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História Biblioteca enigmática - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Único;


Estive pensando no quanto foi fácil atravessar seu túnel de lamentações escondidas, a mesma porta da frente para sua residência que ninguém encontrara. Perguntei-lhe se sempre pareceu simples entrar por suas fechaduras escancaradas de cadeados falhos e placas apagadas. 

Tocar na maçaneta da sua biblioteca era como desvendar uma cidade submersa, igual aquelas que vemos em filmes fantasiosos, mas estar ali era vida real; poético e majestoso como nunca. 

As escadas enormes indicavam setores variados, desde livros infantis até suspenses aterrorizantes. E no primeiro andar — o mais fácil de ser enxergar, a primeira máscara — ficavam livretos sobre contos e histórias para dormir. Daquelas que lemos de maneira superficial, apenas com intenção de passar tardes estressantes, ou ter uma boa noite de sono. 

Andar por suas estantes foi como entrar em um universo paralelo na qual me questionei se era realmente verídico, pois, passar meu dedo por suas madeiras finas sempre perseguiu cada desejo obscuro que guardo para mim mesma. 

Subia a cada dia mais um degrau, percebendo que sua imagem nunca encontrava-se na própria biblioteca. 

Seu cheiro de folhas novas parecia longe, a quilômetros de distância dos meus braços. Restando nada mais que capas coloridas capazes de enganar qualquer um que ousasse pensar em desvendá-las. 

Nos andares, baseava-se as repetidas lembranças que guardava das outras extensas prateleiras: aconchegantes, limpas e ordenadas por ordem e tamanho. Mas, a cada novo degrau escalado, a cúpula se diminuía, formando um cone sufocante nos últimos aposentos. 

Até que, diferente de qualquer outro, um alçapão permanecia trancado, logo na última parte da minha enigmática busca por você, pelo seu brilho e beleza. 

Foram meses para descobrir a chave, suas jogadas e mistérios, e quando fui capaz de pisar em uma madeira podre — praticamente caindo à cada passo futuro — notei a causa do trancafiamento. 

Histórias inacabadas por páginas rasgadas pelo piso, capas perdidas em palavras confusas, e paredes molhadas de algo incógnito — causando uma preocupante infiltração por baixo do papel de parede. 

E finalmente ali estava você, paralisada, posta entre as prateleiras imundas e encarando tudo e ao mesmo tempo ponto algum. O rosto estava rachando, mofando de lágrimas interrompidas. Aquelas que, quando fugiam, destroçavam mais uma parte da parede. 

Demorei anos, meses, dias te observando. Tentando entender o porquê das suas obras serem vazia daquela maneira. 

Após ver seu palácio de histórias se despedaçar, a imagem do seu sofrimento se fez presente. Destruindo primeiro sua máscara de contos e depois passando para romances tristes. 

O primeiro andar era seu sorriso. 

O segundo, suas feições. 

O terceiro, relacionamentos. 

O quarto, sentimentos. 

E o quinto, sua verdade. 

A razão pela qual era tão perfeita sua entrada certamente se deu pela destruição causada na última camada. 

Seu peito estava descascando pouco a pouco, e eu fui incapaz de ler suas entrelinhas por julgar as últimas capas esfarrapadas do seu pódio. 

Me desculpe por não conseguir encontrar as páginas apagadas. 





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