História Beyond Time - Capítulo 2


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Categorias Carrossel
Personagens Alícia Gusman, Paulo Guerra
Tags Paulicia
Visualizações 141
Palavras 2.550
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - Alohaw


Fanfic / Fanfiction Beyond Time - Capítulo 2 - Alohaw

• HELENA ON

Até hoje, não sei dizer como Alícia e eu sobrevivemos a tudo aquilo. Depois de termos sido salvas da água pelos nativos da ilha, pude me lembrar quem era o bebê. Eu havia conhecido os pais dela durante o vôo, era Alícia, Alícia Gusman, filha de Eduardo Gusman, o dono da grande empresa de eletrônicos.

Os nativos eram pessoas maravilhosas, apesar de que no início, tivemos dificuldade de comunicação, já que eles falavam o havaiano de fato, e eu o português. Felizmente, alguns deles falavam também o inglês, e eu como havia feito um curso de idiomas para o trabalho de aeromoça, consegui entender com facilidade algumas coisas.

Logo que fomos salvas, Alícia já não chorava mais. A bebê parecia ter engolido muita água, e estava enfraquecendo aos poucos. Tinha apenas alguns meses de vida, a mãe dela me disse no avião que ela faria 1 ano apenas em fevereiro. Os nativos de Alohaw — o nome da pequena ilha — eram muito ligados à natureza e acreditavam em grandes deuses naturais. Uma velha senhora que tinha uma cabana perto da praia, ouviu sobre a história do acidente, e eu não consigo explicar como, mas ela conseguiu curar Alícia com um chá feito de plantas da ilha. Em alguns dias, a bebê já estava tão bem como se nada tivesse acontecido.

Alícia era apenas um bebê na época do acidente, eu a partir do momento que a salvei, me tornei a única pessoa que ela tinha.

Nos primeiros dias, logo que nos curamos com a ajuda dos chás feitos pelos nativos, Alícia ainda precisava de leite materno, e nisso eu infelizmente não poderia ajudar. Os alohawanos viviam em contato com a natureza e tudo que ela lhes oferecia: 

As casas eram pequenas cabanas feitas de cascos de árvores secos, destroços que o mar trazia, alguns cipós e folhas de palmeiras por cima. Outros viviam em cavernas, casas nas árvores... Toda forma possível de se viver da natureza. As roupas eram feitas com plantas, cipós, tecidos feitos pelas próprias alohawanas, e algumas coisas que o mar trazia para a praia. 

E bem, foi assim que Alícia e eu vivemos durante esses 19 anos. Enquanto Alícia ainda precisava mamar, algumas alohawanas que haviam acabado de ter filhos amamentavam alicia também. Os nativos de Alohaw viviam como uma grande família, eram muito solidários, e no nosso caso, ainda mais. Eles se juntaram para construir uma casa de madeiras e cascalhos amarrados por cipós, e telhado de folhas de palmeiras por cima. Minhas roupas estavam em péssimo estado, por isso passamos a vestir o que as alohawanas vestiam, principalmente as saias feitas de plantas.

Conforme Alícia foi crescendo, eu fui a ensinando a falar o nosso próprio idioma. Sempre acreditei que um barco ou um helicóptero chegariam para nos levar de volta ao Brasil, por isso já acostumei Alícia desde cedo a falar português. Quando Alícia fez 6 anos, passei a ensina-la a escrever. Eu improvisava: usava a areia da praia como "lousa", folhas de palmeiras como "caderno" e frutas espremidas como "tinta" para Alícia escrever nas folhas. Meu sonho sempre foi um dia ser professora, e bem, não era nada parecido como eu havia imaginado, mas não deixava de ser. Além de alicia, passei a ensinar outras crianças da ilha a falar e escrever o português. Alguns nativos também tinham curiosidade sobre o idioma, e isso de certa forma facilitou é muito a nossa comunicação.

Nunca escondi de alicia o que aconteceu, e sempre disse a ela que não era sua mãe, e sim, alguém que cuidaria dela. Algumas vezes, quando ela ainda estava aprendendo a falar, Alícia acabava me chamando de Mãe, e de certa forma, eu fui mãe dela por todos esses anos, mas eu tinha apenas 16 anos quando ganhei a responsabilidade de cuidar dela, não podia me imaginar sendo mãe com 16 anos, por isso, sempre a ensinei a me chamar de Helena.

Alícia não fazia a mínima ideia de como o mundo era fora de Alohaw. Vivíamos de uma forma primitiva na ilha, sem comunicação com o resto do mundo, e nem mesmo com o resto do Hawaii. Alohaw era um pedaço de terra próximo à Ilha Grande, mas o único meio de chegar até ela, era de barco, já que alohaw era literalmente um pedaço de terra no meio do oceano. Há muitos anos atrás, alohaw fez parte do Havaí, mas quando ele se juntou aos Estados unidos, alohaw foi separada, e os nativos passaram a viver isolados lá.

Alícia não tinha nem ideia do que eram coisas como uma televisão, um fogão, rádio... Tudo o que ela conhecia era a forma de vida nativa em Alohaw.

Desde que fomos resgatadas, eu passei a controlar a noção do tempo pelo sol. Cava vez que anoitecia e depois o sol nascia, era um novo dia. Eu marcava os dias em uma parede em uma das cavernas da cachoeira, para tentar ter uma noção de quanto tempo estávamos lá. 

19 anos se passaram. Fazem 19 anos que não vejo minha mãe, que não tenho mais contato com pessoas de verdade — os alohawanos são incríveis, mas são de certa forma primitivos — não vejo um mundo real. E em 19 anos, nunca perdi a esperança. Há alguns anos, quando Alícia começou a ficar menstruada — Ah, essa foi uma longa história... — fomos procurar algo na beira da praia que pudesse servir como absorvente, e acabei encontrando um pedaço de algo que um dia deveria ter sido um barco. A partir daí, contei com a ajuda de alguns alohawanos que entendiam de construir coisas, no sonho — talvez um pouco impossível — de conseguir construir um barco para voltar ao Brasil.

— Acho que um peixe passou pelas minhas pernas. – Alícia disse.

— Os peixes estão só no mar, no máximo o que encostou em você foi um pedaço de folha. – afirmei. 

Alícia e eu tínhamos o hábito de ficar horas dentro da cachoeira. Eu fechava meus olhos, deitada nas pedras, e ficava imaginando como deveria estar o meu mundo hoje. 

—   está pensando na sua antiga Hale? – Alícia perguntou.

Alícia desde cedo aprendeu o português comigo, mas por viver com os nativos, ela acabou aprendendo o havaiano junto.

— eu sinto tanta falta de lá, Alícia. – assumi. — Eu sei que você adora esse lugar, mas o mundo real é tão maior que isso...

— Você não pode falar da ilha desse jeito, se não Pele vai jogar lava na nossa Hale! – Alícia disse apavorada.

— Alícia... – Ri. — você tem que parar de acreditar em todas as histórias que a senhora Kauana conta pra você.

— Mas a akua dos vulcões é muito brava! Eu não quero morrer queimada de lava!

— nos sobrevivemos a uma queda de avião, nada vai ser pior do que isso. – afirmei.

— e seu barco? Akan pediu kokua pra tirar uma coisa estranha da beira da praia. – ela disse.

— que coisa? – perguntei.

— uma coisa grande e estranha que kanaloa trouxe do oceano.

— Eu vou lá ver. – digo animada. — não volta tarde pra casa, tá bem? – pedi.

— maika'i. – ela disse antes de mergulhar.

-

• CLARA GUSMAN ON

Parece que foi ontem que aquele pesadelo aconteceu. Ligar a tv e dar de cara com a notícia de que o avião de Eduardo tinha sumido após passar pela América central. Todos esses anos... Eu nunca deixei de procurar por eles, mesmo os oficiais da Marinha e da aeronáutica terem dados todos como mortos em 2002, eu sinto dentro do meu coração que eles estão vivos em algum lugar. 

Tudo virou um verdadeiro inferno desde que os oficiais deram Eduardo como morto. A Gusman A.G foi para a justiça para se decidir com quem a empresa ficaria, já que tanto a herdeira quanto a esposa de Eduardo estavam junto no avião, acabou que a empresa foi dividida em 50% para mim e 50% para Frederico, por sermos irmãos de Eduardo.

Frederico nem se deu ao trabalho de fingir estar triste com o acontecido, no dia seguinte, já estava se bancando como chefe da empresa. 

Hoje seria o aniversário de Verônica, a mãe de alicia. Em outubro vão fazer 19 anos do acidente. 07 de Outubro de 1999. Nunca irei me esquecer. Espero do fundo do meu coração, que se realmente Eduardo tiver partido, que eles esteja em paz para não ver o caos que se tornou a grande empresa que ele construiu.

Frederico assumiu a presidência da Gusman A.G desde o acidente, mas agora que está tratando de novos investimentos, deixou Carmem em um cargo grande na empresa. Carmem é minha sobrinha, gosto dela, mas ela não serve para administrar uma empresa do porte da Gusman A.G, e sinto por ela ter herdado os sentimentos ruins do pai em relação a família de Eduardo. Desde pequena, Carmem nunca gostou do fato da Gusman A.G carregar as iniciais de Alicia, sendo que "Ela já está morta, isso é ridículo." Ela já chegou a convocar uma reunião para mudar as siglas da empresa para C.C, mas obviamente todos foram contra, menos Frederico. O nome da empresa nunca será mexido, eu prometi quando assumi os 50% que vieram para mim.

 Todos os anos, nos aniversários de cada um deles, eu faço uma pequena reunião na empresa, para homenagea-los. Não é por que eles não estão mais aqui, que serão esquecidos. Eduardo nunca será esquecido, ele revolucionou o país com o primeiro telefone a não ter botões e funcionar apenas com toques na própria tela do celular. Encontramos o projeto do aparelho na sala dele, quando Frederico e eu assumimos a empresa, e eu não poderia deixar de lançar a última coisa criada por ele. O projeto tinha um nome rabiscado, mas eu sabia exatamente qual era: G-Fone A. 

A partir disso, todas as marcas começaram a produzir celular toque de tela, é Eduardo criou o maior império brasileiro. Foram vendidos milhões de G-Fones, atualmente, em 2018, estamos na produção do G-Fone J, mas nenhum se saiu tão bom quanto o criado por Eduardo.

— Mami, você tem certeza que tá bem? – Maria Joaquina perguntou preocupada.

claro que sim, meu bem. – falei secando os olhos. — não se preocupe.

Eu sei que você ainda sente muito nessas datas, mas já fazem 19 anos. – ela disse.

é difícil. – falei. — Paulo e Renê chegaram, vá lá falar com eles. – indiquei.

— eles tão vindo pra cá, nem precisa. – ela disse.

— Senhora Medsen. – Paulo disse e apertamos as mãos. – sinto muito.

— obrigada, querido. – falei. — mesmo depois de 19 anos, ainda é difícil cada uma dessas datas.

— Pode apostar que eu entendo – Paulo diz — minha mãe sente a mesma coisa em relação ao vovô. 

Paulo é talvez uma das poucas pessoas que compreende o que eu sinto. Ele tinha dois anos na época do acidente, e o avô dele estava junto no avião, foi uma das vítimas. Acabamos descobrindo a coincidência durante o jantar de namoro dele com Carmem, logo após a Gusman A.G ter assinado contrato com a empresa de games dele. Paulo tem 21 anos, mas já é um dos grandes empresários do país da nova geração. Ele e a mãe ergueram a OnZ11, a atual maior empresa de jogos e games do país. Renê, éo braço direito de Paulo na empresa. A Gusman A.G fechou contrato com a OnZ11 desde 2016, e a partir daí, todos os celular produzidos pela Gusman A.G passaram a vir com jogos da OnZ11 incluídos.

Meus pêsames, senhora Medsen. – Renê disse e beijou minha mão.

— obrigada, a presença de vocês aqui é muito importante pra família, vocês sabem.

— AMOR, ATÉ QUE ENFIM. – Carmem berrou, puxando Paulo. — Eu tava tentando falar com você há um tempão!

— Carmem... Eu tô falando com a sua tia, menos... – Paulo pediu sussurrando.

— aff, vamos. – ela puxou o garoto e saiu.

— Essa sua sobrinha, clara... Ela ainda tem ciúmes da família Gusman? – Renê arqueou a sobrancelha.

— aquela lá tem ciúmes ate do vento. – Maria Joaquina disse e revirou os olhos. 

-

• ALICIA ON

— Por aqui, Davi – falei.

— Alícia... – ele reclamou. — não gostar eu escalar tantas pedras. – ele disse.

— Já chegamos, maika'i. – avisei.

Atrás da caída da cachoeira, eu descobri uma caverna incrível. Era o meu lugar especial na ilha, pra onde eu vinha sempre que queria ficar sozinha.

— uau... – Davi disse admirado. — é incrível.

— eu disse! – sorri. — Eu tinha deixado a Moana aqui mais cedo, me ajuda a procurar ela.

— Você ficar largando essa tartaruga por lado qualquer da ilha... – Davi revirou os olhos. 

— Moana... MOANA... – comecei a chamar.

Moana é minha tartaruga de estimação. Eu a encontrei sozinha na beira da praia quando ela era um bebezinho, e a peguei. Mas ela gosta de se esconder, e eu sempre acabo a perdendo.

— Achei! – falei ao vê-la escondida dentro do casco.

— Você parece gostar mais a tartaruga que a mim. – Davi tinha aprendido a falar com a Helena, mas ele não aprendeu tão bem...

— É diferente. – falei pegando Moana no colo. — Ela é o meu bebê, eu salvei ela do mar quando ela ficou sozinha, igual a Helena fez comigo quando eu era um bebê. 

— E ela disse que um dia, ela vai conseguir fazer o barco e nos vamos voltar para aquele mundo que ela gosta. – falei sorrindo para a tartaruga no meu colo.

— E você iria mesmo? – Davi perguntou desanimado.

— mas que pergunta, Davi. Eu vou para onde a Helena for, ela é minha única pessoa, esqueceu?! – revirei os olhos.

— mentira. – ele disse. — e mim? 

— Você é você. – falei como se fosse óbvio. — a Helena é como se fosse a minha makuahine.

— e como fica mim sem você aqui? – ele perguntou chateado.

— Você pode ficar com a caverna. – sorri. — ela era meu único segredo, agora não tenho mais nenhum segredo com você. – falei.

— esse barco pode demorar mais tempo, você não pode ir embora não ainda. – ele falou.

— Eu tenho curiosidade em saber como é esse mundo que a Helena tanto gosta. Se ela gosta tanto, deve ser incrível, né?

— mas mim não quer ficar sem você, Alícia. 

— você não ficar sem mim, eu vou estar aqui. – falei apontando para o coração dele.

— Alícia... Mim gostar de você.

— eu gosto de você também, você é meu hoaloha.

— não, Alícia, não. Mim gostar de você igual Akan gostar de Luana.

— mas Akan e Luana são casados... – fico confusa.

— é isso, Alícia. Mim queria se casar com você. 

Davi fechou os olhos e veio vindo para perto do meu rosto. Fiquei surpresa, e lhe empurrei com a minha tartaruga.

— Davi! – o repreendi.

— au! Esse seu bicho tem um casco duro. – ele reclamou.

— você não pode me beijar! 

— por que não? – ele perguntou chateado.

— porque só quem é casado pode se beijar! – o lembrei.

— então é só você e mim se casar. – ele disse.

— não!

— por que não?!!

— porque você é meu hoaloha, e hoalohas não casam! – afirmei.

— mas mim gostar de você, Alícia. Não é isso? 

— Quando eu me casar, vai ser com alguém especial. Alguém que faça meu coração pular feito golfinho, igual Akan e Luana. – expliquei.

— aí sim... Eu vou me casar.

— e alguém esse não é mim?

— não, Davi. – revirei os olhos. — esse alguém eu não conheço. Vai ser igual as histórias da senhora Kauana.

— mas as histórias da senhora Kauana são mentirosas. 

— pra mim não, pra mim elas são reais. – afirmei.



Notas Finais


Dicionário da Alícia:

- Hale: casa
- kokua: ajuda
- akua: Deus
- kanaloa: Deus dos oceanos e do vento
- maika'i: tudo bem
- makuahine: mãe
- hoaloha: amigo


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