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História Betcha - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Two


O primeiro dia de aula sempre pode ser a pior coisa na vida de alguém. Oh Sehun sempre foi muito protegido pelos avós desde criança por ser um filhote muito doente, vivia no hospital com problemas respiratórios. Tudo aconteceu em sua vida de maneira complicada. Quando nasceu foi rejeitado pela omma que entrou em depressão pós parto e nunca conseguiu amá-lo, sequer olhava para si por ele ser fruto de uma noite entre ela e um poderoso empresário. Conforme dava os primeiros passos, a indiferença era cada dia maior até que, foi completamente abandonado fazendo o verdadeiro pai ter que cuidar dele depois de ter sido um escândalo na mídia o famoso ter se deitado com uma prostituta e nascer um filho fora do casamento.

A madrasta claramente não gosta dele e sempre tratou de fazer diferença entre ele e o meio-irmão que assumiria a empresa, durante uma segunda traição enquanto o marido viajava, a esposa teve um surto e deixou as duas crianças trancadas em uma noite chuvosa, ficaram trancados dentro de casa, sem comida, banho ou proteção. Seu meio-irmão tinha cinco anos e Sehun, quatro anos, que tentava cuidar do menor já que tinha aprendido algumas coisas como fazer mamadeira, mas os alimentos começaram a acabar e durante a semana, caiu neve fazendo-os ficarem presos e famintos. Os pequenos choravam noite e dia, passou-se uma semana assim, apenas bebendo água. Os vizinhos escutaram e chamaram a polícia que invadiu a casa e encontrou os pequenos desidratados. Receberam os cuidados no hospital e a guarda ficou com os avós paternos que se horrorizaram com a situação dos netos.

Conforme os anos se passavam acabaram percebendo que Sehun não progredia muito, passou a agir com frieza e indiferença para tudo. Deixando espaço apenas para seu irmão mais velho.

A adolescência veio e Sehun já se comunicava mais. O primeiro cio foi doloroso, não conseguia entender que dor era aquela, visto que fugia da maior parte das aulas.

Jongin nunca estranhou o comportamento do irmão e deu todo o apoio do mundo, mesmo vivendo seus dilemas na escola, sobre gostar de alfas mesmo sendo um. Era tudo uma verdadeira droga que melhorou depois que assumiu de vez seu relacionamento com Do Kyungsoo, o garoto rico da escola. A família do alfa nunca foi tradicional e aceitou prontamente o namoro do filho. Jongin teve certo receio do namorado conhecer o irmão, mas ele também se mostrou muito aberto a conhecê-lo.

Quando foi anunciado que Sehun iria estudar na mesma escola que Jongin, o alfa temeu. Sempre teve medo das pessoas fazerem mal ou perturbar Sehun e ele voltar a ser aquele garoto mais violento de antes.

– Ninie... – Ouviu Sehun chamar, apesar de ser um alfa, o irmão sempre agiu de modo fofo e até fazia voz mais infantil quando queria pedir ou falar alguma coisa. Jongin sempre entendeu que o irmão tinha carência, devido os grandes abandonos da vida. O próprio pai assumiu a paternidade, mas nunca foi de fato uma pessoa presente na vida do filho. Os irmãos tiveram apenas o apoio dos avós que se preocupam com os netos.

– Oi meu príncipe?

– Aish... Eu não sou um príncipe. – Jongin riu baixo e chamou o irmão para o colo, além de carente Sehun também se tornou chantagista demais. Desde criança tinha o costume de pedir colo, dormir abraçado ao irmão, mesmo com a sociedade dizendo que alfas devem ser independentes.

– Tudo bem. Você quer alguma coisa?

– Como é a escola? Você tem muitos amigos? Não queria ser obrigado a estudar de novo, prefiro ficar em casa.

– Hm... Você se lembra do que o avô explicou ontem? – Ele balançou a cabeça assentindo. – Existem muitas pessoas que não concordam com o jeito que a gente se veste, fala ou comporta, ou com nossos relacionamentos, não é por inveja, mas apenas não entendem. O mundo ensina para eles desde filhotes que não se deve namorar alguém de mesma classe e olha onde estou?

– Como você e o Sehun lidam com isso? Você me disse que nunca bateu em ninguém, penso que eu não conseguiria. – Jongin riu do irmão e concordou.

– Às vezes eu me pergunto se sou uma boa influência sabe? Você nunca se relacionou com ômegas, na maioria das vezes aparecia com betas, me assustei quando disse que ficou com alfas também. Esperava te ver vivendo de modo mais fácil, seguindo o fluxo da vida. Tem muitas pessoas hoje, como eu, que não concorda com as imposições de classes, mas eles têm medo de sair por aí dizendo que gostam da mesma classe para não serem julgados.

– Então, eles não vão gostar de mim. Sabe como sou. Nunca fui muito paciente, posso ser essa pessoa aqui com você, mas fora de casa, é um Sehun cheio de cicatrizes que me fazem olhar o mundo de maneira diferente. Estou julgando as pessoas todo tempo, arrumando brigas.

– Você sempre vai encontrar pessoas ruins em um caminho de flores, assim como encontrará boas em um caminho de espinhos. – Kyungsoo entrou no quarto dizendo essas palavras fazendo Jongin suspirar apaixonado. O alfa mais velho sempre seguiu certas filosofias de vida e leva uma bagagem como se tivesse vivido muito tempo, mesmo que, na verdade, seja apenas um garoto de 19 anos.

– Então a escola é um caminho de espinhos?

– Não só a escola, mas a vida. Quando temos que viver com outras pessoas ao redor, elas podem não concordar com nosso estilo e dizer coisas ruins, por isso a vida é cheia de espinhos, mas sempre encontramos boas pessoas tentando sobreviver nesse mesmo caminho, por exemplo, eu sempre fui julgado por gostar de alfas, e Jongin também. Tentamos sobreviver neste mundo espinhoso e mesmo sendo tão ruim a vida deu um jeito de nos juntar, então ele é a minha pessoa boa no meio dos espinhos, assim como você é para nós. As pessoas que nos aceitam como somos são nossas flores.

– Isso foi lindo. – Jongin murmurou. Sehun riu e se deitou ao lado do irmão.

– Eu vou encontrar minhas flores e plantar um lindo jardim com elas. – Sehun disse inocentemente. Kyungsoo ficou apreensivo, mas deseja que o cunhado encontre alguém para o guiar nesse caminho. As pessoas da escola costumam ser rudes e ofensivas quando querem e pelo jeito inocente do irmão sabe que isso só dá mais motivos para serem cruéis. Lembra-se todos os dias de como via Luhan ouvindo todas aquelas coisas sem poder se defender. As pessoas eram como verdadeiros monstros procurando destruir a vida dos outros.

– Eu espero que seja o jardim mais bonito de todos, porque você merece.



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