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História Bendita tatuagem - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Capítulo dois


Certa vez minha mãe me disse –  depois que me viu assistindo filme pornô e brincando de cinco contra um –, que eu não deveria ter vergonha das coisas normais da vida, que brincar com o meu pau era mais normal do que brincar com o pelinho que nasceu no meio do meu peito. O que isso te ensina? Porra nenhuma, mas entra um pouco no contexto do que eu penso em fazer.

 

Sehun não me dá chances, ele simplesmente negou todas as minhas jogadas e faltam cinco dias para o meu aniversário, no entanto eu comecei a perceber que ele odeia passar vergonha e eu sendo filho de Yezi, não tenho vergonha nem da minha sombra. Então pensando nisso conversei com o meu namorado e  mesmo ele dizendo que a minha ideia era uma merda, eu expulsei ele de casa, mesmo o amando, e vou seguir o que eu pensei porque eu não preciso dele, o que não falta nesse mundo são pessoas. Dramático, eu sei.

 

Minha ideia é simples, deixar o Sehun envergonhado o bastante para que ele me deixe fazer a tatuagem. Maravilhosa ideia não é? Diga que sim, mesmo que seja uma bosta!

 

― Não vai dar certo. ― Meu pai Yixing disse sentado no sofá com os papéis do trabalho em suas mãos. ― Se ele ficar com vergonha de algo é bem capaz dele te matar ou nunca mais olhar na sua cara.

 

― Mas pai, é a única ideia que eu tenho!

 

― Criatura, você já pensou em uma coisa chamada conversa? ― Ele perguntou me olhando. ― Sabe, os seres humanos usam deste maravilhoso método para se resolverem ou exporem as suas vontades antes de se matarem como dois animais.

 

― Você bem que poderia ser um pai melhor, não acha? ― Me joguei no sofá ficando ao lado dele.

 

― Eu te sustento até hoje, continua dizendo que eu não sou um pai melhor que daqui até a rua eu não demoro muito pra te jogar. ― ele falou voltando sua atenção aos papéis e eu revirei os olhos. ― Olha, senta e conversa com ele ou muda de ideia e faz uma tatuagem pequena.

 

― Mas eu quero algo grande e o Jaemin também acha legal.


― Que eu saiba a tatuagem é em você, o Jaemin não deve dar palpite nenhum. ― resmungou e eu percebi um começo de irritação.

 

Meu pai Yixing amava o Jaemin há quatro meses, até conhecer os pais do Na, pode-se dizer que o meu pai não gosta do pai dele por causa de uma rixa idiota da faculdade de administração, e sim, meu pai é formado, e sim, clichê da porra. Pelo menos Sehun trabalha em uma loja de roupas com o amigo da faculdade, abrindo um rápido espaço aqui antes de encher o saco do meu pai em relação a raiva que ele pegou do Jaemin.

Sehun trabalha com o amigo dele né, e esse amigo é o Chanyeol, cara... Eu quando tinha dezesseis me apaixonei por ele de um jeito que puta que pariu, só que ele é mais velho, lógico e eu nunca iria ficar com ele, porque além de ser contra a lei, ele é o melhor amigo do meu pai. Só que, quando ele conheceu o marido dele, o Kyungsoo, eu me apaixonei por ele também.

Amor platônico, sabe? O chamado crush hoje? Que na verdade é só sua mente bosta fantasiando uma pessoa que na verdade é um cu quando você a conhece de verdade. Diga não aos crushs.

 

― Qual o seu problema com o Jaemin agora?

 

― Você demorou quase dez minutos para fazer essa pergunta? ― ele indagou e eu ri. ― Você sabe bem o porquê.

 

― Pai, o senhor Hyujoe é um cara legal, ele me trata muito bem. ― disse. ― Eu quero só ver quando eu casar e quiser fazer um jantar com toda a família, eu e o Jaemin vamos comer sozinhos já que você e o pai dele não se bicam.

 

― Que negócio é esse de casar? Só porque transou acha que casamento vem em seguida como uma ordem? ― Meu pai me olhou e eu suspirei, lá vem. ― Eu fiz a besteira de engravidar a sua mãe porque eu era um merdinha que não sabia colocar a camisinha no pau, e então a gente teve que juntar as escovas no banheiro podre. Então não ache que só porque é gay e tem um namorado e que vocês foderam, que eu vou te deixar casar antes dos vinte e cinco anos.

 

― Por que o senhor e a mamãe citam sempre a escova de dente no banheiro podre? Quando o senhor fala do Sehun sempre diz que vocês juntaram as cuecas na gaveta e isso virou sinônimo de um casamento.

 

― Porque o banheiro do quarto onde eu e sua mãe morávamos era podre, tipo, podre mesmo parecia banheiro público, acho que só explodindo aquela merda pra sair aquele cheiro. ― ele riu. ― E com o Sehun a gente juntou as cuecas na minha gaveta, conheci seu pai no lado bom da vida.

 

Eu nunca fui de querer saber mais sobre o meu pai e a minha mãe, na realidade quando pequeno eu entendi muito rápido que eles não estavam mais juntos, nunca foi uma coisa ruim ou algo que me atrapalhasse, acho que tive sorte.

 

― Eu não ia perguntar, mas sei lá, deu vontade. ― murmurei. ― Foi difícil parar de amar a mamãe?

 

― Filho, o que eu vou falar agora talvez te machuque, mas eu duvido muito já que você é um garoto bem resolvido e inteligente demais pra sua idade. ― ele se ajeitou e me encarou de maneira séria. Era interessante ver o meu pai sério, porra, ele tinha um piercing no nariz e outro na sobrancelha, então era meio incomum ver ele sério. ―  Eu não sei se um dia amei sua mãe e nem ela sabe se me amou.

 

― Então porque ficaram juntos quando eu nasci? ― perguntei confuso.

 

― Comodismo e pressão familiar. ― suspirou. ― Eu sempre gostei da sua mãe, assim como ela gostava de mim, mas nunca foi um amor. Se fosse realmente amor, teríamos ao menos tentado conviver mesmo com as diferenças. Desculpa se isso de alguma forma te magoa, filho.

 

― Não magoá, na verdade eu meio que não ligo. ― ri. ― Eu tenho você e o Sehun, minha mãe e o Jooheon, acho que tá ótimo assim.

 

― E sobre sua tatuagem, o que vai fazer?

 

― Conversar. ― resmunguei e ele riu. ― Preciso pedir desculpas do Jaemin, eu briguei com ele porque ele achou minha ideia uma bosta.

 

― E era uma bosta, filho.

 

― Qual a parte de ser um bom pai você não entendeu ou não leu enquanto a mamãe estava grávida?

 

― A parte onde eu trabalhava o dia todo pra comprar seu leite. ― sorriu voltando a ler os papéis. ― Yixing 1, Renjun 0.

 

― Criança. ― bufei.

 

[...]

 

Conversar com Sehun sempre foi uma das minhas coisas favoritas, tudo porque ele sempre me escutou e quando eu digo que ele escutou, é porque ele realmente escutou. Sabe quando você tem só dez anos e começa a falar de inúmeros desenhos e coisas que só você entende? Então. Eu falava demais e ele me escutava, e não era só isso, ele mantinha uma conversa sobre o que eu estava falando, vocês acreditam nisso?

Que tipo de adulto hoje presta atenção no que uma criança diz ou pergunta? Pense por trinta segundos que eu tenho certeza que a sua resposta foi nenhuma, no mais ela foi alguns. É por isso que a maioria das crianças não aprende nada em casa, porque os pais não escutam e nem conversam, apenas mandam pesquisar ou deixam nas mãos dos professores e de caras e moças que fazem vídeo na internet.

Mas né.

Sobre o Sehun. Ele sempre me deu uma moral, e eu acho ele melhor do que meu pai biológico sim, desculpa, gosto de atenção desde que tinha nove anos e saí pelado na rua com uma panela na cabeça, tudo porque o meu pai falou que se alguém quer atenção e só sair pelado com uma panela na cabeça. Milagre foi a assistente social nunca ter tido conhecimento sobre isso, imagine só onde eu estaria agora.

 

― Pai. ― Chamei entrando no quarto dos meus pais. Yixing foi para um jantar de negócios e eu fiquei em casa esperando o Sehun chegar, e quando ele chegou eu esperei quase duas horas pra poder conversar com ele. ― Podemos conversar?

 

― Sobre sua tatuagem? ― perguntou arrumando a cômoda, na verdade jogando uns papéis que meu pai Yixing deixou jogado em cima.

 

― É...

 

― Chora.

 

― Poxa pai, deixa logo! ― Me aproximei e fiquei de joelhos. Perdi a compostura, eu sei. ― É só uma tatuagem.

 

― Uma igual a do Yixing. ― ele não me olhou. ― Me explica o motivo de querer igual.

 

― Ou parecida.

 

― Igual, Renjun. ― ele cruzou os braços e olhou para mim. ― Eu sei que na real você vai querer fazer uma igualzinha. E levanta do chão antes que eu tire uma foto e faça um quadro desse seu momento vergonhoso.

 

― Que belo pai. ― resmunguei levantando. ― Eu só achei que seria legal, é uma das mais bonitas que ele tem, fora, é lógico, daquela que ele tem no braço com o meu nome embaixo daquela caveira mexicana.

 

― Sabe quando seu pai fez essa tatuagem? ― ele foi sentar na cama e eu fiz o mesmo ficando ao lado dele.

 

― Depois dos meus nove ou dez anos, não?

 

― Sim. ― Sorriu pequeno. Eu sempre gostei do sorriso do Sehun, me traz paz desde pequeno. ― Ele tinha as outras, mas nenhuma delas era grande... Só que o seu pai era mais velho que você quando fez essa tatuagem, você só tem dezoito.

 

― Vou fazer dezenove.

 

― Mesmo assim, criatura. ― bufou. ― Seu pai tinha vinte e oito quando fez essa tatuagem, hoje com quase quarenta ele nunca se arrependeu. Mas e você? Você vai fazer dezenove e quer tatuar um dragão imenso nas costas!

 

― Mas a pele é minha!

 

― Mas você pode se arrepender daqui a um ano e querer tirar uma coisa imensa das suas costas! ― ele gritou de volta.

 

― Se nem minha mãe se importa, porque você que não é meu pai de sangue tá se importando?

 

― Porque eu me preocupo com as suas decisões, Renjun. ― ele disse sério e eu percebi a merda que falei. ― Porque eu me preocupo com a dor que você vai sentir quando pensar em começar um tratamento pra tirar a tatuagem, eu me preocupo com a sua pele, com a cicatrização dessa tatuagem, com os seus trabalhos futuros, até porque você sabe muito bem que quem tem tatuagem ainda é muito julgado aqui e por mais que eu não julgue não quer dizer que as outras pessoas sejam iguais a mim.

 

― Pai e-

 

― Eu não sou seu pai de sangue, é verdade. ― ele disse. ― Se o seu pai e a sua deixam, quem sou eu para interferir, não é mesmo? Eu sou o seu padrasto, minha opinião não deve mudar muita coisa.

 

Em nenhum momento desde que Sehun veio morar aqui eu o chamei de padrasto, nem na escola e muito menos para os meus amigos, ele sempre foi o meu pai.

 

― Vou ligar para o Chanyeol, o irmão dele foi quem fez a tatuagem no seu pai, acho que ele ainda mantém o estúdio no centro. Vou marcar sua tatuagem para o fim de semana, quanto antes começar ela, melhor. ― ele disse saindo do quarto.

 

Eu sou muito merda, puta que pariu!

Peguei meu celular e liguei para a minha mãe, depois de três chamadas ela atendeu;

 

― Mamãe, posso dormir na sua casa hoje?

 

 



Notas Finais


ih, pisou na bola amigo

Vejamos aqui, o renjun se preocupa muito com a opinião do Sehun por isso ele quer que o pai aceite a tatuagem de boa, e o Sehun só está preocupado com o futuro do próprio filho pq no contexto da fic ainda existem pessoas que perdem o emprego ou são julgadas por terem grandes tatuagens, entendem? Não que tenha mudado né, quem tem tatuagem ainda recebe críticas né, acho isso uma besteira e olha que eu nem tenho tatuagem


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