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História Belo desastre - Jikook (adaptação) - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


8 da manhã e eu aqui né, poisé.

Mas então, eu tô aqui com a adaptação do meu livro favorito siiim.

Bom o livro é claramente belo desastre do Jamie McGuire, e é um livro maravilhoso, espero que vocês goste


Boa leitura

Capítulo 1 - 01


 como se tudo naquela saída berrasse para mim dizendo que ali não era o meu lugar. As escadas se desfazendo, aquele alvoroço de clientes briguentos, e o ar, uma mescla de suor, sangue e mofo.

As vozes viravam borrões enquanto as pessoas gritavam números e nomes, num constante vaivém, acotovelando-se para trocar dinheiro e gesticulando para se comunicar em meio a tanto barulho.

Passei espremido pela multidão, logo atrás do meu melhor amigo.

— Deixe o dinheiro na carteira, Park — Yoongi gritou para mim.

Seu largo sorriso reluzia mesmo sob aquela fraca iluminação.

— Fiquem por perto! Vai ficar pior assim que começar! — Hoseok avisou, bem alto para ser ouvido.

Yoongi segurou a mão dele e depois a minha, enquanto Hoseok nos guiava em meio àquele mar de gente.

O som agudo de um megafone cortou o ar repleto de fumaça. O ruído me deixou alarmado. Tive um sobressalto e comecei a procurar de onde vinha aquela rajada sonora. Um homem estava em pé sobre uma cadeira de madeira, com um rolo de dinheiro em uma das mãos e o megafone na outra, colado à boca.

— Sejam bem-vindos ao banho de sangue! Se estão em busca de uma aula de economia... estão na merda do lugar errado, meus amigos! Mas se buscam O Círculo, aqui é a meca! Meu nome é Namjoon. Sou eu que faço as regras e convoco as lutas. As apostas terminam assim que os oponentes estiverem no chão. Nada de encostar nos lutadores, nem ajudar, nem mudar a aposta no meio da luta, muito menos invadir o ringue. Se quebrarem essas regras, vocês serão esmagados, espancados e jogados pra fora sem nenhum dinheiro e isso vale pra vocês também, meninas. Então, não usem suas putinhas para fraudar o sistema, caras!

Hoseok balançou a cabeça.

Que é isso, Nam! — ele gritou para o mestre de cerimônias, em clara desaprovação à escolha de palavras do amigo.

Meu coração batia forte dentro do peito. Com um cardigã de cashmere cor-de-rosa, me sentia um velho professor nas praias da Normandia. Eu havia prometido a Yoongi que conseguiria lidar com o que quer que acontecesse com a gente, mas, naquele lugar imundo, senti uma necessidade urgente de agarrar seu braço magro com ambas as mãos. Ele não me colocaria em perigo, mas estar em um porão com mais ou menos cinquenta universitários bêbados, sedentos por sangue e dinheiro... Bem, eu não estava exatamente confiante quanto às nossas chances de sair dali ilesos.

Depois que Yoongi conheceu Hoseok durante a recepção aos calouros, com frequência ele o acompanhava às lutas secretas que aconteciam em diferentes porões da Universidade Eastern. Cada evento era realizado em um local diferente, que permanecia secreto até exatamente uma hora antes da luta.

Como eu frequentava círculos bem mais comportados, fiquei surpresa ao tomar conhecimento do submundo da Eastern; mas Hoseok já sabia daquele mundo antes mesmo de ter se juntado a ele. Jungkook, o primo e colega de quarto dele, participara de sua primeira luta sete meses atrás. Como calouro, os rumores diziam que ele era o competidor mais letal que Namjoon tinha visto nos três anos desde a criação do Círculo. Quando começou o segundo ano, Jeon era imbatível. Juntos, ele e Hoseok pagavam o aluguel e as contas com o que ganhavam nas lutas, fácil, fácil.

Adam levou o megafone à boca de novo, e os gritos e movimentos aumentaram em um ritmo febril.

— Nesta noite temos um novo desafiante! O lutador de luta livre e astro da Bastem, Jackson Wang!

Seguiram-se aplausos e gritos eufóricos da torcida. A multidão se partiu como o mar Vermelho quando Jackson entrou na sala. Formou-se um círculo, como uma clareira, e a galera assobiava, vaiava e zombava do concorrente. Ele deu uns pulinhos para se preparar e girou o pescoço de um lado para o outro; o rosto estava sério e compenetrado. A multidão se aquietou, só restando um rugido abafado. Levantei as mãos depressa para tampar os ouvidos quando a música começou a retumbar, altíssima, nos grandes alto-falantes do outro lado da sala.

— Nosso próximo lutador dispensa apresentações, mas, como eu morro de medo dele, vou apresentar o cara mesmo assim! Tremam nas bases, rapazes, e fiquem de quatro, meninas! Com vocês, Jeon “Cachorro Louco” Jungkook!

Houve uma explosão de sons quando Jungkook apareceu do outro lado da sala, sem camisa, relaxado e confiante. Foi caminhando a passos largos até o centro do círculo, como se estivesse se apresentando para mais um dia de trabalho.

Com os músculos firmes estirados sob a pele tatuada, cumprimentou Jackson, estalando os punhos cerrados nos nós dos dedos do oponente. Jungkook se inclinou para frente e sussurrou algo no ouvido de Jackson, que fez um grande esforço para manter a expressão austera. Ele estava muito próximo de Jungkook, pronto para o combate.

Os dois se encaravam. A expressão de Jakson era assassina; Jungkook parecia achar um pouco de graça em tudo aquilo.

Os adversários deram uns passos para trás, e Namjoon fez o som que dava início à luta. Jackson assumiu uma postura defensiva e Jungkook partiu para o ataque. Fiquei na ponta dos pés quando perdi a linha de visão, apoiando-me em quem quer que fosse para conseguir enxergar melhor o que estava acontecendo.

Consegui ver alguns centímetros acima, deslizando por entre a multidão que gritava. Cotovelos golpeavam as laterais do meu corpo e ombros esbarravam em mim, fazendo com que eu ricocheteasse de um lado para o outro, como uma bolinha de pinball.

Quando consegui ver o topo da cabeça de Jackson e jungkook, continuei abrindo caminho na base do empurrão.

Quando enfim cheguei lá na frente, Jackson tinha agarrado Jungkook com seus braços grossos e tentava jogá-lo no chão. Quando ele se inclinou para fazer esse movimento, Jungkook deu uma joelhada no rosto de Jackson. Antes que ele pudesse se recuperar, Jungkook o atacou — repetidas vezes, os punhos cerrados socavam o rosto ensanguentado de Jackson.

Senti cinco dedos se afundarem em meu braço e virei à cabeça para ver quem era.

— Que diabos você está fazendo aqui, Park? — disse Hoseok.

— Não consigo ver nada lá de trás!— gritei em resposta.

E então me virei bem a tempo de ver Jackson tentar acertar Jungkook com um soco poderoso, ao que este se virou. Por um instante, achei que ele tinha desviado de outro golpe, mas ele fez um círculo completo e esmagou com o cotovelo o nariz do adversário. Gotas de sangue borrifaram o meu rosto e se espalharam no meu cardigã.

Jackson caiu no chão de cimento com um som oco, e, por um breve momento, a sala ficou totalmente em silêncio.

Namjoon jogou um quadrado de pano vermelho sobre o corpo caído de Jackson, e a multidão explodiu. O dinheiro mudou de mãos novamente, e as expressões se dividiam entre orgulhosos e frustrados.

Fui empurrado com todo aquele movimento de gente indo e vindo.

Yoongi gritou meu nome de algum lugar lá atrás, mas eu estava hipnotizado pela trilha vermelha que ia do meu peito até a cintura.

Um pesado par de botas pretas parou diante de mim, desviando minha atenção para o chão. Meus olhos foram se voltando para cima: jeans manchado de sangue, músculos abdominais bem definidos, um peito tatuado ensopado de suor e, finalmente, um par de cálidos olhos castanhos.

Fui empurrado, mas Jungkook me segurou pelo braço antes que eu caísse.

— Ei! Cuidado com ele! — ele franziu a testa, enxotando qualquer um que chegasse perto de mim.

A expressão séria se derreteu em um sorriso quando ele viu minha blusa.

Limpando meu rosto com uma toalha, ele me disse:

— Desculpe por isso, Beija-Flor.

Namjoon deu uns tapinhas na nuca de Jungkook

— Vamos lá, Cachorro Louco! Tem uma galera esperando por você!

Os olhos dele não se desviaram dos meus.

— Uma pena ter manchado seu suéter. Fica tão bem em você...

No instante seguinte, ele foi engolfado pelos fãs, desaparecendo da mesma maneira como tinha aparecido.

— No que você estava pensando, seu imbecil? — gritou Yoongi, me puxando pelo braço.

— Vim até aqui para ver uma luta, não foi? — respondi, sorrindo.

— Você nem devia estar aqui, Jimin —

disse Hoseok em tom de bronca.

— Nem o Yoongi — retruquei.

— Mas ele não tenta pular dentro do círculo! — disse ele, franzindo a testa. —Vamos!

Yoongi sorriu para mim e limpou meu rosto.— Você é um pé no saco, Jimin, mas mesmo assim eu te amo! Ele me abraçou e fomos embora.

Yoongi me acompanhou até o quarto, no dormitório da faculdade, e olhou com desprezo para meu colega, Eunwoo.

Imediatamente tirei o cardigã e o joguei no cesto de roupa suja.

— Que nojo! Por onde você andou? — Eunwoo perguntou, sem sair da cama. Olhei para América, que deu de ombros.

— Sangramento de nariz. Você nunca viu os famosos sangramentos de nariz do Jimin?

Eunwoo ajeitou os óculos e balançou a cabeça em negativa.

— Ah, então vai ver — ele disse, dando uma piscadela para mim e fechando a porta depois de sair. Nem um minuto tinha se passado e ouvi o som indicando uma mensagem de texto no meu celular. Como de costume, era Yoongi me enviando uma mensagem segundos depois de nos despedirmos.

vou ficar com o Hobi te vejo amanhã rainha do ringue.

Dei uma espiada em Eunwoo. que me olhava como se sangue fosse jorrar do meu nariz a qualquer instante.

— Ele estava brincando — falei.

Eunwoo assentiu com indiferença e depois baixou o olhar para a bagunça de livros espalhados na cama.

— Acho que vou tomar um banho — falei, pegando uma toalha e meu nécessaire.

— Vou avisar os jornais — ele respondeu, sem emoção alguma na voz e mantendo a cabeça baixa.

No dia seguinte, fui almoçar com Hoseok e Yoongi. Eu queria ficar sozinho, mas, conforme os alunos foram entrando no refeitório, as cadeiras à minhavolta foram ficando cheias de amigos da fraternidade do Hoseok e de membros do time de futebol americano. Alguns estavam na luta, mas ninguém mencionou minha experiência na beira do ringue.

— Hobi — disse alguém que passava.

Hoseok assentiu, e tanto Yoongi quanto eu nos viramos e vimos Jungkook se sentando em um lugar na ponta oposta da mesa. Duas voluptuosas loiras tingidas com camiseta da Sigma Kappa o acompanhavam. Uma delas se sentou no colo dele, e a outra lhe acariciava a camisa.

— Acho que acabei de vomitar um pouquinho — murmurou Yoongi

A loira que estava no colo do Jungkook se virou para ela:

— Eu ouvi o que você disse, piranha.

Yoongi pegou um pãozinho e o jogou, errando por muito pouco o rosto da garota.

Antes que a loira pudesse dizer mais alguma coisa, Jungkook abriu as pernas e a garota caiu no chão.

— Ai! — disse ela em um grito agudo, erguendo o olhar para Jungkook.

— O Yoongi é meu amigo. Você precisa encontrar outro colo pra se sentar, Lex.

— Jungkook! — ela reclamou, esforçando-se para ficar em pé.

Ele voltou à atenção para o prato, ignorando a garota, que olhou para a irmã e bufou de raiva. As duas foram embora de mãos dadas.

Jungkook deu uma piscadela para Yoongi e, como se nada tivesse acontecido, enfiou mais uma garfada na boca. Foi aí que notei um pequeno corte na sobrancelha dele.

Ele e Hoseok trocaram olhares de relance, e então ele começou uma conversa com um dos caras do futebol do outro lado da mesa.

Embora a quantidade de pessoas à mesa tivesse diminuído, Yoongi, Hoseok e eu ficamos lá ainda um tempo para discutir nossos planos para o fim de semana.

Jungkook se levantou como se fosse embora, mas parou na nossa ponta da mesa.

— Que foi? — Hoseok perguntou em voz alta, colocando a mão perto do ouvido.

Tentei ignorá-lo quanto pude, mas, quando ergui o olhar, Jungkook estava me encarando.

— Você conhece ele, kook. O melhor amigo do Yoon, lembra? Ele estava com a gente na outra noite — disse Hoseok.

Jungkook sorriu para mim, no que presumi ser sua expressão mais charmosa. Ele transbordava sexo e rebeldia, com aqueles antebraços tatuados e os cabelos castanhos cortados bem rente à cabeça. Revirei os olhos à sua tentativa de me seduzir.

— Desde quando você tem um melhor amigo Yoon? — perguntou Jungkook.

— Desde o penúltimo ano da escola — ele respondeu, pressionando os lábios enquanto sorria na minha direção.

— Você não lembra, Jeon? Você destruiu o suéter dele.

Ele sorriu.

— Eu destruo muitos suéteres.

— Que nojo - murmurei.

Jungkook girou a cadeira vazia que estava ao meu lado e se sentou, descansando os braços à sua frente.

— Então você é o Beija-Flor, né?

— Não — respondi com raiva —, eu tenho nome.

Ele parecia se divertir com a forma como eu o encarava, o que só servia para me deixar mais irritado.

— Tá. E qual é seu nome? — ele me perguntou.

Dei uma mordida no que tinha sobrado da maçã no meu prato, ignorando-o.

— Então vai ser Beija-Flor — disse ele, dando de ombros.

Ergui o olhar de relance para a Yoon depois me virei para o Jungkook:

— Estou tentando comer.

Ele topou o desafio que apresentei.

— Meu nome é Jungkook. Jeon Jungkook.

Revirei os olhos

— Sei quem você é.

— Sabe, é? — ele falou, erguendo a sobrancelha ferida.

— Não seja tão convencido. É difícil não perceber quando cinquenta bêbados entoam seu nome.

Jungkook se endireitou na cadeira, ficando um pouquinho mais alto.

— Isso acontece muito comigo.

Revirei os olhos de novo e ele deu uma risadinha abafada.

— Você tem um tique?

— Um quê?

— Um tique. Seus olhos ficam se revirando.

Jungkook riu de novo quando olhei com ódio para ele.

— Mas são olhos incríveis — ele disse, inclinando-se e ficando a pouquíssimos centímetros do meu rosto. — De que cor eles são? Cinza?

Baixei o olhar para o prato, criando uma espécie de cortina entre a gente com as longas mechas do meu cabelo cor de caramelo. Eu não gostava da forma como ele me fazia sentir quando estava tão perto. Não queria ser como as outras milhares de garotas da Eastern, que ficavam ruborizadas na presença dele. Não queria que ele mexesse comigo daquele jeito. De jeito nenhum.

— Nem pense nisso, Jeon. Ele é como um irmão pra mim —Yoongi avisou.

— Baby — Hoseok disse a ele —, você acabou de lhe dizer não. Agora é que ele não vai parar.

— Você não faz o tipo dele — Yoongi disse, mudando de estratégia.

Jeon se fez de ofendido.

— Eu faço o tipo de todos!

Lancei um olhar para ele e sorri.

— Ah! Um sorriso. Não sou um canalha completo no fim das contas — ele disse e piscou. — Foi um prazer conhecer você, Flor.



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