História Beyond The Dimensions - Capítulo 38


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Categorias Devil May Cry
Personagens Dante, Lady, Nero, Personagens Originais, Trish, Vergil
Tags Beyond The Dimensions, Devil May Cry, Dmc, Next Dimension, Saga Next Dimension
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Palavras 2.405
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Musical (Songfic), Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 38 - Vengeance For Blood


O furor da batalha, o choque da lâmina na defesa medíocre, deu estopim para a histeria geral. Era uma reação, no mínimo, natural diante de uma circunstância claramente ameaçadora; independente de minhas motivações, aquelas garotas não estavam acostumadas a testemunharem uma cena que, sem dúvida, acionaria um trauma tamanha exposição ao estresse.

Eu tenho que fazer isso, pensei convicta.

Os gritos preenchiam o espaço amplo do local, eram ecos carregados de medo e desespero que se propagavam continuamente – o que, de certo modo, deixou-me desconfortável com meus avanços. Podia, mesmo concentrada no meu alvo, sentir a essência daquelas emoções conflitantes sobre mim; elas dispersavam e reuniam-se ao meu redor feito uma névoa densa e opressora. Exatamente como se cada movimento meu representasse um alarme para o terror – o que fazia sentido vendo pelo ponto de vista delas, eu que portava a arma. Era quase como se pudesse saboreá-las em sua totalidade, o gosto seco e maçante que embolava a língua e contorcia duramente meu estômago. Se não fosse suficiente, ainda tinha a minha própria irascível fúria incontida que arrastava-se sob minha pele. Administrar tudo aquilo com os pensamentos fervendo sem dar trégua enquanto o desejo de cortar a cabeça dele tornava-se tentador, beirava o absurdo.

David, em todo torpor do ato violento, deslocou-se em poucos centímetros para desestabilizar-me, usando dois dedos para prender a lâmina de Blood e lançar-me longe em um impulso displicente. Arrumou o casaco da roupa social que trajava indiferente a toda ira pulsando em minha aura direcionado a si.

– Não esperava vê-la tão cedo. Seu irmão está ansioso para se encontrar com você. Afinal, foram muitos anos sem terem um verdadeiro reencontro.

– Onde ele está? – vociferei feral e roucamente.

– Ainda é muito cedo. Não vamos adiantar o que já é inevitável.

Resfoleguei, ponderando na melhor maneira de adiantar a situação e ter êxito em matá-lo, ainda que estivesse em desvantagem no quesito habilidade, nunca presenciei David em ação e qualquer experiência de batalha era nula no caso. Rasguei a palma da mão na base extremamente afiada, sangue derramou-se pelos sulcos e gotejou no chão. Corri a toda velocidade, calculando o tamanho do palco e os golpes necessários que eventualmente realizaria para acertá-lo. Ele desviava com agilidade conciliando com o ar enigmático e que ressaltara sua, suposta, superioridade. Em determinado momento, no clímax de meu acesso de ataques – pedindo para que meus músculos parassem de reclamar –, ele aproveitou uma brecha na minha defesa, um imperceptível ponto cego e agarrou rudemente meu cabelo, trazendo-me vulneravelmente para seus braços.

– Eu poderia quebrar seu pescoço com tanta facilidade. Nessas condições sequer é um desafio. Mas vou deixá-la viva, assim teremos outras oportunidades para nos vermos. Até lá, aproveite meu pequeno presente.

Um medo irracional percorreu cada célula de meu corpo e erradicou a raiva.

A luz ofuscante do holofote cegou-me momentaneamente, e tratei de contornar aquela pequena falha que em uma circunstância como aquela seria fatal, piscando-os para que se adaptassem a claridade. Acreditei na sensação de nunca sair do lugar, independente do quão empenhada na causa estivesse, sempre ficaria um passo atrás. Nunca os alcançaria.

Com um sorriso cínico, David desapareceu em uma névoa escura.

Minhas pernas fraquejaram, recusando os comandos para reagirem e manterem-se de pé. A pior e mais desgastante sensação de todas era estar perto, certo de que seu esforço seria recompensado e que, mesmo uma ínfima chance, obteria êxito, para no final tudo escapar por entre seus dedos, dissolvendo-se no vazio.

A tempestade que se iniciou dentro de mim arrastava tudo para o inevitável caos do absoluto fracasso. As inúmeras falhas que cometi fez minha confiança e otimismo reduzirem drasticamente – duvidava até da minha capacidade de julgamento. E se em uma situação como aquela que a luz da sabedoria, entendimento e fé surgia para renovar a esperança feito um farol em meio a um mar truculento e enevoado, não o via. Não possuía nada para orientar-me, além da minha busca incansável aos Pecados. Cheguei a questionar se isso, essa obsessão por caçá-los, levaria-me ao cruel abismo sem retorno da loucura. Seria maldosa em convencer-me que haveria outras oportunidades, que logo conseguiria achá-los, sendo que sabia que as coisas não funcionavam assim.

Jurei que prosseguiria na incessante caçada, até que tudo terminasse. Tropecei com o tremor que estalou, reverberando, pelo palco. No fundo, oculto na escuridão a minha frente, algo se esgueirava. Por mais que forçasse meus olhos a identificar a sombra, lhe dar uma forma definida, não pude. O breu não permitia a passagem de luz e essa visão embrulhou meu estômago, pois sugeria uma analogia na qual não somente me encaixava, como também era uma ênfase ao poder das Trevas mesmo indiretamente. Em prontidão, ergui-me empunhando Blood com expectativa e aguardando pelo pior, geralmente acompanhado com tudo de terrível de uma vez: pessoas, vítimas inocentes, um local fechado que não oferecia nenhuma perspectiva de fuga e uma criatura que destruía completamente o conceito de normalidade. Teria que arcar com responsabilidade de, combater o que-quer-que-fosse, e cuidar daquelas pessoas.

Um braço com o triplo do meu tamanho saiu do fundo do palco, encravando as garras incrivelmente afiadas no piso. Ele rastejou, usando aquele membro como alavanca. Aos poucos, pude vê-lo, descobrindo a razão da forma desajeitada que se movia: seu corpo era revestido por um exoesqueleto para proteger a carne avermelhada cheia de vasos negros acentuados, pulsando grotescamente. Apenas terça parte da enorme estrutura corporal da criatura estava visível e deduzi que vinha de algum ponto dos bastidores. O que deveria ser o rosto, não passava de uma cadeia de dentes pontiagudos que facilmente faria qualquer coisa em pedaços. A saliva escorria a cada contração feita, criando um rastro repulsivo ao seu redor. Não existia evidências visuais que indicasse se o Espectro enxergava tampouco possuía olhos. Sem apresentar a agressividade característica, o que validava minha teoria dele ser cego, me aproximei, mas como se tivesse pressentido o perigo iminente, o longo braço se chocou contra mim e para refreá-lo, rebati com Blood. A diferença entre nossas capacidades físicas não fez o embate durar, recuei para ganhar mais tempo de adaptação. Tudo o que eu precisava era de um plano de emergência e executá-lo antes que as coisas fujam do controle.

O Espectro emitiu um grunhido asfixiado, rançoso e dolorido aos ouvidos. As garotas que se amontoaram nas arestas do salão, tomadas de horror, gritaram em resposta. Aquilo despertou o instinto assassino do monstro, a pequenos membros com aspecto úmido e pegajoso – semelhante tentáculos com espinhos – se contorceram em diferentes direções, tendo as estudantes como alvo e cardápio. Por terem sido formados posteriormente, a camada e exoesqueleto era deficiente.

Saltando entres os assentos, cortei pela metade os tentáculos que expeliram sangue enquanto freneticamente retorciam-se, o que lembrou minhocas ao serem detectadas por predadores. Tinha que agir rápido; primeiro para distrair o Espectro e assegurar que elas ficassem bem e possibilitar uma fuga segura. Um chamado de socorro tirou-me o transe. A mão gigante escolheu a primeira vítima para devorar, esta debatia-se ferozmente pela liberdade. A base da cadeia alimentar de uma criatura renascida da encarnação da Escuridão, consistia em seres humanos – seja arrancando brutalmente suas vísceras, sugando sangue ou mastigando os membros. Aplicando uma lógica mais delicada, seria como ex-humanos comendo humanos.

Impulsionei-me para partir a mão ao meio, sendo barrada pela armadura natural projetada pelo corpo dele. A lâmina riscou gerando um atrito ruidoso. Sem alternativa, posicionei-me a alguns metros relativamente seguros para elaborar um ataque que ultrapasse a defesa. Vergil, certa ocasião, me dissera que o manuseio da espada tinha mais a ver com habilidade que com força bruta, dependendo do quão bom seja, não há limites sobre o corte. Precisava apenas desempenhar, com o que me fora ensinado, o modo correto e eficaz para romper essa restrição. Não queria guardar na memórias, testemunhando uma pessoa servindo de refeição e ficar remoendo, sem nunca me perdoar por não tê-la salvo.

As portas abriram-se, e os oficiais conduziram as garotas para fora do caótico combate. Seria ingenuidade minha acreditar que eles arriscariam para auxiliar-me, seus trabalhos competiam exclusivamente em tirar o maior número de alunas dali e segundo que deu para analisar, sem se envolver. De certa forma, estavam me colocando a própria sorte. Indo de assento em assento, atirei-me contra o longo e deformado braço, dividindo-o em dois com a espada banhada com meu sangue. O grito de agonia da criatura ecoou estridentemente pelo abobadado teto acústico. A extremidade amputada começava a entrar em colapso, petrificando e abrindo fendas sangrentas. Firmei a jovem amedrontada no chão e sinalizei para que corresse para a saída. O Espectro manifestou raiva descoordenada tentando me esmagar o membro restante ou me usar como petisco. Ainda complicava atingi-lo onde, supus, que seria mais fácil – o que provou fugir da minha alçada. Novamente reabasteci o sangue na espada, esperando uma brecha para fincá-la na carne asquerosa exposta. Imobilizado não seria capaz de movimentos mais ousados. Para minha surpresa, alterou a própria massa e membros, tornando-se mais maleável e com a aparência que se assemelhava a uma aranha de proporções absurdas.

Redobrei a velocidade para fugir da perseguição, esquivando das inconvenientes patas dele. Ficava óbvio que a intenção dele era me estraçalhar sem piedade em tantas investidas. Reduzi o ritmo, muito cansada para continuar e irritada por não conseguir matá-lo.

– Deixa ela em paz!

Um celular voou de encontro a cabeça do Espectro que virou para a corajosa garota, ele, que até o momento denotada seu interesse por mim, transferiu seu apetite para Lucrécia. Fui em seu encalço, invertendo os papéis, dessa vez eu o perseguia para impedi-lo de machucá-la.

Se acontecer algo...

Ela engoliu em seco, petrificada. O Espectro a jogou em uma fileira de assentos.

– Lucrécia! – berrei a plenos pulmões. Ver um filete de sangue escorrer pelos lábios dela, ativou uma violência primitiva em mim. – Merda, não!

Levou alguns segundos para ela se dar conta do que eu já tinha percebido; a mão elevou-se para fatiá-la. Ordenei as minhas pernas perpassassem o curto espaço que nos separavam, não pensei muito, mas dor lancinante foi instantânea.

Estremeci.

As garras atravessaram meu ombro direito fazendo uma quantidade impressionante de sangue jorrar pelo chão e espirrar em Lucrécia. Dobrei-me, arfando e usando toda minha reserva de força de vontade para não desmaiar. Meu corpo recusava-se a obedecer meus comandos, tanto pela exaustão quanto por ainda estar em um lento processo de regeneração. Minhas costas estavam laceradas e o casaco junto com a camisa ensanguentadas. Virei em uma manobra defensiva e o chutei para o piso inferior. Pressionei o ferimento aberto para estancar precariamente a hemorragia, o que resultou em nada. Lucrécia chorava, não de medo e sim extrema preocupação. Ela temia pela minha vida e isso me comoveu.

– Você está bem? – indaguei sentindo o gosto metálico na boca.

– Ah, não, Diva... Você está muito machucada...

– Não se preocupe, não é nada. – assegurei.

Desorientada pela perda de sangue, golpeei o Espectro ao saltar em seu encontro. Não estava no meu melhor estado e a dor piorava a situação. Lucrécia gritou e assim que a criatura ergueu a cabeça, deslizei por baixo dele, rasgando a parte vulnerável. No quesito resistência, aquele Espectro em especial possuía uma invejável. Claro que devido a um erro, esqueci de despejar mais sangue em Blood, sem isso qualquer ataque mortal não surtirá efeito nenhum. Tive que parar, meu corpo não colaborava com o êxtase da adrenalina cujos efeitos progressivamente sumiam. Respirando com dificuldade e com o torpor nebulando meus sentidos. Um vulto de azul se interpôs entre mim e o monstro.

– Tão descuidada – sussurrou em tom de reprovação. – Vá. Eu cuido do resto.

Vergil banhou a lâmina da katana com poço do sangue que derramei a medida que me locomovi naquele frenesi. Não contestei, segui suas instruções e estendi a mão para Lucrécia.

– Você vem comigo.

Ela demorou para pegá-la, decidindo o que faria. Mesmo aos tropeços, com ela me sustentando, alcançamos o portão de entrada e nossa liberdade.

– O que foi aquilo...? – balbuciou atônita. – Diva? Diva? – a voz de Lucrécia diminuía lentamente após pararmos no estacionamento. Não tinha consciente do que ocorria ao redor e minha mente vagava para a escuridão acolhedora.

×××

Abri os olhos, surpreendendo Lucrécia trocando meus curativos. Ela afastou-se, constrangida. Levantei sob protestos, sentando na cama e ignorando as dores no ombro.

– Diva! Você deve descansar! Seu ferimento vai abrir! – censurou, batendo o pé. Andei pelo quarto com Lucrécia atrás.

– Não preciso disso. Eu vou ficar bem. Muito bem. – garanti desfazendo as faixas e esparadrapos do curativo.

– Não seja teimosa! – dirigiu-se até mim, prestes a chorar. Não gostava de presenciar pessoas sofrendo, pois não tinha jeito para consolar ninguém. Ao encurtar a distância entre nós, Lucrécia tropeçou e para ampará-la acabei indo junto em uma reação em cadeia que levou ambas ao chão. O impacto fez o corte não cicatrizado doer, mas não transpareci. Ela caiu em mim e ficou me encarando momentaneamente.

– Desculpe. De verdade.

Não deveria, mas apeguei-me a Lucrécia nesse pouco tempo; sua proximidade despertava dois sentimentos em mim, o fraternal por lembrar-me minha irmã mais nova e a empatia pela solidão que via nela.

Soluçou.

– Sinto muito. Desculpe por isso.

– Não se desculpe. Sabe, eu não sou humana... Pelo menos não totalmente – mostrei, com dificuldade, minha pele se curando.

Lucrécia deitou em meu peito mesmo após minha revelação, não demonstrando tanta perplexidade.

– Eu percebi. E isso não faz com que a imagem que tenho de você mude. – enxugou algumas lágrimas, esfregando o rosto em mim igual a um filhote que busca o conforta da mãe. – É segunda vez que me salva. Nunca será o suficiente o que eu fizer para te agradecer por isso.

Seus braços trêmulos enlaçaram meu pescoço e por um breve instante, o mundo ficou aconchegante e seguro. Era como abraçar uma amiga de longa data. Olhei para as estrelas pintadas no teto, as estampas brilhavam suavemente. A luz da luminária recaía sobre nós na escuridão do cômodo.

– Eu... Senti naquela hora – se encolheu. – Que estendeu a mão para mim, nossos destinos estavam entrelaçados. Estranho, né?

– Vai ficar tudo bem agora – afaguei o cabelo dela.

– Seu namorado esteve aqui antes de você acordar – comentou rindo.

– Vergil? Ele não é meu namorado. Somos só amigos próximos – murmurei. – E o que ele disse?

– Não sei, mas acho que tem a ver com uns policiais. Ou oficiais. Algo assim.

Policiais? Isso é muito estranho.

– Você vai conversar com eles?

– Sim. Mas depois – suspirei.


Notas Finais


O ano parece ter passado num flash, daqui a pouco pisco e vai ser 2020 :v
Agradeço a quem acompanhou até aqui, esse será oficialmente o último capítulo postado da terceira temporada, pelo menos por enquanto não pretendo mais atualizar essa fic. Vou responder os comentários que faltam e enfim vou dar um tempo de BTD. Ainda continuarei a estória, porém sem postá-la, fica mais fácil porque caso eu volte tenha como adiantar.

Abraços e beijinhos, amados <3


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