História Best of me - Capítulo 1


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jeongguk (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Flex, Jikook, Koomin, Vhope, Vkook
Visualizações 1
Palavras 3.538
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Yaoi (Gay)
Avisos: Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Espero q gostem ;)

Capítulo 1 - Desafio aceito


Fanfic / Fanfiction Best of me - Capítulo 1 - Desafio aceito

  O fim de nossas últimas férias de inverno parece ser quase o início de uma volta olímpica. Estamos no penúltimo semestre da nossa jornada no ensino médio, e falta um último – simbólico, francamente – semestre a vencer. Quero dar início às celebrações como um cara comum: com um momento de privacidade e algumas horas sem pensar em nada, navegando por aquela toca do coelho chamada YouTube. Infelizmente, porém, nada disso vai acontecer. Porque, do outro lado da cama, Taehyung me lançou um olhar fulminante, esperando a minha explicação.

  Minha grade não está pronta, e as aulas começam em dois dias, e as vagas nas melhores disciplinas se esgotam rapidamente, e, Jungkook, você é sempre assim.

  Não que Taehyung esteja errado. Eu sou mesmo assim. Mas não posso fazer nada se ele é a formiga e eu a cigarra nessa relação. Sempre foi assim.

– Está tudo bem... Está tudo bem. – Ele repete, girando a caneta em suas mãos.

 – Por que não estampa logo uma camiseta com essa frase?

 Taehyung  é minha rocha, meu porto seguro, o melhor dos melhores. Mas, quando o assunto é a escola, ele se transforma em um verdadeiro purgante.

  Virei-me de barriga para cima, olhando para o teto do quarto, que sinceramente nunca me pareceu tão interessante quando agora. No começo do ensino médio – logo depois que me mudei para cá, Taehyung me colocou debaixo de suas asas –, em seu aniversário, dei-lhe um pôster de uma gatinha mergulhando em uma piscina de bolinhas felpudas. Até hoje esse pôster continua firmemente pregado na parede. A gata é uma graça, mas acho que, no penúltimo ano, a doçura de sua inocência foi pouco a pouco manchada pela estranheza inerente. Então, acima da frase motivacional “Mergulhe, gatinha!”, colei quatro post-its com o que acredito que o criador do pôster queria dizer: NÃO SEJA TÃO MULHERZINHA!

  Taehyung deve estar de acordo com a minha edição, afinal, deixou os post-its exatamente onde eu os coloquei.

Virei  a cabeça para olhar em sua direção.

– Por que está preocupado com isso? A grade de disciplinas é minha, afinal de contas.

–  Não estou preocupado – afirma, mastigando alguns biscoitos. – Mas você sabe que as vagas nas disciplinas legais estão se esgotando super-rápido. Não quero que termine na aula de Química de Hoye, porque ele passa o dobro de lição de casa, o que vai atrapalhar minha vida social.

  Em parte, é verdade. Fazer Química com Hoye de fato atrapalharia a vida social de Taehyung – sou eu que tenho carro e que o levo aos lugares na maioria das vezes. Mas o que ele realmente detesta é o fato de eu deixar as coisas para o último minuto e, mesmo assim, conseguir o que quero. Nós dois somos bons alunos, cada um do seu jeito. Ambos temos notas altas e arrasamos nas provas. Porém, quando o assunto é a lição de casa, Taehyung mais parece um cachorro com um osso, ao passo que eu sou como um gato, deitado, em uma janela ensolarada. Se a lição está por perto e parece interessante, eu a faço com prazer.

 – Bem, sua vida social é nossa prioridade. – Solto o peso do corpo de um lado a outro, recolhendo as migalhas de biscoito presas em meu antebraço.

  Elas deixaram uma marca ali, entalhes vermelhos minúsculos na pele, como pedrinhas deixariam. Taehyung  bem que podia se levantar e colocar em prática, neste quarto, sua obsessão por limpeza.

–  Taehyung, meu Deus, você é um porco. Olhe só como deixou esta cama. Repreendo tentando parecer o mais serio possível, qual é um pouco de arrumação não faz mal a ninguém. Mas sua foi enfiar mais um punhado de Ritz na boca, deixando mais um caminho de migalhas no edredom da Mulher-Maravilha.

  Seus cabelos ruivos estavam uma total bagunça, eu apostaria um dos meus gibis que o mesmo nem se quer havia os penteados hoje de manhã, ele usava um pijama do Scooby-Doo que ganhou aos 14 anos de idade. Ainda serve... praticamente.

 – Se você trouxer o Hope aqui, ele vai ficar horrorizado – provoco.

   Hope é outro de nossos amigos e um dos poucos garotos do colégio que não é mórmon. Acho que, tecnicamente, Hope é mórmon – bem, pelo menos, seus pais são. São o que chamam por aí de “mórmon light”. Consomem álcool e cafeína, mas ainda mantêm uma relação considerável com a igreja. O melhor dos dois mundos, ele diz, embora seja fácil perceber que os alunos da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias que estudam em Provo High discordam. Quando falamos de círculos sociais, um “mórmon light” mais se parece com um não mórmon. Como eu.

  Algumas migalhas de biscoito voam quando Taehyung tosse fingindo indignação ao ouvir minhas palavras.

– Não quero que Hope passe nem perto da minha cama.

  E ainda assim, cá estou eu, deitado na cama dele. O simples fato de eu poder entrar em seu quarto é uma prova do quanto sua mãe confia em mim. Mesmo com todos os boatos  bem, pode ser que a senhora Kim  sinta que nada vai acontecer aqui entre mim e Taehyung.

  Já tentamos uma vez, durante as férias de inverno do nosso segundo ano. Bem não foi nenhum grande acontecimento quando eu ainda morava em Seoul quando, aos 13 anos, percebi que gostava de beijar meninos tanto quanto de beijar meninas.  Aqui, porém, isso seria um problema enorme.  

  Eu vivia em Provo há apenas cinco meses, mas rolou uma química imediata entre nós – impulsionada por muitas disciplinas em comum e por um conforto mútuo produzido por nosso status de não mórmons em um colégio tomado pelos mórmons e a grande curiosidade de Taehyung após descobrir por um deslize meu, o meu grande segredo. Infelizmente, a química se dissolveu para mim quando as coisas se tornaram físicas e, por um milagre, nos esquivamos daquela situação constrangedora do pós-amasso. Não vou arriscar outra vez.

Taehyung é o melhor dos melhores, verdade seja dita.

  Ele parece se tornar hiperconsciente de nossa proximidade no mesmo instante que eu, assim se ajeitando na cama e puxando o pijama para cobrir todo o torso. Eu me sento apoiando as costas na cabeceira: uma posição mais segura.

– Qual foi a primeira que você escolheu?

 Taehyung olha para sua planilha.

– Polo. Literatura Moderna.

– Eu também. – Roubo um biscoito e, como um humano civilizado, consigo comer sem derrubar uma migalha sequer. Deslizando o olhar e o dedo indicador pelo meu papel, sinto que esse último semestre parece promissor. – Francamente, meu cronograma não está nada ruim. Só preciso acrescentar alguma coisa aqui ou ali.

– Talvez pudesse fazer o Seminário – Taehyung bate as mãos todo alegre.  

  Seus olhos são como faróis apontando sua emoção para dentro de uma sala empoeirada: ele quer fazer essa disciplina desde o primeiro ano.

  O Seminário... Estou falando sério; quando a escola cita a disciplina em seus boletins de notícias ou anúncios, eles chegam a usar letras maiúsculas – tão pretensioso que chega a ser surreal. ESCREVA UM LIVRO EM UM SEMESTRE, o catálogo alegremente promete, como se isso só pudesse acontecer a quem faz essa disciplina. Como se uma pessoa comum não fosse capaz de reunir palavras suficientes em quatro meses. Quatro meses é toda uma vida.

  Os candidatos ao Seminário precisam ter concluído, pelo menos, uma disciplina de Língua Inglesa avançada e ter tido uma média mínima no semestre anterior. Muito embora nosso grupo tenha setenta alunos no total, o professor só aceita matricular quatorze. Dois anos atrás, o New York Times escreveu um artigo e definiu a disciplina como “um curso ambiciosamente brilhante, dirigido de forma séria e diligente por Tim Fujita, membro da equipe de bestsellers do NYT”. (Conheço essa citação palavra por palavra, porque ela foi impressa, ampliada cerca de cinco mil vezes e dependurada em uma moldura na entrada da escola. Minha maior crítica é o uso excessivo de advérbios, o que faz Taehyung me achar petulante).

 No ano passado, um aluno do último ano chamado Park Jimin cursou o Seminário e uma importante editora adquiriu os direitos de seu manuscrito. Eu nem sei quem é esse tal Park Jimin, mas já ouvi essa história pelo menos cem vezes. É o filho de um bispo! Escreveu um livro de fantasia! Aparentemente, era incrível. O senhor Fujita enviou o manuscrito a um agente, que vendeu a obra para um pessoal de Nova York. O que se seguiu foi uma espécie de esforço de guerra civilizado e boom!, o cara estava pronto para começar a estudar na Universidade Brigham Young, a BYU, mas vai ter que deixar o curso por um tempo para poder fazer um book tour e se tornar o próximo Tolkien. Ou o L. Ron Hubbard 1 . Embora eu ache que alguns mórmons possam não gostar dessa comparação. Eles não gostam de ser misturados com cultos como a Cientologia. Por outro lado, os seguidores da Cientologia também não gostam nada de serem misturados com os mórmons.

  Enfim, depois disso, o Seminário é a única coisa (além da equipe de futebol da BYU e do mar de mórmons) que as pessoas citam quando falam de da escola.

– Você foi aceito? – pergunto sem estar surpreso.

  Esse curso significa tudo para Taehyung e, além de atender todos os verdadeiros pré-requisitos, ele vem devorando romances sem parar na esperança de ter uma chance de escrever seu próprio livro.

 Tae confirma com a cabeça. Sorrindo quadrado, algo típico seu.

– Legal!

– Você também seria aceito se fosse conversar com o professor Fujita. – Ele afirma. – Tem notas boas e escreve bem. E mais: ele adora os seus pais.

–  Nem.

  Estou na esperança de receber cartas de aceite de faculdades em qualquer lugar que não seja aqui – minha mãe me implorou para só me candidatar em outros estados. E o “sim” de qualquer uma dessas escolas depende das minhas notas neste último semestre. Não importa o quão fácil eu imagine que uma disciplina possa ser, não é hora de correr riscos.

– Porque, aí, você teria que, digamos, acabar alguma coisa?

– Eu acabei com a sua mãe mais cedo. Acho que você sabe do que estou falando.

 Ele puxou alguns pelos da minha perna e eu deixo escapar um grito espantosamente feminino.

–  Kookie. – Ele me chama, sentando-se. – Estou falando sério. Seria bom para você. Devia fazer essa disciplina comigo.

– Você fala como se eu quisesse fazer esse curso.

 Lançando um olhar fulminante na minha direção, ele fecha uma carranca.

 – É o Seminário, seu idiota. Todo mundo quer fazer esse curso. Entendeu o que eu disse? Ele coloca esse curso em um pedestal e age de um jeito tão nerd que me faz querer proteger o Taehyung do futuro, aquele que vai cair no mundo e enfrentar suas batalhas como um Peter Nerd. Ofereço o meu melhor sorriso.

 – Sim, claro.

 – Está preocupado em ter que criar algo original? – indaga. – Eu posso ajudar.

 – Qual é? Eu me mudei para cá quando tinha 15 anos, e podemos concordar que essa idade é o pior momento na vida de qualquer pessoa para se mudar de Seoul, na Coreia do Sul, para Provo com aparelho nos dentes e sem nenhum amigo. Eu tenho histórias para contar.

Sem contar que sou um indivíduo bi e meio-judeu em uma cidade heteronormativa e mórmon.

Não digo essa última parte em voz alta

 – Nós todos usávamos aparelho, e você tinha a mim. – Ele solta o corpo outra vez na cama. – Além disso, todo mundo odeia ter quinze anos, Jeon. É um período em que ereções brotam na piscina, acne e raiva afetam os protocolos sociais... Posso garantir que dez em cada quinze alunos desse curso vão escrever sobre os perigos do ensino médio, porque falta a eles uma fonte mais abrangente de referências de ficção.

 Uma rápida olhadela nos arquivos do meu passado fez se uma sensação de defesa brota em meus pensamentos, como se talvez ele estivesse certo. Talvez, eu não seja capaz de criar algo interessante e profundo, e uma obra de ficção tem de vir das profundezas do ser. Meus pais me apóiam – talvez me apóiem até demais –, minha família é um pouco louca, mas maravilhosa. Também tenho uma irmã que não é terrível, embora seja dramática e emo demais, tenho meu próprio carro... Não vivi muitas turbulências.

Então aceno em negação beslicando sua coxa.

 – O que torna você tão profundo?

  É uma brincadeira, obviamente Taehyung  tem muito sobre o que escrever. Seu pai morreu no Afeganistão quando ele tinha apenas nove anos. Depois, sua mãe, tomada por raiva e mágoa, cortou os laços com a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, o que, nesta cidade, é uma deserção com um peso enorme. Mais de 90 por cento das pessoas desta cidade são mórmons. Ser qualquer outra coisa automaticamente o deixa às margens do mundo social. Para piorar, o salário da senhora Green mal dá para a subsistência dela e do filho. Taehyung olha com apatia para mim.

– Eu entendo porque você não quer fazer o curso, Kookie. Requer muito trabalho e você é preguiçoso.

...

Ele me fez morder a isca e acrescentar aquele curso idiota ao meu programa, e, agora, enquanto vamos de carro à escola, juntos, na segunda-feira depois das férias de inverno, Taehyung  está todo incomodado porque contei que me matriculei no tal Seminário.

Posso sentir seu olhar perfurante na lateral do meu rosto enquanto fazia a curva para entrar na escola.

– Fujita simplesmente assinou a sua matrícula? – indaga. – Simples assim?

–Tae, você é louco se estiver irritado com o fato de eu ter me matriculado. Sabe disso, não sabe?

– E... e aí? – Ele indaga, ignorando minha pergunta retórica e virando-se para olhar para a frente. – Você vai fazer o curso?

– Claro, por que não faria? – Entro no estacionamento dos alunos e buscando uma vaga próxima à porta, mas é claro que chegamos tarde e não há nenhum lugar conveniente para deixar o carro por aqui.

 Encosto em uma área atrás do prédio.

 

– Jungkook, você se deu conta do que está em jogo nesse curso?

 – Como eu poderia estudar neste colégio e não saber o que é o Seminário?

Taehyung lança um olhar paciente, mas agressivo para mim, porque acabo de usar meu tom de gozação e ele detesta quando faço isso.

– Você vai ter de escrever um livro. Um livro inteiro.

  Quando paro de zoar, o cenário é ligeiramente previsível: a porta do meu carro é empurrada de um jeito mais grosseiro do que o normal fazendo o ar frio entrar.

–TaeTae, o que foi? Eu pensei que tivesse me chamado para fazer essa disciplina com você.

– Sim, mas você não deveria ter se matriculado se não quer fazê-la.

  Ofereço meu melhor sorriso, aquele do qual ele mais gosta. Sei que não devia fazer isso, mas, ah, a gente usa as armas que tem à disposição.

– Então, você não devia ter me chamado de preguiçoso.

  Ele deixa escapar um gemido selvagem, do qual acho que gosto.

– Você é tão sortudo e nem se dá conta disso!

 Ignoro-o enquanto pego minha mochila no porta-malas. Taehyung me deixa bastante confuso.

– Entendeu o que eu queria dizer antes? Que para você é muito fácil? – Ele corre atrás de mim. – Eu tive de me candidatar, passar pela entrevista com ele, tipo, suar muito a camisa. Você entrou no gabinete do professor e ele assinou a sua matrícula.

– Não foi exatamente assim. Eu fui ao gabinete, conversei um pouco com ele, falei sobre minha família e, só depois disso, ele assinou a minha matrícula. Minhas palavras são recebidas com silêncio e, quando me viro, percebo que ele está andando na direção oposta, a caminho de uma entrada lateral.

– A gente se vê na hora do almoço, melhor amigo! – grito.

Tae levanta o dedo do meio.

  O calor dentro do prédio é paradisíaco, mas há muito barulho e o chão está encharcado com a terra e a neve derretida que escorre dos sapatos. Vou derrapando pelo corredor até meu armário, que fica entre o de Lisa e o de Yugyeom, duas das pessoas mais bonitas – e mais gentis – de Provo High.

  Em termos sociais, aqui as coisas são mistas. Mesmo dois anos e meio depois, ainda me sinto um aluno recém-chegado, possivelmente porque a maioria dos alunos aqui estudam juntos desde o jardim da infância e frequentam os mesmos lugares – quero dizer, são da mesma congregação e provavelmente se encontram em um milhão de atividades da igreja fora do colégio. Eu, essencialmente, tenho Taehyung, Holpe e alguns outros amigos que são Santos dos Últimos Dias, mas legais, então eles não deixam a gente louco e seus pais não se preocupam com a possibilidade de podermos corromper seus filhos. Nos tempos de Deutsche Schule, quando eu era calouro, passei alguns meses mais ou menos saindo com um cara e tinha uns amigos que eu conhecia desde o jardim da infância e que não se escandalizavam quando me viam de mãos dadas com ele. Queria ter aproveitado mais aquela liberdade.

 

  Aqui, as meninas flertam comigo, claro, mas a maioria delas é mórmon e jamais, de jeito nenhum, poderiam ficar comigo. A maioria dos pais que seguem essa religião têm a expectativa de que seus filhos se casem em seu Templo e eu, que não sou membro da igreja, simplesmente não posso fazer isso. A não ser que eu me converta, o que, digamos... nunca vai acontecer. Tomemos Lisa como exemplo. Sinto alguma coisa surgindo entre nós. Ela adora flertar e ter contato físico, mas Tae insiste que essa relação não chegaria a lugar nenhum. O mesmo vale – em medida ainda maior – para as minhas chances com qualquer menino daqui, Santos dos Últimos Dias ou não. Não posso explorar nenhuma oportunidade aqui em Provo. Tenho uma queda por  Yugyeom  desde o décimo ano, mas ele está fora dos meus limites por três importantes motivos: (1) homem, (2) mórmon, (3) Provo.

  Antes de se irritar comigo hoje de manhã, Tae me entregou, sem dizer nada, uma cartela de adesivos brilhantes de dinossauros. Então, sem questionar, enfiei-os no bolso; Tae é conhecido por me entregar coisas que serão úteis em algum momento da vida, então eu as guardo. Quando abro meu armário, percebo sua motivação: sou notoriamente ruim em lembrar meus cronogramas A e B – aqui, adotamos a prática de ter as mesmas aulas em dias alternados, com as grades de um a quatro em alguns dias e as grades de cinco a oito no outro. Toda vez tenho que grudar minha programação no armário e toda vez me vejo sem fita adesiva.

 – Você é brilhante. – Lisa elogia, aproximando-se por trás para ver melhor o que estou fazendo. – E, ah-meu-deus, que gracinha! Dinossauros! Jungkook, você tem oito anos?

– Eu ganhei de Taehyung.

  Ouço a reação de Lisa em seu silêncio, nas palavras “esses dois estão ou não estão juntos” não verbalizadas.

  Como sempre, deixo-a sem resposta. Sua suspeita é positiva para mim. Involuntariamente, Taehyung  tem sido meu escudo.

 – Belas botas – digo a ela.

  Botas que alcançam uma altura sugestiva: pouco acima do joelho. Eu me pergunto de quem ela quer atrair a atenção: dos garotos da escola ou de seus pais em casa. Dou-lhe um adesivo de dinossauro e um beijo na bochecha enquanto passo por ela, antes de atravessar o corredor, levando meus livros comigo.

  Provo High não é, de modo algum, uma escola religiosa, mas, às vezes, parece ser. E se tem uma coisa sobre os mórmons que você aprende rápido é que eles focam no positivo: sentimentos positivos, ações positivas, feliz, felicidade, alegre, alegria. Mesmo assim, a disciplina Literatura Moderna com a professora Polo começa com uma notícia inesperada e, sem dúvida, infeliz: nossa primeira leitura será A Redoma de Vidro.

  Sinto um leve burburinho se espalhando pela sala enquanto os alunos se mexem em suas cadeiras para trocar olhares furtivos tão dramáticos que seus esforços para serem discretos acabam se provando inúteis. A professora Polo – cabelos selvagens, saia fluida, anéis nos dedões, você conhece o tipo – ignora a comoção. Aliás, acho que está gostando das reações. Ela se agita em seus saltos, esperando que voltemos a nos concentrar no programa de estudos para descobrir o que mais nos aguarda.

  A Bíblia Envenenada, de Barbara Kingsolver; Noite, de Elie Wiesel; A Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera; O Castelo de Vidro, de Jeannette Walls, e assim por diante, passando por Sula, de Toni Morrison, até as memórias falsas de James Goddamn Frey. Talvez, o mais chocante seja Elmer Gantry, de Sinclair Lewis, um romance sobre o fanatismo religioso e um ministro assustador. Bastante apropriado. A professora Polo é atrevida e corajosa, e eu gosto muito de ver o chão dessa gente à minha volta tremer.

  Taehyung está sentado de olhos arregalados ao meu lado, ainda sem falar comigo. Já leu quase todos os livros da lista e, se o conheço bem, sei o que está pensando: Ainda dá tempo de pedir transferência e ir estudar Shakespeare com o professor Geiser?

  Tae se vira e me encara com olhos estreitos enquanto lê a minha mente. Resmunga outra vez, e não consigo segurar a risada que me escapa.

  Também já li quase todos esses livros. Taehyung insistiu para que eu os lesse.

 Solto o corpo no encosto da carteira, entrelaço os dedos atrás da cabeça e lanço mais um sorriso para ele.

 Moleza. Tenho um semestre tranquilo à minha frente.


Notas Finais


ps: Mórmons, é um movimento religioso, sabe tipo as testemunhas de javas q dão role ae na casa de vcs? Bem é quase isso ae.
Vcs amaram o novo/ q ñ é tão novo assim G.CF do Jeon? Eu to completamente apaixonada ainda ñ superei, principalmente a musica, achei tão unica, formulei varias teorias de jikook ( aquelas) ahsuahsua.
Beijinhos <3


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