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História Best friend - Capítulo 1


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Capítulo 1 - One


Fanfic / Fanfiction Best friend - Capítulo 1 - One

Jungwoo suspirou pela terceira vez em um tempo de uma hora desde que se encontrava na área da piscina da universidade, totalmente entediado. Não o leve a mal nem nada, mas ele odiava a água, principalmente as quais a altura batia acima de seus joelhos. Ele só estava ali, tomando friagem, com o nariz vermelho e congestionado por causa de seu melhor amigo, Lucas, que mesmo com um tempo nublado insistia em mergulhar na água do campus. E ele só permaneceu ali com a condição de que Lucas emprestasse seus dois casacos enquanto ele pudesse estudar para as avaliações das próximas semanas na faculdade. Lucas era meio desequilibrado desde que o conhecia de qualquer maneira.

Enquanto Jungwoo tomava seu expresso quentinho, este de máquina que pegou no caminho para a piscina (detalhe que Lucas que havia comprado), Lucas estava congelando na água por pura burrice, segundo Jungwoo. “Qual é, poderíamos ir para casa estudar e ligar o aquecedor, mas você está sério sobre entrar na piscina agora?” Foi o que tinha dito, mas suas palavras passaram de uma orelha a outra para o chinês.

Jungwoo conseguia ver os lábios de Lucas quase num tom cianótico, além da pele mega pálida sendo que a pele de Lucas era bronzeada. Ele parecia um morto! E chegando num determinado momento Jungwoo estava ficando com medo de verdade pelas consequências do inconsequente Lucas. Observando as nuvens acinzentadas e os raios enfeitando o horizonte, Jungwoo deixou as coisas sobre o banco e caminhou até a borda da piscina.

—Hey... — ele precisou chamar Lucas algumas vezes para que ele olhasse para si, tinha água em seu ouvido ou o que? —Acho que devemos ir. Logo estará chovendo, e eu não quero ficar doente, ao contrário de você. — disse.

Lucas observou as nuvens atrás de si se aproximando rapidamente e pigarreou, mas concordou em sair da piscina. Jungwoo suspirou aliviado quando eles foram para o trocador.

Lucas começou a tirar as roupas e no mesmo instante as bochechas de Jungwoo tomaram uma cor ruborescida. Ele tentava se convencer toda vez que era devido ao frio, mas nem sempre estava frio, então não seria uma boa desculpa. Os cabelos castanhos estavam úmidos sobre boa parte de seu rosto, e quando a pele das costas de Lucas foi exposta, Jungwoo tentou, ele jura que tentou, desviar o olhar, mas não conseguiu. Os músculos se tencionando e depois relaxando conforme ele fazia praticamente um contorcionismo para retirar a roupa de banho grudada que era um macacão colante que cobria seu pescoço, braços e pernas. Logo a melhor parte, ou uma das melhores, foi revelada e Jungwoo sentiu a saliva descer rasgando sua garganta. A bunda do Lucas era maravilhosa. Jungwoo teve de congelar as expressões porque ele com certeza estava fazendo uma cara de otário babando na bunda do seu melhor amigo. Ele forçou as unhas nas mãos e olhou para o caderno em seu colo pensando em que tipo de amigo era esse que secava o melhor amigo dessa forma? Porém era impossível evitar que seu coração não se acelerasse. Era sempre assim, ou desde algum momento em que Jungwoo não notou estar olhando diferente para Lucas. E sim, ele se sentia culpado.

Jungwoo não soube quando tudo isso começou. O coração acelerado sempre que Lucas vinha até si com aquele sorrisinho de cachorrinho, ou quando ele o abraçava com aqueles músculos, coisa que sempre fizeram desde sempre, mas em dado momento a recepção foi diferente para Jungwoo e ele começou a prestar mais atenção em seu cheiro, no calor de sua pele e a força em que ele usava para lhe tocar. Tudo isso antes era coisas que aconteciam automaticamente para Jungwoo, mas agora era diferente. Cada movimento de Lucas era captado pelo olhar atento de Jungwoo. Ele estava como uma bola de confusão havia um bom tempo.

Alguns minutos depois Lucas saiu da ducha com a toalha enrolada no quadril e caminhou até Jungwoo, perto dos armários. Lucas calçou a calça de moletom, pediu um casaco seu que havia emprestado para Jungwoo antes de irem à piscina e depois de secar bem o cabelo, vestiu o gorro por cima do cabelo úmido. Jungwoo revirou os olhos para Lucas, que deu de ombros e pegou a mochila de ambos.

—Vamos? Te devo uma.

—Uma? Sua lista de favores a retribuir para Woo está enorme. — Jungwoo brincou, tentando pegar sua mochila dos ombros de Lucas, o mesmo negou dando um tapa leve em sua mão.

—Mesmo que você nunca me peça nada, embora... — ele murmurou —Eu sou um fardo, Woo, se acostume.

De fato.

—Você sabe o que está acontecendo nesse exato momento? — Doyoung surgiu com sua bandeja, se sentando ao lado de Jungwoo.

Doyoung era seu melhor amigo de infância, embora este tenha sido conhecido alguns anos depois de Lucas. Ele tinha se mudado de uma cidade pequena para a Seul quando seus pais conseguiram abrir uma empresa de jardinagem na capital. Jungwoo o conheceu enquanto tentava invadir empresa dos pais de Doyoung para fotografar as flores coloridas e vibrantes da estufa, aliás, fotografia era um de seus hobbys favoritos.

Doyoung era tão conectado a si, que provavelmente sabia de sua paixão secreta, ou nem tão secreta assim, por Lucas, no entanto eles nunca conversaram sobre isso. Doyoung era apenas muito astuto e percebia as coisas nos ares.

Jungwoo negou saber de algo —e ele realmente não tinha ideia—, e Doyoung continuou.

—Yerin está se confessando para Lucas no campo. A universidade toda tá de burburinho sobre isso agora, você tá’ dormindo por acaso?

Yerin era a veterana de biomedicina, e também a representante de sua turma. Ela era considerada um prodígio e todos os garotos do campus pareciam cair de amores por ela. Bonita, inteligente e engraçada. Todos esses fatos fizeram Jungwoo pensar no quão oposto a ela ele era, além de claro, ser um homem.

O estômago de Jungwoo se retorceu e a comida que ele estava comendo pareceu querer retornar de onde viera. Ele tentou passar um sentimento de indiferença, mas o sorriso travado lhe entregou facilmente, ou Dodo que era muito seu amigo e sabia como ele se sentia sem que ele dissesse uma palavra. Ele olhou para o pedaço de brownie na bandeja que antes comia, e só de pensar em mais uma mordida ele quis vomitar de verdade. Era um sentimento semelhante a quando ele foi realizar palestras sobre infecções hospitalares em frente a vários enfermeiros, médicos e gerentes de hospitais. A ansiedade por algo que sequer aconteceu e ele sabia a respeito. Lucas iria querer algo com ela? Ele a beijaria? Ou...

—Oh... Isso é... Ele é tão sortudo, certo? — ele sorriu e engoliu o que mastigava a força. Foi sufocante aquele brownie descendo seu esôfago, seus movimentos peristálticos estavam quase falhando e ele queria tipo, muito, vomitar.

Doyoung suspirou e largou a lata de Sprite de lado, fazendo um ruído suficiente para Jungwoo saber que ele queria ser olhado nos olhos. E ele o fez, embora já soubesse o que viria.

—Você é idiota ou o que? Que tipo de babaca fica feliz, ou melhor — ele franziu as sobrancelhas e o acusou com o dedo —FINGE estar feliz quando a pessoa que se gosta está sendo crushada por outra? 

—Eu não sei do que você está falando. Está acontecendo algo com você? — tentou retornar o assunto, falhando, obviamente.

—Achei que já era hora de falarmos sobre isso. Você tá apaixonado pelo Lucas, e eu sei disso, e você sabe que eu sei.

—Tenho consulta hoje, sinto muito, estou quase atrasado. — Jungwoo se levantou e pegou sua bandeja, deixando o amigo boquiaberto.

—Então você vai levar as coisas dessa forma? —ele quase gritava —Ótimo! Aproveita e pergunta para o seu psicólogo sobre como se importar sobre o quão perdendo a pessoa que você ama você está.

—Psicólogos não são conselheiros do amor, Dodo. — Jungwoo riu sem humor e partiu.

—Babaca... — Doyoung pigarreou.

Na presença de Doyoung, Jungwoo não focou tanto seus pensamentos na possibilidade de Lucas com outra pessoa, abraçando outra pessoa e sorrindo romanticamente para alguém, no entanto, ali e sozinho, caminhando para a consulta com seu terapeuta, Jungwoo se viu ansioso e confuso quando começou a chorar de soluçar. O que ele poderia fazer a respeito, afinal? Ele tinha prometido a si mesmo que nunca falaria disso com Lucas, nunca jogaria anos de amizade fora por causa de sua paixão boba. Só lhe restava não ser egoísta e aceitar que um dia Lucas se apaixonaria por uma garota. A única coisa que ele queria era que ambos nunca se afastassem, embora isso custasse sua saúde mental, em partes. Ele tinha esperanças de algum dia essa paixão passar e ele poder ver Lucas como antes.

No fim, ele só estava focado em terminar a faculdade de enfermagem e não se deixar distrair por relacionamentos. Ele sabia da distração que sentimentos poderiam lhe desfocar de seus objetivos de vida.

A consulta foi quase como o de sempre. Seu psicólogo perguntou como andava seus sentimentos, o que ele tinha para expor, para que, segundo ele, Jungwoo se resolvesse internamente e tentasse compreender seus próprios sentimentos. No entanto, Jungwoo sabia administrar tudo isso, só lhe faltava descobrir como não sofrer por coisas que você não tem o controle. Resolver? Deixar pra lá? Era difícil quando a origem do problema era seu melhor amigo.

Ele voltou para casa, onde morava sozinho, diga-se sozinho se for companhia humana, pois ele tinha sua gata, a Mean. E se ela pudesse compreender Jungwoo, ela diria o quão surtado ele é por falar sozinho e se auto responder quando feito perguntas dele para si mesmo.

Algumas horas depois, quando o sol já tinha ido e dado lugar a lua cheia, o celular de Jungwoo vibrou sobre escrivaninha e ele viu o nome de Lucas nas notificações. Ele tentou fingir, sabe-se lá para quem já que estava sozinho, que não era nada e nem ninguém importante, no entanto ele se desconcentrou totalmente nos estudos sobre microbiologia, e enquanto não lesse a mensagem ele sabia que não teria paz mental para estudar.

Lucas: “E aí, o que está fazendo? Não te vi na faculdade hoje”.

Jungwoo suspirou. É óbvio que não, você estava ocupado demais. Quis responder, mas apenas enviou:

Woo: “Estive estudando. Depois fui à consulta”.

Muito breve e direto, talvez até frio, pensou depois de enviar. Ele se sentia um pedaço de cocô tratando Lucas daquela forma, mas ele estava irritado e triste, ia fazer o que?

Demorou um pouco, e Jungwoo já tinha voltado a estudar quando seu celular vibrou novamente. Ele suspirou e fechou o caderno. Dessa forma, com a cabeça cheia e o coração ansioso, ele não poderia estudar exatamente nada. E ele já havia chorado tanto hoje no caminho para a consulta. Sensível como estava, ele não confiava em si mesmo para falar com Lucas sem dizer algo que o comprometesse.

Lucas: “Podemos nos encontrar?”

Jungwoo respirou fundo. Ele realmente não estava pronto para ver Lucas depois de hoje. Com certeza ficaria encarando os lábios de Lucas se perguntando se ele havia beijado Yerim, imaginando mil e uma coisas entre os dois, além de querer tirar o gosto dos lábios dela com o seu próprio. Sim, ele estava louco.

Woo: “Tem que ser agora? Estou estudando”.

Lucas: “Oh... Bem... Estou aqui de qualquer forma ;) Prometo ser rápido!”

Jungwoo apenas verificou o espelho como estava seu cabelo e vestiu as pantufas. Lucas já tinha visto tantas versões de si que já nem lhe importava mais se ele estava vestindo um conjunto de pijamas amarelos dos Simpsons e uma pantufa do Chopper de One piece mais seus óculos de grau redondos.

—Hey! — Lucas sorriu, se aproximando quando Jungwoo abriu a porta.

Ele segurava uma sacola da conveniência próxima dali e carregava a mochila nas costas.

—O que tem aí? — Jungwoo sorriu, fuçando a sacola como sempre fazia. Lucas tinha lhe dado o péssimo costume de trazer porcarias para comerem juntos.

—Chocolate, banana milk...

Todas porcarias comestíveis que Jungwoo amava. Lucas sabia disso como ninguém.

—Como foi na consulta?

—Ah, como sempre. — coçou os cabelos e desviou o olhar.

Jungwoo não gostava de conversar sobre aquilo com Lucas porque ele sempre tentava lhe alegrar, então falar sobre seus traumas não era tão divertido e deixava o ambiente tenso.

—Ah, é... Você soube sobre a Yerim...? — Lucas parecia tímido, embora tenso. Seu sorriso estava mecânico e Jungwoo sabia disso muito bem porque os anos com Lucas lhe deu uma ótima percepção sobre o amigo. Quando ele sorria de verdade e quando não... Coisas como essas.

—É eu soube. — ele preferiu não sorrir, Lucas perceberia se fosse um sorriso falso, o que com certeza seria, ele não ficaria feliz ao saber de um provável romance porque ele estava apaixonado por Lucas, não é? —Ela é bonita, e muito inteligente. Vocês dois fariam um belo casal.

—Você acha?

Jungwoo encarou Lucas por poucos segundos, dentro dos seus olhos ele dizia que não, não fariam, mas sua boca disse outra coisa.

—Acho.

Um imbecil, de fato. Doyoung ia lhe matar se ouvisse isso.

—Mas bem, eu a rejeitei... —disse enquanto subia as escadas para o quarto, atrás de Jungwoo.

—Por quê? —Jungwoo quase parou, quase, ao invés disso ele abriu a porta e continuou, sentindo o coração bater forte.

A saliva desceu de forma dolorida a garganta de Jungwoo. Era difícil até mesmo para respirar. Por sorte Lucas não estava olhando diretamente para seu rosto, ou notaria os músculos do rosto tensos. Ele ainda se perguntava o que Lucas queria falar vindo até sua casa a essa hora. Geralmente, quando ele trazia coisas da loja demorava a ir embora então não seria breve como havia dito.

—Por que...? —ele ouviu Lucas repetir suas palavras e rir abafado.

—E então, você quer uma espécie de conselho ou algo assim? Você sabe, eu sou péssimo pra isso. — Jungwoo zombou, vasculhando a estante de livros fingindo buscar algo que nem ele sabia o quê.

Normalmente, quando Lucas vinha para casa de Jungwoo eles comiam e assistiam filmes juntos. Eles também jogavam jogos em dupla pelo celular, para distrair um pouco dos estudos. Hoje eles estavam apenas de pernas pro ar, navegando na internet e conversando de vez em quando.

Jungwoo teve um tempo para observar Lucas com calma. E estranhamente, pela primeira vez, ele possuía olheiras e parecia cansado. Talvez fosse pelo novo emprego de meio período na cafeteria. Ele bocejou bastante uns momentos atrás e estava cochilando agora, enquanto Jungwoo o observava. No entanto, apesar de sua aparência cansada, ele continuava bonito.

Jungwoo sentiu um arrepio ao olhar os lábios grossos de Lucas, eles eram seus favoritos. O cabelo dele estava mais comprido agora, caindo sobre os olhos, onde Jungwoo os empurrou com cuidado para não acordá-lo e continuou a analisar seus traços já tão bem conhecidos, mas que ele nunca se cansava de olhar.

—Yukhei... — Jungwoo o chamou pelo nome e tocou seu tórax, batendo levemente. Lucas estava dormindo no chão, e estava frio. Ele podia ficar doente rapidamente se adormecesse ali, com Mean lhe dormindo entre suas pernas, era uma ótima visão e ele não perdeu a oportunidade em tirar uma foto. — Lucas... — sussurrou, sorrindo quando Lucas abriu os olhos, ainda sonolento.

—Eh? O que...? — ele riu anasalado.

—Mean fez um bom trabalho tirando seu primeiro beijo. — Jungwoo zombou, ajudando-o a se levantar.

—Droga! Achei que meu primeiro beijo seria com você. — Lucas disse, puxando Jungwoo pela cintura fazendo beicinho enquanto Jungwoo afastava o rosto e tentava tirar as mãos de Lucas de si.

Droga, seu coração estava batendo muito forte agora e ele não desejava nada menos que aquilo. Lucas mal sabia daquela confusão que fazia dentro de si com apenas uma brincadeira.

Se pudesse de fato, Jungwoo beijaria aqueles lábios no mesmo instante, no entanto a racionalidade predominava seu ser. Ele sabia que não seria bem recepcionado e que Lucas lhe olharia com espanto, em seguida o empurraria e sairia correndo da sua casa.

—Não seja idiota! — ele correu depois de conseguir se livrar rapidamente do aperto em sua cintura, ao socar sem querer o estômago, e pegou uma almofada do sofá e a mirou em Lucas, que riu e a pegou no ar antes que fosse acertado. —Não se beijam homens!

Lucas riu. Jungwoo riu. No entanto um clima estranho pairou no ar e eles ficaram num silêncio desconfortável. De fora que Jungwoo tinha o coração tão acelerado que ele sentia as palpitações em seu tórax, suas mãos tremiam feito vara verde e ele mal sabia o que dizer, isso é, se fosse possível falar algo agora. Tinha sido pego de surpresa. Lucas raramente fazia brincadeiras como aquelas.

De fato, para Lucas aquilo não significava nada, no entanto, para Jungwoo tinha sido o suficiente para lhe causar um coração acelerado dentro do peito durante a noite toda, de fora a terrível insônia.

Jungwoo acordou ainda quando o sol não batia na janela. Não que isso fosse um fenômeno comum, visto que sua janela era virada para o lado oposto do nascer do sol e geralmente não batia luz alguma. Porém, metaforicamente, ele se sentiu iluminado vendo um rosto bonito e adormecido poucos centímetros de distância do seu. Aquela era uma das raras vezes que ele acordava antes de Lucas.


Fazia um bom tempo desde que Lucas dormiu em sua casa. O novo trabalho dele a faculdade, de fora as outras responsabilidades tomava muito tempo e ambos tinham se distanciado um pouco mais desde o ensino médio. Enquanto Jungwoo fora para enfermagem, Lucas estava na medicina veterinária. Ele dizia ser boa carta na manga quando Mean adoecia. 

O mais novo ficou um tempo ali deitado, olhando Lucas com a calma que o cotidiano não lhe permitia, e muito menos a noção, afinal, quem ficaria encarando o melhor amigo assim, aleatoriamente?

Um amigo apaixonado, respondeu a si mesmo. Deu-se conta de que seu coração batia forte agora, e que os nós de seus dedos formigavam para tocar o rosto dele. 

Passou os dedos na bochecha macia e desceu para o maxilar bem delineado, e depois voltou, subindo a pontinha dos dedos nos lábios macios de Lucas, onde ele se moveu, talvez por cócegas, assustando Jungwoo, que afastou as mãos e tapou o riso quando Lucas coçou a bochecha, incomodado. 


Jungwoo se levantou e colocou água para o café, e depois foi para o banho. 

De fato os olhos estavam escuros e com bolsas inchadas, vendo-se no espelho. Jungwoo estava horrível. A temporada de provas também colaborava para tal, mas ele sabia que o maior motivo era outro vulgo a pessoa que dormiu na sua cama. Ele bocejou, retirando o pijama preparando-se para um banho. Quando quase finalizando, Lucas entrou rapidamente necessitado de fazer xixi. Jungwoo apenas ficou de costas e respirou fundo, esperando ele sair do banheiro. Porém uma rajada fria surgiu em suas costas, e se virando pelo súbito arrepio viu Lucas sem roupas entrando no chuveiro.

—Já estou saindo... Não há espaço para dois aqui. — murmurou, suspirando alto. Ele tinha vergonha do seu corpo, se comparado ao tonificado de Lucas. De fora que não queria se arriscar ficando excitado visivelmente nos olhos de Lucas.

Eros só podia estar de brincadeira com a sua cara, mirando com seu arco e flecha sem a menor intenção de lhe dar arrego. Lucas era a porra de um homem maravilhoso, com um sorriso maravilhoso, que parecia querer massacrar sua pobre existência. Desde quando ele era tão bonito? Jungwoo só tinha memórias do adolescente franzino e não desenvolvido que Lucas era, mas parece que de um dia para o outro ele se tornou seu tendão de Aquiles. Com certeza não era obra de Deus, não mesmo!

—Suas costas...

—Não pre...

Lucas o virou de costas, interrompendo sua fala ao passar a esponja em suas costas. Novamente, Eros estava lhe testando. Até quando? Até que você enfarte, Jungwoo.

—Fique quieto, eu vou limpar as suas costas agora.

Jungwoo apenas se calou, tentando ignorar e não demonstrar o quão arrepiado estava com as mãos grandes de Lucas espalhando o sabonete em suas costas para depois esfregar suavemente. Ele encostou a testa no piso da parede e fechou os olhos, deixando a água quente cair em suas costas enquanto se sentia no céu. Alguns arrepios vieram, mas ele conseguiu contornar isso.

Fazia um bom tempo desde que eles estiveram próximos assim, até fisicamente falando. Jungwoo se concentrou bastante na faculdade, evitando os corredores onde ele sabia que encontraria o amigo perambulando. Era decepcionante em certo ponto, mas ele acreditava que um dia ele sentiria menos, menos falta de Lucas em sua vida. Porém, mesmo que eles ficassem dias ou até meses distantes, quando ficavam juntos novamente nada parecia mudar.

Estranhamente eles estavam sem assunto, apenas apreciando a companhia um do outro. E o pior: nus... Pensou Jungwoo. No entanto, ao invés de relaxar, ele se sentiu tencionar quando Lucas substituiu a bucha pelas próprias mãos, e ao invés de esfregar, ele começou a massagear seus ombros e costas, as mãos deslizando facilmente por conta do sabonete.

Merda. Aquele era um teste de Deus, Lúcifer ou Eros? Jungwoo sentiu sua consciência começando a se dissipar aos poucos, um sentimento intenso mais a onda quente irradiando em seu baixo ventre.

—Você está tenso... Quer conversar? —um tempo em silêncio —Você anda um tanto distante... — Lucas disse quase tão próximo de seu ouvido, descendo as mãos até sua cintura e apertando a pele.

Jungwoo sem notar começou a soltar suspiros suaves, e teve medo da sua expressão física lhe entregar o quão satisfeito estava com aquilo.

—Não...     Uhm, Ah...     — ele acabou soltando um som vergonhoso e aquilo o fez ficar como um pimentão.

Mas num súbito de realidade abriu os olhos e empurrou Lucas para o canto, saindo do box, murmurando um obrigado e acrescentando mentalmente uma palavra de baixo calão.

Porra, merda, puta que lhe... Cacet... Ele estava duro, e agora? Ele só soube pensar em amaldiçoar Lucas em todos os idiomas que conhecia.

—Digo, eu sei que você é estranho, mas parece mais estranho agora. O que aconteceu? —Doyoung perguntou quando percebeu que Jungwoo parecia mais aéreo que nunca. Ele tinha tropeçado algumas vezes no caminho também, e agora mordia os lábios várias vezes.

Aquele era um dia que o sol tinha nascido para aparecer, finalmente, após tanta chuva e nuvens acinzentadas. Eles estavam sentados no campo verde do lado de fora da faculdade, tomando o sol da manhã enquanto não faziam a aula optativa.

—Nada aconteceu, Dodo. Você tá imaginando coisas... — murmurou de olhos fechados, puxando a perna de Doyoung para se deitar sobre ele. —Vamos falar de outra coisa? Sinto que os assuntos estão focados demais em mim. — suspirou —Agora me diz quem é Jaehyun?

 Jungwoo deu uma risada alta quando sentiu Doyoung petrificar em baixo de si.

—Um calouro. É um conhecido da minha família, digo, nossas famílias se conhecem. — disse fingindo indiferença, no entanto Jungwoo o conhecia muito bem para saber que quanto menos interessado ele parecia, mais interessado ele estava, na verdade.

—Hm... Entendi. E você o conhece?

—Ah, mais ou menos. Ele morou no exterior por alguns anos. Eu o conheci antes de ir para a Austrália, e agora ele voltou.

—Ele é bonito.

—É. Ele é. —Doyoung confirmou.

Jungwoo abriu os olhos e encarou o amigo.

—Você gosta dele.

—O que? — ele pareceu visivelmente incomodado, e o fato de estar ruborescido fez Jungwoo soltar um gritinho. 

—Nem tente mentir, Dodo.

—Ei, eu não gosto dessa forma, sabe...? Da forma que igual a que você quer foder com o Luc... — antes que Jungwoo tapasse sua boca por estar falando alto demais, o próprio diabo apareceu interrompendo sua fala e deixando Jungwoo aterrorizado.

Ele tinha ouvido? Jungwoo rezou para que não.

—Hey, o que estão fazendo aqui? — ele estava em pé e cobria o sol do rosto de Jungwoo.

—Optativa. — Jungwoo disse.

—Ah, ia chamar você para ir à piscina comigo. — ele sorriu, mostrando a toalha em seus ombros.

—Desculpa, não vai dar — Jungwoo respondeu.

Doyoung balançou uma perna, rápido o suficiente para incomodar Jungwoo e dizer fisicamente o quão idiota ele era por recusar o pedido. Jungwoo o beliscou disfarçadamente e sorriu para Lucas. Logo Jungwoo ouviu uma voz feminina se aproximando, se dando conta de que era Yerim.

—Oi meninos, oi Lucas... — disse Yerim.

“Oi Lucas?”

Doyoung não pôde deixar de revirar os olhos quando ela agarrou o braço de Lucas e disse que iria para a piscina com ele. Jungwoo apenas fechou os olhos para não presenciar a cena. Ele estava desconfortável. Ele realmente odiou Yerim sem motivo algum naquele momento.

—Oi. —Doyoung e Jungwoo responderam em uníssono.

Oh, meu pequeno amigo idiota. — Doyoung sussurrou no ouvido de Jungwoo.

—Ah, bem... Então estamos indo, se quiser ir depois... — Lucas parecia constrangido, coçando os cabelos e sorrindo sem revelar os dentes.

Ele estava desconfortável, Jungwoo sabia disso. Era essa a vantagem em conhecer seu melhor amigo tão bem ao ponto de saber como é seu humor sem muitos esforços. Ele estava com vergonha de ter Yerim perto dos seus melhores amigos. Mas por quê?

—É, vou ver. — Jungwoo deu de ombros quando Lucas saiu com Yerim em direção à piscina.

—Você merece o prêmio de o mais idiota do mundo. —Doyoung proclamou. —Meu deus, você é muito idiota. Sério!

—Tá, Bam, tá. Não preciso de você me dizendo isso, eu sei.

—Ela vai beijar ele, Jungwoo! Ela vai beijar o Lucas gostoso e molhado na piscina, e você vai deixar. ARGHHH! Você tem ideia do quão frustrante isso é? Eu nunca deixaria isso acontecer com a pessoa que eu gosto.

—Mas a pessoa que você gosta também não é seu melhor amigo. — e o assunto se encerrou ali, embora Jungwoo quisesse ir até Lucas agora só para verificar se eles iam mesmo...

Ao ingressar na faculdade, Jungwoo tinha conseguido uma espécie de bolsa auxílio que ajudava no aluguel da casa de três cômodos: cozinha, quarto e banheiro. Sem seus pais, ele não tinha suporte algum sem ser o do governo para que pudesse continuar a estudar. Mas ele sentia que seu financeiro estava declinando numa escala de zero a dez, em nível quatro, por conta de novos materiais e outros pequenos gastos que no final davam uma quantidade quase impossível de ser quitada. Ele precisava de um emprego de meio período para que a situação não piorasse, definitivamente.

Não foi difícil encontrar. Era um bar noturno que especialmente nos finais de semana lotava de todo o tipo de gente. Ele estava tendo um avanço em sua vida, finalmente. O dono do estabelecimento hesitou em lhe dar a vaga por Jungwoo aparentar ser muito fofo e sem perfil de barista, no entanto Jungwoo não fez nada mais do que implorar pelo emprego e reafirmar que não pertencia ao grupo das testemunhas de Jeová. Ele realmente parecia um doido naquele terno todo alinhado e bem passado o qual perdeu minutos tentando deixar sem um amassado.

Quase um mês que ele estava trabalhando e receberia seu primeiro salário. E ele já sabia com o que gastar: em alguns dias seria o aniversário de Lucas.

Fazia um bom tempo desde que Lucas estava falando sobre uma jaqueta em específico. Era preta, de couro e tinha o bordado de uma rosa branca nas costas. Doeu um pouco no seu bolso, mas foi por um bem maior.

Exatamente a meia-noite Jungwoo ligou para Lucas sem se importar com o que ele estava fazendo. Ele atendeu com uma voz sonolenta que dizia que ele estava dormindo. Bingo!

“Hey, feliz aniversário!” Jungwoo falou num tom mais baixo que o usual pelo Lucas sonolento.

Antigamente, o aniversário de ambos era comemorado com festa, bolo e doces. Eles brincavam muito até cansarem e depois dormiam juntos, como uma festa do pijama, só que em dupla. Jungwoo sempre dava a Lucas um pacote de rámen picante, uma de suas comidas favoritas, comprado pela própria economia do cofrinho que tinha na época, e eles comiam na madrugada enquanto jogavam.

“Hey, é meia-noite agora.” Lucas riu anasalado, ainda sonolento.

“Desculpe-me por isso, mas é seu aniversário. Eu não pedi por isso”, brincou Jungwoo. “Hm... Você pode descer?”

Lucas desligou o telefone rapidamente, calçando os sapatos e correu para fora.

—Você é doido sair essa hora? É perigoso!

Antes que Lucas o puxasse pelas mãos, Jungwoo virou as costas e começou a andar, fingindo ir embora, no entanto foi tomado por um abraço apertado por trás de Lucas. Jungwoo sorriu e relaxou, se virando e abraçando Lucas de volta e sentindo o cheiro de seu xampu de sempre exalar ao seu redor.

—Desculpa vir essa hora sendo que você trabalhou o dia todo...

—Eu vou te bater, e obrigado, Woo. — murmurou, acariciando os cabelos de Jungwoo.

—Tenho algo para você, mas vamos entrar antes?

Subiram as escadas em silêncio para não acordar os pais de Lucas. Jungwoo raramente ia lá por causa do Snoopy, seu cachorro, porque possuía alergia, no entanto era uma ocasião especial e ele já tinha tomado o antialérgico.

—Não acredito... — Lucas sorria tão grande que parecia não caber no rosto.

Jungwoo sorria tanto que os músculos da face já começavam a doer.

—Eu vi que você ficou babando nela, então...

—É incrível, obrigado. Eu te amo tanto. — Lucas pulou sobre Jungwoo e o derrubou de costas no colchão, caindo por cima dele, enfiando o rosto no vão de seu pescoço, se mexendo como um cachorrinho feliz.

Jungwoo tinha passado tanto tempo longe de Lucas o último mês que quase havia se esquecido do sentimento dormente dentro de si, que insistia em despertar sempre que ele estava ao seu lado. Foi difícil ficar longe dele por esses dias, mas a agenda de ambos nunca dava certo para se verem, e quando dava tinham que ser rápidos.

Jungwoo deixou Lucas o abraçar sem se importar se ele ia ou não sentir seu coração acelerado, ou sua respiração fraca e constante, ou então como sua pele estava quente.

Ele se sentia quente. O abraço de Lucas era como o de um urso.

—Você trabalhou tanto esse mês no seu novo emprego que eu mal pude te ver, com exceção das vezes que eu passei lá... Você sabe... Se fosse uma cafeteria eu iria todos os dias, mas um bar...? Eu realmente não sou acostumado com álcool.

—De fato, a faculdade mais esse emprego tá me enlouquecendo, mas eu preciso...

—Está passando por dificuldades?

—Estava. — Jungwoo sorriu. Se dissesse que sim ele tentaria lhe ajudar e Jungwoo não se sentia bem com isso.

Jungwoo o encarou por um momento, pensando na última consulta com sua nova psicóloga, uma mulher. Era bem mais fácil o diálogo sobre o gostar de alguém com mulheres. Elas eram sensíveis e delicadas sobre cada passo, então Jungwoo se sentiu confiante. “Você precisa dizer isso a ele, ou então conviverá com a dúvida para sempre. Se ele é seu amigo de verdade, irá entender isso, mesmo que precise de um tempo para digerir seus sentimentos em relação a ele”. Ela dizia.

Por isso Jungwoo decidiu tomar algumas decisões que seu eu antigo julgaria loucura. Ele estava disposto a se confessar e estava preparado para receber um não da mesma forma. Ele era um adulto agora, Lucas também. Se ele fosse rejeitado tentaria lidar com isso da melhor forma. Só esperava que a relação deles não mudasse após isso.

—Yukhei... — murmurou, sentindo os olhos lacrimejarem. Obviamente ele tinha medo. Seu coração estava tão rápido e as mãos suando demais. Lucas o olhou preocupado visto que ele já estava quase chorando e o chamava pelo nome.

Lucas se afastou para poder olhá-lo nos olhos, e entreabriu os lábios surpreso e confuso ao ver que Jungwoo estava chorando.

—O que foi? Woo...? — deu uma pausa, franzindo as sobrancelhas.  —Diga. — ele tinha um semblante preocupado enquanto acariciava suas bochechas.

Ele estava precisando de tanta, mas tanta coragem. E tendo Lucas tão próximo, lhe olhando nos olhos, estava praticamente acabando com a pouca coragem que tinha.

—Feliz aniversário. — disse quando uma lágrima rolou e sorriu. Ele estava falhando? Yoona, sua psicóloga, lhe daria uma bofetada.

Lucas pareceu ficar bravo, porque se levantou rapidamente e andou até o interruptor, apagando as luzes e deixando tudo num só breu.

Por quê?

—Lucas? —disse hesitante.

—Acho que agora é a hora de conversarmos.

Jungwoo mal teve tempo de contornar as coisas e tentar se confessar adequadamente. O que Lucas queria conversar? Ele conseguia enxergar somente a silhueta enorme e sombria de Lucas próximo da porta. Seu coração nunca esteve tão rápido em toda a sua vida como agora.

—Não fique com medo. — Lucas disse depois de conseguir ver os olhos grandes e brilhantes de Jungwoo cintilante através da luz da lua.

—E-eu não estou... — Jungwoo respondeu, sentando-se em cima das próprias pernas observando Lucas aproximar-se mais e mais. Sua respiração falhou e se tornou mais frequente.

—Desde que estamos juntos sempre priorizamos a verdade, em nossa amizade... Você tem fugido e ocultado coisas de mim... Sabe, Jungwoo, eu posso ser lerdo as vezes para entender sobre algumas coisas, como cozinhar sem queimar, por exemplo, mas eu sei muito sobre você. Coisas que até mesmo nem você se dá conta.

Ele estava em pé, de frente para Jungwoo sentado na cama. Sua voz era tão clara que era quase palpável suas palavras. Jungwoo se arrepiou com cada uma delas.

—E... Eu tentei esperar, dar tempo a você, demonstrando lentamente a mudança dos meus sentimentos em relação a você. — ele riu anasalado. —E só de lembrar que eu tive tanta raiva quando você me disse para beijar a Yerim.

—Você gostava dela, então qual o probl-

—Não. — interrompeu. —Eu não gosto. Nunca o fiz. — concluiu, colocando os joelhos no colchão, afundando seu peso e colocando em seguida as mãos, ficando de quatro e bem próximo de Jungwoo. —E você deve saber o porquê, né?

A respiração de Lucas batia nas bochechas de Jungwoo como uma brisa de verão, quente. Ele podia ver suas orbes negras olhando em sua direção.

—Vou começar, um por um. Ouça. — ele se aproximou tanto que Jungwoo voltou a posição inicial: deitado de costas sobre a cama e Lucas sobre si. Merda, seu coração... Ele poderia morrer agora. —As idas à piscina, quando eu percebo você me olhar diferente de antes.

Jungwoo sentiu a garganta secar e forçou as unhas no lençol. Era tão calmo e silencioso que o estrondo do seu coração provavelmente podia ser ouvido pelos pais de Lucas no andar de baixo.

—De quando você me observa enquanto eu estou dormindo. E me toca como se me desejasse. Eu sinto isso. Não é como quando você tirava os galhos de folhas secas dos meus cabelos, ou quando limpava o barro do meu rosto quando brincávamos na lama. São tantas coisas que eu não sei nem por onde começar, mas eu sei que você já não me vê como antes, Jungwoo.

Jungwoo sentiu a garganta doer, ele queria tanto chorar. Tinha sido falso com Lucas sobre isso todo esse tempo, o desejando de uma forma avassaladora. Ele engoliu em seco e soltou um suspiro lastimoso.

—D-desculpa. — ele sentiu as lágrimas rolarem, molhando o travesseiro de Lucas. —Desculpa, e-eu não queria que fosse assim. Aconteceu tudo tão repentinamente, eu nem me lembro quando, mas... É a verdade, Lucas. Eu não te vejo mais como um amigo, mas mais do que isso —ele chorava tanto que chegava a soluçar, ele teve medo. Medo de perder Lucas —Tudo o que você disse está certo, eu te observo, te toco e te olho de uma forma que nem eu mesmo me reconheço. —ele jogou tudo tão rápido que doía em Lucas —Eu só queria voltar como era antes, eu sei que isso é um fardo para você. — ele soluçava, agarrando inconscientemente a camiseta de Lucas. —Eu te traí de uma forma horrível, e eu sinto muito, mas não consegui controlar esses sentimentos. — concluiu, respirando com muita dificuldade, o tórax descompassado. Seu coração estava dolorido. Jungwoo estava quebrando.

Jungwoo sentiu algo molhado pingar em seu rosto, se dando conta de que seu melhor amigo também chorava. E o pior, por culpa sua.

—Eu estou tão cansado disso. — ele fechou os olhos com força, mordendo os lábios e virando o rosto para o lado —Eu só quero parar com isso.

—Há quanto tempo? — Lucas tinha uma voz embargada de choro e os olhos grandes eram tão brilhantes quanto nunca visto antes.

—Eu não me lembro... Três anos, talvez? — ele se martirizou por responder a pergunta. Que diabos importava o tempo para ele? O quanto tempo ele conseguiu trair Lucas? —Por favor, não se afaste de mim. Vou fazer o possível para mandar esses sentimentos para longe, só... Me dê um tempo.

—Já não teve o suficiente? —Lucas murmurou, se aproximando de Jungwoo —O quanto mais quer sofrer por isso, se o que sentimos é igual?

—Sim, mas eu te prome... — Jungwoo franziu as sobrancelhas. O que Lucas tinha dito? —O que? — com certeza na emoção estava ouvindo coisas errôneas.

Lucas o olhou tão profundamente que ele se sentiu preso naquelas orbes grandes e escuras. O que era aquele sentimento forte? O silêncio predominou por quase um minuto quando Lucas avançou em seus lábios e os selou. Quente e macio. Era a definição daquele toque. Jungwoo sentiu-se derreter, as pernas fracas e seu aperto na camiseta se afrouxar. Seu coração, o qual achou que não poderia ser mais barulhento que antes, agora fazia um show de orquestra dentro do peito. Ele estava se sentindo mole, sem forças e um sentimento intenso que parecia fazer seu corpo queimar lentamente.

Internamente havia vozes na sua cabeça que queria ceder, por outro lado sua racionalidade era alerta vermelho. Ele apenas deixou os lábios ser pressionado enquanto sentia um calor tomar conta do corpo. Logo Lucas começou a abrir os lábios, sugando os seus e o incitando a abrir espaço, Jungwoo cedeu mais que o necessário, também abrindo as pernas e deixando Lucas se encaixar perfeitamente entre elas, como se elas fossem feitas apenas para isso. A língua dele entrou, tocando todo o interior de sua boca com voracidade. Ele se sentia despido, quase devorado com aquele beijo. Medo, tristeza, ansiedade e desejo. Tudo num mesmo segundo. Lucas tocava sua cintura, apertava sua pele, suspirava em seus lábios e se movimentava lentamente acima de si, roçando seus corpos. Jungwoo estava queimando, perdendo a consciência. E alguns momentos depois ele já sentia a dureza em seu íntimo, dolorida e quente, se assustando quando sentiu o mesmo vindo de Lucas.  

Mas nada além do beijo aconteceu, porque depois de ambos perderem o fôlego, Lucas enfiou o rosto no vão de seu pescoço, deixando a boca próxima de seu ouvido, e Jungwoo, sem ar e confuso, com os sentidos todos bagunçado, quase entrou em pane com as palavras seguintes.

—Eu também estou loucamente apaixonado por você, Jungwoo.

Uma explosão de hormônios tomou conta de Jungwoo. Ele queria chorar e rir, a confusão quase se esvaindo e dando lugar para a realidade em que se encontrava com um bocado de medo.

—Desde o acidente eu tenho te estimado e venho tentando te proteger. Isso demorou tanto porque você é tão ferido, tão machucado que eu não queria te ferir ainda mais com meus sentimentos, te confundir e nem te magoar. Mas eu sou um bocado egoísta como você pode ver, então...  Se você me ama, assim como eu o faço por você, por favor, aceite meus sentimentos.

Jungwoo teve um flashback de todo o acidente envolvendo ele, sua irmã e seus pais. Fazia quase três anos desde o acidente que o traumatizou. Ele fazia enfermagem por isso, porque na época ele não tinha conhecimento o suficiente para socorrer seus familiares, ele queria poder ter feito algo.

E sim, Lucas sempre esteve ao seu lado, o protegendo mesmo que ele não tivesse percebido isso até então. E esse fato o fez agarrar-se em Lucas e o abraçar forte.

—Obrigado por estar ao meu lado, sempre. Sem você, eu provavelmente não teria sobrevivido, mesmo que saísse ileso do acidente. — as lágrimas voltaram, mas com vários sentimentos.

—Sim, você o teria feito porque você é você. Você é o forte Jungwoo que eu conheço desde que nascemos praticamente. — Lucas o corrigiu, tocando seu indicador na boca de Jungwoo para que ele não falasse e nem tentasse se menosprezar.

Depois daquela noite apenas uma coisa mudou... O fato de que ambos podiam expressar seus sentimentos de forma adequada sem que se remoessem por isso, e muito menos sofressem por ocultar. Jungwoo continuava a acompanhar Lucas na piscina, mesmo que fossem menos dez graus negativos, e continuava a repreendê-lo por isso. Continuava a fazer seu lámen favorito, com muita pimenta. Jogavam jogos juntos durante a noite toda, e Lucas dormia mais perto de si, o abraçando a noite toda e evitando que Jungwoo tivesse pesadelos.

Doyoung era o mesmo idiota de sempre, com a exceção de que agora vivia de troca de olhares com Jaehyun no intervalo ou em momentos fora da aula. Ele tirava sarro de Jungwoo por ele ter negado a coisa todo o tempo, sabendo que ambos, ele e Lucas, tinham o mesmo sentimento um pelo outro. Ele também agora cuidava mais da estufa de seus pais e sempre chamava Jungwoo para tirar fotos das flores, onde ele revelava algumas e escrevia mensagens de amor para Lucas atrás, e Doyoung tirava mais sarro dele por isso.

Próximo do aniversário de Jungwoo, Lucas já estava terminando a faculdade e já tinha um emprego que seria fixo após a conclusão do curso. Os papéis já estavam todos assinados, só faltava o diploma. E uma semana antes do aniversário de seu namorado e melhor amigo, Lucas preparou uma surpresa que lhe dava até borboletas no estômago.

—Veja isso, é uma ferida totalmente profunda com exposição de ossos, tendões e remoção de todas as camadas da pele. — Jungwoo comia um pedaço de bolo e explicava para Lucas toda a “nojeira”, segundo ele, de uma ferida qual ele estudava.

—Como você consegue comer e ver essa coisa nojenta ao mesmo tempo?

—Posso comer de tudo sem vomitar, menos pepino. — ele gargalhou, fechando a imagem.

—Eu tentando dizer que tenho algo especial para te falar e você... Urgh! Só de pensar que essas suas mãos delicadas mexem com essa coisa... — ele estava tendo crises de arrepio.

—Diga, Yukhei... — ele apertou a bochecha de Lucas e sorriu, dando um beijo simples em seus lábios, deixando Lucas com o leve gosto de bolo de chocolate. Ainda era difícil para ele fazer aquelas coisas de casais, mas estava tentando e estava dando certo.

Lucas correu para a mochila jogada no canto do quarto, e de lá tirou uma pasta qual guardava vários papéis, documentos e seminários, e voltou para Jungwoo, na cama. Da pasta ele retirou um único papel e o entregou.

Jungwoo franziu as sobrancelhas para Lucas, mas logo seus olhos caíram sobre o papel.

—Por que você iria querer alugar uma casa? — perguntou, claramente confuso.

—É perto da faculdade e também do meu trabalho... — ele coçou a cabeça, tímido. —Você quer morar comigo, Woo?

O coração de Jungwoo deu um pulo forte e ele sorriu no mesmo instante, assentindo, com lágrimas nos olhos, ele mordeu os lábios e disse:

—Sim — jogou o papel em qualquer canto e pulou sobre Lucas, atacando seus lábios num beijo calmo e apaixonado. —Eu o amo taaaaanto. — ele segurou o rosto de Lucas e deu outro beijo rápido antes de se por em pé. —Vamos sair para comer e comemorar. — ele deu seu maior sorriso e foi para o guarda-roupa.

Lucas deitou as costas na cama e tapou o rosto com vergonha.

—Eu vou morrer. Você um dia me mata com esse sorriso.

Jungwoo gargalhou, sentindo as bochechas vermelhas queimando ao ver Lucas envergonhado, era algo raro. 



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