História Big World - Capítulo 15


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Categorias Black Clover
Personagens Noelle Silva, Yuno
Visualizações 41
Palavras 1.502
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Universo Alternativo

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Mais ummm. Demorei um pouco e infelizmente não consegui fazer o capítulo ser maior que isso, sinto que quando chego ao ponto certo não posso me forçar a seguir escrevendo. Espero que gostem, leiam as notas finais!!!

Capítulo 15 - Felicidade


Uma idiota. Era isso que eu era por estar segurando as lágrimas enquanto me despedia dos Vermilions, um por um, meu peito apertado. Aquela não era um despedida real, talvez ficássemos menos de um mês separados, e mesmo assim não conseguia fazer as lágrimas afastarem-se de meus olhos.

Chegou a vez de me despedir de Mereoleona, minha companhia nas últimas semanas, e ainda mais do que apenas isso, ela foi uma espécie de mãe para mim. Passei meus braços pelos seus ombros, sentindo o cheiro característico de seus cabelos, aquele era um bom lugar para se estar, seguro e familiar, caloroso…

-Seja feliz, garotinha- ela sussurrou em meu ouvido, apenas para que eu pudece ouvir.

Deixei algumas lágrimas escaparem, que escorreram pelo meu rosto, até pingarem do queixo.

-Tudo bem, eu prometo- minha voz embargada e baixa.

Mereoleona soltou uma risada nasal, que sacudiu seu peito. Pousou a mão sob meu cabelo, afastando-se para me encarar.

-Quem diria que você é sentimental assim…- limpou uma lágrima de minha bochecha- Agora vá.

Acenei para todos eles, entrando no carro logo em seguida. Eles haviam nos oferecido um dos carros, assim como um motorista para nos levar até Hage, algo difícil de se achar na véspera de Natal.

Asta estava no banco da frente, insistindo para colocar uma música, embora o mau humorado motorista negasse. Yuno sentou-se ao meu lado, um sorrisinho debochado dirigido a mim, enquanto limpava algumas lágrimas que haviam sobrado em meu rosto.

-Chorona- ele brincou, dando um peteleco em minha testa.

-Eiii! Eu estou sensível- reclamo.

Ele me envolve em um abraço, quase me trazendo para seu colo. O cheiro dele me atinge, de ventos perfumados em campos desconhecidos por mim. Uma vez disse para ele que seu cheiro era como os ventos que sopram nos campos de Hage, mas agora sei que são ventos de todos os lugares, com muitos odores desconhecidos, muitas possibilidades que eu poderia provar com Yuno. Agora me sentia pronta para deixar o vento me levar para muito longe, eu me jogaria de olhos fechados em Yuno, planando…



Acordo com alguém me sacudindo, minha cabeça está recostada sobre o peito de Yuno, que me chama.

-Chegamos.

Olho ao redor. Carro, campo, Yuno. Ah, chegamos em Hage.

Me afasto de Yuno, arrumando meu cabelo, verificando se não havia baba em minha bochecha, saindo do carro em seguida. Asta já estava lá, com toda a família ao redor e Hollo em seus braços.

Eu e Yuno caminhamos lado a lado até eles, nossas mãos juntas dessa vez, tão mudados desde a última visita. Sinto um peso sobre minhas pernas, quando desço meu olhar, encontro Aruru abraçando-as. Primeiro vem a surpresa, depois, um sentimento de afeição e felicidade que me preenche da cabeça aos pés. A ergo em meus braços, beijando a bochecha da garota.

-Senti saudades- dou mais beijos no rosto dela, fazendo-a rir.

-Também senti, mas agora é a vez de eu ver o nosso Yuno.

-Nosso Yuno, é?

As bochechas vermelhas entregavam a vergonha que sentia, ela fez que sim com a cabeça. Coloquei-a no chão, observando correr até Yuno.

-Parece que você conseguiu conquistá-la- Lily se aproxima- É um prazer te encontrar novamente, Noelle.

Ela expõe o mesmo sorriso gentil, como o da última vez.

-Igualmente- sorrio de volta.

Comprimentar a todos foi cansativo, mas o clima natalino dentro da casa compensou por tudo. Fui ajudar Lily com os preparativos da ceia, o que era uma desculpa para conversarmos.

-Fico feliz de ver que vocês se acertaram- ela começa, enquanto preparava batatas, eu estava cortando-as.

-Sim… mas ainda temos muito que enfrentar pela frente.

-Isso sempre vai existir em um relacionamento maduro, querida. Tudo fica pior, antes de ficar melhor.

-Como você sabe tanto sobre relacionamentos, irmã Lily?

-É Lily- seu rosto coloriu-se de vermelho.

-Você não respondeu.

Era engraçado vê-la envergonhada por uma pergunta tão simples.

-I-isso não vem ao caso!

As pessoas são camadas de segredos, isso era certeza.

-Não precisa falar se não quiser. Aliás, não tive tempo de comprar presentes, eu poderia comprá-los amanhã e- fui interrompida.

-Nada disso! Ninguém vai sequer notar. As crianças ficam empolgadas com os presentes, é verdade, mas sendo órfãos, eles sabem o verdadeiro valor da companhia das pessoas. Acredito que sua presença hoje é o verdadeiro presente.

-Vocês são realmente boas pessoas…

Lily sorriu para mim, piscando um dos olhos, enquanto preparava as batatas. Quando terminamos o jantar, todos reuniram-se na cozinha, esperando ansiosos pela comida. As crianças fizeram festa quando viram o peru assado em cima da mesa, para elas não era comum terem carne saborosa como aquela em suas refeições. Havia batata, claro, e nenhuma reclamação por parte das crianças, apenas gratidão e felicidade, muita felicidade.

O padre, do outro lado da mesa, observava com um sorriso as crianças, todos os seus filhos juntos, todos saudáveis, humildes e felizes. Nossos olhares se encontraram, eu entendi o que se passava em sua mente naquele momento, aquelas crianças não tiveram nada grandioso em suas vidas, e ao mesmo tempo eram mais felizes do que muitos, mais felizes do que eu em minha infância, criada em uma mansão luxuosa.

A simplicidade era um dádiva.

-Antes de comermos vamos todos rezar, agradecer pela comida e pela vida que nos é dada- o padre falou.

Nunca fui religiosa, e não era agora tampouco. Nada disso me impediu de agradecer, para ninguém em especial; para quem quisesse ouvir.

Depois da oração as crianças atacaram a comida, e eu, como se estivesse conhecendo um mundo novo, observei com olhos curiosos aqueles meninos e meninas, que tinham tudo.

-Vocês ainda tem o último ano no ensino médio, não é?- o padre pergunta para mim.

-Sim, senhor.

-E o que você pretende fazer depois disso?

O que eu pretendia fazer? Há um mês atrás eu nem pensaria duas vezes antes de responder que cursaria advocacia, porque era o mais provável para mim. Eu não teria futuro na empresa de meu pai, então teria que encontrar um emprego que poderia manter minha classe social estabilizada. Agora eu já não era a mesma, não ligava nem um pouco para classes sociais e coisas do tipo, eu seguiria o meu desejo. Mas qual era o meu desejo? O que eu queria para minha vida?

-Ainda estou descobrindo, senhor.

-Ah, por favor, não me chame de senhor. Padre ou Orgi são mais adequados.  

-Tudo bem, padre.

Yuno entrelaçou nossas mãos embaixo da mesa.

-Ele quer te impressionar- falou perto de meu ouvido, o hálito fazendo cócegas na pele sensível do pescoço, onde eu sabia que seu olhar estava.

-Me impressionar?

-Uhum, ele não usa palavras como “adequados”.

-Ele não precisa fazer isso…- digo, confusa.

-É verdade, mas é uma forma dele mostrar que gosta de você.

Viro meu rosto para visualizá-lo, ele estava mais perto do que pensei. O clima esquenta entre nós, bem ali, na mesa de jantar. Alguém tosse do outro lado da mesa, para chamar nossa atenção. Muito vermelha, viro-me novamente para a comida, embora não tenha mais apetite.

Quando se está apaixonada se faz as coisas sem ao menos perceber, como se fossemos teletransportados para outra realidade, onde estão somente vocês dois.

-Falta muito tempo para o natal?- Recca pergunta.

-Quero abrir os presentes- Hollo diz.

-Daqui a pouco já estará na hora, Hollo- Lily diz.

As crianças reclamam, com rostos decepcionados, eu não teria a força de vontade de negar qualquer coisa para aquelas carinhas. E aparentemente o padre também não.

-Tudo bem. Por que não abrirmos os presentes agora, já que só faltam minutos para o natal.

Levantando da cadeira logo em seguida, o padre caminha até a sala, onde estavam os presentes junto a árvore de Natal. As crianças correndo em seu encalço.

-Eles não acreditam em Papai Noel?- pergunto para Yuno.

-Deixaram de acreditar no dia que Asta atacou o suposto Papai Noel, que se mostrou ser o padre.

-Traumático…

-Na verdade eles já desconfiavam, eu não.

Parecia uma brecha em Yuno, um pouco daquilo que Lily havia dito que existia na infância, a inocência e pureza da criança que Yuno fora.

Nós nos apoiamos na parede, lado a lado, observando as crianças abrirem os presentes com a ajuda de Asta. Frenéticos ao receberem carrinhos de plástico simples, ou bonecas frágeis, aquelas reações ainda me encantavam.

-Bem, eu nunca acreditei em Papai Noel.

-Por que não?

-Nunca falaram dessas superstições nos natais da minha casa, só ouvi falar de Papai Noel quando passei o Natal na casa de Mimosa pela primeira vez, naquele mesmo dia acabei com a magia do Natal para os Vermilions- sorri, trágica.

Yuno sorri, o olhar passa pela janela lá fora, arregalando-se.

-Está nevando!

Todos reagem a afirmação, as crianças até mesmo largam seus brinquedos para correrem em direção a porta, escancarando-a e depois correndo lá para fora.

A neve estava fina, quase não havia se acumulado no chão, mas mesmo assim era neve, ainda era mágico em um dia de Natal.

-Feliz Natal, Yuno!- me joguei em seus braços, gargalhando ao ser rodada no ar.  

-Feliz Natal, Noelle.

Em meio a neve que começava a cair mais forte, no dia de Natal, em uma noite que poderia ser considerada perfeita, eu beijei o garoto que amava, dizendo logo em seguida, pela primeira vez.

-Eu te amo.



Felicidade era um Natal com neve, uma família de órfãos criada por um padre bondoso, e, acima de tudo, éramos eu e Yuno, juntos.


Notas Finais


Bem, esse é o penúltimo capítulo. Postarei o último na semana que vem, provavelmente. Adorei escrever até aqui, espero que vocês tenham gostado tanto quanto eu!
Já estou pensando em escrever mais histórias com esse shipp, algo que envolva magia dessa vez, com Noelle sendo princesa e um universo mais vasto. O que acham?


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