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História Bestial - Capítulo 1


Escrita por: e Neverland_Pjct


Notas do Autor


Era para eu ter postado há uns 4 dias? Era, mas eu esqueci kdhkjf

Agradecimentos:
. @yatsura por ter sido meu beta reader prft e ter entregue a betagem mto rápido, além de ter feito um trabalho maravilhoso
@Venuhs por ter feito essa capa linda e maravilhosa, eu amei dms aaa

Capítulo 1 - Capítulo único


— Tem certeza que isso vai dar certo? — Norman indagou, preocupado e descontente com a patrulha.

 

— Estamos perto de onde ele apareceu pela primeira vez. — Emma respondeu, amarrando a barra de seu longo vestido.

 

— Você não deveria estar aqui. — Ray comentou, preocupado e exausto, com a pele eriçada devido ao medo.

 

— Ora, nunca foi de repreender-me quando queria viver uma aventura, qual é o problema desta? — acabou rindo. Gostava do perigo e a densa floresta parecia ainda mais interessante.

 

O problema. Este era o ponto onde queria chegar, havia combinado com Norman tudo direitinho, seria morto pelas mãos do amigo no meio da caçada, porém, deveria ter se tocado que sua mulher jamais iria perder um evento como aquele. Conforme iam se aproximando, Ray conseguia sentir as garras de sua mão crescendo lentamente, podia lembrar bem da vítima que matou naquele local, uma mulher alta de cabelos negros como os seus.

 

Sentia culpa, mas a maldição era pior que o fardo de mortes que carregava, tomava conta de sua alma — esta, ele pensava não ter salvação — e mente, tornando-o totalmente submisso ao vírus. Queria não ter aquela sensação, mas além da culpa, o medo de ser atingido por uma bala era óbvio, contudo, achava que merecia o fim trágico e em seu âmago, desejava acabar com a onda de assassinatos iminentes em Grace Field City.

 

— Fique a postos — a ruiva mais uma vez alertou —, estamos chegando perto.

 

— Creio que aquela colina é um lugar bom para chamá-lo. — Ray sugeriu, caso algo desse errado, a queda daquele local poderia matá-lo.

 

— Uma boa ideia. — Norman disse, preocupado com o amigo.

 

Em silêncio, foram até o lugar sugerido, Ray tremia mais que todos, nem se preocupava com o fim de sua vida, imaginava a cara de decepção de sua mulher ao descobrir que ele era aquela fera terrível. “Fui casada com um monstro”, imaginava ela dizendo aquelas palavras aos moradores, “Recuso-me a acreditar que um dia já me amou, não sei também se já o amei, pois animais não possuem coração”, mesmo que soubesse que ela nunca iria dizer aquilo, torturava-se pensando nas possíveis reações.

 

Quando a lua estava quase subindo, conseguiram subir no local, Emma estava com as balas de prata nas mão esquerda e o mosquete preparado na mão direita, enquanto Norman tentava pensar na melhor alternativa para continuar aquilo. Não parecia, mas estava mais nervoso que todos, perder o melhor amigo por suas próprias mãos era algo que nunca havia passado por sua cabeça antes, além de que, teria de dar apoio a viúva — mesmo que estivesse tão quebrado quanto ela.

No plenilúnio, o corpo do moreno passou por diversas alterações, pelos cresceram pela sua pele lisa e os braços finos foram ficando mais grossos, músculos cresceram perante seu corpo magro e mostraram sua verdadeira face. Aos poucos, o rosto foi crescendo até virar uma fera completa, os olhos negros, caíram nos chão e foram cobertos pela terra, para dar lugar aos brilhantes e amarelados olhos caninos.

 

O horror percorreu a espinha de Emma, sentiu uma brisa fria por seu pescoço, mas aquele ainda era seu marido. Tentou aproximar-se mais da fera, esta arranhou-lhe o braço, ainda não tinha sido o suficiente, ela queria tocá-lo mais uma vez, quem sabe recuperaria a humanidade? Norman viu aquele movimento e preocupado, pegou a arma da mão da mulher a sua frente.

 

Emma o viu olhá-la, ainda era humano, tinha sentimentos e lutava para se libertar da besta que havia se tornado, ainda mais perto dele, foi empurrada por Ray — uma tentativa de protegê-la. Ele queria poder falar algo, essa era uma das piores coisas da licantropia, tinha seu raciocínio intacto, porém, suas ações não pareciam ser controladas pelo mesmo, e os pensamentos de culpa, receio e medo falavam mais alto.

 

As balas em sua mão caíram no chão e foram pegas por Norman, ele amava o amigo, mas a pedido dele, iria protegê-la. Ray tentava segurar seu lado animal o máximo possível e contorcia-se como uma criança amedrontada por uma história de terror. Correndo em direção a prata, ouviu o grito de histeria e desespero vindo da boca de Emma:

 

— Não! — estendeu as mãos até o lugar onde caíram, mas não foi suficiente para alcançar.

 

— Estou fazendo isso por você, Emma. — colocou as balas na arma e mirou o coração de Ray.

 

A bala perfurou-o com destreza, foi muito rápido e por mais que tentasse, Emma não conseguia lembrar de nada depois que viu o corpo do marido cair e das lágrimas e gritos estrondosos que deu. Naquela noite, a cidade inteira ouviu as lamúrias e lamentações da desolada alma da ruiva, seu choro era forte e continuou durante toda a noite, mesmo depois de ir para cama, por algum motivo, lágrimas ainda caiam de seu rosto.

 

•⊰❂⊱•

 

— Quando o corpo dele voltou ao normal, pude escutar suas últimas palavras, ele disse “Eu te amo, Emma. E não importa para onde eu for, vou continuar te amando”. — Norman falou se retirando.

 

Aquelas palavras doíam mais que uma facada em seu peito. Olhando para o corpo de Ray, Emma chorou desatenta com o que acontecia ao redor, gritos ecoavam em sua mente desgastada e tornavam seu estado ainda mais insalubre. Já destransformado, mantinha a aparência dos cabelos pretos e brilhantes, rosto liso e sem rugas. Era como se a morte houvesse aliviado a expressão séria que costumava ter no rosto, como se tivesse deixado tudo mais suave.  Beijando as bochechas pálidas dele, despediu-se do caixão dizendo:

 

— Como poderia ser tu, a fera que mais temia?

 

Despediu-se do licantropo e ao ver o caixão fechar, saiu do cemitério as pressas, o vestido atrapalhava mas ainda sim caminhou sem rumo pela floresta, com o objetivo de descobrir um segredo obscuro ou um modo de ressuscitar seu marido. Lembrou da voz dos pastores quando era ainda uma garota frágil e ingênua “A ressurreição pertence a Deus, ele tira ou dá vidas”, mas para falar a verdade ela sempre acreditou no sobrenatural, custou a acreditar pela falta de agitação em sua vida.

 

Tudo que conseguiu encontrar, foi musgo e ossos, falhou. Parece que sua busca por perigo havia levado-a para um caminho cujo não havia volta, talvez em breve fosse se encontrar com Ray, ou permanecer em Grace Field, lugar este que lhe deu e também tirou tudo.



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