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História Best Years - Capítulo 6


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Notas do Autor


Oiee, hoje lembrei de postar kkkkkk
Boa leitura 🦋

Capítulo 6 - San Diego


Fanfic / Fanfiction Best Years - Capítulo 6 - San Diego

 As risadas de Lucy, Ashton e Kaitlyn ecoavam pelo quarto por alguma piada, do tipo de pai sem graça alguma, que o garoto havia feito. Talvez parte do motivo de toda a agitação fosse o álcool proveniente de algumas cervejas que beberam poucas horas antes. 


 Passados alguns minutos, como se alguém tivesse apertado o botão de silenciá-los, eles foram parando de rir e acalmando-se. Lucy e Kaitlyn, que estavam na cama do quarto, deitaram uma ao lado da outra enquanto Ashton, sentando no chão ao lado delas, apoiou as costas na parede, de modo a manter-se de frente para a cama. E o silêncio permaneceu, mas não de maneira constrangedora, apenas de um jeito sonolento. 


 Lucy tamborilava os dedos sobre o próprio estômago olhando para o teto enquanto Ashton olhava o celular e Kaitlyn encarava as próprias unhas. 


 — Por que um monte de gente me chama de boomer no Twitter? Eu não sou boomer, eu sou millennial — disse o garoto de repente, genuinamente frustrado. 


 As duas entreolharam-se antes de tornarem a rir novamente. 


 — Quero ouvir Don't Stop — Lucy disse levantando-se, ainda risonha, para pegar seu celular na cômoda do outro lado da cama. 


 — De novo não — Ashton e Kaitlyn disseram em uníssono. 


 Por algum motivo, a garota quisera ouvir essa música em looping no caminho entre o hotel e o local onde fora o show daquela noite, tanto na ida quanto na volta. Porém os protestos não a impediram de tocá-la novamente. Ashton deitou-se no lugar que antes ela ocupava na cama, enquanto ela dançava e Kaitlyn cantarolava. 


 — Melhor hit já feito pelo 5 Seconds of Summer — acrescentou ao fim da música — Acho que vou descer para o meu quarto, gente. 


 — Mas o Ash nem passou mal ainda — zombou Kaitlyn, referindo à indigestão que o mais velho tivera na madrugada anterior. 


 Ele revirou os olhos


 — Você também passou mal depois que a gente comeu aquele hambúrguer ontem? — questionou a garota, que achava ter sido a única. 


 Ashton assentiu como resposta. 


 — Então não foi porque tomei muito café. Aposto que Luke também teve diarréia e não contou pra ninguém — disse levantando-se. 


 Ele esperou que a crise de riso das garotas novamente passasse para se despedir de Lucy. 


 — Amanhã vamos voltar para Los Angeles, te ligo quando acordar — acrescentou abraçando-a. 


 — Boa noite, Ash. Boa noite, Kaykay. 


 Kaitlyn respondeu com um beijo a distância antes de ela sair do quarto. 


 Lucy encontrou Andy no corredor, também indo para seu quarto. Cumprimentaram-se com um sorriso breve enquanto ela esperava o elevador, antes de ele sumir em seu quarto. Continuou sorrindo para seu reflexo no espelho do elevador, apenas por alguns segundos, pois seu quarto era apenas um andar abaixo. 


 Ela sentia-se sóbria, mesmo que um pouco feliz demais. Desde o ocorrido naquela viagem com Charlie e os amigos dele, ela nunca mais bebera o suficiente para deixá-la tonta ou relaxada demais. Sempre contava o que estava ingerindo, não poderia passar de quatro latas de cerveja, reduzindo a quantia pela metade quando estava tomando remédios como antidepressivos. E, acima de tudo, nunca misturava bebidas. 


 Então, mesmo com sua animação um tanto excessiva, sentia-se segura de seus sentidos, confiava em sua memória. Tinha certeza que havia fechado a porta de seu quarto e que era a única que tinha o cartão de acesso a ele. Então por que a porta estava entreaberta? Lucy sentiu seu estômago queimar assim que notou. 


 Abriu a porta lentamente, e adentrou o quarto com as luzes apagadas. Acendeu-as pelo interruptor ao lado da porta, assim que fechou-a, pegando o celular. Ao olhar em volta, já certificou-se de deixá-lo pronto para discar o número da emergência. 


 Estava quase certa de que não havia nenhum invasor quando olhou além das portas da sacada abertas. Sentiu um aperto no peito, com a força de uma marreta, ao ver Luke sentado no parapeito da sacada, de frente para ela. 


 — Lucy, Lucy, Lucy... — disse lentamente, como se tivesse algo em sua língua dificultando sua pronúncia — Cissy...


 Estava tão nervosa que nem notara que ele a chamara pelo apelido que usava apenas quando bebia demais. Mas não deixou de notar a garrafa pela metade de algum tipo de destilado no chão, além da vazia em suas mãos. Ele estava bêbado, muito bêbado. Mas e os remédios?


 — Luke. Desce. Daí. Agora — disse lenta e pausadamente, talvez esse fosse o único jeito que ela conseguia falar sem gritar ou chorar, seu coração parecia ter parado de bater. 


 Ela deu um passo delicadamente para frente, como se estivesse andando em um campo minado. 


 — Não, não chega perto... — ele respondeu, com a pronúncia ainda afetada — Você não deve ficar perto de mim. Eu sou um monstro


 Lucy estava começando a ter dificuldade de entender suas palavras. 


 — Se você descer, eu saio do quarto. Desce, Luke. 


 — Você conhece a pior parte de mim. Só você pode contar essa história. Para você, eu sou um monstro


 — Você tomou o seu remédio? — disse enquanto discava discretamente o número da emergência na mão que segurava o celular. 


 — Tomei e depois dei descarga em tudo que sobrou, pode ver no seu banheiro. 


 Quantas substâncias tóxicas têm correndo pelas veias dele? era tudo que ela podia pensar. 


 O celular de Lucy vibrava levemente quando fazia o beep de seu celular chamando pela emergência


 — Você disse que eu preciso mudar, agora eu concordo com você. Senão, você ia contar a minha pior história e isso é tudo que você tem pra contar — ele continuou. 


 — Eu não faço ideia do que você tá falando. Não vou contar nada a ninguém. Desce, Luke. 


 Lucy desejou muito que tudo isso fosse um pesadelo. O celular parou de vibrar com os beeps da chamada, 911 tinha atendido. Precisava dar um jeito de falar com a emergência sem que ele percebesse. Mas ele parecia estar tão bêbado que nem notaria. 


 — Você pode cair dessa sacada se você não descer — disse mais alto, torcendo para que a pessoa do outro lado da linha ouvisse — Mas você não quer sair daí. Você pode cair do terceiro andar do Holiday Inn em San Diego. 


 — Você nem contaria a minha história se eu pedisse. Você me odeia. O quanto você me odeia? — ele falava como se não ouvisse os pedidos da garota. 


 — Eu não te odeio. Se você descer, eu posso te desculpar pelo o que quer que seja que você tenha feito. Sai. Daí. Luke. Hemmings — continuava a pedir entredentes, ouvia ruídos baixos vindo do celular mas não entendia o que a pessoa dizia. 


 Ela fez questão de dizer o nome completo dele, para que fosse mais fácil rastrearem o hotel onde eles estavam. 


 — Quanto você me odeia? — ele insistiu. 


 — Eu realmente não te odeio. 


 Ele se manteve um segundo em silêncio, antes de começar a gritar:


 — QUANTO VOCÊ ME ODEIA, LUCY?


 A garota perguntava-se ele teria tomado comprimidos demais e poderia estar alucinando. Os nós dos dedos dele segurando a garrafa de vidro estavam esbranquiçados. 


 — Eu não te odeio. — respondeu com dificuldade de fazer sua voz sair, faltava-lhe ar. 


 Quanto mais ele berrava repetidamente, mais a voz da garota saía baixa. Ela não sabia dizer quando começou, mas sentia as lágrimas escorrerem pelo seu rosto, como se não tivesse controle sobre elas.


 — Não posso perdoar o tanto que você me odeia, Cissy — ele disse com a voz rouca, finalmente parando com os gritos. 


 Luke baixou o olhar para suas mãos, como se visse algo nelas, Lucy tinha certeza que ele estava tendo alucinações pela combinação de remédios com álcool e talvez baseado. Suas juntas relaxaram soltando a garrafa, que caiu despedaçando-se no chão.


 Em resposta ao som estridente do vidro se partindo, como um reflexo ou um susto, o garoto recuou para trás. Lucy sentiu seu estômago despencar quando viu seus braços buscando por apoio no ar, onde não tinha nada a que segurar... 


 Ela gritou palavras indecifráveis ao vê-lo caindo da sacada do 3° andar. 


 Sentiu seus joelhos falharem ao cair no chão. Seu celular caíra logo a frente, podia ouvir um murmúrio vindo dele:


 — Senhora...? Senhora?


 Lucy atendeu ao celular. 


 — Alô — disse com as mãos trêmulas, sentia toda sua pele formigando — Preciso de uma ambulância, preciso de ajuda. 


 — Já está a caminho, já rastreamos o hotel. Ele realmente caiu?


 Ela não conseguiu responder. 


 — Senhora, me diga seu nome?


 — Lucy Turner. 


 — Lucy, uma ambulância e uma viatura da polícia já estão a caminho. Preciso que você procure alguém para ajudá-la. Tem mais algum amigo seu no hotel?


 Ainda não conseguia responder. 


 — Por favor, procure alguém ou fique na ligação. Não vá até a sacada, você pode sair do quarto onde está...?


 O celular escorregou e caiu de sua mão, ela não tentou pegá-lo. Com dificuldade pelas pernas trêmulas, conseguiu levantar-se e deixou o quarto com lágrimas borrando sua visão. 


 Quase que involuntariamente, jogou o corpo contra a porta do quarto de Calum logo em frente ao seu. Precisava de ajuda. Então começou a esmurrar a porta, sem sentir seus braços ou suas mãos. 


 — Abre essa merda, Calum — não sabia se estava gritando ou falando muito alto, ouvia apenas com enorme zumbido — ABRE LOGO, THOMAS HOOD — sentia sua garganta arder mas não tinha controle sobre sua entonação. 


 O garoto abriu a porta esfregando os olhos inchados, arregalou-os ao ver a amiga em prantos. Não entedia o que estava acontecendo. 


 — O que aconteceu, Lucy? — disse esfregando as mãos no rosto, forçando-se a acordar. 


 — Luke... Luke caiu... Calum, ele... — ela falava entre tentativas falhas de inspirar, ainda faltava-lhe muito ar, a cada segundo sentia a atmosfera tornar-se mais escassa. 


 — Ei, ei — ele respondeu, segurando os ombros da garota — Calma, ele caiu na escada? Vamos até ele, sem problemas. 


 — Não... Da sacada, ele caiu da sacada...


 O garoto soltou os ombros de Lucy, pensando ter entendido errado suas palavras. Ele sabia que se perguntasse ela não conseguiria explicar o que aconteceu, ele sabia que também não seria capaz de digerir a situação. 


 — Ligou para a emergência? — ela assentiu, Calum se esforçava para pensar no que fazer, ainda não conseguia acreditar no que a garota estava lhe dizendo. 


 Ele esticou o pescoço e viu a porta do quarto dela semiaberta, pensando que Luke podia ter estado em seu quarto. Mas ainda não fazia sentido, a não ser que... os baseados, os remédios...


 Como era possível? Ele não estava sozinho, a não ser que...


 — Michael — disse saindo de seu transe — Cadê ele?


 — Não sei... Luke... sozinho... — respondeu ainda com dificuldade de respirar. 


 — Eu preciso chamar Ashton. Você pode ficar aqui? Esperar por mim no meu quarto — ele não sabia qual seria o plano ao informar o amigo, mas foi a primeira ideia a qual conseguiu se prender. 


 Ela não respondeu, mesmo assim o garoto guiou-a com um empurrão delicado para dentro de seu quarto e seguiu em direção ao elevador. Assim que a porta se fechou, ela apoiou-se na parede para impedir que suas pernas trêmulas a derrubassem. Se Calum perguntou sobre Michael, eles deveriam estar juntos antes de... 


 Lucy impulsionou seu antebraço contra a parede, para que seu peso a forçasse a se mexer. Olhou em volta, vendo algumas regatas de Calum jogadas pelo quarto e sua cama bagunçada, em busca de algo, em busca dos cartões de acesso que ele distribuíra a todos no dia anterior. Haviam dois para cada quarto e ele dera apenas um para cada pessoa. Mesmo com dificuldade de olhar os cômodo, pois tudo parecia estar girando, formando um grande borrão, ela achou alguns cartões na mesa ao lado de uma garrafa de água pela metade. Pegou todos antes de deixar o quarto. 


 Ela sabia que o quarto de Hemmings era ao lado do seu, então foi em direção a ele. Calum tinha um chave de acesso para o quarto de quase todos da equipe; Lucy enfrentou momentos de pânico ao ver a luz vermelha da maçaneta acender-se repetidas vezes. A cada tentativa falha, derrubava o cartão do chão. Quando restavam apenas três em sua mão, a porta abriu.


 A garota abriu-a jogando todo seu peso contra ela, adentrando o quarto enquanto puxava o máximo de ar que conseguia. Cobriu a boca com as mãos, derrubando as chaves que ainda segurava, ao ver Michael deitado de olhos fechados no chão com os membros dispostos de maneira aleatória, como se tivesse caído. 


 — Clifford, acorda — ela disse ajoelhando-se ao seu lado — Mas que merda aconteceu aqui? — murmurou para si mesma. 


 Lucy abaixou a bochecha para perto de seu rosto, aliviada ao sentir o ar expirado do garoto chocar-se contra sua pele. Ele provavelmente só estava dormindo. Então ela olhou em volta dele pelo chão do quarto. Um pouco acima de sua cabeça, ela viu dois copos, um pela metade e outro vazio. Esticou a mão para cheirar o que havia nele, tequila pensou franzindo o nariz. 


 Michael odiava tequila. O outro copo cheirava a whisky. 


 Largou os copos do seu outro lado, seguindo com o olhar para a mala aberta encostada na parede. Prendeu o ar ao ver as garrafas de vidro ao canto dela, algumas pela metade, outras ainda fechada. Eles tinham bebido juntos. Luke não podia beber e Michael sabia. Ela olhou para o amigo adormecido novamente e perdeu o controle de si. 


 Não sabia como nem por que, mas no instante seguinte se viu chacoalhando Michael pela gola da camiseta. 


 — O que você fez com ele? — ela gritava. 


 Ele acordava aos poucos, um pouco assustado mas muito adormecido pelos efeitos do álcool e dos baseados. 


 — Por que vocês fizeram isso? POR QUE, MICHAEL? — sua voz soava cada vez mais alta. 


 Ela não conseguia ouvir as sirenes ao fundo de seus gritos, não conseguia ouvir nada além da própria voz e um zumbido, tudo ainda parecia um grande borrão. Não soube dizer quanto tempo se passou até sentir alguém lhe puxar do chão pelas axilas, forçando-a a levantar. Ela continuava agarrada à gola de Michael. 


 Tudo se passou de maneira lenta sob seus olhos, ela soltou-o ao ver alguns paramédicos adentrarem o quarto se aglomerando em torno do garoto no chão. Ela virou para ver que Ashton a havia puxado do chão, ele a levava para o corredor, ao encontro de uma enfermeira. Lucy via seus lábios mexerem mas não conseguia entendê-la, seus ouvidos zumbiam cada vez mais alto. Ela não resistiu quando passaram o elástico da máscara de inalação por trás de sua cabeça, forçando-a a respirar o vapor que chegava excessivamente em suas narinas. Viu-se sentada no chão acompanhando o movimento de inspirar e expirar que a enfermeira fazia com ela. 


 Aos poucos, seus pensamentos tornaram-se menos barulhentos, sua vista menos turva. Mas ainda não conseguia digerir tudo que acontecera, tinham tantas lacunas vazias, nada  fazia muito sentido para ela. 


***


  Lucy foi a última a ser interrogada. Ashton e depois Calum, separadamente, não demoraram muito na sala com um policial e um delegado. Ambos pareciam ser muito gentis, lamentaram pelo acidente ocorrido e ofereceram café a eles. Ela preferia ter ido primeiro, mas os policiais exigiram que seguissem a ordem alfabética. Repassara todas as dicas de seu pai antes de Calum voltar, anunciando que seria sua vez. 


 — Depois disso vamos para casa, Lucy — Ashton disse, sorrindo levemente. 


 Eles ainda estavam em San Diego, já era quase a hora de fechamento da delegacia. Assim que os interrogatórios terminassem, eles voltariam para suas casas em Los Angeles. Calum fora para o hotel arrumar suas malas e as de Lucy, o que não fora tão difícil por ela ser muito organizada. As malas já estavam no porta malas, quase todos da equipe já haviam ido embora, até Kaytlyn já estava em LA e Michael a caminho, por ter recebido alta. Lucy ficaria na casa de Calum naquela noite, antes de voltar para o quarto de hóspedes de Michael. 


 Sua boca estava muito seca quando sentou-se na mesa do interrogatório, de frente com o delegado. Não era o mesmo que falara com seus amigos, era um que aparentava ser mais velho, mais carrancudo. Não lhe oferecera nem café nem água quando se sentou. 


 —  Lucy Turner... — disse lentamente, revezando o olhar entre os papéis em sua mão e os olhos da garota — Você foi a única que presenciou a queda. Correto? — ela assentiu, ele permaneceu encarando-a como se esperasse algo a mais. 


 — Sim — respondeu por fim, sua voz saíra rouca. 


 — Onde você estava antes de ir ao seu quarto ontem a noite? Não minta, temos as gravações do corredor do hotel — acrescentou em tom de ameaça. 


 — Eu estava no quarto do Ash... Ashton — corrigiu-se pela carranca do homem — com a namorada dele. 


 O delegado soltou um resmungo, como se esperasse que ela respondesse algo errado. Lucy sentia-se em uma armadilha, as palmas de sua mãe suavam. 


 — Que horas você visitou Calum Thomas Hood e como foi esse encontro?


 Quando bateu na porta do amigo, sua visão já estava embaçada e suas pernas já falhavam em mantê-la de pé. 


 — Não vi a hora. Fui pedir ajuda, não me lembro muito bem. 


 — E onde era o quarto dele? — disparou, como se tivesse testando sua memória. 


 — Na frente do meu, no andar de baixo de Ash... Ashton — corrigiu-se novamente. 


 — Antes de ligar para a emergência, o que aconteceu entre você e Luke Robert Hemmings?


 — Por que você usa os nomes completos? — questionou, sentindo-se ofegante. 


 — Questões burocráticas. Pode responder, por favor


 — Eu liguei assim que o vi, não aconteceu nada. 


 — Vocês não se aproximaram em nenhum momento? — ela negou com a cabeça — Notou algo de estranho em seu amigo?


 — Ele parecia bastante bêbado mas não me lembro da conversa — respondeu, tentando resgatar as táticas sugeridas pelo pai. 


 Por favor, que isso esteja acabando ela pensava. 


 — As ligações para a emergência são gravadas, não sei se você sabe. Ao início, não é possível ouvir o que ele diz, acreditamos ser por causa da distância. Mas ao longo da ligação é possível ouvi-lo, indicando que você se aproximou dele.


 Lucy sentiu seus dedos formigarem com as palmas ainda suadas. Ela não se aproximou dele, não mexeu os pés. Será que ela podia não se lembrar que foi andando até ele?


 — Não, eu... eu não me aproximei dele... não me mexi...


 — Como explica que a voz de Luke Robert Hemmings se tornou audível na ligação então?


 — Ele começou a gritar...


 — Você disse que não lembrava. Está confusa, Lucy Turner?


 — Não me lembro exatamente dos detalhes — ela prosseguiu com a voz rouca e trêmula. 


 — O que aconteceu antes de ele pular? É possível ouvir movimentação. 


 — Ele não pulou, ele caiu... — insistiu — E uma garrafa de vidro quebrou no chão. 


 — Tem certeza que não disse nada que possa te-lo instigado ao ato?


 — Perdão?


 — Creio que minha pergunta foi clara — ela permaneceu em silêncio — Tem certeza que não se aproximou o suficiente dele para poder empurrá-lo?


 — Não, eu... eu nunca... 


 Lucy não sabia como explicar para ele, não encontrava palavras. 


 — Certo. — disse levantando-se — Obrigada pelo seu tempo, Lucy Turner — acrescentou antes de deixar a sala.


 Ela concentrou-se em acalmar sua respiração e saiu incrédula. Sentia que tudo havia sido uma armação para taxá-la como culpada. 


 Quando encontrou Calum e Ashton, não disse nada além de "quero ir embora". Mesmo com suas perguntas e gestos de preocupação, ela ignorou-os durante as mais de 2h do percurso até LA. Sentia que eles haviam-na enganado. Eles ficaram de certa forma frustrados, esperavam que ela lhe contasse com detalhes o que acontecera com Luke, pois também não sabiam ainda. 


 Ao carro finalmente estacionar na garagem da casa que Calum dividia com seu amigo Roy, ela abriu a porta em um solavanco, saindo depressa. Não sabia por que sentia tanta raiva mas queria distância deles. Porém eles insistiram em segui-la. 


 — Ei, Lucy — Ashton seguiu-a enquanto ela pisava duro até a porta — O que foi? O que você tem?


 Calum observava ainda parado ao lado do carro. 


— Você mentiu pra mim, Fletcher — Lucy disse, virando para ele no gramado da entrada da casa — Você mentiu, porra — seu tom aumentava enquanto ela regredia seus passos em direção ao amigo. 


 — O quê? — questionou confuso, tentando acalmá-la mas as lágrimas não paravam de descer pelo seu rosto.


 Lucy começou a tentar empurrá-lo, mas, mesmo com toda a força da garota, ele não se movia mais do que poucos passos para trás. Quando ela ficou mais violenta, tentando alcançar-lhe com tapas, Calum correu até ela para segurá-la. Ele passou o braço por trás do tronco dela, como um gancho, impedindo-a de se mover para frente. Mesmo assim ela ainda tentava exaustivamente. 


 Ashton nunca a tinha visto daquele jeito, não sabia como reagir. 


 — Você disse que ninguém suspeitava de mim — falou parando de tentar atacá-lo por alguns instantes, recuperando o fôlego — Mas todas as perguntas deles eram pra tentar me incriminar— ela respirou fundo antes de avançar para cima dele de novo — Seu mentiroso do caralho! — não tinha certeza se referia-se a Ashton ou ao policial.


 O garoto permaneceu sem reação, enquanto Calum se esforçava em segurá-la. 


 — Eu também sou amiga dele, porra, mais do que você, do que vocês dois! — ela falava cada vez mais alto — Eu estive lá por ele em momentos que vocês não estiveram. Por que eu estou sendo acusada de ter feito isso? Por que eu


 O mais velho reconheceu nela a raiva, assim como a de sua mãe quando era mais jovem. Sabia que ela precisaria liberá-la, mesmo que você em cima dele. Então ele só olhava, tentando manter uma distância segura, tentando reconhecer qualquer traço de sua amiga naquela imagem aos prantos tentando atingi-lo.


 — Você é tão culpado quanto eu. Você, Irwin, só brigou com ele nos últimos meses. Ele estava triste também por sua culpa... Não fui eu. Que merda, Ashton! 


 Então ela puxou todo o ar que pôde para soltar os gritos mais altos que pôde:


 — Eu odeio você. Me solta, Calum! — berrou empurrando o braço do amigo — Eu odeio todos vocês por me tirarem da minha casa pra isso...


 Não conseguiu terminar a frase por não conseguir conter um soluço, conseguiu, finalmente, afastar o braço de Calum para longe dela. E, ao correr em direção a Ashton, em vez de bater nele, ela apenas tentou inconscientemente abraçá-lo, buscando conforto. 


 Ouviu os passos de Calum se aproximarem por trás dela, mas não entendeu o que ele murmurou para o amigo. 


 — Ela tá sob muito estresse — Ashton sussurrou em resposta.


 Após isso, o mais novo passou os dedos levemente entre os cabelos dela, enquanto ela chorava imóvel nos braços de Ashton. Se ele a soltasse, ela provavelmente cairia no chão.




Notas Finais


Muito obrigada por ler até aqui, espero muito que tenham gostado! Se quiserem, vou adorar saber o que estão achando da história 🧚🏼‍♀️
Até sexta que vem!


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