História Beyond - Capítulo 46


Escrita por: e JennyMNZ

Postado
Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Deus, Fanficdiferente, Fanficgospel, Fanficreligiosa
Visualizações 11
Palavras 1.473
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural
Avisos: Drogas, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Não perde o embalo!
1...

Capítulo 46 - Adriano


Prontos ou não, lá vou eu!

Não, péra. Não é assim que o jogo começa.

Primeiro há uma pausa. Uma contagem regressiva para os jogadores. Um momento de tranquilidade, uma margem de vantagem para que as presas tentem encontrar um lugar seguro. Uma falsa sensação de segurança, que dura até que a pessoa encarregada de contar se vira.

Porque o jogo só acaba quando todos são encontrados.

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“Todos os dias torcem as minhas palavras; todos os seus pensamentos são contra mim para o mal. Ajuntam-se, escondem-se, espiam os meus passos, como que aguardando a minha morte.” (Salmos 56.5,6)

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– Pai? – Brisa perguntou para o escuro abrindo a porta da casa dela, eu seguindo logo atrás, – Será que ele saiu?

Entramos na casa vazia, o clima ainda estranho entre a gente apesar da nossa conversa no carro. Pigarreei umas duas vezes, tentando dissipar a tensão no ar e encontrar algumas coisa para puxar conversa, antes que eu a perdesse de vez.

– Seria bom comer uma lasanha agora…

Isso, Adriano! Muito bem! Sempre pensando com o estômago, né retardado?!

– Ainda não esqueci do que aconteceu hoje, então nem tente me pedir nada. – Ela retrucou toda irritada, claramente se recusando a ver minha tentativa de trazer paz pro ambiente.

– Eu já pedi desculpa, Brisa. – ergui as mãos num gesto de rendição, – O que mais você quer de mim?

– Uma explicação.

– Eu não já te contei tudo o que tinha pra contar?

– Contou tudo sim, mas esqueceu uns detalhes. – ela deu uma pausa dramática, respirando fundo, e eu me preparei psicologicamente – Tipo, por quê você vê essas coisas?

Engoli em seco. Eu era uma presa acuada, e se quisesse voltar a me alimentar, teria que fornecer a informação que ela pedia.

No entanto, fornecer aquele último pedaço do meu passado seria a gota d’água pra Brisa. Ela podia até me perdoar por ter escondido as coisas que via dela, mas todo o resto seria demais.

E eu não a culparia por isso.

– Então, – respondi hesitante, os olhos se recusando a se fixarem num ponto fixo, indo de um lugar para o outro , menos para ela, – esse motivo faz parte daquela longa história de eu ter feito péssimas escolhas na minha vida.

– E uma dessas péssimas escolhas tem a ver com Matheus, correto?

Respirei fundo e fiz que sim com a cabeça, o rosto baixo, o olhar agora focado no chão.

– Para ser mais especifica, tem a ver com o que aconteceu com Matheus hoje, não?

– Brisa, não vamos brigar…

– Não estamos brigando, Adriano. - ela me cortou, completamente fria e sóbria, o que me deu mais medo ainda, - Estamos apenas esclarecendo fatos. Eu estou completamente calma, só quero entender o que aconteceu. O que está acontecendo.

Era justo. Depois do que acontecera antes, não havia nada mais certo do que contar toda a verdade para ela. Era o que ela queria saber, o que ela precisava saber para decidir se me batia e me expulsava da casa dela, ou se simplesmente passava a ignorar toda a minha existência.

Mas eu era covarde.

Não queria perder a única âncora que me dava esperança.

Não há esperança.

Sacudi a cabeça, como se assim pudesse tirar todos os pensamentos negativos da mente, já ficando zonzo e cansado, prestes a desistir.

Deixei o corpo cair no sofá, e Brisa se sentou logo na minha frente. Eu sentia o olhar dela ainda fixo em mim, ainda esperando uma resposta, e eu não sabia mais o que fazer.

Olhei para ela, tentando encontrar uma saída daquela situação, tentando ganhar tempo enquanto pensava numa forma de evasão. No entanto, quando meus olhos finalmente focaram no rosto dela, eu fraquejei.

Fraquejei porque vi medo.

Brisa estava com medo de mim.

(Tá, talvez não de mim, mas todas as coisas que a estavam assustando se originaram de mim, então pode se dizer que sim, ela estava com medo de mim.)

Não falei nada.

Apenas continuei a observá-la sem dizer coisa alguma.

– Adriano, por favor… – ela implorou quando meu silêncio se tornou insuportável, – Por favor, me diz por quê tem tanta coisa acontecendo.

– Porque eu sou um idiota. – retruquei fracamente, – Já falei.

– Me responde direito.

– Por quê minha vida agora é um pesadelo que se tornou realidade. Minha mente é um ilha negra que não sabe o que é paz.

Tudo bem que minha fala tinha sido piegas demais, mas a risada de Brisa me deixou desconcertado assim mesmo. Até porque ela não tinha humor nenhum.

– Crônicas de Nárnia agora, é? – sua voz sardônica me fez olhar para a mesinha de canto onde o infame livro com o rato na capa agora estava. Ela se levantou e  marchou até ele, decerto pronta para jogá-lo na minha cara, e congelou de repente.

Me levantei também, indo imediatamente até o lado dela, cheio de preocupação.

– Adriano… – ela começou assim que parei ao lado dela, os olhos esbugalhados, – Por quê seu rosto tá queimado na minha foto?

Gelei.

Tremi.

Parei de respirar.

Tentei fazer uma prece.

Olhei para o retrato do Exército da Paz na moldura verde-limão. A rachadura que eu vira antes ainda estava lá, mas meu rosto tinha virado uma mancha negra, a nódoa esvaecendo e virando cinzas.

Engoli em seco novamente.

Respirei fundo.

– Essa parte eu não sei, – respondi devagar, – Mas, muito provavelmente, tem a ver com aquela história de eu ser um idiota.

Quase não vi ela se mover, mas logo ela estava com os punhos agarrados na minha camisa, me sacudindo como se eu tivesse perdido a razão, me obrigando a falar alguma coisa, qualquer coisa.

– Explica direito! – Brisa gritou, começando a ficar histérica, e eu lutando pra não desabar ali mesmo, – Explica agora, Adriano!

– Brisa, eu não sei! – falei alto, resistindo à insistência dela, – É a primeira vez que eu vejo isso.

Minha respiração estava errática, e foi aí que vi que eu também estava quase histérico. Mas ela finalmente parou de me chacoalhar, as mãos fracas caindo ao lado de seu corpo.

– Eu vou tomar um banho. – Brisa anunciou firme, e eu podia fazer o esforço que ela fazia para continuar sã, – Você vai fazer aqui, e quando eu descer você vai me contar tudo. Nem que eu te obrigue a passar um mês sem comida, Adriano! Você vai me contar tudo.

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“O meu coração está agitado; a minha força me falta; quanto à luz dos meus olhos, até essa me deixou.” (Salmos 38.10)

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Minha mente era um branco.

Meu coração era um vazio.

Não sei quanto tempo continuei ali sozinho, olhando para a mancha na foto, esperando que aquela marca me engolisse por inteiro e meu tormento finalmente tivesse um fim.

Esperei que as sombras viessem me pirraçar, mas acho que aquele recado e a minha reação eram o bastante para elas, ao menos por enquanto.

Haviam inúmeras possibilidades e inúmeras explicações que justificassem tudo que acontecera naquele dia - tanta coisa, tanta atribulação, fazia até parecer que eu acordara do meu sonho no ano passado, e não naquela manhã. Fosse ontem ou qualquer outro dia, eu poderia construir uma explicação lógica para a marca na foto, o incidente com o Matheus, o recado que elas tinham me dado.

Mas eu não podia fingir que não era comigo daquela vez.

– Adriano! Venha aqui! – Brisa me chamou de algum lugar distante, me tirando dos meus pensamentos, – No meu quarto! – sua voz ordenou.

Finalmente me movi, tentando focar os pensamentos, tentando decidir por onde eu ia começar a contar meu passado para ela.

Ao colocar o pé no primeiro degrau da escada uma mão branca me puxou para a escuridão. Arfei de medo, senti um gelo glacial se instalar no meu estômago. Focalizei a visão.

– Brisa? Mas como você... – organizei os pensamentos. – Como você está aqui e lá em cima?

Ela colocou o indicador sobre os lábios pedindo silêncio. Com os olhos arregalados sussurrou:

– Eu também ouvi – confessou, com os olhos arregalados, – Temos que sair daqui. Agora!

Minha mente era um branco. Meu coração era um vazio. Meu corpo era uma forma de vida sem racionalidade, reagindo instintivamente.

Eu fugi. Agarrei Brisa pelo pulso e a arrastei junto comigo porta afora. Corri como se minha vida dependesse daqueles milésimos entre a ação delas e a minha reação - e que, de certa forma, dependia.

Eu pensara que os últimos momentos de paz fossem porque elas estavam ocupadas assistindo. Elas estavam só contando.

E agora que a contagem acabara, elas viriam atrás de nós. Não importava onde nos escondessemos. Elas continuariam vindo até que o jogo estivesse acabado. Implacáveis. Insaciáveis.

Porque o jogo só acaba quando todos são encontrados.

Agora sim, a diversão delas ia começar.

Prontos ou não, lá vou eu!

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“Volta-te, Senhor, livra a minha alma; salva-me por Tua misericórdia.” (Salmos 6.4)


Notas Finais


Agora sim. Que comecem os jogos.


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