História Best Challenge - Capítulo 27


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Categorias Bangtan Boys (BTS), EXO, Got7, Red Velvet, TWICE
Personagens Personagens Originais
Tags Bts, Colleger's, Drama, Elychanx, Irene, Redvelvet, Strawtears, Taehyung, Taenya
Visualizações 611
Palavras 4.118
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Desculpa a demora pra trazer esse capítulo.

Avisos: esse capítulo é todo narrado no ponto de vista do Jungkook, ele meio que representa o presente e o passado, então geral pode acabar bugando enquanto.

Boa leitura!

Capítulo 27 - Nem Tudo Está Perdido


Fanfic / Fanfiction Best Challenge - Capítulo 27 - Nem Tudo Está Perdido

                     JUNGKOOK

Outra vez larguei o lápis em cima do caderno de matemática e fechei o livro. Bufei enchendo as bochechas de ar, as minhas dores de cabeça passaram de segundos e a deitei sobre os livros e cadernos, aproveitando para tirar um cochilo, porém o barulho que fazia lá em baixo na sala de estar me impediu de fazer isso. Soltei uma segunda baforada decidindo me levantar da cadeira perto da escrivaninha e indo direto me jogar na cama. Pelo o vidro transparente da janela eu via a chuva lá fora, as gotas batiam no telhado fazendo um barulho incômodo de se ouvir e o cheiro bom de terra molhada invadia as minhas narinas.

Por mais estranho que fosse eu estava de bom humor naquela noite chuvosa, eram por volta das uma da manhã, todo mundo da casa dormia, só sobrava eu e os animais acordados. Por lembrar deles, no mesmo instante a porta encostada do meu quarto se abriu e por ela passou o cachorro, atrás do cão o gato que veio me fazer companhia. Fiquei sentado na cama e estralei os dedos, chamando por eles. O cachorro pulou na cama trazendo o gato nas costas dele, sorri com a imensa esperteza dos dois e acaricei os pêlos de almôndega, a gata de Anyha e logo depois fiz um carinho na cabeça de Shin.

As minhas únicas companhias para passar a noite acordado se agitaram e um latiu e o outro miou querendo mais.

— Ei, Shin. — Chamei pelo o cachorro. Ele obedeceu, deitando a cabeça em meu colo com as patas sob a cabeça, de olhos fixos nos meus. — Eu quero que saiba que eu — apontei o dedo no peito. — jamais machucaria você e muito menos contrataria pessoas para fazerem isso.

O cachorro grunhiu mesmo sem entender nada, se ergueu para cima e lambeu o meu rosto de forma carinhosa. Eu ri e fiz outro carinho nos pêlos macios do pastor alemão.

— Eu posso odiar muito o seu dono, mas não odeio você. — Sorri. — Você é legal.

Ele latiu de língua para fora da boca e mais uma vez me atacou com lambidas, a gata de Anyha rosnou com um possível ciúmes. Abri um leve sorriso achando graça e resolvi fazer um carinho nela também.

Quando o sono me atingiu os animais desceram da cama e foram deitar no tapete do quarto. Apaguei a luz bocejando pelo o sono que sentia e me cobri com os cobertores de tecido grosso e quente, a chuva lá fora ficou mais forte e eu desfrutei para dormir tranquilamente ao som dela. No dia seguinte fui o primeiro a acordar só para evitar de ter encontros desagradáveis no corredor da casa, tomei um rápido banho e terminando de arrumar a mochila cheia de livros que eu levaria hoje para a escola, tirei da caixinha guardada na gaveta os pares das lentes de contato. Pisquei sentindo os meus olhos coçar por não estar muito acostumado a usar as drogas das lentes.

Mas era necessário, não queria me dar ao trabalho de voltar a usar a merda dos óculos.

Joguei a mochila pesada nas costas, nem me incomodando com o peso que ela me dava, apenas desci as escadas e saí de casa evitando de ir tomar café da manhã com a família. Não estava com muito humor para aturar ninguém da minha família hoje, eu só queria chegar logo na escola e me isolar do mundo. Coloquei o primeiro pé para fora de casa, no mesmo momento uma ventania atingiu o meu corpo, suspirei abraçando o próprio corpo e ousei colocar o outro pé pra fora, saindo de casa em definitivo. Levantei o capuz do moletom que eu usava por cima da camiseta e do blazer do uniforme, cobrindo a cabeça e enfiei as mãos nos bolsos da calça, caminhando de cabeça baixa pela a rua molhada.

Hoje estava muito frio devido a chuva de ontem, as ruas estavam molhadas e alguns vizinhos acordados em plena às seis da manhã já estavam de pé, lavando os seus carros no gramado de suas casas. Os vizinhos me deram um "bom dia" ao me verem passar, devolvi a saudação respondendo desanimado e continuei com o meu caminho, rumando para a escola que eu ainda estava muito longe de chegar. Num momento inesperado passei a andar mais divagar, um carro vermelho passou a me acompanhar, franzi o cenho levantando a cabeça na altura correta e virei a cara para o lado que o carro seguia. Aquele carro não me era estranho.

— Psiu! — Parei quando alguém dentro do veículo me chamou. — Ei, gatinho. — A janela foi se abaixando aos poucos e eu pude enxergar o rosto familiar que se colocou para fora da janela.

Ela estava sorrindo alegremente como das últimas vezes que a vi com Anyha, seus cabelos negros e lisos se esvoaçavam em razão da ventania fraca e incessante.

— Oi, Camille. — Liberei uma fumaça de ar que saiu da boca, num fraco suspiro.

— Tá afim de uma carona?

Hesitei antes de aceitar, lançando a seguinte pergunta:

— Aquela sua amiga loirinha maluca tá aí com você? — Retirei as mãos dos bolsos, as levando direto para as alças da mochila, quais enlancei os dedos e as espertei, tremelicando os dentes de frio.

— Não Jungkook, a Yeri não tá aqui. — Ela revirou os olhos. — E entra logo, vai.

Não podendo recusar aceitei de bom agrado e abri a porta do carro, infelizmente a tentativa que fiz de abri-la não deu muito certo. Cruzei os braços lançando um olhar questionador para a garota, ela riu sem graça e apertou no botão destrancando as portas, agarrei de novo na porta, enfim podendo abri-la e me ajustar no banco do lado do motorista. Obdeci o pedido de Camille, á qual pediu para que eu retirasse a mochila e a jogasse nos bancos do passageiro, atrás da gente. Coloquei o cinto de segurança apertando com força e novamente voltei a piscar os olhos pelo o incômodo que as lentes retornaram a me causar.

Camille ligou o carro e deu a partida no veículo, enquanto ela dirigia me ocupei em responder as suas diversas perguntas e entrar nos assuntos.

— Por que o banco tá sujo de mancha vermelha? — Perguntei no mesmo tempo que olhei para baixo, encontrando a grande mancha onde eu estava sentado.

— Ah, isso aí? — Ela abaixou a cabeça e olhou para baixo. — Foi a Yeri que menstruou ontem.

Franzi a testa e arregalei os olhos quase dando um pulo para trás, mas parei quando escutei ressoar os sons das risadas escandalosas de Camille.

— É brincadeira. — Confessou aos risos. Suspirei de alívio. — É mancha de ketchup.

— Nunca mais me assusta desse jeito. — Tombei a cabeça para trás e bati as costas no banco, relaxando.

— Na boa, por que vocês homens tem tanto nojo de menstruação? — Perguntou mais para si mesma do que para mim, assumi uma careta querendo fugir daquele assunto. — Vocês saíram da vagina de uma mulher, isso é bem mais nojento e pra nos fazer os nossos pais fuderam. Tipo, o pau se enfiu numa vagi...

— Dá pra mudar de assunto? — A Interrompi. Por que essa garota tinha que ser tão maluca?

— Tudo bem. — Suspirou e bateu de leve as mãos no volante, bufando. — Quer falar sobre o que?

— Melhor ficarmos calados mesmo. — Dei de ombros.

Suspiramos na mesma fração de tempo e ela assentiu, então o silêncio se instalou dentro do carro.

Camille estacionou o carro exatamente na vaga de estacionamento da escola, no melhor lugar já que havíamos chegado cedo. Retirei o cinto de segurança enquanto agradecia a ela pela a carona e saí do carro. Mesmo em chegar muito cedo na escola não pude evitar de esbarrar em um monte de alunos misturados nos corredores. Peguei o celular e os fones de ouvidos, selecionei Thunder do Imagine Dragons e coloquei os fones em meus ouvidos, caminhando novamente de cabeça baixa naqueles corredores e só parando ao chegar no refeitório onde eu me sentei e abri um dos livros pra estudar um pouco.

Um lugar ao meu lado fora ocupado por outra pessoa, nem precisei desviar os olhos vidrados no livro de história para ver de quem se tratava. Sabia muito bem que era Camille e confirmei isso quando um cartão branco se colocou na frente do meu rosto. Fechei o livro e peguei o cartão que ela me estendeu, de cenho franzido analisei o cartão. Nele havia um número de telefone, o nome de um tal Park Jeong Yeon e acima do número um endereço do seu consultório estava escrito com todas as letras "psicólogo profissional". Mantive o meu olhar vidrado naquele cartão, até entender o motivo de Camille me dar aquilo e bufar, desaprovando.

— Camille, eu não sou louco. — Devolvi o cartão a ela, porém a garota negou com a cabeça, não querendo recebê-lo de volta.

— Jungkook, psicólogo não é para pessoas loucas. — Passou um braço ao redor do meu ombro e apertou minha bochecha. — Eu sei como se sente, sei o quanto tá deprimido por dentro e por fora. — Ela dizia em tom manso, sua voz era como uma música melodiosa para os meus ouvidos e enquanto a ouvia falar engoli em seco, procurando controlar as minhas emoções. — Acredite em mim, ir a um psicólogo vai te ajudar muito.

Pode ser que ela estivesse certa quanto eu precisar de uma ajuda psicológica, ultimamente eu me sinto tão vazio, é como se nada mais pudesse me alegrar, eu não pudesse ser feliz como antes. Nada mais me fazia sorrir como antes, os dias que eu passava estudando estava deitado na cama chorando feito um garotinho, um perdedor que não consegue controlar esse lado obscuro dentro de mim, o cara que só serve pra manipular a própria irmã ao seu favor. Se eu me sentia feliz em ser assim? Muito pelo o contrário, eu me sinto podre, sombrio de alma, desprezível por dentro e por fora; alguém que apenas conseguia se sentir em paz quando estava dormindo.

Dormir era o único refúgio que eu encontrava para mim, assim não teria que ouvir as malditas vozes falando comigo.

— Eu vou pensar, Noona. — Guardei o cartão dentro do livro, decido em fazer o que era certo para mim.

Camille fez um pequeno movimento positivo com a cabeça e se afastou, numa distância boa o suficiente para nós dois.

— Quer conversar? — Olhei para ela, incerto. — Pode confiar em mim, Jungkook.

Fechei os olhos e suspirei, tomando fôlego.

— Eu não sou mais a mesma pessoa de antes. — Admiti o que estava há muito tempo preso em minha garganta.

— Todo mundo muda. — Ela sussurrou baixinho. — Mas eu sei que esse seu novo "eu" está te atormentando. Certo?

Ela estava mais que certa e de fato eu estava mesmo amedrontado com a minha nova personalidade, queria muito me livrar dela e voltar a ser como era antes, mas a cada vez que eu tentava falhava miseravelmente. As lembranças ruins vinham a minha cabeça e o sentimento de ódio me consumia, me dominava e me fazia de fantoche, fazendo eu me sentir mais pior.

— É sim. — Olhei para as minhas mãos. — Às vezes eu desejo sumir.

— Nunca parou pra pensar que talvez você esteja sofrendo de sérios problemas psicológicos?

— Pode ser isso sim. — Suspirei anasalado.

— Quer que eu te acompanhe hoje na visita com o psicólogo?

Prestes a abrir a boca e dizer um "sim" a ela, a mesa de onde estávamos sentados foi preenchida por mais duas pessoas. A primeira que marcou presença foi Yeri, a amiga maluca de Anyha e Camille e a segunda a minha irmã mais velha. Saí rapidamente dali antes que Anyha insistisse que eu ficasse e caminhei a passos acelerados para fora do refeitório, de tão apressado que eu estava acabei esbarrando em quem eu menos esperava. As nossas testas bateram uma na outra e o caderno que a pessoa segurava foi de encontro ao chão. Me abaixei fazendo o favor de pegar o caderno e entregá-lo para ela. O caderno estava aberto e nele vizualizei um desenho perturbador.

Na folha de papel estava desenhado uma garota, esta garota estava pendurada no teto, uma corda prendia o seu pescoço e o sangue derramava no corpo dela. Analisei aquele desenho perplexo e o devolvi para a dona que fez uma reverência em agradecimento e passou esbarrando no meu ombro. Olhei para trás vendo a garota sumir por entre as pessoas nos corredores. Aquela garota não era nada mais e nada menos que Jung Dahyun, a irmã de Jung Hoseok. Ela havia mudado muito de uns tempos para cá, estava menos animada, mais deprimida que eu e sozinha. Era muito raro vê-la falando com um de seus amigos e nisso eu a entendia, pois eu também costumo estar sempre sozinho.

Alguma coisa de estranha estava acontecendo com aquela garota e disposto a descobrir dei a meia volta e a segui.

Encontrei Dahyun sentada no banco melancólico do pátio vazio e diferente daquele banco ela estava tão triste quanto eu. Quanto mais me aproximava dela dava para ouvir o seu choro baixinho, saindo apenas soluços. Sem dizer nada ou fazer perguntas me sentei perto dela, a garota triste levantou a cabeça na altura que os meus olhos pudessem vê-la. Seus cabelos negros meio castanhos estavam desgrenhados, alguns fios pregavam no rosto molhado pelas as lágrimas que ali deslizavam. Num movimento repentino toquei com ponta dos meus dedos o rosto dela, entralacei uma mecha cobrindo o olho e a levei para trás da orelha, ela não agiu a nada, deixou que eu fizesse isso e fungou.

Aquela garota de certa forma não estava bem e precisava de muita ajuda.

— O que há com você? — Questionei cuidadoso.

Ela suspirou.

— Você não entende, ninguém entende. — Sua voz dominou-se por um tom choroso e num piscar de olhos ela voltou a chorar e eu pisquei desconexo, sem saber o que fazer.

— Se quiser, pode me contar. — Disse confuso, não sabendo ao que recorrer para fazê-la parar de chorar.

— Não. — Ela riu entre o choro. — Você é a última pessoa no mundo a quem eu contaria e pode por favor me deixar sozinha?

— Tá. — Espalmei as mãos no banco, me levantando.

Voltei a perambular os corredores do colégio e só parei quando o sinal tocou anuciando o início da primeira aula. Dei um jeito de me acomodar no lugar da frente, qual era o meu preferido. A sala antes vazia se encheu de alunos, vozes de diferentes tons falavam no mesmo decorrer de tempo, procurei ignora-las abrindo o livro de matemática na página da atividade que a professora pediu para fazer ontem e que a revisaria hoje no quadro. Mantive os olhos grudados no livro fingindo não ouvir as garotas que passaram por mim, me chamando de gatinho e perguntando se eu tinha namorada. Me fingi de mudo também, não respondendo nenhuma delas.

Eu já tinha problemas demais nas costas e arranjar uma namorada agora só multiplicaria em dobro os meus inúmeros problemas incompressíveis.

— Aluno novo? — Pisquei sentindo os meus olhos lacrimejarem por conta das lentes e levantei a cabeça, me deparando com a minha professora que me encarava curiosa.

Assim como ela metade da turma estava me olhando, alguns cochichavam nos ouvidos um do outro e algumas garotas sorriam para mim. Não demorei muito para interpretar que nem eles e a minha professora estavam me reconhecendo, eu estava muito diferente do Jungkook anterior, nem eu mesmo conseguia me reconhecer.

— Eu não sou aluno novo. — Contei tranquilamente e tossi seguidamente, o rosto corando pela a tamanha atenção que recebia.

Nunca em toda a minha vida eu havia recebido tanta atenção assim, era tudo muito estranho pra mim.

— E quem é você? — A professora tornou a perguntar.

Num movimento involuntário tirei as lentes que me incomodavam tanto, abri a mochila e de dentro dela tirei a caixinha das lentes, qual devolvi para elas, logo depois coloquei os pares de óculos mordenos em mim.

— Jungkook? — A mulher uniu as sobrancelhas, pasma com a minha mudança. — Mas você está irreconhecível.

— As pessoas mudam, Noona. — Fechei a mochila. — Eu não ia ficar daquele jeito para sempre.

A professora apenas deu de ombros e não disse mais nada para mim, voltando a dar as suas aulas. Tomei a decisão de ficar com os óculos até chegar em casa e ir substituir as lentes por umas que dessem menos coceira nos olhos.

As aulas correram em tempo acelerado e quando acabaram suspirei me levantando do meu lugar e caminhando de encontro a saída da sala de aula. Quando pisei os pés nos corredores esbarrei em algum dos meus colegas e as mesmas garotas oferecidas e para ignora-las com sucesso me dirigi para a direção que Camille estava, encostada na parede do corredor da minha turma e falando com alguém ao telefone. Me aproximei mais dela, podendo perceber que ela dialogava com a pessoa em outra linguagem, seu rosto estava vermelho e pelo o seu tom de voz rude adivinhei que ela estava discutindo com a outra pessoa, em um idioma completamente desconhecido pra mim.

— Droga pai, por que você tem que ser tão idiota? — Olhei para ela, estranhando o fato de ela ter voltado a falar no meu idioma e estar chorando como Dahyun. — Eu sei que você não tá entendendo nada do que eu tô dizendo. — Alterou o tom de voz. — Eu odeio você e aquela mulher, vão se ferrar os dois e me deixem morando aqui. Eu não quero saber de vocês, a Suny cuida muito bem de mim, melhor do que você devia fazer desde que eu nasci. Quer saber? Fica com a sua querida esposa e curta a sua nova filhinha, esquece que eu existo, que você tem uma outra filha morando do outro lado mundo. Eu vou desligar agora! Adeus pra sempre!

No mesmo instante que ela desligou o celular, se desmanchou em lágrimas. A segurei pelos os ombros ajudando-a a se manter de pé e ofereci a ela um abraço, a menor não pensou duas vezes antes de me abraçar com tudo e chorar no meu ombro. Eu não entedia o motivo de ela chorar e não queria incomoda-la ousando perguntar, eu só queria abraçá-la e reconforta-la em meus braços, deixar que ela chorasse o quanto pudesse, que deixasse esse seu lado de garota de ferro só por alguns minutinhos e desabafasse, fizesse o que eu tanto tenho medo de fazer na frente das pessoas.

— Se sente melhor? — Acariciei o rosto dela com o dorso da minha mão e aparei no dedo indicador uma gota de lágrima que caiu dos olhos dela.

— Obrigada Jungkook, você é uma pessoa incrível. — Ela voltou a me abraçar.

— Eu não acho isso que você pensa, mas se diz. — Uma risadinha abafada emitida dela me foi ouvida. Sorri satisfeito em consegui fazê-la rir mesmo que o meu comentário fosse tão bobo.

— Quer ir comigo naquela consulta com o psicólogo?

Expirei antes de dar uma resposta a ela.

— Sim. — Confirmei mais decidido que nunca.

Estava na hora de organizar os meus pensamentos e procurar uma ajuda.

                       ° ° °

— Você tá bem? — Perguntei depois que ela estacionou o carro no tal lugar.

Passamos a viagem de carro inteira em silêncio, Camille não dissera uma sequer palavra e isso começou a me incomodar. Não era normal que uma garota alegre, espontânea e falante como ela ficasse por tanto tempo calada.

— Quer saber porque eu tava discutindo com o meu pai no telefone?

— Sim, eu quero.

Ela bateu as mãos no volante e respirou fundo antes de virar o rosto para a direção do meu e me fitar profundamente.

— Quando eu tinha oito anos a minha mãe morreu. — Bufou. — Naquela época eu era uma criança que vivia feliz numa família saudável, mas quando ela se foi o meu pai mudou comigo. Três anos depois da morte dela ele se casou de novo e a esposa dele é o diabo encarnado em corpo de gente. — Riu. — Esqueça das madrastas malvadas dos contos de fadas dos filmes da Disney, aquela mulher supera qualquer uma delas.

— O que a sua madrasta fez de tão grave pra você achar isso? — Eu estava muito curioso para saber o resto da história e minha curiosidade se aumentou assim que eu a escutei rir melancolicamente.

— Ela colocou o meu pai contra mim, enfiou na cabeça dele que eu fui a culpada da morte da minha mãe e ele acreditou nela. — Lágrimas começaram a cair de seus olhos, molhando todo o rosto. — Meu pai passou a me odiar por causa daquela vadia manipuladora e quando ela ficou grávida dele, ele esqueceu que eu existia. Com treze anos eu ganhei o meu primeiro irmãozinho, fiquei feliz mas ela nunca me deixava chegar perto dele e meu pai dava razão pra ela. Então, foi aí que a rejeição que eu sofria me levou para um abismo sem saída, o pior vício.

— Que vício? — Franzi a testa.

— Eu entrei no mundo das drogas. — Arregalei os olhos, perplexo. — Comecei a usar aos treze anos de idade, com catorze passei dois meses no reformatório após agredir o meu terapeuta e assim que fui liberada eu voltei pra casa, minha madrasta me tratava tão mal quanto antes e o meu pai sentia vergonha de mim. Por esse motivo eu voltei a usar drogas, era um meio que eu via de me aliviar e sempre matava aula pra ir me drogar com pessoas que eu achava serem os meus amigos. Eu achava que tudo estava perdido pra mim, que ninguém mais me amava e que eu deveria morrer de uma vez. E então…

— Então? — Me endireitei melhor no banco, louco para ouvir o resto.

— Então a minha avó materna apareceu. — Sorriu. — Ela deu um jeito de conseguir a minha guarda e limpar a minha ficha criminal. Foi a melhor pessoa em toda a minha vida que para o meu bem me internou numa clínica de reabilitação e cuidou de mim com o maior carinho do mundo; com ela eu pude conhecer os dons de cigana que nunca imaginei ter, ela me deu carinho, uma boa família e me levou para conhecer vários países. Aos 17 anos eu já sabia falar seis idiomas, fiz intercâmbio nos Estudos Unidos e Canadá, com 18 a minha avó faleceu e infelizmente eu tive que voltar a morar com o desgraçado do meu pai e a esposa bruxa dele. Mas não por muito tempo.

— Você fugiu?

— Quase isso. — Ela sorriu, um sorriso que não chegou nos olhos. — Como já era maior de idade arrumei a minha mala e voltei a explorar o mundo, até vir parar aqui e estar decidida a concluir o ensino médio nesse país, um pouco atrasada agora que acabei de completar 19 e o homem que eu detesto chamar de pai estar exigindo que eu volte pro Brasil pra acompanhar o nascimento do quinto filho dele com aquela vadia nojenta.

— E você vai voltar?

— De jeito nenhum.

Todas as informações passadas no meu cérebro estavam em processo de reformulação e eu não conseguia esconder o quão impressionado a história dela me deixou.

— Quer saber qual é a moral da história, Jungkook?

— Se você quiser contar. — Seu braço se enroscou em volta do meu ombro e ela me deu tapinhas nas costas.

— O verdadeiro sentido é que nem tudo está perdido como você pensa. — Seus olhos negros sem querer ganharam um brilho intenso do qual eu me perdi por breves segundos.

— O que quer dizer com isso? — Indaguei em voz baixa.

— Que você — Apontou para mim. — tem um grande futuro pela a frente.

— Como tem tanta certeza disso? — Virei a cara, olhando direto para a janela.

— Eu sei da vida de cada um de vocês: do Tae, da Anyha, Yeri, Seulgi, suas irmãs e você.

— Irmãs? — Voltei a encara-la. — De que irmãs está falando?

— Opa, deixei escapar. — Soltou uma risadinha baixa. — Vamos, o psicólogo está nos esperando.

Dei de ombros escolhendo debater esse assunto de "irmãs" para outro dia e saí do carro, acompanhado Camille que andava do meu lado.

Pode ser que ela estivesse certa em relação a tudo que disse e se ela conseguiu superar o mundo horrivel que fez parte na pré adolescência, eu também conseguiria superar os demônios em minha cabeça.

— Pode me fazer um favor? — Paramos o caminho e eu encarei ela em repleta confusão nas minhas expressões faciais.

— Que tipo de favor? — Quis saber.

— Não conte a ninguém o que eu te falei hoje.

— Por que? — Cruzei os braços.

— Eu prefiro manter o meu passado em segredo.


Notas Finais


O que acharam desse capítulo? Geral bugou, né kskskd Foi a intenção mesmo.

Até o próximo❤😉


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