História Beyond Two Souls - Capítulo 19


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Categorias Naruto
Personagens Naruto Uzumaki, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha
Tags Fantasia, Horror, Naruto, Romance, Sakura, Sasuke, Terror
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Palavras 6.895
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Fantasia, Romance e Novela, Terror e Horror
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá!!!!!
Eu disse que não demoraria e aqui estou com um capítulo que eu fiquei empolgadíssima escrevendo. Acho que vai compensar os diálogos e pessoas chatas do capítulo anterior.
E finalmente vamos ter momentos e interações muito aguardadas.
Obrigada a todxs que comentaram no capítulo anterior, essa história só existe porque vocês apoiam.
Espero que gostem!

Capítulo 19 - A Fênix


Sakura estava cansada de responder àquelas milhares de perguntas.  

Desde que voltara a Konoha, tudo o que fazia era desviar de questionamentos e, agora, que finalmente poderia falar estava sobrecarregada de palavras. Sabia, no entanto, que não poderia ir até o Templo da Fênix sem dar as devidas respostas que aquelas pessoas exigiam.

E falar sobre a Pedra, também, mostrou-se inevitável. O artefato sagrado era apenas uma lenda naquele mundo, contudo a Haruno bem sabia de sua existência. Tinha sido enviada por seu Superior para achar o artefato e o encontrou justamente quando decidira visitar o planeta Terra. Quioto, a Cidade dos Samurais, guardava mais segredos do que imaginavam.  

Meticulosamente guardada no Templo da Fênix por seu Deus representante. Sasuke a olhava interrogativo. Todavia, Sakura não sabia dizer o que exatamente se passava na mente do Uchiha. Ele mantinha-se preso ao mistério tal qual ela.

- Como você pode saber sobre isso? – Alguém mais uma vez perguntara, seguido de como era impossível tal coisa ser real. Àquela altura do campeonato, a rosada já não sabia mais como lidar com aquelas pessoas e suas repetitivas perguntas.

- Por que exatamente precisamos da Pedra? – Sai perguntou mais uma vez.

Em parte, compreendia suas preocupações e questionamentos. Subitamente, uma nova camada do mundo lhes havia sido exposta e eles precisavam suprir a lacuna que ali ficara. Ela mesma, também, não poderia julgá-los. Tempos atrás, estava na mesma posição: perdida em relação a si e ao mundo.  O conhecimento que ainda não te pertence é sempre sentido.

Sakura respirou firme, deixando de observar a luz da lua que adentrava pela janela, e disse:

- Pela milésima vez, sem ela o ritual não se completa. – Olhando a sua esquerda, ela pressentiu que Neji faria uma pergunta e se adiantou. – E, não, não vou explicar como o ritual funciona. Eu posso realiza-lo e pronto.

- O que acontece se não realizarmos o Ritual? – Hinata questionou olhando para Ino que ainda jazia adormecida na cama. A loira suava frio e parecia estar sendo alvo de pesadelos. A Libélula se compadecia e queria o melhor para a amiga.

Sakura sabia que era inevitável compartilhar tal informação. Eles precisavam saber pelo que Ino passava em sua totalidade. Sasuke entendeu o seu silêncio e meneou positivamente com a cabeça dizendo que era hora de revelar o que ela realmente sabia, que não se tratava simplesmente de ceder lugar para uma alma demoníaca, pois ele começava a entender as dinâmicas daquele novo mundo e por muitas vezes eram maiores do que aparentavam. Fazia-se necessário colocar verdadeiramente todas as cartas na mesa e, ainda sim, ele mantinha o olhar austero e levemente preocupado.

- Ela vai sucumbir às trevas. Seu corpo será apenas sombras e estará para sempre presa a Orochimaru. Presa em um espiral eterno de agonia. – Sakura explicou da maneira mais didática que conseguia. – E se o Cervo morrer, a batalha de vocês estará perdida. Sem ela, vocês não sucedem.

- O que exatamente isso quer dizer? – Gaara perguntou tentando não transparecer o medo que sentia. Estava atônito há alguns minutos tentando assimilar todas as informações que o mundo lhe jogara e agora a perspectiva de perder Ino era mais avassaladora do que poderia imaginar.

- O Cervo dá energia a todos vocês. – Sakura falou. – Mesmo que vocês não percebam e muito menos ela, parte da sua energia é retirada dela. É parte não do seu poder, mas dela. Ino representa todo o sistema de apoio dos Onze.

A informação adicionada também transpassava como um choque. Por gerações, Doze Guardiões tinham sido escolhidos para proteger aquela realidade e mesmo que passassem todos os seus ensinamentos através de lendas contadas por anciões ou palavras desenhadas em diários, a maior parte eles sequer sabiam.

Não estavam simplesmente alheios a realidades paralelas. Estavam alheios a si mesmos.  

Contentar-se com o conhecimento que possuíam não era mais suficiente. Precisavam ir além e transpassar a barreira da ignorância.

O quarto voltara a ser silêncio. Sasuke olhava para a lua e imaginava o pior. Não poderia imaginar-se em tais situações em sua vida. Achara que tudo era certeiro, seu objetivo era proteger as pessoas e ele falhava naquele quesito tão básico e fundamental.

Konoha, milhares de pessoas, seus amigos e Ino. Esta, incontáveis vezes. Vidas ameaçadas pelo perigo e pelo poder.

Sakura poderia ter mudado todas as suas noções sobre realidade, porém, quem verdadeiramente começara aquilo, tinha sido Orochimaru. Cego pela própria visão de mundo e verdade. Ele estava colocando em risco pessoas importantes e que importavam ao Uchiha. Já era a milésima vez que Ino corria um perigo letal e mesmo assim ele mantinha-se alheio a tudo.

- Quando partimos? – Perguntou subitamente. Já estava mais do que na hora de mostrarem a Mestre das Cobras que ele não poderia simplesmente arriscar tanto em pró de nada.

- Ao amanhecer. – Sakura respondeu. A rosada olhou brevemente para o Uchiha sem entender o seu estado e depois se virou para Naruto que estava pronto para falar. – Não, Naruto. Você não vai junto. Você tem que ficar e assegurar que Ino esteja controlada, só você pode fazer isso. Gaara e Yugito tinham os requisitos para o serviço, mas a força contida em Naruto era mais forte do que a deles.

- Mas... – O loiro iria protestar, mas logo percebeu que seria impertinente de sua parte. Suas vontades teriam que ser deixadas de lado, naquele instante.

Eles voltaram a fazer confabulações e discutir o futuro e Sakura apenas suspirou pesadamente. Desde que acordara estava trancafiada naquele quarto, presa em palavras. Precisava respirar um pouco de ar fresco e enquanto eles discutiam o que fariam ou deixariam de fazer, a Haruno saiu do quarto.

O cômodo, notara apenas ao sair pelo corredor, se encontrava na mansão da Família Yamanaka e a julgar por tudo o que tinha visto dentro do lugar, provavelmente tratava-se do quarto de Ino.

Sakura foi até o quarto que tinha sido cedido pelo próprio patriarca Yamanaka e trocou de roupa. A armadura, feita a sua vontade e desmantelada pela mesma, desaparecera de seu corpo em cinzas. A rosada foi até o guarda-roupas e pegou um conjunto de roupas mais casuais, apenas uma blusa preta de tecido fino e calças jeans.

Ela não saberia dizer se as roupas pertenciam à Ino ou tinham sido compradas e guardadas ali por algum empregado nos tempos atribulados em que se encontravam, simplesmente pegou o mais básico e saiu em busca do ar frio da noite.

Apesar da incapacidade de sentir o tempo levemente gélido, Sakura colocara um longo casaco verde-musgo no corpo. Sentia-se, por muitas vezes, desnuda sem a armadura e o Selo aparentava brilhar e se destacar mais quando estava sem cobertura. Parecia estar desprotegida nas terras do País do Fogo.

Ao sair da mansão, os ventos bagunçaram seus cabelos e por alguns instantes apenas apreciou a sensação da brisa contra o corpo e o silêncio advindo da floresta. A calmaria tomava o seu coração e, por um momento, desejou congelar o tempo naquele instante.

- Eu devia ter lhe dito. – A voz rouca, levemente prejudicada pelo passar dos anos, ressoou nos seus ouvidos e ela sequer precisou abrir os olhos para identificar a sua presença.

Sarutobi estava à sua frente e tinha surgido tão logo quanto o vento. A aparência levemente caída indicava a fadiga causada pelo tempo, contudo o antigo Hokage mantinha-se uma presença brilhante.

- Quando você apareceu à minha porta... – Ele voltou a dizer se colocando a caminhar e Sakura o acompanhou. A trilha era tomada apenas pelo balancear de seus corpos contra o chão de terra e as vozes ressoando pelo ar. – Sempre soube que mudaria tudo, que não haveria caminho de volta.

- Quando apareci em sua porta? Achei que tivesse sido Tsunade... – Sakura falou olhando interrogativa para o homem, que possuía um sorriso torto nos lábios e ora olhava para a lua e o céu estrelado e ora para a garota que vira crescer.

- Não. Por isso devia ter contado. – Ele prosseguiu.- Talvez as coisas tivessem sido diferentes, nunca saberei. – Havia peso na última sentença, um pouco de culpa também. – Ainda apenas um bebê, você foi colocada em minha porta coberta apenas por um manto esbranquiçado. Naquela época, eu estava quase findando meu tempo como Hokage e Orochimaru inebriava meus sonhos.

- E por essa razão me deixou com Tsunade? – A Haruno perguntou prendendo um pouco da respiração.

Sarutobi sorriu mais abertamente e passou apenas a observar o satélite natural resplandecendo no céu.

- Ela estava agonizando com a morte do marido e do filho. – Ele disse. – Achei que você a curaria. Percebo agora como fui egoísta.

As palavras do homem a atingiram com força, embora jamais fosse admitir. Sentia-se ainda mais rejeitada e indesejada e ainda assim não conseguia culpa-lo. Na verdade, sequer atribuir qualquer culpa a ele ou Tsunade. O universo lhes impusera uma tarefa que até mesmo os mais fortes recusam: cuidar de uma criança.

Lembrou-se brevemente das memórias mais acalentadoras de sua infância e via figura de Sarutobi sempre sorridente e presente ao seu lado. Como também se recordava de momentos de amargor entre ela e a atual Hokage. Sakura deveria ser a cura, mas trouxera mais devastação.

Aquela era verdadeiramente sua maldição. Ela era destruição apesar de querer ser vida.

Compreendia um pouco melhor as ações de Tsunade para com ela. Sarutobi simplesmente deixa um bebê a sua porta e lhe diz que ela precisa desempenhar o papel de mãe mesmo quando ela já estava devastada pela perda.

- Nunca se questionou de onde eu teria vindo? – Sakura perguntou interrompendo o próprio fluxo de pensamentos.

- Todos os dias. – O mais velho respondeu voltando a andar e olhando atentamente o caminho a sua frente. – Até mesmo depois que desapareceu. No fim, quando não achamos vestígios de sua existência e você desapareceu repentinamente cheguei à conclusão que apenas os Deuses poderiam ter envolvimento nessa questão. E desde essa época soube que voltaria e nos agraciaria mais uma vez.

- Mais uma vez? – Questionou sem realmente entender. Desde que conseguira se lembrar, não tinha sido motivo de graça para nenhum deles ali.

- Mesmo que não demonstre, você conseguiu quebrar todos os muros em Tsunade. Infelizmente, isso apenas ficou evidente depois que você se foi. – Sarutobi explicou voltando a sorrir. Entendia perfeitamente as questões da jovem Senju, todavia sempre notara a afeição que ela tinha pela garota de cabelos rosados.

A verdade é que Tsunade sentia-se culpada. E a culpa era por tentar ser feliz quando as duas pessoas mais importantes de sua vida partiram. Ser mãe e buscar a felicidade enquanto corroída pela sensação de ter deixado outros morrerem em suas mãos.

O sentimento de confusão era tamanho que Tsunade expressava-se com frieza e insensatez toda vez que Sakura tentava se aproximar. E quando ela estava pronta para fazer as pazes consigo mesma e o universo, a Haruno se fora. Mais uma vez fora derrotada pela destruição imprimida a si mesma.

- E os Deuses nunca falham. Orei para que você retornasse e o pedido foi escutado. – Sarutobi falou mais uma vez. A rosada nunca o tomara por um homem fervorosamente religioso, mas tinha se enganado redondamente. – Um milagre não pode ser colocado à sua porta apenas para ser retirado tão precipitadamente.

- Ainda acha que sou fonte de milagre dos Deuses? – Sakura questionou com a dúvida presente em seu rosto alvo. – Depois de tudo o que contei sobre minha origem e meu caminho?

Sarutobi riu e, desta vez, um sorriso verdadeiro. Alegria pulsava em seus olhos. Por fim, disse:

- Agora tenho certeza.

***

O sol tinha acabado de raiar no horizonte. A manhã era calma e levemente gelada, acompanhando o tempo da noite que a antecedera.

Após a conversa enigmática que tivera com Sarutobi, Sakura perambulou um pouco pela floresta densa e voltou para a mansão Yamanaka. O clima tinha arrefecido um pouco e todos pareciam exaustos, o que levou a Haruno a dividir tarefas. Sentiu-se no dever de fazê-lo, mesmo que alguns considerassem que aquela não era sua função.

Naruto, Gaara e Yugito iriam dividir turnos e de duas em duas horas Shizune, Tsunade e Kabuto iriam conferir o estado de saúde de Ino, ainda desacordada por ordem de Sakura. Os outros alternar-se-iam na guarda e vigia da moça, agora cientes de que a ameaça poderia surgir de qualquer lugar.

Kabuto era o único fora do grupo a saber da condição de Ino ou sobre a rosada. Alguns ficaram reticentes a sua presença, a paranoia de não poder confiar em ninguém começava a tomar o ânimo daquelas pessoas, mas tanto a Hokage quanto Shizune confirmaram a lealdade do moço, que mostrara nada além de dedicação e preocupação.

Sasuke e Sakura partiriam para Quioto no começo da manhã. Lee não poderia leva-los por sua não familiaridade com o local e Sakura conseguiria transportá-los até a cidade, apenas. O Templo ficava num lugar afastado e secreto e conseguiriam chegar até lá utilizando meios tradicionais, unicamente. Isso implicava que ao chegar até Quioto precisariam alugar um carro e depois caminhar um pouco mais adentro da região em que o local sagrado realmente se encontrava.

Apesar de não deixar ou querer transparecer, Sakura ainda estava muito debilitada. Todos os esforços que utilizara recentemente tinham acarretado um grande preço nela. Parte de seu corpo ainda se recuperava e consequentemente seus poderes não estavam em sua força completa. Além disso, a Dimensão Amaldiçoada ainda marcava seus reflexos nela. Ninguém vai a um lugar como aquele e sai ileso.

Ela precisava economizar o máximo de energia que possuía. Estar em Konoha, também, mostrava-se cada vez mais difícil. Sentia o Selo pulsando em suas costas, gritando que ela precisava se libertar. Ali não era o seu lugar e jamais seria, e o poder milenar prensado contra as suas costas não a deixava esquecer.

Sasuke chegou ao local combinado exatamente no horário em que marcavam. Sakura o esperava há certo tempo. Tinha decidido ficar por ali mesmo depois que percebeu que nem mesmo deitada na cama luxuosa conseguia se aquietar; passou o tempo restante meditando. Buscava exasperadamente por paz porque no momento via apenas caos. A conversa com Sarutobi a deixara mais abalado do que gostaria.

O Uchiha mantinha seu olhar austero enquanto caminhava em direção a rosada ao lado de Fugaku e mais alguns membros da família e da guarda pessoal, claramente identificados pelo símbolo da casa estampado em suas vestes. Trajava apenas roupas pretas e internamente Sakura riu. O pensamento era de que ele estava indo para um enterro e não salvar uma vida e, consequentemente, milhares.

Sasuke colocou a pequena mala de mão no chão e as mãos dentro do bolso. Tinham combinado de levar ao menos um par de roupas extras. Nem mesmo a Haruno saberia quanto tempo levariam para adentrar o Templo e pegar a Pedra.

- Está pronto? – Ela perguntou sabendo que ambos dispensavam formalidades. Ela também não se dirigiu a nenhum dos outros homens presentes. O olhar deles para com ela era enigmático, contudo era possível ver a incerteza.

O Uchiha apenas meneou positivamente com a cabeça e voltou a segurar a mala.

- Como exatamente isso tudo vai decorrer? – Questionou Fugaku olhando sério para a rosada. Apesar de gostar de manter a aparência fria, observando no fundo dos orbes ônix Sakura conseguia ver a preocupação dele, assim como a irritação. Provavelmente, o pai não o agradava.

Recordou-se brevemente dos dias em que observava aquela família tão perfeita e unida compartilhar refeições e risadas. As coisas haviam mudado drasticamente e tudo o que via em Fugaku Uchiha era uma dor profunda, muitas vezes imprimida com agressividade.

- Vou nos levar até Quioto e depois alugaremos um carro. Para chegar até o Templo vai demorar mais ou menos uma hora e mais alguns minutos de caminhada. – Sakura explicou notando a micro reação irritadiça que ele exibia.

- Carro? – Questionou o patriarca com a sobrancelha arqueada. Alguns murmúrios atrás de iniciaram.

- Sim, carro.  – Sakura respondeu como se fosse óbvio, mas a julgar pelos olhares dos Uchiha, eles não tinham certeza a que ela se referia. – O veículo que os humanos usam.

A Haruno sabia que muitas pessoas nas Cinco Grandes Nações se opunham a misturar-se com o mundo humano. Ficavam presos na realidade que lhes cabia e não enxergavam o que havia além do Véu.

As famílias tradicionais eram as piores. Pregavam o purismo absoluto e se recusavam a saber qualquer coisa que se referisse ao mundo que não lhes pertencia, mas que vivia concomitantemente ao deles.

- Você nunca andou de carro? – Sakura perguntou referindo-se especificamente a Sasuke e deu um sorriso. – Isso vai ser incrível.

E ao dizer tais palavras, segurou no braço de Sasuke e os dois desapareceram junto com o ar. Por alguns instantes, os membros da família Uchiha apenas ficaram embasbacados sem compreender a falta de decoro da garota de cabelos róseos. 

***

 - Exatamente como você arranja dinheiro para todas as essas coisas? – Sasuke perguntou, com a testa retesada, enquanto Sakura entrava no carro com uma sacola de compras.

Chegar até Quioto tinha sido muito simples. Sakura tinha escolhido um beco e ninguém notou a presença repentina dos dois. Alugar o carro também não tinha sido problema. Ela conhecera o mundo dos humanos em uma missão e aprendera rapidamente seus costumes. Muito consumo, tecnologia e comida.

Sorriu internamente quando viu o Uchiha maravilhar-se com a cidade. Quioto era a mistura perfeita entre a arquitetura tradicional e os costumes de um povo antigo com a modernidade advindas da era tecnológica. Contudo, a antiga capital imperial do Japão exalava uma beleza ímpar aos olhos de Sakura. E, por isso, gostava tanto dali.

De todas as dimensões que já havia visitado, um dos melhores lugares era o mundo humano. Viviam alheios a fenômenos mágicos e místicos que se encontravam ao seu lado, mas produziam a própria mágica afim de suprir o que lhes, de certa forma, faltava.

Aviões, carros, celulares e tantos outros eram apenas a forma que encontraram de modificar a vida e suprir aquilo que não possuíam. Se não podiam voar criavam aviões, asas-deltas e paraquedas; se não podiam transportar rapidamente de um local ao outro criavam carros, motocicletas e bicicletas. Criavam tudo para todas as coisas.

Sem contar a exímia criatividade. Todo o tipo de história já havia sido contada. Desde lendas sobre seres aquáticos que capturavam navegantes até a gigantes que guardavam os céus. O que não achavam poder existir, inventavam.

- A Morte paga muito bem. – Ela respondeu ligando o carro enquanto observava o descontentamento na face de Sasuke. Ele definitivamente não gostava de transpassar as fibras do Véu. – Quer? – Perguntou apontando para o pacote de bolachas recheadas que havia comprado.

- Não. – O moreno respondeu com desprezo aparente olhando para aquela comida de aparência suspeita. Na verdade, não reconhecia nada do que ela havia comprado. Sakura apenas deu de ombros e começou a dirigir. Ela não necessariamente precisava comer, contudo adorava a sensação que o alimento industrializado lhe fornecia.

Sasuke era uma mescla entre o assustado e admirado e tentava exasperadamente esconder tais emoções. Nunca havia saído da região das Cinco Nações, então via-se em choque quando observava a quantidade de pessoas, roupas e costumes diferentes na Cidade dos Samurais. E aquele era apenas um dos tantos lugares que existiam no Universo.

- Como você pode saber tanto sobre essas pessoas? – Ele perguntou olhando pela janela e logo em seguida para Sakura que bebia um energético. Desde que chegaram, ela agia como se fosse nativa do lugar e isso, por algum motivo, o incomodava.

Sentia que ela possuía conhecimento por todas as culturas e no final a sensação era de que não era fiel a nada.  Uma miscelânea de conceitos que jamais formavam raízes.

- Durante toda a vida eu fui obrigada a ir a todos os lugares imagináveis. Às vezes permanecia alguns dias, outras vezes meses. – A rosada respondeu encarando a estrada. – Você tem que se adaptar e, nesse caso, me adaptei muito bem. – Finalizou sorrindo lembrando-se do breve período que passara no Japão e em outros países daquele planeta.

Quando estava no lugar, Sakura sentia viver uma vida paralela. Uma vida em que ela não era Filha da Morte, Matadora de Deuses ou um monstro em pessoa. Simplesmente, era si mesma. E aquilo bastava.

O caminho, depois, foi silencioso. Ouvia-se apenas o barulho que uma cidade urbanizada daquele modo poderia fazer. Sasuke observava a tudo taciturno, mas com um brilho no olhar. Mesmo que se opusesse a tantos costumes e ao modo de vida daquelas pessoas, às vezes imaginava como poderiam perder tudo aquilo que estava diante de seus olhos. Deviam proteger todas aquelas pessoas, porém sequer se deram o trabalho de conhecer a sua realidade.

Ele entrava em dissonância toda vez que pensava naquilo. Eram protetores da Terra ou apenas de si mesmos?

Quando deu por si, Sakura estacionava o carro. Ao longe, uma bela construção se formava diante de seus olhos. Envolta em águas e árvores, Kinkaju-ji ou o Palácio Dourado se estendia em toda a sua elegância. Apesar de ligeiramente distantes, era possível sentir a paz que emanava do local.

- A partir daqui temos que ir caminhando. – Sakura falou saindo do carro e obrigando Sasuke a fazer o mesmo. O palácio sendo rodeado por vegetação e por ser local de meditação não estava aberto veículos e de qualquer forma precisariam trilhar um caminho diferente.

Mesmo daquela distância, Sasuke via a estátua de uma Fênix brilhando no topo da construção. Sequer sabia como era o Templo de seu Deus representante, jamais lhe passara pela cabeça que precisaria saber tais coisas.

Notara que não bastava mais viver naquele mundinho pequeno. Coisas maiores e mais grandiosos se faziam presentes e precisavam ser conhecidas ou descobertas.

- Aquele é Kinkaju-ji. – Sakura começou a falar sentindo-se uma verdadeira guia turística caminhando, o que obrigou o Uchiha a segui-la. – O Palácio Dourado ou o Templo Dourado de Quioto. Foi construído em 1397 para servir de moradia para o Shogun Ashikaga. E, não tão surpreendentemente, renasceu com as cinzas várias vezes.

Sasuke, como em toda aquela “viagem”, mantinha a faceta confusa misturada com o seu ar soturno, a compostura precisava ser mantida não importava o quão estupefato ele pudesse estar.

- Durante a Guerra de Onin foi destruído várias vezes e em todas as vezes foi reconstruído. Mais recentemente, em 1950, foi incendiado por um monge e mais uma vez reconstruído. Renascido das cinzas, como alguns dizem.

- Como uma Fênix. – O Uchiha complementou observando mais atentamente o lugar. – Não imaginei que o Templo teria sido construído por humanos. – Ao dizer aquela última parte olhou ao redor para ter certeza que ninguém o escutava.

- E não foi. Esta é uma interpretação humana para o mesmo fenômeno que existe no seu mundo. – Sakura respondeu. Os dois pararam brevemente em frente a construção dourada. – Esse não é o Templo do seu Deus. – Disse afastando-se do palácio e adentrando a floresta que circundava o Kinkaju-ji. – O verdadeiro Templo está mais adiante.

 

Antes da humanidade existir, reinavam apenas os cósmicos. Estes, feitos e esculpidos a mão pelos Doze Deuses Fundadores: a Fênix, a Raposa, o Lobo, a Libélula, a Coruja, o Escorpião, o Cervo, o Salmão, o Dragão, o Cavalo, a Serpente e a Águia.

Os cósmicos povoaram parte da Terra e quando um grande mal foi libertado do Reino das Sombras, os Doze Deuses Fundadores intitularam que alguns de seus filhos ficariam encarregados de protegerem o planeta que lhes acolhera. Desta maneira, Doze Guardiões foram selecionados e agraciados com o poder de suas divindades.

Quando a humanidade surgiu, ficou claro que cósmicos e humanos não conseguiriam conviver uns com os outros. Para os seres humanos, a sua incapacidade de manipular o misticismo era inaceitável e grandes guerras e caçadas se iniciaram para aniquilação daquelas ditas “aberrações”.

Assim, os Doze Guardiões uniram seus poderes e criaram o Véu da Realidade separando para sempre cósmicos e humanos e apagando qualquer resquício de sua existência. Por clemência dos próprios Deuses, juraram proteção até mesmo àqueles que os caçaram, todavia prometeram jamais revelar a verdade. Dizia-se que a descendência humana não poderia ser culpada por erros antepassados e até o mais errôneo ser merecia a proteção de ameaças que não poderiam conter.

Durante todas as gerações, Doze Guardiões eram selecionados por seus Deuses e ajudavam na missão de proteção contra os males deste mundo e além garantindo, sempre, a manutenção da realidade. Porém, de tempos em tempos as ameaças místicas contra os humanos foram desaparecendo jogando os humanos no esquecimento e no ostracismo por parte dos cósmicos.

Restava apenas o dever de proteger, mesmo que não houvesse nenhuma ameaça sequer. Assim, cósmicos e humanos viveram separadamente por centenas de anos sem jamais intervir na existência uns dos outros.

Mesmo depois dos Guardiões separarem o mundo cósmico e humano, alguns remanescentes de sua presença ficaram. Os Templos que homenageavam os Deuses foram construídos e espalhados por toda a extensão territorial do Japão antes das guerras e da opressão. Foram protegidos pela magia que assegurava a realidade só podendo ser acessados por seu Guardião específico, que poderia acolher quem fosse de seu interesse. Os Templos, no entanto, afastados das Grandes Cinco Nações perderam-se na história.

 

Sasuke ouvira aquela história incontáveis vezes. Sua mãe lhe contara repetidamente e no fundo sempre soubera que seu filho ajudaria a salvar o mundo. Independente, de ser abençoado pelos poderes divinos.

A floresta ficava mais densa à medida que avançavam, porém não lhe causava uma sensação claustrofóbica. A cada passo que dava dentro daquele território seu corpo era inflado por paz e a história de parte de sua origem retumbava em sua cabeça.

Por alguma razão, a história não lhe ocorrera por muitos anos, desde a morte da sua mãe. E apenas ao chegar naquele lugar, ele se perguntou do porquê ninguém falar sobre os Templos e muito menos visita-lo. Será realmente que a divisão com o mundo humano impediria seu acesso?

O único deles que ficava no território das Cinco Grandes Nações era o do Cervo e ainda sim as únicas visitas que recebia era apenas para pagar promessas ou deixar oferendas, ninguém nunca passava da porta e Sasuke achava que Ino jamais visitara o local. Todos os outros estavam escondidos no mundo humano, intocados pelo tempo ou pela vida.

Talvez houvesse algo estranho demais em visitar os Templos. Havia algo a mais dentro das paredes, uma força divina quase inexplicável. Os lugares eram poder e emoção, reflexos daqueles que eram homenageados.

Sakura caminhava à sua frente completamente certa de onde iria. Todas as vezes que Sasuke a observava imaginava pelo tipo de coisa que ela já havia passado e pelas outras milhares de coisas que ele não sabia sobre ela. A mulher de cabelos róseos conhecia mais sobre sua própria origem do que o próprio e por muitas vezes se pegava pensando: por que a sua própria história era tão negligenciada?

Será que já tinha visitado todos os outros Templos? Onde mais teria ido na vastidão do Universo? Como ela poderia conhecer tão bem o local que nem mesmo ele tomava conhecimento?

Os questionamentos que o próprio Uchiha fazia foram interrompidos quando Sakura finalmente parou. A blusa cavada branca deixava aparente o seu colo e era possível ver as gotas de suor caindo de seu pescoço. Para ela, estava insuportavelmente quente. Até mesmo para seus padrões. A cabeça latejava e logo sentiu que não deveria estar naquele lugar, mesmo que já o tivesse visitado.

Até aquele momento, Sasuke não notara o aumento significativo de temperatura. Todavia, não se incomodava. O fogo era parte de si.

Ele parou para observar o que ela via. A grande construção era envolvida por plantas verdes até se perder de vista. O portão acinzentado, intricado por arabescos diversos, era a única parte ainda possível de ser ver.

- Bem, agora é com você. – Sakura disse voltando-se para ele e indicando que era a vez dele de guiar.

Sasuke assentiu com a cabeça e marchou em direção ao portão subindo lentamente as pequenas e velhas escadas. Não achava que o Templo fosse se desfazer nem mesmo com o passar do tempo, porém ainda calculava meticulosamente cada passo com medo de que o pior acontecesse.

Frente ao portão de dez metros de altura, os dois pareciam minúsculos. Desta vez, não precisou olhar para Sakura perguntando com o olhar o que fazer. Simplesmente sabia. Estar ali era intuitivo e lhe dava paz. Sentia-se verdadeiramente em casa e acolhido.

Apenas prensou a mão direita contra o portão e o mesmo se abriu revelando um interior ainda maior do que aparentava por fora. Tratava-se de um longo e largo corredor, apoiado por pilastras altas em mármore cinza.

A luz do sol adentrava por algumas frestas no topo da construção dando uma sensação instável e bruxuleante, quase como se imitasse o movimento da Fênix. Assim que passaram pelo portão o mesmo se fechou.

- Exatamente como sabia chegar aqui? – Sasuke perguntou olhando para frente tentando decifrar o que o aguardava.

- Segui uma pista. – Respondeu enigmática tentando ignorar a presença constante do poder da Fênix ali dentro. Sakura lutava contra monstros dentro de si, aguentar outra presença tão poderosa não era fácil. Começava a ficar barulhento demais em sua cabeça, como se alguém gritasse mesmo que o Templo representasse paz absoluta.

Ela tinha visitado o local algumas vezes anteriormente sem pisar dentro do Templo. Nunca chegara àquele ponto. Todavia, estar ali, daquela maneira, mostrava-se mais difícil do que conseguia colocar em palavras. Talvez fosse uma mistura da utilização desgastante de suas habilidades, a transição constante entre mundos e batalhas internas incompreendidas por terceiros ou até mesmo a presença de Sasuke.

Algo estava essencialmente diferente e a sensação que reverberava em seu corpo começava a tornar-se insuportável.

- Vamos? – Sugeriu indicando para que ele continuasse a caminhar.

O Templo era silencioso e nem mesmo os sons da floresta afora adentravam o lugar. O corredor acabava em um salão maior e onde estavam consistia apenas da parte superior da construção. Quando chegaram ao seu fim, uma escada se estendia até o chão e era possível ter uma noção verdadeira de como o lugar tinha sido construído.

Havia um altar completamente dourado no centro e o verde das plantas misturavam-se com o cinza dos tijolos dando um ar mais aconchegante para o lugar. O que chamava atenção, no entanto, era a grade figura da Fênix entalhada na pedra da parede. No coração do ser místico, uma pedra de cor esverdeada saltava aos olhos, cravada para dentro do tijolo. Aquela parede era o único lugar em que a luz do sol brilhava insistentemente. 

- Aquela é... – A pergunta morreu em seus lábios e junto ao vento porque não precisava de resposta. A Pedra da Ressurreição era consideravelmente menor do que imaginara, mas possuía um esplendor diferenciado.

A parte inferior desembocava em dez corredores diferentes – cinco para o lado direito e cinco para o esquerdo – indicando que havia muito mais a ser explorado. Tesouros e segredos tinham sido enterrados naquele local, todavia não era aquele o seu objetivo. Quem sabe depois de pegarem a Pedra.

Mesmerizado pelo Templo, Sasuke notara apenas naquele instante a mudança de Sakura. Não a tinha visto aparentar tamanho incômodo nem mesmo quando estavam na Dimensão Amaldiçoado. Iria dizer algo, quando ela disparou:

- Você precisa pegar a Pedra. – A voz saia levemente rouca e meio sussurrada. – Só você pode.

Ela claramente não queria que ele fizesse perguntas, e se insistisse nada seria respondido. Sakura não subiu os pequenos degraus, onde ficava o altar, e decidiu ficar mais afastada possível da Fênix tentando se recuperar e cessar os gritos em sua cabeça.

Mais uma vez, Sasuke não precisou perguntar o que precisava fazer. Estava em casa e era como se tivesse desvendado cada canto daquele lugar. Sentia o poder dos Deuses fluindo diretamente em si, gritavam em seu ouvido sem dizer uma sequer palavra.

Atrás do altar, havia uma elevação pentagonal feita em tijolos queimados. Correspondia a mais ou menos metade da altura que o Uchiha possuía e tinha um encaixe perfeito para a mão. Aquela viga em tijolos ligava-se diretamente a parede com entalhe de Fênix.

Então, Sasuke fez apenas o plausível e colocou a mão no objeto. Imediatamente sentiu o calor que dali emanava, mais quente do que qualquer coisa que experimentara. Deixou que seus poderes fluíssem por seu corpo. O fogo acendeu a viga, que passou de cinza escuro para um laranja vivo, e a energia resultante corria até o entalhe.

A Fênix ganhava vida. O que antes era apenas arte em uma parede, agora, vivia. A cauda pegara fogo, em seguida as asas e as chamas adentravam a cabeça. Os olhos, antes apagados, tomavam um tom carmesim e era quase possível ouvir o animal gritar. Tão pulsante que, por instantes, poderia jurar que sairia voando daquela parede.

Existia, ali, uma troca entre Sasuke e a Fênix. Os poderes se misturando e se complementando. Era incrível e majestoso ao mesmo tempo que completamente aterrorizante. Era poder em sua mais pura forma.

Contudo, antes do coração se acender e incendiar a pedra, o encanto se quebrou com Sasuke perdendo as forças. As chamas desapareceram do corpo da Fênix e ela voltara a ser apenas um entalhe na parede, impossível de ser alcançada.

- O que aconteceu? – Ele perguntou olhando para Sakura, que se aproximava após aquela pequena demonstração. – Estava tudo certo e, de repente, não senti mais força nenhum.

- Talvez você ainda não tenha forças o suficiente para alcançar a Pedra. – Sakura explicou. A palidez, agora, tomara conta de seu rosto. - Um artefato desses exige uma grande concentração de energia, algo que você ainda precisa trabalhar e melhorar.  

- E agora? – O seu tom irritadiço misturava-se ao nervosismo. – Não podemos sair daqui sem essa maldita Pedra. – Ele falou olhando para o artefato inerte. Lembrava-se de Ino e das palavras de Sakura sobre como a loira sucumbiria as trevas. Jamais permitiria que tal coisa acontecesse e muito menos que Orochimaru vencesse.

- Eu te ajudo. – Sakura respondeu tentando soar o mais confiante possível. Nem sabia se tinha forças para aquilo, todavia concordava com Sasuke. Sair dali sem a Pedra era inaceitável. – Se eu compartilhar parte da minha energia, você pode acender toda a Fênix.

O Uchiha questionava se ela estava apta para tal tarefa, porém via-se sem saída. Além do mais, Sakura já tinha provado em mais de uma ocasião o quanto era forte e resiliente. A Haruno também não esperou a resposta dele, simplesmente se aproximou da viga e disse:

- Você começa e eu te ajudo.

Ignorando todos os avisos que gritavam em sua cabeça, Sasuke aproximou-se e assentiu com a cabeça. Repetiu o movimento anterior e deixou que o fogo que queimava dentro de si acendesse a viga.

Mais uma vez, a cauda se acendera seguida das asas. O fogo era rápido e intenso, crepitava em seus ouvidos. A cabeça do animal místico tornava-se brasas velozmente e quando Sasuke estava prestes a perder as forças e o controle da energia, Sakura colocou a sua mão sob a dele.

As chamas queimaram feroz e instantaneamente. A Fênix era apenas labaredas, incendiando a Pedra que começava a incandescer. Por um momento, os dois se entreolharam compartilhando um momento genuíno no meio do incêndio e do calor.

A energia de Sakura era grande, e por vezes, o Uchiha achava-se próximo a um colapso. Todas aquelas energias em sincronia representavam um poder exageradamente grande. A Fênix brilhava em chamas amareladas e laranjas, mas suas extremidades eram pintadas pelo fogo esverdeado provindo por Sakura.

Um vento anormal surgira soprando todo o Templo e abalando as suas estruturas. Os dois, no entanto, não se importaram e unidos imprimiram o que restava de suas energias para alcançar o artefato e acabar, finalmente, com aquilo tudo.

A Pedra começava a rachar e o barulho do vidro se quebrando misturava-se ao crepitar intenso do fogo. A primeira rachadura tinha sido longa, seguida por diversas cada vez menores e mais velozes. O vidro quebrara-se e os jogara para longe causando uma grande explosão.

Por alguns minutos, tudo era silêncio.

Sasuke abriu os olhos lentamente, sentindo a cabeça latejar e a mão pulsar. Seu corpo tinha sido jogado contra o altar, depois da pequena explosão causada pela união da rosada com a dele, contudo ele mantinha-se intacto. Quando olhou mais atentamente notou o prisma esverdeado em sua mão.

Aquilo era o que restara da pedra, esculpida e forjada pelo fogo. Na parede era forma bruta e com o fogo, quebrara-se e renascera das cinzas voltando as mãos de seu herdeiro legítimo.

Ele levantou-se e olhou ao redor procurando por Sakura. Ela tinha sido jogada do outro lado do Templo, contra a escada. Ela agonizava no chão, tentando se levantar e livrar-se daquele poder. O fogo da Fênix percorria todo o seu ser, deixando-a atônita, sufocando-a e esmagando tudo o que existia dentro dela.

A Fênix não pode habitar a morada da Morte, mesmo que ligeiramente.

Sasuke correu em sua direção e rapidamente a levantou, segurando em seu tronco para que ela mantivesse parcialmente de pé. Sakura tinha dificuldade em respirar e não conseguia raciocinar corretamente, sussurros e gritos misturavam-se. Ela ardia exasperadamente, as labaredas da Fênix divina incendiando cada célula do seu ser lhe dizendo que tal ser não deveria existir. Ela não deveria existir.

- Você precisa retirar... – Ela dizia com dificuldade e entre sussurros.

- O que? Retirar o que? – Sasuke perguntou mantendo as mãos firmes no corpo dela e dando todo o apoio para que ela não caísse. Ele precisava entender. O desespero o atingia vorazmente, nunca a vira daquela maneira.

- A Fênix... Parte da Fênix está em mim. – Falou, desta vez, recuperando parte da sanidade e ignorando a dor incessantemente. Há muito tempo não se sentia daquela maneira. Buscava desesperadamente por ar que sequer precisava. – Você tem que tirar. Eu não aguento tantas energias dentro de mim... Eu não aguento mais...

As palavras saíam embargadas em desespero e dor. Sakura o olhava pedindo para que ele agisse de uma vez por todas, que não esperasse mais explicações. Precisava apenas que ele a ajudasse.

- Como eu faço isso? – Perguntou tentando manter-se firme.

- Na sua mão... Deixe o poder fluir pelos seus dedos e os enterre no meu peito como se arrancasse meu coração. – Ela explicou fechando brevemente os olhos e, naquele instante, ele achou que ela desmaiaria, porém a rosada mantinha-se firme.

- Mas se eu fizer isso, você corre o risco de se machucar ainda mais., eu posso arrancar o se coração. Eu literalmente vou te queimar viva. – Sasuke falou tentando agir de maneira mais racional possível.

- Não interessa. Eu me curo depois. Vou ficar bem.  – Sakura respondeu finalmente abrindo os olhos e o encarando. Estavam mais próximos do que jamais estiveram e olhando um dentro dos olhos do outro, sentiam-se capazes de enxergar o que estava além. – Você só tem que tirar. A energia vai fluir diretamente para você.

- Mas...

- Apenas faça! – Ela bradou, contrariando o medo que ele sentia. Imediatamente, Sasuke deixou que o fogo ardesse em todos os seus cinco dedos e os pressionou contra o peito de Sakura que apenas arfou com mais aquela ponta de dor. O braço esquerdo dele, tentava apoia-la, porém, o Uchiha não conseguiria realizar a extração a segurando. Então precisou soltá-la brevemente.

O fogo que ardia sem seus dedos, capazes de perfurar o corpo daquela mulher e arrancar o seu coração. Sakura estava prestes a quebrar, a dor misturava-se aos gritos. Estava dando espaço para mais almas do que conseguia processar, todas gritavam por atenção. Todas querendo dominar o seu ser e leva-la a insanidade. Mais um pouco e ela não aguentaria.

Sasuke conseguia sentir parte da Fênix dentro dela, assim como uma série de energias não identificáveis. Com toda a força que possuía, juntou todo o seu poder e com violência arrancou o que lhe pertencia do corpo de Sakura.

Antes que ela caísse, Sasuke a segurou trazendo-a para junto do seu corpo. Os olhos da rosada mantinham-se fechados e suas mãos caíam por seu corpo, dando a sensação que desmaiara brevemente. Ela respirava com dificuldade, ainda buscando por ar e acostumando-se com a normalidade devolvida a seu corpo.

O desespero de Sasuke esvanecia gradativamente e ele não pôde deixar de olhar para aquela mulher. Seus rostos estavam a milímetros de distância e as respirações entrecortadas eram compartilhadas.

O coração do Uchiha batia aceleradamente. Não sabia se pelo medo ou pela proximidade. Nunca desejou tanto que ela abrisse os olhos para que pudesse admirar a imensidão e os segredos dos olhos esmeraldinos. Precisava saber se ela estava bem e o único modo era observando diretamente os olhos resplandecentes.

Também, nunca desejou tanto estar próximo de alguém. Queria que ela se recuperasse e retribuísse o momento, que abrisse os olhos e compartilhasse ao menos um leve sorriso, que dissesse que tudo ficaria bem porque de tudo ela tinha conhecimento.

Observou atentamente o contorno daquele rosto, tão próximo ao seu. O modo como cada parte se misturava formando um rosto harmônico e belo. Não poderia ceder a seus impulsos, contudo nunca desejou tanto tomar os lábios de alguém para si como naquele momento.

Era desesperador e perigoso. E a Haruno tinha aquele efeito estarrecedor nele. Desde que chegara, ela era o mistério que ele precisava tão ferozmente desvendar.

E finalmente, Sakura abriu os olhos. 


Notas Finais


Não sei o que dizer sobre esse capítulo, apenas espero que tenham gostado porque eu me diverti muito mesmo escrevendo.
E essa cena do final indica o que está por vir pelo nosso casal SasuSaku que eu disse que existiria nessa história.
Qualquer erro me avisem, por favor!
Comentários são sempre bem-vindos e obrigada por todo mundo que acompanha a história.
Beijos e até mais!


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