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História Bissexualidade. - Capítulo 1


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Notas do Autor


A capa da fanfic tem direitos autorais, e todos eles vão direito pro Twitter. [não são meus]

Espero que gostem, pois, verão mais deles e desse universo mais vezes.

Capítulo 1 - Somos bissexuais, e isso não tem nada de errado.


São Paulo

Na Casa dos Barretos, um menino triste encontrava-se sentado com suas pernas erguidas uma separada da outra. Com semblante deprimido - que não era comum vindo dele atraindo atenção dos funcionários da casa, que, de imediato, alertam aos seus pais sobre o estado de João. Achando somente ''dor de cotovelo'' ou uma rebeldia de adolescência nem deram bola. Assim fazendo os empregados voltarem aos fazeres diários e também, acreditam nisso como seus patrões acharam do estado do filho. Fátima, a cozinheira da família, adentrou o quarto da garota segurando um celular enquanto, esta mexia num notebook preto da Apple acima de rack retrô antigo e qual os pés dela estavam mantidos ali.

– Licença. 

Assentiu a cabeça, fecha a porta e estende a mão mostrando um celular, mas, não um celular qualquer e sim, aquele que pais de Alícia tiraram por seu mal comportamento e botaram-na de castigo. Mudando a expressão de tédio para felicidade, levanta da cadeira que estava sentada indo na direção de Fátima, retirando o eletrônico e a abraça. Um caloroso abraço, saindo dele e a mais nova vai de encontro com sua cama.

Essa é a hora, pensou a mulher.

Aproximando-se do móvel e pediu permissão pra pode sentar lá. Respirou fundo, tomando impulso e buscando a coragem de contar a Alícia sobre a tristeza do irmão por saber que iria importa-se com ele ou correr atrás de um hospital, não sabia ao certo o que tinha. Porém, apenas algo gravíssimo pra estar assim.

Alícia vendo o estranho comportamento repentino, já sabendo como Fátima era. Colocou o telefone de lado, levantando o corpo e arrumou-se sentada de pernas de índio. Nas atitudes e até mesmo no jeito da mulher havia alguma coisa.

– O que quer me conta, Sra. Silva?

Espanta com a pergunta da menor e arregala os olhos, no entanto, sabia que se fosse pra contá-la, essa seria a hora ideal. E o lugar certo sem a influência dos pais,

– É, que o seu irmão ele está...- faz uma pausa, um tanto dramática. Alícia aproxima-se mais dela, com expressão preocupada.- triste. Não quer falar, não quer comer e nem sair com os amiguinhos.

Suavizando o semblante encontrando-se mais relaxada, no entanto, não muito. Reconhecia que era grave, ainda mais por saber que o próprio adorava sair com os colegas de classe dele. Jogar futebol ou ir no fliperama. Ficava alegre só de imaginar, e também, João é ingênuo e inocente para treze anos.

Uma vez, quando tinha oito anos, chorou por causa que fecharam o antigo shopping, atrás da escola que estudavam. E disse, que sua vida nunca mais seria a mesma. 

E outra aos nove.

E mais uma no auge do seus onze.

É, realmente, João é ingênuo.

 – Vou lá ver ele.

[..]

Alícia procurava-o aos berros clamando seu nome. Claro senão tivesse ido a cozinha e lanchado antes de buscar pelo irmão, provavelmente, nessas horas já sabia onde estava e, obviamente, achado-o. Acreditando que Rosa e Cláudio, vulgo pais deles, não estavam em casa. A esta altura teriam tomado providências drásticas, tipo puni-la severamente. Deveriam de estar em uma reunião na empresa ou ido a uma viagem de última hora pra variar.

Mas, agora, não é a hora de preocupar-se com isto.

E sim, em achar João.

Arredoando os corredores, escutou um choramingo e foi indo atrás desse som peculiar. Entrando num corredor em específico, o de hóspedes, que tinha três quartos somente para visitas. Avistando o próprio de longe, caminha silenciosamente e dando pequenos passos fazendo não escutá-los, agachando-se perto do mais novo e decidi interrompê-lo do choro.

Ou choramingo.

– Por que choras?- questionou num tom baixo.

Assustado, retira mãos do rosto e põe do seu lado. Depois de ter limpado as lágrimas rapidamente, como se estivesse acabado de ser pego num momento íntimo, e encara Alícia normalmente.

– Eu n-não e-estava c-chor-rando. - gagueja ao responder a questão anterior, numa falha tentativa de mentir ou omitir o que realmente estava fazendo.

– Sério, mano? Que mentir pra mentiroso?- exclamando uma pergunta retórica utilizando um tom de ironia, sarcasmo. Rindo sobre uma pausa de um período para o outro, enquanto devolvia o olhar trocado.

– É, que...o pai disse que chorar é coisa de mulherzinha.

Revira os globes oculares, refletindo como sua família era tão cheia de preconceitos e problemas forjando ser perfeita na frente das lentes e câmeras.

– Esquece isto e fale pra mim, prometo de dedinho não contar nada.- relembrou o juramento que haviam feito na época que eram crianças, a mais ou menos oito anos atrás. Eles juraram sempre contar a verdade um ao outro, independente da hipótese ou situação e ouvinte não teria direito de julgá-lo.

Tinha suas exceções, é claro.

– Eu sou anormal, Ali.

– Você é um E.T?- debochou da seriedade das palavras vindas dele.

– Quem dera..Eu gosto de meninas- Alícia levantou sobrancelhas como se falasse: 'me conte uma novidade'.- e meninos.

Piscou várias vezes, notando o olhar abaixado de seu irmão, Na hora achou bobeira por lamentar-se de algo natural e que poderia acontecer com qualquer, porém, no fundo sabia o porquê de tudo aquilo. Zoação. Um ser ou seres, num grupo ou em bando, deviam ter zoado disso antes mesmo dele saber que era bissexual.

Infelizmente, já havia sofrido bullying tão novo e ingênuo. Por causa disso pela sua inocência, moleques da quinta série - qual, o próprio estava na quarta.- começaram a espalhar boatos e rumores que ele era assim por que era uma menininha. 

Um veado. E daí, se seu irmão fosse? Amaria da mesma maneira, mas, não pelo seu pai. Ao chegar nos seus ouvidos, tomou medidas exageradas além de falir família dos meninos, com o discurso repassado pra todos seus amigos que unidades deles haviam ratos. E, realmente haviam.

Mandou botarem lá. Este era o real motivo.

– João, você sabe o que é LGBT?- o menor assentiu.- Certo, o que significa cada sigla?

Parou, por um segundo, achando bem estranho aquela questão especificamente. Refletiu, que, de fato reconhecia que existia a classe LGBT e duas das siglas designavam lésbicas e gays, só.

– Não, completamente.

– A primeira e mais óbvia é Lésbica, seguida da mais famosa que é gays, vinda do B que é bissexual.- deu enfase na última palavra.- e o t representa: os travetis, transexual e transgêneros.

Abriu a boca e fechou, por não ter organizado direito o que iria falar ou até pergunta a sua irmã. Então, proferiu a seguinte frase:

– Bissexual? Sou bissexual?

– Sim, você pertence a classe maravilhosa. Isso designa que pode sentir atração física ou romântica por mais de um sexo, e ter capacidade de relacionar-se tanto com homem quanto mulher. Isso não é ofensa, xingamento nem motivo de zoeira.- referiu ao bullying que havia sofrido.- na verdade, é até melhor.

Fechando a cara, juntou as sobrancelhas e olhos ficaram menores. Semblante interrogativo estava ali. Tudo parecia escuro, pois na sua cara enxergava tudo preto e sem vida, uma escuridão sem fim. Temia que, se contasse aos pais, realmente seria a escuridão sem fim e jamais voltaria a ver cores novamente.

Talvez, jamais voltasse a ver. Ok, era exagero de sua parte. Ou talvez não?

Ou talvez realmente teria que esconder isso de todos menos de Alícia?

Ou talvez descobrissem e contassem a Cláudio?

Ou talvez todo mundo percebesse?

Eram tantas perguntas e nenhuma resposta.

– Pensa quando você tiver idade e for numa balada, a chance de pegar alguém em dobro. Nós, bissexuais, temos dobro de chance nessa situação.

Riu e notou que a mais velha o acompanhou. Alícia que encontrava-se agachada deslizou os pés e sentou ao lado do menor, de pernas de índio. Reconhecia que a possibilidade de ter chutado o balde sem João eram grandes, gigantescas. Ele era a luz dela no fim da escuridão. Melhor ainda, ele era ovelha negra naquela família. Poderia aparentar estranho, já que o menino não era rebelde, no entanto, em meio a tanto caos conseguia ver esperança. Assim como os peixes que estudou, que respiravam onde não tinha ar. Ele via felicidade nas pequenas coisas quanto os pais eram infelizes o tempo todo.

– Somos bissexuais e não têm nada de errado.

.


Notas Finais


Demorei pra caralho, mas tá aí.
Gostaram?
Tá uma mxrda e não saiu como queria.
Não custou tenta, né.


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