História Bem Vindo aos Trinta - Capítulo 1


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Palavras 3.918
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Ficção, LGBT, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Esse livro é a trama entre o triângulo amoroso: Tony, Thomas e Arthur.

Capítulo 1 - Adeus década dos Vinte


Fanfic / Fanfiction Bem Vindo aos Trinta - Capítulo 1 - Adeus década dos Vinte

Acordo de madrugada com sua mão gelada apalpando meu pênis por cima do short de dormir. Murmuro de preguiça ao mesmo tempo que gosto e sinto a temperatura atrapalhar um pouco. Ele puxa meu corpo para mais perto de si e só então sinto sua ereção encostar no tecido fino que separava meu bumbum de seu amigão recém desperto. Giro em direção a ele e seus olhos azuis estavam bem abertos, me encarando com um desejo intenso.

Essa deve ter sido a última vez que transamos sentindo carinho mútuo, pelo menos comecei meus trinta anos com um sexo gostoso.

O lado bom de morar na parte alta da cidade é que as vezes as nuvens cobrem a parte mais baixa e dá uma noção de paraíso submerso.

Acordo sozinho na cama, incomodado com a luz que entrava e invadia minhas retinas. Apalpo com o dedo médio e o polegar a testa e ouço o barulho do chuveiro.

Mais um dia de trabalho me aguarda.

Desço até a cozinha e preparo uma tigela de cereal, sem antes deixar de verificar alguns e-mails no celular.

- Não vai comer? - Mudo meu foco de visão para a imagem mais maravilhosa da manhã.

Um homem de um metro e oitenta e quatro, vestindo calça e sapato social, sem camisa, com aquele corpo forte, apoiado na soleira da porta, de cabelos castanhos claros cacheados, lábios finos, mas bem desenhados, um nariz delicado que quebra um pouco sua feição durona e olhos azuis de tirar o fôlego.

Com certeza as meninas do trabalho devem sentir inveja de seus cílios, quase encostam na sobrancelha.

- Precisava checar uns e-mails antes! - Sorrio de lábios cerrados e continuo a responde-lo encarando o visor do celular.

- Vamos sair hoje a noite para comemorar os seus 3.0?

- Arthur! - Começo a rir - Você deve estar adorando o fato de agora eu fazer parte do grupo dos "Inta" ao invés dos "Inte"! - Jogo o pano de prato em sua direção e ele logo agarra.

- Mas é lógico amor! - Puxa uma cadeira e senta ao meu lado, pegando a colher e provando do cereal - Quando te conheci, eu tinha vinte e sete e você, vinte e três. Em três anos de namoro, nós comemoramos os meus trinta, e agora, aos sete anos, estamos comemorando o seu! - Me encara, mordendo o lábio inferior.

- Adorei o seu presente de madrugada. - Inclino meu corpo para beija-lo.

- Não consegui resistir ver esse corpinho malhado a deriva na cama. - Passa a mão por baixo da camiseta do meu pijama - Quer um segundo round? - Pergunta mordendo meu lábio inferior.

- Estou a um tris de dizer... - O celular começa a vibrar na mesa - É a Jennet, não posso recusar a ligação.

- Tudo bem, vou procurar minha camisa. - Se levanta, decepcionado, da cadeira e sai da cozinha - Já desço para te levar.

- Obrigado. - Espero mais um pouco e atendo - Fala cacete!

- FELIZ ANIVERSÁRIO TONY!!! - Afasto um pouco o celular do ouvido pela altura que grita - Agora você é uma viada madura!

- Falou a que fez trinta no mês passado. - Solto um riso breve.

- Estamos falando de você!!! Daqui a pouco está vindo para cá, não é?

Ouço um burburinho ao fundo, imagino ser uma festa surpresa.

- Lógico, preciso trabalhar. - Levanto da cadeira e sigo até a sala.

- Sabe aquele estagiário gostoso de dezoito anos que começou essa semana?

- O que tem ele sua maluca?

- Nada não, só venha logo! E aliás... tem alguma coisa para fazer hoje a noite?

- Vou sair com o Arthur para comemorar meus 3.0, segundo palavras dele.

- Nossa, que cafonice da porra, mas tudo bem! A gente vai tentar bolar um esquema aqui. NÃO DEMORA VIADA! - Desliga.

- O que a Jennet disse? - Desce abotoando o paletó.

- Nada de mais, queria que eu chegasse logo no trabalho. - Respiro fundo - Vou me trocar e escovar os dentes, não demoro.

- Tá. - Responde me encarando até subir a escada e sumir do seu campo visual.

Em quinze minutos, consigo me arrumar e ficar decente o suficiente para o trabalho, desço e vejo Arthur, sentado no sofá, assistindo televisão, com os pés na mesa de vidro, coisa que eu odeio.

- Lembra do meu toque em relação a mesa? - Pergunto.

Ele se assusta, por saber estar fazendo algo errado, e aperta o botão de desligar do controle, ficando de pé e dando sutis toques na roupa para desamassar.

- Vamos?

Balanço a cabeça em afirmação e seguimos para fora.

Demoramos cerca de uma hora para chegar na empresa que trabalho, dei um selinho rápido no Arthur e o desejei um ótimo dia.

No hall de entrada, um cara alto e muito bonito parecia brigar com a catraca de acesso, e o segurança estava visivelmente sem saber o que fazer.

- Porra cara! Eu trabalho aqui! Comecei na segunda-feira. - Passa o cartão mais uma vez, dando acesso negado.

- Thomas? - Ele se vira a mim, seu pescoço e maxilar estavam levemente avermelhados.

- Oi Tony. - Respira fundo - Acho que meu cartão foi bloqueado nessa porcaria.

- Isso é normal, seu nome logo entra no sistema e tudo fica certo. - Passo o cartão e libero seu acesso.

- Obrigado. - Agradece de cabeça baixa.

Assinto como resposta e logo libero minha passagem também.

- Você não deveria estar mais cedo aqui na empresa? - Aperto o botão do elevador.

- Sim, mas avisei ao chefe que estava com uns problemas e precisava resolve-los.

Ele é tão gostoso que nem parece ter apenas dezoito anos, um metro e noventa, corte de cabelo estilo militar, louro escuro e um jeito de marra instigante.

- Ah sim. - Entramos juntos - Coisas de família?

- É. - Diz, se olhando no espelho e ajeitando o topete, seus olhos cor de mel me encaram - Está fazendo aniversário hoje, não?

- Estou. - Sorrio sem graça - Trinta anos.

- Caramba, nem parece, achei que você tinha uns vinte e quatro. - Comenta com um sorriso de canto.

- Poxa, obrigado! Tenho certeza que a Jennet está preparando alguma festa surpresa lá em cima!

- Se estiver, vai ser legal. - Seu maxilar contraído deixa seu rosto quadrado ainda mais bonito - Tem alguma descendência japonesa?

- Não, coreana. - Paramos no nosso andar - Apenas por parte de mãe, dizem que sou a cara dela.

- Então ela deve ser muito linda. - A porta se abre e ele sai na frente, sinto minhas bochechas queimarem, mas tento ignorar a sensação e entro calmo pela porta de vidro até o nosso setor.

Ensaio um sorriso e uma expressão de surpresa, porém, ao entrar vejo que uma reunião de investidores estava acontecendo, talvez isso explicasse o burburinho. Então onde Jennet estava, para gritar daquele jeito?

Mal entro no setor e uma mulher vem em minha direção e me leva até a sala ao lado.

- Oi Tony. - Sussurra, me abraçando forte - Nosso andar foi cedido para os investidores da Samsung.

- E como você gritou daquela forma no telefone se acontecia uma reunião?

- Eu estava no andar de baixo, dã. Não sou louca de perder o emprego.

- O andar de baixo não é da Amazon? - Cerro o cenho e sinto um mal pressentimento.

- Sim, você sabe que o povo de lá é doido, um a mais gritando não faz diferença.

- Nós vamos dividir o andar com eles? - Fica óbvio o fato de eu estar inconformado.

- Por hoje, sim, mas relaxa.

Saímos da sala em silêncio e pegamos o elevador. Antes de empurrar a porta de vidro, olho de relance para a sala do chefe e vejo Thomas me encarando discretamente, voltando sua atenção ao computador logo depois.

No andar da Amazon, a porta do elevador mal abre e meu colegas jogam confete em minha direção e me abraçam ao mesmo tempo.

- Feliz aniversário cara! Muitos anos de vida e que você viva para comemorar os "Entas" também!

Rimos e eu o dei dois tapas amigáveis nas costas.

- Obrigado a todos que estão festejando isso comigo, mas não podemos liberar o elevador com esse monte de confete. - Aponto ao chão.

Se algum andar reclamasse e pedisse as imagens das câmeras, teríamos uma advertência. Seria Amazon e Sony recebendo punição em conjunto. Nada legal.

Rapidamente arrumamos a entrada e passamos o dia todo trabalhando e comendo uns petiscos comprados pelo pessoal. Uma vaquinha as vezes dá para improvisar uma festinha surpresa.

Quando paramos despretensiosamente para apreciar a vista linda da cidade, percebi que já era noite e em alguns minutos estaríamos liberados.

- E aí Tony, vai sair comigo, Bill e Carl ou vai "Comemorar seus 3.0" com o Arthur? - Faz aspas, dizendo de uma forma debochada - Eu sei que você o conhece a sete anos, são praticamente casados, mas eu te conheço desde o 1ºAno do ensino médio, tenho mais moral! São quinze anos de close certo.

Resisto alguns segundos até ceder ao seu apelo desesperado.

- OK! Eu saio com vocês, mas tenho que pensar nas palavras certas para dizer isso ao Arthur. - Desligo o computador e cruzo os braços, impaciente.

- Diga assim: "Mozão, a Jennet me intimou a sair com o nosso grupinho de ensino médio, por favor, não fique bravo comigo! " E desliga. Torça para cair na caixa postal e você deixar esse recado.

- Fala sério Jennet! Isso é tão...

- Frio, eu sei, mas somos noooooooos! Se você tivesse um filho eu até entenderia, se bem que... dependendo da natureza, não terá, A NÃO SER, pela adoção ou barriga de aluguel.

"É aconselhado que encerrem suas atividades por hoje, o andar será fechado em meia hora, obrigado. "

- Vá encerrando as coisas na sua mesa que já falo com ele.

- Okay, não demore. - Caminha a outra sala.

Depois que consegui encerrar tudo bonitinho, peguei o celular do bolso e segui, receoso, até a parte de fora, onde o elevador fica. Procuro o número de Arthur e ele atende no primeiro toque.

- Fala amor.

- Oi. - Sorrio sem graça - Como foi seu dia hoje?

- Bom, já estou saindo da empresa agora...

Senti que ele iria dizer mais alguma coisa, mas o interrompo.

- Então, a Jennet praticamente me intimou a sair com o nosso grupinho de ensino médio e...

- Você a conhece a quinze anos, mais tempo que eu, são amigos e etc, entendo. - O ouço respirar fundo - Pode sair com eles se quiser, tenho um compromisso para resolver. Na verdade, eu ia te ligar e avisar, mas pelo visto... - Não completa a frase, soando como um pensamento distante.

- Desculpa, é que eu e ela...

- Não precisa se desculpar, entendo seu lado, espero que se divirta bastante agora a noite, feliz aniversário amor.

- Obrigado, te amo.

- Te espero em casa. - Desliga.

- Por favor, sem crise no relacionamento agora! - Penso.

- Então? - Jennet aparece de surpresa atrás de mim, me fazendo levar um grande susto.

- PUTA que pariu. - Tento falar baixo, levando a mão ao peito - Quer me matar?

- Claro que não, pretendo ser uma viada idosa. - Me dá um tapa fraco no ombro - Sairemos para os bailes da saudade e vamos dar em cima dos tiozinhos da nossa idade.

Brinca, segurando o riso.

- Jennet, Deus estava de muito bom humor quando criou você. - Sorrio e balanço a cabeça em negação.

- Lógico monamur, sou do bonde do arco íris, só no amor.

- Sua doida, vamos pegar nossas coisas e procurar um barzinho animado.

- Seu desejo é uma ordem, me chama que eu vou.

Seguimos juntos para o interior do setor e pegamos nossos pertences.

Eu, Carl, Bill e Jennet, chegamos no hall de entrada, conversando aos montes. Vi de longe Thomas brigando com a catraca, mas parou no momento em que nos viu.

- Podem me salvar?

- Mas é claro! - Sorri sem graça.

Jennet olha aos nossos amigos com uma expressão de "Ui, então tá né! "

- Obrigado. - Passa e nos espera - Para onde estão indo?

- Algum barzinho animado, comemorar a idade de sucesso do nosso Tony.

Carl pareceu mais descontraído que eu ao responder.

- Entendi, legal, boa noite para vocês.

Insinua nos dar as costas, mas Jennet o chama.

- Ei! Não quer ir conosco?

Ele a olha com um sorriso de canto e não hesita em responder.

- Adoraria.

Tivemos a sorte de descobrir que Thomas tinha um carro. Embarcamos nele, alegres como nunca, pois Bill sugeriu um ótimo lugar para ir.

- Esse bar é muito foda! - Aponta com as duas mãos para a entrada de letreiro piscante.

- Vendo daqui de fora, o interior, me parece agradável. - Carl concorda com a cabeça.

- Aqui não é aquele que toca desde música ao vivo a eletrônica? - Thomas pareceu ansioso para entrar.

- Eu só quero ter uma noite divertida.

- Vamos lá então meus amores!

Mal entramos e o nosso grupinho já se dividiu, consegui segurar a Jennet antes que ela fosse para um balcão pedir bebida.

- Você fica. - A seguro pelo braço esquerdo, entrelaçando junto ao meu.

- Ah Tony! Eu quero pegar bebida... - Protesta como uma criança de cinco anos.

- Eu sei, mas espere aí. Todo mundo foi pegar, não quero ficar sozinho.

- Ah meu amor, te garanto que isso não vai acontecer! - Faz uma cara maliciosa, apontando com a cabeça, para uma pessoa próxima a nós.

- Thomas? Está doida? - Sentamos em uma cadeira, guardando lugar aos demais.

- Ele te olha com uma cara de sexo que minha nossa. - Se abana com as mãos - Fico até molhada.

- Larga de ser tarada, eu namoro! Não sei se lembra!

- Claro que lembro, mas quando fez sexo com o Arthur hoje, tenho certeza que aconteceu de manhã, foi com amor? - Estala os dedos e chama um garçom.

- Foi sim, da minha parte pelo menos.

- E da dele? - Pausa a conversa e pede uma bebida - Um cowboy duplo com gelo e você Tony?

- Pode ser Licor mountain.

- Ai que virgem, ok, e um Licor Mountain.

- Tudo bem, não demoro, com licença.

- Voltando, e da dele?

- Ah - Demoro alguns segundos para continuar a frase e ela me olha com uma expressão de "Sem mentiras" - Acho que sim.

- Acha? Sério mesmo? Depois de sete anos você não tem certeza? Está mal em!

- Quando liguei ao Arthur e disse que não poderia sair, ele aceitou tão de boa e depois deve ter inventado um compromisso para não ficar tão bobo na fita por eu o ter jogado de escanteio.

- Sabe o que eu acho? - Junta as duas mãos - Crise.

- Vira essa boca para lá Jennet, credo! Sete anos é o ano amarrado dos relacionamentos, pensei a mesma coisa quando desliguei o telefone, antes de quase me matar do coração.

Segura o riso.

- Tente sobreviver a isso, ou se entregue ao recente furacão Thomas: Alto, novinho, forte, gostoso... Ui, até subiu um calor, e você sabe como é a disposição sexual aos dezoito né? Cavalga nervoso que só vaselina salva!

- Jennet, por Deus! Quando que você ficou tão pornô?

- Sempre fui, você sabe disso! Não lembra que eu comentava na aula de educação física sobre o volume no short do professor - Pausa a fala ao se lembrar - E aquelas pernas! - Apoia o rosto e os braços na mesa de ferro com madeira - Fico até triste por não ter tido o privilégio.

- Para com isso! Os meninos já estão voltando. - A cutuco.

O garçom veio logo atrás com o nosso pedido. Bebemos, rimos, contamos momentos constrangedores das nossas vidas que agora não passam de lembranças engraçadas e comemos muitas coisas que negamos durante os dias normais por serem muito gordurosas.

Thomas não perdia a oportunidade de olhar para mim, mesmo que fosse discretamente, era impossível evitar de sentir excitação por isso. O volume da minha calça começou a apertar e para evitar um momento embaraçoso, resolvi ir ao banheiro.

- Espere ai! Vou junto, estou doido para mijar também. - Diz se levantando da cadeira.

- Não demorem, a próxima parada será no Karaokê!

- Pode deixar Jennet.

Saio na frente e Thomas vem logo atrás. Antes de entrar na porta do banheiro, há uma região no bar, pouco iluminada, que imagino ser onde as pessoas se pegam.

Thomas segura em meu ombro com a mão direita e me empurra contra uma pilastra.

- Desculpa, mas é que você vale tão apena. - Prensa seu corpo ao meu e aperta com gosto o volume crescente em minha calça.

- Eu... eu... so... sou praticamente ca... casado... e eu... não... - Sou interrompido ao sentir seus lábios se aproximarem dos meus. Nossas línguas, juntas, são tão habilidosas, que chego a gemer.

Ele segura em minha mão e me leva até o banheiro masculino. Trancamos a porta de um cubículo e seguimos de onde paramos. Thomas tomou a iniciativa e me empurrou contra a parede. Minhas calças logo foram ao chão. O som do cinto batendo na privada me causou um choque, por medo de alguém saber o que estamos fazendo.

- Relaxa Tony, hoje você vai ter o melhor orgasmo da sua vida. - Beija meu pescoço, enquanto abaixa sua calça e umedece seu pênis com saliva.

Não demora muito e o sinto me penetrar. Fazer sexo em um banheiro de bar é tão arriscado e tão bom, que não consigo pensar racionalmente na hora. Thomas envolve seus braços em minha cintura e geme a cada investida. Meu rosto começa a ficar quente e suado ao mesmo tempo que me arrepio ao senti-lo apertar minha bunda, passando seu peito firme em minhas costas.

Eu realmente estava nas nuvens.

A porta de entrada do banheiro é aberta e consigo ouvir a voz de três caras.

- Mas e aí? Você é solteiro?

- Não, eu namoro.

- Aquela gostosa?

- Não, eu sou bi, namoro um cara, ele saiu para uma festa com os amigos e resolvi me divertir também.

As penetradas de Thomas dentro de mim se tornam doloridas quando contraio a musculatura, Arthur está aqui, me traindo. Não me sinto tão triste pois seria muita hipocrisia. Toco na coxa de Thomas e o mando parar.

- Arthur, ouviu isso? Parece que estão transando ali.

Ouço alguém se aproximar e bater duas vezes na porta trancada.

- Tem alguém aí?

Thomas e eu nos encaramos por poucos segundos que pareciam durar a eternidade. Como sairíamos daquela situação sem antes iniciar uma confusão?

- A gente ouviu vocês interrompendo a foda! – O amigo com a voz mais grossa parecia se deliciar com o momento delicado na qual nos encontrávamos.

Penso em toda crise que começaria em minha vida no instante que saíssemos do cubículo. Gesticulo a Thomas para se vestir e enfim enfrentar aquele ambiente que havia se tornado tão vergonhoso.

- A gente não vai sair até ver quem são os otários que tiveram a brilhante ideia de foder num lugar onde todos saberiam.

Recuo dois passos ao vão livre da privada e, de relance, vejo suas mãos grandes apalpando a região intima como se sinalizasse ao próprio corpo que aquele momento excitado não era o mais adequado.

- VAMOS! – O outro de sotaque britânico bate com o punho fechado, intensificando ainda mais o som.

Pela expressão constante que Thomas fazia, era fácil identificar uma decepção por não poder ter aliviado aquela sensação que imagino tê-lo perturbado durante todo o dia, mas o que se tornou mais explicito foi sua curiosidade a minha atitude, temendo o timbre misterioso por trás da parede.

O entorpecimento, decorrente ao medo de uma catástrofe, fez tudo a minha volta passar como um filme em câmera lenta, enquanto a porta era finalmente aberta. Arthur mudou sua feição debochada junto, ao grupinho, para uma estática e inconsolável. Seu cérebro não compreendeu facilmente a cena que se julgava impossível a sua vida, mas no instante em que meu nome foi dito de forma áspera e alta, sabia que tudo havia acabado.

- ANTHONY! – Seus olhos pareciam querer saltar do rosto, junto a uma veia pulsante em fúria no seu pescoço.

Tive tempo apenas de sair do cubículo até sentir seu punho pesado acertar com força um lado do meu rosto. Os amigos dele mantiveram-se petrificados com todo o acontecimento, indecisos sobre intervir ou não, mas Thomas foi mais rápido, o segurando pelos dois braços antes de caírem juntos pelo piso úmido recém limpo.

- EU VOU TE MATAR ANTHONY, SEU DESGRAÇADO. – Arthur se viu transtornado, livrando-se facilmente dos braços fortes de Thomas e o desferindo um soco tão forte em seu peito que se pôde compara-lo a uma martelada na parede.

Não demorou muito até mais pessoas chegarem ao toalete e sinalizarem aos seguranças tudo que acontecia. Bill e Carl entraram já visualizando toda a desgraça acontecendo. Era claro sobre quem deviam agir, com isso, ajudaram Thomas a imobiliza-lo contra o chão.

Pela diminuição gradativa a sua resistência aos colegas que o seguravam, Arthur manteve-se calado enquanto um amigo tentava o ajudar.

- Vem cara.

- Sai porra. – O tom áspero de sua voz o expulsou instintivamente, levantando por contra própria em meio a uma camisa e calça amarrotadas.

- O que está acontecendo aqui?

A altura, semelhante ao Thomas, e a imponência do segurança trouxe toda a atenção em sua direção, portando um tom de voz severo e irritado.

- Aquele filho da puta...

- Aqui não é sua casa para ficar usando esse termo, abaixa a bola.

Arthur respirou fundo, buscando uma calma que não vinha fácil, prosseguindo de uma falsa forma branda todo o ocorrido.

- Esse moleque que fede a pomada para assadura teve a ousadia de ficar com o meu namorado.

Os amigos dele se entreolharam por alguns segundos como se evitassem julga-lo por ações anteriores.

- Todos os envolvidos, fora daqui. – Foi a última frase expressada de forma “contida” pelo segurança – E a bora dispersar essa plateia! Circulando galera.

Saímos todos de cabeça baixa, onde tive moral apenas para encarar Jennet, que me abordou próximo a saída.

- Meu palpite sobre dar merda se concretizou, vem! – Estende a mão esquerda, sugerindo que eu envolvesse meu braço ao seu – Dorme na minha casa essa noite e amanhã pensamos melhor sobre isso.

- Pessoal, quem é aquela garota conversando com o Arthur? – Bill levantou uma questão extremamente mal vinda para aquele momento.

Carl o deu uma cotovelada discreta e em seguida sorriu de forma complacente a sua proposição.

- Se precisar de qualquer coisa, pode me ligar de madrugada, sem problemas.

- Muito obrigado, vocês são ótimos.

Enquanto os agradecia por me darem suporte no pior momento da noite, Thomas passa por nós, em direção saída, como um relâmpago, alisando constantemente a região que sofreu a pancada. Seus olhos marejados denunciavam uma tristeza que apagou qualquer momento feliz e assim como eu, ele não estava em uma boa hora para diálogos.

O percurso até a casa da Jennet pareceu demorar mais do que deveria, ou talvez fosse apenas a minha mente que entrou em um modo onde a percepção fosse afetada pelo “trauma” inesperado.



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