e os sucessos tocados de Kpop. Duas caixas de som ficavam nas duas laterais — esquerda e direita. — MinHee não deu muito valor ao seu gosto pessoal, tinha que deixar qualquer um que entrasse ali satisfeito.

            A garota notava embalagens de produtos a todo instante; tornara-se um hábito. Tinha um grande desejo em criar e passava noites pensando em diversas maneiras para entrar em uma faculdade boa de Design Gráfico. E pública, de preferência. Já dependera demais de Chung-Ae para pagar seus 12 anos de escola. Agora juntaria sua própria renda e controlaria seu orçamento sozinha.

            Não se sentia tão responsável quanto Hak-kun, que começara a guardar o dinheiro que ganhava dos outros parentes aos 10 anos. Não que MinHee gastasse toda a quantia que conseguia, mas a usava para pagar seu psicólogo. Ela enfrentou uma fase chata na pré-adolescência em que pareceu perder o caminho certo de sua vida.         

            Hormônios aflorados, traumas e fobias não podiam ser ignorados.

            Mesmo correndo contra o tempo e desviando desses problemas, assim que pegava o irmão triste por algum motivo, ela o abraçava, o levava até seu quarto e abria o YouTube. O nome da banda Nickelback era digitado no computador. Logo, a música Far Away se iniciava. A família tinha os CD's da banda, mas nos dias atuais era mais rápido utilizar as redes sociais para pesquisá-la.

            Far Away teve grande importância no vazio da saudade de MinHee e, mesmo assim, na vida de Hak-kun, que não se lembrava do pai — estava no colo da mãe e tinha 3 anos no dia em que perderam Hwan. A música aumentava o romantismo vívido entre Chung-Ae e Hwan, dançando enquanto construíam o Pier, uma certa menininha de cabelos compridos brilhante à claridade solar e rodopiando como uma bailarina, dando risadas alegres... eles arrastando móveis e espanando excessos de pó.

            O lugar fora a conclusão da vida feliz dos Kim. A última recordação.

            Agora virara um simples comércio.

            — Novos pedidos! — anunciou MinHee, colocando em ordem os papéis dos pedidos presos em um varal na frente do balcão. As mãos eram ligeiras: prendiam as folhas com os pregadores e os olhos acompanhavam o andamento das comidas.

            Os pratos típicos do cardápio eram: hemultang (ensopado de frutos do mar), mariscos, ostras, nakji (polvinho), geleia de peixe com molho chogochujang, miyok refrescante, kimchi frito com queijo de soja, komak e bikumbap. O prato do dia com promoção era hemultang. Não variavam tanto, todavia o restaurante ficava mais tumultuado nas segundas e sextas por causa da famosa hora do rush.

            — Min-Soo! Deixe as louças para depois e leve o pedido para a mesa 5! — MinHee berrou. — Molho picante em dobro para a mesa 7 — disse em seguida para Ji (a voz por pouco fora totalmente abafada pelos sons de fritura e pressão das panelas). Ela correu para o fogão de Dong-Chul e trocou uma frigideira de lugar antes que queimasse, pois o viu dar atenção a frascos cheios de molho e jogar fora os terminados. Ele sorriu em agradecimento, mas foi rápido.

            Então isso era viver. Sentir a adrenalina, a correria, a intensidade, a afobação, rasgar-se e remendar-se.

            A tarde passou sem MinHee notar. Ela errara um pedido — consequência de ter pensado em assuntos fora do Pier. Passou o olhar pelas crianças com telefones sentadas em duas poltronas até encontrar a pessoa certa que fez o pedido. Andava rápido abrindo e encostando a porta do depósito, carregando várias coisas na mão; chamara a atenção levemente de Min-Soo, complicado como era trabalhando na pressa; Ji persistia em equilibrar o processo das refeições (e conseguia) para não dar trabalho demais a Dong-Chul — já que ele também cozinhava, porém ocupava-se anotando pedidos com um caderninho e uma caneta junto a MinHee.

            Por enquanto dava para lidar com esses ocorridos vorazmente. Mas se todos perderem o compasso e não derem conta da capacidade de pedidos, Chung-Ae terá que dar um jeito de contratar mais um funcionário.

            Um garotinho chegou a puxar a calça de MinHee para dizer de boca cheia que a comida estava maravilhosa, e ela se sentiu infinitamente grata.

            Sua postura ao servir estava firmemente decidida, embora suas roupas fedessem a frutos do mar. Detestava esse detalhe. Não estava iminente de se cansar; ainda havia outras coisas a se fazer ainda naquele lugar.

            O espaço noturno convertia-se em uma sala de luta. MinHee o usava por uma hora após todos os funcionários se retirarem.

            Ela treinava Kung Fu escondida, como um outro hobby. Sempre fazia dupla ao lado de sua mãe nos papéis de assistência, mas não contava suas decisões para ninguém porque seus objetivos eram sombrios: ela queria aprender a se defender de Hyun, caso acontecesse alguma situação de urgência — não confiava que ele se controlaria por muito tempo. Hak-kun também estranharia sobre ela ter voltado a aplicar essa distração sozinha, porque a morte de Hwan a distanciou de diversos passatempos.

            Praticar Kung Fu também servia para aliviar o estresse cotidiano. MinHee não sonhava em virar uma lutadora profissional, só quando criança amava assistir programas e novelas que envolviam artes marciais.

            Normalmente, é mais fácil vermos um garoto admirar outros garotos acima de tatames, como se fossem seus heróis; alguém que eles queriam se tornar no futuro. Um desejo apenas masculino era o que a sociedade obstinava em dizer. Mas MinHee quebrava qualquer tipo de muro que a impedia de seguir o seu coração.

            Aqueles que passavam uma energia determinada a ela, a encantavam.

            Uma vez, quando ela tinha 5 anos, ficou triste por causa da maioria das garotas só gostarem de brincar de boneca. Ela praticamente era a ovelha negra dos grupos das amigas. Sentia-se deslocada. Hwan, que viu seu estado, a chamou para reanimá-la.

            E pegou leve em seus bracinhos. Tirou-a do quarto e começou a dançar de repente, sem música, e arrancou risadas contagiosas da pequena. No entanto, a coisa mudou: ele demonstrava a MinHee que era possível dançar — um entretenimento para reacender seu bom humor — e lutar ao mesmo tempo; sabia que a filha de maria-chiquinha nascera com gostos peculiares. Então, ele fez posições de luta, girava e era gracioso enquanto a segurava.

            Os passos eram misturados de balé e valsa; um tanto esquisito para alguém que visse. Porém, para MinHee, aquilo estava sendo mágico. Ela imitava os passos do pai, flexionando uma das pernas e abrindo-as. A esquerda continuava reta, já a direita estava dobrada. A posição em que se encontravam os braços era precisa, as palmas das mãos abertas e na defensiva.

            E mesmo com pouca idade, ela sabia o que ele queria ensinar agindo delicado em meio aos gestos de combate. Havia entendido tudo: era totalmente normal lutar como uma garota.

            Uma das curiosidades de Busan — situada na costa sudeste do país — que aproximava turistas ou novos moradores eram as ilhas e montanhas em volta. Parques e aquários também eram atrações. A comida, então, vermelha de tão apimentada. Isso explicava a escolha de pizza de Hak-kun.

            E um dos perigos se destacava a não-obrigação de usar capacetes ao andarem de moto. O trânsito era uma desordem e os pedestres não escapavam dessa característica negativa. Às vezes, MinHee se perguntava como conseguiam viver lá sem tomar alguma atitude de mudança para a melhoria dos próprios moradores; mas isso não dependia só de uma ou duas pessoas.

            Os Kim não teriam tanta atenção se construíssem seu comércio em outro lugar. O distrito de Haeundae parecia perfeito: arranha-céus, intensas deslocações e vistas panorâmicas.

            Já dentro do Pier, no prelúdio do crepúsculo, MinHee costumava derrubar as coisas que acertava, porém não quebrava nada. Limpava tudo e saía quando terminava para a segurança dela, da mãe e do restaurante. Não podiam esconder o medo de serem roubadas mais uma vez.

            Parte do dinheiro importante que Chung-Ae costumava guardar para emergências sumira de casa. Detalhe: nem Hyun, nem os filhos dela sabiam do esconderijo dele. Então quem ali estava mentindo?

            MinHee sabia que a mãe não desconfiava deles e ao mesmo tempo desconfiava. Ela até duvidava de si mesma e evitava acusar qualquer um, assim como evitava tocar no nome de Hwan.

            MinHee virou uma plaquinha escrita FECHADO para a visão de quem passava do lado de fora. Ela deixou o ventilador de teto ligado no intuito dele continuar arejando o ambiente. Puxou as 10 mesas e as cadeiras para perto de duas poltronas macias de três assentos. A perspectiva interna do lugar estava bloqueada; sorte que as janelas de vidro poderiam ser tampadas por cortinas.

            Ela se alongou na medida em que estava correndo pelo Pier atendendo os clientes e também fez isso antes de realizar os próximos exercícios que exigiam esforço.

            A garota foi em silêncio para o meio do restaurante. Enquanto imaginava um certo oponente à sua frente, desamarrou seu avental e repetiu os movimentos do Estilo Dragão do Kung Fu — eficaz para as mulheres. Ele teve sua origem no ano de 1750 e resumia-se em ataques e defesas fechadas muito perigosas. Ao treinar até que desmaie ou sem alguma intenção específica de profissionalismo, tanto fazia, ao treinar diariamente seu corpo fica cada vez mais fortalecido.

            Concentrada, MinHee fez o primeiro movimento que aprendeu: arqueou a perna direita e esticou a esquerda. Abaixou-se quase a ponto de encostar sua bunda no chão. Com ajuda da imaginação, ela se lembrou de uma imagem que viu na internet, a qual um homem musculoso se posicionava com um dragão atrás dele banhado a fogo, fazendo a mesma coisa. As escamas da cor verde, garras pontiagudas à mostra e a boca aberta com a língua comprida saindo de dentro dela.

            No fundo do coração de MinHee, ainda havia um motivo pelo qual ela adotara esse estilo durante muito tempo.

            Os praticantes do Estilo Dragão atacavam usando especialmente os joelhos, cotovelos e tornozelos. Ela, elegantemente, disparara uma série de golpes de agarramentos. Devia ser veloz, portanto, utilizava técnicas firmes no ar: socos, chutes curtos — até a altura que conseguia — e bloqueios fortes com os cotovelos. Queria cumprir com um dos seus objetivos e tentou novamente levar a perna direita a alcançar um ponto maior. Feito isso, não havia doído.

            Ela se sentiu satisfeita. Sua cintura fina é o centro de seu equilíbrio, onde estão os maiores músculos do corpo humano.

            Esticar os braços, disse ela mentalmente. Por enquanto não dê a entender que irá atacar, e sim se defender. Não feche as mãos. Deixe-as abertas e intactas.

            Alguns minutos depois, o suor frio já tomava conta de sua testa. MinHee exalava charme liberando arfadas, as bochechas coradas pela exaustão. Ela encarou o relógio redondo pendurado na parede — no alto e na direção do balcão — e se deu conta de que ele marcava 21h. Ficou 2 horas ali. Chung-Ae provavelmente já estaria em casa dormindo; já Hyun, ela não sabia.

            Resolveu terminar o pequeno treinamento. Não sabia se era bom o dia passar rápido ou não. Tinha sido a mesma coisa monótona de sempre.

            MinHee levou mais alguns minutos para reorganizar os móveis. Tirou seu avental do chão, guardando-o de volta no lugar. Foi direto pegar as chaves do Pier e de sua casa. Por um instante, estava de costas para a porta da saída andando para desligar alguns interruptores. Ouviu um barulho e virou-se, dando de cara com um freguês.

            O que ele estava fazendo ali? Será que não viu o aviso de que estavam fechados?

            — Senhor. — Ao começar a falar, travou. Não havia percebido que ele era esquisito: usava roupas escuras, um boné e uma máscara branca cobrindo a metade de seu rosto. — Nós estamos fechados. Não fazemos hora extra aqui.

            Ela viu os olhos dele encontrarem os dela, com um brilho vazio. MinHee estava sozinha, frente a frente com a figura masculina calada. Algo nele, que não se importou nem um pouco com a resposta recebida, a deixou petrificada.

            — Tenho certeza de que poderá me atender — disse ele.

            O interior de MinHee se remexeu de medo. Aquilo não parecia um pedido, e sim uma ordem. Ela pensou em voltar e acender o restante das luzes, mas lá estava ele, se aproximando enquanto dava passos para trás. Muitas coisas terríveis passaram pela cabeça dela. A garganta pareceu ficar seca como se tivesse engolido algodão.

            Por que se esqueceu de trancar o restaurante? Que tipo de pessoa responsável ela era?

            Um martelo invisível acertara seu cérebro. Lógico que ele não queria comer ali. Ele era um assaltante. Puxara devagar a pistola presa na calça e nem precisou apontá-la para MinHee, posto que ela já estava tremendo. Então ele sorriu.

            — Garotinha — falou o desconhecido. Parecia tranquilo demais para quem estava prestes a fazer uma vítima. — Vamos manter a calma. Você sai da minha frente devagar, sem fazer movimentos bruscos. Eu vou até o caixa, você o abre com a chave e eu levo o dinheiro comigo. Quem sabe eu deixe você sair daqui sem arranhões? Não ouse pegar uma faca ou algo do tipo, senão eu atiro.

            As últimas palavras a esmurraram como um golpe. Onde a minha mãe está? Hak-kun voltou bem do colégio? Está tudo bem com eles? O que eu faço agora? era só o que MinHee conseguia pensar. Chung-Ae estava prestes a perder dinheiro mais uma vez — inaugurara o Pier porque parou de trabalhar quando teve MinHee aos 24 anos. Tinha o sonho de abrir o próprio negócio e Hwan a ajudou a construí-lo degrau por degrau. Lembrar disso naquele momento esmagou o peito de MinHee. Ela não podia permitir que mais uma frustração arrebatasse a sua mãe.

            O caixa ficava perto dos fundos do restaurante. Eles caminhavam lentamente para lá, o que não agradava MinHee. Caso precisasse gritar por ajuda, ninguém a escutaria. Mesmo que tenha aprendido técnicas de luta corpo a corpo, ela não tinha chances contra uma arma.

            Mas em vez de obedecer ao homem, ela aproveitou que ele estava próximo e fez algo imprevisto.

            Se não estava sendo impulsiva, não sabia o que estava fazendo. Foram flashes violentos: ela levantando a postura, agachando brevemente e formando dois punhos nas mãos. Inicialmente, ele não entendeu, mas arregalou os olhos na brecha em que ela o atingiu no tórax com um soco. Ele cambaleou para trás.

            Não dava para enxergar muito bem ali. Nem MinHee previa o que fazer depois que ele sacasse sua arma. Não era experiente em Kung Fu, muito menos em lidar com bandidos.

            A arma dele poderia ser de brinquedo, ou não. Por isso saiu correndo antes que a pistola fosse apontada para ela e o jogou contra o chão. Os dois caíram com um baque.

            MinHee estava por cima segurando um dos ombros dele coberto pela jaqueta de couro, tentando alcançar a arma e jogá-la longe enquanto ele se empenhava em puxar o cabelo dela. Infelizmente ele era mais forte e acertou a bochecha de MinHee através de um tapa. Ela caiu com o impacto, esbarrando em uma estante e derrubando materiais de vidro.

            Seu rosto começou a arder, tanto que fizera uma careta, mas não se abateu tanto. Tratando-se de MinHee, ela seria tão louca quanto seu pai se tivesse que arriscar sua vida para escudar seus propósitos.

            Quando se recuperou do tapa, o homem já estava se apressando em procurar seu revólver. MinHee não reagiu; sabia que o tempo estava reduzido se tentasse buscar algo para o desacordar.

            — Não era para terminar assim, sua imunda — começou ele, apertando o cabo de borracha da arma. — A culpa é inteiramente sua. Se não tivesse sido idiota tentando evitar que sua mãezinha seja roubada, você não teria tido esse fim.

            MinHee estremeceu dos pés à cabeça. Ela o encarou, apoiada no próprio chão e respirando desgovernadamente.

            — C-como sabe da minha mãe? — gaguejou. — Você nos conhece? Quem é você?

            Ela viu um sorriso horrível surgir na face do homem porque ele tinha covinhas, contudo mudou bruscamente de expressão.

            — Chega de perguntas.

            MinHee avistou o dedo dele soltando o gatilho e sentiu algo cutucando suas costas. Discretamente, ela levou a mão escondida para tocar no objeto e percebeu que era um copo partido ao meio. Agarrou aquilo como se fosse algo precioso sem que o homem notasse, como uma última esperança, e atacou.

            O utensílio bateu na cabeça dele, porém não a ponto de deixá-lo desmaiado. Ele gemeu de dor, um corte sangrento aparecendo em sua testa.

            — Vaca — o anônimo rosnou e partiu para cima de MinHee.

            Ela gritou.

            As pernas de MinHee foram presas pelas dele, e sua boca foi calada com uma mão.

            — Você era uma gracinha antes de ter atrapalhado meus planos — continuou falando através da máscara. — Agora terei o trabalho de me livrar de você. Acho que vou te contar a verdade. Sua ida para o céu ou para o inferno será bem angustiante depois de saber que foi Hyun quem me mandou para cá.

            MinHee gemeu — um gemido contido de raiva, dor e traição. Sangue do cúmplice de Hyun pingou no queixo dela. Hyun havia comido lá, poucas vezes ajudou a servir, mas ele pisou lá. Mesmo à beira da morte, com uma pistola pressionando sua cabeça, MinHee prometeu a si mesma de que se vingaria do homem que iludiu sua mãe esse tempo todo.

            A briga acabou ali, na retaguarda do guichê — atendimento ao público — do Pier. MinHee não derramava lágrima alguma. O pânico já tomara conta dela.

            Portanto, recordou-se de sua fé perdida há muitos anos. Pensou ligeiramente se, mesmo denominando-se ateia, Deus existia.

            Ela teve a ideia de morder o ladrão, mas um barulho incógnito chamou a atenção dos dois. Ele não a soltou.

As ruas eram barulhentas à noite, então o som não poderia ser da porta sendo aberta drasticamente por alguém.

            Ela estava entreaberta desde que o invasor entrou. Qualquer um que passasse perto poderia ouvir o que acontecia lá dentro. Estava provado que o criminoso não era tão inteligente assim. Ele não parecia ter pensado que tinha possibilidade de ele pego em flagrante.

            Foi aí que alguma coisa voou por cima do balcão. Alguma coisa, não, e sim uma pessoa que não tinha a estrutura corporal igual à do adulto, porém parecia saber o que estava fazendo. Mesmo deitada e com o medo corroendo seus ossos, MinHee pôde ver que o indivíduo era alto e usava um sobretudo negro com uma máscara cobrindo o rosto.

            Ela era branca, tinha até orelhas, a boca parecia de um coelho e os olhos desenhados nela eram negros. A pessoa chutara de raspão no rosto de MinHee a arma do bandido, sem erro. Embora a pessoa fosse esquisita, não parecia má. Pelo cabelo, certamente era um cara.

            O criminoso mal teve tempo de revidar: recebeu um soco tão forte na mandíbula que MinHee jurava ter visto um dente dele sendo arrancado. Custou para ela se levantar e entender que devia arrumar um jeito de sair dali, com aqueles dois atracando-se na frente dela.

            O assassino, tentando ignorar a dor que sentia, ficou de pé e aplicou-se para desferir um soco. O garoto desviou. Eles se afastaram para o meio do Pier e MinHee saiu do lugar estreito.

            Apesar de estar na torcida pelo seu defensor pensando “Bate, bate nele! Faz purê!”, ela arfou de nervosismo, mas não escolheu fugir.

Uma reflexão a assombrou: ele a lembrava de um menino que a inspirou desde criança. O nome dele era Jeon Jungkook, bicampeão de Kung Fu em toda a Ásia. Participou de várias competições de Kung Fu e dominava o Estilo Dragão; era a fonte de estímulo e admiração dela.

            Mas MinHee desistira de acompanhar os campeonatos mais disputados de artes marciais. Os assuntos associados a seu pai, que a apoiava incondicionalmente, foram bloqueados pela sua mente. Menos agora, nesse momento tenso de vida ou morte.

            A grandeza dos ataques de seu defensor a impressionava. Ela balançou a cabeça para esquecer as lembranças que despertavam sentimentos descontrolados em seu coração.

Na sua visão, vendo todos aqueles socos contra o criminoso desarmado — levando murro nas pernas, na boca do estômago e no rosto, como se não quisesse se defender —, era até normal para uma pessoa comum executar.

            Então o desconhecido deu a volta, subiu no balcão e pulou no homem, sem hesitar, fazendo uma chave em torno de sua cabeça com as pernas.

            Certo, ele era um mutante.

            MinHee os abandonara para investigar onde estaria a pistola. Correu por um corredor perto dali — que dá para os fundos e o depósito — e a viu no pé da entrada do banheiro feminino. Não se comprometeu a pegá-la; só não podia perdê-la de vista.

            O coração dela batia forte no peito. Olhou para o alto e viu uma câmera de segurança distante — a que Chung-Ae pediu para instalar —, inserida perto das cortinas. MinHee suspirou, aliviada. Posteriormente as coisas foram muito rápidas: os barulhos de móveis sendo aterrissados pararam e o garoto estava agachado de costas para ela. Seus cabelos negros entre as duas orelhas da máscara pareciam ter mechas azuladas — como singelas chamas azuis. Ele parecia cansado, inspirando e expirando rapidamente, imobilizando o corpo do maior — estirado no chão e inconsciente.

            MinHee se aproximou dos dois. Não dava para acreditar que um ocorrido desse tipo mudaria a sua vida. Há pouco estava se preparando para morrer e se culpando por abandonar a família graças à sua irresponsabilidade.

            MinHee respirou fundo e tomou cuidado ao ajoelhar-se do lado do garoto. Estava curiosa, reparando em suas roupas. Como ele a ouviu e por que não quis nem saber o que aconteceu antes de iniciar uma briga perigosa?

            — Você está bem?

            Ela se assustou. Ele nem precisou encará-la para paralisá-la; estava atento ao rosto desvendado do cúmplice do padrasto dela, como se o analisasse.    

            Então ele consegue enxergar através da máscara.

            — Melhor agora.

            Dentro de alguns segundos, ela se deu conta de que aquilo soou como uma cantada e mordeu os lábios com força.

            — Tem alguma corda para me emprestar? — disse o rapaz. — Preciso amordaçar a Bela Adormecida.

            A garota assentiu. Estava feliz por ele ter aparecido, mas não queria demonstrar uma gratidão exagerada.

            O susto do ocorrido havia cessado. O relógio marcava 21h45 e MinHee no caminho de casa teria que passar pela delegacia. Ela não parava de pensar no que Chung-Ae faria, chegando amanhã no Pier e o vendo nesse estado. Elas teriam uma longa e difícil conversa.

            O criminoso fora amordaçado e preso em uma pilastra, sentado e apoiando a cabeça nela. Cordas de algodão o prendiam. MinHee observava o “ninja” agindo em silêncio.

            Seu coração ainda estava agitado e ela não sabia exatamente o porquê.

            — Ele foi, de fato, um babaca. O que mais me deixa com raiva é...

            MinHee parou de falar quando o outro se levantou, com as mãos nos bolsos do sobretudo abotoado — ela sendo presenteada com a imagem inteira dele iluminada levemente.

            — Sua raiva será diminuída se eu disser que ele ficará mancando por semanas? — perguntou ele, sorrindo descontraidamente.

            — Até que sim — respondeu MinHee. — Foram incontáveis torções no braço e pancadas nas pernas. Ele devia estar paraplégico. Estou muito grata.

            Ele riu. MinHee se perguntava se ele diria seu nome e a deixaria decidir a respeito do que fazer com o homem mergulhado em um sono profundo — e ele era absurdamente feio, ainda mais sangrando e com os olhos roxos.

            — Foi obra sua, não foi? — disse o garoto. — A ferida na testa dele — apontou para o homem. — Eu sei que esse sangue não é seu.

            — Sim.

            — Pequena como é, parece ser indefesa.

            MinHee olhou em volta e sorriu.

            — Está falando de quem? Não há mais ninguém aqui além de nós — disse ela. — Se está se referindo a mim, sou pequena e super capaz de me defender. — Cruzou os braços. — Então, como você soube que eu estava sendo agredida? Por que quis me ajudar?

Seu defensor deu a impressão de recear sobre alguma coisa que passou depressa por sua mente.

            — Acho que a resposta é bem simples. Eu estava passando e vi a placa de que estavam fechados. Mas a porta estava aberta. Estranhei, comecei a ouvir gritos de uma mulher e não precisei de nenhuma justificativa para lhe ajudar.

            MinHee não se comoveu com o projeto de Sherlock Holmes.

            — Aí do nada colocou uma máscara de coelho e entrou. Você por acaso é um stalker?

            Ele a olhou atrás da máscara como se ela fosse a garota mais sem noção que já vira.

            — Vale ressaltar que eu salvei a sua vida — disse. — Eu gosto da vizinhança daqui. Vi o nome desse estabelecimento várias vezes e o cheiro de frutos do mar me atraiu. Só não entrei para comer porque não tinha tempo.

            Até porque você assustaria meus clientes com essa máscara bizarra, pensou MinHee.

            — Tudo bem — ela suspirou. — Vou parar de desconfiar. É que fiquei em choque. Nunca imaginei um estranho voando no balcão do meu restaurante e quase pisando na minha cara. E você nem me causou uma lesão sequer. Foi perfeito.

            — Eu gostaria de tirar uma dúvida. — Ele passou a mão pelos cabelos brandos. — Alguém que também comanda esse lugar sabe lutar Kung Fu?

            MinHee arqueou as sobrancelhas.

            — Eu — respondeu, hesitante. — Por quê?

            Ele a encarou de cima para baixo.

            — Se não percebeu, há uma fresta nas cortinas que permitem que vejam o que acontece aqui dentro — falou. — Uma vez me deparei com um som de algo caindo e olhei para cá. Só dava para ver uma silhueta tentando imitar o Estilo Dragão desalinhadamente, mas isso foi há alguns meses. Outras vezes, confesso que fiquei curioso e percebi que ela estava melhorando. Tem certeza de que aquilo era você?

            MinHee sentiu uma pontada de raiva. Aquilo? Impressionante o fato de ele conhecer as técnicas de Kung Fu e já sair julgando uma novata!

            — Se eu disse que era eu, era eu. Eu treino Kung Fu todos os dias, se quer saber. Tinha parado de praticar por uns anos.

            — Então eu devia dizer que você está no caminho certo — o tom de voz dele estava calmo, como se estivesse pedindo desculpas pelo pequeno insulto. — Você tem habilidades e determinação; a garra que todos precisam ter para investir nas artes marciais, além do foco obrigatório. Precisa ter sangue aventureiro para apostar sua vida por algum propósito que tenha em mente. Eu gostaria de recrutá-la se aceitasse. Recrutá-la para uma Escola de Artes Marciais. Estamos basicamente no começo das aulas e seria ótimo recebermos novos colegas.

            MinHee ficara sem palavras. Aos 5 anos ela colocava sua imaginação fértil para funcionar, idealizando imagens de escolas de Kung Fu, e ela estudando nelas.

            Mas e se for uma mentira desse anormal para te constranger? disse o diabinho mentalmente a ela. E se ele te achou péssima nisso e quiser pregar uma peça?

            Cale a boca, disse o anjinho. Ela estaria morta se não fosse por ele.

            O anjinho e o diabinho são a percepção do bem e do mal de MinHee, um costume popular de intitular essas duas figuras. O pior é que o diabinho era mais tagarela. Ele dizia que o garoto da máscara poderia ter invadido a casa dela para roubar sua mãe — assim como já a observou antes, e por isso quis protegê-la: para não ser um suspeito.

Mas isso era impossível. Estava claro que Hyun era o ladrão e comandaria vários roubos se viável. Ela e o garoto tinham acabado de se conhecer e, como ele mesmo disse, ele salvou a vida dela.

            A maioria dos telespectadores dos eventos de Kung Fu viam que os participantes treinavam arduamente. Claro que o público não tinha autorização de saber os endereços dessas escolas. Estavam proibidos de serem divulgados devido aos parentes de certos alunos quererem a segurança deles.

            MinHee acabou não respondendo, duvidosa, e isso arrancou um som inconformado do garoto mascarado.

            — Se ainda desconfia de mim, tudo bem, vou deixar você mesma procurar a verdade. O nome é Instituto Yoonsei. Fica longe do centro de Busan e eu estudo lá há anos. Caso encontre um lago grande, estará no caminho certo. Procure o Instituto se for capaz e consiga entrar.

            Procure o Instituto se for capaz. Isso a atentou.

            — Eu vou pensar — disse ela com tom de ansiedade na voz. — Eu já disse que sou grata e confio em você. Não me faça dizer isso de novo. Mas qual é o seu nome?

            — Depois você encontrará suas respostas. Estou indo embora.

            — Espere! — protestou MinHee. — Você não vai nem me acompanhar?

            Mas ele já estava se apressando até a porta da saída, pegando uma bolsa preta jogada no chão. Antes de ir, disse:

            — Me lembrei que devo ir a um lugar. Ligue logo para a polícia, visto que é a principal testemunha. Diga a eles em detalhes o que aconteceu, desde o começo e até quando entro na história. Não haverá problemas se contar a verdade, só mostre as filmagens das câmeras e diga coisas que não me complicarão. Ah, e tem sangue no seu queixo.

            O rosto de MinHee definitivamente dizia “Tá de brincadeira, né?”. Droga, ela precisava saber seu nome.

De súbito se lembrou: o sangue fresco. Tinha sangue sujo bem na minha cara e eu não me toquei.     

            Por fim, discou o número da polícia no telefone.

            MinHee entregou à autoridade policial, que visitou o Pier e algemou Dae Jun-Ho, o caso sucedido.

            Ela ajeitou o cachecol em volta do pescoço, querendo se esquentar melhor. Na medida em que falava, soprava ares gelados pela boca. Ela se surpreendeu por ter se determinado a dar o depoimento, precavida e sólida respondendo a todas as perguntas; usufruiu da oportunidade de contar sobre Hyun, ainda descreveu sua fisionomia para a polícia — o que foi o suficiente para ela ficar ciente e de olho nele. Registrou o Boletim de Ocorrência, em virtude de também ter havido agressão durante a tentativa de assalto.

            A noite foi extensa. Chung-Ae aguardava a filha deitada no sofá, os cabelos presos, as pernas esticadas, a sala coberta por um breu. A televisão estava ligada, dando anúncios. Então uma onda de empatia sobrecarregou MinHee... Ela fechou a porta atrás de si, a mochila bege nas costas, desligou a TV e cobriu a mãe com o edredom cuidadosamente.

            A comida que Chung-Ae comprou restara para MinHee. Ela foi na cozinha, a esquentou e a devorou, mesmo estando sem fome. Não queria acordar no dia seguinte sem forças.

            MinHee deu um sorriso abatido assim que entrou no quarto apertado de Hak-kun. Revistas de quadrinhos e mangás estavam largados pelo chão, e sua irmã não resistiu à vontade de colocar as coisas no lugar.

            Uma lembrança veio à tona: ela segurando Hak-kun no colo, pequeno e chorando, indefeso em seus braços.

            Aproximou-se da cama do mais novo, beijando sua testa e dizendo:

            — Faz tempo que você não dorme tão bem assim.

            Ele se mexeu, mas não acordou.

            MinHee andou até seu quarto e se recusou a dar falta de Hyun. Seria culpa dele se ela fosse morta. Eternamente culpa dele.

            Trancada, pegou o celular no bolso menor da mochila e ligou primeiro para SeokJin, depois para Na-rae.

            Avisou ao cozinheiro de não ir trabalhar até que tudo fosse resolvido e pediu para ele passar a mensagem aos outros. Ji pareceu decepcionado. Não com MinHee, e sim com o tanto de crimes aparecendo sem parar.

            Narae não parava de perguntar se a amiga estava bem e se estava machucada. Ficaram praticamente a madrugada inteira conversando a ponto de MinHee cair no sono devido ao cansaço mental e físico. Nem sabia se toparia o convite daquele garoto e se ele estava sendo verdadeiro. Aliás, muitos ultimamente não estavam sendo verdadeiros com ela. Tudo parecia um jogo de interesse, onde os menos vulneráveis e espertos venciam.

            Estou arruinada, foram as palavras ditas por MinHee antes dela adormecer.


Notas Finais


Hak-kun é gente como a gente nos arroto

Agora é sério, comentem aqui em baixo o que vocês acharam, preciso saber se preciso melhorar em algo ou se o capítulo foi maneiro. Tava com saudades de vcs, porra!

PLAYLIST DA FIC (vale a pena baixar): https://mega.nz/file/S14gSAiK#uUFl9tMGvKWxe4m8l6JDJ9jrHu8iOfqCo7YkaqgHyZw

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ATUALIZAÇÕES NAS QUARTAS E SEXTAS-FEIRAS ♥


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