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História Betsu no Isekai de Futatabime no Chansu - Capítulo 1


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Notas do Autor


Adivinhem quem vai copiar uma boa parte do conteúdo dos animes e mangas do gênero ISEKAI? EU MESMO!!!!!!

Capítulo 1 - Capítulo 01; Outra vida em outro mundo


Para qualquer um era um dia normal, exceto para uma jovem pálida com olhos quase tão azuis quanto o céu acima de sua cabeça e um cabelo castanho que nitidamente não era bem cuidado. A jovem, vestindo somente uma roupa hospitalar branca, tossia por alguns segundos na confortável cama. Sua reclusão foi interrompida por uma enfermeira que apenas deslizou a porta de entrada/saída do quarto e pôs uma das mãos em suas costas e observou as mãos da paciente...por entre seus dedos escorria um líquido vermelho e um fraco, mas presente cheiro de ferro.

- Sua tosse está cada vez mais frequente... – A enfermeira comentou depois de olhar para o horário em seu smartphone. -...e demorando mais a passar. –

- Só me dê um papel para limpar minhas mãos. – A jovem sussurrou aquelas palavras já que não possuía forças em seu corpo para aumentar seu tom. – Nada do que disse vai mudar o que eu tenho. –

Câncer de Pulmão era a doença da jovem que, por negligência, recusou procurar por algum médico quando sua tosse surgiu a pouco menos de dois meses acreditando que era apenas uma tosse, mas isso mudou quando desmaiou num trem após tossir sem parar por um interminável minuto.

- Quer mais alguma coisa? – A enfermeira perguntou depois de entregar alguns lenços umedecidos para a jovem e a observou limpar suas mãos e os lábios. – Está sentindo alguma dor? –

- Não, nenhuma dor. – A jovem comentou enquanto enrolava o lenço umedecido numa simples bolinha e a jogou na direção de uma cesta de lixo e prosseguiu quando percebeu ter errado. – Quero apenas ver meu médico. –

“Como sentiria dor com toda a quantidade de remédio que me dão constantemente?” pensou e observou a enfermeira se agachar para pegar a bolinha e a jogar no lixo e sorriu para a mesma quando ela lhe lançou um sorriso com um olhar que ela compreendeu. E odiou no segundo que o recebeu pela primeira vez. A expressão era simples, mas carregava o mesmo sentimento: Dó. Ela detestava que sentissem aquilo a seu respeito. A enfermeira deixou o quarto e a jovem se acomodou da melhor forma que podia na cama e fechou seus olhos fatigados assim que viu a hora no relógio que ficava na cômoda a poucos metros da janela que lhe entregava a visão de um jardim aonde os pacientes iam para descansar ou receber suas visitas. Ela abriu seus olhos novamente quando sentiu um toque suave no braço direito e ficou em silêncio mesmo quando seus olhos azuis encontra-se com os castanhos do médico que cuidava dela nas últimas semanas e que ela nunca se importou de perguntar o nome do mesmo.

- Como vai? – O médico perguntou depois de remover os dedos do braço da paciente e guardar suas mãos nos bolsos da calça escura que vestia junto da camisa social e do clássico jaleco branco.

Ela sabia que não precisava respondê-lo. A pergunta era apenas para quebrar o gelo entre paciente e médico. Sua atenção foi mesmo para alguns documentos que estavam depositados na cômoda que ela olhou antes de adormecer e não precisou olhar para saber que o médico virou o rosto para saber o motivo de sua concentração.

- Sim, são os seus resultados. – O homem comentou e esfregou seu nariz antes de pegar os documentos e se acomodar numa cadeira de ferro e resmungar de dores nos pés. – O câncer continua mesmo depois de uma dose alta de quimioterapia e remédios pesados. – Havia um pouco de desgosto no tom usado por aquele homem como se soubesse que lutava em algo que já perdeu.

- Trouxe? – A jovem perguntou e sabia que não precisava dizer muita coisa para que seu médico entendesse o que a mesma queria.

- Aqui... – O homem comentou.

Ele tirou debaixo dos documentos um papel diferente do restante e o pôs acima de todos como se fosse mais importante que o resto. Era uma folha que necessitava unicamente de sua assinatura. Ela havia feito um acordo com aquele médico quando chegou naquele hospital: se o câncer permanecesse, ela doaria todos seus órgãos. Ela assinou e após um suspiro de alivio entregou o documento para o médico. Não havia necessidade de avisar qualquer parente já que não tinha ninguém para ser avisado. Não que ela não tenha alguém no mundo com ligação de sangue, mas sim que após um acidente envolvendo seus pais a imensa família se distanciou dela. O homem silenciosamente guardou o papel dentro dos documentos e num sorriso amistoso deixou o quarto. A jovem buscou pelo conforto em sua cama e novamente adormeceu sabendo que da próxima vez que acordasse iria para uma sala maior e diferente daquele quarto que a colocariam para dormir e não acordaria mais. E, como previsto, acordou algumas horas depois com o mesmo médico lhe chamando pelo nome que utilizou pelos últimos dezessete anos. Havia alguém – um funcionário que ela ainda não conhecia – que carregava consigo uma cadeira de rodas e ela entendeu depressa o objetivo ali. Na realidade seu corpo estava tão fraco que qualquer, até mesmo ela, duvidava que chegasse ao corredor sem perder as forças nas pernas.

- Está pronta, Megan? – O médico perguntou.

- Meus amigos me chamam de Meg. – Ela comentou e fingiu um sorriso pelo canto dos lábios e prosseguiu depois de sentar-se na cama. – Sim, estou. –

A jovem com ajuda deixou a cama e se acomodou na cadeira de rodas e desta forma deixaram o quarto hospitalar e caminharam pelos corredores e alguns minutos depois chegam a um elevador e ela observou, em silêncio, o médico apertando a tecla do quarto andar e as portas se fechando dois segundos depois. Ela cobriu a boca com suas mãos e tossiu algumas vezes e sequer se incomodou de olhar suas palmas para ver o pouco sangue presente nelas.

Em alguns minutos já estava tudo pronto. A jovem já se encontrava na mesa de cirurgia e sentindo o efeito da anestesia enquanto era envolvida por médicos bem habilidosos.

Megan fechou seus olhos pela última vez. Fechou seus olhos pelo menos naquela vida, ou melhor, naquele plano. A jovem abriu novamente seus olhos azuis e ficou em silêncio ao perceber que não se encontrava mais na sala de cirurgia. Nem sabia que tipo de lugar era aquele que estava. Estava num lugar que era apenas branco e a água que andava era uma mistura de escuridão e estrelas. Ela achou estar sozinha até que uma pessoa emergiu da água. Bom...parecia ser uma pessoa já que tinha corpo humano, mas não havia olhos ou qualquer outra coisa além de uma boca e orelhas.

- Desculpe, mas não acreditava até agora em céu ou inferno. – A jovem quebrou o desconfortável silêncio.

- Não estou aqui para leva-la a um desses lugares. – O estranho ser disse tais palavras carregando um tom amigável para a visitante. – Seu último ato foi heroico na medida certa. –

O desconhecido estalou seus dedos e imagens começaram a ser transmitidas na água noturna: pessoas, muitas delas felizes, caminhando ou descansando ou fazendo qualquer outra coisa.

- Por conta de seus órgãos essas pessoas receberam a oportunidade de continuarem tecendo seus destinos. – O estranho ser novamente estalou os dedos e a água noturna retornou ao normal. – Estou aqui para oferecer apenas uma vez a chance de viver uma segunda vez. – O estranho ser levou o braço direito a frente de seu corpo e prosseguiu. – Outra oportunidade de vida em outro mundo. –

- Você é... – A jovem foi interrompida antes que tivesse a chance de concluir seu comentário.

- Deus? Em seu mundo? Não. – O estranho ser comentou e lentamente o sorriso de seu rosto foi se desfazendo. – Em meu mundo? Sim, ao menos um deles. – O desconhecido prosseguiu depois de dar alguns passos na direção da jovem visitante. – Meu poder está limitado aqui, mas sou capaz de lhe oferecer outra vida em meu mundo. –

- Que tipo de mundo? – A jovem perguntou e continuou recuando os passos exatos que o desconhecido deu ao se aproximar. – Meu mundo esta avançando em tecnologia e, quem sabe, dentro de algumas décadas possamos colonizar outros planetas. –

- E conseguirão. – O estranho murmurou e prosseguiu aumentando sua voz. – O meu está “conectado” com uma fonte de energia que pode ser usada por qualquer um que saiba manipula-la. – O estranho recuou seu braço e depois os cruzou, mas continuou. – Existem diferenças entre os nossos mundos, mas também suas incontáveis semelhanças e passaríamos horas discutindo isso. E eu imagino que aproveitaríamos dessa discussão que não levaria a nenhum lugar. Mas meu poder, além de limitado, está diminuindo quanto mais tempo passamos conversamos. -

- Eu quero... – A jovem comentou depois de um silêncio de alguns segundos desconfortáveis. -...me reencarne em seu mundo. –

O sorriso, antes desfeito pelo estranho, ressurgiu. O desconhecido se aproximou um pouco mais da jovem, mas parou numa distância de um metro e lhe mostrou a palma de sua mão direita. Megan segurou na mão do desconhecido e sentiu um estranho e confortável calor que a permitiu um último sorriso. A água de noite estrelada se alterou uma vez mais para um céu azul e com algumas nuvens que se moviam por responsabilidade de algum vento.

- Até nosso próximo encontro. – O estranho disse uma última vez e alargou o máximo que pôde seu sorriso.

Num segundo Megan estava em pé e de frente com aquele estranho e no outro estava caindo. Despencando daquele céu azulado como se o mesmo não fosse mais aquele lago físico que ela pisava a, literalmente, poucos segundos atrás. A jovem olhou uma última vez para o estranho que não buscava ajuda-la na queda e que gentilmente acenava para ela num sinal claro de despedida. Megan imaginou que não deveria sentir medo naquele momento e com isso em mente abriu seus braços e inspirou uma última vez e lentamente soltou o ar de pulmões que funcionavam corretamente e, como em sua vida passada, fechou seus olhos e sibilou um “até mais” para sua vida anterior...um até mais para todos aqueles anos de estudos que poderiam, ou não, ajuda-la naquele mundo...um até mais para as poucas amizades que adquiriu e sabia que não seria lembrada por ninguém exceto por aqueles que teriam um pedaço dela em seus corpos...um até mais para a cicatriz em seu coração que surgiu após o acidente de seus pais.

Enquanto isso num vilarejo cercado por lagos e plantações, ou melhor, numa cabana de dois andares construída há alguns anos, uma mulher de cabelo longo e da mesma cor que seus olhos, ou seja, castanho, urrava com todas as forças naquele começo de tarde enquanto recebia auxilio de uma anciã naquele incomum parto. Sua aparência deixava óbvio que nada mais era que uma humana em seus vinte e cinco anos. E ela agarrava a mão direita de uma figura masculina ao seu lado enquanto urrava e expulsava algo de seu corpo. Seus olhos aguados por um momento sobem e analisam o homem de cabelo branco que encobriam suas orelhas alongadas e olhos azuis claros e quanto sorria e mostrava os caninos maiores...cada característica de sua aparência pertencendo aos élficos daquele mundo.

- Força! – Gritou a anciã após bater na coxa esquerda da futura mãe ao perceber a falta de concentração da mesma. – Uma última vez. –

E a mulher obedeceu. Utilizou toda a força que tinha em seu corpo para que conseguisse expulsar de seu corpo uma nova vida para aquele mundo. Junto aos seus berros de dor se acompanhou o choro de inocência de um bebê. A anciã, de cabelo grisalho por conta da idade e olhos não tão azuis quanto em sua boa época, enrolou o bebê numa toalha e gentilmente entregou para a mulher sem fôlego para que pudesse ter o primeiro contato com sua criança.

Ninguém naquela casa imaginava que aquela criança recém-nascida era uma reencarnada de outro mundo. Que, lentamente, as engrenagens destinadas a aquela pequena e indefesa criança, começavam a girar.

Anos depois no mesmo vilarejo que agora tinha suas plantações devastadas por um incêndio e berros escutavam-se em todos os cantos, ou melhor, o foco retornava para a cabana de dois andares com sua porta arrombada, vidros de suas belas janelas destruídas, mobílias arruinadas pelas chamas que consumiam lentamente aquele lar. Um macho élfico de curtos cabelos brancos e olhos azuis claros, em silêncio na escadaria para o segundo andar, com a lâmina de uma espada perfurando seu coração e incontáveis outros hematomas por seu corpo de guerreiro e, lentamente, o sangue que escorria de seus lábios pingava na lâmina da arma cravada e fazia um limitado trajeto até pingar nas tabuas. Uma mulher, que era arrastada para longe de seu lar, usando apenas um vestido branco e berrando mesmo que a mordaça em sua boca impedisse-a de qualquer e seus olhos castanhos assistindo a destruição de seu lar e de sua família. E, por fim, a Mestiça no segundo andar, com uma flecha atravessando-lhe o coração na porta de seu quarto que era consumido pelas perigosas chamas, inspirou profundamente como se acabasse de retornar dos mortos e lentamente removeu a flecha que perfurava seu corpo ao mesmo tempo em que flashbacks, ou melhor, memórias, ressurgiam. Quando a última memória lhe preencheu foi que a lâmina da flecha saiu de seu corpo e ela finalmente soltou o ar que acumulou em seus pulmões.

A Mestiça encontrou forças para se erguer e assim deixar o pequeno cômodo destruído pelas chamas e caminhou, ou melhor, cambaleou pelo corredor e caiu pela escada e reclamou de alguma dor e ficou em silêncio vendo o corpo do macho Élfico. E não se sentiu estranha por derramar algumas lágrimas por ele. Memórias novas, ou melhor, velhas daquele corpo, diziam-lhe que era seu pai. A jovem se reergueu e lentamente deixou a cabana incendiada e observou, no silêncio da noite, as incontáveis figuras que levavam sua mãe para longe.



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