História Best Mistake - Capítulo 32


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Categorias Justin Bieber
Personagens Justin Bieber
Tags Beliebers, Drama, Gravidez, Jelena, Jeliza, Justin Bieber, Romance, Triângulo Amoroso
Visualizações 763
Palavras 4.191
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Hentai, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Espero que gostem.
Música: Jesse Ware, Hearts.

Capítulo 32 - Sobre Distância e Saudades.


Fanfic / Fanfiction Best Mistake - Capítulo 32 - Sobre Distância e Saudades.

Coloque um rosto corajoso

Aja como um terremoto não entrou e rasgou-o

E tudo o que construímos dentro deste lindo e seguro espaço...

Tinha que dar um tempo a ela antes de tentar qualquer reaproximação. O que estava me matando aos poucos era estar longe quando minha menina corria o risco de perder o bebê.

Eu não me perdoaria.

Passei as últimas semanas esperando uma ligação dela, qualquer coisa que fosse. Mas até agora nada.

Nunca achara estranho morar aqui antes. Agora, estava tomado por emoções que não podia expressar, só então compreendendo o espaço que Beth ocupava em minha vida.

Também nunca tinha me passado pela cabeça como essa casa era grande e silenciosa sem ela. Quando Beth estava aqui tinha sempre cheiro de tempero e comida na casa, latinos da Esther quando elas estavam brincando juntas e correndo pela casa, as risadas e fofocas entre ela e Diana, ou quando ela juntava um pequeno grupo de seguranças para passarmos as tardes juntos.

Sinto falta de tudo isso.

E estou enlouquecendo sem nenhuma notícia dela.

Deitado entre as cobertas vejo no visor do celular que já são mais oito horas. A última mensagem que mandei para Beth foi visualizada, mas completamente ignorada pelo visto.

Ponho os braços debaixo da cabeça e fico olhando para o teto, se Beth estivesse aqui ela estaria falando sobre tudo e nada ao mesmo tempo, com Esther cochilando aos nossos pés.

Aqui, nesta sala, onde você deveria estar

Estou a perder de vista

Um estranho simplesmente passando novamente, novamente, novamente...

Suspirando decido arrastar meu traseiro idiota para o banho. Quando termino visto uma bermuda moletom e uma regata, lá fora está frio, mas com o aquecedor ligado mal percebo isso.

Enquanto tomo café passo o polegar pela tela, lendo mensagens que tenho ignorado e respondendo a algumas. Franzo a testa quando vejo uma mensagem de Selena, bufo e apago, sem nem mesmo ler.

Não vou negar que o que eu sentia por ela era muito forte, fiquei magoado que nossa relação tenha acabado dessa forma. E me sinto um verdadeiro idiota por não ter visto como ela tratava Beth, e pior por ter deixado que nossa relação tenha ido longe demais.

Diana entrou na cozinha e quando me viu fez uma careta.

“Só para tomar um café você faz uma bagunça dessas?”

Sorri um pouco desanimado e encolhi os ombros.

“Desculpe, pode deixar que eu limpo”.

“Não precisa, eu mesma limpo.”

Assenti e assim passei os próximos minutos; observando Diana arrumar a cozinha, cantarolando baixinho. Estava quase voltando para o quarto quando uma movimentação grande chamou minha atenção.

“Vocês não podem entrar assim, o senhor Bieber está descansando.”

“Não precisa se preocupar, ele vai receber a gente.”

A nova empregada entrou apressada na cozinha e quando me viu ficou lívida.

“Senhor Bieber, sinto muito, mas eles foram entrando. Vou chamar o segurança.”

Quando Ryan, Chaz, Chris e meu pai e irmãos entraram na cozinha entendi o porquê da coitada não ter consigo contê-los.

“Não precisa, são da minha família.”

“Oh, eu não... eu não sabia senhor Bieber.” Vermelha ate a raiz do cabelo ela murmura um pedido de desculpas.

“Tudo bem, não se preocupe.”

Ela era nova aqui, como a outra faxineira estava de licença maternidade essa foi mandada pela agencia para cobrir a dona Carla, e por tanto não sabia muita coisa sobre mim.

“Cara, você tem que cortar essa coisa, se bobear dá até pra fazer uma trança.”

Resmunguei algo em resposta que nem mesmo eu entendi.

“Justin?”

Fitei meu pai com ar cansado.

“O que foi?”

Puxando uma banqueta de frente para mim ele se senta de frente para mim e me estuda com cuidado.

“Está tudo bem, filho?”

Assinto e dou um longo gole no meu café. Meus amigos ocupam as banquetas vagas enquanto que meu irmão mais novo luta para conseguir se sentar sorrindo um pouco eu o ajudo.

Ele abre um sorriso meio sem jeito.

“Mas que cara horrível, não devia estar feliz? Parecia que estava cagando arco-íris.”

“Não enche Chris”

“Hum, só estou dizendo.”

Meu pai balançou a cabeça.

“O que aconteceu?”

Suspiro e olho pela janela, tentando fugir do seu olhar preocupado.

“Nada, só estou cansado. Fiquei até tarde no estúdio ontem.”

A boca do meu pai se contrai em irritação, não compra minha mentira nem um pouco.

“Você sente falta dela, não é?”

Travo o maxilar e aperto as mãos na borda do tampão da bancada, respirando bem fundo.

“Podemos, por favor, não dela?”

Demonstrando arrependimento ele assente.

“Sim... claro, desculpe.”

“Onde ela tá?”

Fiquei tenso pela pergunta feita por Chaz. Eu já tinha percebido a forma como ele olha para Beth; com um anseio inconfundível, uma vontade louca de estar com ela. Eu espero, sinceramente, que ele perceba que esse sentimento dele por ela nunca seria recíproco. A Beth me ama.

“Na casa da mãe.”

Escuto um ofegar de surpresa.

“Em Gramados? No Brasil?”

Assinto.

“Escuta, muito legal ter vocês aqui, mas tenho que trabalhar” eu me levanto e caminho para fora da cozinha. “Vou para o estúdio.”

No meu quarto, enquanto subia uma calça jeans pelos quadris vi uma mensagem de Scooter, perguntando se eu tinha notícia de Beth, respondi que não.

Selena continuava tentando a entrar em contato comigo. Ou ela não se tocava ou preferia não levar em conta meus esforços de entrar em contato com ela, como me recusando a responder suas chamadas ou a porta quando ela vinha, ela não entendia que deveria me deixar sozinho. Vê-la apenas trazia de volta toda a dor que eu causei a Beth e eu odiava ver o rosto de Selena. Eu não precisava de nenhum outro lembrete de tudo o que eu tinha feito para machucar a Beth.

Beth, por ter sido abandonada pelo pai, tinha uma frágil confiança, e eu a tinha destruído no momento em que a magoei e coloquei nosso bebê em risco.

Os corações não devem machucar assim

Não é suposto quebrar tão rápido

Eles dizem que o tempo é um curandeiro

Por quanto tempo dura essa queima?...

Eu mandava diversas mensagens, o tempo todo. Implorei que me ligasse. Só preciso ouvir sua voz. Mandei comentários aleatórios. Está frio aqui hoje. Sobre o trabalho. Nunca tinha notado que Scooter só usa preto. E, principalmente, Eu te amo. Por alguma razão, era mais fácil digitar aquelas palavras do que dizê-las. E eu as digitei bastante. Várias vezes. Não queria que ela esquecesse. Com todos os meus defeitos e todas as minhas mancadas, tudo o que eu fazia, pensava ou sentia estava relacionado a meu amor por ela.

Às vezes eu ficava louco, odiava o que Beth estava fazendo comigo. Com a gente. Que merda! Me liga. Para de me torturar.

Estava chegando no estúdio quando Beth enfim entrou em contato.

Tb te amo.

As palavras dançaram diante de meus olhos ardentes. Escrevi uma resposta com dedos trêmulos, quase tonto de alívio. Estou com tanta saudade. A gente pode conversar, por favor? Preciso te ver.

Ela não me respondeu.

O que me deixou de mau humor e violento. Beth estava me punindo da pior maneira possível. Eu tremia feito um viciado, desesperado por uma dose dela para ficar bem. Para pensar. Permaneci de pé, ao lado carro, olhando para nossa janela de conversa, fervilhando por dentro, pensando em ir embora atrás da minha menina. Não podia mais suportar aquilo. Era demais para mim.

Muito orgulhoso de dizer isso, e eu deixo você sair sem renúncia

E agora estou com saudades de você, às vezes eu desejo que você também sente minha falta

Talvez você faça, estou esperando, mas você está muito orgulhoso de dizer isso também

Talvez eu estivesse sonhando, sonhando que você voltaria novamente, novamente, novamente...

 

ELIZABETH

12: 41 p.m

GRAMADOS, RIO GRANDE DO SUL.

Eu estava sentada, abraçada às minhas pernas e o queixo apoiado nos joelhos, enquanto assistia meu ao amigo do meu irmão, Rafael, trabalhando em domar um jovem puro sangue. Ter alguma outra coisa em foco que não fosse eu era mais fácil. Eu ficava mais preocupada com o perigo de Rafael quebrar o seu pescoço do que com os meus próprios problemas.

Enzo disse que pareço um robô, considerando toda a falta de emoção que exibo. É que tenho medo de começar a chorar se mexer o rosto.

Nem queria estar nesse haras, mas Vitor insistiu que eu viesse até aqui com ele. A noite podia chegar logo. Meu telefone iria tocar e, então, o aviso do correio de voz iria apitar, alertando que ele tinha deixado outra mensagem. Eu iria gastar as próximas horas encarando a parede enquanto um emaranhado de emoções correria por mim. Eu queria ouvir as mensagens do Justin. Eu sentia sua falta. Eu sentia falta de ouvir sua voz. Eu sentia falta das covinhas de seu rosto quando ele sorria, mas eu não podia, mesmo que ele estivesse arrependido, e eu não tinha dúvida de que ele estava, depois de todas essas chamadas e mensagens, que ele estava arrependido.

Eu te amo. Uma vez, quase me convenci de que havia imaginado aquela mensagem, mas não; ele tinha mesmo se declarado e muitas vezes, todos os dias da semana.

Eu amava Justin Bieber. Eu o amava tanto, mas eu amava outra pessoa tão ferozmente. Pousei a mão sobre a barriga e respirei fundo. O bebê estava começando a se mexer, eram pequenas ondas de vida que me deixavam emocionada e maravilhada. Como eles podiam achar que eu abortaria essa criança? Eu já a amava. Eu amava o pai dessa criança. Eu nunca imaginei que me sentiria dessa forma. Era um sonho que eu tinha há muito tempo.

Eu queria esse bebê. Eu queria que essa criança tivesse uma vida. Uma maravilhosa e plena vida. Uma vida com nada mais do que segurança e amor. Minha avó tinha sido muito firme em sua fé de que aborto era errado. Eu sempre me perguntei se ela pensaria da mesma forma se fosse eu quem acidentalmente ficasse grávida, mas nunca passou pela minha mente que eu iria conceber uma criança com o homem que eu amava. Um homem que me fez querer coisas que eu não deveria querer.

O medo de que talvez eles estivessem certos estava ali... talvez eu não devesse fazer isso, mas eu acreditava que sim. Eu queria esse bebê. Eu queria amar e segurar o meu bebê e mostrar que eu faria qualquer coisa por ele. Eu queria gerar um filho e o queria o suficiente para deixá-lo viver. Eu estava determinada de que poderia fazer isso e eu iria.

Eu queria que meus irmãos entendessem. Eu odiava ver o lampejo de medo todas as vezes que eles olhavam para minha barriga. Eles estavam apavorados porque eles me amavam. Eu não queria assustá-los, mas eles tinham que confiar em mim. Eu podia fazer isso. Por pura força de vontade eu poderia ter esse bebê e sobreviver. Como se meu irmão pudesse ouvir meus pensamentos, ele pulou de cima do cavalo e plantou seu olhar em mim. Todas as vezes eu via a preocupação. Eu assisti enquanto ele levava o cavalo de volta para o celeiro. Nós estávamos aqui fora durante toda a manhã e já era hora do almoço.

“Você está bem?” A voz de Vitor interrompeu meus pensamentos, cobri meus olhos do sol e olhei para ele. Usava uma calça jeans escura e uma blusa azul clara, que contratava com sua pele cor de oliva, o cabelo preto e olhos igualmente negros e intensos.

De todos meus irmãos ele era o mais velho e o que mais se preocupava comigo.

“Eu estou bem” menti forçando-me a não coçar a bochecha. Sempre menti mal, mas ultimamente ando contando essa mentira com tanta frequência que agora parecia quase convincente.

Ele estendeu sua mão para mim. “Vamos pra casa. Já ajudei Rafael como prometi, mas está na hora de abrir o restaurante.”

Dei uma olhada em Rafael e não me surpreendi quando vi que ele estava olhando para mim. Segurei a mão de meu irmão e deixei-o me puxar. Eu não iria admitir que estava fraca por causa da minha falta de apetite. Eu não estava com náuseas por causa da gravidez, mas eu tinha perdido Justin. Nesse momento, eu o queria. Eu queria compartilhar as pequenas ondulações que nosso bebê fazia. Ver o seu sorriso e ouvir sua risada. Eu queria mais do que ele poderia me dar.

“Tem dias que você não sorri”, Vitor disse, soltando minha mão.

Espanei a poeira da minha roupa e encolhi os ombros. “Eu sinto falta dele, Vitor. Já admiti isso para você.”

Seu suspiro de irritação soprou fios escuros sobre meu rosto, e eu os retirei.

“Não gosto dele, e você deveria seguir meu exemplo.”

“Vitor,” suspirei baixinho enquanto seguíamos para sua enorme caminhonete. “não vamos falar sobre isso de novo.”

“Você é teimosa, Elizabeth Gimenez. Você sabia disso?” Ele cutucou o meu ombro com seu braço.

“Tive a quem puxar.”

Enquanto seguíamos para casa afastei os pensamentos sobre Justin. Eles voltariam para preencher o vazio mais tarde.

...

 “Fica longe dessa mulher. Ela é tóxica.”

“Não parece tóxica pra mim.” comenta Nico.

Sigo o olhar dele até o bar comprido de madeira, onde uma morena alta de costas para nós se debruça para pedir uma bebida. Está de saia preta curta e salto alto, os longos cabelos castanhos caindo pelas costas em ondas. O barman está praticamente babando, os olhos famintos encarando seu decote.

“Mas ela é. Fica longe dessa mulher, mano.”

“Ele tem razão”, disse Ângelo. O segundo mais velho — e o mais brincalhão — deu um chega pra lá em Enzo e colocou um prato diante de mim com um floreio.

Eu estava no bar, já que o Gimenez’s estava lotado como sempre. Os fregueses da noite eram barulhentos, e muitos deles eram conhecidos da casa. Vez por outra aparecia uma celebridade à paisana para comer em paz. Essa mistura era um sinal evidente da fama do serviço acolhedor e da comida excelente do Gimenez’s.

Enzo devolveu o empurrão e fez uma careta. “Sempre tenho razão.”

“Até parece!”, desdenhou Vitor pela janela da cozinha, deslizando dois pratos fumegantes sobre o balcão e arrancando as comandas correspondentes. “Só quando você repete o que eu digo.”

Tive que rir daquilo.

“Mas então... quem é tóxica?” Vitor pergunta acompanhando o olhar de Nico. “Delícia”, comenta, então sorri para Enzo. “Por qual motivo você chamaria uma mulher linda como essa de algo tão rude?”

Enzo dá de ombros e se vira para a pia. “Por que ela é.” Em seguida ele olha por sobre o ombro para Nico. “Escute o que estou dizendo, ela é uma idiota”, tornou a dizer.

“Por que esse ódio todo? Já decidiu que a presa é sua e ninguém tasca?”, provoca Vitor.

O rosto do meu irmão mais novo fica branco de horror. “Tô fora. Essa aí é a Márcia, cara. Já me enche o saco todo dia na aula. Não preciso dela me aporrinhando fora da faculdade. Sem contar que uma vez ela destratou Elizabeth.”

Eu era a caçula da família. Enzo era o mais novo dos meus quatro irmãos. A ira com que me defendia me fez sorrir, apesar do meu estado.

“Espera aí, essa é a Márcia?”, pergunto, devagar. Aquela é a garota que Enzo jura ser sua arqui-inimiga?

“A própria”, murmura ele.

O sotaque italiano de Vitor ganha mais força. “Que pena. Sem dúvida é uma gostosa.”

“Qual é o problema de vocês?”, se intromete Rafael. “Ela é sua ex?”

Enzo chega a tremer. “Nossa, não.”

O moreno aperta os lábios. “Então não tem problema nenhum se eu quiser tentar a sorte?”

“Você quer tentar a sorte? Disponha. Mas tô avisando, essa maluca vai te comer vivo.”

Solto uma risadinha suave, nunca vi Enzo irritado antes, mas perece que essa garota desperta esse sentimento nele.

Nico, que agora está sentado ao meu lado, me cutuca. “Coma seu fettuccine antes que esfrie”

Mostro a língua para ele. Do outro lado do bar, Márcia se vira. Ela provavelmente sente os cinco pares de olhos na sua bunda — dois dos quais estão mais do que famintos; Nico e Rafael.

Uma faísca se acende em seu olhar — mas então ele recai sobre Enzo. Na mesma hora, os lábios exuberantes se estreitam, e ela ergue o dedo do meio na nossa direção.

Rafael solta um gemido e murmura alguma coisa sobre Enzo ter arruinado suas chances. Não consigo segurar o riso. Então senti a mão de alguém tocar minha cintura um segundo antes de perceber o perfume Elizabeth Arden predileto da minha mãe.

Ela me deu um beijo. “Que bom ver você sorrindo. Tudo na vida acontece…”

“… por um motivo”, completei. “Eu sei. Mas é um saco.”

Ela era a única que tinha focado do meu lado na decisão de não abortar meu bebê. Como mãe ela sabia como era esse sentimento. Ela entendeu a minha necessidade de proteger essa criança.

Mamãe sorriu e se afastou para receber novos fregueses. Enrolei o macarrão no garfo. O molho Alfredo cremoso ficou pingando enquanto a observava. Muitos clientes também olhavam para ela. Mona Gimenez estava perto da casa dos sessenta, mas jamais se adivinharia isso pela sua aparência. Era linda e sensual de uma maneira exuberante. Os cabelos escuros eram volumosos e emolduravam um rosto belo, com lábios cheios e olhos como duas jabuticabas. Era escultural, tinha curvas generosas e um gosto por joias de ouro.

Homens e mulheres a adoravam. Minha mãe era segura de si e descontraída. Poucos desconfiavam do trabalho que meus irmãos tinham dado quando jovens. Mas agora eles estavam bem treinados. Respirando fundo, procurei absorver a atmosfera reconfortante à minha volta: os sons queridos de gente se divertindo, o cheiro de dar água na boca da comida cuidadosamente preparada, o tinir de talheres nas louças e copos se chocando em brindes. Eu queria mais da vida, o que às vezes me fazia esquecer quanta coisa já possuía

Nico voltou e olhou para mim. “Tinto ou branco?”, perguntou, colocando a mão sobre a minha afetuosamente.

Ele era um dos favoritos da clientela, especialmente entre as mulheres, e ficava no bar. Era moreno e bonito, tinha cabelos bagunçados e um sorriso malicioso. Um paquerador convicto, tinha fã-clube próprio. As mulheres iam ao bar em busca de seus ótimos drinques e de seu papo sedutor.

“Que tal um copo de suco?” Ângelo lançou um olhar zangado para o irmão. “Ela tá grávida, cabeção. Não pode consumir bebida alcoólica.”

Nico ergueu as mãos e foi atender uma mesa recém-ocupada. Ângelo balançou a cabeça e resmungou algo sobre nosso irmão ser uma cabeça de vento.

É bom estar em casa.

...

Enzo para na frente da enorme mansão estilo tudor e muda o câmbio para a posição estacionar.

“Não vai entrar?”

Lançando um olhar sombrio para a entrada de carros ele nega bruscamente.

“Não, prefiro ficar longe.”

“São nossos avós, Enzo. Nonna sempre diz que sente saudades de vocês.”

Ele deu de ombros e sorriu, mas o sorriso não chegou a alcançar seus olhos escuros.

“Tenho que ir. Amanhã te pego às oito.”

“Certo. Boa noite, te amo.”

Dessa vez seu sorriso foi verdadeiro e a covinha do seu queixo se pronunciou.

“Também te amo.”

Desci do carro e alisei meu vestidinho de verão, em breve chegaria o inverno. Ajeitei a alça da bolsa enquanto caminhava até a enorme varanda com enormes colunas brancas e escadaria dupla. Antes que terminasse de subir as escadas à porta foi aberta e o lindo rosto da nonna apareceu, toda sorridente.

Nonna!”

Corri para abraçá-la, ironicamente ela não me reprendeu por não me portar como uma dama. Apenas alargou o sorriso e abriu seus braços.

“Elizabeth, que saudade!”

Minha nonna — apesar dela não ser italiana eu gostava de chamá-la assim, e por algum motivo ela gostava. — me conduziu até uma sala de estar ricamente decorado com tons sóbrios, o único toque de ousadia era o tapete vermelho que percorria uma escada de mármore negra que levava até uma biblioteca.

Sentei-me no sofá e mantive as contas eretas, bem como vovó sempre ensinou. Surpreendendo-me mais uma vez ela sentou-se na mesa de centro com tampa de vidro e cruzou as pernas.

Como sempre estava arrumada com elegância, os cabelos castanhos escuros estavam presos num coque elaborado, vestia um lindo vestido tubinho azul escuro que combinava com seu tom de pele.

“Então quer dizer que minha netinha vai ser mamãe?” seus olhos inteligentes me analisaram cuidadosamente. “Isso faz de mim uma bisavó, certo?”

Soltei uma risadinha e deixei minha bolsa ao meu lado. Eu iria passar a noite aqui, mas como a neta mimada que eu tinha sido tenho um quarto só para mim aqui.

“Sim, nonna. Sei que foi um pouco inesperado, mas estou disposta a tentar.” Remexi meus dedos nervosamente na barra do vestido e desviei meus olhos dos dela. “Não está decepcionada comigo, não é mesmo?”

Suas mãos macias cobriram as minhas. “Não, minha neta. Não estou, sei que você pensou bem antes de tomar a decisão de ter essa criança.”

Respirei aliviada. “Sim, pensei muito.”

Parecendo satisfeita com minha resposta ela assentiu. Em seguida ela inclinou-se para frente, seus olhos brilhando de diversão.

“Agora me diga sobre o pai. Ele é famoso, certo?” Vi nela sua habitual empolgação juvenil com que falava sobre homens ricos e bonitos.

A direção da conversa me lembrou da última que eu tinha visto Justin, a lembrança de como estava no hospital, com olhos selvagens e ansiosos. Ainda podia escutar como sua voz soou – tão profunda e rouca e desesperada – quando disse que me amava.

Mas no final de maio, já fazia semanas que eu não o via, e foi quase impossível convencer a mim mesma que seu afeto não começara a se dissolver.

Número de Dias Que Eu Precisei Para o Justin Bieber Me Dar Espaço: desconhecido.

Nos primeiros dias tinha me sentido como uma garota carente e maluca. Foi só quando ele percebeu aquilo que eu sempre soube – que a Selena nunca foi boa para ele, e que eu era a melhor coisa para sua vida – que também percebi o quanto estava... brava, realmente brava.

Sei que às vezes sou capaz de superar as coisas rapidamente, de um jeito que surpreende o Justin. Passei a vida inteira surpreendendo as pessoas nesse sentido. Mas essa regularidade não significa que nunca fico magoada, que nunca sinto raiva, que nunca me sinto traída.

De algum jeito, mesmo com uma pesada pulsação da tristeza a cada passo que eu dava, consegui remendar pequenos pedaços da minha vida.

Primeiro tentei esquecê-lo, pois lembrar só me trazia dor. Mas logo descobri que esquecer-me dele seria impossível. Portanto, em vez disso, resolvi mergulhar nas minhas lembranças. Queria mantê-las vivas e frescas dissecando todas as conversas, examinando todos os momentos passados ao lado dele. Eu conhecia o tom da sua voz. Conhecia o toque da sua pele. Conhecia o gosto dos seus lábios.

E sabia só de olhar para ele quando estava bravo, irritado ou inquieto.

E eu sabia que ele estava se sentindo assim sem que eu atende-se seus telefonemas e sem responder suas mensagens.

Olhei para minha nona, cujo rosto bem cuidado parecia jovem, sem rugas e muito parecido com os dos meus irmãos. Dos cincos filhos eu era a que mais me parecia com minha mãe.

“Ele é sim, um cantor mundialmente conhecido.”

“É isso o que me deixa curiosa; como conseguiram manter essa relação escondida por tanto tempo?”

Tirei uma poeira inexistente do meu vestido só para fugir do seu olhar.

“Evitávamos sair juntos e quando acontecia de sairmos publicamente ele se disfarçava. Nonna, não temos uma relação, somos só... amigos.”

“Mas não precisa ser assim”, disse Milena, com um olhar carinhoso que me deixou emocionada. “Você gosta dele.” ela disse em tom de afirmação, mas com a intenção de ser uma pergunta.

Desviei meus olhos dos dela e fixei o olhar por cima de seu ombro. “Gosto, mas... nós não daríamos certos juntos. Somos muitos... Humm... Diferentes.”

“Ah, meu amor. É assim que é um casal, se vocês fossem iguais em tudo seria muito chato o relacionamento de vocês. Diga-me uma coisa, vocês concordam em tudo?”

“Não” soltei um risinho e enxuguei uma lágrima da minha bochecha. “Não concordamos em tudo, mas respeitamos a opinião de cada um.”

Ela assentiu. “Mas são parecidos em algumas coisas?”

Minha nona sempre me disse para encontrar um homem equivalente a mim, em todos os sentidos.

“Nunca se apaixone por alguém que não coloque você em primeiro lugar. Encontre alguém que seja tão destemido e energético quanto você. Encontre um homem que faça você ser uma pessoa melhor.”

Definitivamente eu tinha encontrado esse homem. Mas ele não era para mim. Nosso envolvimento tinha sido um tremendo erro.

“Somos sim, acho.”

Sua risadinha contida me fez sorrir.

“E isso não é bom?”

“Não sei nonna. Está tudo tão confuso agora.”

“Nem imagino como esteja essa sua cabeçinha no momento.”

Dei de ombros. “Estou bem, já me conformei de que ele nunca será meu.”

“Querida, não fale assim. Nunca sabemos dessas coisas.”

Esfreguei os olhos, esperando que isso ajudasse a evitar o choro.

“Bom, vovó, eu sei.”


Notas Finais


*-*
Que saco, os títulos dos capítulos são os que mais me atrapalham. Acho que vou mudar. Tirar o começo que sempre começa com "Sobre".


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