História Belo desatre - Fillie - Capítulo 20


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Categorias Belo Desastre, Stranger Things
Personagens Abby Abernathy, America, Dustin Henderson, Eleven (Onze), Lucas Sinclair, Maxine "Max" Mayfield / "Madmax", Mike Wheeler, Shepley Maddox, Travis Maddox, Will Byers
Tags Fillie, Finnwolfhard, Milliebobbybrown
Visualizações 103
Palavras 6.251
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Luta, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


EH HJ Q ESSE CIRCO PEGA FOGO (literalmente)

Capítulo 20 - Fumaça


As semanas se passaram, e foi uma surpresa para mim como a semana do saco cheio chegou rápido. O esperado fluxo de fofocas e pessoas nos encarando havia sumido, e a vida tinha voltado ao normal. Os porões da Universidade Eastern não eram palco de lutas havia semanas. Gaten tinha feito questão de manter a discrição depois que algumas prisões levaram a perguntas sobre o que exatamente havia acontecido naquela noite, e Finn  estava cada vez mais ansioso esperando pelo telefonema que o convocaria para a última luta do ano — aquela que pagaria a maior parte de suas contas no verão e grande parte do outono.

A neve ainda estava espessa no chão, e, na sexta-feira antes do recesso, teve a última guerra de bolas de neve no gramado cristalino. Finn e eu serpenteávamos em meio ao gelo voador a caminho do refeitório, e agarrei forte o braço dele, tentando evitar as bolas de neve e um tombo.

— Eles não vão te acenar, Flor. Eles sabem que é melhor não fazer isso. — disse Finn, mantendo o nariz frio e vermelho próximo do meu rosto.

— A mira deles não tem nada a ver com o medo que eles têm do seu temperamento, Wolfie.

Ele me manteve grudada na lateral de seu corpo, esfregando a manga do meu casaco com a mão enquanto me guiava em meio ao caos.

Tivemos que parar de repente quando um bando de garotas passou aos gritos, vitimas da terrível mira da equipe de beisebol. Assim que elas saíram do caminho, Finn me conduziu com segurança até a porta.

— Viu? Falei que a gente ia conseguir — ele disse com um sorriso.

Seu ar divertido se esvaneceu quando uma bola de neve bateu com força na porta, entre o meu rosto e o dele. O olhar fulminante de Finn perscrutou o gramado, mas o grande número de alunos que jogavam bolas em todas as direções diminuiu a premência de retaliação.

Ele abriu a porta, observando a neve que escorria pelo metal pintado até o chão.

— Vamos entrar.

— Boa ideia — assenti.

Ele me levou pela mão até a fila do bufê, colocando porções de comidas diferentes e fumegantes em uma única bandeja. A moça do caixa já tinha desistido de sua previsível expressão confusa semanas antes, acostumada com a nossa rotina.

— Millie — Caleb assentiu para mim e piscou para Finn. — Vocês têm planos para a semana que vem?

— Vamos ficar aqui. Meus irmãos vão vir — disse Finn, distraído enquanto organizava nosso almoço, distribuindo os pequenos pratos de isopor à nossa frente na mesa.

— Vou matar o Noah Centineo! — anunciou Sadie , balançando a cabeça para tirar a neve dos cabelos enquanto se aproximava.

— Que mira perfeita — Noah riu.

Sadie o fuzilou com o olhar, e a risada dele deu lugar a um risinho.

— Quer dizer... que babaca!

Demos risada com a expressão de arrependimento de Noah enquanto ele observava Sadie seguir como um raio até a fila do bufê, indo imediatamente atrás dela.

— Esse está completamente domado — disse Caleb, com cara de desprezo.

— A Sadie está um pouco tensa — Finn explicou. — Ela vai conhecer os pais dele essa semana.

Caleb assentiu, erguendo as sobrancelhas.

— Então eles estão...

— Naquela fase — falei, concordando com ele. — É definitivo.

— Uau — disse Caleb.

A expressão de choque não saiu de seu rosto enquanto ele remexia a comida no prato, e pude ver a confusão rondando-o. Todos nós éramos jovens, e ele não conseguia entender aquele tipo de compromisso.

— Quando você tiver alguma coisa assim, Caleb... você vai entender- disse Finn, sorrindo para mim.

O salão estava alvoroçado, tanto por causa do espetáculo lá fora quanto pela proximidade do recesso. À medida que as pessoas se sentavam, o fluxo de conversa foi ficando mais alto até virar um som ensurdecedor.

Na hora em que Noah e Sadie  voltaram com suas bandejas, já tinham feito às pazes. Ela se sentou feliz na cadeira ao lado da minha, tagarelando sobre o iminente momento de conhecer os pais de Noh. Os dois partiriam naquela noite para a casa deles — a desculpa perfeita para um dos infames ataques de fúria de Sadie.

Fiquei observando-a enquanto ela pegava o pão e falava sobre o que deveria colocar na mala e quanta bagagem poderia levar sem parecer pretensiosa, mas ela parecia estar aguentando firme.

— Eu já te disse, baby. Eles vão te amar. Vão te amar como eu te amo— disse Noah, enfiando os cabelos dela atrás da orelha.

Sadie inspirou e sorriu, como sempre acontecia quando ele fazia com que ela se acalmasse.

O celular de Finn vibrou, deslizando alguns centímetros pela mesa.

Ele o ignorou, contando a Caleb a história do nosso primeiro jogo de pôquer com os irmãos dele. Olhei de relance para o mostrador e bati de leve no ombro dele quando li o nome.

—Wolfie?

Sem pedir desculpa, ele parou de conversar com Caleb  e me deu total atenção.

— Que foi, Beija-Flor?

— Acho que você vai querer atender essa ligação.

Ele olhou para o celular e suspirou.

— Ou não.

— Pode ser importante.

Ele franziu os lábios antes de levar o celular ao ouvido.

— E aí, Gaten? — Os olhos dele examinavam atentamente o salão enquanto ele ouvia o que Gaten tinha a dizer, assentindo de vez em quando.

— Essa é minha última luta, Gaten. Não tenho certeza ainda. Não vou sem ela, e o Noh vai viajar. Eu sei... já entendi. Hum... não é uma má ideia, pra falar a verdade.

Minhas sobrancelhas se retraíram, vendo os olhos dele brilharem com qualquer que fosse a ideia que Gaten tinha lhe dado. Quando Finn desligou o celular, encarei-o com expectativa.

— Vai dar pra pagar o aluguel dos próximos oito meses. O Gaten  conseguiu o Jace Norman. Ele está tentando deixar a coisa mais profissional.

— Eu nunca vi esse cara lutar, e você? — Noah quis saber, inclinando-se para frente.

Finn assentiu.

— Só uma vez, em Springfield. Ele é bom. (N/A:OOOOOS SIMPSOOOOOONS,TURURURU KZJZKSJ❤)

— Não o bastante — falei. Ele se inclinou e beijou minha testa em agradecimento. — Eu posso ficar em casa, Wolfie.

— Não — ele disse, balançando a cabeça.

— Não quero ver você levar porrada como da última vez porque ficou preocupado comigo.

— Não, Flor.

— Eu fico te esperando acordada — falei, tentando soar mais felizcom a ideia do que eu realmente me sentia.

— Vou pedir pro Lex ir junto. Ele é o único em quem confio pra poder me concentrar na luta.

— Valeu, babaca — Noah  resmungou.

— Ei, você teve sua chance — disse Finn, não completamente de brincadeira.

Noah retorceu um pouco a boca, contrariado. Ele ainda se sentia em falta pela noite no Hellerton. Ele havia me pedido desculpa todos os dias durante semanas, mas o sentimento de culpa enfim se tornara controlável o bastante a ponto de ele sofrer em silêncio. Sadie e eu tentamos convencê-lo de que a culpa não era dele, mas Finn sempre o consideraria responsável.

— Noah , não foi sua culpa. Você arrancou o cara de cima de mim lembra? — falei, esticando o braço na frente de Sadie para dar um tapinha de leve no braço dele.

Eu me virei para Finn e perguntei:

— Quando é a luta?

— Em algum momento da semana que vem — ele deu de ombros. — Mas quero você lá. Preciso de você lá.

Sorri, descansando o queixo no ombro dele.

— Então eu vou.

Ele me acompanhou até a aula, segurando-me mais firme algumas vezes quando meus pés deslizavam no gelo.

— Você devia tomar mais cuidado — ele me provocou.

— Estou fazendo isso de propósito, seu mala.

— Se você quer que eu te abrace é só me pedir — ele disse e me puxou para junto do peito.

Ignoramos os alunos que passavam e as bolas de neve que voavam por cima da nossa cabeça enquanto ele pressionava os lábios nos meus. Meus pés saíram do chão e ele continuou a me beijar, me carregando com facilidade pelo campus. Quando por fim me pôs no chão, na porta da sala de aula, balançou a cabeça.

— Quando a gente for fazer nosso horário para o próximo semestre, seria melhor ter mais aulas juntos.

— Vou dar um jeito nisso — falei, dando nele um último beijo antes de entrar e me sentar.

Ergui o olhar, e Finn me deu um último sorriso antes de seguir para a aula no prédio ao lado. Os alunos à minha volta estavam acostumados com nossas demonstrações públicas de afeto, assim como os da classe dele estavam acostumados com o fato de que ele sempre chegava alguns minutos atrasado.

Fiquei surpresa que o tempo tivesse passado tão rápido. Entreguei a última prova do dia e flui caminhando até o Morgan Hall. Sophia estava sentada no lugar de costume, na cama, enquanto eu remexia minhas gavetas, à procura de alguns objetos.

— Você vai viajar? — ela quis saber.

— Não, só preciso de algumas coisas. Vou até o prédio de ciências pra pegar o Wolfie, depois vou passar a semana no apartamento dele.

—Eu imaginei — ela respondeu, sem tirar os olhos do livro.

— Bom descanso, Sophia.

— Hum-hum.

O campus estava quase vazio, com apenas algumas pessoas que ficaram para trás. Quando virei à esquina, vi Finn parado do lado de fora do prédio, terminando de fumar. Ele usava um gorro na cabeça raspada e tinha uma das mãos enfiada no bolso da jaqueta surrada de couro marrom-escuro. A fumaça saía pelas narinas enquanto ele olhava para o chão perdido em pensamentos. Só quando cheguei bem perto notei como ele estava distraído.

— Em que você esta pensando, baby? — perguntei. Ele não ergueu o olhar. — Finn?

Ele piscou quando notou minha voz, e a expressão preocupada foi substituída por um sorriso forçado.

— Oi, Beija-Pior.

— Está tudo bem?

— Agora está — ele disse, me puxando de encontro a ele.

— Tudo bem, o que está acontecendo? — perguntei com a sobrancelha erguida e a testa franzida, demonstrando meu ceticismo.

— Eu só estou com a cabeça cheia — ele suspirou.

Quando esperei, ele continuou:

— Essa semana, a luta, você estar lá...

— Eu te disse que posso ficar em casa.

— Preciso de você lá, Flor — ele jogou o cigarro no chão.

Ficou olhando enquanto a bituca sumia debaixo de uma profunda pegada na neve e então colocou a mão em volta da minha, me puxando em direção ao estacionamento.

— Você conversou com o Lex? — eu quis saber.

Ele fez que não.

— Estou esperando ele retornar a minha ligação.

Sadie abaixou a janela e enfiou a cabeça para fora do Charger de Noah.

— Andem logo! Está frio pra caramba!

Finn sorriu e apressou o passo, abrindo a porta para que eu entrasse.

Noah e Sadie repetiram a mesma conversa que já haviam tido inúmeras vezes desde que ela ficara sabendo que conheceria os pais dele enquanto eu observava Finn olhando pela janela. Assim que paramos o carro no estacionamento do prédio, o celular dele tocou.

— Que merda, Lex — ele atendeu. — Eu te liguei faz quatro horas, e não vem me falar que você estava trabalhando. Tá. Escuta, preciso de um favor. Tenho uma luta na semana que vem e preciso que você vá. Não sei exatamente quando, mas, quando eu te ligar, preciso que você esteja lá em uma hora. Você pode fazer isso por mim? Pode ou não, seu babaca? Porque eu preciso que você fique de olho na Beija-Flor. Teve um otário que passou a mão nela da última vez e... é — Finn baixou o tom de voz, tornando-se ameaçador. — Eu cuidei do assunto. Então, se eu te ligar...? Valeu, Lex.

Ele desligou o celular e encostou a cabeça no banco do carro.

—Aliviado? — Noah perguntou, observando-o pelo espelho retrovisor.

— É. Eu não sabia como ia fazer sem ele lá.

— Eu falei pra você — comecei.

— Flor, quantas vezes eu tenho que te dizer? — ele franziu a testa.

Balancei a cabeça com seu tom de impaciência.

— Mas eu não entendo. Você não precisava de mim antes.

Ele passou de leve os dedos no meu rosto.

— Antes eu não te conhecia. Mas hoje, quando você não está lá, não consigo me concentrar. Fico me perguntando onde você está, o que está fazendo... Se você está lá e posso te ver, daí eu consigo me concentrar. Eu sei que é loucura, mas é assim que funciona.

— Eu gosto de loucura — falei, me inclinando para beijar seus lábios.

— É óbvio — Sadie murmurou baixinho.

Nas sombras do Keaton Hall, Finn me apertou forte contra a lateral de seu corpo. O vapor que saia da minha boca se entranhava ao dele no ar frio da noite, e eu conseguia ouvir as conversas baixas das pessoas que passavam por uma porta lateral a poucos metros de distância, sem se dar conta da nossa presença.

O Keaton era o prédio mais antigo da Eastern, e, embora o Círculo já tivesse sido realizado lá antes, eu me sentia inquieta em relação ao lugar.

Gaten esperava que a casa ficasse cheia, e o porão do Keaton não era o mais espaçoso do campus. Vigas formavam uma grade ao longo das paredes de tijolo envelhecidas, apenas um sinal dos reparos que estavam sendo realizados lá dentro.

— Essa é uma das piores ideias que o Gaten  já teve — Finn resmungou.

— É tarde demais para mudar agora — falei, erguendo o olhar para o andaimes próximos à parede.

O celular de Finn acendeu e ele o abriu. Seu rosto se tingiu com a luz azul do mostrador, e finalmente pude ver as duas linhas de preocupação entre suas sobrancelhas, que eu já sabia que estavam lá. Ele clicou em alguns botões e fechou rapidamente o celular, me apertando com mais força.

— Você parece nervoso hoje.

— Vou me sentir melhor quando aquele delinquente do Lex chegar,

— Estou aqui, sua garotinha chorona — disse Lex com a voz abafada. Eu mal conseguia distinguir seu vulto na escuridão, mas seu sorriso reluzia ao luar.

— E aí, mana? — ele me abraçou com um dos braços e empurrou Finn com o outro.

— Tudo bem, Lex.

Finn relaxou de imediato e me conduziu pela mão até os fundos do prédio.

— Se os policiais aparecerem e a gente se separar, me encontre no Morgan Hall, tá? — ele disse ao irmão.

Paramos ao lado de uma janela aberta perto do chão, sinal de que Gaten já estava lá dentro, esperando.

— Você está me zoando — disse Lex, olhando pela janela. — Nem a Millie vai conseguir passar por aqui.

— Vocês conseguem — Finn garantiu, rastejando rumo à escuridão como tantas vezes antes, escorreguei para dentro, sabendo que ele me pegaria.

Ficamos esperando alguns instantes, e então Lex resmungou quando aterrissou no chão, quase perdendo o equilíbrio ao pisar no concreto.

— Sua sorte é que eu adoro a Millie. Eu não faria uma merda dessa por qualquer um — ele reclamou, tirando a sujeira da camisa.

Finn deu um pulo, fechando a janela num movimento rápido.

— Por aqui — disse ele, conduzindo-nos pelo escuro.

Corredor após corredor, agarrando a mão de Finn e sentindo Lex segurar o tecido da minha blusa, eu podia ouvir os pequenos pedaços de cascalho rangerem no concreto enquanto arrastávamos os pés no chão. Senti  meus olhos se arregalarem, na tentativa de se ajustarem à escuridão do porão, mas não havia nenhuma luz que os ajudasse a ter algum foco.

Lex suspirou depois que viramos pela terceira vez.

— A gente nunca vai encontrar a saída.

— É só me seguir até lá fora. Vai ficar tudo bem —Finn disse, irritado com as reclamações do irmão.

Assim que o corredor ficou mais iluminado, eu soube que estávamos perto. Quando o rugir baixo da multidão deu lugar a um ruído febril e agudo de números e nomes, eu soube que tínhamos chegado. A saleta onde Finn ficava, esperando para ser chamado, geralmente só tinha uma lanterna e uma cadeira, mas, com a reforma, aquela estava cheia de mesas, cadeiras e equipamentos cobertos com lençóis brancos.

Finn e Alex discutiam estratégias para a luta enquanto eu espiava do lado de fora. O lugar estava lotado e caótico, tal como na última luta, mas com menos espaço. Móveis cobertos com Iençóis empoeirados estavam alinhados junto às paredes, empurrados para os lados para dar lugar aos espectadores.

O salão estava mais escuro que de costume, e imaginei que Gaten estivesse tomando cuidado para não chamar atenção. Havia lanternas penduradas no teto, criando um brilho lúgubre sobre o dinheiro que era segurado no alto, enquanto as apostas ainda estavam sendo feitas.

— Beija-Flor, você me ouviu? — Finn perguntou, pondo a mão no meu braço.

—O quê? — pisquei.

— Quero que você fique perto dessa entrada, tá? Se segura no braço do Lex o tempo todo.

— Prometo que não vou me mexer.

Ele sorriu, e sua covinha perfeita afundou na bochecha.

— Agora é você que parece nervosa.

Olhei de relance para a entrada e voltei a olhar para ele.

— Estou com um pressentimento ruim, Wolfie. Não em relação à luta, mas... tem alguma coisa. Esse lugar me dá arrepios.

— Não vamos ficar aqui muito tempo — ele me garantiu.

A voz de Gaten surgiu no megafone, e um par de mãos familiares pousou em cada lado do meu rosto.

— Eu te amo — Finn me disse.

Ele me envolveu nos braços, erguendo-me do chão e abraçando-me apertado enquanto me beijava. Então me soltou e enganchou meu braço no do Lex.

— Não tira os olhos dela — disse ao irmão. — Nem por um segundo. Isso aqui vai ficar uma loucura assim que a luta começar.

—... então, vamos dar as boas-vindas ao competidor dessa noite...Jace Norman!

— Vou cuidar dela com minha própria vida, maninho — disse Lex, dando um puxão de leve no meu braço. — Agora vai lá detonar essa cara pra gente poder cair fora daqui.

—... Finn “Lobo Louco” Wolfhard!— Gaten gritou no megafone.

O volume ficou ensurdecedor enquanto Finn abria caminho em meio à multidão. Ergui o olhar para Lex, que tinha um minúsculo sorriso torto no rosto. Qualquer outra pessoa talvez não tivesse notado, mas eu podia ver o orgulho nos olhos dele.

Quando Finn chegou ao centro do Círculo, engoli em seco. Jace não era muito maior que ele, mas parecia diferente de qualquer um com quem Finn já tinha lutado, inclusive o cara que enfrentara em Vegas. Jace não estava tentando intimidar Finn, encarando-o com a expressão séria, como os outros faziam; ele o analisava, preparando a luta na cabeça. E, por mais analíticos que fossem seus olhos, também lhes faltava razão. Antes de o sinal soar, eu já sabia que Finn tinha mais do que uma luta em mãos — ele estava diante de um demônio.

Finn também pareceu notar a diferença. Seu sorriso afetado não estava lá, tendo sido substituído por um intenso olhar fixo. Quando soou o gongo, Jace atacou.

— Ai, meu Deus — eu disse, agarrando o braço de Lex.

Lex se movimentava tal qual Finn, como se fossem um só. Eu ficava tensa a cada golpe de John, lutando contra a necessidade de fechar os olhos. Não havia movimentos desperdiçados — Jace era esperto e preciso. Em comparação com essa, todas as outras lutas de Finn pareciam medíocres. A força bruta que acompanhava cada soco inspirava respeito, como se aquilo tivesse sido coreografado e praticado até a perfeição.

O ar no salão estava pesado e estagnado; a poeira dos lençóis tinha sido deslocada e pegava na minha garganta toda vez que eu inspirava.

Quanto mais o tempo passava, pior ficava a sensação mim que me dominava. Mas me forcei a permanecer ali, para que Finn pudesse se concentrar.

Em um instante, eu estava hipnotizada pelo espetáculo que se desenrolava no meio do porão e, no seguinte, fui empurrada por trás. Minha cabeça foi jogada para frente com o golpe, mas segurei firme em Lex, recusando-me a sair do lugar onde tinha prometido ficar. Ele se virou e agarrou a camiseta de dois homens que estavam atrás de nós, jogando-os no chão como se fossem bonecos de pano.

— Se afastem daqui ou eu mato vocês! — ele berrou para aqueles que ficaram encarando os homens caídos.

Agarrei o braço dele com mais força e ele bateu de leve na minha mão.

— Estou aqui, Millie. Pode assistir à luta tranquila.

Finn estava se saindo bem, e suspirei quando ele tirou sangue do oponente pela primeira vez. A multidão se agitou, mas o aviso de Lex manteve a uma distância segura aqueles que estavam à nossa volta. Finn acertou um soco firme no adversário e olhou de relance para mim, rapidamente voltando à atenção para a luta. Seus movimentos eram ágeis, quase calculados, parecendo prever os ataques de Jace antes que ele os desferisse.

Claramente impaciente, Jace envolveu Finn com os braços, jogando-o ao chão. A multidão que cercava o ringue improvisado se fechou em torno deles, inclinando-se para frente enquanto a ação se desenrolava no chão.

— Não consigo ver o Finn! — gritei, pulando na ponta dos pés.

Lex  olhou ao redor, encontrando a cadeira de madeira do Gaten.

Em um movimento similar ao de uma dança, ele me passou de um braço ao outro, ajudando-me a subir na cadeira, acima da multidão.

— Está vendo o Finn agora?

— Estou! — falei, segurando no braço dele para manter o equilíbrio.

— Ele está por cima, mas as pernas do Jace estão em volta do pescoço dele!

Lex se inclinou para frente na ponta dos pés e gritou:

— Acerta o rabo dele, Finn!

Baixei o olhar para Lex e rapidamente me inclinei para frente para ter uma visão melhor dos homens no chão. De repente, Finn se pôs de pé, com as pernas de John firmes em volta do pescoço. Então ele se jogou de joelhos no chão, fazendo com que a cabeça e as costas do adversário batessem com tudo no concreto, em um golpe devastador. As pernas de Jace ficaram moles e soltaram o pescoço de Finn, que levantou cotovelo e o socou repetidas vezes com o punho cerrado, até que Gaten o afastou, jogando o quadrado vermelho sobre o corpo caído de Jace.

O salão irrompeu em gritos eufóricos quando Gaten ergueu a mão de Finn. Lex abraçou minhas pernas, vibrando pela vitória do irmão. Finn olhou para mim com um largo e sangrento sorriso; seu olho direito já tinha começado a inchar.

À medida que o dinheiro trocou de mãos e a multidão foi se dispersando, se preparando para sair, uma lanterna cintilante balançando para frente e para trás no canto do salão, atrás de Finn, chamou minha atenção. Havia um líquido pingando da base, ensopando o lençol abaixo dela. Senti meu estômago dar um nó.

— Lex?

Chamei a atenção dele e apontei para o canto. Naquele instante, a lanterna caiu, se despedaçando de encontro ao lençol e pegando fogo imediatamente.

— Puta merda! — disse Lex, agarrando minhas pernas.

Alguns homens que estavam próximos do fogo pularam para trás e ficaram olhando, espantados, enquanto as chamas rastejavam até o lençol mais próximo. Uma fumaça negra se erguia do canto, e todas as pessoas que estavam no salão começaram a tentar sair dali, apavoradas, empurrando umas às outras para chegar até as saídas.

Meus olhos encontraram os de Finn. Seu rosto estava distorcido de terror.

— Millie! — ele berrou, empurrando o mar de gente que havia entre

— Vamos! — Lex gritou, me puxando da cadeira para o lado dele.

O salão ficou escuro e um som alto de algo estourando veio do outro lado. As outras lanternas estavam entrando em combustão, aumentando o fogo em pequenas explosões. Lex me agarrou pelo braço, me puxando para trás dele, enquanto tentava forçar caminho em meio à multidão.

— Não vamos conseguir sair por lá! Vamos ter que voltar por onde viemos! — gritei, resistindo.

Ele olhou ao redor, tentando traçar um plano de fuga no meio da confusão Olhei de novo para Finn, observando enquanto ele tentava abrir caminho e cruzar a sala. À medida que a galera se agitava, Finn era empurrado para mais longe ainda. Os aplausos e a animação anteriores deram lugar a gritos agudos de medo e desespero, enquanto todo mundo lutava para alcançar as saídas.

Lex me puxou e olhei para trás.

— Finn! — gritei, esticando o braço na direção dele.

Ele estava tossindo, tentando afastar a fumaça com a mão.

— Por aqui, Wolf! — Lex gritou para ele.

— Tira a Millie daqui, Lex! Leva ela pra fora! — ele disse, tossindo.

Sem saber o que fazer, Lex baixou o olhar para mim. Eu podia ver o medo em seus olhos.

— Eu não sei sair daqui.

Olhei mais uma vez para Finn, cujo vulto tremeluzia atrás das chamas que tinham se espalhado entre nós.

— Finn!

— Vão indo! Eu alcanço vocês lá fora!

A voz dele foi afogada pelo caos em volta, e agarrei a manga da camiseta do Lex.

— Por aqui, Lex! — falei, sentindo as lágrimas e a fumaça arderem em meus olhos. Dezenas de pessoas em pânico estavam entre Finn e seu único ponto de fuga.

Puxei a mão de Lex, empurrando qualquer um que estivesse em nosso caminho. Chegamos até a entrada, então olhei de um lado para o outro. Dois corredores escuros estavam fracamente iluminados pelo fogo atrás de nós.

— Por aqui! — falei, puxando a mão dele de novo.

— Tem certeza? — Lex perguntou, com a voz grossa de dúvida e medo.

— Vem! — respondi apenas.

Quanto mais corríamos, mais escuras ficavam as salas. Depois de alguns instantes, minha respiração ficou mais fácil, já que deixamos a fumaça para trás, mas os gritos não cessaram. Estavam mais altos e mais frenéticos do que antes. Os sons horrendos atrás de nós estimulavam minha determinação, mantendo meus passos rápidos e cheios de propósito. Na segunda virada, já estávamos caminhando às cegas, em completa escuridão.

Estiquei o braço, tateando ao longo da parede com uma mão e segurando forte a mão de Lex com a outra.

— Você acha que ele conseguiu sair? — ele quis saber.

A pergunta minou meu foco, e tentei afastar a resposta da cabeça.

— Continua andando — falei, engasgada.

Lex resistiu por um instante, mas, quando puxei a mão dele de novo, uma luz tremeluziu. Ele ergueu um isqueiro aceso, apertando os olhos para enxergar melhor no pequeno espaço. Segui a chama conforme ele a balançava ao redor da sala, e quase perdi o fôlego ao avistar uma porta.

— Por aqui! — falei, puxando a mão dele de novo.

Enquanto eu me apressava para a próxima sala, um muro de pessoas colidiu comigo, me jogando ao chão. Três mulheres e dois homens, com o rosto sujo e os olhos arregalados de medo, baixaram o olhar para mim.

Um dos caras esticou a mão para me ajudar a levantar.

— Tem umas janelas ali por onde a gente pode sair! — ele disse.

— A gente acabou de vir de lá, não tem nada lá — falei, balançando a cabeça.

— Você não deve ter visto. Eu sei que é por ali!

Lex  me puxou pela mão.

— Vamos, Millie, eles sabem o caminho!

Balancei a cabeça em negativa.

— A gente veio por aqui com o Finn. Tenho certeza.

Ele apertou minha mão.

— Eu disse pro Finn que não ia te perder de vista. A gente vai com eles.

— Lex, a gente veio por ali... Não tem janela nenhuma!

— Vamos, Jason — gritou uma garota.

— Estamos indo — ele respondeu, olhando para Lex.

Lex me puxou pela mão de novo e eu me soltei.

— Lex, por favor É por aqui, eu juro!

— Eu vou com eles — ele disse. — Por favor, vem comigo.

Balancei a cabeça, e lágrimas escorriam pelas minhas bochechas.

— Eu já vim aqui antes. A saída não é por ali!

— Você vem comigo! — ele gritou, me puxando pelo braço.

— Lex, para! A gente está indo pelo caminho errado! — berrei.

Meus pés deslizaram pelo concreto enquanto ele me arrastava e, quando o cheiro de fumaça ficou mais forte, puxei com força a mão e me soltei, correndo na direção oposta.

— Millie! Millie! — ele gritou.

Continuei correndo, mantendo os braços esticados, prevendo uma parede logo em frente.

— Vem! Você vai morrer se for atrás dela! — ouvi uma garota dizer a ele.

Meu ombro bateu com tudo em um canto e eu girei, caindo. Rastejei pelo chão, tateando à minha frente com a mão trêmula. Quando meus dedos encostaram em uma placa de gesso, segui-a até em cima, pondo-mede pé. A quina de uma porta se materializou sob meu toque e segui até a próxima sala.

A escuridão era infinita, mas afastei o pânico, mantendo cuidadosamente os passos retos, em busca da próxima parede. Vários minutos se passaram, e senti o medo aumentar dentro de mim enquanto os lamentos que vinham de trás ressoavam em meus ouvidos.

— Por favor —, que seja essa a saída.

Senti outra quina de porta, e, quando passei por ela, um facho de luz prateado reluziu à minha frente, O luar era filtrado pelo vidro da janela, e um soluço forçou caminho pela minha garganta.

— L-lex! É aqui! — gritei atrás de mim. — Lex!

Apertei os olhos para ver melhor, enxergando pequenos movimentos ao longe.

— Lex? — chamei, as batidas do meu coração vibrando de um jeito selvagem no peito.

Em instantes, sombras começaram a dançar nas paredes, e meus olhos se arregalaram de horror quando me dei conta de que aquilo que achei que eram pessoas na verdade era a luz bruxuleante das chamas que se aproximavam.

— Ai, meu Deus — exclamei, erguendo o olhar para a janela. Finn a tinha fechado depois que entramos, e ela era alta demais para que eu a alcançasse.

Olhei ao redor, buscando algo em que eu pudesse subir. A sala cheia de móveis de madeira cobertos com lençóis brancos — que alimentariam o fogo até que aquilo se transformasse em um inferno.

Peguei um pedaço de pano branco e o arranquei de unia mesa. O pó formou uma nuvem em volta de mim enquanto eu jogava o lençol no chão.

Arrastei com dificuldade o volumoso móvel de madeira até o outro lado da sala, debaixo da janela. Encostei-o na parede e subi, tossindo por causa da fumaça que lentamente penetrava a sala. A janela ainda estava pelo menos meio metro acima de mim.

Soltei um gemido enquanto tentava abri-la, desajeitadamente tentando virar a trava cada vez que a empurrava. Mas ela não cedia.

—Vamos, droga — gritei, apoiando-me em meus braços.

Fui para trás, usando todo o peso do corpo com o pouco impulso que consegui dar para forçar a janela. Não funcionou, então deslizei as unhas sob as beiradas, fazendo força até achar que elas tinham descolado da pele.

Observei de relance um lampejo de luz e gritei quando vi o fogo se espalhando e incendiando os lençóis brancos que se alinhavam no corredor pelo qual eu tinha acabado de passar.

Ergui o olhar para a janela, mais uma vez enfiando as unhas nas beiradas. O sangue gotejava da ponta dos meus dedos, e as bordas de metal afundavam na minha carne. O instinto dominou todos os meus sentidos, e cerrei as mãos em punhos, golpeando o vidro. Uma pequena rachadura surgiu na janela, assim como sangue, que espirrava e se espalhava a cada golpe.

Esmurrei mais uma vez o vidro, então tirei o sapato, usando-o para bater mais forte. Sirenes soavam a distância, e eu chorava, batendo com a palma das mãos na janela. O resto da minha vida estava a poucos centímetros de distância, do outro lado do vidra. Enfiei as unhas nas beiradas da janela mais uma vez, depois voltei a bater no vidro com as mãos abertas.

— SOCORRO! — gritei, vendo as chamas se aproximarem. —ALGUÉM ME AJUDA!

Ouvi uma tosse fraca atrás de mim.

— Beija-Flor?

Eu me virei ao ouvir a voz familiar. Finn apareceu em uma porta atrás de mim, com o rosto e as roupas cobertos de fuligem.

Finn? — gritei. Desci desajeitadamente da mesa e corri até onde ele estava, exausto e imundo.

Eu me lancei para cima dele, e ele me abraçou, tossindo, enquanto tentava respirar. Suas mãos agarraram meu rosto.

— Cadê o Lex? — ele perguntou, com a voz rasgada e fraca.

— Ele seguiu aqueles caras! — berrei, com lágrimas escorrendo pelo rosto. —Eu tentei o fazer vir comigo, mas ele não quis!

Finn baixou o olhar para o fogo que se aproximava e franziu as sobrancelhas. Inspirei com dificuldade, tossindo quando a fumaça encheu meus pulmões. Ele baixou a cabeça para mim, com os olhos cheios de lágrimas.

— Vou tirar a gente daqui, Flor.

Ele pressionou os lábios nos meus num movimento rápido e firme e depois subiu na minha escada improvisada. Empurrou a janela e virou a trava, os músculos dos braços tremendo enquanto ele usava toda sua força contra o vidro.

— Vai pra trás, Millie! Vou quebrar o vidro!

Com medo de me mexer, só consegui dar um passo para longe de nossa única saída. Finn dobrou o cotovelo levando o punho para trás, então golpeou a janela com um grito. Desviei, protegendo o rosto com as mãos ensanguentadas enquanto o vidro se estilhaçava acima de mim.

— Vamos! — ele gritou, estendendo a mão para mim.

O calor do fogo tomou conta da sala, e eu planei no ar quando ele me levantou e me empurrou para fora.

Fiquei esperando de joelhos enquanto Finn subia pela janela, depois o ajudei a se levantar. Sirenes soavam do outro lado do prédio, e as luzes vermelhas e azuis dos carros de bombeiros e das viaturas de polícia dançavam nos tijolos dos prédios adjacentes.

Fomos correndo até a multidão parada na frente do prédio, examinando as faces sujas à procura de Lex. Fimn gritou, chamando o irmão pelo nome. Sua voz se tornava cada vez mais angustiada à medida que o chamava. Ele tirou o celular do bolso, para ver se havia alguma chamada perdida, então fechou com força o flip, cobrindo a boca com a mão enegrecida.

— LEX! — ele gritou, esticando o pescoço enquanto o buscava em meio à multidão.

As pessoas que tinham conseguido escapar se abraçavam e choravam atrás das ambulâncias, observando horrorizadas enquanto os bombeiros jogavam água pelas janelas e entravam no prédio carregando mangueiras.

Finn passou a mão na cabeça, desconsolado.

— Ele não conseguiu sair — Ele não conseguiu sair, Flor.

Perdi o fôlego enquanto observava a fuligem em seu rosto ficar manchada de lágrimas. Ele caiu de joelhos, e fiz o mesmo.

—O Lex é esperto, Wolf. Ele saiu sim. Deve ter encontrado um caminho diferente — falei, tentando me convencer disso também.

Ele tombou no meu colo, agarrando minha blusa com as duas mãos.

Eu o abracei. Não sabia mais o que fazer.

Uma hora se passou. Os soluços e lamentos dos sobreviventes e dos espectadores do lado de fora do prédio tinham virado um silêncio sombrio.

Ficamos observando com uma esperança cada vez mais tênue enquanto os bombeiros traziam duas pessoas para fora e depois, todas as outras vezes, voltavam sem ninguém. Enquanto os paramédicos cuidavam dos feridos e as ambulâncias rasgavam a noite levando vítimas de queimaduras, ficamos à espera. Meia hora depois, os corpos que eles recuperaram não tinham salvação. O chão estava forrado de mortos, em número muito maior do que aqueles que tinham escapado. Os olhos de Finn não se desgrudaram da porta, esperando que os bombeiros trouxessem seu irmão das cinzas.

— Finn?

Nós nos viramos ao mesmo tempo e vimos Gaten parado atrás de nós.

Finn se levantou, me puxando com ele.

— Que bom que vocês conseguiram sair — disse Gaten, que parecia chocado e confuso. — Cadê o Lex?

Finn não respondeu.

Nossos olhos se voltaram para os restos chamuscados do Keaton Hall e para a fumaça espessa que ainda se erguia em ondas das janelas. Enterrei o rosto no peito dele, fechando os olhos com força, na esperança de que, em algum momento, eu fosse acordar.

— Eu tenho que... hum... tenho que ligar para o meu pai — disse Finn, franzindo as sobrancelhas enquanto abria o celular.

Inspirei fundo, para que a esperança na minha voz soasse mais forte do que eu a sentia.

— Talvez seja melhor esperar, Finn. A gente ainda não sabe de nada.

Seus olhos não deixavam o teclado do celular, e seus lábios tremiam.

— Essa merda não está certa. Não era para ele estar aqui.

— Foi um acidente, Finn. Você não tinha como saber que isso ia acontecer — falei, tocando sua face.

Ele comprimiu o rosto, fechando os olhos com força. Respirou fundo e começou a discar o número do telefone do pai.


Notas Finais


Postarei em breve, bjs :(


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