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História Between Birthdays - Hinny - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Feliz aniversário, Harry Potter <3

Hoje é aniversário do nosso inesquecível Harry - e também da mulher INCRÍVEL que o criou.
Uma pequena homenagem dessa fã que ama a saga de todo o coração.

Espero que gostem :D

Capítulo 1 - Parte Um


Fanfic / Fanfiction Between Birthdays - Hinny - Capítulo 1 - Parte Um

Scarsdale – NY.

 

31 de julho de 2016

 

Aos quinze anos, eu já sofria com um amor não correspondido. A verdade é que Harry Potter nunca me veria como nada além da irmãzinha do seu melhor amigo.

Harry era bonito. Bonito até demais. Ele era alto, tinha os olhos verdes mais intensos que eu já tinha visto e um cabelo preto extremamente rebelde. Estava sempre bagunçado e ele sequer ligava. Ele e meu irmão eram melhores amigos desde que tinham seis anos e frequentavam a escola elementar.

Harry vivia na nossa casa tanto quanto Rony vivia na dele. Sempre que me via ele dizia um “Oi, Gina” e acenava. Borboletas voavam no meu estômago só de olhar para ele e ele sequer notava.

Hoje era aniversário dele. Haviam vários posts no Instagram com fotos e storys com ele. Harry era popular. Todos gostavam dele.

 – Ei, Gina, tudo certo com o bolo? – Perguntou Rony, entrando na cozinha.

Ele digitava no celular rapidamente e levantou os olhos para me encarar. Rony havia organizado uma pequena festa surpresa para o Harry e me pediu para fazer um bolo. Harry gostava do bolo de nozes, ele sempre elogiava quando mamãe fazia o bolo de nozes.

– Sim – assenti, terminando de lavar a louça do almoço.

– Ok, vou terminar de resolver o que falta então – e saiu rapidamente.

Rony havia me convidado por motivos óbvios: a festa seria na nossa casa; eu também conhecia o Harry desde sempre e ele precisava de alguém para fazer um bolo, já que nossa mãe estava viajando.

Eu estava planejando passar boa parte dessa festa no meu quarto, já que eu não era da mesma turma que eles. Só iria passar para desejar Harry um feliz aniversário.

Horas mais tarde, eu estava na frente do espelho avaliando a roupa que eu havia escolhido, um shorts jeans claro de cintura alta e uma regata de cetim preta. Nada muito chamativo, nem tão casual.

– Ei, está pronta? – Rony perguntou, parado no batente da porta. – Simas falou que eles chegam em cinco minutos.

– Ok, eu já desço – avisei, olhando-o pelo espelho. Rony assentiu e saiu.

Passei meu perfume preferido e penteei o cabelo mais uma vez. Não que fosse adiantar de alguma coisa, ele nunca me notava.

 Desci as escadas e logo Rony apagou as luzes. Alguns minutos depois, escutamos o carro parando e os dois caminhando para a porta da frente, enquanto conversavam. Supostamente eles iriam assistir um jogo e beber cervejas (escondidos).

– Será que o Rony saiu? – Escutei a voz de Harry questionar. Ele sabia onde ficava a chave reserva e usou para entrar.

Assim que vimos as silhuetas deles, Rony acendeu a luz e todos gritaram “surpresa”. Harry arregalou os olhos, surpreso e soltou uma risada nervosa.

– Meu Deus, cara – ele olhou para meu irmão. – Que susto.

As pessoas começaram a parabeniza-lo e eu estava indecisa sobre o que fazer. Seria estranho se eu apenas corresse para meu quarto? Antes que pudesse decidir, Neville, que estava do meu lado, acenou para Harry e ele me viu. Tarde demais.

– Parabéns, irmão – Neville falou. Eles se cumprimentaram daquela forma esquisita que os homens sempre fazem e depois Harry olhou para mim.

– Oi, Gina – disse ele, como sempre.

– Oi, Harry – respondi, torcendo para não corar. – Feliz aniversário!

Nosso abraço foi meio sem jeito, Harry era uns trinta centímetros mais alto, então tive que ficar na ponta dos pés para alcança-lo. Ele me segurou pela cintura e me ergueu do chão. O gritinho de espanto que escapou da minha boca, não foi alto, mas eu senti Harry rir.

Meus pés tocaram o chão outra vez e ele continuou com uma mão na minha cintura.

– Obrigado, Gina – ele sorriu. Meu coração ameaçou partir as costelas de tão rápido que batia. Nos encaramos durante alguns segundos, até que alguém gritou para ele ir tomar cerveja. Sua mão saiu da minha cintura e seus olhos desviaram dos meus. Só quando ele se afastou, que eu tive noção do quão próximo estivemos.

Pisquei várias vezes, tentando recobrar a consciência. Aquilo só podia ter sido fruto da minha imaginação, que era muito fértil e já visualizou vezes demais Harry correspondendo aos meus sentimentos. Com certeza era só isso.

A festa foi até muito tarde. Eram quase duas da manhã quando Simas e Dino saíram por último. Eu estava sentada no sofá e Harry tinha se despedido dos meninos. Naquele momento reparei no sumiço de Rony.

– Se estiver cansada pode ir dormir, eu vou arrumar essa bagunça aqui – Harry comentou.

Haviam copos e latas espalhados por tudo quanto é lugar.

– Eu te ajudo – falei. Pulei do sofá e segui até a dispensa para pegar saco plástico. – Sabe do Rony? – Perguntei, entregando um saco a Harry.

– A última vez que eu o vi, ele e Hermione estavam quase se comendo em público – ele deu de ombros. – Devem estar no quarto.

– Ah – respondi, sem graça.

Trabalhamos vários minutos em silêncio. Até que Harry comentou:

– O bolo estava realmente gostoso – ele deu um sorriso de lado. – Nozes é meu sabor favorito, obrigado.

– Como... como sabe que fui eu que fiz? – Indaguei, sentindo o rosto corar.

– Porque está igualzinho ao da sua mãe – replicou. – E tenho certeza que não foi Rony que fez.

Eu sorri divertida e assenti.

– Com certeza não.

Terminamos de juntar os lixos e limpar a bancada e nada do senhor Rony aparecer. Peguei duas garrafas de água na geladeira e dei uma a Harry.

– Ei, sobrou bolo, você quer? – Questionei, puxando a travessa.

– Só se você comer comigo – Harry respondeu. Ele se materializou ao meu lado, me assustando. Eu quase derrubei todo o bolo no chão, contudo Harry foi mais rápido e o salvou. – Desculpe, não quis assustar.

– Er... não... não foi nada – respondi, fechando a geladeira.

Harry colocou o bolo em cima da ilha e acenou com a cabeça. Eu sentei no mármore, enquanto ele pegava os garfos.

– Só tem um garfo limpo – disse ele e eu franzi o cenho.

– Pegue uma colher – falei e ele acenou com a mão.

Harry pegou um pouco de bolo no garfo e me olhou, com um sorrisinho nos lábios.

– Abra a boca – disse ele. Eu hesitei e ele alargou o sorriso. – Vai.

Eu abri e ele levou o garfo até minha boca. Seus olhos me fitavam durante todo o momento e eu sentia meu rosto queimar. Depois ele espetou mais bolo e levou até a própria boca.

– Hum... – ele suspirou de olhos fechados. – Delicioso.

Seus olhos se abriram e ele me flagrou no ato de encará-lo descadaramente. Sem se intimidar, ele espetou mais uma vez e levou até minha boca. Depois que peguei, ele largou o garfo e apoiou os dois cotovelos na bancada, seus olhos em mim durante todo o tempo.

Eu mordi os lábios, Harry nunca havia agido daquela maneira e eu estava estranhando. Embora eu precisasse admitir que parte de mim estava amando.

– Posso te pedir uma coisa? – Perguntou ele, de repente. Eu assenti, ansiosa.

Harry abriu a boca para dizer, entretanto Rony entrou na cozinha no mesmo momento.

– Todos já foram? – Questionou ele.

– Sim – Harry respondeu, desencostando do balcão. – Eu e Gina já arrumamos tudo.

Harry lançou um último olhar para mim e então saiu com Rony.

Eu nunca soube o que ele queria me pedir.

 

*

 

31 de julho de 2017

 

Enquanto escutava o álbum 1989, da Taylor Swifit no último volume, eu me ocupava em rechear os cup cakes, com meus pensamentos longes. Mesmo que tentasse evitar, tudo que eu conseguia pensar era que aquele seria o último aniversário de Harry no ensino médio.

No próximo ano, ele e Rony partiriam para a faculdade e Harry certamente encontraria alguma garota de fraternidade, se apaixonaria, quem sabe a desgraçada seria sortuda o suficiente para enfiar as unhas tão fundo nele, que se casariam, teriam lindos filhos e uma casa gigante.

Bufei, irritada. Eu não deveria pensar nisso. Eu deveria esquecer Harry. Mas como eu faria isso? É difícil esquecer uma pessoa que você tem convivência diária e que é tão malditamente bonito.

Distraída, eu sequer escutei a porta da frente abrir. Dificilmente escutaria, já que estava tocando Style, uma das minhas preferidas.

So it goes, he can't keep his wild eyes on the road. Takes me home, the lights are off, he's taking off his coat. I say: I heard - oh! That you've been out and about with some other girl. Some other girl – enquanto cantava, usava uma colher como microfone, alheia ao fato de que Harry estava encostado no batente da porta, me assistindo.

I said: I've been there too, a few times – ele cantarolou e eu gritei. Harry arregalou os olhos, espantado. – Desculpa!

– Porra, Harry! – Eu ralhei, a mão no coração. – Quer me matar de susto?

– Foi mal, Gina – disse ele, indo até a JBL e a desligando.

Após me recuperar do susto, tive consciência de que ele esteve me assistindo. Senti meu rosto corar furiosamente.

– Hum... o que... o que faz aqui? – Questionei, sem olhá-lo nos olhos.

Harry puxou uma banqueta e sentou, enquanto me assistia rechear os bolinhos.

– Vim falar com o Rony – disse ele.

 – O Rony não está – avisei e ele assentiu.

– Fiquei sem bateria no celular – Harry comentou. – Pensei em passar para ver com ele uma coisa.

– Ah, sim – respondi. – Aviso que esteve aqui, quando ele voltar.

– O que está fazendo? – Indagou Harry, curioso.

– Cup cakes – repliquei. – O padre pediu doações de sobremesas para o jantar beneficente.

– Daquela menininha que vai fazer a cirurgia?

– É – assenti.

– Minha mãe disse que ia fazer torta de maça – disse ele.

– Minha mãe falou que vai fazer brownie quando voltar da aula de pilates – comentei. – Pensei em fazer uns bolinhos para ajudar também.

– Parece trabalhoso – comentou, olhando os quase cem bolinhos em cima da bancada.

– É... na verdade, eu fiquei na dúvida de qual sabor fazer, então eu decidi fazer um pouco de cada – expliquei.

– Quais sabores você vai fazer?

– Nutella, mousse de limão, creme de frutas vermelhas e... nozes – falei, apontando para cada montinho.

Harry olhou cobiçoso para o montinho de nozes que eu havia apontado.

– Se eu te ajudar, posso comer um de bolinho de nozes? – Questionou.

Eu o encarei perplexa.

– Me ajudar? Você?

– Qual o problema? – Ele deu de ombros. – Assim eu espero o Rony voltar, estou com preguiça de ir para casa.

Ah, é claro, pensei com desânimo.

– Não sei, Harry...

– Ah, vai, para de ser chata – disse ele, já indo na pia para lavar as mãos. – Além do mais, se for fazer tudo isso sozinha, vai ficar horas e horas aí.

É, ele tinha um ponto.

– Ok, mas faz da forma que eu falar, está bem? – Avisei e ele assentiu.

– Vou ligar a música outra vez – comentei.

A voz de Taylor voltou a soar e então eu olhei para Harry, intrigada.

– Desde quando você conhece música da Taylor Swift? – Questionei curiosa.

Harry pegou a travessa que estava com o creme de frutas vermelhas e me lançou um olhar divertido.

– Minha mãe sempre escuta. São legais, até – ele deu de ombros. – É só abrir a tampinha e enfiar o recheio?

– Pelo amor de Deus, você não enfia nada – ergui a mão, para pará-lo. – Você coloca delicadamente. Assim.

Recheei um bolinho e ele anuiu.

– Certo – ele recheou e me entregou, para ver se estava bom.

– Ok, pode continuar.

Continuamos o trabalho em silencio, eu notei que Harry cantarolava todas as músicas. Aquilo definitivamente era muito engraçado.

– Por que está dando risadinhas toda hora? – Falou ele, me olhando sério. – Minha cara está suja por acaso?

– Nada, Harry – devolvi balançando a cabeça. – Só acho engraçado você cantando Taylor Swfit. Não sabia disso.

– Tem muitas coisas que você não sabe sobre mim, Gina – ele falou, me lançando um olhar travesso.

Sem saber o que responder, continuamos o trabalho em silêncio. Quase meia hora depois terminamos de rechear tudo.

– Ok e agora? – Harry questionou.

– Agora eu vou passar o chantilly e você pode escolher alguns confeitos para enfeitar.

Peguei o tubo com o chantilly e fui fazendo a cobertura, enquanto Harry jogava chocolate em pó nos de nutella, raspas de limão nos de mousse de limão, colocava uma cereja nos de creme de frutas vermelhas e nozes moída nos de nozes.

– Ah! Eles ficaram lindos – sorri, admirando nosso trabalho.

– Você fez um ótimo trabalho, Gina – Harry sorriu, empurrando meu ombro de leve com o dele.

– Você ajudou – comentei e ele deu de ombros.

Peguei meu celular para ver a hora e só então me dei conta que havia esquecido completamente que era aniversário dele.

Depois que ele lavou as mãos, eu peguei dois bolinhos de nozes e parei ao seu lado.

– Bom trabalho, aqui está seu pagamento – brinquei entregando os dois bolinhos a ele.

– Dois? – Harry perguntou animado, pegando os cup cakes.

– Sim, um pelo trabalho e o outro pelo seu aniversário – falei, hesitante.

– Ah – ele sorriu, sem graça e colocou os dois bolinhos em cima da pia. – A gente ganha abraço no aniversário também.

Eu soltei uma risada nervosa e senti meu rosto esquentar, no entanto, não perderia a oportunidade de dar um abraço inocente nele.

– Então, feliz aniversário, Harry!

Eu o abracei e senti seus braços rodear minha cintura. Harry beijou meu ombro e eu quase surtei. Cassete, ele beijou meu ombro. Nenhum de nós dois se movia para se desvencilhar. Eu senti suas mãos espalmadas nas minhas costas, afagando lentamente. Meus dedos tocaram sua nuca.

Ok. Ok. Sem pânico. Minha respiração estava entrecortada e meu coração parecia prestes a parar. Harry beijou meu pescoço e a o local formigou. Em um sobressalto de coragem, eu me decidi que queria beijá-lo e que nada no mundo iria impedir isso.

Movi meu rosto para que pudesse olhar em seus olhos. Engoli em seco ao notar a intensidade em seu olhar. Harry se aproximou de mim, estávamos a centímetros... eu podia sentir sua respiração batendo no meu rosto... e então escutamos a porta da frente abrir.

 Nos separamos abruptamente. Eu corri para a bancada, só para não precisar olhar na cara dele. Eu estava morta de vergonha.

– Harry, querido! – Minha mãe sorriu animada. Ela largou as compras em cima da mesa e foi até ele, o abraçando. – Feliz aniversário, meu amor.

– Obrigado, Sra. Weasley – respondeu ele.

– Ah, Gina, que rápido que você fez os cup cakes, filha – disse mamãe, admirando os bolinhos.

– Harry ajudou – falei, sem graça.

– Oh, é sério? – Ela murmurou, as sobrancelhas arqueadas e um sorrisinho nos lábios.

– ‘Tá uma ‘licia – Harry comentou de boca cheia.

– Cheguei – Ouvi Rony gritar da porta. – Ei, Harry! Passei na sua casa e seu pai disse que te deixou aqui há horas!

– Meu celular estava descarregado – Harry falou indo até meu irmão. – Esqueci que você iria sair hoje à tarde.

– E o que ficou fazendo? – Perguntou Rony, olhando de Harry para mim.

Precisei de todo o autocontrole que possuía para não corar.

– Veja, Rony – mamãe apontou. – Eles fizeram os cup cakes!

– Eu ajudei enquanto te esperava chegar – disse Harry. – Aí ganhei um pelo árduo trabalho e um pelo meu aniversário.

– Humm – Rony murmurou. – Ei, Gina, posso pegar um?

– Claro – assenti, enquanto guardava os bolinhos em uma caixa.

– Só um, Ronald! São para a igreja – avisou mamãe.

– Está bem – assentiu. – Então, vamos subir, Harry. Encontrei o que você queria.

Antes de sair, Harry lançou um último olhar e eu tive que conter um suspiro exasperado. Eu quase tinha beijado Harry Potter.

 

*

 

31 de julho de 2018

 

Aquele era o último verão de Rony e Harry, antes deles partirem para a faculdade.

Eu tentava não pensar muito naquilo. Mesmo que os dois fossem para a cidade de New York, que era realmente perto – menos de uma hora de carro –, eu sentia coisas que gostaria de não sentir.

Como por exemplo, um pavor gigantesco de Harry aparecer namorando. Desde o nosso quase beijo do ano passado, nada mais aconteceu. Isso me frustrava em níveis gigantescos, porque por alguns momentos, eu pensei que ele me queria tanto quanto eu o queria.

Contudo, ele nunca mais deu indícios de tentar alguma aproximação.

Já era fim de tarde e eu estava voltando do mercado, estacionei o carro e os vi terminando de pintar a parede. Rony e Harry haviam dado uma de pintor, quando meu pai comentou que estava pensando em pintar a casa. Eles se ofereceram para o trabalho, já que estavam juntando dinheiro para a faculdade.

Entrei em casa e deixei as compras em cima da mesa.

– Querida, pode levar essa limonada para os meninos? – Mamãe pediu. – Está quente demais e eles estão trabalhando até agora.

– Claro – respondi.

Peguei a jarra e os copos e saí pela porta dos fundos. Os dois estavam sentados na grama, conversando sobre alguma coisa e rindo.

– E aí, estão com sede? – Perguntei.

– Morto – Rony respondeu.

Servi o suco para eles e quando coloquei a jarra na grama, Harry falou:

– Ei, Gina, o que vai fazer hoje à noite?

– Nada – encolhi os ombros.

– Vamos ao parque itinerante hoje à noite, meu aniversário e tal. Quer ir junto?

– Hum...

– Vai ser legal, Gina – Rony falou. – Você nunca faz nada, aproveita curtir com seu irmão mais lindo enquanto ele ainda está na cidade.

– É, Gina – Harry concordou. – Logo estaremos partindo para a faculdade, não vai deixar passar essa, vai?

Harry me fitou com aqueles olhos verdes e eu não soube como negar seu pedido.

Horas mais tarde, embarquei no carro de Harry, com Rony e Hermione.

– Vai na frente que eu quero ficar com a minha gata – disse Rony.

– Ora, Ronald – Hermione murmurou. – É um caminho relativamente curto e...

Rony a calou com um beijinho e ela corou.

– Vocês são nojentos – resmunguei.

Harry dirigia silenciosamente. Ele estava tão bonito que eu precisava me conter para não ficar olhando-o toda hora. Já no parque, nos encontramos com Neville e sua namorada Luna, Simas e Dino.

Estava sendo divertido, fomos no carrinho bate-bate, na montanha russa e em outros brinquedos que me faziam tontear. Com exceção do fato que Dino ficava me encarando o tempo todo, o passeio estava sendo perfeito.

– Eiiiii, vamos no Labirinto do Terror? – Simas questionou, animado.

– Vamos!

– Com certeza!

– Não. Absolutamente, definitivamente, não – falei, negando com a cabeça.

Todos me olharam surpresos e eu cruzeis os braços.

– O que? Eu odeio coisas que dão medo – falei em minha defesa. – Mas sabe o que? Podem ir vocês, eu espero aqui.

– Para, Gina – Hermione sorriu, tentando me acalmar. – São atores!

– E daí? Eu sinto medo igual – bufei. – Além do mais, você tem o Rony para segurar sua mão se tiver com medo! E se não me engano, eu não tenho ninguém, então não, eu não vou.

As palavras mal saíram da minha boca e eu senti meu rosto queimar de vergonha.

– Er... – Rony murmurou. – Eu seguro a sua também, se quiser. Ou... o Harry. O Harry fica do seu lado, não fica?

– É – ele assentiu, coçando a nuca.

– Não.

– Ah, Gina, qual é – Harry arqueou o cenho. – Você me conhece a vida toda, somos quase irmãos, não é? Seguro sua mão se quiser, numa boa.

Meu estômago foi nos pés com sua última frase. Que inferno, tudo que eu queria era ouvir aquilo  mesmo, com certeza.

Harry pegou minha mão e me puxou em direção a caverna falsa.

– Pronto, resolvido – disse ele.

– Ei, Dino, você pode segurar minha mão? – Simas sussurrou alto e os outros caíram na gargalhada.

Eu rolei os olhos e Harry murmurou baixinho.

– Não liga, eles só estão chateados porque eles queriam estar segurando sua mão agora.

– Eu vou te matar por me arrastar nisso, Harry Potter – resmunguei, com raiva.

– Não se preocupe, eu vou estar com você – Harry afagou minha mão e eu mordi os lábios.

Entrar naquela merda de Labirinto do Terror foi a pior coisa que eu fiz na vida. Eu quase chorei de tanto medo, quase esmaguei a mão de Harry e teve um momento que fiquei com tão apavorada que o abracei desesperada.

Saímos de lá e eu mal conseguia parar de tremer. Sentei no primeiro banco que encontrei e Harry sentou do meu lado, enquanto Rony foi buscar água.

– Pronto, já passou – disse ele, afagando minhas costas.

– Aqui, Gina – disse meu irmão.

– Coitadinha, realmente morre de medo – Luna comentou, me lançando um olhar solidário.

– Ei, que tal ir na roda gigante? – Harry falou. – Tenho certeza que vai se sentir melhor depois de bastante vento no rosto.

– Ah, não, roda gigante é podre – Simas reclamou.

– Mentiroso, só está falando isso porque tem medo de altura – Dino zombou e eu encarei eles, com a vingança em mente.

– Ótimo, se eu fui nessa porcaria de labirinto, você terá que ir na roda gigante e não se preocupe, tenho certeza que Dino vai segurar sua mão – eu o encarei, sem ousar piscar.

– Ela está certa – Neville comentou e todos concordaram.

– Merda – Simas sussurrou, derrotado.

– Maravilha, vamos logo que o parque está quase fechando – comentei e me levantei.

Todos seguimos em direção à última atração.

– Acho que seremos dupla de novo – Harry murmurou baixinho.

Todos sentaram e ainda podíamos ouvir Simas choramingando sobre a altura e como era perigoso cair.

A vista era tão linda, que eu sorri sem perceber.

– Gina – Harry me chamou e eu virei para ele. – Sobre o que eu disse antes, tem uma coisa que eu queria que soubesse...

– Eu sei, Harry, você me vê como uma irmã e tal, eu entendi – eu disse, sem saco para voltar naquele assunto.

– Não... na verdade, eu só falei aquilo para que Rony não achasse tão estranho o fato de eu querer segurar a mão da irmã dele.

Eu pisquei, aturdida. Harry quis segurar minha mão? Como se lesse meus pensamentos, ele pegou minha mão e entrelaçou na sua.

A roda já estava quase fazendo a roda completa e eu mal conseguia tirar meus olhos dos dele.

– Acho que eu ainda não te dei parabéns – sussurrei, sem saber o que dizer. – Feliz aniversário, Harry.

Eu dei um beijo demorado no canto do lábio dele. Assim que me afastei, Harry me encarou com uma feição decidida e segurou meu rosto com a mão livre. Ele estava a centímetros de me beijar, quando o maldito do Simas vomitou do alto e estragou todo o clima.

 

*

 

31 de julho de 2019

 

Fora um longo ano sem a presença diária de Rony e de Harry. A casa ficava silenciosa, até. Era estranho. Embora eles viessem a cada quinze dias passar o fim de semana em casa, não era o mesmo.

Eu estava imensamente grata pelo fato do meu maior medo não ter se concretizado, Harry continuava solteiro, graças aos céus.

Como o covarde que eu imaginei que Harry fosse, ele nunca falou sobre o clima que surgiu entre nós no seu último aniversário. Já era a terceira vez que surgia um clima, que quase rolava um beijo e então alguma coisa atrapalhava. Talvez fosse um sinal dos anjos falando “acorda para a vida, minha filha, isso nunca vai acontecer! ”

E como sempre, Harry nunca mais falava sobre isso. Eu só não entendia por que ele fazia isso nos aniversários dele.

Esse ano eu já tinha me decidido. Eu não iria me aproximar dele, não queria cair mais uma vez e me iludir. Eu sofri semanas demais após os quase beijos. A esperança de que Harry iria dizer que também gostava de mim crescia como mato e depois ele jogava soda caustica em cima.

Mas esse ano, não. Eu iria ficar bem longe dele. Talvez eu estivesse certa, afinal de contas, com a partida dele para a faculdade, eu finalmente ficaria livre da sua presença e poderia tentar tirá-lo da minha mente de uma vez por todas.

Mas aí ele aparecia e era o suficiente para fazer meu coração idiota acelerar.

Já havia escurecido e eu estava deitada na cama, lendo meu livro, quando meu celular começou a tocar. Um número desconhecido.

– Alô?

Oi, Gina – era Harry. Maldição.

– Harry... hum... oi – murmurei. – Precisa falar com o Rony?

Escutei a risada dele do outro lado da linha e quase bufei.

Não, se eu quisesse falar com o Rony eu teria ligado para ele – ele comentou.

– Você nunca me ligou, estranhei – falei, sentindo-me contrariada.

Escuta, Gina... vai parecer um pouco estranho, mas será que eu poderia passar aí te buscar para conversar com você?

Um pouco estranho? Aquilo era completamente estranho.

– Eu... eu estou um pouco ocupada – menti, mordendo os lábios.

Harry suspirou do outro lado da linha.

Por favor, Gina. Eu realmente preciso conversar com você, é importante – ele insistiu e eu me senti mal de contrariar.

– Ok, Harry – aceitei.

Pouco menos de uma hora depois, Harry parou com o carro na frente de casa e eu embarquei. Sentia um frio na barriga e nem sabia o motivo.

– Tudo bem com você? – Ele perguntou e eu assenti. – Está com fome?

– Não. E você?

– Também não.

Harry seguiu até uma lanchonete, onde descemos para comprar milk-shake. Ele parecia nervoso.

– E então, Harry? – Perguntei, depois que os sorvetes chegaram.

– Tem uma coisa que eu preciso falar para você, Gina – começou ele. – Faz um tempo já, que queria ter falado sobre isso, mas nunca tive coragem.

Meu coração acelerou, será que ele falaria sobre nossos quase beijos?

– Pode dizer – incentivei-o.

Harry hesitou alguns segundos, depois respirou fundo e falou de uma vez:

– Eu sou apaixonado por você, Gina. Eu nunca tive coragem de dizer antes, porque eu achei que fosse algo passageiro, mas agora estou dizendo porque descobri que não é. Venho sentido isso há tempo demais e estou cansado de guardar isso para mim.

Eu o encarei perplexa. Harry segurou minha mão que estava em cima da mesa e a apertou.

– Eu não sei... pode ser que seja apenas impressão, mas... eu sinto que você se sente da mesma forma – ele murmurou, incerto. – Bom, pelo menos até o ano passado parecia e...

– Meu Deus, Harry – eu o cortei. – Será que pode calar a boca e respirar?

Ele engoliu em seco, parecendo muito nervoso.

– Eu... eu me sinto da mesma forma, Harry – falei, antes que amarelasse. – Também sou apaixonada por você.

Harry sorriu, levantando do seu banco e indo sentar ao meu lado. Ele segurou meu rosto entre suas mãos e me fitou.

– É sério? – Ele perguntou e eu assenti. – Então tudo bem se eu te beijar?

– Antes que eu me esqueça: Feliz aniversário – sussurrei.

No segundo seguinte, eu o beijei.

Eu havia sonhado com aquele toque vezes demais e nem nos meus melhores sonhos era tão bom assim. O beijo de Harry era simplesmente o melhor que eu já havia experimentado. Meu coração parecia prestes a explodir.

Quando nos separamos, ambos sorrimos feito idiotas.

– Estou aliviado que se sinta da mesma forma – ele sussurrou, acariciando minha bochecha.

– Eu também – comentei.

Depois de algum tempo, Harry me levou para casa. Quando ele estacionou na frente, ele desligou o carro e segurou minha mão.

– Então – eu murmurei e nós rimos.

– Tem uma coisa que eu queria te pedir – disse ele e eu o fitei curiosa.

– Se importa se mantermos isso em segredo? Pelo menos durante esse verão? – Harry perguntou e eu arqueei o cenho. – Rony é ciumento e eu não sei como ele vai agir, quando souber que estamos saindo.

– Você tem medo de Rony? – Questionei, sentindo um pouco de raiva.

– Ele é meu melhor amigo, Gina – Harry deu de ombros. – Foi uma das razões por eu ter demorado tanto a aceitar que gostava de você.

– O que quer dizer com isso? Aceitar que gosta de mim?

– Sei lá. Tantas garotas no mundo e eu tinha que me apaixonar justo pela irmã do meu melhor amigo? – Harry sorriu de lado. – Mas não mandamos no coração.

– Uau – eu balbuciei. – Inacreditável.

– Que foi? – Harry me olhou intrigado e eu bufei.

– Você é realmente um covarde, Harry – acusei. – Tanto tempo gostando de mim e nunca fez nada por medo do que meu irmão iria achar. Rony não tem que achar nada!

– Mas ele é meu melhor amigo!

– Eu sei – bufei. – E quer saber, Harry? Eu gosto de você antes mesmo de você gostar de mim! Eu sei que nos últimos três anos você tentou se aproximar e sempre aconteceu algo que impedia e depois você se acovardava.

– Gina, não é isso...

– É, sim – devolvi. – Eu não quero isso. Eu não quero ficar com uma pessoa que precisa aceitar que gosta de mim. Com alguém que quer esconder as coisas porque é covarde demais para assumir o que sente.

– Gina, por favor, não foi isso que eu quis dizer – Harry segurou minha mão e eu a puxei irritada.

– Foda-se, foi o que eu entendi. E quer saber? Para mim já deu – eu abri a porta do carro, saí e antes de fechar a porta, falei: – Esquece que essa noite aconteceu, esquece como eu me sinto. Eu farei o mesmo.

E sem esperar pela sua resposta, bati a porta com força e fui para casa.

 


Notas Finais


Uma surpresinha para vocês hehehe

Quem aí já sacou que dia sai a parte dois?

Nos vemos em breve, babys ♥


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