História Bios - Capítulo 6


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Categorias Bleach
Personagens Byakuya Kuchiki, Orihime Inoue
Tags Anjos, Bleach, Byahime, Byakuya, Clã, Ficção Cientifica, Nefilins, Orihime, Romance, Tattoonthesky
Visualizações 26
Palavras 3.376
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Luta, Magia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Mutilação, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 6 - Capturou-me


Fanfic / Fanfiction Bios - Capítulo 6 - Capturou-me

Tiffany Gillespie, esposa de Rowan Gillespie, anglo-brasileira, estava impossibilidade de deixar os Estados Unidos. O evento no hospital foi considerado um atentado terrorista e ela foi a única testemunha ocular do que aconteceu. As coisas não a favoreceram. Investigações absurdamente a apontaram como culpada e Tiffany foi parar atrás das grades! Presa! Ela que não fez nada, ela que era uma mãe de família e uma esposa preocupada com o marido, com filhos esperando por ela do outro lado do continente! Uma mera vítima dos acontecimentos! Sua fúria foi tão grande que foi necessário ser sedada para poderem prendê-la devidamente. Ela reagiu violentamente. Não era do seu feitio, mas estava preocupada com a sua família. De alguma maneira a sua energia não acabava, mesmo que apanhasse para ficar quieta, quanto mais apanhava, maior era a sua força, e sua ira, indescritível!

Agora estava ali com aquele uniforme alaranjado, pedindo perdão a Deus. Só a divina providência para livrá-la daquelas grades. Estava sozinha naquela cela, acusada de terrorismo, assassinato, desacato à autoridade, lesão corporal entre outros delitos. Pro inferno aqueles mentirosos! “Eu não posso confiar nas pessoas, a humanidade é cruel e perversa como diz muito bem a Tua palavra, meu Deus. Agora elevo os meus olhos ao monte, de onde o meu socorro do Senhor vem!” Ela continuava citando o salmo 121 em seu coração enquanto chorava rios e clamava com todo o seu ser por ajuda, pedindo perdão pelo seu descontrole. Como estaria seu marido? Deus o ajude e o cure.

Mas enquanto derramava sua alma diante de Deus ela ouviu um estrondo de explosão e os alarmes daquele lugar começaram a soar. Alarmou-se. Ouviu gritos e sons de disparo, nem havia direito como se esconder naquele lugar, mas improvisou um escudo com a cama, arrancando-a da parede (tal era sua força que nem ela compreendia), escondeu-se atrás dela esperando que a confusão não chegasse até ela. Mas, suas esperanças foram frustradas, o corredor da sua cela virou um campo de batalha, ouviu disparos e bombas de gás que entrou pelas grades onde estava. A porta da sua cela foi aberta. Ela não se atreveu a olhar quem era, tinha medo. Onde é que ela foi parar?

Não demorou que chegassem até ela e a puxassem pelos cabelos, para fora de sua ridícula proteção, chutando-a e ferindo-a, chamando de coisas em um idioma que ela não entendia, mas definitivamente não era o inglês. Ela foi baleada, mas ainda assim reagiu. Ela quebrou um dos braços que a feria com um único movimento, e como se fosse uma besta pulou sobre aqueles estranhos inimigos, que estavam completamente cobertos como se fosse um pelotão de exército. Seus rostos estavam ocultos. Ela brigou pela própria vida. Não agia com racionalidade, apenas instinto. Alguns deles gargalham satisfeitos, como se apreciassem seu pequeno show. Depois, dispararam mais e a fizeram cair inconsciente. Pegaram seu corpo e fugiram dali imediatamente, levando-a para as garras do clã Kuchiki.

Quando os carros passaram pelas entradas secretas e por uma via subterrânea transportaram a desacordada Tiffany Gillespie, Rukia se apresentou naquele esconderijo. Quando ela entrou, todos os subordinados se curvaram perante a semente mágica da deusa do clã, e ela, diante da mulher deitada devidamente preparada, sem aquelas profanas vestes de penitenciária, mas lindamente vestida branca e onírica apropriada para um sacrifício divino, abriu um leque como sua mãe fazia, esticando um braço para o lado. Ele era totalmente preto com uma bola branca no centro, uma lua. Seus olhos brilharam cobalto e então manobrou o instrumento fechando-o e abrindo, ora imitando uma serpente, ora, um dragão alado, com a outra mão desnuda se movendo com tanta fluidez como se fosse água. Sua dança era magnífica. Mas lhe doía fazê-la. Ela só deveria dançar com Sode no Shirayuki. Porém não era hora de sentimentalismos. Com seus dedos unidos imitando uma cobra ela picou o ventre de Tiffany, e dali começou a sair um redemoinho vermelho. A reiatsu explodiu para fora do corpo e, seus olhos antes tão estranhos, cada um de uma cor, se abriram escarlates e famintos. Ela estava em transe. Não era mais Tiffany Gillespie, era a besta que residia em si, desconhecida para ela. Aquela era a prova definitiva de que tinham encontrado o que queriam. Rukia deixou para os lacaios o trabalho de contê-la.

– Envie uma mensagem para a Grande Sacerdotisa. – Disse Rukia ao mais alto escalão de nobres, que compreendia seu círculo pessoal de Kuchikis que estavam naquela missão. – Digam-na que já encontramos Aramitama.

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Naomi estava na fila do supermercado quando viu literalmente o homem mais lindo que ela já viu na vida, com longos cabelos loiros e uns olhos azuis gelo que a encaravam com mistério e elegância. Ela ficou encarando o cidadão até finalmente repreender aquele espírito de luxúria e repassar mentalmente os requisitos mínimos que um homem deveria ter para atrair seu olhar. “Não posso fazer nada enquanto a lista não estiver totalmente preenchida.” Ela pensava, desprezando o flerte mudo que lhe era dirigido. Ela não era fácil não. Quando se dirigia ao seu outro destino ele a interceptou na saída.

– Posso ajudar? – Ela perguntou desconfiada, mas também se armando contra qualquer imprevisto.

– Você aceita me acompanhar em um café? – Ela o olhou de cima abaixo e impiedosamente respondeu: Não. – Então me deixe ajudá-la com as compras. – Ela se virou para ele enquanto arrogantemente andava na frente.

– Eu não estou a fim, cai fora de uma vez. – Foi curta e grossa. Ele a observou silenciosamente enquanto ela ia embora. Quando ela pegou um ônibus em direção a Saint Beldivere sentou-se ao lado de uma pessoa que não prestou atenção, e, checando as horas no celular, ouviu a voz dele.

– Esses ingredientes são para uma ocasião especial? – Ela ouviu a voz dele e ficou assombrada com sua presença ao seu lado, ia se levantar e sair de perto imediatamente, porém foi impedida por uma força invisível ao redor de seu corpo que a paralisou. Ele segurou o seu queixo virando o rosto dela em sua direção e a obrigando a encará-lo, passando seus dedos sobre os lábios dela – Essa boca arrogante já foi beijada alguma vez? – A despeito de sua fúria interior e do medo, Naomi recebeu um singelo e casto ósculo na boca, e não se lembra de mais nada.

Acordou em um apartamento frio e sem mobília, como uma propriedade nova que ainda não estava pronta. Tentou sair dele, mas parecia haver alguma espécie de barreira invisível que a impedia. Estava em um andar muito elevado, suspeitava ser a cobertura. Desesperou-se, chorou, orou, gritou, disse a si mesma que sabia que era aquilo que ia acontecer até por fim aquietar. “Que vergonha, os apóstolos passaram por coisas piores e eu aqui me acovardando.”

Suas compras estavam ali. Já era crepúsculo, ela improvisou um sanduíche com o que tinha e bebeu o suco natural que tinha comprado e ficou esperando. Felizmente o aquecedor estava instalado, já que a temperatura dali era adequada para sua sobrevivência. Ela ouviu barulho de chaves e se levantou imediatamente. Só não deu uma voadora na cara do cidadão porque era cristã. “Tudo bem, esta é a hora de evangelizar, não de assassinar.” Enquanto se preparava mentalmente para ser nobre e fiel à fé, ela não o esperou dizer palavra.

– Jesus te ama. – Disse falando muito sério. Parecia quase uma ameaça, mas era apenas seu jeito. Essa era a frase mais “zero oitocentos” de todas. Mas de alguma maneira ficou calma. Se morresse, teria feito a sua parte.

– Eu tinha que dopá-la sem levantar suspeitas. Não fiz nada mais com seu corpo. – Ele falava de maneira prática, mas polida. Não era mais um flerte dissimulado. – Eu precisarei de uma pequena cooperação sua e então a soltarei incólume. Já deixo claro que se a senhorita não fizer por bem, será por mal, então escolha o caminho sábio.

– E eu por acaso tenho escolha? – Ela perguntou, arqueando uma sobrancelha. – O que você quer? Eu vou continuar falando de Deus com você, prepare seus ouvidos. – Apesar de ser a vítima, não tinha intenção de agir como uma.

– Você atuará como minha refém até que eu estabeleça a ligação entre os corpos sincronizáveis. – Ela ficou pálida. Ele deu um sorriso de canto maligno. – Como esperado, os registros então eram verdadeiros.

– Não sei do que você está falando.

– Mentir é pecado. – Disse ele, com cinismo.

– Eu não sei mesmo. – Ela nunca mente. – Mas eu sei um pouco de que tipo de coisa se trata. E eu não vou te ajudar nem sob tortura.

– Eu disse que você fará por bem ou por mal! – Ele se aproximou e a pegou pelo pescoço, começando a estrangulá-la. – E então que tal isso: faça o que eu digo e eu deixarei em paz a sua querida benfeitora. Zoey, não é mesmo?

– Ela não tem nada a ver com essa história! – Exclamou, em desespero.

– Então me obedeça! Ou os inocentes pagarão no seu lugar. – Ele a lançou ao chão e ela estava em prantos pelas ameaças e o perguntou o que queria. Ele que caminhava por aquele lugar vazio juntou as mãos atrás das costas.

– Sei que você não tem capacidade para executar o que quero. Mas, a sua mãe é diferente. Ela é uma bruxa com formidáveis poderes, completamente capacitada.

– Não! Não a minha mãe! Ela não se envolve mais com essas monstruosidades! – Ela ficou aterrorizada.

– Ela virá pela sua vida, certamente. – Naomi chorava. Como ele sabia daquilo?

– Então você é um deles? Foi você que tentou acabar com ela anos atrás? Você que a perseguiu até o fim do mundo?

– Não fui eu. – Ele disse, em um tom calmo. – Você é só uma coisa ignorante... a maioria dos seus medos inexistem. – Ela não compreendeu o que ele quis dizer, mas as memórias de um passado conturbado voltaram a perturbar seu coração, e o medo queria reinar em sua alma. – Mas eu sei quem você é, Naomi Mackenzie. Não, este nem é o seu verdadeiro nome! – Ele então deu um sorriso perverso e com sadismo em seu coração, continuou a torturá-la com aquelas horríveis verdades. – Você não pode escapar do seu sangue, nem do seu nome, Naomi Yisera Belethiele.

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– De manhã, naquele mesmo dia. –

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– Ganhei! – Ela comemorou seu último strike e fez a festa.

– Eu não acredito que você era tão boa nisso! – Byakuya estava sinceramente surpreso. – Perdi!

– Isso significa que você vai ao encontro de reabilitação do projeto da Escola de Musicoterapia do Berklee! Vai ser ótimo, você com certeza vai amar! – Ela estava muito empolgada. Seus olhos até brilhavam! Isso era perfeito!

– Certo, certo, vou cumprir a minha palavra. – Ele disse, dando um suspiro com os olhos fechados. – Mas eu ainda quero te levar para dançar. – Então nós iremos!, foi o que ela respondeu. Mas isso ficaria para o final da próxima semana, porque tinham coisas de trabalho e de faculdade para fazer. – Ainda não é nem meio-dia, por que não saímos para dançar hoje? Temos muito tempo livre.

– Hoje a Zoey vai nos visitar no apartamento dela e eu preciso conhecê-la, afinal de contas ela me deixou ficar lá.

– Entendo, eu lembro que você tinha comentado dela. – Eles estavam no Prudential Center e foram até o topo, na Prudential Tower para observarem a vista. Era um local com restaurante e vista panorâmica da cidade. Como não tinham o hábito de irem, mesmo morando por perto, eles ficaram conversando por lá um pouco mais. – Então hoje será um dia só para garotas?

– Quase isso. Provavelmente vamos apenas ficar em casa comendo brigadeiro, pipoca e assistindo Netflix. – Ele secretamente imaginou qual seria a aparência de Zoey. Se ela fosse bonita como as acompanhantes ele se auto convidaria para passar o dia sozinho num AP com três gatinhas, mas se conteve.

– Cuidado com a gulosa da Naomi, do jeito que ela é não sobra pra ninguém! – Ele comentou com uma expressão de desagrado leve e fez Orihime rir. Aqueles dois não se davam, mas ao mesmo tempo funcionava o esquema.

– Vamos ter o bastante para saciá-la com certeza! – Eles continuaram conversando algumas amenidades enquanto apreciavam a vista. E havia uma pergunta que Byakuya há dias estava interessado em fazer.

– O que fazia no cemitério quando nos encontramos? – Ele a perguntou, agora olhando em seus olhos.

– Eu fui visitar o meu irmão. – Ela respondeu, correspondendo ao olhar dele. Ele esperava mesmo ouvir algo assim.

– Há quanto tempo ele faleceu?

– No ano passado... – Eles estavam em fevereiro, o que significa que ano passado era muito pouco tempo!

– Lamento a sua perda. – Ele disse, sendo empático com a dor dela. – Eu sei que é horrível. Eu já perdi uma irmã. Não há nada que possa ser dito. – Ela ficou surpresa por ele ter esse tipo de coisa em comum consigo. Ficou alguns instantes em silêncio, admirando a vista daquela cidade tão cheia e urbanizada, com milhões de habitantes, milhões de corações pulsando em cada esquina. Depois tornou seus olhos para ele.

– Eu só tinha ele... só ele. Mais ninguém. – Ela disse um pouco emocionada, e Byakuya viu que tocou em um ponto de fragilidade dela. Ele teve respeito. Ela ajeitou o cabelo atrás da orelha timidamente. – Meu irmão era como um otou-san pra mim. Ele me criou desde pequena. E quando eu vim pra cá estudar, ele não teve coragem de me deixar sozinha, então largou tudo e veio também. Ele dizia que eu era o seu orgulho. – Relembrar Sora ainda era algo que mexia muito com ela, então Orihime não conseguiu conter suas lágrimas. Não era justo. Ele era tão jovem! Tinha toda a vida para viver! Sua única família! E todas essas coisas trágicas cujo sentido nunca se encontra quando se encara uma perda. Orihime tinha esperanças de que ele e Naomi engajassem um relacionamento mais sério, porém isso nunca aconteceu. Teria sido perfeito se tivesse sido assim. – A saudade que fica é muito forte. Às vezes sufocante. Então toda vez que eu visito o onii-chan, eu canto uma música. E quando eu faço isso, quando eu canto um réquiem eu procuro ser grata por tê-lo tido ao invés de lamentar não o ter mais, e assim cada vez que eu volto de lá é como se um pedaço da minha dor tivesse sido arrancado, e no lugar dela, eu encontro vida. – Ela concluiu com os olhos úmidos. Seus delicados dedos enxugavam as suas lágrimas, e o olhar prateado era límpido e puro como nuvens carregadas de água para regar a terra com chuva, para trazer vida e fazer brotar uma floresta. Seu rosto era tão angelical. Seu sorriso era tão honesto. Sua pureza era tão genuína. Byakuya estava petrificado diante dela a olhando com expressão de choque. Para ele era como se fosse a primeira vez que estivesse vendo Inoue Orihime, e só então tivesse dado conta disso!  

– Eu sou um imbecil e um estúpido! – Ele exclamou, em reconhecimento, para ela e para si mesmo. Ela viu, surpresa, os olhos dele começarem a lacrimejar, como ela. – Eu sou um idiota! Perdoe-me!

– D-do que você está falando?

– Por favor, perdoe este animal louco e desprezível, imitação de homem! – Ele estava soluçando... Ele estava soluçando! O que era aquilo tão de repente?

– Por que está falando assim? Você não fez nada! – Ela começou a se preocupar. Será que ele surtou?

– Fiz sim! Eu fiz! E eu me arrependo!

Os nervos estavam à flor da pele. Ele pediu para que ela o esperasse ali mas ela não conseguiu não segui-lo querendo saber o que tinha acontecido, por que ele de repente mudou completamente seu comportamento. Ele não conseguiu murmurar nada além de “me perdoe” e então subitamente entrou em uma floricultura. Ela o viu, chocada, comprando um buquê de gardênias puras e branquíssimas, maravilhosas, sadias, e então parou à sua frente, ignorando os passantes, que não eram tantos naquele horário.

– Por favor, aceite isto! Você é tão linda! Você é tão incrível! Eu admiro a pessoa maravilhosa que você é, mesmo te conhecendo pouco. Eu quero te conhecer mais! – Ela pegou aquelas flores, achando-as lindas, mas também agora voltando a derramar lágrimas e ela não sabia mais se ria ou se chorava, porque era tanto contentamento dentro de si que não era capaz de reagir apropriadamente. Ela começou a fazer as duas coisas de alguma maneira.

– Kuchiki Byakuya, você não existe! Eu acho que estou sonhando com você! Hahahahaha! – Ela levou uma das mãos à boca, tentando se controlar porque pareceu muito histérica.

– Eu não acredito em como tenho te tratado. Eu estou tão envergonhado!

– Eu estou tão feliz!

– Como você pode estar feliz por conhecer alguém como eu?

– Exatamente por isso. Porque você está me enxergando e eu não sabia que era tão bom assim! Eu estou mesmo muito feliz por ter te conhecido! – Do lado de fora às vistas de qualquer um, eram apenas dois idiotas chorões que não se decidiam. – Você pode ser metido mas tem a humildade de me olhar nos olhos ao invés de olhar de cima e me chama de linda e me trata como rainha! Eu não acredito no que estou vivendo. – Ela achava que seu coração ia sair pela boca pulando até atravessar a cidade inteira. – Muito obrigada por isso.

– Eu que deveria agradecer porque ao invés de morte eu encontrei esperança. – Eles se deram um abraço cúmplice. Aquele era um raro momento de honestidade onde as emoções transbordaram sem controle, e eles se descobriram tão inexperientes e puros diante daquela torrente que acabaram se abrindo sinceramente como se fossem duas crianças que ainda não entendiam das coisas da vida, das regras de comportamento. Foi um momento precioso que dificilmente voltaria a se repetir. Foram embora após as despedidas, cada um seguindo o seu caminho.

Orihime ainda estava nas nuvens, avaliando tudo mentalmente. Ela iria escrever a experiência em seu diário com toda a riqueza de detalhes possíveis. Cheirava as gardênias perfumadas admirando sua beleza, ainda recapitulando o que houve. E o que houve foi um momento de encontro de almas. Byakuya ficou tão chocado ao perceber como ele era uma pessoa que rotulava os outros, que impunha seus conceitos sobre todos que via e o fazia automaticamente, que se encontrou humilhado diante da verdade: a de que ele era apenas mais um. Mas esta não era uma humilhação necessariamente ruim. Porque quando ele deixou de ver Inoue Orihime como uma potencial futura transa, descobriu que por trás do corpo e rosto de boneca, ela era uma pessoa com uma incrível história, uma incrível alma, uma incrível atitude, totalmente humana, transbordante de vida e de emoções, que a maior beleza que ela tinha não se resumia ao seu corpo, mas à própria história e à jornada de sua alma em busca da paz, da reconciliação, de fazer o bem e viver o bem.

Tal realidade o abalou de várias maneiras, principalmente porque ele nunca teve encontros verdadeiros com a alma de outrem. Nunca esteve nu diante de alguém que estivesse nu diante dele, emocionalmente. E para si fora um verdadeiro insulto o fato de ter reduzido tamanha riqueza a rótulos sociais impostos. Por que ele tinha que automaticamente pensar em fazer sexo com uma mulher só porque ela era fisicamente atraente? Como ele podia cometer tamanho insulto ao ponto de simplesmente ignorar toda uma história de vida e toda uma intensidade de experiências acumuladas e reduzi-la a um mero corpo? Como era profunda sua ignorância, ele se sentiu um animal e não um homem, mas ao mesmo tempo cruzar com a nobreza do espírito dela o fez admirá-la então ele ficou dividido entre a vergonha por tê-la ofendido e a admiração por ver quem ela de fato era, ou pelo menos um pouquinho de quem ela de fato era. Mas tudo isso veio de uma vez, em um abrir de olhos que ocorreu num instante e por isso aquela torrente passou por ele e não pôde agir de outra maneira, não pôde se armar com todos os seus conceitos. Apenas seguiu sinceramente o que achava correto dizer e fazer diante daquilo tudo. E Orihime, ao se dar conta disso, também não resistiu às próprias emoções, porque homens para elogiar seu corpo ela encontra em cada esquina, mas quantos olharão com sinceridade para sua alma e, fascinados, dirão que ela é linda?


Notas Finais


Naomi e Eirien... falo nada... absolutamente nada...


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