História Belo Desastre Iminente - Limantha - Capítulo 3


Escrita por:

Postado
Categorias Malhação: Intensa como a Vida, Malhação: Viva a Diferença
Personagens Adalberto dos Santos (Deco), Anderson Rodrigues, Augusto Sampaio Neto (Guto), Clara Becker Guttierez, Cristina Yamada (Tina), Ellen Rodrigues, Felipe Soares Lacerda, Gabriel Romano, Heloísa Gutierrez (Lica), Katharine Xavier (K1), Keyla Maria Romano (K3), Lia Martins, Michel Borovski Júnior (MB), Moqueca, Samantha Lambertini, Vitor Machado
Tags Belo Desastre, Desastre Iminente, Heloísa Gutierrez, Lica, Limantha, Malhação Viva A Diferença, Samantha Lambertini
Visualizações 324
Palavras 4.088
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, LGBT, Luta, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Conheçam nossa outra dupla dinâmica, que ainda vai da o que falar, se bem ou mal eu não sei 🤷‍♀

Capítulo 3 - Beija-Flor


Fanfic / Fanfiction Belo Desastre Iminente - Limantha - Capítulo 3 - Beija-Flor

Abutres Filhas-Da-Puta. Poderiam ficar te esperando por horas. Dias. Noites, também. Olhando através de você, para escolher qual parte de você vai se mover primeiro do lugar, qual a parte será a mais doce, a mais macia, ou apenas a parte que será mais conveniente.

O que eles não sabem, o que nunca esperam, é que a presa está apenas fingindo. São os abutres que são fáceis. Bem, quando eles pensam que tudo que precisam fazer é serem pacientes, quando eles recuam e esperam você expirar, é quando você bate neles. É quando você traz a arma secreta: uma total falta de respeito pelo status quo, a recusa em ceder à ordem de coisas.

Aí é quando você os choca com o quanto você simplesmente não dá a mínima.

Um adversário no Círculo, alguns babacas aleatórios tentando expor a sua fraqueza com os insultos, alguém tentando amarrá-los; você os pega todas às vezes.

Eu fui muito cuidadosa desde muito cedo para viver a minha vida desta maneira. Esses idiotas com coração sangrando, deram a sua alma a cada pessoa interesseira que sorriu para eles. Tinham feito tudo errado. Mas de alguma forma eu consegui ficar imune. Eu era diferente. A forma como eles faziam era a mais difícil se você me perguntar. Deixando as emoções do lado de fora, e substituí-las por dormência, ou raiva – o que era muito mais fácil de controlar – era fácil. Deixar o sentimento tomar conta o faz vulnerável. Por muitas vezes eu tentei explicar esse erro para os meus irmãos, meus primos, ou meus amigos, e fui recebida com ceticismo. Por muitas vezes eu os tinha visto chorando ou perder o sono por alguma cadela burra em um par saltos ou um babaca idiota que nunca deram a mínima para eles, eu não conseguia entender. As mulheres e homens que valiam esse tipo de sofrimento não iriam deixá-los se apaixonar por eles tão fácil. Elas não se deitam em seu sofá, ou permitem que você as levem para o seu quarto na primeira noite ou até na décima.

Minhas teorias foram ignoradas porque esse não era o caminho das coisas. Sexo, atração, paixão, amor, e depois desgosto. Essa era a ordem lógica. E era sempre essa a ordem.

Mas não para mim. Sem. A Fodida. Chance.

Eu decidi há muito tempo que eu iria alimentar os abutres até um beija-flor surgir. Uma flor. O tipo de alma que não atrapalha ninguém, só se preocupa com o seu próprio negócio, tentando passar pela vida sem puxar os outros para baixo com suas próprias necessidades e hábitos egoístas. Valente. Um comunicador. Inteligente. Bonito. De fala mansa. Uma criatura que pode ser sua companheira para a vida. Inatingível até que ela tenha um motivo para confiar em você.

Enquanto eu estava na porta do meu apartamento, jogando fora o último pedaço da cinza do meu cigarro, a garota do colete cor-de-rosa ensanguentado do Círculo brilhou em minha memória. Sem pensar, eu a tinha chamado de Beija-Flor. No momento, foi apenas um apelido estúpido para fazê-la ficar ainda mais desconfortável do que já estava. Seu rosto salpicado de vermelho, com os olhos arregalados, exteriormente ela parecia inocente, mas eu poderia dizer que era apenas por fora. Eu a empurrei para longe da minha memória enquanto eu olhava fixamente para a sala. Felipe estava no meu sofá preguiçosamente assistindo TV. Ele parecia entediado, e eu me perguntava por que ele ainda estava em meu apartamento. Ele normalmente pegava as suas tralhas e saia logo depois que a gente terminava.

A porta rangeu quando eu a empurrei um pouco mais. Eu limpei minha garganta e peguei minha mochila pelas alças.

— Felipe. Eu estou caindo fora.

Ele sentou-se e espreguiçou-se e, em seguida, agarrou a alça de sua bolsa excessivamente grande. Eu não podia imaginar o que tanto ele tinha de objetos para colocar ali dentro. Felipe pendurou as alças amarelo-mostarda por sobre o ombro e, em seguida, colocou seus sapatos, saindo pela porta.

— Me mande uma mensagem se você estiver entediada — disse, ele sem olhar na minha direção. Ele colocou o boné na cabeça, e então desceu as escadas, ignorando totalmente minha dispensa. Sua indiferença era exatamente por que Felipe era um dos meus poucos casos frequentes. Ele não chorava sobre o compromisso, ou fazia qualquer birra. Ele aceitava a situação, e então ia embora. Minha Harley brilhava sob o sol da manhã de outono. Eu esperei por Felipe se afastar do estacionamento do meu apartamento, e depois corri pelas escadas, fechando o zíper do meu casaco. A aula de Humanidade do Dr. Fabricio era em meia hora, mas ele não se importava se eu chegasse atrasada. Se não iria irritá-lo, eu realmente não via um motivo em me matar para chegar lá.

— Espere! — Uma voz vinha atrás de mim. MB estava na porta da frente do nosso apartamento sem camisa, se equilibrando em um pé ao tentar puxar uma meia para o outro. — Eu queria perguntar sobre ontem à noite. O que você disse para Roberto? Você se apoiou em seu ouvido e disse alguma coisa. Parecia que tinha engolido a língua.

— Agradeci por ter saído da cidade alguns finais de semana antes, porque sua mãe era uma gata selvagem.

MB me olhou, duvidoso.

— Meó. Você não fez isso.

— Não. Eu ouvi isso de Ellen que ele cumpriu um tempo por possessão de drogas em Campinas.

Ele balançou a cabeça, e então apontou para o sofá. — Você deixou Felipe passar a noite desta vez?

— Não, Michel. Você sabe bem disso.

— Ele só veio para ter uma rapidinha de manhã antes da aula, então? Essa é uma maneira interessante de dizer que é seu dono.

— Você acha que é isso?

— Qualquer um que vier depois vai pegar as “sobras” dele. — MB encolheu os ombros. — É o Felipe. Quem sabe. Escute, eu tenho que levar K1 até o campus. Quer uma carona?

— Encontro você depois — eu disse, deslizando em meus Oakleys. — Eu posso levar Katherine, se quiser.

O rosto de MB se contorceu.

— Uh... não.

Me diverti com a reação dele, sentei-me na Harley e liguei o motor. Mesmo que eu tivesse o mau hábito de seduzir os amigos de sua namorada, havia uma linha que eu não iria atravessar. K1 era sua, e uma vez que ele mostrou interesse em uma menina, ela estava fora do meu radar, para nunca mais ser considerada de novo. Ele sabia disso. Ele só gostava de me dar o aviso.

Eu conheci Tina através da Sig Tau. Ela coordenava o Círculo. Após o pagamento inicial da primeira noite, eu a deixava pegar o total no dia seguinte, e depois uma parte pelo seu incômodo. Ela mantinha as aparências, eu mantinha os lucros. Nossa relação era restritamente profissional, e ambas preferiam mantê-la simples. Enquanto ela continuava me pagar, eu ficava fora do seu caminho, e enquanto ela não quisesse ter sua bunda chutada, ela ficava fora do meu.

Eu entrei no campus indo para o refeitório. Pouco antes de eu chegar perto das portas duplas de metal, Lexi e Vanessa entraram na minha frente.

— Ei, Lica — disse Lexi, de pé, com a postura perfeita. Perfeitamente bronzeada, seios siliconados que olhavam para fora de sua camisa rosa. Esses irresistíveis, saltantes montes eram o que me levaram a pegar ela, em primeiro lugar, mas já tinha sido o suficiente. Sua voz me lembrava o som feito pelo ar quando está lentamente soltando um balão, e Nathan tinha ficado com ela na noite depois de mim.

— Ei, Lex.

Eu belisquei a ponta do meu cigarro e o atirei para o lixo antes de caminhar rapidamente por elas através das portas. Não é que eu estava ansiosa para enfrentar o buffet de legumes, carne seca, e frutas maduras. Jesus. Sua voz fazia os cães uivarem, e as crianças se animassem para ver os personagens de desenho animado que tinham vindo à vida. Independentemente da minha dispensa, as duas meninas me seguiram.

— Michel. — Eu acenei. Ele estava sentado com a K1, rindo com as pessoas ao seu redor. A Beija-flor da luta de ontem sentou em frente a ele, cutucando sua comida com um garfo de plástico. Minha voz parecia ter atiçado a sua curiosidade. Eu podia sentir seus olhos grandes me seguirem até o fim da mesa onde eu joguei minha bandeja. Eu ouvi Lexi rir, obrigando-me a conter a irritação que crescia dentro de mim. Quando me sentei, ela usou o meu joelho como cadeira.

Alguns dos caras do time de futebol na nossa mesa assistiam com admiração, como se eu estivesse sendo seguida por duas tortas e que estivessem fora de seu alcance.

Lexi deslizou sua mão debaixo da mesa e, em seguida, pressionou os dedos na minha coxa enquanto ela seguia por cima do meu jeans. Eu abri minhas pernas um pouco mais, esperando por ela chegar ao seu destino. Pouco antes de sentir suas mãos em mim, os suspiros altos da K1 viajaram para baixo na mesa.

— Eu acho que eu vomitei um pouco na minha boca.

Lexi virou-se, todo o seu corpo rígido.

— Ouvi o que você disse, piranha.

Um rolinho passou voando pelo rosto  de Lexi e ricocheteou no chão. MB e eu trocamos olhares, e então eu deixei o meu joelho ceder. A bunda de Lexi caiu no chão da cafeteria. Eu admito, me excitou um pouco o som de sua pele espalmando contra a cerâmica. Ela não reclamou muito antes de se afastar. MB parecia apreciar o meu gesto, e que era bom o suficiente para mim. Minha tolerância para meninas como Lexi não duravam tanto tempo. Eu tinha uma regra: o respeito.

Por mim, pela minha família e para meus amigos. Inferno, até mesmo alguns dos meus inimigos mereciam respeito. Eu não vejo uma razão para me relacionar mais do que o necessário com pessoas que não entendessem essa lição de vida. Pode soar hipócrita para as mulheres e homens que passaram pela porta do meu apartamento, mas se eles se comportassem com respeito, eu teria respeito por eles também.

Eu pisquei para a K1, que parecia satisfeita, acenando para MB, e depois deu outra mordida na comida que estava no meu prato.

— Belo trabalho na noite passada Cachorra Louca — disse Deco dos Santos, sacudindo um crouton sobre a mesa.

— Cala a boca, imbecil — o Moqueca, com sua típica voz baixa. — Tina nunca vai deixar você voltar se ela ouvir você está falando isso.

— Ah. Sim — ele disse, dando de ombros.

Eu levei a minha bandeja para o lixo, e depois voltei para o meu lugar com uma careta.

— E não me chame assim.

— O quê? Cachorra Louca?

— Sim.

— Por que não? Eu pensei que era o seu nome de Círculo. Tipo como o seu nome de stripper.

Meu olhar endureceu.

— Por que você não cala a boca e dá esse buraco no seu rosto a chance de curar.

Eu nunca gostei deste pequeno verme.

— Com certeza, Lica. Tudo o que tinha que fazer era falar assim. — Ele riu nervosamente antes de reunir suas tralhas e sair. Em pouco tempo, a maior parte do refeitório estava vazio. Eu olhei para baixo para ver MB e K1 ainda por aí, conversando com a amiga deles. Ela tinha cabelos médios e cacheados, e sua pele ainda estava bronzeada das férias de verão. Ela não tinha os maiores seios que eu já vi, mas seus olhos.... Eles tinham uma estranha cor chocolate. Familiar de alguma maneira.

Não havia nenhuma chance de eu ter conhecido ela antes, mas algo em seu rosto me lembrava algo que eu não poderia colocar os meus dedos. Eu me levantei e caminhei em sua direção. Ela tinha o cabelo de uma atriz pornô, e o rosto de um anjo. Seus olhos estavam amendoados e eram de beleza única. Foi quando eu percebi: por trás da beleza e da falsa inocência tinha outra coisa, algo frio e calculista. Mesmo quando ela sorria, eu podia ver o pecado tão profundamente enraizado nela que nem o colete poderia escondê-lo. Aqueles olhos flutuavam acima de seu nariz pequeno, de características suaves. Para qualquer outra pessoa, ela era pura e ingênua, mas essa menina estava escondendo algo. Eu sabia só porque o mesmo pecado tinha morado em mim toda a minha vida. A diferença é que ela o segurava dentro dela, e eu deixava o meu fora de sua gaiola normalmente.

Eu olhei para MB até que ele me sentiu o encarando. Quando ele olhou em minha direção, eu balancei a cabeça em direção a flor.

— Quem é ela? — Eu sussurrei. MB só respondeu com uma careta confusa.

— Ela — eu silenciosamente mexi a boca novamente.

A boca de MB mudou para o sorriso irritante babaca, que ele sempre fazia quando ele estava prestes a fazer alguma coisa para me irritar.

— O que? — MB perguntou, muito mais alto do que o necessário. Eu poderia dizer que a garota sabia que estávamos falando sobre ela, porque ela manteve a cabeça baixa, fingindo não ouvir.

Depois de passar 60 segundos na presença de Samantha Lambertini, descobri duas coisas: ela não falava muito, e quando o fazia, ela era uma vaca. Mas eu não sei.... Eu meio que entrei na dela. Ela colocava um escudo para manter babacas como eu para fora, o que me deixou ainda mais determinada. Ela revirou os olhos para mim pela terceira ou quarta vez. Eu era irritante para ela e achei isso bastante divertido. As meninas geralmente não me tratam com desprezo, não se alteram, mesmo quando eu estava mostrando-lhes a porta.

Quando até mesmo um dos meus melhores sorrisos não funcionou, eu virei e perguntei.

— Você tem um tique?

— Um o quê? — Ela perguntou.

— Um tique. Seus olhos ficam se revirando. — Ela poderia ter me assassinado com seu olhar, e eu teria sangrado no chão. Eu não pude deixar de rir. Ela era áspera e rude como o inferno. E eu gostava dela mais a cada segundo.

Inclinei-me mais perto de seu rosto.

— Esses seus olhos são incríveis, porém. Qual é a cor deles, hein? Chocolate?

Ela imediatamente abaixou a cabeça, deixando seu cabelo cobrir seu rosto. Ponto. Eu fiz ela ficar desconfortável, e que significava que eu estava chegando a algum lugar. K1 imediatamente pulou, mandando-me para longe. Eu não podia culpá-la. Ela tinha visto a fila interminável de pessoas que entram e saem do apartamento. Eu não queria chatear K1, mas ela não parecia zangada. Estava mais como divertida.

— Você não é o tipo dela — disse K1.

Meu queixo caiu, entrei no seu jogo.

— Eu sou do tipo de todos!

Flor olhou para mim e sorriu. Um caloroso sentimento, provavelmente apenas o desejo insano de jogar essa menina no meu sofá, veio sobre mim. Ela era diferente, e era novo.

— Ah! Um sorriso — eu disse. Apenas chamei isso de sorriso, como se fosse a coisa mais linda que eu já tinha visto, parecia errado, mas eu não estava disposta a estragar o meu jogo bem quando eu estava ficando à frente. — Eu não sou uma total canalha afinal. Foi bom te conhecer, Beija-flor.

Eu estava de pé, caminhando ao redor da mesa, e inclinei-me ao ouvido da K1.

— Me ajuda, vai? Vou me comportar, eu juro.

A batata frita veio voando direção ao meu rosto.

 — Deixe seus lábios fora do ouvido da minha menina, Lica! — MB disse.

Eu recuei, segurando minhas mãos para realçar a expressão mais inocente no meu rosto que eu poderia controlar. 

— Conexões! Estou criando conexões!

Eu andei para trás alguns passos para a porta, observando um pequeno grupo de meninas. Eu abri a porta e elas invadiram como uma manada de búfalos na água antes que eu pudesse sair.

Fazia tempo desde que eu tinha um desafio. O estranho era que eu não estava lá para transar com ela. Incomodava-me que ela poderia pensar que eu era um pedaço de merda, mas isso me incomodava mais que me importava. Ou então, pela primeira vez, em muito tempo, alguém era imprevisível. Flor era o total oposto das meninas que eu conheci aqui, e eu tinha que saber o porquê.

 

***

 

A aula de Ernesto estava cheia. Eu fui para o meu lugar, e depois passei através das pernas nuas e braços fortes que se aglomeravam na minha mesa. Eu balancei a cabeça.

— Pessoal — cumprimentei.

Eles cantarolavam e suspiraram em harmonia.

Abutres. Metade deles eu peguei no meu primeiro ano, a outra metade tinha estado no meu sofá bem antes das férias. Exceto a garota do canto. Sophia deu um sorriso torto. Parecia que o rosto dela tinha pegado fogo e alguém tinha tentado apagá-lo com um garfo. Ela tinha ficado com alguns de meus companheiros de fraternidade. Conhecendo seus históricos e a falta de preocupação com a segurança, era melhor considerá-la um risco desnecessário, mesmo que eu fosse habitualmente cuidadosa.

Ela se inclinou sobre os cotovelos para fazer contato olho no olho. Eu senti o desejo de estremecer com o desgosto, mas eu resisti. Não. Nem de perto valia a pena. A morena na minha frente virou-se e bateu os cílios.

— Ei, Lica, eu ouvi que haverá uma festa de casais no Sig Tau.

— Não — eu disse, sem pausa.

Seu lábio inferior formou um beicinho.

— Mas... quando você me contou, pensei que você pudesse querer ir.

Dei risada.

— Eu estava debochando sobre isso. Não é a mesma coisa.

A loira ao meu lado se inclinou para frente.

— Todo mundo sabe que Heloísa Gutierrez não vai em festas de casais. Você está latindo na árvore errada, Martins.

 — Ah, é? Bem, ninguém lhe perguntou — Martins disse com uma careta.

Enquanto as mulheres argumentavam na frente e atrás, notei que Samantha correu para dentro. Ela praticamente se jogou em uma mesa na primeira fila pouco antes do sinal tocar.

Antes que eu levasse um segundo para me perguntar por que, eu peguei o meu papel e coloquei minha caneta na minha boca e, em seguida, rolei escada abaixo, escorregando para a mesa ao lado dela.

O olhar no rosto de Samantha parecia divertido, e por alguma razão que eu não poderia explicar, me causou uma adrenalina — do tipo que ocorre no meu corpo quando estou prestes a entrar em uma luta.

— Ótimo. Você pode tomar notas para mim.

Ela ficou totalmente enojada, o que só me agradou mais. A maioria das meninas me entediava, mas essa menina era intrigante. Me divertia, mesmo. Eu não perturbava ela, pelo menos não de uma forma positiva. Minha presença parecia fazê-la querer vomitar, e eu achei isso estranhamente cativante. O impulso veio até mim para descobrir se o que ela sentia por mim era ódio mesmo ou apenas teimosia. Inclinei-me perto dela.

— Eu sinto muito... Eu ofendi você de alguma maneira?

Seus olhos suavizaram antes de ela balançar a cabeça. Ela não me odeia. Ela só queria me odiar. Eu estava à frente dela. Se ela queria jogar, eu poderia jogar.

— Então, qual é o seu problema?

Ela parecia envergonhada de dizer o que veio a seguir.

— Eu não vou dormir com você. Você pode desistir agora.

Oh sim. Isso ia ser divertido.

— Eu não pedi para você dormir comigo... pedi? — Eu levei meus olhos em direção ao teto, como se eu tivesse que pensar sobre isso. — Por que você não vem lá em casa, mais tarde com a K1?

O lábio de Samantha virou-se, como se ela tivesse cheirado alguma coisa podre.

— Eu não vou nem flertar com você, eu juro.

— Eu vou pensar sobre isso.

Eu tentei não sorrir muito e manter a distância. Ela não ia se atirar em cima de mim como os abutres em volta. Olhei para trás de mim, e todos eles estavam olhando para a parte de trás da cabeça de Samantha. Eles sabiam, assim como eu, que Samantha era diferente, e eu ia ter que trabalhar duro nisso. Pelo menos dessa vez. Três rabiscos de uma potencial tatuagem, e duas dúzias de cubos 3D mais tarde, a aula terminou. Eu deslizei pelos corredores antes que alguém pudesse me parar. Matei um bom tempo, mas Samantha de alguma forma saiu e ficou uns bons 20 metros à frente de mim.

Eu estou condenada. Ela estava tentando me evitar. Acelerei o ritmo até que eu estava ao lado dela.

— Você já pensou sobre isso?

— Lica! — Um garoto disse, brincando com seu cabelo. Samantha continuou deixando-me presa para ouvir o balbuciar irritante da garota.

— Desculpe, uh... —

— Juca.

— Desculpe Juca... Eu... eu tenho que ir.

Ele colocou os braços em volta de mim. Eu afastei meu traseiro, e sai fora de seu alcance, e mantive o andar, me perguntando quem era ele. Antes que eu pudesse descobrir quem era Juca, as longas pernas bronzeadas de Samantha vieram à tona. Eu coloquei um Marlboro na minha boca e corri para o lado dela.

— Onde eu estava? Ah sim... você estava pensando.

— Do que você está falando?

— Você já pensou sobre vir hoje à noite?

— Se eu disser que sim, você vai parar de me seguir?

Eu fingi pensar sobre isto, e depois assenti.

— Sim.

— Então eu vou.

Mentira. Ela não era tão fácil.

— Quando?

— Hoje à noite. Eu vou hoje à noite.

Parei de andar. Ela estava armando algo. Eu não tinha antecipado que ela ia atacar.

— Legal — eu disse, jogando fora a minha surpresa. — Vejo você então, Flor.

Ela foi embora sem olhar para trás, nem um pouco afetada pela conversa. Ela desapareceu atrás de outros alunos que iam para a aula. O boné branco de MB apareceu à vista. Ele não estava com pressa para chegar a nossa aula de informática. Minhas sobrancelhas estavam pressionadas juntas. Eu odiava essa classe. Quem ainda não sabe como usar um computador?

Eu me juntei a MB e K1, enquanto eles se misturaram com a multidão de estudantes na passarela principal. Ela riu e olhou para mim com estrelas em seus olhos. K1 não era um abutre. Ela era quente, sim, mas ela poderia ter uma conversa sem dizer ‘tipo’ depois de cada palavra, e ela era muito engraçada, às vezes. O que eu mais gostava nela é que ela demorou várias semanas para ir ao nosso apartamento após o primeiro encontro, e mesmo depois eles assistiram a um filme todo agasalhado no apartamento, ela voltou para seu quarto no dormitório. Eu tinha a sensação de que o período de estágio de MB estava prestes a terminar, no entanto.

— Ei, Katherine — eu disse, balançando a cabeça.

— Como vai, Lica — ela perguntou. Ela me deu um sorriso amigável, mas seus olhos estavam de volta em MB. Ele foi um dos sortudos. Garotas como ela não apareciam frequentemente.

— Eu fico aqui — K1 disse, apontando para seu dormitório ao virar a esquina. Ela colocou os braços em volta do pescoço de MB e o beijou. Ele agarrou a camisa dela pela cintura e puxou-a antes de deixá-la ir. K1 acenou pela última vez para nós dois, e depois se juntou a Gabriel, seu amigo que estava na entrada.

— Você está caído por ela, não é? — Eu perguntei, cutucando MB no braço.

Ele me empurrou.

— Não é da sua conta, babaca.

— Será que ela tem uma irmã, ou irmão?

— Elas são apenas crianças. Deixe seus amigos em paz, também, Lica. Estou falando sério.

As últimas palavras de MB eram desnecessárias. Seus olhos eram um outdoor para suas emoções e pensamentos na maior parte do tempo, e ele estava claramente avisando, talvez até um pouco desesperado. Ele não estava apenas caído por ela. Ele estava apaixonado.

— Você quer dizer Samantha.

Ele franziu a testa.

— Eu quero dizer qualquer um de seus amigos. Até mesmo Gabriel. Basta ficar longe.

— Primo! — Eu disse, enganchando meu braço no seu pescoço. — Você está apaixonado? Você está me fazendo ficar com os olhos cheios de lágrimas!

— Cala a boca — MB resmungou. — Só me prometa que vai ficar longe de seus amigos.

Abri um largo sorriso.

— Eu não prometo nada.


Notas Finais


Bem vejo vocês em breve xoxo


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...