História Bios - Capítulo 9


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Categorias Bleach
Personagens Byakuya Kuchiki, Orihime Inoue
Tags Anjos, Bleach, Byahime, Byakuya, Clã, Ficção Cientifica, Nefilins, Orihime, Romance, Tattoonthesky
Visualizações 10
Palavras 4.041
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Luta, Magia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Mutilação, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 9 - Filho do Céu e Filha do Eclipse


Fanfic / Fanfiction Bios - Capítulo 9 - Filho do Céu e Filha do Eclipse

Orihime estava saindo da última aula se sentindo cansada. Estava conversando com alguns graduandos sobre o sumiço de Naomi, muitos deles preocupados. Dirigia-se à saída onde o táxi devia estar esperando e não parava de pensar nela. Na pressa, acabou esbarrando sem querer em uma moça.

– Sorry! – Ela ajudou a pegar os pertences da morena que tinha caído ao chão.

– No problem. – Ela respondeu, delicada. Era muito branca e tinha olhos violáceos únicos, o que chamou a atenção de Orihime pois a única pessoa assim que viu na vida era Kuchiki Byakuya.

– What’s your name? – Orihime perguntou, curiosa.

– Muramasa Oboro. – Ela respondeu, fazendo a ruiva se surpreender! Oboro estendeu a sua mão em um cumprimento americano, com um sorriso amistoso, que Orihime devolveu. Quando a ruiva a tocou, foi hipnotizada.

Uma sutil reiatsu ciano emanou do olhar de Oboro, que agora procurava encontrar a trilha que ligava Inoue Orihime a seu alvo. Desde o incidente misterioso que houve no hospital, os Kuchikis já perceberam peculiaridades por aquela região, e sendo caçadores experientes é claro que notariam um coelho desatento como a ruiva. “Mas o que é este caminho insano?” Sua trilha estava subindo! Subindo para o alto, literalmente! “Eu estava enganada, há uma terceira entidade!” O que poderia ser esta terceira entidade? Ela só tinha certeza de uma coisa: não era humano. Oboro estava chocadas, mas não havia opção de falhar. Agora que ela já havia se aproximado, seria suicídio não obter informação, pois atrairia a fúria de Byakuya certamente. Era uma manobra arriscada, mas iria fazer a sua invocação ali mesmo. Ela começou a murmurar seu sortilégio e todo aquele lugar foi envolto em escuridão, Orihime saiu de sua hipnose e tentou se livrar daquela mulher, mas não foi capaz.

– Calada! – Exclamou a forjadora, que a esbofeteou fazendo-a cair sobre seu círculo mágico previamente preparado. Ela já tinha se precavido para tal situação. Ignorando as perguntas e protestos de Orihime, começou a chamar. – ó espírito da abóbada inferior. “Droga, se ele fosse um morto daria mais certo.” Estava sendo difícil direcionar seu poder para encontrar alguém que ficasse sobre a terra, e não no céu. Mas depois de algum tempo de esforço ela conseguiu materializar uma sombra, e ela viu o seu rosto se tornar nítido. Orihime estava com o coração acelerado de medo. Ela estava implorando para aquilo parar. “Anormal reação de medo.” Analisou Oboro, que apenas continuava. Ela tinha muito mais interesse no outro que era visivelmente mais forte. Mas quanto mais ele se materializava, pior era o estado de Orihime, até que ela perdeu sua consciência. “Materializei somente um vulto e ele já sugou a sua força até que ela fosse inconsciente!” Oboro retirou dele um pequeno ovo que selou dentro de um cristal de kidou, e então terminou sua invocação. – Como foi difícil! Mas é por isso que é um desafio! – Ela exclamou satisfeita ao olhar o pêndulo que forjara, a bússola de rastreamento. Fechou a mão ao redor dela, e lançou seu olhar sobre Inoue Orihime. “Que patética, por que essa coisa estaria sincronizada com um dragão Shihouin?” Ela deixou naquele lugar Orihime desacordada. Horas depois, a ruiva acordou numa unidade de atendimento médico e Byakuya estava ao seu lado. Aquela cena era familiar, exatamente como foi quando encontrou Rowan, porém agora ao invés de Naomi, estava ele. O Kuchiki a encontrou desacordada no campus. Ele tinha ido procurá-la.

– Byakuya-kun... o que...?

– Não faça esforço. Você está exausta. Coma para se fortalecer. – Ele estava carrancudo. Ela tentou segurar a mão dele e ele a apertou de leve. Sem dizer nada levou a colher com a sopa nutritiva e bem grossa para a boca dela. O gosto era sem graça. Quando ele a fez comer tudo sem aceitar um não, a perguntou por fim. – Foi Oboro, não foi?

– Sim. – Ela esperava que ele a conhecesse. Ela viu a expressão dele se petrificar de ódio e teve medo de que algo muito ruim viesse a acontecer. Aquele clã era um lugar sangrento, se ele se deixasse levar pela ira se arrependeria! – Não faça nada! Por favor, prometa, por mim! – Ele não iria fazer promessa alguma.

– O que ela queria?

– Não sei. Ela somente parecia me usar. Perdi a consciência no meio do... Eu não sei o que aconteceu naquela hora.

A enfermeira chegou e disse que ela já estava liberada para sair. Ela foi diagnosticada com fadiga crônica e desidratação, mas Orihime sabia que aquilo era impossível, ela estava em perfeita saúde antes de encontrar Oboro! Ele a levaria para casa. Ela não tinha forças o suficiente para andar direito então ele a apoiava, segurava-a pela cintura. Dentro do carro ela ligou para Zoey, que devia estar preocupada. Disse a ela que estava tudo bem consigo.

– Eu sei que é repentino, mas eu preciso ver a Zoey. – Orihime percebeu que era sério. Ele a levaria até a porta do apartamento de qualquer maneira, então ela disse que tudo bem se ela estivesse disposta. Se ele estava disposto a ignorar o fato de que era madrugada, provavelmente algo muito sério estava em jogo. Quando chegaram ao AP Zoey atendeu a porta com uma expressão de preocupação. Byakuya a olhou fixamente. Era tão evidente que ele ficava até com medo, os claros sinais Shihouin, os olhos, o cabelo, mas a pele de oliva delatava uma bastarda mestiça. Ela também estava na lista de pessoas a serem caçadas por Oboro Muramasa.

Ela foi muito gentil. Estava preocupada com Orihime. Insistiu para que Byakuya ficasse ali pelo menos até o amanhecer, pois uma nevasca começou a cair assim que chegaram. Ela ajudou Orihime a tomar um banho quente enquanto ele aguardava, contemplando a vista da precipitação pela janela. Byakuya estava fazendo esforço para não pensar em duas meninas peladas no banheiro. Ele levou as mãos ao rosto se recriminando por ainda ter esses pensamentos escrotos mesmo em uma situação de crise. Ele nem tentou calcular qual foi a última vez que...

“Há coisas infinitamente mais importantes para serem resolvidas.” Ele ficava diante daquela janela imaginando como tinha sido a alucinação de Orihime. Quando a ruiva estava quente e agasalhada o sono fugiu dos olhos de todos. Zoey havia preparado  gumbo antes de eles chegaram, e todos comeram aquele folclórico afro-americano prato da Louisiana que ela simplesmente adorava. – Eu acho que ao amanhecer teremos mais de dois metros de neve acumulada. – Observou Byakuya.

– Vamos torcer para que seja removida depressa. – Eles conversavam amenidades sobre como Orihime estava apenas fraca e não doente, e mais detalhes sobre a procura de Naomi, e a loucura que o país se tornou com tantos artigos e notícias sobre as conspirações alienígenas e illuminatti que estavam explodindo na internet no último mês. Byakuya e Orihime se entreolharam. O dia do primeiro encontro foi... Único. Zoey deixou os dois a sós e foi se deitar.

– Você está tão calado, o que há? – Orihime perguntou após alguns momentos de silêncio em que ele não parava de fitar a cidade pela janela. Ela se largou no sofá sentindo-se grata por estar melhor e não amedrontada.

– Eu pretendia guardar isso para mim, mas já está óbvio que você não será poupada – ele se virou para ela, sério. – Você lembra que uma vez me perguntou como foi que eu matei uma pessoa? – Ela confirmou com a cabeça, corrigindo sua postura. Agora ele iria falar de algo realmente sério. – Eu vou dizer a você. Mas você não pode falar isso com ninguém. Senão, perigos ainda maiores vão te seguir.

– Eu entendo. Eu quero ouvir. Eu não suporto mais estar alheia a tantas coisas que me atingem. – Ela se levantou e foi até ele. Segurou-o pela mão e ficou espantada ao percebê-lo trêmulo. Era um claro sinal de nervosismo. – Vamos para um lugar reservado. – Eles foram até o escritório que ficava do outro lado do apartamento, sem vista para a cidade e uma porta de vidro por onde poderiam enxergar Zoey ou qualquer cidadão que dali se aproximasse. Ela entendia que era uma conversa privada.  No início ele ainda hesitava, mas o que havia de esconder agora? Orihime estava em perigo, Zoey estava em perigo, Naomi já tinha desaparecido, e ele tem um péssimo pressentimento de que aquilo só estava no começo. Ele disse a ela que para que entendesse a situação, teria que saber do objetivo e história resumida de seu clã. Então ele iniciou a narrativa.

“Segundo a lenda do nosso clã, somos os enviados do fim do mundo, ou do primeiro fim. Para ficar mais fácil, pense nisso como o dilúvio. É, é exatamente algo como o dilúvio. Antes que o mundo fosse destruído, haviam monstros perversos sobre toda a terra, e todos esses monstros foram julgados e exterminados pelos habitantes do céu. O céu não é exatamente como a figura disseminada aqui no ocidente. É mais como um reino superior de pessoas bondosas e comprometidas com a justiça, governados por uma suprema divindade. E o nosso clã acredita que somos cidadãos enviados do céu para habitarmos temporariamente na terra, até o momento em que destruirmos todos os asuras, ou demônios, que escaparam da grande extinção. Os habitantes do céu são chamados de devatas.

“A razão pela qual os devatas foram mandados à terra é porque, dentre os humanos que foram poupados da grande catástrofe, havia uma traidora que fez aliança com os asuras, e essa foi Lilith. Este é o único nome em comum que existe nas mitologias orientais e ocidentais. Provavelmente ela é uma personagem histórica real. Mas como é muito antigo, não dá para ter certeza. Mas diz a lenda que ela preservou a raça dos asuras tendo um descendente híbrido que com o passar do tempo iria ressuscitar o terror do governo maligno sobre o reino do meio, ou a terra, então o céu enviou caçadores que se misturariam entre os humanos e procurariam a semente do mal e a exterminaria do mundo. E é nisso que temos acreditado. Temos super poderes ou seja lá o que for. Suportamos sangue e dificuldades sem fim por causa de um ideal. É basicamente uma religião.

“Uma das crenças mais importantes é a de que os asuras são a verdadeira origem do mal, que o reino do meio, a terra, deveria ser um lugar perfeito como o reino de cima, ou do céu, mas que o mal se infiltrou no mundo, algo como a queda humana bíblica. E que este mal está permeando os seres humanos por causa dos asuras, ou demônios, e que quando o último deles for extinto, a humanidade inteira vai ser livrada do poder demoníaco e então se tornar uma existência perfeita em conexão com o reino de cima, ou a abóbada superior. Todas as contradições desapareceriam. Algumas pessoas levam isso a sério a ponto de não se importarem com os métodos usados, mas cometer todas as brutalidades para extirpar os asuras do mundo.

“Os asuras também ganharam um nome com o tempo, que são ‘nefilim’. Eles seriam híbridos do rei dos demônios com Lilith, a humana, e assim se camuflam no mundo contaminando o DNA da humanidade e fazendo as pessoas serem crueis e corrompidas. Mas eles podem ser identificados pelos devatas. Se eles tiverem asas negras ou a reiatsu pintada de vermelho, então eles são os monstros que devem ser mortos. Existem os puros e os híbridos. Os puros são Aramitama, ou os “Valentes”, pois são agressivos podendo ser irracionais e sua qualidade mais marcante é a sua aura vermelha e sangrenta. Há a Nigimitama ou os “Afetuosos”. Eles possuem uma reiatsu verde pura e são considerados pessoas que estão entre a queda e a redenção, podendo pender a qualquer momento para o lado bom ou ruim. Alguns mais conservadores preferem que sejam exterminados também. Os devatas são “Sachimitama” ou os “Dedicados”, nós temos uma reiatsu azul pura e nossas asas são como prata mágica e somos capazes de purificar Nigimitama e Aramitama. Mas mesmo entre estes fundamentais, existem misturas e híbridos que são considerados verdadeiras abominações.

“A primeira e mais abominável de todas é a Sachi-Ara Mitama, que é uma combinação entre um devata azul e um asura vermelho. Eles têm por característica uma reiatsu magenta/rosada e são pessoas muito poderosas e perigosas. Eu não sei muito porque era inaceitável que alguém assim sequer respirasse, então eles eram mortos com meses, às vezes com dias de vida. Não apenas por nós, mas também pelos nefilins, porque eles nos odiavam já que os caçávamos e matávamos. Os pais de tais pessoas também eram assassinados. Eles são os seres mais raros do mundo. A segunda é Nigi-Sachi Mitama, que são híbridos entre os devatas e os berserk. Eles são seres considerados inferiores, mas têm uma reiatsu azul clara e qualidades muito similares às nossas, portanto são aceitos no nosso círculo desde que se dediquem totalmente a nós e sejam leais. Oboro Muramasa é uma híbrida que serve ao clã Kuchiki pois a sua família por ser considerada de qualidade inferior jamais poderá ser considerada igual aos puro devatas, o clã Kuchiki. E também há a Nigi-Ara Mitama, que é o cruzamento de um berserk e um nefilim. Eles não foram tão perseguidos no passado por serem o cruzamento de raças que eram consideradas inferiores, por isso conseguiram escapar por algum tempo, mas fundaram a sua própria casa como uma maneira de resistir aos devatas. Eles se tornaram um clã poderosíssimo que causou muitos problemas e a segunda extinção da humanidade.

“A lenda diz que o sol se tornou negro por mil eras, e eles quase mataram todos os seres vivos que não fossem filhos do sol negro. O mundo ficou coberto de cadáveres novamente, e então os devatas com a ajuda do reino da abóbada superior conseguiram matar seus inimigos e reduzi-los a nada. Porém, falharam na missão de proteger a humanidade, e por isso foram punidos: nunca mais voltariam para o reino celestial enquanto não concluíssem a missão. Então agora estamos presos à este mundo inferior cheio de corrupção até o dia em que completarmos nosso trabalho. A líder do nosso clã se diz ser uma legítima filha do reino superior, que viveu por eras incontáveis e que agora somente almeja voltar para sua casa. Seu poder não é algo que possa ser explicado. – Ele disse, sentindo-se desconfortável de repente. Mas continuou narrando para que a linha de raciocínio não fosse quebrada. – Estes híbridos foram chamados de “dragões”, por causa do eclipse. O eclipse era convencionalmente um evento em que se acreditava que havia um dragão devorando o sol ou a lua, por isso eles foram chamados assim. Os “filhos do eclipse”, ou, dragões, têm uma reiatsu dourada e muito poder bruto. Eles podem devorar tudo, como verdadeiros dragões que engolem até o sol e a lua, e eles também podem desintegrar tudo, porque são meio berserk. São extremamente poderosos e foram o pior pesadelo dos devatas, mais do que os nefilins.

“Depois daquilo, a humanidade cresceu rapidamente e se espalhou pelo mundo, dando origem às civilizações que conhecemos hoje como Atlântida, Lemúria, e o continente de Mu que era a Antártida antes da sua subsequente catástrofe. Houveram muitas guerras. Mas tudo sempre girava em torno de uma pessoa que parecia ser a encarnação do eclipse de mil eras. O poder que estava no alto, agora encarnava em um corpo terreno. Destruir essa fonte de poder e maldade é a nossa missão. Temos nos concentrado em forjar armas cada vez melhores e mais fortes para completarmos a missão de purificar a terra de todos os demônios. E para isso, usamos eles mesmos como matéria prima de nossas espadas. Um poder além do imaginável se torna completamente nosso, para expurgarmos as coisas ruins do mundo. E é assim que, depois de tantos milênios, nos reduzimos a um pequeno número de pessoas fanáticas. – Completou Byakuya. Ele adicionou que os impérios foram se separando por causa de pessoas que estavam satisfeitas com a terra em que viviam, outros não acreditavam que houvesse alguma espécie de reino os esperando no céu, outros simplesmente não concordavam em ter que matar as pessoas apenas porque eram diferentes. Pensamentos naturalmente divergentes enfraqueceram o poder ao longo das eras, até que neste presente momento tudo aquilo não passava de loucura para a maioria dos seres humanos, que não estavam nem um pouco interessados naquilo. Era só outra estúpida religião. Byakuya admite que se enquadra neste grupo.

– E sobre eu ter matado uma pessoa... – Ele chegou ao assunto que o deu frio na barriga. – Foi um ritual de forja. Onde se sacrifica os devidos seres humanos e une sua força e seu poder em pontos específicos da abóbada celestial, para que ao fim seja ativada a forma de vida superior. Eu sacrifiquei uma Sachimitama com a minha espada, Senbonzakura. – Ele ficou calado. Orihime segurou em suas mãos, compreensiva e o encorajando a continuar falando. – Ela estava preparada para entregar a sua vida. Eu nunca tinha feito algo assim. Normalmente eram meus irmãos mais velhos, porém as circunstâncias me colocaram naquele lugar, naquela noite. E eu fiz parte daquele ritual. Eu vi a alma dela sair do seu corpo, a espada beber o seu sangue e se dividir em lâminas de pétalas de cerejeira, eu vi coisas inexplicáveis que nunca pensei que iria ver. E tudo aquilo foi feito como preparação para despertar um Kushimitama: alguém que neste mundo respire e tenha dentro de si a forma avançada e evoluída de Ara-Nigi-Sachi Mitama, que nós chamamos de Kushimitama ou  “Misterioso”. Misterioso porque ninguém entende sequer como é possível que exista. Teorias dizem que ele é um asura que através de muitas vidas de penitências e auteridades conseguiu expurgar o mal de sua própria alma se tornando livre e puro da maldade, mas como o reino superior foi bloqueado até que a terra se tornasse pura, ele não pode entrar, e então vaga pela terra esperando o fim de todas as coisas. Mas isso é apenas um folclore, não há nada realmente concreto sobre isso.

“Uma vez que Kushimitama seja despertado, ele será derramado em uma espada e forjado como uma arma sagrada de extermínio do mal. Existem apenas duas espadas sagradas criadas a partir de um Kushimitama, que demoraram milênios para ficarem prontas: Izanagi e Izanami, os deuses da criação da mitologia japonesa. Nada pode ser comparado àquelas zanpakutous... Eu as vi apenas uma vez e estavam embainhadas. A reiatsu que emanava delas era indescritível. Eram os poderes da criação encarnados em forma de espada. Foi a única vez que eu vi. Achei que seria morto, pois sua força era ao mesmo tempo intensa e da mesma forma pura. Como se fosse expurgar todo o mal que existisse em mim como ser humano, consequentemente eu seria extinto. Foi impressionante. Eu acredito que eram assim porque foram forjadas para destruir os asuras que são a encarnação da maldade.

“Agora que já possuímos Izanagi e Izanami que são as energias da criação, precisamos do contrabalanço que é a morte, ou o julgamento supremo. Obtendo essas duas formas de poder, não haverá absolutamente nada que nos pare, literalmente. Será o fim de tudo para os asuras e seus descendentes. Essa zanpakutou está sendo forjada por alguns séculos. Juntamos muitas almas de Sachi, Ara e Nigi Mitama nos quatro pontos cardeais do mundo, e elas ficam lá acumuladas criando uma camada de reiatsu sobre a terra. Quanto mais densa for, maior será a chance de sucesso. Quando o Kushimitama for ativado, poderemos subjugá-lo com este poder condensado e então sacrificar sua vida para fins. Eu acho isso horrível, mas creio que não posso mais julgar coisa alguma.

Quando ele terminou de falar tudo o que considerava relevante para a situação, virou a palma da mão dela para cima, sem dizer nada. Com o seu indicador ele desenhou um círculo azul de reiatsu e ela ficou impressionada por estar vendo “magia” tão clara e óbvia na sua frente. Depois ele escreveu o kanji “liberar” que formou um selo de kidou, e a reiatsu de Orihime começou a fluir claramente diante dela. Ele tinha usado um efeito de aprimoramento com o seu próprio poder, para que ela não ficasse exausta e desmaiasse outra vez, pois já tinha sido muito drenada.

Orihime não precisava de palavras para compreender onde ele queria chegar com toda aquela história. Ela sentia a mão quente dele apoiando a sua no ar. Olhava o pequeno ciclone de ouro girando em sua mão, lentamente tomando a forma de um dragão dourado, minúsculo, a planar. Seu poder. Depois ele pousou em sua palma e olhava ao redor, confuso. Byakuya cobriu a mão dela com a sua outra e então aquele kidou desapareceu. Filha do Eclipse.

Orihime não se sentia surpresa. Era algo que devia deixá-la de queixo caído, mas... não estava surpresa. De repente ela começou a ter muitas memórias. A mulher grávida sendo raptada; Sybil. Seu irmão escorraçado do templo, a pequena garotinha de kimono segurando seu espeto de dangos. “Onii-chan, por que eles estão te maltratando?” O sorriso triste de Sora, mas seu olhar firme. “Tudo bem, Hime, eu vou proteger você.” Tantas e tantas vezes. Os ferimentos. As mudanças repentinas de cidade, de estado. Os estrondos misteriosos na calada da noite. O acidente aéreo, o homem inconsolável. Christopher. A destruição, a perseguição, os militares ditadores. Tudo era caótico mas ao mesmo tempo fazia sentido. Suas memórias, as memórias de Rowan, e a morte do seu irmão. Orihime levou uma mão à boca, sufocando uma exclamação de dor. Seus olhos arderam e as lágrimas caíram. Não enlouquecera então? O que tinha visto era real? Seu corpo estava intacto, mas ela acreditava ter visto uma flecha brilhante atravessá-lo naquele dia. E aquela luz provocou o acidente. Não era estresse pós-traumático? Não era um sonho? Seu irmão foi...

– Sora... Sora... Sora! – Ela começou a exclamar bem alto como se fosse capaz de sentir o ataque que o assassinou e não conseguiu se conter com a sua dor. A dor era no coração. Era muito pior essa certeza de que foi planejado, foi com más intenções. Seu irmão foi morto, arrancado da vida. Um homem inocente e tão bom! Ela se levantou desnorteada, chorando com toda a alma, sem ser capaz de se livrar daquele sofrimento, sem perceber mais nada à sua volta. Não estava preparada para saber disso. Byakuya se levantou para ampará-la antes que caísse. Parecia que cada gota daquelas lágrimas era um ácido da vergonha derramado em seu coração. Ele se sentiu tão sujo. Ao tocá-la foi repelido. – Sora se foi! Ele foi tirado de mim! – Ela exclamou inconsolável.

– Eu não posso te devolvê-lo, mas posso impedir que tenha o mesmo destino que ele! Eu vou proteger você!

– Não! Você vai me destruir, assim como fizeram com o meu irmão. Está decidido desde o dia que nascemos! – Suas lágrimas eram abundantes e muito tristes. – O que você pode fazer contra esse destino, caçador de asuras?

– Eu nunca te destruiria e que se exploda a História e o clã Kuchiki. Eu nunca farei isso... acredite em mim. – Ele começou a chorar também. Era demais. – Eu prefiro a minha morte. – Embora ele dissesse isso, era como se suas palavras não surtissem efeito. O impacto das verdades foi mais severo do que ele esperava. Ele também se sentia oprimido por aquilo tudo. Mas iria fazer o quê, desistir? De jeito nenhum. Ele a abraçou com toda a sua sinceridade e sua vida em jogo, não correria mais. Colou a sua testa na dela. – O que eu quero de verdade é amar você. Eu quero ficar com você... Do seu lado... Mesmo que isso me custe tudo. Fique comigo, Orihime. – Ela ainda estava confusa. Como deveria reagir? Seu coração estava de luto e ambos eram inimigos jurados desde o dia em que nasceram. Como a sua vida foi ficar dessa maneira? Os olhos dela se encontraram com os dele, e pôde ver quanta angústia ele também sentia por estar tão engaiolado quando ela em uma loucura de pessoas completamente perdidas. Ela levou suas mãos ao rosto dele e do contato de peles aquela luz inexplicável surgiu novamente, como na primeira vez em que se tocaram. Um poder misterioso envolveu os dois, que agora se olhavam assustados e sem entenderem que aquele era o momento que literalmente os uniria para sempre.  



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