História Between Fears and Promises ( TaeKook ) - Capítulo 1


Escrita por: e mariyona

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Bifobia, Bottom!jungkook, Bottom!taehyung, Bts Pré-debut, Bts V, Flex!jungkook, Flex!taehyung, Gyukook, Homofobia, Hwarang Hyungs, Jeon Jungkook, Jung Hoseok, Kim Mingyu, Kim Minjae, Kim Namjoon, Kim Seokjin, Kim Taehyung, Kookgyu, Kooktae, Kookv, Menção!kookgyu, Mençãovmin, Min Yoongi, Minv, Park Bogum, Park Jimin, Side!kookgyu, Side!vmin, Slow Burn, Stigma, Taehyung!centric, Taekook, Top!jungkook, Top!taehyung, Universo Original, Vkook, Vmin, Whipped!jungkook, Whipped!taehyung
Visualizações 583
Palavras 3.537
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Fluffy, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Slash, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Bem-vindos à essa tentativa louca de mostrar TaeKook numa longfic de universo original (e bota LONG nisso, misericórdia hahahahaha)! 🙈

《 Avisos importantes! 》

- Esta é uma obra FICCIONAL, apesar de ser inspirada em fatos reais, ou seja, não tomem >nada< como verdade absoluta, ok? O que eu imaginei pode ser bem diferente do que realmente aconteceu/acontece, e cada um é livre pra pensar como quiser. Só peço respeito a possíveis divergências de pensamento.

- Tenho tentado ao máximo seguir uma ordem cronológica dos fatos, além de ficar maratonando vídeos e caçando entrevistas da pqp hahahahaha, algo que eu já queria fazer desde que virei ARMY, daí aproveito pra escrever algo maior sobre TaeKook conforme vou vendo/lendo as coisas. Se tiver algum errinho nesse sentido, me desculpem desde já, pois nem tudo encontrei traduzido, haha.

- Caso não tenham visto as tags: sim, o Tae vai se envolver com o Jimin em algum momento, assim como o JK com o Mingyu. E nada disso invalida o amor deles, o qual acredito que não nasceu da noite pro dia. Vejo como um processo gradual. Além disso, aqui a proposta não é só focar em TaeKook como casal, mas também no Tae descobrindo a própria sexualidade.

- Acho que adiantei bastante coisa da fanfic antes de postar e, mesmo que ainda não esteja nem na metade do que planejei, decidi ir postando aos poucos o que eu já tiver certeza que não vou mudar. Mas peço que compreendam caso as atualizações não sejam tão rápidas, porque bloqueios criativos ou surtos de “OMG será que ficou bom mesmo???” acontecem, rs.

- Por fim, queria dedicar essa fanfic a todos os amigos que fiz por causa de TaeKook, e também àqueles de quem me aproximei ainda mais por causa desse ship que tanto abala nossas estruturas. Amo vocês! 💜

- Capa e banners DI-VI-NOS são um oferecimento: KOOKIE DO MEU JIN! A hyung tem muito orgulho de você e desse talento pra edição, minha Kookie linda! 😍

Capítulo 1 - A primeira impressão mais forte


Fanfic / Fanfiction Between Fears and Promises ( TaeKook ) - Capítulo 1 - A primeira impressão mais forte

Pela janela da van que me levava do colégio até a sede da BigHit, em pleno horário de almoço, eu observava o céu azul coberto de nuvens branquinhas sendo sopradas pelo vento, tentando imaginar figuras diversas para passar o tempo.

Esta era uma mania que eu havia adquirido desde criança por passar muito tempo na fazenda dos meus avós e criar histórias com a vovó. Balançávamos numa rede amarrada entre duas árvores, contemplando a imensidão azul. Ou, então, sentados em um banco de praça, apreciando o pôr-do-sol, a gente tomava chá de erva-doce e conversava sem parar antes de voltarmos para casa, onde o vovô nos esperava para jantarmos todos juntos.

Eu fui morar com meus avós ainda bebê, e nunca entendi muito bem o por que disso. Acho que meus pais eram ocupados demais com o trabalho e não teriam tanto tempo para ficar comigo. Então, eles me criaram por catorze anos direto, sempre cuidando muito bem de mim, como se eu fosse um filho mesmo. Principalmente a vovó. Nem sempre, porém, ela podia estar comigo, já que precisava cuidar da casa, da fazenda ou da comida; então, eu tinha que me virar para brincar.

No início, até conseguia, mas acabava me sentindo solitário depois de um tempo e, inevitavelmente, sentia falta dos meus pais. Por que eu não podia vê-los sempre, mesmo com eles trabalhando tanto? As outras crianças, muitas vezes, me questionavam isso, já que a maioria tinha os pais - ou um deles - por perto e, às vezes, até irmãos. “Será que um dia eu vou ter irmãos?”, pensava. Só que, aí, era eu quem teria que cuidar deles. E eu também queria um irmão mais velho para cuidar de mim. Mas, conforme crescia, percebia que isso seria impossível, pois já era o primogênito dos Kim.

Decidi, então, que deveria ser um filho exemplar para meus pais, principalmente o papai. Nem sempre eu o sentia tão próximo de mim quanto a mamãe, apesar dele ser sempre carinhoso, então pensei que, talvez, mostrando o quanto me espelhava nele e queria ser como ele, as coisas mudassem? Será que, um dia, eu teria seu reconhecimento, e seria seu maior orgulho? Essa era a minha maior meta de vida.

Nesse meio-tempo, quando eu ainda ia para a creche, lembro vagamente da vovó me dar a mão e andar comigo até lá, logo cedo de manhã, ainda que, muitas vezes, eu me distraísse querendo falar com os cachorros ou cheirar as flores dos jardins pelos quais passávamos. Qualquer coisa muito fofa ou muito bela aos meus olhos me fascinava, mas não podíamos nos atrasar.

As tias da creche me recebiam, e eu estava sempre pronto para aprender coisas novas. Elas me achava muito doce e gentil. E eu tinha muitos amigos desde cedo. Gostava de fazer eles rirem. Ver as pessoas sorrindo por minha causa me fazia bem.

O tempo passou e, aos catorze anos, voltei para Daegu, minha cidade-natal, mas eu ainda me considerava mais de Gochang, pois foi onde cresci. Passei a conviver com meus irmãos mais novos, cuidando deles com muito esmero, tentando ser igual ao papai, alguém que sabia ouvir a gente, além de nos encorajar e aconselhar sobre os planos futuro, apesar de sempre levar bronca da mamãe. Eu adorava ter esses momentos em família, e visitava a vovó sempre que podia.

Na nova escola, haviam pessoas que estranhavam meu jeito de me expressar, afirmando até, no sentido maldoso, que eu tinha “meu próprio dialeto”, mas eu não entendia o que havia de tão errado em misturar algumas palavras, fazer muitas pausas enquanto falava, confundir palavras por esquecer a pronúncia certa, ou sei lá, se eu não soubesse a palavra exata para definir uma coisa, criava minha própria definição, como por exemplo: muitas vezes, chamava “blogueiros” de “pessoas de blog”, ou “tinta para cabelo” de “sopa para mudar a tinta”. Descrever as coisas de maneira abstrata, também, era uma mania, como dizer “parece que faz mais que ontem” em vez de “parece que só faz um dia”. Eu era assim, e não entendia o motivo dos olhares inquisitivos, ou até dos deboches, o que me deixava triste. Então, assim como fui ensinado, sempre tentei tratar os outros bem, mesmo que me tratassem mal. E, aos poucos, fui conseguindo fazer amigos. Consegui até ser presidente de classe e um dos membros do conselho estudantil. Diziam que eu era muito carismático, falante e divertido, e eu ficava feliz por ser agradável. Por ser alguém capaz de admirarem. Era legal ter tanta atenção e afeto, então essas pequenas coisas faziam diferença no meu dia-a-dia.

Acabei até ficando popular por ser assim, tão expansivo e fácil de conversar, mas nem todos ficavam felizes com isso. Cheguei a passar por um momento de humilhação quando um colega me convidou para uma festa, e fui até o local no dia e hora marcada, mas não havia ninguém. Liguei para ele, e não fui atendido. Fiquei tão perdido, sem saber o que fazer, que passei três horas esperando que aquilo fosse só um pesadelo, até notar que sim, realmente fizeram isso comigo, assim, de graça. Chorei o caminho inteiro na volta. Meses depois, ele admitiu que fez isso de propósito por ter raiva da minha popularidade, e, apesar de tudo, decidi perdoá-lo. Não gostava de guardar rancor, e preferia estar em paz com todo mundo. Mas doeu.

Nisso de ficar mais visado, aconteceu que, logo no início do Ensino Médio, uma garota se declarou para mim, e me senti incapaz de dizer não por pena de rejeitá-la, já que a ideia de ser rejeitado era algo que me apavorava. Além disso, já havia passado pelos meus momentos de desilusão por paixões não-correspondidas, inclusive num dia chuvoso em que tentei me declarar, sem sucesso, pois a chamada do celular nunca completava. E eu imaginei que, dando uma chance para aquela garota, talvez desse certo.

Foi assim que dei meus primeiros beijos, meio hesitantes e desajeitados, mas, de algum modo, proveitosos. O problema é que fui ficando agoniado por não conseguir correspondê-la, o que fez o namoro durar menos de vinte dias, pois não achava justa aquela situação. Outras garotas se declaravam para mim, até algumas amigas, e eu tentava, mais uma vez, ter um namoro firme, mas nem passava de uma semana. Era chato ter que terminar tudo, mas fui vendo que mais chato ainda era estar num relacionamento por obrigação. E eu não queria isso. Sonhava, inclusive, em casar com meu primeiro amor. Mas eu não me via me apaixonando tão facilmente. Talvez fosse muito seletivo…? Bom, pelo menos pude notar que, quando eu tentava algo com as garotas que eram minhas amigas, não era tão ruim justamente por já existir um laço afetivo. Era menos desconfortável.

O tempo passou e, um dia, acompanhando um amigo meu numa audição para a empresa BigHit, resolvi explorar o local após deixá-lo se preparando numa sala antes de se apresentar. Foi quando uma das olheiras me viu e sugeriu que eu também participasse dos testes, só que eu precisava da permissão dos meus pais, já que eles não haviam deixado a princípio. Porém, aquela mulher conseguiu persuadi-los, e lá fui eu cantar, fazer rap, dançar, além de atuar e mostrar imitações cômicas que, modéstia à parte, eram um dos meus maiores pontos fortes.

Quando criança, eu até já pensava em ser cantor, mas, depois da audição, meu pai disse que cantores deveriam aprender pelo menos um instrumento, e então escolhi o saxofone, pois possuía certa afinidade com jazz e blues. Gostei tanto que até pensei em seguir a carreira de saxofonista, mas acabei voltando atrás, mesmo tendo ganhado um prêmio após tocar “Desperado”, do Eagles.

Assim, em novembro de 2011, me mudei para o dormitório dos trainees em Seul, sendo a única pessoa de Daegu a passar nas audições. Moro aqui sem nem saber exatamente quando - e se - vou debutar, mas preciso ser otimista, certo?

Também fui transferido para um colégio no centro de Seul para terminar o primeiro ano do Ensino Médio. A van sempre chega cedinho para levar eu e outros meninos, onde estudamos antes de seguir para nossos treinos, que duravam praticamente o dia inteiro: aulas de canto e dança, aulas de língua estrangeira, aulas de como lidar com os fãs, realmente queriam formar idols de comportamento impecável. Às vezes, eu me perguntava se conseguiria mesmo seguir uma carreira tão restritiva, mas procurava pensar no lado positivo daquilo.

Fitando as nuvens mais uma vez, recostado no banco, subitamente me lembrei de Jeon Jungkook, aquela criaturinha apertável que não tinha nem um mês que eu conhecia. Será que já estava na sala de treino?

Quando cheguei na BigHit, o Jeon já estava na empresa há um certo tempo, e o que me espantou foi que, mesmo assim, ele não tinha um amigo sequer.

A primeira vez que o vi foi na empresa, quando ele estava numa aula de canto. Antes mesmo de abrir a porta, sua voz me chamou bastante atenção por ser tão suave e angelical, e eu diria até “doce como mel”, pois não havia descrição melhor. Porém, quando adentrei o recinto, me apresentando como o novo trainee, ele paralisou assim que me viu, parando de cantar no mesmo instante, e não conseguiu mais prosseguir, o que fez o professor e o Bang PD-nim lhe darem algumas broncas.

- Se ficar sempre assustado cada vez que uma pessoa nova te vir cantar, como pensa que vai ser capaz de se apresentar em público? - o primeiro dizia.

- Te dou muitas chances porque acredito no seu potencial, Jungkook, mas, se continuar assim, vou ter que adiar seu debut por tempo indeterminado. - o outro completou.

- D-desculpa. - cabisbaixo e ligeiramente trêmulo, ele só encarava o chão, e passou o resto da aula num canto mais afastado dos demais garotos.

A gente cantava e dançava covers de outros grupos antes de aprender os passos originais dos coreógrafos e, pelo espelho, eu via Jungkook escondido lá atrás, mirando somente seu reflexo ao seguir os movimentos. E, quando a aula acabou, ele foi o primeiro a sair.

Disseram que era assim mesmo, que nem adiantava tentar ir atrás, porque o garoto simplesmente desaparecia antes de voltar para o dormitório no qual morava, e que descobri ser o mesmo que o meu. Lá, eu havia deixado minha mala mais cedo quando meu pai me levou para conhecer quem ficaria comigo - quem nos atendeu foi Namjoon -, e eu estava tão animado que saí averiguando tudo após trocar um cumprimento rápido com o outro Kim, cujo primeiro olhar sobre mim soou como “esse aí vai dar trabalho”. E, então, fui para o meu primeiro ensaio, pois já estava em cima da hora, decidindo guardar minhas coisas depois.

Mais à noite, eu já havia cumprimentado todos os trainees do meu alojamento, e só faltava Jungkook. Ele devia estar na empresa treinando, ou, então, passeando sozinho por aí, sem se preocupar em avisar os colegas, mesmo que todos gostassem de comer juntos para estreitar os laços. Namjoon me contou que, segundo deduzira, Jungkook não tinha muito tato para se relacionar e, por isso, evitava situações em que fosse obrigado a socializar, já que acabava mais observando do que falando, ainda que risse brevemente de uma coisa ou outra. Então, mesmo sem saber se o garoto lancharia fora ou não, sempre deixavam parte da comida para ele, que agradecia pela gentileza, num ciclo que parecia interminável.

Aquilo me intrigou e, por isso, resolvi ficar acordado até Jungkook chegar em casa para tentar conversar um pouco, enquanto Jin, um dos mais velhos, ficou na cozinha adiantando a janta do dia seguinte com a ajuda de outros meninos, já que o almoço sempre acontecia pelos arredores da empresa.

Como eu não sabia cozinhar, me acomodei na cama debaixo da minha beliche e, para passar o tempo, resolvi ler mangá pelo celular até quando aguentasse. Mas acabou que toda a correria do dia começou a prevalecer sobre meu corpo e, aos poucos, o sono ia me consumindo, com as pálpebras pesando.

Já estava prestes a dormir de vez quando ouvi a porta ser destrancada com cuidado. Não movi um músculo, atento aos passos vagarosos que se estenderam até a cozinha, assim como uma voz suave falando com Jin. De repente, lembrei que havia esquecido minha cueca no box do único banheiro dali e, imaginando que Jungkook talvez fosse tomar banho, corri até lá para tirá-la e botar para secar num local mais adequado.

Era uma cueca laranja com estampa de tigre, da qual eu muito me orgulhava, e ainda estava úmida. Então, com a dita cuja em uma das mãos, abri a porta e, surpreso, me deparei com Jungkook agarrado a uma muda de roupas que julguei serem seu pijama.

Ele pareceu chocado ao me ver de novo, e mais ainda ao notar que eu segurava uma peça íntima.

- É de tigre! - foi a primeira coisa que me veio à mente, visando descontrair, e então estiquei o elástico da cueca com ambas as mãos - Olha só que gracinha a cara dele aqui na frente, e o resto todo com manchinhas pretas! Maneiro, né?

Jungkook parecia ter congelado no tempo, mas então sua boca se moveu sem emitir som, até que conseguiu falar:

- T-tira isso da minha frente! - gaguejou, ruborizado, desviando o olhar imediatamente - Ah… F-foi mal.

Antes que eu pudesse responder qualquer coisa, ele se afastou, jogando as roupas sobre a própria cama, e praticamente correu até a cozinha, enquanto alguns garotos riam da cena, já que o banheiro era logo em frente às beliches.

Fiquei ali parado, com cara de tacho, por longos segundos. “Minha cueca é tão ridícula assim?”, questionei a mim mesmo, dando de ombros antes de levá-la ao secador, que ficava perto de uma das janelas.

Resolvi ir até a cozinha me despedir de Jin e dos outros, pois sabia que tomariam banho antes de dormir, e encontrei Jungkook comendo tão cabisbaixo que mal dava para ver seu pescoço.

O mais velho afaga rapidamente seu cabelo, dizendo:

- Vê se lava o prato depois, hein?

Ele resmunga de maneira quase inaudível, mas assente, sem desviar o olhar do mesmo.

Resolvi sentar em frente a ele na mesa, de braços cruzados, e limpei a garganta antes de falar:

- Kim Taehyung. Quinze anos, quase dezesseis. Aluno do primeiro ano do Ensino Médio. Nasci em Daegu no dia 30 de dezembro de 1995, já quis ser fazendeiro, jogador de basquete e saxofonista, mas acabei focando em cantar mesmo, e também penso em ser ator. Tenho medo de fantasmas, coisas nojentas e filmes de terror, mas amo animes, coisas fofas e imitar personagens de tudo que é tipo. E aí? Tudo bem?

Seu olhar lentamente encontra o meu, diferente da mastigação frenética, indicando o quanto devia estar esfomeado.

Mas, em vez de verbalizar qualquer coisa, ele só assente rapidamente com a cabeça.

- Quer ver os bottons de anime da minha mochila?

- Não.

Resposta mais rápida - e fria - do que eu esperava.

- Qual seu anime favorito?

- Não quero dizer.

- Tem algo que queira dizer?

- Não.

Ah… Ele era do tipo arisco.

Mas eu não ia desistir.

Pelos minutos seguintes, tentei diversas perguntas, e ele sempre se esquivava, até que decidi dar a cartada final:

- Como é a sua cueca?

Imediatamente as bochechas alvas ganham cor, e seus olhos aumentam de tamanho.

- P-por que quer saber?

Acabo rindo sem querer, achando-o uma gracinha de repente.

- Ué… Você viu a minha. Tenho o direito de saber como é a sua.

- Eu não pedi pra ver!

- Já era.

- Me deixa em paz.

- Qual o problema? Você não usa? Gosta de andar por aí sem nada, sentindo o vento refrescar o “amiguinho”?

O outro bufa, e rio mais ainda ao notar que ele contém um sorriso mínimo.

- Você tem problema.

- Que milagre é esse? - Jin surge na cozinha, enxugando o cabelo com a toalha - Poxa, Jungkook, comigo você nem fala direito, e moramos juntos há meses!

O mais velho fala num tom descontraído, mas percebo que, ainda assim, aquilo incomoda o Jeon.

- Todos já foram dormir? - indaga de repente.

- Vou sim. E Taehyung, já passou da sua hora, mocinho.

- Ué, mas…?

Algo em seu olhar me faz levantar logo, e me despeço de Jungkook.

Perto das beliches, antes de cada um seguir para sua cama, Jin murmura:

- Ele só toma banho depois que todos dormem.

- Hã? Por que?

- Acho que fica com vergonha de se trocar na frente de todo mundo. Ou de ter que abrir a porta caso queiram usar o banheiro se ele estiver lá. - suspira baixo - A gente que é homem gosta de andar de cueca pela casa, não tem muita privacidade nos banheiros públicos, e já teve que ficar pelado na frente um do outro, tipo em… Vestiários, saunas, fontes termais, essas coisas. Mas o Jungkook parece ter pavor disso.

- Nossa…

Finalmente entendo sua reação anterior que, para mim, parecia uma vergonha exagerada.

No dia seguinte, antes de cada um ir para seu colégio, me desculpei com o Jeon por qualquer constrangimento que pudesse ter causado, e ele pareceu surpreso, mas só disse um “tanto faz” antes de desaparecer porta afora.

Foi assim durante vários dias, onde eu tentava me aproximar do garoto com assuntos banais, apelando até para o tempo, mas nossos diálogos eram tão curtos que nem sei se poderia chamar de conversa. E, com os hyungs, ele ainda costumava ficar na dele, mal interagindo. Eu tentava ser compreensivo, mesmo dando um pouco de medo de estar incomodando, pois nunca havia conhecido ninguém tão travado.

Lá na empresa, Jungkook só ficava encolhido, se isolando pelos cantos, e mal conseguia falar com as pessoas olhando nos olhos. Um dos poucos momentos em que eu o via de cabeça erguida eram nas aulas de canto e de dança, mesmo que focasse mais na precisão dos movimentos do que em passar emoção de fato. Ainda assim, parecia que ele se transformava, claramente se esforçando para se aperfeiçoar. E eu sentia uma forte admiração por aquele garoto, além de ficar cada vez mais curioso pelo tanto de mistério à sua volta.

Do pouco que consegui pescar, eu só sabia que: ele tinha feito catorze anos em setembro, era de Busan, queria ser jogador de badminton até o G-Dragon lhe inspirar a cantar, era viciado em videogame, gostava de músicas tristes e morria de vergonha de mostrar o próprio corpo, mesmo que fôssemos todos garotos convivendo e, bem, tivéssemos que lidar com o fato de termos um pinto. Mas eu ainda tentava me aproximar de Jungkook, pelo menos para incentivá-lo a falar mais com as pessoas, porque se ele pretendia mesmo ser um idol, deveria se acostumar o mínimo possível com tais interações.

Eu o observava de longe quando não estávamos juntos e, quando ele começou a perceber, olhando em minha direção, eu apenas sorria, cínico, e continuava a encará-lo fixamente até que o próprio resolvesse mirar qualquer ponto que não fosse o garoto doido que parecia ter cismado com ele - o que não deixava de ser verdade, devo admitir.

Um dia, no começo de dezembro, o encontrei sentado de costas para mim, num banco ao ar livre, quando fui passear numa praça que nem sabia que existia. Eu gostava de perambular sozinho às vezes e ter o prazer de descobrir lugares novos por mim mesmo, e era o que eu fazia naquela tarde de domingo, quando saíamos mais cedo da empresa. Por mais que eu adorasse estar cercado de gente, também precisava de momentos só "meus comigo mesmo" para espairecer, mesmo que estivesse um frio do cacete. Porém, estando devidamente agasalhado, nada me impediria.

E, agora, eu poderia simplesmente ter fingido que não vi Jungkook, continuando meu caminho sem rumo, mas...

Não me aguentei.

- É o Eevee?! - exclamei, animado, olhando descaradamente para a folha do caderno que o garoto desenhava, fazendo o mesmo pular de susto.

- C-como me achou aqui? - perguntou, escondendo o objeto contra o peito - P-por acaso, você… Tá me perseguindo? Já não basta lá na empresa?

Acabei soltando uma risada alta, e ele pareceu ainda mais confuso, até que me acomodei ao seu lado.

- Por que não me contou que também gostava de Pokémon? Eu amo! E o Eevee é um dos meus favoritos por causa dessas possibilidades de evolução… Sabe? Ele pode ser de qualquer tipo, e isso é muito foda. Já tive um time só de evoluções do Eevee pra jogar. Venci todo mundo facinho!

Jungkook tinha duas opções: sair correndo e nunca mais olhar na minha cara, ou…

Sorrir timidamente e não se incomodar de me ter por perto, mesmo que eu tagarelasse sem parar.

E este último foi exatamente o que aconteceu.

Eu já sabia que ele só falaria mais de si mesmo quando se sentisse à vontade, então só me restava esperar, assim como nas outras vezes.

- Quer brincar de achar pokémon nas nuvens? - pergunto de repente, já encarando o céu e tentando visualizar algum monstrinho.

- Sim. - respondeu, com a voz meio hesitante, mas sem julgar minha brincadeira aparentemente boba demais para a nossa idade - Mas... Também quero um sorvete primeiro.

- Beleza! - aceitei na mesma hora - Você também não liga de tomar sorverte no frio?

- Nem um pouco. - riu anasalado.

Assim, eu com meu sorvete de morango e ele com o de chocolate, passamos um agradável fim de tarde juntos, onde, pela primeira vez, conversamos mais do que de costume.

E eu me senti bem somente de estar ao lado de Jungkook.


Notas Finais


Trailer da fanfic: https://youtu.be/Y8PjqvYWMvg 🤧


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