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História Better Than Me - Jaehyun - Capítulo 16


Escrita por: AnaFilipa19

Notas do Autor


Mais uma vez peço desculpa pela confusão dos capítulos , pois para entenderem melhor este , tem de ler o capítulo 13 .

Capítulo 16 - Capítulo 15


Fanfic / Fanfiction Better Than Me - Jaehyun - Capítulo 16 - Capítulo 15

Capítulo 15

[...] E escutaram a buzina do Jeep do Taeyong do lado de fora da casa, eles tinham chegado. As cinco voltaram rapidamente para sala para recebê-los. Os homens, que antes estavam sentados, ficaram em pé. Yu-mi foi à frente e caminhou para perto de Jaehyun, que sorriu. Eles estavam conversando, mas ninguém parecia pronto para matar ninguém. Bom sinal. Jaehyun passou o braço sobre seu ombro, puxando-a para perto, e beijou seus cabelos suavemente.

Ae-cha foi a primeira a entrar na casa, abrindo a porta ruidosamente e quase correndo para a sala. Yu-mi soltou-se de Jaehyun e caminhou até ela. Ae-cha não estava sorrindo, parecia triste ou esperando por algo ruim, abraçou Yu-mi com força e suspirou.

— Wow, eu senti sua falta também, Ae-cha. — Yu-mi brincou, tentando quebrar a tensão.

— Precisamos conversar. — Ae-cha disse em seu ouvido. Yu-mi soltou-se de seus braços e lhe encarou.

— O que...

Antes que pudesse responder, viu Taeyong e Doyoung rasgarem para a sala lado a lado. Doyoung caminhou até Yu-mi e lhe abraçou ferozmente, lançando um olhar ainda mais feroz para Jaehyun. Ela supôs que ele ainda tivesse mágoas para Jaehyun pela briga no pub, então se afundou em seus braços e lhe abraçou de volta. Quando o soltou, seus olhos encontraram Taeyong. E isso realmente a assustou, ele parecia zangado e intimidador, era a pior carranca que ela já tinha visto no rosto do irmão, que sempre estava sorrindo e brincando para todos.

— O que está acontecendo, Ae-cha? — Yu-mi perguntou confusa.

— O Taeyong, Yu-mi, ele investigou... — Ae-cha parou no meio da frase, com o rosto franzido em dor. Yu-mi se virou para o irmão.

— Kenai, o que acontecendo?

O tom baixo e assustado de Yu-mi fez o coração de Taeyong se apertar e sua carranca se suavizou. Aproximou da irmãzinha, sua Koda, e acariciou-o suavemente, com Jaehyun atrás deles.

— Eu sinto muito, Yu-mi.

— Taeyong, o que está acontecendo? — Yeong-gi exigiu saber perto de Jong-su.

Taeyong ignorou a todos e seus olhos se fixaram em Jaehyun, que estava atrás apenas esperando que explicassem o que estava acontecendo. Vê-lo tão sereno e sério, quando sua irmãzinha estava prestes a ser machucada novamente, fez o sangue de Taeyong ferver novamente e a carranca voltar ao seu rosto, semicerrando os olhos para Jaehyun.

Yu-mi sentia as mãos ficarem trêmulas e o estômago voltar a se contorcer, estava nervosa novamente. O que estava acontecendo? Por que Taeyong e Doyoung estavam tão bravos e Ae-cha tão infeliz? Encaravam Jaehyun como se fosse matá-lo. Já estava indo para perto de Jaehyun novamente, quando Ae-cha passou o braço sobre seu ombro e a puxou para si.

— Taeyong? — Yeong-gi insistiu.

— Ela é minha irmãzinha... — Taeyong rosnou se aproximando de Jaehyun, que nem se moveu. — Eu vou acabar com a sua raça, seu filho de uma puta!

— Taeyong! — Yu-mi gritou pronta para se soltar de Ae-cha.

Mas era tarde, viu apenas quando Taeyong, rapidamente, ergueu o braço e o puxou para trás, então jogou o punho com violência contra o rosto do Jaehyun, acertando um forte soco.

— Não! — Yu-mi gritou novamente.

Com a força do golpe, Jaehyun cambaleou pra trás e quase caiu zonzo. Sentiu a dor explodir em sua mandíbula e o gosto de sangue na boca, levou a mão ao lugar imediatamente, mas não fez esforço algum para devolver o golpe, se defender ou questionar o que diabos estava acontecendo. Apenas engoliu a saliva cheia de sangue com dificuldade e limpou a boca.

— Taeyong! — Yeong-gi gritou.

Taeyong já estava pronto para acertar outro golpe no Jeong a sua frente, mas sentiu Yeong-gi e Jong-su lhe puxar para trás, cada um de um lado, segurando com força seus largos ombros.

Yu-mi se soltou de Ae-cha com violência, empurrou Doyoung, passou por Yeong-gi e Jong-su segurando Taeyong, e foi para perto de Jaehyun. Segurou seu rosto entre as mãos, observou sua boca ferida e virou-se para o irmão.

— Você é louco? Que merda é essa?! — rosnou.

— Deixe-me lidar com isso, pequena. — Jaehyun pediu suavemente, tirando-a da sua frente para que não se ferisse caso Taeyong explodisse novamente.

— Me soltem! Podem me soltar! — balançou os braços e eles o soltaram, mas se mantiveram ao seu lado. — Vai, Jeong, diz pra Yu-mi porque você está com ela, diz!

— Vamos lá fora. — Jaehyun murmurou sem tirar os olhos de Taeyong. — O que quer que você tenha a me dizer, pode ser dito fora daqui, sem que Yu-mi seja envolvida.

— Assim tão fácil? Você não tem problema que Yu-mi seja envolvida, seu problema é que ela escute a verdade. Não, Jeong, ela precisa ouvir e saber o bastardo que você é! — Taeyong rosnou.

O que? A cabeça dela estava uma maldita confusão, no meio de todos eles.

— Não quero que Yu-mi acabe ferida, você não precisa falar disso aqui.

— Não fale sobre ferir a Yu-mi comigo, seu filho da puta, porque foi tudo o que você fez desde que entrou na vida da minha irmã, feri-la! — Taeyong rugiu apontando o dedo com ódio.

— Taeyong, se acalme, não é a hora ou lugar. Não na frente das mulheres. Sua esposa e sua irmã estão aqui, vamos resolver isso civilizadamente, seja o que diabos que precise ser resolvido. — Jong-su tentou acalmá-lo, apertando seu ombro.

— Deixe-o falar Jong-su, Yu-mi precisa ouvir isso, mesmo que seja doloroso. — Doyoung disse, sentindo tanta raiva quanto Taeyong.

— O que... Isso é ridículo. O que está acontecendo? — Yu-mi exigiu saber.

— Você a usou! — Taeyong cuspiu as palavras para Jaehyun.

As palavras foram um soco no estômago dela. Me usou? Olhou em volta rapidamente, todos estavam bravos ou confusos. Então voltou a olhar Jaehyun, encontrando seus olhos. Ele estava sério, com uma expressão acomodada, como já esperasse pelo que estava acontecendo e esperasse apenas o resultado. Os olhos de Yu-mi marejaram antes que pudesse se dar conta.

Ela voltou a caminhar, saindo de perto de Jaehyun e da frente de Taeyong, voltando para perto de Ae-cha, mas odiou ver a piedade em seus olhos. Estava mais confusa do que jamais estivera, não estava entendendo merda nenhuma e por que ninguém explicava logo?

— O que está acontecendo, Ae-cha? — sussurrou com o coração apertado dolorosamente no peito.

Ae-cha puxou para Yu-mi para perto, passou o braço sobre seu ombro, trazendo-a para seus braços. Logo Min-ji estava do outro lado, lhe abraçando também, tão confusa quanto ela, mas prevendo que Yu-mi precisaria de apoio. Yu-mi estava odiando tudo aquilo, toda a confusão, raiva e piedade que flutuava pela sala. E odiava que Jaehyun não fizesse nada. Ele nunca fora tão passivo quanto naquele momento, apenas esperando. Yu-mi não sabia interpretar o olhar dele, mas havia algo terrível, como soubesse exatamente o que estava acontecendo e o que aconteceria.

— Não estava tão confiante sobre ele e resolvi fazer algumas investigações. Yu-mi disse que ele trabalhava como finanças e investimentos, e é verdade já que é dono da Jeong 's Investiment. Mas ele também é dono da Min’s B&P, Buildings and Properties. — Taeyong disse sem tirar os olhos de Jaehyun, com a voz firme e ácida, tentando ir com calma pela irmã.

— Min? Esse nome não é estranho. — Jong-su refletiu confuso. Conhecia aquele nome de algum lugar, só não sabia de onde.

— E então...? — Yu-mi incentivou-o a continuar. Era óbvio que esse estardalhaço todo não era apenas por Jaehyun ser dono de duas empresas.

— Claro que conhecemos esse nome, Jong-su. — Yeong-gi disse ao se lembrar. — É o nome da empresa que me abordou diversas vezes fazendo ofertas para comprar as terras da Yu-mi.

— E tem mais. — Taeyong acrescentou. — Foi a mãe do Jaehyun quem vendeu as terras pra vocês, pai.

— Você quis dizer foi coagida a vender. — Jaehyun retrucou sem pensar.

— O que? Coagida? — Min-li arfou em surpresa se aproximando, conhecia muito bem a história e era impossível não ficar surpresa com a simples sugestão de algo tão... Maldoso.

— Não coagimos ninguém a nada. Nós tentamos comprar aquelas terras há muito tempo e muitas vezes, mas o dono sempre recusou, já tínhamos até desistido quando nos ofereceram a terra novamente. — Yeong-gi disse.

— Meu padrasto. Ele era o dono e jamais venderia, aquela propriedade estava na família Min há gerações, era o nosso legado, deveria ter sido das minhas irmãs, não de vocês. — Jaehyun rosnou.

— Sua mãe ofereceu a terra a nós, Jaehyun. Já tínhamos desistido daquele lugar, quando ela veio até nós e implorou que comprássemos, logo após a morte de seu padrasto. — Jong-su explicou, com o braço ao redor de Min-li, que ainda estava incrédula.

— Muito conveniente, não acham? Ela agora estava sozinha e nada podia impedi-los de comprar. Encheram da cabeça da minha mãe dizendo o quanto vender as terras e sair de Busan seria melhor para nós. Ela estava abalada pela morte do meu padrasto, vocês não deviam ter aproveitado de um momento de fraqueza dela pra fazer negócios.

Yu-mi absorveu aquelas palavras totalmente entorpecida, estava malditamente confusa e as lágrimas desciam silenciosamente por seu rosto. Mas apesar da confusão em que estava, a raiva e amargura na voz e palavras dele eram claras e inconfundíveis. Primeiro o irmão apontando o dedo para Jaehyun e o chamando de aproveitador, agora Jaehyun apontando o dedo para seu pai e padrinho e chamando-os da mesma coisa. Era demais para sua cabeça.

— Seu padrasto tinha acabado de falecer e ela nos ofereceu a terra pelo preço que tínhamos oferecido antes. Ela estava de luto, mas dona de si e tinha completa noção do que estava fazendo. Eu e Yeong-gi perguntamos se ela tinha certeza, se precisasse de algum tempo, nós daríamos a ela, mas ela garantiu que estava certa e que precisava do dinheiro urgentemente, tinha crianças pequenas para cuidar e o marido tinha deixado dívidas, não hesitamos em comprar e até pagamos mais do que a terra valia para ajudá-la.

— Jaehyun, tentamos ajudar sua mãe e... — Min-li começou carinhosamente.

— Mentira! — Jaehyun gritou. — Minha mãe se culpou todos os malditos dias por ter feito esse maldito negócio que afundou com a nossa família. Não tínhamos mais nada em Busan e nem em lugar nenhum, totalmente desamparados. Ela trabalhou como uma condenada para dar um teto e alguma comida a nós, três turnos de trabalhos humilhantes, que acabaram com os nervos e a saúde dela. Chorando todos os dias de dor e remorso, implorando perdão para nós e pro espírito do meu padrasto, até ela ficar sem condição alguma de trabalhar e eu assumir a família. Vocês não têm ideia dos estragos que causaram.

Jaehyun engoliu seco, e após alguns segundos, voltou a encarar Yu-mi. Com toda a sinceridade, naquele momento, tinha esquecido que ela estava na sala, simplesmente cuspiu tudo que tinha engolido a vida toda, tinha esperado por aquilo desde que entendeu toda a situação que a família estava. Mas nem de longe sentiu a satisfação que pensou que sentiria, se odiou por isso. Por fazer Yu-mi passar tudo isso. Ela tinha a expressão confusa e perplexa, mas as lágrimas desciam despretensiosas por seu rosto.

— E já que não conseguiu comprar as terras de volta com meu pai e Jong-su, e descobriu também que as terras não estavam mais nos nomes deles, por que não ir direto à verdadeira dona, não é? — Taeyong disse. — Por isso você foi atrás da Yu-mi.

— O que? — Yu-mi arfou.

— Pensa Yu-mi, não acha o timing muito perfeito? Não é muita coincidência, em uma semana ele tenta comprar suas terras com seu pai e padrinho e na outra ele te encontra na Europa, se apaixona e começa uma relação com você?

Todos naquele momento juntaram a última peça que faltava no quebra-cabeça. Yu-mi sentiu os joelhos fraquejarem e ao mesmo tempo Ae-cha e Min-ji apertarem os braços ao seu redor, então fixou os olhos em Jaehyun.

— O que... Não. Não! Diz pra eles, Jaehyun. — ela pediu com uma risada histérica, amargurada e sem humor. — Diz que é mentira, diz que você não fez isso, diz que não foi assim e... — por que ele continuava parado, encarando-a com o rosto franzido ao invés de dizer? Irritada e com raiva, gritou: — DIZ!

Esperou que ele negasse e que gritasse que estavam mentindo novamente, mas tudo que via em seu olhar era... Culpa. Talvez remorso, preocupação. E raiva.

— Por favor. — implorou com um sussurro doloroso.

— Era verdade antes, mas não é agora. Yu-mi, eu juro.

Não! Sua mente gritou, enquanto sentia a dor explodir em seu peito. Um soco teria sido menos doloroso. Ela mal conseguia respirar ou pensar. Ele planejou tudo isso friamente, foi atrás de você com um plano, ele só queria as suas terras e ganhou de brinde uma boa dose de sexo, tudo parte de um plano, escutou uma vozinha dizer em sua mente. Ergueu as mãos e entrelaçou os dedos aos cabelos com força, balançando a cabeça e mantendo os olhos fechados com força, esperando acordar de um terrível pesadelo. Você já tinha sido destroçada por esse mesmo homem uma vez, podia ter evitado tudo isso, mas o aceitou de volta por uma desculpa e palavras de amor... Como pode ser tão estúpida, Lee Yu-mi? E o pior, agora toda a sua família estava testemunhado sua vergonha e humilhação. Não, não, não.

Ela ergueu a cabeça novamente e colocou o cabelo para trás, suas mãos e pernas tremiam, mas ignorou-os. Soltou-se de Ae-cha e Min-ji e avançou na direção dele.

— Como você pode?! — empurrou-o pelo peito com toda a força que pode, fazendo-o cambalear para trás.

— Pequena... — ele começou, com o rosto franzido, mas foi interrompido.

— Não me chama assim! — gritou. — Você mentiu e me manipulou esse tempo todo. Você veio aqui e acusou minha família de ser um bando de aproveitadores, mas não se opôs a ser frio e calculista a ponto de me achar na Europa e começar um plano de sedução por causa de uma porção de terras! — acusou lhe apontando o dedo, sentindo ânsia da simples ideia de tudo aquilo ser verdade.

— Não foi...

— Você foi sincero ao menos uma vez? Só me diz pra eu saber, você realmente era alguém que queria uma relação de dominação e submissão ou só queria que eu cedesse o poder e a tomada de decisões pra conseguir o que queria?

— Yu-mi...

— Só, por favor — interrompeu-o —, satisfaça a minha curiosidade, porque acho que sou estúpida demais pra entender como você pretendia conseguir o que queria. Qual era o seu grande plano, Jaehyun? — passou a mão no rosto, enxugando as lágrimas. — Ordenar que eu assinasse um papel passando as terras pra você e usar para minha submissão pra isso? Ou talvez quando casássemos você tomaria o controle de tudo? Claro, porque a pequena estúpida e submissa aqui jamais diria não para o grande dominador, não é? — ironizou amargurada e com desprezo forçado na voz.

Eles estavam dentro da bolha deles novamente, tinha esquecido de todo o resto ao redor, Yu-mi só se lembrou dos outro quando os escutou praguejar. E quase riu da própria situação, disse a si mesma que manteria aquele segredo e pronto, agora estava tudo revelado e as claras. Ela não tinha mais nada a perder ou esconder. Nem orgulho, nem dignidade. As coisas que ela pretendia manter apenas entre ela e Jaehyun, tudo de mais lindo que eles compartilhavam, tudo de mais lindo que ela tinha e sentia, tudo agora exposto e estragado. E ela nunca se sentira tão humilhada e traída em toda sua vida.

— Não Yu-mi, você sabe que eu jamais usaria minha dominação para manipular você.

— Eu não sei de mais nada. Eu achava saber de muitas outras coisas, mas estava enganada.

— Eu não...

— Você disse que amava! — interrompeu aos berros e prantos. — Você falou comigo sobre passarmos a vida juntos, pelo amor de Deus, você falou sobre filhos! — parou no meio da frase e respirou fundo, sorrindo com escárnio. — Mas quer saber? Admiro sua atuação, Jeong. — elogiou sarcástica. — Eu realmente acreditei que tudo fosse real.

— O que nós tivemos e temos é real, Yu-mi.

— Real? Bem, então você pode olhar nos meus olhos e dizer que nosso encontro na Europa não foi premeditado, não é? Dizer que nos encontramos na Grécia ao acaso, que você reparou em mim lendo, como você disse na nossa primeira conversa, as reações que eu tinha, como o sorriso de lado e o cenho franzido, então se aproximou e sentou na minha mesa por pura arrogância e autoconfiança. Diga que você se aproximou de mim, uma completa estranha por pura curiosidade ou atração, não por saber que eu era Lee Yu-mi, a dona das terras que eram da sua família e que você pretendia tomar de volta.

— Eu... Não posso dizer isso, não posso mentir pra você. Eu sabia que você era Lee Yu-mi, sabia que você estaria lá e planejei o nosso encontro. — Yu-mi já ia abrir a boca para falar, quando ele continuou rapidamente: — Mas não planejei o que aconteceu depois, pequena. Não planejei me apaixonar por você, não planejei te amar como...

— Céus, por favor, para... Por favor, apenas... Cala a boca. — implorou, com os dedos entrelaçados aos cabelos, curvou-se um pouco para frente enquanto chorava, seu corpo inteiro tremia e as lágrimas iam-se descontroladamente por seu rosto.

Dor. Humilhação. Mágoa. Raiva. Dor. Seu mundo e seu coração se partindo em milhares de pedacinhos. Pedacinhos tão pequenos que ela não sabia se um dia poderiam ser reconstruídos. Antes que outra pessoa da família se aproximasse, como pretendiam fazer, Jaehyun se moveu rapidamente para perto dela e segurou seu rosto entre as mãos. Teve dificuldade, mas dizendo repetidamente "olha pra mim, por favor, Yu-mi", conseguiu fazê-la erguer o rosto e encará-lo. O rosto dela estava completamente molhando pela água salgada, seus olhos ficavam vermelhos, a dor crua estampada nela e a respiração ofegante. Ela mordeu o lábio inferior e o encarou. E ele não estava melhor, mesmo sem as lágrimas, havia dor em seus olhos. Yu-mi virou o rosto, tentando se soltar.

— Não faz isso, Yu-mi, por favor...

— Me solta. — interrompeu e voltou a fechar os olhos, mesmo com ele segurando o seu rosto.

— Me escuta, pequena.

— Não, eu não quero... — ele segurou firmemente seu rosto entre as mãos e colou a testa a dela.

— Apenas me escuta. Pequena, eu amo você...

— Para, por favor, para... — choramingou.

— Você sabe que é verdade, eu amo você, pequena. Eu amo você, Yu-mi.

Yu-mi soltou o ar com força, abriu os olhos lentamente e engoliu seco, ainda com o rosto franzido, afastou o rosto para olhá-lo nos olhos.

— Então diz, por favor, que não foi tudo um plano de vingança premeditado. Você pode fazer isso? Pode olhar nos meus e dizer que nunca esperou me coagir para que eu vendesse as terras pra você? — pediu aos prantos.

Silêncio. O silêncio dele foi a maldita resposta. Ela arfou e um soluço escapou por seus lábios, até respirar era fisicamente difícil. Yu-mi tirou as mãos de Jaehyun de seu rosto e caminhou para trás, balançando a cabeça com incredulidade, com as mãos erguidas para que ele não se aproximasse. Jaehyun suspirou seu nome e depois um 'não'.

A sala a sua volta se tornou um borrão e tudo acontecia ao mesmo tempo. Quando tudo tinha dado tão errado? Em um momento aquilo era um jantar de apresentação e agora era uma massa confusa, um desastre. Ela não conseguia distinguir quem falava o quê ou que eles faziam, apenas escutava alguns chamando seu nome, perguntando se estava tudo bem, gritando com Jaehyun ou tentando acalmar os ânimos. Ela sentia os próprios joelhos quase cederem, enquanto sons esganiçados rasgavam sua garganta durante o choro.

Sentiu alguém lhe abraçar novamente, mas não conseguia ficar ali, no meio de gritos, raiva e piedade. Não podia mais ficar ali. Soltou-se de Min-li, empurrou Min-ji e Ae-cha ao passar por entre elas e correu em direção à porta.

— Yu-mi! — Jaehyun gritou angustiado.

Ignorou todos os gritos, precisava ficar sozinha e desabar sem ninguém ao redor. Merda! Correu para o pátio da frente, passou pelo Jeep do irmão, a viatura do pai e alcançou a própria picape.

Agradeceu por Min-ji ter deixando-a aberta e com a chave, abriu a porta e se jogou no banco do motorista. As mãos estavam trêmulas, após ligar a picape, agarrou o volante com força e pisou no acelerador, fazendo o máximo que sua picape surrada lhe permitia, dirigindo na direção contrária da mansão, não queria passar pela entrada de suas terras e nem da casa de seu pai. Queria ir para longe. Precisava correr para longe da dor, do Jaehyun, da humilhação e da traição. Não queria pedidos de desculpas ou piedade de ninguém.

Podia ter sido estúpida suficiente para cair duas vezes na conversa do Jeong, mas ainda não era uma estúpida suicida. Ao se afastar suficiente da casa dos padrinhos a toda velocidade, diminuiu a velocidade, mas continuou dirigindo. Não tinha ideia de onde estava indo, só precisava se afastar de tudo e todos. Naquele momento lágrimas silenciosas escorriam por seu rosto, até seus olhos encontrarem a pulseira em seu pulso e, instintivamente, olhou também para a gargantilha. Freou bruscamente o carro.

— Merda, merda, merda, merda! — gritou, esmurrando o volante com violência a cada grito.

Respirava ofegante e então desabou contra o volante, deixou o rosto sobre ele, enquanto soluços rasgavam dolorosamente seu peito.

— Onde infernos você pensa que vai? — Taeyong rosnou, enquanto Jaehyun caminhava para o Volvo.

Todos saíram da casa, vendo Yu-mi sumir com a picape pela estrada, sabe-se Deus lá pra onde. Jaehyun virou-se para eles, e Deus também sabia a vontade que estava de socar a cara do irmão dela, por mais boa vontade que ele estivesse tendo de protegê-la.

— O que? Devo ficar para o jantar? — murmurou sarcástico. — Não acha que vou ficar parado aqui, não é?

— Não foi suficiente pra você? Deixe minha irmã em paz, seu filho da puta! — Taeyong rosnou se aproximando.

Apenas os dois, frente a frente. E dessa vez, sem Yu-mi por perto para se ferir fisicamente, Jaehyun não iria recuar.

— Quer falar sobre ser um filho da puta? Você foi um por todo seu show! Como pôde humilhá-la desse jeito?

— Eu? Você foi o filho da puta que a usou, Jeong. E pela maldita segunda vez! Já que já tinha quebrado o coração dela e largando-a na Europa. Uma vez não foi suficiente pra você?!

— Isso é entre mim e a Yu-mi. — rosnou baixo.

— E você é bastardo se pensa que não vou protegê-la!

— Então devia ter jogado toda essa merda em cima de mim, porra! Yu-mi adora vocês mais do que qualquer outra coisa nesse mundo, ela sempre fala sobre o quanto os ama e como sonha em construir uma casa aqui, assim sempre poderá voltar pra perto de vocês. E você faz isso? Você a humilhou, mais do que eu jamais a usei. Se a porra do teu problema era comigo, devia ter jogado essa merda em mim, não em cima dela. Jamais jogado tudo no ventilador na frente de todos que ela mais ama. Em mim, porra! — rugiu, apontando o dedo para o próprio peito. — Ter feito as coisas direito!

— Eu a humilhei? Seu filho de uma puta, você a usou, manipulou e mentiu pra ela tudo por causa de uma porção de terras! Você se aproximou dela só pelo seu próprio benefício!

— E eu podia ter esclarecido tudo isso se você não tivesse sido moleque, se tivesse sido homem suficiente e chegando a mim longe dela! Ou conversado com ela reservadamente! Eu amo sua irmã mais do que qualquer outra coisa, foda-se qualquer pedaço de terra. Eu a amo mais do que uma promessa que fiz a minha mãe em seu leito de morte, mais do que as terras que eu devia recuperar para minhas irmãs e que eram do homem que me aceitou como filho, quando meu pai de sangue me virou as costas. Eu deixei minha família por ela e estava disposto a deixar todo o resto e me mudar para essa maldita cidade para ela fosse feliz. Eu teria feito qualquer coisa por ela!

— Eu não acredito em nenhuma palavra que sai da sua boca. E quero saber que porra ela estava falando quando sobre dominação e controle, o que você fazia com a minha irmã, filho da puta? Que tipo de controle tinha sobre ela?

— Isso eu também gostaria de saber. — Yeong-gi falou atrás, com a voz calma e cortante. E Jaehyun podia jurar que aquele era o tom do Yeong-gi, chefe de polícia, não o pai.

Jaehyun quase riu, jogou a cabeça para trás e revirou os olhos, incrédulo. Pegou as chaves do volvo no bolso.

— Foda-se isso tudo. Eu não preciso que você acredite em porra nenhuma. — disse calmamente para Taeyong. — E não vou explicar minha relação com a Yu-mi pra ninguém, não devo explicação alguma a vocês. A única pessoa a que devo qualquer coisa é a Yu-mi.

— Você não vai chegar perto dela! — Taeyong rosnou.

— É mesmo? Então vem aqui me impedir. Mas te garanto que dessa vez será uma via de mão dupla. — rosnou de volta.

Taeyong já ia se aproximando, quando Ae-cha correu para o seu lado e o segurou pelo ombro.

— Para Taeyong, chega! — pediu afagando o braço do marido.

Mas Taeyong e Jaehyun continuavam se encarando, rosnando um para o outro.

— Parem os dois com essa merda toda! — Min-ji gritou e correu para o centro, ficando entre os dois. Intercalando olhar para um e para o outro, repetidamente. — Será que vocês perderam suas malditas cabeças e toda essa testosterona está impedindo-os de pensar, porra? Não entendem que a única que importa agora é a Yu-mi? Nenhum dos dois tem razão nessa merda toda, então parem os dois com essa briga ridícula de egos! A única realmente machucada nessa porra toda é a minha irmã, minha melhor amiga, então se vocês não pararem agora, podem ter certeza de que vou pegar meu taco de beisebol e destruir ele em vocês, vou realizar meu sonho. Que Deus me perdoe, mas não vou parar enquanto não destruir a cara de vocês dois também. E eu juro pela porra da minha sagrada bunda! Ae-cha pode respirar tranquilamente quando o marido soltou o ar com força e deu um passo para trás. E Jaehyun também relaxou em sua posição. E isso fez Min-ji também respirar aliviada; sabia que Yeong-gi ou sua mãe jamais permitiria que destruísse a cara de alguém e também odiaria ter sua bunda a prêmio por uma promessa.

— Entra Taeyong, vai lá dentro e enfia a cara em uma bacia de gelo, pra vê se esfria a cabeça. — Min-ji disse e virou-se para Jaehyun. — E você, volta pro seu hotel. A Yu-mi não vai embora, a estrada pra sair da cidade é pelo outro lado. Conheço a Yu-mi, ela precisa de algum tempo.

— Min-ji...

— Como você disse Jaehyun, foda-se isso tudo. Pelo menos agora. Ainda não decidi se estou a fim de escutar suas explicações ou quebrar a sua cara em milhares de pedacinhos, assim como eu vi a minha melhor amiga ser quebrada. Algo que você aprende quando se tem a minha personalidade, é que decisões não devem ser tomadas com os ânimos tão exaltados, então não abusa da minha boa vontade, volta para o hotel e deixe todo mundo se acalmar.

Ela não disse mais nada. Nem acenou, nem sorriu. Apenas se virou e andou em direção da casa, enquanto os outros também entravam. Jaehyun terminou o caminho para o Volvo, entrou e rapidamente saiu dali.

Voltou para o hotel a toda a velocidade. Não tinha ideia de pra onde Yu-mi poderia ter fugido. Talvez para as terras dela? Mas descartou a possibilidade, afinal ela tinha ido para o lado oposto ao caminho para lá, então resolveu seguir o conselho de Min-ji, daria algum tempo a ela. Estacionou o carro e subiu rapidamente, sem nem cumprimentar o porteiro. Bateu a porta com violência, tirou e jogou o paletó em qualquer canto, tirou a blusa de dentro das calças e abriu os botões sem cuidado, sem deixar de xingar e praguejar um segundo se quer.

Lembrava-se de cada maldito segundo. E podia se lembrar do rosto da sua Yu-mi ao escutar cada palavra. Passando da incredulidade até a dor imensa. O olhar derrotado e magoado que ele jamais esqueceria. E ele sabia que não podia jogar a culpa em alguém e se isentar dela, tinha sua grande parcela de culpa, se tivesse dito logo que chegara a Busan, quando tinha contado sobre sua mãe. Merda! Mas não ia desistir tão fácil, iria fazê-la escutar o que tinha de dizer e fazê-la acreditar que a amava. Volta pra mim, pequena.

Yu-mi estava entorpecida. Em algum lugar dentro dela, a dor estava escondida, como um monstro faminto, esperando qualquer movimento para devorá-la. Ela ainda absorvia tudo que tinha acontecido e escutado, mas ainda torcendo para que fosse tudo um maldito pesadelo. Ficou algum tempo parada no meio da estrada, então deu a volta por trás da propriedade, fazendo o caminho mais longo para as suas terras e parou a picape, caminhou na escuridão até a clareira. Ignorando estar de vestido ou qualquer outra coisa, sentou junto a uma árvore abraçando os joelhos junto ao tórax e chorando silenciosamente.

Aquele lugar era lindo sob as estrelas. O lugar que ela mais amava no mundo, seu pedaço do mundo, seu refúgio, agora era seu inferno pessoal.

Ela estava tão desligada do mundo ao seu redor, nem que percebeu o barulho de um carro e dos passos de alguém se aproximando. Ergueu a cabeça e viu Yeong-gi se aproximando. Mordeu o lábio inferior para abafar o choro, algo inútil. Yeong-gi caminhou para perto, ergueu um pouco o jeans e sentou ao seu lado, sem se importar em sujar a calça ou qualquer outra coisa.

— Sabia que te encontraria aqui. — seu pai disse quebrando o silêncio.

Yu-mi o encarou com um beicinho dolorosamente adorável. Yeong-gi suspirou pesadamente e passou seu braço sobre o ombro da filha, puxando-a para seus braços. Ela não tinha o que dizer, pensou que gostaria de ficar sozinha, mas ficou sinceramente grata ao ser enrolada nos braços do pai, envolta de amor sincero e sem pedir qualquer coisa em troca, soluçava e tremia, molhando a blusa flanelada dele com toda a água salgada que saia de seus olhos. Yeong-gi a manteve aninhada em seu peito, balançando-se suavemente, quase em um ninar, e alisando seus cabelos.

— Estão todos preocupados com você ou planejando uma morte dolorosa a ele. Min-li está desesperada e Eun tentando acalmá-la. Jong-su está tentando acalmar Taeyong e Doyoung para que eles não cometam um crime, porque estão pensando seriamente em linchar Jaehyun para fora da cidade. Ae-cha está chorando e se culpando por ter incentivado você a voltar com ele, enquanto Min-ji tenta acalmá-la e jogando xingamentos ao vento, xingamentos que eu nunca tinha ouvido em toda a minha vida.

— E você está aqui.

— E eu estou aqui. — sorriu e apertou os braços ao redor dela.

— Como...

— Eu te conheço, menina. Foi bem aqui que a minha Yu-mi veio ao mundo e desde então sempre soube seu amor por essas terras. Lembro quando você era criança, você brigou com Taeyong e depois comigo por não ficar do seu lado, resolveu que ia embora de casa. Você fez uma mochila, pegou uns pacotes de bolacha no armário, seu caderno de desenho, uma lanterna e simplesmente foi embora. Tirou dez anos de vida de mim naquele dia. De mim e do seu padrinho, da sua madrinha você deve ter tirado uns vinte, ela sempre foi a rainha dos exageros. Taeyong até organizou as crianças em uma equipe de buscas. — Yeong-gi deu uma risada suave. — Todos te procurando e eu vim pra cá. Lembro até hoje você no meio dessa clareira, sem soltar uma lágrima e toda enfezada, tentando fazer uma fogueira com alguns gravetos porque iria morar em suas terras.

Yu-mi sorriu entre as lágrimas, enquanto Yeong-gi ria. Desde sempre tinha o sonho de morar ali, sempre que tinha algum problema, era pra lá que corria e se escondida, em seu mundo. Aquele lugar sempre fora o seu refúgio, onde nada podia atingi-la.

— Eu sempre fugi pra cá, pai, mas agora é daqui que eu quero fugir, faz com que eu me lembre de tudo e dói tanto. — murmurou e fechou os olhos.

— Oh, minha Yu-mi. — beijou os cabelos dela, enquanto Yu-mi deitava a cabeça em seu tórax. Quantas vezes tinha feito aquilo, embrulhando a filha nos braços e cuidado. — Eu queria poder trocar de lugar com você. Tirar essa dor de você, Yu-mi.

— Como eu pude ser tão idiota, papai? Se fosse a primeira vez, mas duas? Deus, como pode caber tanta ingenuidade e estupidez em uma pessoa só?

— Não, Yu-mi. Você pode culpar qualquer pessoa nisso tudo, menos a si mesma. Nunca se sinta culpada ou estúpida por amar alguém, Yu-mi. Você se tornou uma mulher linda e maravilhosa, que faria ao homem a quem você escolhesse amar o cara mais sortudo do mundo. E um dia ele vai perceber a besteira que fez por ter sido escolhido e desperdiçado isso. Ele vai conviver com essa perda e o remorso pelo resto da vida.

— Não tem como não me sentir idiota, pai. Deus, ele sempre soube o que dizer ou fazer, entendia minhas necessidades e muitas vezes melhor que eu mesma, inferno, quanto tempo ele passou me estudando pra fazer isso tão bem? Eu estava sinceramente nessa relação, compartilhei com ele tudo sobre mim, meus sonhos e até o inclui neles. O amei tanto e enquanto ele... Ele estava o tempo odiando minha família e a mim por algo que nenhum de nós tinha culpa, planejando como tomar as terras de volta, mesmo sabendo o quanto elas eram importantes pra mim.

— Deus, como gostaria de ser bom com as palavras como sua mãe era, até como seus padrinhos e Eun são. Gostaria de saber o que dizer, eu odeio ver você machucada, Yu-mi.

Yu-mi assentiu contra seu peito, ele já estava sendo incrível apenas por abraçá-la e deixá-la chorar em seu peito, escutando-a sem julgar. Apesar de odiar a piedade, ele estava sendo incrível. Ela se mexeu em seus braços e se desvencilhou dele, voltando a se sentar, enquanto secava o rosto, e o encarou cuidadosamente. Lambeu os lábios e engoliu seco.

— O que aconteceu de verdade, pai? Nos negócios, eu quero, não, eu preciso saber.

— Nunca enganamos ou nos aproveitamos da mãe dele, jamais, querida. Eu tentei comprar aquela terra por anos, mais para sua mãe, do que pra mim. E quando Jong-su descobriu que Min-li também gostava de estar ali, Jong-su entrou no negócio comigo, mas o dono, Min Haechan, nunca nos vendeu. Aquelas terras estavam passando por sua família a gerações e deixaria para os filhos, mas então ele morreu em um acidente de carro. Uma semana depois, Min Tae-ryeon estava na porta da delegacia, tinha achado o papel com a minha proposta e queria fechar o negócio.

Yu-mi assentiu e engoliu seco. Quantas vezes teria que ouvir aquela história pra juntar todas as peças em sua mente? Quantas vezes teria que escutar para entender cada detalhe, por fim de contas, e aceitar que tudo tinha sido um parte de um plano por algo que acontecera há tantos anos? Um grande mal-entendido, que tinha causado tanta dor.

— Eu juro Yu-mi, ofereci a ela algum tempo para pensar e não vender as terras no calor da emoção, mas ela parecia estar certa disso e me confidenciou que precisava do dinheiro, porque o marido tinha deixado a ela mais do que os filhos, tinha deixado dívidas, ela não sabia que eles estavam mal financeiramente e o terreno, mesmo sendo o legado da família, podia ser a única salvação deles. Eu perguntei a ela o quanto de dívidas, mas ela não contou, e eu realmente não insisti, porque se tratava da memória e orgulho do marido morto. Eu e Jong-su conversamos e nem precisamos pensar duas vezes, queríamos muito aquelas terras e pegamos mais do que a proposta para ajudá-la com as crianças. E eu realmente me lembro do Jaehyun, um garotinho loiro e de cara fechada, andando sempre ao encalço da mãe como um cão de guarda, ele deve usar o nome de solteira da mãe, Jeong. Mas eu não tive notícias da família do dia em que Tae-ryeon passou as terras para mim e Jong-su em diante, ela pegou a picape da família e foi embora com as crianças. O resto você sabe.

Ela assentiu, claro que sabia. Yeong-gi e Jong-su levaram Ga-ram e Min-li para as terras, surpreendendo-as ao dizer que eram os novos donos e ali Yu-mi veio ao mundo. E Yu-mi sabia que era verdade, podia ver nos olhos de seu pai. E mesmo se não estivesse escutando da boca dele, jamais acreditaria que eles se aproveitariam de alguém por terras. Eles eram as pessoas mais honestas que ela conhecia, e os admirava por isso.

E esse tempo todo, Jaehyun odiava e se ressentia de sua família por isso, acreditando que sua família era de aproveitadores e ela, herdeira de terras roubadas. Era tudo um plano, Yu-mi, disse a si mesma.

— Eu sei e acredito em você, pai. — sussurrou ao abaixar a cabeça e voltar a chorar silenciosamente.

— Eu sinto muito, Yu-mi. Isso não deveria ter te atingindo jamais, devia ter vindo para mim e seu padrinho, era uma briga nossa, jamais sua. Acaba comigo saber que alguém tentou usar você por um engano comigo e seu padrinho.

Yu-mi soltou o ar com força e negou com a cabeça.

— Não é sua culpa, pai. Nunca foi sua culpa. E eu deixei que ele me usasse, que me manipulasse. Essa culpa é minha, terei que conviver com a minha estupidez.

— Yu-mi...

Ela balançou a cabeça novamente, quase implorando que ele não discutisse ou argumentasse, nem tentasse convencê-la do contrário. Por favor, sem piedade.

— Yu-mi, existe algo que preciso lhe perguntar. — Yeong-gi disse, mudando de assunto, e então ficou em silêncio.

Silêncio que durou segundos. Segundos que pareceram mais longos que o normal. Ouvindo apenas os ruídos do choro dela, que ia se acalmando aos poucos. E Yu-mi percebeu que aquela era a protelação típica de seu pai e seu padrinho quando tinham algum assunto desconfortável a tratar, ela ergueu a cabeça.

— Pode perguntar pai. Já estou caída, do chão eu não passo.

— Oh querida. Sei que está ferida, mas algo naquele momento preocupou a mim, pessoalmente, e no fim percebi que seu padrinho e irmão também se preocuparam com isso. Tudo que o Jaehyun fez foi reprovável, mas você falou sobre controle e dominação, isso é algo sério, ele chegou a te machucar alguma vez? Passar dos limites ou...

— O que... Não! — Yu-mi garantiu. — Jaehyun nunca me machucou. Fisicamente, nunca. Não acho que posso explicar ou fazê-los entender o que tínhamos.

— Quer tentar? — Yeong-gi pediu suavemente.

— Não era algo que pretendia compartilhar, eu só comentei na hora porque estava furiosa e precisava saber se tudo fazia parte do... Plano.

— Você sabe que pode falar comigo sobre qualquer coisa, não sabe, Yu-mi? Mas se preferir pode falar com sua madrinha ou Eun, por ser mais confortável, mas com certeza terá que falar com alguém, porque queremos ter certeza do seu bem-estar.

Yu-mi assentiu mordendo o lábio inferior e abaixou a cabeça.

— Jaehyun é um homem forte e dominante, percebi isso logo no primeiro encontro, junto com toda a arrogância natural, ele também exalava poder. Também no primeiro encontro ele falou comigo sobre o que esperava de uma mulher ou um relacionamento, ele esperava que ela fosse totalmente submissa a ele e eu deduzi logo que não era a mulher pra ele, porque não nasci ou fui criada pra isso, nunca tinha me submetido a ninguém. Mas então ficamos uma vez, outra e outra, então eu percebi que me fazia feliz. Eu fui totalmente dele e submissa a ele. E ele cuidava muito bem de mim, não posso mentir, ele olhava cada fodida necessidade minha. Era... Perfeito.

Yu-mi olhou para o próprio pulso por alguns segundos, depois o pescoço. Segurou o pingente entre os dedos e de um sorriso trêmulo entre as lágrimas.

— Esses são... — parou na frase, engasgada com as próprias palavras e arfou. Não mais, refletiu mentalmente. — Eram a marca da propriedade dele.

Ela soltou o pingente e praguejou baixinho. Yeong-gi olhou para o céu e respirou fundo, passando a mão nos cabelos. Tinha vivido tanta coisa, sofrido e apanhando tanto da vida, mas nada era comparado aquilo. Como chefe de polícia sempre resolvia os problemas e situações, mas naquele momento sentia-se de mãos atadas. Vira Jong-su e Min-li sofrerem com Ae-cha e Yuna na adolescência com seus corações partidos por romances rápidos na escola que juravam ser o amor de suas vidas, até mesmo Min-ji tivera uma dose de coração partido quando mais jovem. Mas não sua Yu-mi. Ela sempre fora independente demais para sofrer por alguém, tinha alguns encontros, mas nada profundo demais e Yeong-gi sempre se gabava disso para Jong-su em suas conversas sobre a família. E talvez, se tivesse tido tais experiências, saberia como lidar com isso. Nada que aprendera em todos seus anos de vida e carreira policial tinha o preparado para ver a filha com tamanha dor. Principalmente a dor de um coração partido.

— Você é a minha garotinha, Yu-mi, então eu não posso dizer que fico feliz em ouvir isso. Não fico feliz com nada que está acontecendo hoje. A posição na qual você está me preocupa, nem todo homem é capaz de saber administrar tal poder sobre uma mulher sem abusar, sabendo amar e cuidar dela verdadeiramente.

— Eu sei. — ela assentiu triste. — Eu pensei que Jaehyun soubesse.

— Sempre te verei com a minha garotinha. Aquela que chegava correndo da escola com Taeyong, jogando a mochila no chão e correndo atrás de mim para contar animada e detalhadamente como fora seu dia na escola. Aquela que sentava no meu colo e ficava folheando um enorme guia de viagens, apontando e decidindo quais cantos do mundo conheceria. Meu bebê. Espero que você seja cuidadosa, porque não suportaria perder a minha garotinha, porque eu a amo demais. Nós amamos muito você, Yu-mi.

— Obrigada, papai. — sorriu emocionada. — Eu amo você também. Todos vocês.

Yeong-gi assentiu sorrindo e abraçou novamente. Yu-mi suspirou em seus braços e lhe abraçou de volta.

— Acho que podemos voltar agora? Estão todos preocupados com você. E agora comigo, talvez achando que fui atrás dele ou algo parecido.

— Tudo bem. — ela disse contrariada. Não sabia se encarar a família era o que precisava, mas não era como se tivesse mais opções naquele momento. — Vamos.

— Voltamos juntos na picape, eu dirijo. Amanhã volto pra buscar a viatura. — Yeong-gi disse Ele ficou em pé rapidamente e passou a mão no jeans, limpando-se. Após vê-la passar a mão no rosto, ele a ajudou a levantar-se também. Yu-mi assentiu e caminhou com ele na direção da picape.

Não ia discutir também, era mais fácil apenas aceitar, de qualquer maneira, não tinha energia para discutir ou dirigir. Assim que o pai parou a picape na frente, Yu-mi se preparou para descer, mas viu uma folha de papel dobrado ao meio sobre o painel. E o choro que tinha cessado durante o caminho, quis voltar ao tomar consciência do que se tratava. O desenho que tinha feito de Jaehyun em Seol e colocado na picape pouco antes de entrarem na casa dos padrinhos e todo seu mundo desabar. Pegou o desenho com as mãos trêmulas e saltou pra fora da picape, sendo seguida por Yeong-gi.

Eles estavam na sala – Eun sentada na poltrona, Jungwoo sentado no braço do móvel e acariciando a cabeça da mãe, que estava nervosa com toda a situação, e Min-ji sentada no sofá, batendo o pé impacientemente no chão, pronta para enfiar o taco de beisebol no orifício anal do primeiro que a perturbasse. Taeyong queria ter vindo também e esperado Yu-mi, mas Eun e Ae-cha o convenceram que ele precisava dar um tempo à irmã. Então esperava que Yeong-gi convencesse a Yu-mi a voltar pra casa. Assim que escutaram o barulho da porta ser aberta e Yu-mi entrar, os três ficaram em pé.

Yu-mi mordia o lábio inferior, segurando o desenho na mão. Eun ameaçou se aproximar, mas Yu-mi balançou a cabeça e se dirigiu para a escada. Após fechar a porta, Yeong-gi se aproximou e abraçou Eun, beijando seus cabelos. Ela precisava de algum tempo.

Ela caminhou para o banheiro, tirou toda a roupa e entrou em baixo do chuveiro. Nua, sob a ducha gelada, chorou mais um pouco. Alguns minutos, talvez uma hora. Tinha perdido a noção do tempo. Saiu do banheiro e vestiu um largo conjunto de moletom. Secou o máximo que podia os cabelos com uma toalha e sentou na cama, no escuro do quarto. Encarou o papel sobre a mesinha de cabeceira. O desenho. Depois a gargantilha e a pulseira. Deitou, encolheu-se sob as cobertas e chorou até adormecer. Ou ao menos ter a ilusão de estar adormecida.

***

— Ela ainda está na mesma. Tudo bem, Jong-su, qualquer novidade eu ligo. — Yeong-gi disse ao telefone e recolocou-o gancho. E viu Eun descer as escadas com uma bandeja e o lanche intocado da filha. — Nada?

Eun confirmou e levou a bandeja para a cozinha. Yeong-gi suspirou e levou a mão à nuca, esfregando-a, não tinha ideia do que fazer.

Yu-mi estava sentada no chão do quarto, com as costas encostadas na madeira cama, abraçando os joelhos ao tórax. Olhava fixamente para a parede a sua frente, como tinha feito nas últimas horas. Não chorava, o choro tinha cessado, mas também não conseguia mais dormir ou fazer qualquer outra coisa. Tinha dormido no máximo por uma hora após ter chegado em casa na noite anterior, mais nada. Ficava caminhando letargicamente pelo quarto – ficou um pouco na cama, caminhou para a sacada, voltou para a cama, ficou andando de um lado para o outro e agora sentara no chão. Seu pai, a Eun e Min-ji tentaram várias vezes conversar ou lhe dar algo para comer, mas ela não reagia ou falava nada. Podia escutar o telefone no primeiro andar tocar a cada hora, com certeza seus padrinhos, Taeyong e Ae-cha. Mas ela não queria falar ou encarar ninguém, não queria encarar a piedade ou o desejo de consertar as coisas, quando não podiam fazer nada para amenizar ou consertar a situação. Seu sofrimento. Sua humilhação. Sua dor.

Não conseguia se desligar completamente de tudo, seu coração estava doendo e sua mente cheia das lembranças da noite anterior, cada maldito segundo sendo remoído sem sua autorização. Era uma tortura. E estar em Busan só piorava tudo. Levantou-se lentamente, pensando nas opções. Olhou ao redor do quarto vazio e silencioso, caminhou até a mesinha de cabeceira e pegou o papel dobrado, abriu-o. O desenho de Jaehyun dormindo serenamente no quarto em Seol. Sentiu o peito ficar apertado e ter a mente preenchida por vários dos momentos em Seol – ele cuidando de seus banhos, alimentação, vestimenta, possuindo seu corpo e lhe amando como nenhum outro, acariciando seu rosto, dizendo que lhe amava e chamando-a de pequena. Ele tinha cuidado e mimando-a tão bem, como podia ser tudo mentira? Ele era tão frio e calculista para isso ou ela estava tão cega pela própria estupidez que não viu sinais de toda sua atuação?

Yu-mi dobrou o desenho novamente e olhou para cima, fugindo das lágrimas. Fungou e andou até sua cômoda, e viu seu reflexo no espelho. Estava terrível. Sua pele estava mais que o normal, com um especto doente, lábios pálidos e secos, cabelos desgrenhados e os olhos, seus olhos eram o reflexo perfeito de seu estado de espírito, de tanto chorar eles estavam avermelhados e fundos, totalmente sem vida, cercados por olheiras.

Olhou para trás e viu sua mochila de viagem no chão, ao lado da cama. Era a melhor opção. Não podia ficar trancada no quarto para sempre. Não podia ficar em Busan, cercada pelas lembranças de toda sua humilhação e piedade de sua família. Não podia fugir pro seu, ou melhor, o que ela achava ser seu pedaço do mundo. Desnorteada, querendo fugir e sem lugar algum para ir, mas podia ficar vagando. Era a melhor opção.

Pegou a mochila e a colocou sobre a cama, abrindo-a. Estava totalmente vazia e logo a encheu com algumas roupas básicas e outro tênis; era mais do que acostumada a viajar com pouco e compraria o que precisasse no caminho, já que não tinha mais motivos para economizar dinheiro. Tirou o moletom que usava, vestindo uma calça jeans, uma camisa simples, por cima um casaco preto de capuz maior que ela e calçou um all star, estava pronta. Foi ao banheiro e jogou uma água no rosto, não havia mais o que fazer, nenhuma maquiagem poderia esconder todo o sofrimento estampado em seu rosto, secou-o rapidamente, depois juntou todo o cabelo no alto da cabeça e fez um coque desgrenhado, prendendo nele mesmo. Soltou o ar com força e voltou pro quarto.

Ia pegar a mochila, quando se lembrou de outra coisa. Parou em frente à cômoda novamente, abriu a primeira gaveta, e em baixo de todas as roupas, pegou um grande envelope pardo. Controlando o choro, colocou o desenho no envelope, junto com os outros papéis. Quando ergueu a cabeça, se viu no espelho. Viu em seu reflexo as marcas da possessão dele, o que a fazia dele. Apenas essas coisas a ligava nele. Respirou fundo controlando as lágrimas, faltava pouco. Em alguns rápidos e dolorosos movimentos, livrou-se de tudo e guardou o envelope na mochila, colocou a sobre o ombro e saiu do quarto.

Não tinha noção das horas, mas a casa estava vazia. Yeong-gi devia estar na delegacia, Jungwoo e Min-ji no pub, Eun na cozinha. Sem fazer barulho, pegou as chaves na mesinha de centro e saiu da casa, indo em direção da picape, jogou a mochila no banco do passageiro pela janela e já ia dar a volta para entrar.

— Yu-mi! — Eun a surpreendeu, aparecendo na porta.

Yu-mi respirou fundo e se virou. Eun caminhou até ela, obviamente preocupada.

— Como você está? Você não comeu nada, onde está indo?

— Ver Ae-cha, e meus padrinhos. Vou garantir a eles que estou bem. — mentiu com facilidade.

Nunca fora uma boa mentirosa, mas estava totalmente robótica e não expressava emoção alguma, mesmo se fosse verdade, não teria diferença, sairia da mesma maneira morta.

— Você está bem para dirigir? Quer dizer, eu posso te levar, se você...

— Não, Eun. — interrompeu, forçando um sorriso. — Obrigada, mas eu estou bem. De verdade. Eu só preciso conversar um pouco com a Ae-cha. E talvez fique lá para esperar o Taeyong e conversar com ele também.

— Ele vai ficar feliz com isso. Taeyong está péssimo, preocupado que esteja brava com ele ou o odeie por tudo que aconteceu.

— Ele só me disse a verdade. E por que ficaria brava com ele? Por me amar? — sorriu. — Claro que podia ter me dito tudo em particular, acho que nunca me senti tão humilhada em toda a minha vida, mas jamais o odiaria, eu o amo demais. Sei que ele fez o que fez por querer me proteger.

— Foi realmente isso, ele queria te proteger, porque ele ama você, Yu-mi. Demais. Então vai lá e diga isso a ele, será bom. — Eun sorriu.

Yu-mi retribuiu o sorriso e abraçou Eun, surpreendendo-a. Eun lhe abraçou de volta e alisou seu cabelo, e antes de se afastar, beijou seu rosto.

— Você sabe que eu te amo, não é Yu-mi? Como minha filha. Eu só quero que você fique bem.

— Obrigada, Eun, eu também te amo. Obrigada. — sorriu e caminhou para entrar no carro.

Yu-mi quase se sentiu mal por ter mentido para Eun, amava-a muito, realmente não queria preocupá-la. Não queria preocupar a mais ninguém, por isso não iria até a casa dos padrinhos se despedir deles ou dos outros, iria partir seu coração. Se é que ainda existia alguma parte inteira para ser partida. Após Eun entrar, deu partida no carro e dirigiu em direção à cidade.

Enquanto dirigia lentamente pelo centro, pensou sobre o que faria primeiro. Usar o pequeno e único caixa eletrônico da cidade estava descartado, seria inútil, e também não teria tempo de ir ver um escritório imobiliário em Port Angeles, mas tinha Kim, que era agente imobiliária lá e provavelmente tinha tudo que precisava em casa. Foi até a casa de Kim e pediu tal favor, por sorte Kim pode ajudá-la. Após quase uma hora para preparar todos os documentos, Yu-mi se despediu dela agradecendo e foi embora, controlando a maldita e fodida vontade que tinha de chorar. Parte de si indo embora naquele momento, dentro do envelope A4 que tinha em mãos.

Colocou o envelope em cima do painel e dirigiu para o pub. Parou a picape na frente, estava, estranhamente, fechada para os clientes, mas a porta destrancada. Nem Min-ji, Jungwoo ou Doyoung. Yu-mi andou a passos largos em direção ao escritório, bateu duas vezes na porta e a abriu.

— Yu-mi! — Taeyong exclamou surpreso.

— Oi Kenai! — Yu-mi sorriu da melhor maneira possível.

Deixou os papéis em que trabalhava na mesa e levantou-se abruptamente, quase correndo em sua direção. Não a deixou falar nada, tomou-a em seus braços, em um abraço esmagador. Yu-mi sorriu com o abraço confortável do seu Kenai e suspirou, não ia chorar. Estava ali por seu irmão, não faria isso.

— Estava tão preocupado, Koda. — disse com a voz cortada. Yu-mi sentiu a tristeza, remorso e dor em sua voz. — Eu...

— Ei — interrompeu-o. Afastou-se um pouco sorrindo, enquanto ele deixou as mãos em seus ombros. — Eu vim exatamente pra isso. Queria que soubesse que de maneira nenhuma estou brava com você. E nem te odeio, de onde tirou essa merda? Você é meu irmão urso, meu Kenai, nunca te odiaria!

— Eu sinto muito, Yu-mi, sinto de verdade. Por muitas coisas, melhor, por tudo. Eu estava... Consegui as informações pouco antes de irmos para casa e não tive tempo de assimilar tudo que tinha descoberto, fiquei tão... Furioso, vi tudo vermelho e simplesmente explodi. Eu gostaria de ter feito as coisas diferentes. — Taeyong disse com pesar. Odiava ter machucado sua Koda, mesmo que fosse com as melhores intenções do mundo.

— Não importa a maneira, o resultado seria o mesmo, Taeyong. — disse suavemente e deu um sorriso cansado. — Sei que você é explosivo, raramente pensa antes de fazer algo, nunca mentiu pra mim e fez tudo aquilo somente para me proteger. Eu te amo por todas essas coisas, jamais iria te odiar por você ser você, irmãozão.

— Verdade, eu só queria te proteger. E queria ter feito isso antes de você acabar tão machucada, irmãzinha. — sorriu e afagou o rosto dela. — Quer que eu o mate? Posso fazer parecer um acidente.

Yu-mi balançou a cabeça com uma risada repicada e triste.

— É uma proposta interessante, mas não. Quero que você esqueça que ele existe e que passou por nossas vidas, por que... — pausou engolindo seco, respirou fundo e sorriu, tentando mostrar força.

— Porque é o que eu pretendo fazer.

— Oh Koda, vem cá. — ele a puxou para seus braços novamente e lhe abraçou com firmeza. — Minha irmãzinha. Eu te amo.

— Eu te amo muito mais. — Yu-mi disse, completando a frase deles.

— Eu amo muito, muito, mais! — Taeyong lhe apertou em seus braços e beijou seus cabelos.

Como tinha feito há algum tempo, quando Yu-mi também estava triste por Jaehyun, mas antes de saber de toda a verdade.

Yu-mi beijou seu rosto e se desvencilhou dele, dando alguns passos para trás.

— Pra onde você vai agora? — Taeyong perguntou carinhosamente.

— Acho que pra casa. — mentiu. — Mais tarde eu passo na casa grande e converso com meus padrinhos e Ae-cha. Diga a todos que os amo, está bem?

— Mas você não está indo lá mais tarde? Pode dizer você mesma. — disse com o cenho franzido.

— É, mas se você vi-los antes, diga de qualquer maneira? Tchau, Taeyong.

Antes que ele pudesse falar ou dizer algo, ela já tinha caminhado rapidamente para fora do escritório, e corrido para fora do pub. Se jogou dentro da picape e a ligou.

Olhou para o pescoço, depois o pulso, então o envelope sobre o painel. Ainda existia alguém que precisava ver antes de deixar a cidade.

Jaehyun se surpreendeu ao escutar as batidas na porta do quarto. Algo no seu íntimo gritou "Yu-mi!". E era bem possível, porque não receberia nenhum tipo de visita, não algo que não fosse relacionado à Yu-mi e toda a situação. Saltou da cama rapidamente, passando a mão no rosto e no cabelo, então abriu a porta. Suspirou pesadamente ao vê-la parada na frente. Sua Yu-mi. Apesar de tudo.

Ela parecia horrível, nem um terço da mulher que tinha trazido de Seol há tão pouco tempo. O jeans surrado, o casaco enorme e o tênis. Seu rosto cansado e abatido, olhos fundos e pequenos sem vida alguma. Inferno, o que tinha feito com ela? Não é como se estivesse muito melhor. Usando apenas uma calça jeans, os cabelos desgrenhados, a barba crescendo e sombreando seu rosto, enquanto suava todo o uísque que tinha bebido nas últimas horas, mas não estava bêbado. Estava apenas tão abatido quanto ela. Mas estava pouco se fodendo para a própria aparência, porque era a dela que fazia seu estômago se contorcer em tanta culpa e remorso.

Queria puxá-la para seus braços, abraçá-la e beijá-la, dizer toda a verdade e arrancar toda a dor de seu peito. Não deixar que mais nada a atingisse dessa maneira. Oh, Deus.

— Yu-mi...

— Isso é seu. — ela disse com a voz baixa, oferecendo a ele um envelope pardo.

Jaehyun deu um passo à frente, se aproximando, mas ela deu um para trás, quase horrorizada com seu movimento. Ele voltou para trás e se encostou no batente da porta, controlando os próprios impulsos e vontades, não estava em condições de exigir a absolutamente nada, e tinha até medo de fazê-lo de tão frágil que ela aparentava estar. Yu-mi agitou o envelope suavemente e empurrou para ele, batendo contra seu peito, fazendo-o não ter opção a não ser pegá-lo, mesmo sem ter ideia do que se tratava.

— Pega, é seu. Eu não posso... — ela parou quando seus olhos marejaram. Não era forte suficiente, não naquele momento. Não fazendo o que estava fazendo. — Não é meu... Não agora, não mais. Todo o que significava pra mim foi destruído, você destruiu. Não é mais meu lugar seguro, não posso nem pensar naquele lugar sem me lembrar de tudo o que aconteceu, sem sentir dor. De meu pedaço do mundo seguro, se tornou o meu pedaço do inferno doloroso, representando tudo o que eu perdi. Ou nunca foi meu.

Yu-mi piscou forte, deixando as lágrimas descerem por suas bochechas, abaixou a com o rosto franzido em dor, mas logo voltou a erguê-lo e o encarou. Seu rosto foi suavizando aos poucos, até se tornar uma máscara sem emoção alguma. Se suas bochechas não estivessem molhadas pelas lágrimas, poderia dizer que não estava sentido absolutamente nada a não ser, talvez, desprezo.

— Mas agora você pode ir embora com a sua mente tranquila. Sua missão está completa, seu plano foi um sucesso e sua promessa está cumprida. Faça bom proveito, seja feliz. E adeus, Jeong.


Notas Finais


Mais uma vez peço desculpa e prometo estar mais atenta quando for editar os capítulos e fazer a adaptação de cada um !


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