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História Belo Desastre - Jikook (EM REVISÃO) - Capítulo 18


Escrita por:


Notas do Autor


Yo? E ai como vcs estão? Ta tudo muito doido né? Mais enfim parece que a fic vai acabar mais rápido que o planejado né? Com essa pausa da escola eu tenho até que muito tempo, tirando que eu vou ter prova mais ok.
Mudei a foto de perfil de novo, era suposto que eu colocasse outro idol mas eu pago pau de mais pro Yongguk então foi ele de novo hehehe.
E antes que eu esqueça de falar, deixei meu twiitter na bio vcs podem falar comigo por lá, ou pela caixa de mensagens daqui mesmo, proeto que respondo!!!



Boa Leitura!!

Capítulo 18 - 18-Hellerton


Fanfic / Fanfiction Belo Desastre - Jikook (EM REVISÃO) - Capítulo 18 - 18-Hellerton

Jin não tinha voltado ao Morgan desde que reatara o namoro com Namjoon. Quase nunca ia almoçar comigo, e seus telefonemas eram raros e espaçados. Não me ressenti com o casal por isso. Para falar a verdade, eu estava feliz que Jin estivesse ocupado demais para me ligar do apartamento dos meninos. Era estranho ouvir a voz de Jungkook ao fundo, e eu ficava com um pouco de ciúme por ele estar passando um tempo com ele e eu não.

 

Hoseok e eu nos víamos cada vez mais, e, de forma egoísta, eu me sentia grato por ele estar tão sozinho quanto eu. Íamos para a aula juntos, comíamos juntos, estudávamos juntos, e até Chin acabou se acostumando a tê-lo por perto.

 

Meus dedos estavam começando a ficar amortecidos com o ar gélido enquanto ficávamos do lado de fora do Morgan para que ele fumasse.

 

— Você consideraria parar de fumar antes que eu tenha uma hipotermia por ficar aqui, parado, para te dar apoio moral? — perguntei.

 

Hoseok deu risada.

 

— Eu te amo, Jimin. Amo mesmo, mas não. Nada de parar de fumar. 

 

— Jimin?

 

Eu me virei e vi Parker vindo pela calçada com as mãos enfiadas nos bolsos. Seus lábios estavam secos sob o nariz vermelho, e dei risada quando ele colocou um cigarro imaginário na boca e soprou uma baforada de ar enevoado por causa do frio.

 

— Você poderia economizar muito dinheiro desse jeito, Hoseok — ele.

 

— Por que todo mundo resolveu me encher o saco por causa do cigarro hoje? — ele perguntou, irritado.

 

— E aí, Parker? — perguntei.

 

Ele tirou dois ingressos do bolso.

 

— Aquele filme novo sobre o Vietnã já estreou. Você disse que queria ver outro dia, então arrumei uns ingressos pra hoje à noite.

 

— Sem pressão — disse Hoseok.

 

— Posso ir com o Brad, se você tiver outro compromisso — disse ele dando de ombros.

 

— Então não é um encontro? — eu quis saber.

 

— Não, só um lance entre amigos.

 

— E já vimos como isso funciona com você — Hoseok me provocou.

 

— Cala a boca! — dei uma risadinha — Legal, Parker, obrigado.

 

Os olhos dele brilharam.

 

— Você quer comer uma pizza ou alguma outra coisa antes? Não sou muito fã da comida do cinema.

 

— Pizza está ótimo pra mim — assenti.

 

— O filme é as nove, então eu venho te buscar as seis e meia mais o menos?

 

Assenti de novo e Parker acenou com a mão em despedida.

 

— Meu Deus — exclamou Hoseok — Você é um guloso, Jimin. Você sabe que o Jungkook não vai gostar nada disso quando ficar sabendo.

 

— Você ouviu o que ele disse. Não é um encontro. E não posso fazer planos com base no que está bom para o Jungkook. Ele não me perguntou se estava bom pra mim antes de levar a Megan para o apartamento dele

 

— Você nunca vai deixar isso pra lá, hein?

 

— Provavelmente não mesmo.

 

 

***

 

 

Nós nos sentamos a uma mesinha de canto, e esfreguei as luvas uma na outra para me aquecer. Não pude evitar e notei que estávamos na mesma mesa em que me sentara com Jungkook na primeira vez em que saímos, quando nos conhecemos. Sorri com a lembrança daquele dia.

 

— Qual é a graça? — Parker quis saber.

 

— Eu só gosto desse lugar. Bons tempos.

 

— Notei a pulseira — disse ele.

 

Abaixei o olhar para os diamantes reluzentes no meu pulso.

 

— Eu te disse que tinha gostado.

 

A garçonete nos entregou os cardápios e anotou nosso pedido de bebidas. Parker me contou as novidades sobre seu horário de primavera na faculdade e falou sobre seu progresso nos estudos para o teste de admissão na faculdade de medicina. Na hora em que a garçonete serviu nossa cerveja, ele mal tinha parado para respirar. Ele parecia nervoso, e eu me perguntava se ele não achava que aquilo era um encontro, apesar do que tinha dito.

 

Ele pigarreou e disse:

 

— Desculpa. Acho que acabei monopolizando a conversa. — Depois inclinou a garrafa, balançando a cabeça. — É que a gente não conversava fazia tanto tempo que acho que eu tinha muito assunto pra pôr em dia.

 

— Está tudo bem. Fazia mesmo um bom tempo.

 

Nesse exato momento, o sino da porta soou. Eu me virei e vi Jungkook e Namjoon entrando. Demorou menos de um segundo para que o olhar fixo de Jungkook encontrasse o meu, mas ele não pareceu surpreso.

 

— Ai, meu Deus - murmurei baixinho.

 

— Que foi? — Parker perguntou, se virando para ver os dois se sentarem a uma mesa do outro lado do salão.

 

— Tem uma lanchonete descendo a rua. Podemos ir lá— ele sussurrou.

 

Se antes ele parecia nervoso, agora estava ainda mais.

 

— Acho que ficaria chato sair agora — resmunguei

 

O rosto dele se entristeceu, derrotado.

 

— É, acho que você está certo.

 

Tentamos continuar a conversa, mas ela tinha ficado forçada e desconfortável. A garçonete passou um longo tempo na mesa dos meninos, passando os dedos pelos cabelos e alternando o peso do corpo de um pé para o outro. Por fim, ela se lembrou de pegar nosso pedido quando Jungkook atendeu o celular.

 

— Vou querer o tortellini — disse Parker, olhando para mim.

 

— E eu vou... - minha voz falhou. Fiquei distraído quando Jungkook e Namjoon se levantaram.

 

Jungkook seguiu o primo até a porta, mas hesitou, parou e se virou. Quando viu que eu o observava, cruzou o salão direto na minha direção. A garçonete tinha um sorriso de expectativa no rosto, como se achasse que ele tinha voltado para se despedir, e ficou desapontada quando ele parou ao meu lado, sem nem piscar na direção dela.

 

— Tenho uma luta daqui a quarenta e cinco minutos, Flor. Eu quero que você vá.

 

— Kook...

 

A expressão no rosto dele era impassível, mas eu podia ver a tensão em volta de seus olhos. Eu não sabia ao certo se ele não queria deixar meu jantar com Parker nas mãos do destino ou se ele realmente queria a minha presença na luta. Mas a verdade é que eu já tinha tomado à decisão, no segundo em que ele fez o pedido.

 

— Eu preciso de você lá. É uma revanche com o Brady Hoffman. O cara da Estadual. Vai ter muita gente, muito dinheiro girando... e o Adam me disse que o Brady andou treinando.

 

— Você já lutou com ele, Jungkook. Você sabe que é fácil ganhar dele.

 

— Jimin — disse Parker baixinho.

 

— Eu preciso de você lá — Jungkook repetiu, com a confiança se esvaindo.

 

Olhei para Parker com um sorriso sem graça.

 

— Desculpa.

 

— Você está falando sério? — ele disse, erguendo as sobrancelhas — Você vai simplesmente sair no meio do jantar?

 

— Você ainda pode ligar para o Brad, certo? — perguntei, me levantando.

 

Os cantos da boca de Jungkook se ergueram quando ele jogou uma nota de vinte na mesa.

 

— Isso deve cobrir a parte dele.

 

— Eu não me importo com o dinheiro... Jimin... 

 

Dei de ombros.

 

— Ele é meu melhor amigo, Parker Se ele precisa de mim lá, eu tenho que ir.

 

Senti a mão de Jungkook envolver a minha enquanto ele me levava para fora. Parker ficou olhando a cena estupefato. Namjoon já estava falando ao telefone em seu Charger, espalhando as notícias sobre a luta. Jungkook se sentou atrás comigo, mantendo minha mão firme na dele.

 

— Acabei de falar como Adam, Kook. Ele disse que os caras da Estadual apareceram bêbados e cheios da grana. Eles já estão irritadíssimos, então é melhor você deixar o Jimin longe deles.

 

Jungkook assentiu.

 

— Você pode ficar de olho nele.

 

— Cadê o Jin? — eu quis saber.

 

— Estudando para a prova de física.

 

— Aquele laboratório é legal — disse Jungkook.

 

Ri uma vez e depois olhei para ele, que tinha um leve sorriso no rosto.

 

— Quando você viu o laboratório? Você não teve aula de física — Namjoon comentou.

 

Jungkook riu baixinho e dei uma cotovelada nele. Ele pressionou os lábios até que a vontade de rir diminuiu, depois deu uma piscadinha para mim, apertando minha mão. Seus dedos se entrelaçaram aos meus, e ouvi um fraco suspiro escapar de seus lábios. Eu sabia o que ele estava pensando, porque eu sentia a mesma coisa. Naquele curto espaço de tempo, era como se nada houvesse mudado.

 

Paramos o carro em uma parte escura do estacionamento, e Jungkook se recusou a soltar minha mão até entrarmos pela janela do porão do Prédio de Ciências Hellerton, que tinha sido construído apenas um ano antes, por isso não tinha ar estagnado e poeira como os outros porões que já havíamos entrado.

 

Assim que passamos pelo corredor, ouvimos o rugido da multidão. Enfiei a cabeça para fora e vi um oceano de rostos, muitos dos quais não eram familiares. Todo mundo tinha uma garrafa de cerveja na mão, mas era fácil distinguir os alunos da Estadual ali no meio — eram aqueles que cambaleavam com olhos pesados.

 

— Fica perto do Namjoon, Beija-Flor. Isso aqui vai ficar uma loucura — Jungkook disse atrás de mim.

 

Ele analisou a multidão, balançando a cabeça ao notar quantas pessoas estavam ali.

 

O porão do Hellerton era o mais espaçoso do campus, então Adam gostava de marcar lutas ali quando esperava muita gente. Mesmo assim, as pessoas se espremiam nas paredes e se empurravam para conseguir um lugar melhor.

 

Adam apareceu e nem tentou disfarçar sua insatisfação com minha presença.

 

— Achei que eu tinha te falado pra não trazer mais seu garoto nas lutas, Jungkook.

 

Ele deu de ombros.

 

— Ele não é mais meu garoto.

 

Mantive a expressão tranquila, mas ele disse essas palavras de um modo tão objetivo que me fez sentir uma punhalada no peito.

 

Adam olhou para baixo, para nossos dedos entrelaçados, e ergueu o olhar para Jungkook.

 

— Eu nunca vou entender vocês dois.

 

Ele balançou a cabeça e olhou de relance para a multidão. As pessoas continuavam entrando pelas escadarias, e aquelas que estavam na parte de baixo já formavam um aglomerado.

 

— Tem uma grana preta em apostas hoje, Jungkook. Então nada de ferrar com a luta, ok?

 

— Vou garantir que seja divertido pra todo mundo, Adam.

 

— Não é com isso que estou preocupado. O Brady vem treinando.

 

— Eu também.

 

— Papo furado — disse Namjoon, rindo.

 

Jungkook deu de ombros.

 

— Entrei numa briga com o Jack no fim de semana passado. Aquele merdinha é rápido.

 

Ri baixinho e Adam olhou feio para mim.

 

— É melhor você levar isso a sério, Jungkook — ele disse, encarando-o — Eu tenho muito dinheiro correndo nessa luta.

 

— E eu não? — Jungkook respondeu, irritado com o sermão.

 

Adam se virou com o megafone na boca enquanto subia em uma cadeira, para ficar mais alto que aquele monte de espectadores bêbados. Jungkook me puxou para ficar ao seu lado enquanto o mestre de cerimônias saudava a multidão e repassava as regras.

 

— Boa sorte — falei, pondo a mão no peito dele.

 

Eu só me sentira nervoso ao ver Jungkook lutar quando ele enfrentara Brock McMann em Las Vegas, mas não conseguia afastar a horrível sensação que tive assim que colocamos os pés no Hellerton. Alguma coisa estava errada, e Jungkook sentia a mesma coisa.

 

Ele me agarrou pelos ombros e me deu um beijo nos lábios. Afastou-se rápido de mim, assentindo uma vez.

 

— Essa é toda a sorte que preciso.

 

Eu ainda estava abalada pelo calor de seus lábios quando Namjoon me puxou para a parede ao lado de Adam. Levei algumas cotoveladas, me lembrando da primeira noite em que vira Jungkook lutar, mas a multidão estava menos focada, e alguns dos alunos da Estadual começavam a ficar hostis. Os alunos da Eastern vibraram e assobiaram para Jungkook quando ele entrou no Círculo, e a multidão da Estadual se alternava entre vaiá-lo e torcer por Brady.

 

Eu estava em uma posição privilegiada e podia ver Brady se elevando sobre Jungkook, contorcendo-se impaciente enquanto aguardava o início da luta. Como de costume, Jungkook tinha um leve sorriso no rosto, sem se deixar afetar pela loucura à sua volta. Quando Adam deu início à luta, Jungkook deixou que Brady acertasse o primeiro soco. Fiquei surpreso quando o rosto dele foi lançado violentamente para o lado com o golpe. Brady tinha mesmo treinado.

 

Jungkook sorriu e seus dentes tinham um brilho vermelho. Ele se concentrava em revidar cada soco do adversário.

 

— Por que ele está deixando o Brady bater tanto nele? — perguntei ao Namjoon.

 

— Não acho que ele está deixando — ele respondeu, balançando a cabeça — Não se preocupe, Jimin. Ele está se preparando para aumentar a idade da luta.

 

Depois de dez minutos, Brady estava sem fôlego, mas ainda acertava golpes firmes nas laterais e no maxilar de Jungkook. Quando o adversário tentou chutá-lo, Jungkook agarrou seu sapato e segurou sua perna alto com uma das mãos, socando-o no nariz com uma força incrível e depois erguendo a perna de Brady ainda mais alto, fazendo com que ele perdesse o equilíbrio. A multidão explodiu quando Brady caiu, mas ele não permaneceu no chão por muito tempo. Logo se levantou, com duas linhas de um vermelho escuro escorrendo do nariz. No momento seguinte, ele acertou mais dois socos na cara de Jungkook. O sangue começou a verter de um corte na sobrancelha e a gotejar pelo rosto de Jungkook.

 

Fechei os olhos e me virei, na esperança de que Jungkook pusesse logo um fim àquela luta. Minha leve mudança de posição fez com que eu ficasse preso na corrente de espectadores e, antes que eu pudesse me ajeitar já estava a mais de um metro de um preocupado Namjoon. Meus esforços para lutar contra a multidão foram em vão, e não demorou muito para que eu fosse prensado contra a parede.

 

A saída mais próxima ficava do outro lado do salão, à mesma distância da porta por onde tínhamos entrado. Bati com tudo de costas na parede de concreto e, com o baque, fiquei sem ar.

 

— Jon! — gritei, acenando com a mão para cima para chamar a atenção dele. A luta estava no auge. Ninguém podia me ouvir.

 

Um homem perdeu o equilíbrio e usou minha camisa para se endireitar, deixando cair cerveja na minha roupa. Fiquei ensopado do pescoço até a cintura, fedendo a cerveja barata, o cara ainda segurava um punhado da minha camisa enquanto tentava se levantar do chão, e fui abrindo dois dedos dele de cada vez até que ele me soltou. Ele nem olhou para mim e foi empurrando as pessoas, abrindo caminho pela multidão.

 

— Ei! Eu conheço você! — outro cara gritou no meu ouvido.

 

Recuei, reconhecendo-o de imediato. Era Ethan, o cara que Jungkook ameaçara no bar — e que, de alguma forma, tinha escapado de acusações de abuso sexual.

 

— É— falei, procurando por um buraco na multidão enquanto endireitava a camisa.

 

— Essa pulseira é legal — ele disse, agarrando meu pulso.

 

— Ei — falei em tom de aviso, puxando a mão.

 

Ele esfregou meu braço, inclinando-se, e sorrindo.

 

— Nós fomos bruscamente interrompidos da última vez que tentei conversar com você.

 

Fiquei na ponta dos pés, vendo Jungkook acertar dois golpes na cara de Brady. Ele analisava a multidão entre cada soco — estava procurando por mim em vez de se concentrar na luta. Eu tinha que voltar para o meu lugar antes que ele ficasse distraído demais.

 

Eu mal tinha conseguido avançar em meio à multidão quando Ethan afundou os dedos na parte de trás da minha calça jeans e me puxou. Minhas costas bateram com tudo na parede mais uma vez.

 

— Eu ainda estou conversando com você — ele disse, olhando para minha camisa molhada com intenções lascivas.

 

Arranquei sua mão da minha calça, afundando as unhas nele.

 

— Me solta! — gritei, quando ele apresentou resistência.

 

Ele riu e me puxou para junto de si.

 

— Eu não quero te soltar.

 

Procurei entre a multidão por um rosto familiar, ao mesmo tempo em que tentei empurrá-lo para longe. Os braços dele eram pesados, e sua pegada, firme. Em pânico, eu não conseguia distinguir os alunos da Estadual dos da Eastern. Ninguém parecia notar minha briga com Ethan, e o barulho estava tão alto que ninguém conseguia me ouvir protestar também. Ele se inclinou para frente e agarrou meu bumbum.

 

— Eu sempre achei que você era um gostoso — disse, exalando um bafo nojento de cerveja no meu rosto.

 

— Cai fora! — gritei, empurrando-o.

 

Procurei por Namjoon e vi que Jungkook tinha finalmente me avistado em meio à multidão. Ele foi imediatamente empurrando os corpos amontoados que o cercavam.

 

— Jungkook! — chamei, ma meu grito foi abafado pela torcida.

 

Empurrei Ethan com uma das mãos e estiquei a outra em direção a Jungkook, que fez pouco progresso antes de ser empurrado de volta para dentro do Círculo. Brady se aproveitou da distração e o golpeou na lateral da cabeça com o cotovelo. A galera se aquietou um pouco quando Jungkook socou alguém no meio da plateia, tentando mais uma vez chegar até mim.

 

— Larga o garoto, porra! — ele gritou.

 

Em uma fileira entre o lugar onde eu estava e a tentativa desesperada de Jungkook de chegar até mim, todos se voltaram na minha direção. Ethan ignorava o que acontecia à nossa volta, tentando me manter parado por tempo suficiente para me beijar. Ele passou o nariz pelo meu rosto e desceu até o pescoço.

 

— Seu cheiro é muito bom — disse, com sua fala arrastada de bêbado.

 

Empurrei o rosto dele para longe, mas ele me agarrou pelo pulso inabalável. Com olhos arregalados, procurei por Jungkook de novo, que, aflito, olhava para Namjoon e apontava na minha direção.

 

— Vai até ele, Jon! Pega o Jimin! — ele gritou, tentando empurrar pessoas para abrir caminho. Brady o puxou de volta para dentro do Círculo e o socou novamente.

 

— Você é um puta de um gostoso, sabia? — disse Ethan.

 

Fechei os olhos com nojo quando senti a boca dele em meu pescoço raiva se acumulou dentro de mim e o empurrei mais uma vez.

 

— Eu disse para cair fora! — gritei, golpeando a virilha dele com o joelho.

 

Ele se curvou para frente, levando uma das mãos até a fonte da dor e com a outra ainda segurando minha camisa, recusando-se a me soltar.

 

— Seu vagabundo! — ele gritou.

 

No momento seguinte, eu estava livre, o olhar de Namjoon era agressivo encarando Ethan enquanto o agarrava pelo colarinho. Jon o prensou contra a parede enquanto o esmurrava repetidas vezes na cara, parando apenas quando o sangue começou a jorrar do nariz e da boca de Ethan.

 

Namjoon me puxou até a escada, empurrando todos que estavam no caminho. Ele me ajudou a passar por uma janela aberta e depois a descer por uma saída de incêndio, me segurando quando pulei a curta distância que havia até o chão.

 

— Está tudo bem, Jiminie? Ele te machucou? — ele me perguntou.

 

Uma das mangas do meu suéter branco pendia apenas por alguns fios, mas tirando isso eu tinha escapado ileso. Balancei a cabeça, ainda chocado.

 

Ele pegou gentilmente meu rosto nas mãos e me olhou nos olhos.

 

— Jimin, me responde. Está tudo bem?

 

Assenti. À medida que o nervoso foi passando, as lágrimas começaram a cair.

 

— Sim, estou bem.

 

Ele me abraçou, pressionando o rosto na minha testa, e depois ficou rígido.

 

— Aqui, Kook!

 

Jungkook veio correndo até nós, diminuindo apenas quando me pegou nos braços. Ele estava coberto de sangue, seu olho gotejava e sua boca estava toda vermelha.

 

— Meu Deus do céu... ele está machucado? — ele quis saber.

 

A mão de Namjoon ainda estava nas minhas costas.

 

— Ele disse que está bem.

 

Jungkook me segurou pelos ombros para olhar para mim e franziu a testa.

 

— Você está machucado, Flor?

 

No momento em que balancei a cabeça em negativa, vi os primeiros espectadores saindo do porão e descendo pela saída de incêndio. Jungkook me manteve apertado em seus braços, analisando os rostos em silêncio. Um homem baixo pulou da escada e ficou imóvel quando nos viu ali parados na calçada.

 

— Você! — Jungkook rosnou.

 

Então me soltou, correndo pelo gramado e lançando o homem ao chão.

 

Olhei para Namjoon, confuso e horrorizado.

 

— Foi aquele cara que ficou empurrando o Jungkook de volta para o Círculo — ele disse.

 

Uma pequena multidão se reuniu em torno deles enquanto brigavam no chão. Jungkook socou o rosto do homem várias vezes. Namjoon me puxou para junto de seu peito, que ainda arfava. O homem parou de contra-atacar, e Jungkook o deixou no chão em uma poça de sangue. Os que estavam ali reunidos se espalharam, mantendo uma boa distância de Jungkook ao ver a ira em seus olhos.

 

— Jungkook! — Namjoon gritou, apontando para o outro lado do prédio. Ethan se arrastava nas sombras, usando a parede de tijolos do Hellerton para se manter em pé. Quando ouviu o grito de Namjoon para Jungkook, ele se virou apenas a tempo de ver seu atacante em ação. Ethan foi mancando pelo gramado, jogando no chão a garrafa de cerveja que tinha nas mãos e se movendo o mais rápido possível. Assim que chegou a seu carro, Jungkook o agarrou e o arremessou com tudo de encontro ao capô.

 

Ethan implorou quando Jungkook agarrou sua camiseta e golpeou sua cabeça na porta do carro. A súplica foi interrompida pelo barulho alto do baque do crânio contra o para-brisa. Depois, Jungkook o puxou para frente do carro e estilhaçou o farol com a cara de Ethan. Então o lançou sobre o capô, pressionando o rosto dele na lataria enquanto gritava obscenidades.

 

— Merda! — disse Namjoon.

 

Eu me virei e vi o Hellerton reluzir com o azul e o vermelho de uma viatura policial que se aproximava com rapidez. Hordas de pessoas começaram a pular do patamar da escada, formando uma cascata humana pela saída de incêndio, e um alvoroço de alunos correndo irrompeu em todas as direções.

 

— Jungkook! — gritei.

 

Ele deixou o corpo desfalecido de Ethan no capô e veio correndo até nós. Namjoon me puxou até o estacionamento, abrindo rapidamente a porta do carro. Pulei no banco traseiro, esperando, ansioso, que os dois entrassem. Os carros arrancavam a toda velocidade, com os pneus cantando, quando uma segunda viatura bloqueou uma das saídas.

 

Jungkook e Namjoon entraram no Charger, e Jon xingou quando viu o engarrafamento que se formava na única saída. Ele ligou o carro e acelerou, subindo pela calçada e cortando caminho por cima do gramado. Fomos voando entre dois prédios, até chegarmos à rua de trás da faculdade.

 

Os pneus cantaram e o motor rosnou quando Namjoon pisou fundo no acelerador. Deslizei pelo banco e fui de encontro à lateral do carro quando dobramos uma esquina, batendo o cotovelo já machucado. As luzes da rua formavam faixas pela janela enquanto seguíamos até o apartamento em alta velocidade, mas parecia que havia se passado uma hora quando chegamos ao estacionamento do prédio.

 

Namjoon estacionou o Charger e desligou o motor. Os meninos abriram a porta em silêncio, e Jungkook esticou as mãos para mim, me carregando no colo.

 

— O que houve? Cacete, Kook, o que aconteceu com seu rosto? — perguntou Jin, descendo as escadas correndo.

 

— Te conto lá dentro — disse Namjoon, guiando-o até a porta. Jungkook me carregou escada acima, cruzou em silêncio a sala e o corredor e me colocou em sua cama. Totó batia com as patinhas nas minhas pernas, pulando para lamber o meu rosto.

 

— Agora não, camarada — disse Jungkook com uma voz sussurrada, levando o filhotinho até o corredor e fechando a porta do quarto.

 

Ele se ajoelhou na minha frente, encostando-se à manga esfarrapada do meu suéter. Seu olho estava vermelho e inchado, e a pele acima, cortada e úmida de sangue. Seus lábios estavam tingidos de vermelho, pele tinha sido arrancada dos nós de alguns dedos. Sua camiseta, antes branca, agora era uma combinação de sangue, grama e terra.

 

Pus a mão no olho dele, e ele se afastou com a dor.

 

— Desculpa, Beija-Flor. Eu tentei chegar até você. Eu tentei... — Ele pigarreou para espantar a raiva e a preocupação que o sufocavam — Eu não consegui chegar até você.

 

— Pede pro Jin me levar de volta para o Morgan? — falei.

 

— Você não pode voltar pra lá hoje. O lugar está cheio de policiais. Fica aqui. Eu durmo no sofá.

 

Inspirei com dificuldade, tentando segurar as lágrimas. Ele já se sentia mal o bastante.

 

Jungkook se levantou e abriu a porta.

 

— Aonde você vai? — perguntei.

 

— Preciso tomar um banho. Eu já volto.

 

Jin passou por ele e veio se sentar ao meu lado na cama, me puxando para junto do peito.

 

— Me desculpa por não estar lá! — ele disse, chorando.

 

— Estou bem — falei, limpando o rosto manchado pelas lágrimas.

 

Namjoon bateu na porta quando entrou, me trazendo um copo de uísque pela metade.

 

— Toma — disse ele, entregando-o à Jin.

 

Ele colocou minhas mãos em concha em volta do copo e me deu um leve cutucão.

 

Inclinei a cabeça para trás, deixando que o líquido fluísse pela garanta. Meu rosto se comprimiu quando o uísque foi queimando até o estômago.

 

— Obrigado — falei, entregando o copo de volta a Namjoon.

 

— Eu devia ter chegado até ele antes, mas nem percebi que ele tinha sumido. Desculpa, Jimin. Eu devia...

 

— Não é sua culpa, Jon. Não é culpa de ninguém.

 

— É culpa do Ethan — disse ele, borbulhando de ódio — Aquele canalha nojento estava praticamente comendo o Jimin contra a parede!

 

— Baby! — Jin exclamou, chocado, acolhendo-me ao lado dele.

 

— Preciso de outro drinque — falei, apontando para o copo vazio na mão de Namjoon.

 

— Eu também — ele disse, voltando para a cozinha. Jungkook entrou no quarto com uma toalha em volta da cintura e uma lata gelada de cerveja encostada no olho. Jin saiu sem dizer nada enquanto ele vestia a cueca, depois ele agarrou o travesseiro. Namjoon trouxe quatro copos dessa vez, todos cheios até a borda. Viramos o uísque sem hesitar.

 

— Te vejo pela manhã — disse Jin, beijando meu rosto. Jungkook pegou meu copo e o colocou no criado-mudo. Ele ficou me observando por um instante e depois foi até o armário, pegou uma camiseta e jogou-a na cama.

 

— Desculpa por estar assim tão detonado — ele disse, segurando a cerveja junto do olho.

 

— Você está com uma aparência péssima. Vai estar quebrado amanhã.

 

Ele balançou a cabeça, indignado.

 

— Jimin, você foi atacado hoje. Não se preocupe comigo.

 

— É difícil não me preocupar quando seu olho está fechando de tão inchado — eu disse, colocando a camiseta no colo.

 

O maxilar dele ficou tenso.

 

— Isso não teria acontecido se eu tivesse deixado você ficar com o Parker. Mas eu sabia que, se te pedisse, você viria. Eu queria mostrar pra ele que você ainda era meu, e aí você se machucou.

 

As palavras me pegaram de surpresa, como se eu não as tivesse ouvido direito.

 

— Foi por isso que você me pediu para ir lá hoje? Para provar algo pro Parker?

 

— Em parte sim — disse ele, envergonhado.

 

O sangue sumiu do meu rosto. Pela primeira vez desde que nos conhecíamos, Jungkook tinha me enganado. Eu tinha ido ao Hellerton achando que ele precisava de mim, pensando que, apesar de tudo, estávamos de volta ao ponto em que havíamos parado. Mas eu não passava de um hidrante — ele tinha me marcado como seu território e eu havia permitido que ele fizesse isso.

 

Meus olhos se encheram de lágrimas.

 

— Sai daqui.

 

— Beija-Flor — ele disse, dando um passo na minha direção.

 

— Sai! — gritei, agarrando o copo do criado-mudo e jogando nele. Jungkook se esquivou, e o copo se estilhaçou na parede em centenas de cacos reluzentes. — Eu te odeio!

 

O peito dele subia e descia, como se ele tivesse sido nocauteado a ponto de ficar sem ar, e, com uma expressão cheia de dor, ele me deixou sozinho.

 

Arranquei a roupa e vesti a camiseta. O barulho que irrompeu da minha garganta me pegou de surpresa. Fazia um bom tempo que eu não chorava descontroladamente. Em poucos instantes, Jin entrou no quarto correndo.

 

Ele se enfiou na cama comigo e me envolveu nos braços. Não me fez perguntas nem tentou me consolar, apenas me abraçou enquanto eu deixava que as lágrimas ensopassem a fronha do travesseiro.


Notas Finais


Foi quase mas ainda não foi dessa vez, Jungkook tinha que abrir o bico!! Ai ai
Eu estive pensando em fazer um Q&A para finalizar a fic, o que acham? Mandariam perguntas?
Ou querem alguma outra coisa?
Comentem ai!
Boa noite meus amores!!


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