História Between The Darkness - Capítulo 2


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Categorias Motionless In White, New Years Day
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Palavras 2.159
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Hentai, Mistério, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olaa ♥

Cheguei com mais um capítulo, e já deixo de antemão que ele está cheio de revelações Hahaha

O título do cap tem a ver com música que eu ouvi enquanto eu escrevia e também com o trecho "And nothing I could ever write would help you understand this life"

Boa leitura ♥♥

P.S. Fiz uma capa nova pra fic, a outra não estava mais me agradando tanto

Capítulo 2 - City Lights


Agosto de 2013

    Doze anos se passaram desde o assassinato de meu irmão. E desde aquela noite, nada mais foi igual.

    Lembro-me de como foi horrível ver minha mãe cair de joelhos ao saber que seu filho caçula estava morto. Lembro-me de tentar conforta-la, mas de ser empurrada para longe, ouvindo-a dizer que eu não havia protegido meu irmão como deveria. Lembro-me de como aquilo me entristeceu ainda mais, se é que isso era possível.

    Mas jamais me esquecerei do momento em que meus lábios se abriram para dizer a verdade. Dizer a minha mãe que seu filho havia sido assassinado por seu marido, que havia me ameaçado com aquele maldito revolver em troca do meu silêncio. Lembro dos olhos de minha mãe serem tomados por uma fúria que eu nunca havia visto antes, e de ouvi-la murmurar:

    – Isso é verdade, Ashley?

    – Ele escondeu a arma no seu quarto – apontei, e baixei a cabeça. Mal conseguia falar, tamanha a dor que eu sentia. Meu irmão havia morrido. Isso era tudo que eu conseguia pensar.

    Naquela noite, tudo mudou. Minha mãe finalmente criou vergonha na cara e expulsou seu marido de casa, e em seguida, acionou a polícia, denunciando o assassinato do filho e orientando a localização do suspeito. A notícia da prisão do assassino chegou horas depois. Ele havia sido pego na direção oposta ao local do assassinato.

    Naquela mesma noite, eu escolhi um rupo para seguir. Arrumei uma mochila, com apenas as roupas necessárias para uma viagem e deixei a casa do que um dia foi minha família. Não havia mais nada pra mim ali. Meu irmão estava morto, e minha mãe, que agora estava livre da presença de seu marido e segura, dizia que eu devia ter protegido seu filho, que era esse o meu papel de irmã mais velha. Não adiantava mais ficar ali, recebendo indiretas sobre a morte do meu irmão e implorando perdão.

    Despedi-me sem muita cerimônia de minha mãe, e ignorei sua voz chamando meu nome enquanto eu saía pela porta da frente, em direção à um novo destino. Deixei Scranton, minha cidade natal, naquela noite, e só fui para as proximidades quatro anos depois, quando recebi a notícia do falecimento de minha mãe. E desde então, não voltei mais.

...

    Era sobre isso que eu estava pensando enquanto escovava meus cabelos. Penteei a metade preta, e depois, a vermelha. Sim, meu cabelo é duo color.

    Arrumei as ondas coloridas, passei uma camada de delineador, apliquei um batom vermelho quase preto e peguei o buquê de flores sobre a cama. Eu havia voltado para cidade natal da minha mãe, em Allentown, para visitar seu túmulo. Não fazia isso desde o dia do seu enterro, o que me deixava culpada, de certa forma. A viagem de Lancaster, para onde havia me mudado após a morte do meu irmão, até ali havia sido cansativa, mas era algo que me traria alguma tranquilidade.

    Dei uma última olhada no espelho e saí, batendo um pouco mais do que o esperado a porta do quarto de hotel onde eu estava hospedada. O som de meus sapatos foram abafados pelos sons da rua assim que pisei na calçada.

    Allentown havia mudado desde que eu havia estado ali, oito anos atrás. Havia mais prédios, e o vai-e-vem de carros e pessoas aumentara. Aqueles que cruzavam seu olhar com o meu, encaravam-me com estranheza, de cima à baixo. Eu já estava acostumada. Meu visual com grande influência gótica acarretava esse tipo de reação. Na cidade onde eu morava, as pessoas das redondezas não davam mais tanta importância para meu cabelo colorido ou minhas roupas diferentes. Mas em Allentown, pareciam me ver como algum tipo de ameaça. Apesar de estar acostumada com os olhares censores, senti vontade de abandonar meus planos e voltar o mais rápido possível para Lancaster.

    Segui à pé por quase 45 minutos até chegar ao cemitério onde minha mãe havia sido enterrada. Durante o percurso, acariciei as pétalas das flores que eu carregava e tentei não pensar em como iria me sentir quando me colocasse diante do túmulo de mamãe. Tinha quase certeza que, apesar de não chorar com facilidade e frequência, seria um momento difícil.

    Cruzei a entrada do cemitério e serpenteei entre as lápides, à procura do túmulo de Karen Costello, minha mãe.

    A grama havia sido aparada recentemente, e as lápides estavam bem cuidadas, o que parecia atrair uma atmosfera de paz ao local. Uma paz de certa forma perturbadora para um cemitério. De repente, o nome Karen Costello apareceu em letras cursivas no topo de uma lápide, e parei em frente à sepultura.

    Um grande vazio de apoderou de meu peito. Quem eu ainda tinha por perto? Minha mãe e irmão estavam mortos, meu pai havia abandonado nossa família por outra. Fiquei sozinha no mundo antes do previsto. Meus ombros cederam ao pensar naquilo. Fazia muito tempo que não me sentia sozinha daquela maneira.

    – Oi, mãe – disse baixinho, enquanto colocava cuidadosamente o ramalhete de flores próximo à lápide.

    Não fiz orações, nem fiquei tagarelando com alguém que não iria responder. Apenas fiquei ali, diante do túmulo de mamãe, lembrando-me dos bons momentos que havia passado com ela, e tentando não pensar no que poderíamos ter vivido caso seu marido assassino não tivesse aparecido em seu caminho. Meu irmão estaria vivo, e talvez ela também, e seríamos uma família. Mas as coisas tomaram rumos diferentes. Eu já havia me acostumado com aquela ideia. Estava prestes a dar as costas para a lápide quando reparei em um detalhe que até então não tinha prestado atenção.

    Do lado oposto ao local onde eu havia deixado meu ramalhete, havia um vasinho cheio com flores artificiais arroxeadas. Pelo estado delas, haviam sido deixadas ali há pouco tempo. Curiosa, abaixei-me e toquei as pétalas sintéticas, percebendo que, preso à uma das flores, havia um bilhete. Sentindo meus dedos quase coçarem de curiosidade, abri o bilhetinho cuidadosamente, e caí sentada na grama úmida assim que terminei de ler seu conteúdo.

    “Sinto sua falta, mãe.”, dizia o bilhete, e a margem da folha levava uma assinatura. Eram apenas as iniciais do seu autor, mas consegui reconhece-las graças ao conteúdo do bilhete.

    As iniciais de meu irmão estavam ali, olhando-me através do bilhete. Puxei o ar com força, virando o papel, procurando qualquer informação sobre o autor do bilhetinho no verso da folha. Nada.

    Aquilo era impossível. Meu irmão havia morrido há doze anos. Não havia como as flores terem sido deixadas ali por ele. Não. Era impossível. Aquilo só podia ser alguma brincadeira de mal gosto de alguém que sabia que eu viria até o túmulo da minha mãe e sabia que aquele bilhete iria me perturbar até a o último fio de cabelo. Porém, eu não havia falado há ninguém sobre minha viagem.

    Senti meus olhos ficarem rasos d’água sem minha permissão. Aquilo era impossível! Meu irmão estava morto! E os mortos não levam flores ao túmulo da mãe ou escrevem bilhetes. Não havia motivo para me emocionar, mas, quando me dei conta, uma lágrima descia pela minha bochecha.

    Olhei ao redor, atordoada, procurando por um possível engraçadinho que pudesse ter colocado as flores ali e forjado o bilhete. Não havia ninguém, a não ser um senhor de idade que varria folhas secas, algumas lápides adiante. Resolvi me aproximar dele e pedir sua ajuda.

    Levantei-me com certa dificuldade e caminhei decidida até o velhinho, chamando por ele no caminho.

    – Ei! – gritei, agitando os braços no ar. – Ei! Senhor!

    O homem ergueu a cabeça na minha direção e me olhou de cima a baixo. Seu olhar era crítico, mas não dei importância.

    – Diga, moça – ele falou, sua voz demonstrando o quanto não queria estar ali.

    – O senhor é o zelador daqui? – perguntei, parando à sua frente.

    – Sou.

    – Preciso da sua ajuda, pode vir comigo um instante? – perguntei, apontando a lápide da mamãe.

    – Há algo errado com o túmulo que visitou? – ele perguntou, e pareceu se preocupar.

    – Não – respondi prontamente. – Só quero mostrar uma coisa, e saber se o senhor tem como me ajudar. Pode vir comigo?

    O senhor encolheu os ombros e largou a vassoura, apontando o caminho. Voltei para a lápide de minha mãe seguida pelo zelador, e paramos em frente ao túmulo.

    – Karen Costello – ele disse o nome à meia voz. – Este túmulo está aqui há um tempo considerável.

    – Oito anos – disse sem perceber. – Sou filha de Karen – completei.

    – Diga em que precisa da minha ajuda – ele disse, objetivo.

    – Essas flores – apontei para as flores artificiais. – Sabe me dizer há quanto tempo elas foram deixadas aqui?

    – Olha – ele se abaixou, analisando as flores por um momento –, não posso dar nenhuma certeza, mas acredito que estão aí há menos de um mês.

    Um arrepio subiu por minhas costas.

    – Ótimo – disse, esfregando as mãos uma na outra. – E o senhor se lembra de quem possa ter deixado essas flores aqui? – ele encarou o gramado por um tempo, tentando se lembrar. – Por favor, isso é muito importante pra mim – pressionei, sentindo meus olhos se encherem de lágrimas novamente.

    – Calma, moça – ele respondeu, parecendo irritado. – Não sou mais tão jovem para me lembrar das coisas depressa. Estou tentando – ele voltou a olhar para a grama, e ficou mais alguns instantes assim, até que voltou a me encarar com um brilho no olhar. – Lembrei!

    – Então me diga! – falei, afobada, ávida por uma resposta.

    – Um rapaz trouxe essas flores aqui – ele respondeu, apontando para a lápide. – Ele pareceu muito abalado ao vir aqui. Lembro que ele chorou de joelhos em frente à lápide dessa mulher. Lembro também que ele parecia falar alguma coisa, mas não ouvi o que ele dizia. Foi uma situação muito comovente – o zelador voltou os olhos para as flores. – Foi esse rapaz que deixou as flores aí. Lembro-me muito bem.

    Senti como se o mundo tivesse se calado. Ou eu estava negligenciando seus sons.

    Não era brincadeira de mal gosto. As flores foram realmente deixadas ali por alguém próximo a Karen e, segundo o bilhete e o breve relato do zelador, aquela pessoa era meu irmão. Mas isso não podia ser verdade. Meu irmão estava morto. Eu o vi morrer diante dos meus olhos, vi seu abdômen perfurado por uma bala e minhas mãos banhadas no sangue dele. Meus olhos não me enganaram naquela noite. Ele havia caído aos meus pés, e vi a vida deixar seu corpo. Jamais me esqueceria daquelas imagens. Ele havia morrido. A verdade era aquela.

    “Mas, então, quem teria deixado aquelas flores ali?”, uma voz soou em minha mente, e me forcei a ignora-la. Não podia ter sido meu irmão.

    – Obrigada, senhor – balbuciei, abaixando-me para analisar as flores. Toquei o bilhete, e algo me disse que eu iria precisar dele. E foi o que fiz. Desprendi o bilhete da flor e o guardei discretamente no bolso. O zelador não percebeu minha ação. Levantei-me e me retirei lentamente do cemitério.

    – Você está bem, moça? – o zelador perguntou, e virei momentaneamente para trás. – Parece atordoada com alguma coisa – completou.

    – Sim – respondi. – Estou bem.

    Na verdade, eu estava péssima. Confusa. Perdida. Mas não consegui dizer a verdade para aquele homem.

    Não consegui nem sequer me despedir de minha mãe.

...

    Estava de volta ao quarto de hotel, sentada na cama com as costas apoiadas contra a cabeceira da cama. Entre os meus dedos, estava o bilhete supostamente escrito por meu irmão. Li e reli a frase no papel várias vezes, e toquei as iniciais assinadas. Não conseguia acreditar que meu irmão havia assinado aquele bilhete para Karen.

    Eu havia visto ele morrer. Lembrava-me do seu assassinato quase que diariamente, e jamais me esqueceria. Foi, sem dúvida, o pior dia da minha vida.

    Fechei os olhos, ao mesmo tempo que dobrava o bilhete.

    Por trás das minhas pálpebras, vi novamente meu irmão caindo de joelhos, as mãos apertando o abdômen que jorrava sangue. E, pela primeira vez em doze anos, algo que nunca havia me passado pela cabeça passou a perambular em meus pensamentos. Eu sempre dizia que havia visto meu irmão morrer. Mas na verdade, eu o vi desacordado. O vi perder as forças, e depois daquilo, não vi mais nada. Ver meu irmão ferido e desacordado passou a significar, para mim, o mesmo que vê-lo morto.

    Abri abruptamente meus olhos e desdobrei o bilhete. “Sinto sua falta, mãe.”, reli a frase curta, porém, cheia de significado. As flores eram obviamente dedicadas a minha mãe, assim como o bilhete, assinado com as iniciais de meu irmão. Passei a acreditar que, sim, havia a possibilidade de meu irmão ter escrito aquele bilhete entre meus dedos.

    Passei a acreditar também que, na verdade, nunca havia visto meu irmão morto, de fato. Olhei novamente para o bilhete, e uma lágrima escorreu por meu rosto, seguidas por várias outras. Porém, em meio ao choro, sorri abertamente.

    Meu irmão nunca esteve morto. Ele estava vivo, e havia dado sinal de vida a menos de um mês. O bilhete em minhas mãos era prova disso.


Notas Finais


Por hoje é isso hahaha

Logo logo o Chris vai dar as caras por aqui ♥♥

Comentem o que acharam ♥

Até o próximo ♥♥


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