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História Big Fish - Capítulo 2


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Notas do Autor


Olá! Eu sinceramente não sei o que dizer, aqui, nas notas iniciais hausha. Esse capítulo já estava pronto há um tempinho mas, por uma série de razões, inseguranças principalmente eu enrolei para publicar..... Sorry. De verdade, peço perdão por isso a cada um dos que acompanham Peixão.
Enfim, de qualquer forma, espero que tenham uma boa leitura. Nos vemos lá embaixo!

Capítulo 2 - II. Melted


 

big fish.

a mermaid fanfiction

4. litoral

Baekhyun sentia muita dor na sola dos pés ao passo que Chanyeol tinha muitas perguntas. Toda a situação em si, num geral, era esquisita. Para início de conversa, o Park jamais havia visto uma espécie semelhante à apresentada pelo Byun, nunca, mesmo em seus anos acadêmicos. Teria visto, no máximo, algumas discussões sobre a existência de tritões. Sim, haviam algumas teorias, mas nada semelhante ao que Baekhyun de fato era.

Sentado no sofá velho do pequeno casebre do Park, o tritão encontrava-se nu da cintura para cima. Enquanto o estagiário anotava tudo e qualquer coisa que Baekhyun fazia em um pequeno caderno amarelado.

— Certo, hm, vamos do início. — Chanyeol tornou a falar, a voz grave cortando o silêncio do ambiente.

Baekhyun simplesmente acenou, permitindo que o Park continuasse.

Ao contrário do tritão sentado em seu sofá, Chanyeol estava muito bem agasalhado, obrigado. Desde as luvas de lã até as meias dos pés e os dois cachecóis os quais esquentavam seu pescoço. Baekhyun parecia não sentir muito calor, optando o frio, razão a qual Chanyeol teria permitido que a casa esfriasse quase por completo. O aquecedor estava desligado, com as janelas abertas para que a brisa fria atravessasse o vão e deixasse o tritão à vontade.

De fato, Baekhyun estava seminu e parecia ignorar o detalhe quase completamente. Por sua vez, Chanyeol, que estava muito mais agasalhado, tremia pelos dois.

— Seu nome é Baekhyun, somente, certo?

Mais uma vez, Baekhyun resumiu-se a acenar.

— Entretanto, você citou Byun em algum momento. — Chanyeol continuou, baixando os olhos na direção de suas próprias anotações — O que é isso?

— Byun é como se chama o meu cardume... — o outro respondeu, não passando despercebido o modo como, quase instantaneamente, Chanyeol tornou a escrever furiosamente em seu caderno envelhecido.

O tritão poderia falar qualquer coisa e o Park acreditaria. Baekhyun até mesmo parou de falar ao notar tal detalhe. Apesar da desconfiança inicial, Park Chanyeol parecia disposto a acreditar sinceramente em qualquer coisa que o Byun lhe falasse ali.

Baekhyun não havia percebido que teria deixado de falar, até que os grandes olhos redondos do Park se encontrassem com os seus.

Então ele tornou sua explicação:

— Os tritões, bem como grande parte dos seres marinhos que convivem conosco, existem em cardumes. Precisamos um do outro para sobreviver. — disse.

O estagiário, entusiasmado com a nova descoberta, não pôde deixar de perguntar:

— O que diferencia um cardume do outro? Quero dizer, como você sabe que seu cardume é esse e não outro?

Baekhyun levou certo tempo para responder. Pensativo. Chanyeol acompanhava todos seus movimentos com o olhar, até que as mãos do tritão se mexessem, convidando o Park para se aproximar.

Hesitante, Chanyeol deixou o pequeno caderno de lado, aproximando-se de joelhos em direção ao Byun.

Haviam mantido uma distância segura até então, em um acordo silencioso e mútuo de que eram estranhos um para o outro. Sim, Baekhyun estava ali falando sobre sua espécie para o Park, auxiliando o que talvez seria a próxima descoberta científica do século, entretanto, ainda assim, a situação como um todo era esquisita para ambos. Nenhum sabia muito sobre o outro. Baekhyun não sabia o que Chanyeol era capaz, tal qual Chanyeol também não sabia muito sobre o Byun. Muito menos sobre sua índole. Por isso, havia se mantido em uma distância de cerca de cinco metros, com uma pequena mesa de centro agindo como uma barreira entre os rapazes de espécies diferentes.

Chanyeol aproximou-se devagar, passando pela mesa de centro, sentando-se aos pés do tritão. Aparentemente satisfeito com a proximidade, Baekhyun estendeu uma das palmas na direção de Chanyeol. A qual Chanyeol não podia deixar de encarar, completamente fascinado.

De suas mãos, brotando entre seus dedos, haviam barbatanas quase transparentes, as quais reluziam, translúcidas, emitindo um brilho perolado, quando o tritão expôs a mão à luz.

Entretanto, ao passo que suas mãos assemelhava-se a mão de uma besta, também era particularmente semelhente às mãos de um ser humano qualquer.

— P-Posso segurar? — Chanyeol questionou, um pouco tímido, em direção ao Byun.

De modo que o tritão acenou, mudo. Park Chanyeol tirou as luvas quentes para tocar em sua mão.

O toque de Chanyeol era frio. Baekhyun poderia imaginar isso, afinal, aparentemente o humano estava sentindo frio extremo. Entretanto, por mais doce que Park Chanyeol teria se revelado até então, seu toque certamente não era nem um pouco caloroso. Era delicado, mas não havia outro sentimento envolvido senão puro interesse científico.

Baekhyun possuía uma mão fina, clara, de dedos longos e esguios, além de algumas barbatanas.

Era estupendo. Chanyeol nunca havia se sentido tão empolgado em toda sua vida. Certamente ele nunca, nunca, havia visto algo como aquilo.

Byun Baekhyun não possuía unhas. Chanyeol constatou isso ao virar a palma do tritão, e se chocar-se com a esquisita visão de mãos sem dedos. Ainda assim, era particularmente bonito.

Percebendo o silêncio entre eles, Baekhyun percebeu que era um bom momento para continuar a falar:

— Cada cardume possui uma cor diferente para as barbatanas — ele explicou, movendo os dedos para que Chanyeol voltasse a atenção para si. Surgiu efeito, agora o estagiário havia voltado os olhos para assistir sua explicação.

Chanyeol acenou.

— Suas barbatanas... — o Park parecia estudá-lo — São esverdeadas. — constatou, após longos minutos encarando-as — É a cor do seu cardume, certo?

— Sim, exatamente.

— Quais as outras cores existentes? — quis saber, interessado.

Observou o tritão crispar os lábios e franzir o cenho.

— Azul... — murmurou, pensativo — E laranja, ou talvez marrom e branco. — disse — Costumeiramente, são as cores que encontramos na natureza. Podemos ter a mesma cor da vegetação, do céu, do sol ou das estrelas.

Chanyeol simplesmente concordou, voltando-se para seu caderno, anotando tudo o que o tritão teria acabado de falar, ainda segurando a mão do Byun.

A verdade é que, enquanto Baekhyun falava anteriormente, Chanyeol ocupava-se desenhando-o. Não era um artista, porém, o Park havia aprendido algumas coisas úteis durante as aulas de anatomia marinha na faculdade. De modo que, conforme escutava Baekhyun explicava alguns detalhes sobre sua espécie, Chanyeol saia rabiscando o perfil do Byun.

— Acho que basta por hoje. — surpreendentemente, foi Chanyeol, quem estava mais entusiasmado com a descoberta, que havia decidido encerrar a noite. Percebendo que poderia ter soado rude para o tritão, Chanyeol tratou-se de se corrigir: — Digo — murmurou, ajeitando os óculos nervosamente. Ainda tremia um pouco, por conta do frio — Amanhã acordo cedo, por conta do laboratório... Certo.

— Por mim está tudo bem. — o tritão respondeu. Chanyeol levantou os olhos para encará-lo. Baekhyun havia posto os braços rentes em cada lado do corpo, sustentando o peso do tronco nos braços firmes e fortes.

O humano engoliu em seco com a visão, tinha a sensação de que não se acostumaria com a visão do Byun tão cedo.

Com o peito nu e a luz lunar substituindo os raios solares, as escamas do tritão emitiam uma tonalidade completamente diferente daquela vista mais cedo. Agora, Baekhyun simplesmente brilhava como uma estrela, reluzindo um brilho perolado. Ele reluzia como Vênus no céu. Os cabelos e sobrancelhas do mesmo tom alvo e límpido que as pequena lantejoulas que prendiam sua pele. O tritão era desumanamente bonito. Quase como uma divindade. Tão bonito que chegava a ser intimidante.

O Park riu baixinho, sozinho.

Era assustador.

 

 

Naquela noite, Chanyeol preparou uma banheira para Baekhyun dormir, estreando a banheira do único banheiro da casa. A banheira teria sido uma cortesia do laboratório, sob o princípio de ser um mimo para o Park, para que o estagiário pudesse relaxar nos dias de folga do laboratório. Bem, Chanyeol já estava no laboratório há cerca de seis meses e nunca havia usado a banheira. Achava-a inútil até então.

A gigantesca banheira tomava um terço do espaço de seu banheiro. Era de um modelo que cabia duas pessoas, muito provavelmente a única coisa moderna e cara que havia na residência. E, justamente, por isso, destoava completamente do resto da casa.

Chanyeol havia preparado a água de modo que estivesse em uma temperatura semelhante ao preferível em um aquário. Nem muito quente, mas também nada muito gelado. Sem sais de banho ou qualquer outra coisa que pudesse atrapalhar o sono do tritão. Chanyeol estava sendo cuidadoso, não se conheciam, mas o estagiário queria ser gentil. Afinal, além do Byun precisar de sua ajuda para algo – ainda teriam de conversar sobre essa parte –, Baekhyun também era seu objeto de pesquisa.

Hesitante, por não ser tão forte quanto o tritão, Chanyeol pegou Baekhyun no colo, carregando-o com os braços trêmulos, da sala de estar até o banheiro. Onde o despiu, com o rosto completamente vermelho – grande parte de sua vermelhidão devido ao esforço de carregar o homem meio homem e meio peixe –, e o ajeitou dentro da água.

Ao entrar em contato com a água morna a reação do Byun foi imediata. Baekhyun sorriu e deixou escapar um fraco gemido de satisfação. Suas brânquias se mexeram, e Chanyeol assistiu algumas bolhas de oxigênio subirem à superfície.

O tritão moveu os braços e as pernas, as barbatanas capturando grandes quantidades de água, espirrando uma pequena quantia para fora da banheira.

Chanyeol estava se esforçando para usar todo seu conhecimento sobre espécies marinhas naquele momento. Ele notou, por exemplo, como Byun Baekhyun parecia ser muito mais adaptável ao ambiente marinho do que o terrestre. Era evidente pelo modo que o Byun movia-se de um lado para o outro na banheira, mergulhando e emergindo, batendo os braços apesar do pouco espaço.

Baekhyun aparentemente estava tão entretido com o novo contato com água limpa – depois de semanas – que sequer notou quando Park Chanyeol desapareceu através de uma porta e tornou apenas alguns minutos depois, dessa vez cheio de toalhas nos braços.

Precavido como sempre, Chanyeol havia recolhido todas as toalhas da casa, desde as duas que sua mãe havia dado – era um presente para a casa dizia ela – até as toalhas de visita. Tinha dez totalizando, e eram tão inúteis para si quanto a banheira dupla que havia no banheiro.

Conforme o tritão mergulhava duas, três vezes, o estagiário foi abrindo as toalhas posicionando-as ao redor da banheira para evitar a bagunça que teria mais para frente, pela manhã. Muito provavelmente prevenindo uma enchente em sua casa.

— Boa noite, Baekhyun. — Chanyeol despediu-se, meio sem jeito, após organizar cada uma das toalhas, não aguardando uma resposta do tritão para sair.

5. desaguar

Uma banheira, de longe, não era nem um pouco semelhante a estar no mar. Ainda assim, Baekhyun havia apreciado o gesto do estagiário.

O tritão havia despertado cedo no dia seguinte, acordado pela luz solar que atravessava a janela do banheiro. Aquela casa, Baekhyun havia notado, era repleta de janelas e cortinas. Haviam três só na sala de estar do Park, uma nos fundos, por onde Baekhyun havia entrado no dia anterior, e agora Baekhyun havia descoberto que havia uma no banheiro também.

Ele não fazia ideia de que horas eram, sua noção de cedo e tarde sendo remotamente diferente da noção de humanos. Seu cardume dividia o dia em períodos: a Alvorada, quando o sol nascia; o Crepúsculo, quando o sol se punha; e a Noite, quando não havia mais sol.

Agora, julgando quão fraco eram os raios solares que tocavam sua pele, Baekhyun suspeitava estar na alvorada da manhã.

Suspirando, o tritão tratou de olhar ao redor.

Não havia sinal de Park Chanyeol em lugar algum.

Estava sozinho em um cômodo esquisito. A porta aberta, permitindo sua passagem para outros cantos da casa. Imediatamente Baekhyun entendeu que Chanyeol estaria em algum lugar da casa, em outro cômodo. Muito bem, o tritão iria atrás dele.

Sustentando o próprio peso nas beiradas da banheira, Baekhyun esforçou-se em se levantar. Os braços tremeram para se sustentar, entretanto, estava indo muito bem. Ao menos até o momento em que o peso de seu corpo concentrou-se nos seus pés, e o Byun não aguentou a dor dilacerante que surgiu na base de seus pés. Ele urrou de dor, guinchou como um animal ao ser pego, e caiu na banheira, espirrando água pelo piso.

Sua cabeça latejou ao se chocar com o material plástico que revestia a banheira, deixando-o completamente submerso e meio tonto, contudo a dor que vinha de seus pés sobrepunha qualquer sentido do tritão. Baekhyun não conseguia mais se mexer, tamanha agonia, ele apenas grunhia.

Foi quando um assustado Park Chanyeol, e muito bem vestido, surgiu à porta. Sem entender o que estava acontecendo, Chanyeol se aproximou da banheira em que o tritão se debatia de maneira desordenada: os pés imóveis ao contrário de suas mãos as quais se mexiam em um movimento completamente irregular. Baekhyun gritava, um guincho inumano e ensurdecedor. Chanyeol havia sido pego completamente de surpresa enquanto se arrumava no próprio quarto e teve a experiência assustadora de ver seu reflexo tremular no espelho, isso até notar que era o espelho e não ele que tremia.

Todas as vidraçarias do cômodo começaram a tremer, foi quando o ruído cortou o silêncio da sua manhã, levando junto consigo maior parte das vidrarias de seu quarto.

Imediatamente o estagiário se aproximou da banheira, segurando os braços do tritão, puxando-o até que seu tronco estivesse completamente fora da água. Baekhyun deixou de gritar ao perceber que não estava mais submerso, surpreso ao sentir o toque do Park em seu rosto.

— O q-que aconteceu? — Chanyeol quis saber, gaguejando exasperado.

Baekhyun abriu a boca, não conseguindo responder. Seus olhos reviraram de dor, ele não fazia ideia do que estava acontecendo.

— Baekhyun! — o tritão escutava a voz do oceanógrafo bem distante.

Quase fechando os olhos, Baekhyun escutou qualquer murmúrio vindo da parte do Park, até se ver sendo retirado da água. Uma brisa gelada chicoteando suas pernas, e braços quentes abraçarem seu corpo.

Cuidadosamente, Chanyeol levou o tritão até a sala, deitando-o sobre o sofá. Tirando uma das camadas de roupa que vestia, o Park cobriu o corpo do homem peixe com o moletom que usava. Era tímido demais para ficar encarando outra pessoa nua.

— Fique acordado, Baekhyun. — pediu humildemente.

Ajeitando o Byun, Chanyeol começou a procurar qualquer sinal de machucado pelo corpo. Havia checado o rosto, as brânquias, até notar como o tritão contraía as pernas. Foi quando, lhe veio a ideia de procurar pela perna do Byun. Ele a levantou com cuidado, encontrando a fonte dos problemas.

Bolhas, feridas abertas, cicatrizes que estavam se abrindo, espalhadas por toda a sola do pé do tritão.

Chanyeol gemeu com a visão.

Estava com uma situação complicada em mãos. Tinha horário para o estágio, não podia se dar o luxo de faltar ou se atrasar, mas não podia abandonar o tritão ferido. Chanyeol sabia o que estava acontecendo. Os pés de Baekhyun, que antes não tocavam o chão, eram como pés de bebê. Ele nunca precisou andar, e por essa razão a pele da sola de seus pés era lisa e macia. Longas caminhadas descalço no chão de pedras de Jeju acabariam com seus pés. O que de fato aconteceu.

— Droga. — xingou, franzindo o cenho.

Imediatamente Chanyeol se levantou, dando algumas voltas pela sala antes de decidir o que fazer.

Estava com um tritão deitado em seu sofá, as pernas abertas e bolhas nos pés. Nunca, em toda sua vida, Park Chanyeol esperaria por problemas semelhantes. Não havia completado sequer um dia desde que haviam se conhecido e a presença de Baekhyun em sua vida já estava colocando tudo de cabeça para baixo. Simplesmente tudo.

Lembrando-se de uma pequena maleta de primeiros socorros que guardava no banheiro, Chanyeol rapidamente tratou de buscá-la. Abriu a maleta ainda no banheiro, checando o que poderia ser útil ali. Felizmente, haviam gases, fitas, álcool e uma série de antibióticos. Juntando tudo na maleta novamente, Chanyeol retornou para a sala de estar.

Baekhyun apenas gemia, meio tonto. Nunca havia sentido nada assim, nem quando uma enguia teria o mordido quando ainda era muito pequeno.

— O que está acontecendo? — ele conseguiu perguntar após certos minutos em silêncio.

Observou, com a cabeça meio que girando, Chanyeol surgir novamente dentro do cômodo em que estavam. Ele estava bem agasalhado novamente, menos por suas mãos, as quais teria tirado a luva, e que segurava para carregar uma pequena maleta de plástico. Notou o homem muito mais alto que si ajoelhar-se aos pés do sofá, tal qual no dia anterior, e pôr o objeto que trazia consigo sobre a mesa de café.

— Vai doer um pouco... — escutou o Park falar meio hesitante, ele estava tirando bolas brancas e felpudas de uma embalagem transparente completamente desconhecida para o tritão — Mas vai te fazer bem depois, dou minha palavra.

Baekhyun franziu o cenho.

Sentiu o toque gelado do Park em um de seus pés, o dedão largo raspando contra suas escamas esverdeadas. Assistiu Chanyeol abrir um pequeno frasco incolor e embebedar as bolas felpudas no líquido de odor forte que tinha lá dentro. Chanyeol o olhou mais uma vez, dessa vez dirigindo os olhos próprios aos seus olhos, antes de aproximar as bolas brancas encharcadas da sola de seu pé.

Baekhyun gritou, urrando de dor. Suas costas arqueando-se em um arco perfeito.

— O que é isso?!

— Baekhyun, aguente só um pouquinho mais. — Chanyeol pediu, antes de aplicar o líquido gelado novamente sem o menor aviso.

Era como se o tritão estivesse raspando os pés vez após vez contra corais. Essa era a comparação mais próxima ao que conhecia em sua mente para caracterizar tamanha dor. Baekhyun não fazia ideia do que estava acontecendo, ou porque sentia tanta dor repentinamente. Apenas queria que parasse.

— Chanyeol, por que está fazendo isso? — conseguiu soltar, exasperado, quando Chanyeol afastou-se.

O tritão o assistiu mexer na maleta novamente, e quando surgiu com outro objeto branco e felpudo, Baekhyun lutou para afastar o pé.

Entretanto, Chanyeol foi muito mais rápido, segurando-o.

Baekhyun gemeu choroso. Sentia-se traído, ele havia confiado naquele humano. De todos os humanos que poderiam ajudá-lo, escolhera Park Chanyeol para lhe ajudar. Não sabia exatamente em quê Baekhyun baseava seu julgamento, simplesmente havia o visto e quando viu Park Chanyeol algo havia lhe dito que poderia confiar naquele homem. Entretanto estava sendo traído ali, bem diante seus olhos.

O que Park Chanyeol queria de si para dar-lhe tamanha tortura? Seriam suas escamas, ou seu pé? Será que ele queria dissecá-lo, por isso estava o machucando tanto? Mas Baekhyun já havia deixado claro que estaria a disposição do Park para qualquer coisa.

Repentinamente seus pensamentos pararam quando Baekhyun sentiu os pés serem lentamente massageados.

A dor havia diminuído.

Ergueu uma sobrancelha, direcionando o olhar para um Park Chanyeol vermelho até a ponta de ambas as orelhas.

O tritão piscou, aturdido.

— O que acabou de acontecer?

A dor simplesmente havia desaparecido. Tal qual surgiu, ela evaporou, o tritão não sentia mais nada.

Chanyeol deu uma risadinha nervosa, principalmente pelo jeito que Baekhyun o encarava. A boca escancarada, os fios claros bagunçados cobrindo parte de seus olhos, olhos esses que estavam esbugalhados exigindo respostas ao Park.

— O seu pé — ele começou, soltando o pé do tritão e se levantando — Feridas e bolhas. Você não está acostumado a andar por aí, está?

Seguindo os movimentos do Park com os olhos, o tritão se ajeitou no sofá até que ele estivesse sentado e pudesse encarar o mais alto confortavelmente. Baekhyun também não pôde evitar encarar o próprio pé, e franzir o cenho ao ver algo branco envolvendo seu pé.

— O que é esse trapo? — Baekhyun perguntou levantando o pé na direção do oceanógrafo.

Chanyeol riu com a forma o qual Baekhyun fez sua pergunta, sequer se importando por ter sido ignorado.

— Isso é uma atadura. — explicou, meio sem jeito — Vai te ajudar para não doer tanto quando pisar no chão.

Baekhyun, por sua vez, tomou a explicação do Park como um pedido para que comprovasse se o que dizia era verdade. Testando, o Byun ajeitou-se no sofá acolchoado até que estivesse sentado e, encostando a sola do pé no chão gelado. Doeu, mas bem pouco, tal qual um beliscão. Entretanto, foi apenas isso.

Chanyeol, por sua vez, bateu nas próprias roupas, afastando poeira inexistente. Estava tímido novamente, sem saber o que fazer dentro com as mãos, dentro da própria casa. Baekhyun fazia aquilo com ele, bastava que o tritão lhe desse um segundo de sua atenção e o Park parecia capaz de esquecer o próprio nome. Absurdo. E o mais absurdo era como, bem no fundo, Chanyeol achava isso minimamente satisfatório.

O tritão deveria estar fazendo alguma coisa com sua cabeça, essa deveria ser a única explicação, acreditava o estagiário. Naquele momento, enquanto assistia Baekhyun cutucar curiosamente a atadura que envolvia os próprios pés, o ser marinho completamente fascinado com as linhas que desprendiam da gaze, Park Chanyeol propositalmente ignorava o quão atrasado estava para o estágio no laboratório. Nunca, desde que chegara a Jeju, Chanyeol havia se atrasado. Não até aquele dia.

Afastando-se, Chanyeol voltou para o próprio quarto onde, desviando dos cacos de vidro no chão, pescou o celular que havia esquecido na cama. Estava cerca de cinco minutos atrasado, pouco tempo, porém o bastante para que Jongdae explodisse seu celular com notificações questionando sobre o estado do Park, onde estava e o que estava fazendo.

Chanyeol suspirou, o ar gelado invadido suas narinas, fazendo-o tremer. Tirando as mãos, Park Chanyeol estava completamente agasalhado, todavia, isso parecia não inibir a sensação de congelamento. Uma verdadeira ironia em relação ao tritão o qual, quando Chanyeol retornou até a pequena sala de estar, estava quase que completamente nu senão fosse o moletom que lhe caía sobre o colo e escondia sua nudez.

Avermelhado, por estar na presença do outro nu, Chanyeol franziu o cenho. Como Baekhyun parecia não se importar com a temperatura beirando o negativo? Por que aquilo não o incomodava?

Foi quando, a voz do tritão lhe despertou de seus questionamentos.

— Você já não deveria estar no laboratório?

— Sim, desculpe, eu acabei me atrasando. — ele respondeu, ao que Baekhyun riu, aparentemente muito a vontade do que Chanyeol dentro de sua própria casa.

— Não peça desculpas. — disse, ajeitando-se no sofá. Ao notar a peça de roupa sobre seu colo, o tritão fez menção de tirá-la dali, ação que foi impedida imediatamente por Chanyeol.

— Hoje... — o mais alto pensou em alguma desculpa — Não terei trabalho.

— Não? — o outro repetiu, muito duvidoso, diga-se de passagem. Baekhyun conhecia a rotina de Chanyeol, havia o seguido por aí por meses. Nunca havia o visto faltar.

Chanyeol, porém, era insistente. Insistente e mentiroso. E curioso também, ou talvez Baekhyun estivesse lhe enfeitiçando com alguma de suas habilidades de tritão. Chanyeol, naquele momento, não queria trabalhar, queria ficar em casa e conhecer mais sobre o tritão. Pergunta-lhe sobre sua espécie, observá-lo e fazer anotações. Daria uma explicação para Jongdae e a quem lhe perguntasse algo mais tarde.

Mas, aparentemente, o que os tritões tinham de beleza, não tinham de bobeira.

— Mas você tinha dito que havia se atrasado. — Baekhyun pontou.

Chanyeol avermelhou-se mais ainda.

Droga.

Ao notar, somente naquele momento, o rubor que se espalhava pelo rosto do Park, Baekhyun não pôde evitar rir novamente. O que, por sua vez, resultou em algumas risadas por parte de Chanyeol, o qual havia admitido "sim, tenho de trabalhar e não, eu não vou hoje". Resposta que surpreendeu o Byun, e que também não quis saber o porquê da decisão do Park.

Sorrindo timidamente uma última vez na direção do Byun, Chanyeol se afastou mais uma vez, dirigindo-se novamente ao quarto para vestir mais uma peça em cima da que vestia. Ele deixou Baekhyun sozinho na sala, garantindo que quando voltasse a sala comeriam algumas coisas e o tritão poderia lhe contar sobre seus planos para entrar no laboratório.

De modo que, sozinho na sala, Baekhyun apenas concordou silenciosamente, ainda rindo.

Realmente engraçado esse humano em que havia confiado.

 


Notas Finais


Obrigada pela leitura! Também, elogio cada um de vocês por estarem sendo fortes, por si mesmos e também pelo EXO. Não sei se esse é o lugar apropriado falar sobre isso, aqui, nas notas finais de uma fanfic huahsa, mas eu me sentiria esquisita se deixasse passar em branco. De qualquer forma, mais uma vez as exo-ls estão passando por situações turbulentas, e situações turbulentas nos desanimam às vezes. O esforço que fazemos, cada um de nós é muito bonito, e elogiável. Quando eu tweeto, rindo, que amo vocês de coração é verdade.
Enfim, é isso. Apenas vamos ser forte com e pelo grupo. Eu amo vocês.
Nos vemos no próximo capítulo ou simplesmente por aí!


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